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Livro não é presente de Natal

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Cláudia de Villar, no Homo Literatus

Quais são as pessoas que compram um livro para presentear a sua mãe, sua namorada, um cunhado ou um amigo-secreto ou oculto de sua firma? E, para colocar mais lenha na fogueira, quem, realmente, gostaria de ganhar um livro de presente nesse Natal? Quem ficaria feliz? Ou quem ficaria decepcionado?

Eis aí o X da questão. Livro é sinônimo de felicidade? A maioria das pessoas, ao se dirigirem às compras, pensa em adquirir algo que proporcione alegria à pessoa a qual será presenteada, mas o impasse ocorre na possibilidade de contentamento, do prazer de causar impacto e satisfação. Quem presenteia quer causar boa impressão (eis que falo aqui de presente e não de uma lembrancinha), quer que o agraciado demonstre surpresa, que exiba o presente ganho na data festiva para os seus colegas com orgulho, que faça o seu semelhante sentir inveja, dessa forma, muitos travam ante a possibilidade em comprar um livro. Muitos nem cogitam essa hipótese, descartando, sumariamente, a palavra livro de seu dicionário natalino. Livro não é algo que cause inveja. Livro não é presente de Natal.

Por outro lado, temos a criatura que está aguardando o seu presente de Natal. Será que ela tem o desejo de ganhar um livro? Será que naquela listinha de amigo oculto da firma ela escreve, entre as possibilidades de presente, a opção livro?

Quantos pedidos de livro o Papai Noel recebe das crianças? Dos jovens e dos adultos? Quem, entre os terráqueos comuns (não os já acometidos pelo vírus da leitura) almeja ganhar um belo exemplar de uma obra literária? Será que o Senhor Noel não se surpreenderia com um pedido de um livro nessa Era Digital?

Por fim, eis que o Natal se aproxima, deixando para segundo plano a união familiar, o pensamento em Cristo e a importância de seu nascimento, colocando num pedestal a corrida desenfreada às compras do prazer, da luxúria, do amor negado durante todo o ano ao próximo e coloca os mortais na obrigação de comprar o seu perdão, juntamente com a possibilidade de garantir a absolvição de seus pecados através do presente de Natal.

E você, o que quer ganhar de Natal? Que tal um livro?

Gibi ensina a criançada a lidar com o dinheiro

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Proteste lança gibi para ensinar crianças a lidar com dinheiro. Dicas divertidas podem ser aplicadas desde a infância e a ideia é que se tornem adultos mais conscientes sobre seus gastos

Ana Carolina e Alfredo fazem questão de orientar as filhas, e os livros são aliados

Ana Carolina e Alfredo fazem questão de orientar as filhas, e os livros são aliados

Marina Rigueira, no Estado de Minas

Cada vez mais cedo, as crianças fazem parte da vida financeira das famílias influenciando no consumo, decidindo por produtos, marcas e locais de compra, além de serem fortemente atingidas pela publicidade direcionada a elas. Pensando nisso, a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor – Proteste lançou o Gibi Mesada para ensinar os pequenos consumidores a lidar com dinheiro. Cartilhas, revistas de histórias em quadrinhos e livros são instrumentos que podem ajudar os pais na educação dos filhos com noções básicas da vida econômica.

Voltados para o público infantil, os quadrinhos da Proteste apresentam a melhor maneira de planejar os gastos e as táticas que ajudam a “esticar” a mesada. As dicas mostram que o assunto pode ser bem divertido. A proposta da publicação, que tem 16 páginas, é mostrar a diferença entre necessidades e desejos de consumo, a fim de estabelecer limites entre as coisas de que as crianças realmente precisam e aquelas que querem comprar.

De acordo com a coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci, quem aprende a controlar a mesada na infância e adolescência tem mais chances de equilibrar as finanças a vida inteira. “A publicação ensina aos pequenos de maneira lúdica. O gibi oferece uma leitura bem dinâmica, com mensagens claras e situações do dia a dia próximas à realidade da criança. Por meio dos diálogos entre os personagens Laurinha e Bruno, são ensinados conceitos e ideias importantes, como consumo consciente, administração do dinheiro, aprendizado sobre o que é caro e barato e reconhecimento do valor do trabalho, mostrando para as crianças que os pais não têm acesso a quantidades ilimitadas de dinheiro.”

