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Pedro Bial faz nova versão do texto “Filtro Solar” para incentivar consumo de livros

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Ramón Vasconcelos / TV Globo/Divulgação

Apresentador exibiu a adaptação em seu programa, na madrugada desta sexta-feira

Publicado no Gaúcha ZH

O apresentador Pedro Bial também resolveu se manifestar a respeito da crise editorial no Brasil. Nas últimas semanas, redes de livrarias entraram em processo de recuperação judicial e lojas se uniram com a campanha #VemPraLivraria, a fim de incentivar a comercialização de obras literárias.

Pensando nisto, o apresentador do Conversa com Bial fez uma nova versão de seu clássico texto Filtro Solar em edição que busca incentivar a compra de livros. Considerado um dos primeiros virais da internet, Filtro Solar é a tradução de Wear Sunscreen, da jornalista americana Mary Schmich, publicado em 1997 no jornal Chicago Tribune.

Veja o manifesto de Bial

“Senhoras e senhores do ano de 2019: livros, nunca deixem de usar livros! Se eu pudesse dar uma dica sobre o futuro seria esta: usem os livros!

Os benefícios a longo prazo do uso de livros estão provados e comprovados pela ciência; já a única base confiável de meus conselhos são mesmo… os livros… Não vou compartilhar conselhos, garanto que os livros contém todos os conselhos de que você precisa.

Aproveite bem: nos livros habitam o poder, a beleza e a juventude. Pode crer, daqui a vinte anos você vai evocar os seus livros e perceber de um jeito que você nem desconfia, hoje em dia, quantas, tantas alternativas os livros escancararam a sua frente.

Pegue, pague, sinta o cheiro, o peso, a textura; compre, venda, aprecie a capa, a cor, a moldura. Não se preocupe com o futuro, ocupe-se dele, a chegar, página por página. Os livros são máquinas de viajar no tempo.

Todo dia, leia, conheça novos livros, recomende outros, troque, doe, dê ou… Empreste, se quiser, mas diga adeus aos livros emprestados. Nos livros, a gente conhece pessoas que só poderia conhecer nos livros, pessoas de verdade e de mentira, ambas reais. E através dos livros, você conhece melhor quem está a seu lado. Livros aproximam as pessoas. Livros aproximam os continentes.

Talvez você case… Talvez tenha filhos.. Talvez se divorcie… talvez bodas de diamante. Os livros são marcadores no livro de sua vida. Desfrute dos livros, use-os de toda maneira que puder, mesmo! Se precisa de distração, se busca instrução, se estuda, se descansa, tem livro pra tudo. Se quer saber de onde vem, tem; se quer saber para onde vai, uai! Se nem aí pra isso, também!

Leia os livros que seus pais leram, você vai encontrá-los por lá. Leia os livros de seus filhos, aproveite a desculpa! Os livros guardam todos nossos amores, mesmo os perdidos. Tudo vivo, nos livros, sempre. Eles são a melhor ponte com o passado e guardam o futuro.

Livros vão e vem; alguns não, os de cabeceira. Livros diminuem as distâncias geográficas e de estilos de vida. Livros fazem a gente mais velha quando jovem, e mais jovem quando velha. Em São Paulo, nos levam à praia. No Rio, à montanha. Livros, use e os abuse, como enfeite, por deleite, ao encalço, como calço, a metro ou aquilo outro, isto: estique-os… entregue-se, livre sua pele, filtre e infiltre livros ao brilho solar, livros à luz do luar.

Cuidado com os conselhos que comprar, com os bens que vão se lhe oferecer. Gaste seu dinheiro, em coisas fúteis, úteis, supérfluas ou essenciais, torre ou invista, seja pão duro ou manteiga derretida.

Adquira o que precisa, consuma o que não precisa. Mas guarde o troco para os livros. Livros costumam ter mais valor que preço. Use os livros, como quiser usar, agora, como nunca; agora, como sempre, Use os livros, a mais não poder usar”.

Autor de ‘Podres de ricos’ vendeu história por apenas US$ 1 para Hollywood

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Kevin Kwan virou best-seller e inspirou filme que estreia nesta quinta no Brasil após fazer sucesso nos EUA

Andrew R. Chow, em O Globo [via The New York Times]

NOVA YORK — Com seus banquetes generosos, fugas de helicóptero e ricas descrições da exuberante costa de Cingapura, o romance “Asiáticos podres de ricos”, de Kevin Kwan, praticamente implora para ser transformado em um filme. Mas quando Kwan escreveu o livro, publicado em 2013, não imaginava que isso pudesse acontecer. “Eu contei uma história que considerava muito cinematográfica. Ousava sonhar que isso aconteceria? De jeito nenhum”, disse o escritor em entrevista por telefone ao “New York Times”. “Eu não achava nem que seria publicado.”

