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Um livro multissecular e intrigante

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Márcio José Lauria no Jornal Democrata

A lei de Murphy, aquela que garante que o pão sempre cai ao chão pelo lado da manteiga, tem plena validade nas bibliotecas: você procura um livro e não o acha. Tempos depois, ele aparece quando você já se pôs à cata de outro. Foi o que se deu a semana passada, vindo a  ser surpresa das mais agradáveis. É que, assim sem mais nem menos, sem ser querido, emergiu ao alcance dos olhos e das mãos um belíssimo livro, de capa dura e sobrecapa com ilustração, impressão caprichada, formato elegante.

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Nem um sinal de propriedade. Eu nunca deixo de colocar meu nome nos meus, além de lançar uma rubrica particular em duas páginas de minha permanente escolha. Não havia nem minha assinatura nem a tal rubrica; portanto, o livro não era meu, ao menos que eu soubesse.

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Lá estava, íntegro na sua beleza, o Rubaiyat, de Omar Khayyam, poeta persa que viveu presumivelmente entre 1050 e 1123. Tradutor, o grande poeta modernista brasileiro Manuel Bandeira (1866-1968), edição Ediouro, Rio de Janeiro, 2001. Bandeira valeu-se do texto francês de Franz Toussaint.

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O Rubaiyat, em meu tempo de colegial e frequentador da Biblioteca Municipal que funcionava onde é hoje o Museu Rio-Pardense, era guardado sob chave pelo discreto bibliotecário Arnaldo Leal, que não o ia entregando a qualquer leitor, porque a obra era considerada imprópria a menores, aqueles poucos menores que se interessavam por livros, já naqueles idos. O fato é que o li, tendo uns quinze ou dezesseis anos e disso me ficou longínqua impressão de um autor que gostava muito mais de beber vinho, de amar, do que de trabalhar.

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Omar Khayyam, filho de um fabricante de tendas, mas ele próprio importante astrônomo, matemático e pensador, chegou até nós apenas como poeta sobre cujo texto foram cometidas enormes traições de tradução, mesmo porque o persa nunca deveu ter muitos cultores no mundo ocidental. O título de seu livro quer dizer quadras na língua original. De fato, Bandeira colocou em português da melhor qualidade cento e setenta quadras, em que procurou muito mais resguardar o sentido das palavras do que o formato da versificação.

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Difícil a filosofia de vida do poeta, que teve grande parte de seu sucesso na Europa ligada ao que representou como oposição às convenções, à afetação moralista que caracterizou a era vitoriana, no século XIX, época em que sua obra foi descoberta, traduzida e divulgada.

Khayyam  é antes de tudo um agnóstico, que nada nega e nada afirma.

Para ele o melhor que o homem pode fazer é contentar-se em saber que tudo é mistério – a criação do mundo e a nossa, o destino do mundo e o nosso. Por mais que viva, criatura humana alguma elucidará um só dos enigmas do universo. Por isso, o homem deve ser imediatista, gozar o momento que passa, não se preocupar nem com passado nem com o futuro: o passado é um cadáver que se deve enterrar; o futuro é indevassável. Se os homens falam de um paraíso depois da morte, é bem possível que ele não exista. Portanto, cada um que crie um paraíso para seu gozo na Terra.

* (mais…)

Livros combinam com rabiscos?

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Ítalo Anderson, no Transtorno Criativo

“Se riscar seu livro novamente, ficará de castigo!” foi o que ouvi de uma mãe ao educar seu filho, enquanto caminhava próximo a uma escola durante meu intervalo de almoço.

Fiquei a tarde inteira pensando sobre isso. Será que rabiscar os livros é característica de um mau aluno? Bom, entendo que não é agradável deixar marcas em objetos que pertencem a outra pessoa, uma biblioteca ou algum outro tipo de acervo. Mas quanto aos seus livros?

                                                                                   Rabiscos de Johny Dallasuanna

Na infância, sempre enchi de riscos meus livros, cadernos e até algumas provas (às vezes era preciso desenhar minha ideia). Tinha uma compulsão por rabiscos. Por mais que estivesse a responder questões de Literatura, Língua Portuguesa ou outra disciplina que lida com palavras, sempre desenhava no canto da folha, nem que fosse uma pequena estrela. Acredito essa ser uma prática importante para estimular seu cérebro a pensar criativamente. Designers, arquitetos, artistas visuais, ou qualquer outra pessoa que tenha o costume de esquematizar graficamente suas ideias sabem como é importante “rabiscar”. É daí que surgem ideias incríveis.

Portanto, só me resta a dizer, para aquele garoto e para pessoas de todas as idades: rabisque, rabisque muito. Não limite sua criatividade. Faça conexões. Puxe setas, desenhe, comente, grife. Dialogue com o livro! Se acha que o texto precisa de figuras, cole-as nas páginas em branco. É assim que se lê um livro, mergulhando nele e interagindo com cada palavra.

                                                                                   Rabiscos de Johny Dallasuanna

E se o espaço não for suficiente, ande sempre com um bloquinho na mochila ou no bolso. Rabisque onde sua imaginação permitir (e o seu bom senso).

O tablet também vale! Um aplicativo interessante é o SketchBook, da Autodesk. Além de oferecer uma versão gratuita, o SketchBook Express (aqui usuários Apple e aqui para Android) tem as cores e pincéis que você precisa para você fazer qualquer tipo de desenho.