A administradora de empresas Ana Carolina Rolla e o marido Alfredo Rolla se preocupam com a educação financeira das filhas Mariana, de 7 anos, e da pequena Manuela, de 2. “As crianças nascem com uma tendência a achar que sempre se ganha e nunca se perde. Além disso, sentimos a necessidade de ensinar a importância de compartilhar, aprendendo o valor da solidariedade”, ressaltam.

De acordo com Ana Carolina, valorizar a educação financeira consciente é ajudar as crianças a aprender o valor das coisas. “Concomitante a esse ensinamento, aprenderão a priorizar gastos, tais como educação, saúde e alimentação. Assim, estarão mais preparadas para enfrentar a cultura de consumo em que vivemos”, explica. O casal conta que, todas as vezes que a família se depara com situações de consumo no cotidiano, tenta traduzi-las para as meninas.

Segundo Ana Carolina, o principal método usado para a educação das meninas é a prática de sempre, ao ganhar um bem, sejam brinquedos, móveis para o quarto ou roupas, sai outro mais antigo para a doação. “Tem ainda o ensinamento da troca. Se querem uma festa de aniversário, por exemplo, deixarão de ganhar algo relevante. Não dá para ter tudo sempre”, salienta.

Ana Gabriela Ribeiro Lima, administradora de empresas, também preza pela educação financeira da filha Maria Eduarda, de 6. “Acredito que introduzir a criança ao mundo das finanças a tornará um adulto com hábitos financeiros mais saudáveis. Muitos jovens chegam ao primeiro emprego sem noções básicas de consumo consciente, o que gera o mau uso do cartão de crédito, entre tantos outros problemas econômicos. É preciso ensinar uma base para a criança, para que ela assimile desde cedo o valor do dinheiro e da conquista.”

Ana Lima conta que leva Maria Eduarda para as compras no supermercado e o combinado é que ela pode escolher apenas um item a cada ida. “Quando ela era mais novinha, não conseguia escolher um só produto e não tinha noção dos preços. Hoje, ela sabe selecionar o que mais deseja, pesquisa o preço nas máquinas que informam o valor dos produtos, pede opinião para saber se também acho caro ou barato e leva só o que ficou combinado”, explica.

A mãe conta que a pequena recebe uma “semanada” aos domingos. “Ela que administra o próprio dinheiro. Compra o lanche no balé e gasta com figurinhas para os seus álbuns. Ela tem boas noções de troco e também do valor do dinheiro. Nunca gasta tudo e guarda o que sobrou ao fim da semana no cofrinho. Sempre que viajamos, ela leva as economias para os passeios”, conta. Ana também preza por mostrar à filha que, para comprar um novo tênis, por exemplo, é preciso doar o que já tem no guarda-roupa para outra criança, antes da nova compra.

‘Turma da Mônica’ ganhará versão adulta

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Série vai acompanhar o envelhecimento dos personagens a partir dos 25 anos de idade

Mauricio de Sousa e os bonecos dos personagens da 'Turma da Mônica' (Foto: Divulgação)

Mauricio de Sousa e os bonecos dos personagens da ‘Turma da Mônica’ (Foto: Divulgação)

Publicado em O Globo

Já imaginou Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão adultos, inseridos no mercado de trabalho, cuidando da casa? Pois depois da “Turma da Mônica” jovem, vem aí “Turma da Mônica” adulta. O quadrinista e empresário Mauricio de Sousa está planejando uma revista em que seus famosos personagens aparecem a partir dos 25 anos.

Em formato de folhetim, a série prevê que Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão, entre tantos outros, envelheçam junto com os leitores. A ideia é que a história seja contemporânea, acompanhando os acontecimentos do Brasil.

A equipe do estúdio de Mauricio de Sousa chegou a fazer esboços de como Monica-quarentonaseria a Mônica de 40 anos (veja ao lado). “Foi apenas uma adaptação feita no estúdio. Não significa que essa será a imagem dela nessa série da turma adulta”, explicou o cartunista José Alberto Lovetro, o JAL, que trabalha com Mauricio de Sousa.

Na “Turma da Mônica jovem”, que retrata os personagens na adolescência, Mônica e Cebolinha apareceram aos 25 anos. A cena, parte de um especial, mostrou o casamento dos dois.Previsto para “daqui a alguns anos”, o projeto seguirá junto com a “Turma da Mônica” clássica e a “Turma da Mônica” jovem. Para desenvolver as novas tramas, mais maduras, Mauricio de Sousa, de 78 anos, tem se consultado com colegas como o novelista Walcyr Carrasco, das novelas “Caras e bocas” e “Amor à vida”.