O livro não só foi publicado como chegou às listas de mais vendidos, também deu origem a um filme (leia aqui a crítica do Bonequinho) que ficou por semanas na liderança das bilheterias americanas — impulsionado por críticas calorosas e agressivas campanhas de aluguel de salas de cinema .

O filme, que estreia nesta quinta (25) no Brasil, carregou o peso de ser o primeiro de Hollywood com um elenco totalmente asiático em uma história contemporânea desde “O clube da felicidade e da sorte”, de 1993. Graças ao sucesso, Kwan acredita que ele já aumentou o apetite por diferentes tipos de histórias em Hollywood.

Eu estava na Filadélfia e havia dois caras brancos na faixa dos 50 anos numa sessão. Um deles admitiu: “Eu não chorava em um filme havia muito tempo, mas nesse chorei”. E o amigo completou, “Sim, eu chorei também.” Aquele não era o alvo demográfico. Mas é engraçado vê-los admitindo isso e ficando tão surpresos com a própria reação. É ótimo ouvir isso, porque é no que acreditamos desde o início: essa história transcende a etnia.

A história explora o mundo dos ricos em Cingapura, onde você cresceu. Qual foi a demonstração mais obscena de riqueza que você viu quando criança?

Essa entrou em “Podres de ricos”: havia uma família que recentemente sofrera uma tragédia pessoal. Um conselheiro cristão chegou e começou a destruir tudo o que era chinês ou tinha algum dragão ou ídolo. Eu tinha 10 anos e lembro de acompanhar naquela enorme mansão enquanto vasos eram jogados no chão. As empregadas choravam vendo fortunas que não conseguiriam juntar em toda a sua vida sendo destruídas bem na frente delas. E depois elas precisavam literalmente varrer tudo. Eu não poderia inventar uma história dessas.

O livro é uma sátira dessa cultura do excesso, mas Hollywood adora glorificar a riqueza. Você temia que a crítica ficasse perdida na adaptação para o cinema?

Tive muitas conversas com Jon (Chu, diretor do filme) sobre isso. Eu conhecia e entendia a visão dele: apesar de haver cenas decadentes, era preciso ver além disso. O centro da história é uma família: um casal, uma mãe e um filho. Aí está a verdadeira riqueza louca da história.

Enquanto outros autores vendem os diretos de seus livros por milhares de dólares, você ofereceu sua obra para as produtoras Color Force e Ivanhoe por US$ 1. O que você fez com esse dólar?

Acho que nem recebi esse dólar, na verdade. Basicamente, eu estava tentando ser o mais amigável possível ao negócio. Não queria que as coisas corressem o risco de não darem certo por dinheiro. Eu preferia que o orçamento fosse gasto na contratação de um grande roteirista para realmente adaptar meu livro, em vez de me pagar alguma taxa de opção estúpida. E isso me deu a possibilidade de participação em todo o processo. Então cada dólar valeu a pena — esse dólar valeu a pena (risos) .

A escolha de Henry Golding, parte caucasiano, para interpretar Nick, o protagonista masculino, causou alguma controvérsia. Esse debate surgiu durante o processo de seleção?

Definitivamente surgiu e foi um tema sobre o qual discutimos por muito tempo. Estávamos hiper-conscientes do que aconteceria e como as pessoas responderiam. Mas no final realmente sentimos que ele era o Nick perfeito. Tivemos que deixar de lado nossas próprias questões a respeito.

Eu entendo o debate e fico feliz que tenha surgido. Mas sendo de Cingapura, que é uma sociedade multicultural, tendo tantos primos mestiços e vendo a luta deles como asiáticos que não são totalmente aceitos em nenhum dos lados, eu realmente tenho muita empatia por isso. Como eles não são asiáticos? Como Henry Golding, que passou a maior parte de sua vida morando na Ásia, pode não ser considerado asiático? Há cinquenta anos ele não poderia entrar em muitos clubes privados simplesmente pela sua aparência.

Nos últimos meses, você viu uma mudança nas oportunidades em potencial para histórias asiáticas em Hollywood?

