Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Advogado

Advogado é multado por revelar pseudônimo de JK Rowling

0

Sócio do escritório de advocacia que representava a autora de Harry Potter revelou um dos maiores segredos do mundo editorial para a melhor amiga de sua mulher, que falou para jornalista

Publicado no Estadão

O advogado responsável por revelar que JK Rowling era a verdadeira autora de um romance policial vendido sob o pseudônimo de Robert Galbraith foi multado em 1.000 libras esterlinas (1.650 dólares) e recebeu uma advertência por escrito de um órgão britânico de supervisão do Judiciário.

Autora de Harry Potter teria ficado furiosa com revelação - AP

Autora de Harry Potter teria ficado furiosa com revelação – AP

Chris Gossage, sócio do escritório de advocacia Russells Solicitors, que representava a autora de Harry Potter, revelou um dos maiores segredos do mundo editorial para a melhor amiga de sua mulher, que, em seguida, mandou um tuíte para um jornalista revelando a verdadeira identidade de Galbraith.

 

Rowling, escritora de maior vendagem da Grã-Bretanha, ficou furiosa ao descobrir que fora um sócio do escritório de advocacia que a representava, com sede em Londres, quem havia vazado a informação de que ela era a autora de “The Cuckoo’s Calling”.

 

O material de divulgação do livro o descrevia como obra de estreia de Galbraith, um policial militar aposentado.

 

Depois de tomar medidas legais contra Gossage e sua amiga Judith Callegari, Rowling aceitou o pedido de desculpas do escritório de advocacia, que pagou os custos do processo e fez uma doação substancial, de valor não revelado, a uma instituição de caridade de sua preferência, a Soldier’s Charity.

 

A Autoridade de Regulamentação da Advocacia informou em uma sentença divulgada esta semana que Gossage recebeu uma advertência por escrito e uma multa de 1.000 libras esterlinas por revelar informação confidencial de um cliente para uma terceira pessoa.

 

Ninguém do Russells Solicitors estava disponível de imediato para comentar o assunto. O nome de Gossage ainda consta como sócio da firma, a qual deixou claro que revelar o nome de Rowling foi um erro e não uma jogada de marketing.

 

Na época, Rowling, de 48 anos, disse que havia sido “maravilhoso” publicar sem alarde ou expectativa e ouvir comentários sobre o livro, sob um nome diferente, mesmo que isso tenha significado que algumas editoras rejeitassem a obra, como também havia acontecido quando ela tentou publicar os primeiros da série Harry Potter.

(Reportagem de Belinda Goldsmith)

dica do Chicco Sal

Scott Turow: ‘A Amazon quer tirar as editoras do mercado’

0

1

Meire Kusumoto, na Veja

O escritor americano Scott Turow, no Brasil para participar do Pauliceia Literária, evento da Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp) que teve início nesta quinta e segue até domingo na capital paulista, divide a vida e a carreira entre dois mundos que, com muita frequência, se encontram: o direito e a literatura. Advogado formado em 1970 pela Amherst College, em Massachusetts, e atuante como tal, publicou seu primeiro romance, Acima de Qualquer Suspeita (Record), em 1987, pelo qual alcançou reconhecimento e foi considerado o criador de um gênero novo, o thriller jurídico, em que o tribunal de justiça é o principal cenário de acusações e reviravoltas.

Além de usar o conhecimento prático da profissão para construir suas histórias, Turow também usa o direito para defender seus colegas escritores no que ele chama de “ambiente de guerra”, em que o Google e a Amazon são os principais inimigos, atacados pelo escritor em um artigo publicado no jornal americano The New York Times em abril. “A Amazon quer tirar as editoras do mercado e ser a única ponte entre o autor e o leitor”, disse em entrevista ao blog VEJA Meus Livros. Para ele, autor de onze livros – que venderam 30 milhões de cópias no mundo – e presidente do Sindicato Americano de Autores, as políticas agressivas de redução de preços de livros praticadas pela Amazon e as tentativas do gigante de buscas de digitalizar bibliotecas inteiras não deveriam ser aceitas pela justiça, já que colocam a sobrevivência dos autores em risco.