Não ficção para jovens é um dos destaques da Feira de Frankfurt

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Visitantes chegam à feira de Frankfurt, que foi aberta com discursos dos presidentes da Alemanha e da Finlãndia, cujo país é homenageado deste ano (Foto: Daniel Roland/AFP)

Visitantes chegam à feira de Frankfurt, que foi aberta com discursos dos presidentes da Alemanha e da Finlãndia, cujo país é homenageado deste ano (Foto: Daniel Roland/AFP)

Roberta Campassi, na Folha de S.Paulo

Uma tendência notada na Feira do Livro de Frankfurt, maior evento editorial do mundo, que acabou no domingo (12), foi o aumento no número de obras de não ficção para jovens –público que já abocanha enorme fatia do mercado com livros de ficção.

Muitas dessas obras são adaptações de livros adultos –biografias, autoajuda, história– para os leitores jovens.

Nos EUA, alguns exemplos são a versão juvenil de “Invencível”, de Laura Hillenbrand, e de “O Poder dos Quietos”, de Susan Cain.

No Brasil, um sinal do interesse dos jovens adultos na não ficção foi a volta de “O Diário de Anne Frank” às listas de livros mais vendidos —tudo porque no romance “A Culpa É das Estrelas”, de John Green, os personagens vão ao museu Casa de Anne Frank.

“Quem compra o Diário’ é o mesmo jovem que lê ficção. É um público voraz”, afirma Bruno Zolotar, diretor de marketing da Record.

Na feira, a Record adquiriu o infantil “Malala, a Brave Girl from Pakistan/Iqbal, a Brave Boy from Pakistan”, de Jeanette Winter. A Companhia das Letras tem a versão juvenil de “Eu Sou Malala”, da Nobel Malala Yousafzai.

Para o público adulto, houve disputa maior por literatura de qualidade, na avaliação de Otávio Marques da Costa, publisher da Companhia. Provam isso as negociações concorridas de “The Girls”, de Emma Cline, e “Fates and Furies”, de Lauren Groff. Ambos ficaram com a Intrínseca.

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Frankfurt em números

270 mil
foi o número de visitantes, ante 275 mil no ano passado, a menor visitação em seis anos; para editores, a comunicação via internet reduz ano a ano a importância de encontro

58 editoras brasileiras
participaram do evento, ante cerca de 170 em 2013, quando o Brasil foi o país convidado da feira

US$ 2 milhões
é, segundo especulações do mercado, o valor pelo qual a Random House adquiriu a trilogia literária “The Girls”, da estreante Emma Cline, que aqui ficou com a Intrínseca

Adultos não deviam se sentir envergonhados por lerem clássicos da literatura infantil

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Publicado por Literatortura

Não julgue um livro pela capa – mas sim por suas páginas!

Por trás de toda a histeria causada pela nova capa do livro “A Fantástica fábrica de chocolate”, de Roald Dahl, há questões muito mais relevantes: para quem são escritos os livros? – e que diferença prática isso faz?

O romance em questão, lançado há 50 anos e publicado originalmente “para crianças” foi relançado pelo selo britânico Penguin Modern Classics, numa edição “para adultos”. Seja qual for a sua opinião sobre a capa – para mim, uma boneca vestindo marabu é lindamente perturbador e coube muito bem ao estilo da terrível Verônica Salt – trata-se de um clássico. O romance de Roald Dahl deve ser considerado canônico, independentemente de quem o leia.

Adultos passaram a se interessar por livros infantis através da série Harry Potter e esse interesse continuou vivo quando Crepúsculo e Jogos Vorazes foram lançados. As grandes editoras chegaram ao ponto de relançá-los com capas mais infantilizadas, como se quisessem nos relembrar de que eles também foram feitos para crianças.

 

É incontestável que o atual público do mercado editorial nunca foi tão amplo – o que gera, portanto, um ambiente em que confusões como essa certamente virão a ocorrer. Algumas gerações atrás houve uma discussão parecida envolvendo Enid Blyton e George Orwell. Nos Estados Unidos, Philip Roth lançou, em 1969, um romance “para adultos” chamado O Complexo de Portnoy. Em 1973, Judy Blume lançou Deenie, para “adolescentes”. Masturbação é um tema recorrente em ambos, o que resultou no banimento dos mesmos de várias livrarias dos EUA. Roth, no entanto, jamais diria que seu livro foi escrito para crianças e Blume nunca afirmou que sua obra era destinada ao público adulto. Portnoy é inegavelmente um clássico da literatura estadunidense; Deenie, por sua vez, pode ter sido a responsável pelo desenvolvimento da maturidade emocional de muita gente.