Sem dúvida. Há um tremendo interesse agora em projetos que estou desenvolvendo. Eu também percebo isso com o elenco. Todos eles têm novas oportunidades surgindo. Eles estão recebendo ofertas de papéis e possibilidades diferentes. Estamos vendo todos esses atores encontrarem demanda de uma maneira totalmente nova e em projetos que não são apenas baseados na Ásia. O clima já está mudando.

Agora que você superou o estereótipo, que tipos de histórias tem interesse em contar?

Asiáticos loucos e pobres. Ou apenas asiáticos malucos de classe média. Eu escrevi três livros sobre o 1% (Além de “Asiáticos podres de ricos”, ele publicou também “China rich girlfriend” e “Rich people problems”). Agora, trata-se de explorar esse amplo espectro e mostrar outras facetas dos asiáticos em todo o mundo. Eu quero mostrar como eles podem ser tão legais quanto os asiáticos ricos e loucos, se não mais.

Também estou desenvolvendo uma série de TV com a Amazon. Ela vai se passar em Hong Kong, e acompanhará a família mais poderosa e implacável de lá. Vai ser muito diferente em tom e temas.

(Pergunta com spoiler) A cena pós-créditos do filme estabelece um novo interesse amoroso potencial para a rejeitada Astrid (Gemma Chan). A cena é o prenúncio de uma sequência?

Eu espero que sim. Junto com alguns atores eu me infiltrei numa exibição na Union Square e ficamos até os créditos finais. No minuto em que a cena passou, as pessoas gritavam. Foi hilário assistir.Estamos definitivamente tentando arrumar as coisas para uma sequência. Mas tudo depende do bom desempenho do filme. Não depende de nós.

Confira o trailer de Caixa de Pássaros, nova adaptação da Netflix com Sandra Bullock

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Sarah Paulson, John Malkovich e Trevante Rhodes também estrelam a adaptação da Netflix para o livro ‘Caixa de Pássaros

Guilherme Cepeda, no Burn Book

Feche os olhos para sobreviver. Esse é o mantra de Caixa de Pássaros, novo drama original Netflix, que acaba de ganhar primeiro trailer legendado.
Uma força misteriosa dizimou a população mundial. Para os sobreviventes, uma coisa é certa: quem a vê, morre. Na busca do último refúgio existente, Malorie e os dois filhos terão de descer um rio traiçoeiro. E a única chance de escaparem da morte é encarar a perigosíssima jornada de olhos vendados. Ao enfrentar o desconhecido, Malorie encontra amor, esperança e um novo começo a ser descoberto.

Bird Box traz Sandra Bullock, vencedora do Oscar®, à frente do elenco reforçado por estrelas como John Malkovich, Trevante Rhodes e Sarah Paulson. A direção deste novo e envolvente thriller é de Susanne Bier, vencedora do Oscar®. Bird Box chega à Netflix em 21 de dezembro.

Confira o cartaz nacional:

Morte no Nilo: Gal Gadot é escalada para sequência de Assassinato no Expresso do Oriente

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Mais uma vez, Kenneth Branagh comanda a nova adaptação da obra de Agatha Christie.

Katiúscia Vianna, no Adoro Cinema

Seguindo os passos de Assassinato no Expresso do Oriente, a 20th Century Fox pretende reunir um grande elenco em Morte no Nilo. Segundo informações do Deadline, Gal Gadot é o primeiro nome confirmado na nova adaptação da famosa obra de Agatha Christie.

A Mulher-Maravilha será responsável por interpretar Linnet Ridgeway Doyle, uma bela e rica herdeira, que rouba o noivo de sua melhor amiga. Só que ela é encontrada morta, durante um cruzeiro pelo rio Nilo, no Egito. Mais uma vez, o detetive Hercule Poirot precisa investigar tal crime, enquanto vários suspeitos também encontram seus respectivos finais trágicos.

Kenneth Branagh assume novamente a cadeira de direção, após o primeiro mistério ter arrecadado US$ 351 milhões nas bilheterias mundiais. É esperado que ele ainda reprise o papel do sagaz protagonista. O roteirista Michael Green também retorna para a continuação. Death on the Nile (no original) chega aos cinemas em 20 de dezembro de 2019.

Publicada em 1937, Morte no Nilo já gerou um filme homônimo em 1974, com Peter Ustinov, Bette Davis, Angela Lansbury, Maggie Smith, Mia Farrow e David Niven no elenco. Já Lois Chiles assumiu o papel de Linnet em tal versão. Sob o comando de John Guillermin, o longa faturou o Oscar de melhor figurino.