Apesar do embate contra as gigantes da internet, Turow é adepto da tecnologia e diz levar um iPad durante as viagens que faz, por questão de praticidade. “Eu não considero o papel sagrado, mas as palavras e o texto, sim. Geralmente eu compro o livro digital e o físico, porque uma vez que você termina o e-book, não há nada para você colocar na prateleira”, afirmou. Mas, coerente, não compra livros da Amazon por acreditar que a empresa pode ser o agente exterminador do modo de publicação tradicional. “Eles defendem um modelo em que todos os escritores se autopublicam, negócio que rende à Amazon 30% dos lucros de venda da obra. O risco que vejo é de que, quando a Amazon tiver efetivo controle do mercado, ela pague cada vez menos a autores para vender livros por preços menores para os consumidores.”

Scott Turow participa do Pauliceia Literária na mesa “Advogado, profissão: escritor”, nesta sexta-feira, às 19h, com mediação do jornalista Arthur Dapieve. Confira a entrevista do escritor.

Em 2011, você deu uma entrevista durante a sua passagem pela Bienal do Livro do Rio em que afirmou que o advogado Rusty Sabich era seu alter-ego. Você disse que não sabia se ele seria feliz eventualmente porque, talvez, você mesmo não soubesse como ser feliz. Isso mudou com o tempo? (Risos) É tão engraçado, minha namorada me faz essa pergunta o tempo todo, coisas do tipo: “Você aguenta ser feliz?”. Acho que a resposta é sim, é a recompensa por envelhecer.

Sabich voltará em breve em um de seus livros? Ele precisa aparecer mais alguma vez para ser feliz, também. Mas eu preciso de mais experiência sendo feliz para escrever essa história.

Nos seus livros, você mostra como a justiça pode ser falha. Foi algo que observou na prática do direito? A justiça não é perfeita e escrevi sobre como a lei, mesmo com seu propósito nobre, nem sempre é seguida.

No artigo The Slow Death of the American Author, publicado no jornal The New York Times, você diz que o valor dos direitos autorais está sendo depreciado. Podemos responsabilizar somente o mercado digital por isso? A revolução digital criou um ambiente de guerra de todos contra todos, em que muitos aliados tradicionais já não são mais aliados, como editores e autores, livrarias e autores. Um está no pescoço do outro, todos viraram competidores. As editoras querem pagar valores menores de royalties para autores por e-books. Escritores acadêmicos cujos livros não vendem defendem um mundo em que os livros são gratuitos porque eles são sustentados por universidades. E também temos forças novas, como Amazon e Google, que têm modelos diferentes para o funcionamento do mundo editorial. O Google quer copiar o conteúdo das bibliotecas das principais universidades e depois disponibilizar on-line para buscas, com o risco tremendo de que essa biblioteca seja hackeada. Para mim, o mais ridículo e injusto é que eles querem fazer uso comercial dos trabalhos de autores, lucrando em cima disso. A Amazon quer tirar as editoras do mercado e ser a única ponte entre o autor e o leitor. Eles defendem um modelo em que todos os escritores se autopublicam usando a plataforma da Amazon, negócio que rende à empresa 30% dos lucros de venda da obra. Além de tudo, há o problema muito sério dos livros piratas, distribuídos em vários sites. Meus livros foram pirateados depois de uma semana de publicação e estão sendo distribuídos gratuitamente na internet por sites sustentados por anúncios publicitários. Nem os anunciantes nem os mecanismos de busca que levam as pessoas a essas páginas são punidos por isso.

Você não acha que a autopublicação foi benéfica para novos autores? Os e-books e a Amazon não ajudaram nesse sentido? É ótimo para novos escritores, fico feliz que as dificuldades para entrar no mercado editorial tenham diminuído. Nos Estados Unidos, é difícil publicar um livro por uma editora, então é uma coisa boa que as pessoas consigam vender seu trabalho na Amazon. Não sou contra isso nem um pouco. Meu medo, no entanto, é que a Amazon use o modelo de autopublicação para todos os autores e tire as editoras da jogada. Vários executivos de editoras acreditam que esse é o objetivo da Amazon.