Muitos livros lançados hoje em dia são obras “cruzadas”: protagonistas crianças inseridas em tramas densas e elaboradas. Como leitor, de qualquer faixa etária, você deve-se fazer apenas uma única pergunta: esse livro é bom ou não?

Apesar de muitos livros infantis conterem capas bobinhas, isso não precisa ser um padrão. Se você vir o seu filho lendo um livro que te desagrade, pergunte a ele o que ele acha da história e encontre um livro que contenha essas características, mas de qualidade superior.

A ideia de que um livro oferecer algum tipo de proteção às crianças que o leem é uma tremenda bobagem – a versão original de muitos contos de fadas, por exemplo, é macabra o suficiente para revirar o estômago de qualquer adulto. Há muita porcaria sendo publicada ultimamente e creio que isso se deve ao fato de que hoje há uma gana doentia em tentar adivinhar o que vai vender ou não. Editores deveriam parar de perder tempo se perguntando se um livro é “literatura” ou “comercial”, se é para “adultos” ou “crianças” – eles deveriam apenas se perguntar se possuem em mãos livros bons ou ruins.

Exemplo: quando 50 tons de cinza foi lançado, toda a discussão que o envolveu – além da vergonha de se admitir de o ter lido – era a respeito de seu alto teor erótico. Então, eu disse que, se o objetivo das pessoas era de fato ler literatura erótica, que as direcionássemos a bons livros eróticos, como por exemplo A História de O. Por motivos óbvios, fui dissuadida a evitar tal assunto. Entretanto, mantive o meu ponto: não interessa a qual gênero literário 50 Tons de cinza pertence. O que interessa é que se trata de um péssimo romance. Mas um péssimo romance que vendeu, como todos sabem. Contudo, um possível relançamento de A História de O não venderia também?

Atualmente, há um novo rótulo para livros em alta, o que as editoras chamam de “thriller”. Parece-me uma estratégia de marketing degradante e de muito mau gosto. Soa como “não fique constrangido ao ler este livro, pois se trata de uma obra genial”.

Ninguém que já tenha lido um thriller o viu dessa maneira, porque um thriller bem escrito é apenas um livro bem escrito – sem a necessidade de tal denominação. John Le Carré, ou qualquer um de seus devotos fãs, sabem muito bem do que estou falando. Quando O Espião Perfeito foi lançado, ninguém menos que Philip Roth o descreveu como “o melhor livro já lançado desde a segunda guerra”. Nada de thriller. Livro.

Se mais alguém quiser se aprofundar nessa rotulação interminável, certamente verá em J. K. Rowling a próxima “vítima” a ser analisada: ele escreveu, por muitos anos, livros infantis e se tornou famosa por isso. Mais recentemente, um romance para adultos e dois thrillers foram lançados pela mesma. Os seus livros “de gente grande” foram comicamente apontados pela quantidade notável de palavrões, como se ela tivesse guardado-os por todos esses anos.

Contudo, em vez de dividi-la em categorias, você apenas se pergunta se ela é uma boa escritora ou não. É possível traçar muitas semelhanças entre seus livros. Seu estilo não é excepcional, mas é funcional: ainda que por vezes sua escrita seja previsível, Rowling é uma escritora deveras instigadora e consegue criar um universo coerente e conduzi-lo com maestria. E o mais importante: ela é capaz de entrar na mente das crianças como poucos escritores o fazem.

Ironicamente – ou não, se você jogar todas essas classificações e rótulos no lixo – a visão de Rowling das crianças é muito mais clara em Morte Súbita, em que os adolescentes roubam a cena: eles são rebeldes, cheios de traumas, inteligentes e indecisos. Mas todos estão doidos para se envolver com o mundo exterior e irem adiante, rumo à próxima fase de suas vidas.

E então eu li A Fantástica fábrica de chocolate. Trata-se de um excelente livro, sem dúvida alguma. Algo mais importa?

Traduzido por Pedro Lima

PS: Traduzido de: aqui!

PPS: O presente texto é um artigo de opinião postado no site do jornal britânico Telegraph escrito por Gaby Wood, não contendo necessariamente a opinião da equipe do Literatortura.

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