Aproveito assunto do post para indicar um link interessante. O site A Graça da Química tem uma série de curiosidades sobre rabiscos. Não encontrei uma comprovação científica disso, mas vale a pena conferir!

Empresário sai do prejuízo após oferecer livros a qualquer custo em máquinas no metrô

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Larissa Coldibeli, no UOL

O sucesso do empreendedor Fabio Bueno Netto, que criou as máquinas de livros das estações de metrô de São Paulo, veio quando ele já havia desistido do negócio. Para queimar o estoque e encerrar as atividades, resolveu fazer uma promoção inusitada: “Pague quanto acha que vale”. A ação fez as vendas crescerem oito vezes e tirou o negócio do vermelho.

A venda funciona da seguinte forma: os consumidores podem levar os títulos expostos na máquina a qualquer valor, a partir de R$ 2.

Com o sucesso da iniciativa, ele manteve as atividades e, aos poucos, converteu todas as máquinas a esse modelo de negócio. Atualmente, a empresa 24×7 possui 24 máquinas em várias estações do metrô paulista e uma no metrô carioca.

O negócio está em operação desde 2003, mas a nova forma de cobrança foi adotada no final de 2011, quando a empresa teve que retirar várias máquinas das estações por determinação da secretaria de transportes metropolitanos.

“Foi uma decisão arbitrária da secretaria e uma época difícil. Eu tinha acabado de fazer um empréstimo para uma grande importação de máquinas e nosso faturamento caiu 70%. Foram dois anos trabalhando no vermelho até tomar a decisão de encerrar a operação”, conta Netto. Mesmo com o aumento das vendas, a empresa ainda não conseguiu equilibrar as contas, mas espera fazer isso em até dois anos.

Inspiração veio das máquinas de café
A ideia de vender livros em máquinas de autosserviço surgiu enquanto o empreendedor passava em frente a uma máquina de café, muito comum nas empresas. Como não havia nada parecido no mercado, ele precisou adaptar os equipamentos para o produto, criar tecnologia para gerenciamento à distância e até equipamentos para fazer o transporte para dentro das estações.

Foram dois anos e meio de planejamento e investimento de tempo e dinheiro até a venda do primeiro livro. “No primeiro dia de operação, fiquei por perto observando a reação das pessoas. Todos ficavam curiosos, se aproximavam da máquina, mas não compravam. No fim da tarde, quando eu já estava frustrado, aconteceu a primeira venda. Foram quatro livros vendidos no primeiro dia.”

Não há no mercado serviço similar ao da 24×7 para venda de livros. Mas a empresa lucra também com a prestação de serviços relacionados aos equipamentos de autosserviço, como customização para empresas, transporte e fornecimento de meios de pagamento.

Maioria dos clientes paga R$ 2, mas lucro vem do volume
As operações da empresa são separadas e Netto garante que a venda de livros no sistema “Pague quanto acha que vale” dá lucro. “A maioria das pessoas paga R$ 2, mas lucramos por causa do volume. Compramos muita ponta de estoque de editoras, o segredo é comprar bem”, afirma o empreendedor.

A máquina não aceita moedas nem dá troco. Um equipamento que vende somente livros por R$ 10 está sendo testado na estação Trianon-Masp do metrô de São Paulo e, se for bem aceito, será incorporado aos negócios da empresa. Atualmente, são vendidos, em média, 80 mil livros por mês.

As máquinas são abastecidas e vistoriadas, no mínimo, duas vezes por dia e há o telefone do SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) e o celular de um repositor que fica em trânsito no metrô, para corrigir eventuais falhas. O índice de erro dos equipamentos, entretanto, é pequeno, de 0,07%.

Imagem: Google
dica do Chicco Sal

A melhor notícia de Dilma

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aluno na lousa

Gilberto Dimenstein, na Folha de S.Paulo

Para quem acha que o capital humano é essencial no desenvolvimento de uma nação, escolho aqui, neste final de 2012, o que não é a melhor notícia do ano, mas mas a melhor notícia de Dilma Rousseff.

A melhor notícia é a atuação do Supremo Tribunal Federal contra a corrupção, cujo maior mérito é mudar a mentalidade de conivência contra a corrupção e a sensação de impunidade.

A pior é o baixo crescimento econômico, colocando em xeque a eficiência do governo e, mais ainda, o efeito parasita dos governos.

A melhor notícia de Dilma foi sua declaração de que pretende batalhar para que o dinheiro do pré-sal seja destinado à educação. Não sei se ela consegue vencer bem a batalha. Nem se, caso consiga vencer, o dinheiro será aplicado corretamente, sem desperdício.

Sei que existe um risco de o pré-sal acomodar o país com a riqueza fácil e finita. Mas a maior riqueza de uma nação não é o que está debaixo da terra. Mas dentro da cabeça.

Aproveitar essa chance única para focar em melhoria do ensino e do desenvolvimento da pesquisa e da ciência é o caminho para sermos um país civilizado. É algo muito, mais muito mais relevante do que o Bolsa Família.

Não existe país decente com escola pública indecente.

Se Dilma conseguir vencer essa batalha, ela pode perder a próxima eleição – e perder feio. Mas terá assegurada uma forte candidatura a estadista.

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