Como você vê o futuro do mercado editorial e de autores, nesse cenário? Sempre vão existir leitores, livros e novos autores. O risco é de que, quando a Amazon tiver efetivo controle do mercado, ela pague cada vez menos a autores para vender livros por preços menores para os consumidores. Vai ser cada vez mais difícil para autores que não os mais famosos ganhar a vida fazendo literatura. Muitos vão sumir em meio aos milhares de livros da Amazon. Com isso, a cultura literária americana será prejudicada, vai haver menos vozes. Essa não é a visão que os fundadores da nação tinham quando eles estabeleceram as regras de direitos autorais, criadas para a proteção do trabalho de um autor.

Você tem um leitor de livros eletrônicos? Tenho um iPad. Leio a maior parte dos meus livros no iPad, tenho três romances carregados no leitor e outros cinco guias turísticos por causa da viagem ao Brasil. É muito mais fácil viajar com o iPad, eu não considero o papel sagrado, mas as palavras e o texto, sim. Geralmente eu compro o livro digital e o físico, porque uma vez que você termina o e-book, não há nada para você colocar na prateleira. Você se cerca do status físico do livro, o que você leu é uma forma de lembrar quem você é. Eu não acho a experiência de leitura diferente, mas a experiência de vida diferente. Eu não sou contra a tecnologia, amo meu iPad, eu escrevo com o auxílio dele, faço compras com ele. Faço compras na Amazon! Compro coisas como a tigela do cachorro e brinquedos para o meu neto, mas não livros. Também não acredito em visitar lojas físicas e depois comprar os produtos na Amazon, os vendedores fizeram um investimento ao comprar e exibir aquilo. Mas os americanos, especialmente, são muito sensíveis ao preço, parece que é a única coisa que importa.

Qual a sua sugestão para proteger autores e editoras? Eu gostaria que as leis mudassem, que as pessoas que anunciam em sites piratas e que mecanismos de buscas que dão link para sites piratas pudessem ser responsabilizados pelo que fazem. É o mesmo quando alguém diz onde comprar heroína, ele está ajudando a vender a droga. É o sistema louco em que as empresas de internet encontraram uma forma de suspender nossas noções legais para benefício próprio.

O que você pode falar sobre seu novo romance, Identical? Vai ser publicado nos Estados Unidos no mês que vem e no Brasil em março (com o título Idênticos, pela Record). A história é sobre gêmeos idênticos, assunto que sempre me fascinou, mal consigo imaginar como é ter alguém idêntico a você. Minha irmã era gêmea, mas meu irmão morreu durante a infância. Como eu era criança, fiquei confuso, cheguei a pensar que, como era um irmão, um menino, ele era de certa forma meu gêmeo, não da minha irmã. O novo livro é baseado no mito de Castor e Pólux, uma releitura moderna de personagens da mitologia grega. Um irmão é um político de sucesso, que está concorrendo a prefeito, enquanto o outro irmão sai da prisão por ter matado sua namorada 25 anos antes. O irmão da vítima acusa o político de ter se envolvido no crime também.

Você está trabalhando em um novo projeto? Estou tentando escrever um livro do gênero young adult (para jovens adultos) baseado vagamente no meu relacionamento com o meu avô. Tive meu primeiro neto no ano passado e isso me fez pensar muito em meu avô. E depois vou voltar para um romance adulto que vai se passar na Corte Penal Internacional de Haia.

Em Guantánamo: Soldado dá ’50 Tons de Cinza’ a preso islamita para provocar, diz advogado

0

Soldado dá ’50 Tons de Cinza’ a preso islamita para provocar, diz advogado

1

Patrícia Campos Mello, na Folha de S.Paulo

Advogados de presos da base militar americana de Guantánamo estão acusando guardas de usar o best-seller erótico “Cinquenta Tons de Cinza” para difamar os detentos.

James Connell, advogado de Ammar al-Baluchi, acusado de participação nos atentados de 11 de Setembro, afirmou ontem que um guarda da prisão deu um exemplar do livro ao seu cliente.