Elogiada por Obama, autora enfrentou família para entrar na escola aos 17

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Tara Westover (//Divulgação)

Tara Westover fala a VEJA sobre a vida reclusa articulada pelo pai extremista até a defesa de seu doutorado em Cambridge: ‘Estudar foi viciante’

 

Meire Kusumoto, na Veja

Até os 17 anos, a americana Tara Westover nunca tinha entrado em uma sala de aula. Dez anos depois, defendeu seu doutorado em história na tradicional Universidade de Cambridge, uma das mais conceituadas do mundo. Para isso, precisou deixar para trás, em sua cidade natal ao pé de uma montanha na área rural do estado de Idaho, nos Estados Unidos, um pai que estocava comida e gasolina para se preparar para o caos do fim do mundo, um irmão que a agredia e uma família que não acreditava no poder da educação ou da medicina tradicional.

Tara é filha de mórmons sobrevivencialistas, como são chamadas as pessoas que acreditam que devem se preparar para emergências provocadas por catástrofes naturais ou rupturas na ordem social e política. O pai de Tara desacreditava o governo, por isso demorou até mesmo para registrar vários de seus filhos — a jovem, por exemplo, só ganhou certidão de nascimento aos 9 anos. Também não matriculou as crianças na escola e não se preocupava em levá-las para o hospital quando se machucavam — achava que sua mulher, que sabia trabalhar com ervas, poderia resolver qualquer enfermidade.

Tara não convivia com pessoas de sua idade e só começou a frequentar aulas tradicionais na faculdade, depois de passar meses estudando sozinha em casa, escondida dos pais, para fazer o exame de admissão. A contragosto, seu pai acabou aceitando que ela fosse estudar na Brigham Young University, uma faculdade privada mantida pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Mas a relação dos dois acabou se deteriorando até se tornar inexistente por outro motivo: a revelação por parte de Tara de que sofria com o abuso de seu irmão mais velho, Shawn, que, violentamente, torcia seu pulso, puxava seu cabelo e enfiava sua cabeça no vaso sanitário a cada desentendimento. Seu pai não aceitou que isso fosse verdade, e proibiu toda a família de manter relações com Tara.

A jovem decidiu contar essa história no livro de memórias A Menina da Montanha, que acaba de ser publicado no Brasil pela Rocco. Lançada em fevereiro no país americano, a obra, que reflete sobre família e educação sem apelar para a autoajuda, se tornou um sucesso: angariou elogios da crítica especializada e permanece há 29 semanas na lista de mais vendidos do jornal The New York Times. Para finalizar, o livro ainda entrou para a lista de leituras de verão do ex-presidente americano Barack Obama, que chamou a obra de “excepcional”.

A VEJA, Tara fala sobre a infância, os primeiros momentos na escola e a relação com a família. Confira a entrevista:

Como descreveria a sua infância? Foi complicada. Em muitos sentidos, foi bonita, cresci em uma bela montanha, meus pais me amavam, pude brincar na fazenda, onde tínhamos animais, era idílico. Mas o ferro-velho que meu pai mantinha era perigoso e, como meus pais não acreditavam em médicos, nós não recebíamos atendimento quando nos machucávamos. Eu tinha um irmão mais velho que era violento e algumas questões não eram resolvidas da maneira que deveriam ter sido.

Acha que o que seu irmão Shawn fez vai impactar a sua vida para sempre?
Por um tempo, tive muitos problemas emocionais por causa disso, não conseguia confiar nas pessoas ou me abrir com elas. Levou alguns anos para que eu pudesse superar isso. Ele usava uma palavra com muita frequência comigo, uma palavra nociva e que me magoava. Ele me chamava de p***. Para uma garota de 16 anos, isso influencia a percepção que ela tem dela mesma de uma maneira negativa. Meu irmão tem muito poder sobre mim, ele me definiu para mim mesma e acho que não há poder maior do que esse.

Seus pais pararam de falar com você quando revelou o abuso que sofria de Shawn. Como lida com isso? Para sempre será uma tragédia eu ter precisado abrir mão dos meus pais para que pudesse cuidar de mim mesma. Queria muito que essa escolha nunca tivesse existido, mas uma vez que apareceu, sou grata por ter conseguido deixá-los e cuidar de mim. Isso não significa que eu não os ame ou que não valorize a vida que eles levam, mas levou muito tempo para que eu percebesse que há limites para as obrigações que temos com as nossas famílias. Às vezes, quando o que você deve à sua família está em conflito com o que você deve a si mesmo, tudo bem escolher a si mesmo. Hoje não sei se um dia vamos voltar a ter contato, está fora das minhas mãos. É uma decisão que eles têm que fazer.