“É uma campanha de desinformação ou uma piada de mau gosto, acho que queriam deixar na cela dele para dizer que meu cliente estava lendo o livro”, disse Connell. “Mas Baluchi é um homem religioso e nem abriu o livro.”

Na semana passada, um deputado americano esteve em Guantánamo e voltou dizendo que “Cinquenta Tons de Cinza” era o livro mais popular no Camp 7, que abriga os detentos de “alta periculosidade” como Khalid Sheikh Mohammed, acusado de ser o arquiteto dos atentados de 2001.

“Em vez do Corão [livro sagrado muçulmano], o livro mais requisitado por esses detentos de alta periculosidade é ‘Cinquenta Tons de Cinza’. Eles já leram toda a série em inglês”, disse o deputado democrata Jim Moran. “Esses presos do Camp 7 não são fanáticos religiosos, são o oposto, são uns fingidos.”

Capa do livro '50 Shades of Grey' ('Cinquenta Tons de Cinza', em português), de conteúdo erótico (Will Oliver/AFP)

Capa do livro ’50 Shades of Grey’ (‘Cinquenta Tons de Cinza’, em português), de conteúdo erótico (Will Oliver/AFP)

Mas porta-vozes da prisão afirmam que livros “lascivos” são proibidos em Guantánamo e que “Cinquenta Tons” não faz parte da biblioteca nem pode ser enviado como correspondência legal.

Baluchi, segundo seu advogado, levou o livro erótico ontem para o tribunal onde está sendo julgado ao lado de KSM pela morte de 2.996 pessoas nos atentados de 11 de Setembro. “Ele veio da cela com o livro para me dar”, disse.

Segundo Connel, Baluchi só lê as revistas “Economist” (especializada em economia internacional) e “Wired” (especializada em tecnologia).

O advogado diz ter guardado o livro em um cofre para fazer uma denúncia ao comandante encarregado da prisão.

À Folha, o porta-voz do Pentágono em Guantánamo, Todd Breasseale, afirmou que não entende que os advogados de defesa se emprenhem por seus clientes, mas não vai comentar declarações de “fontes secundárias”

O “Alquimista”, de Paulo Coelho, e a série “Harry Potter” são alguns dos best-sellers na prisão americana.

Erros fazem biografia de Dirceu virar alvo de questionamentos

0

Jornalista promete nova edição com correções nos próximos dias

Morris Kachani, na Folha de S.Paulo

Com vários erros superficiais de informação e outros nem tanto, “Dirceu – A Biografia”, sobre o ex-ministro José Dirceu, virou sucesso editorial, com 37 mil exemplares vendidos, segundo a editora Record, a R$ 40 cada um.

Nos últimos dois meses, esteve no topo da lista das obras de não-ficção. O autor é o jornalista Otávio Cabral, um dos editores-executivos da revista “Veja”. Desde que o livro foi lançado, no entanto, surgiram questionamentos na internet.

Uma resenha na revista “piauí”, feita pelo jornalista Mario Sergio Conti, ex-diretor de Redação da “Veja”, listou mais de duas dezenas –em geral imprecisões, como grafia, endereços ou cálculos. Para esta reportagem, Conti enviou uma lista com pelo menos outros 30 erros.

Um dos principais é a narrativa de uma viagem de Dirceu ao Haiti, para acompanhar um jogo da seleção brasileira. A viagem é descrita em detalhes –o ex-ministro teria tirado fotos com os jogadores e chorado durante a execução do Hino Nacional.

Mas Dirceu não esteve no Haiti. O erro foi corrigido na terceira edição do livro, e o autor o atribui a um mal-entendido em entrevista com o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

Cabral disse que corrigirá os erros que reconhece, desde que não sejam “por picuinha ou ideologia”, para uma nova edição revisada que deve sair nos próximos dias.

Para ele, “erros no micro’ não comprometem o macro'”. “Não errei por má-fé ou falta de trabalho. O problema foram fontes de informações erradas ou documentos oficiais sem credibilidade 100%.”

“Dirceu – A Biografia” colheu resenhas favoráveis no lançamento, duas delas na Folha. Cabral, que já trabalhou no jornal, diz que levou seis meses para escrever o livro e afirma ter entrevistado 63 pessoas para produzi-lo.

O autor tentou entrevistar Dirceu, que recusou o convite. Procurado, o ex-ministro também não quis falar com a Folha sobre a biografia.

“Erros acontecem. Mario Sergio Conti sabe bem disso. Tanto que na última ‘piauí’ foi publicada uma carta de uma professora que ele havia dito, na edição anterior, que estava morta e contado detalhes de seu enterro. Mas ela está bem viva”, diz Cabral.

Conti de fato “matou” a pessoa errada. Mas Lúcia Carvalho, autora da carta, não é professora, e sim arquiteta.

‘Psicose’, o livro que fisgou Hitchcock, é relançado no Brasil

0

Nova edição da obra de Robert Bloch, que inspirou filme clássico do mestre do suspense, chega ao país depois de meio século esgotada

Norman Bates (Anthony Perkins) e Marion Crane (Janet Leigh): diretor tirou o livro de circulação Divulgação

Norman Bates (Anthony Perkins) e Marion Crane (Janet Leigh): diretor tirou o livro de circulação Divulgação

Liv Brandão em O Globo

RIO – Mary Crane tomava banho em seu quarto do Bates Motel quando foi surpreendida por uma “velha louca”, cujas mãos abrem a cortina da banheira e, com uma faca de açougueiro, decepam sua cabeça. A descrição só não bate exatamente com a célebre cena do chuveiro de “Psicose” porque Alfred Hitchcock decidiu que a Marion de Janet Leigh deveria morrer esfaqueada. Mas foi justamente essa passagem do livro homônimo de Robert Bloch que inspirou o cineasta inglês a comprar aquela história. Depois de uma elogiosa resenha no “New York Times”, Hitchcock correu para adquirir seus direitos para o cinema e não só isso: fez sua assistente tirar de circulação todos os exemplares existentes do livro, para evitar que o final vazasse. Pois parece que a ordem do diretor acabou ecoando no Brasil, onde o livro foi editado unicamente na década de 1960 e figurou entre os mais vendidos da época, para depois desaparecer por completo das prateleiras – um exemplar usado, em mau estado, é encontrado por até R$ 150. Pois agora “Psicose” de Robert Bloch finalmente ganha uma reedição brasileira, pelas mãos da novata Darkside, depois de muita luta.

— Sempre quisemos lançar este livro. Fomos atrás dos principais agentes literários para descobrir quem representava a obra de Robert Bloch e foi muito difícil encontrar o responsável. Um passava para o outro e ninguém nunca sabia ao certo, ninguém tinha o contato. Levamos cerca de oito meses até descobrirmos que o livro era representado pelo advogado dos herdeiros do escritor (morto em 1994, aos 77 anos) — conta Christiano Menezes, diretor editorial da Darkside. A novíssima edição vem em duas versões: capa dura, que preserva o inconfundível logotipo criado por Tony Palladino, e brochura, com tradução de Anabela Paiva.

Apesar de Bloch ter sido criticado por François Truffaut em sua série de entrevistas com o mestre do suspense, o escritor era aclamado por colegas mais famosos, como Stephen King, que afirmou que algumas de suas obras (foram 30 livros e centenas de contos) tiveram grande influência na literatura americana. Estudiosos da obra de Hitchcock também ressaltam o valor da escrita de Bloch, que criou seu Norman Bates — atualmente retratado na elogiada série “Bates Motel” — inspirado pelo famoso assassino americano Ed Gein (sua primeira vítima conhecida, aliás, também se chamava Mary, como a mocinha do filme).

— Robert Bloch é frequentemente citado com desdém, mas o que a gente tem que lembrar é que ele chegou lá primeiro, foi ele quem criou o personagem chamado Norman Bates. Ele criou a Mary Crane do livro, que virou a Marion Crane do filme. Ele criou o enredo sobre um homem dominado pela mãe que recorre a diabólicos e assustadores atos de violência. Essencialmente, tudo o que acontece no filme em termos de história vem de Robert Bloch. Acho que há uma tendência a negligenciar o poder dessa criação — defende Stephen Rebello, autor de “Alfred Hitchcock e os bastidores de ‘Psicose’” (Intrínseca), considerado um dos maiores estudiosos da obra do cineasta.