Seu pai e seu irmão Shawn sempre falavam sobre como uma mulher decente deveria ser e agir. Como isso influenciou a sua noção do gênero feminino? Internalizei parte da retórica que culpa a mulher por sentimentos e ações que os homens têm. Nunca tinha ouvido falar de feminismo até ir estudar em Cambridge, quando tinha 21 anos. Precisei pensar muito sobre essas ideias, textos e o que eu via. Cresci com uma ideia muito particular do que era ser mulher, e para mim isso estava muito ligado à maternidade. Eu não tinha uma concepção de mulheres fazendo ou sendo algo além disso. Levei muitos anos para que eu confiasse nos meus próprios instintos sobre quem eu era em vez do que o que as outras pessoas me diziam. Hoje, me considero feminista.

De onde veio a força para estudar sozinha para tentar uma vaga na faculdade? Não tenho certeza, mas eu sabia que não queria trabalhar mais com o meu pai. Não tinha muita noção do que era educação ou faculdade, mas sabia que seriam coisas diferentes da vida que eu levava e que a vida que eu tinha não era o que eu queria. Quando descobri que tinha passado no teste e iria começar a faculdade, aos 17 anos, fiquei nervosa e ao mesmo tempo animada, porque era uma oportunidade de sair pela porta e encontrar um mundo diferente.

Como foi o período de adaptação? Eu não tinha o traquejo social de que precisava, porque nunca tinha passado muito tempo com pessoas da minha própria idade. Acho que sempre terei um pouco de ansiedade social. Eu tendo a pensar demais nas coisas e a querer uma fórmula para interagir com as pessoas, e não existe fórmula. Nos estudos, também foi complicado, porque eu não tinha conhecimento sobre muita coisa. Uma das primeiras questões que fiz na faculdade foi perguntando o que era o holocausto, nunca tinha ouvido falar naquilo antes. Também não sabia o que eram direitos civis e achava que a Europa era um país, não um continente. Havia muitos buracos na minha educação que me separavam dos outros estudantes.

No livro, você conta que uma vez te perguntaram se sentia raiva por seus pais nunca a terem colocado na escola. Você, instintivamente, disse que não. Como vê esse assunto hoje? Cresci com a forte ideia de respeito e não sentia que tinha o direito de ter raiva dos meus pais por isso. Sempre era meu instinto concordar com eles e não os criticar. Respeito é uma coisa boa, no geral, mas no meu caso foi difícil por ter sofrido tanto na faculdade e não conseguir entender por que eu não tinha tido uma educação elementar. Foi difícil aceitar que eu talvez não concordasse com a maneira como meus pais tinham me criado.

Por que decidiu estudar história? Aprender sobre história, quando eu nunca tinha tido a oportunidade antes, foi muito viciante porque pude ver todas as perspectivas. Quando criança, fui criada com perspectiva do meu pai. De repente ter acesso a vários pontos de vista diferentes fez com que eu pudesse escolher o que pensar, e não apenas assumir a visão de mundo que meu pai tinha. Foi viciante e um ato de autoafirmação.

O prólogo do livro diz que ele não é sobre religião, que há pessoas religiosas boas e ruins. Incomoda a você a associação que algumas pessoas fazem da religião como algo ruim? É uma simplificação excessiva, reducionista. Há pessoas boas, ruins, gentis, imprudentes, patéticas, egoístas. Vi todo tipo de pessoa com todo tipo de crença e nunca achei que você ter uma crença define se você é gentil ou não. No caso do meu pai, a religião era um fator, mas eu sempre achei que ele sofria de alguma doença mental, como bipolaridade. Acredito que a doença mental provavelmente foi o que levou ao extremismo religioso e não o contrário. Hoje não sou religiosa, me considero agnóstica. Mas sou amigável a religiões, não tenho pensamentos ou sentimentos negativos em relação a isso.

Como foi descobrir que seu livro estava na lista de leitura de verão de Barack Obama?
Foi muito emocionante descobrir que meu livro estava sendo lido por um ex-presidente. Fiquei muito animada e muito grata a ele por ter dispensado tempo para isso. Achei que ele trouxe boas reflexões.

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