Roteiro ‘impossível’

Para apostar na força do thriller, Hitchcock precisou comprar várias brigas. No fim dos anos 1950, o cineasta tentava se recuperar do baque de ter dois projetos abortados, que renderam prejuízos significativos, e enfrentava a concorrência de nomes como Otto Preminger e Henri-Georges Clouzot. Antes mesmo de se interessar pela trama de Bloch, “Psicose” já havia sido submetido aos analistas da Paramount, que consideraram o argumento “impossível para o cinema”, por ser chocante demais para uma época em que os filmes não retratavam tanta violência.

— Ele basicamente arriscou sua reputação e sua vida criativa para conseguir rodar esse filme — conta Rebello, que diz entender os motivos para o cineasta ousar tanto. — Com influência do (mestre da ficção científica e terror) H. P. Lovecraft, de quem era discípulo, Bloch vem de uma linha menos pretensiosa em termos de aspirações literárias, mas faz uma arte que tenta pegar pelas tripas em vez de investir na boa educação. Isso o interessou bastante.

Rebello, que assume que os diálogos da tela são uma versão melhorada do que está nas páginas, ressalta outra prova da importância da obra que inspirou o filme: a despeito da cena do chuveiro e ao contrário do que costumava fazer, Hitchcock foi bastante fiel ao que foi narrado por Bloch, que ainda lançou duas continuações de sua mais importante criação, cujo primeiro rascunho ficou pronto em seis semanas.

— No livro, Norman Bates é um cara de meia idade, careca, de óculos, rechonchudo, beberrão. Provavelmente mais parecido com o que Norman Bates poderia ser na vida real — contextualiza Rebello. — Só que Hitchcock tinha um ótimo instinto para escalar seus atores e foi muito sofisticado ao perceber que o público ficaria encantado por um belo rosto. Especialmente, um jovem e bonito. Para viver Norman Bates em “Psicose”, o filme, ele chamou Anthony Perkins. Graças a ele, as pessoas poderiam até não gostar do personagem, mas o achariam atraente. Isso foi brilhante.

Outra grande mudança acontece logo no início das duas versões da história. Se o filme apresenta de cara os dramas de Marion com seu amante Sam Loomis e seu inesperado golpe ao roubar US$ 40 mil do patrão para fugir e tentar uma vida melhor, o livro é aberto com descrições detalhadas sobre a interação entre Norman e sua castradora mãe, Norma.

— Isso obviamente não poderia acontecer no filme, afinal, descobrimos no fim de tudo que ela está morta. Há sim, mudanças, mas elas são bem espertas e acuradas — explica Rebello. — Acredito que o roteirista tenha decidido desenvolver primeiro o personagem de Marion para fazer com que os espectadores criassem empatia por uma mulher que está presa a um emprego nada interessante, lidando com colegas nada interessantes e vivendo uma situação desesperadora com o namorado que não quer casar com ela. Dessa forma, os espectadores se apegaram bem mais a esse personagem do que se o filme começasse como o livro.

Para Rebello, o fato de ler ter lido o livro depois de assistir ao filme e saber a verdadeira origem dos assassinatos no Bates Motel não estraga sua fruição. Se Hitchcock fez de tudo para preservar o desfecho da história — além de tirar todo o estoque do livro de circulação, o cineasta proibiu que as pessoas entrassem na sala depois de a exibição começar — o livro acaba completando a experiência.

— Há algo de realmente sombrio nesse livro, você consegue sentir que está lendo sobre uma vida muito difícil, uma existência muito solitária. O livro dá mais noção de como são as noites de Norman Bates, que tipo de música ele gosta de ouvir, o que ele lê, quão realmente horripilantes são os efeitos da violência emocional e psicológica de sua mãe. O filme não se atém a esse tipo de detalhe.

Go to Top