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Professor percorre interior do Afeganistão de bike para entregar livros a crianças e adultos

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A bordo de sua bicicleta, o professor Saber Hosseini viaja pela zona rural de Bamiyan, no Afeganistão, para entregar livros a crianças e adultos que não têm acesso à educação.

Daniel Froes, no Razões para Acreditar

A bordo de sua bicicleta, o professor Saber Hosseini viaja pela zona rural de Bamiyan, no Afeganistão, para entregar livros a crianças e adultos que não têm acesso à educação.

Ele faz isso nos finais de semana e feriados, dias que teria para descansar de uma semana longa de trabalho. Apesar da região ser considerada segura, as escolas locais foram destruídas pela guerra que o país atravessa ou ficam muito distantes para as crianças.

A iniciativa do professor é extremamente importante, pois Bamiyan é uma das regiões mais pobres do país. “Quando entrego os livros para elas, eu posso ver o quanto ficam felizes e empolgadas“, conta Hosseini para o canal Now This. “É uma felicidade por serem capazes de aprender, e que também me inspira.”

Segundo o site Momentum Magazine, Hosseini também aproveita esse contato com as crianças para conscientizá-las sobre o perigo das drogas e a importância da paz, além da tolerância entre pessoas de pensamentos e crenças diferentes.

O professor ainda explica que usa a bicicleta nas suas viagens por causa do difícil acesso a áreas remotas, e que esse meio de transporte é simbólico. “O Talibã muitas vezes usou bicicletas em seus ataques a bomba, então a mensagem que quero passar é que podemos substituir a violência por cultura.”

Hosseini começou esse jornada há cerca de seis meses. Graças às doações que recebe, o acervo dele, que no início tinha apenas 200 exemplares, hoje tem aproximadamente 3.500. Ele tem planos de fundar a própria biblioteca.

Todas as imagens: Reprodução

A afegã que virou ‘Mohammed’ por seis anos para ir à escola sob o Talebã

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Zahra como 'Mohammed' (à esq) e ela hoje (à dir)

Zahra como ‘Mohammed’ (à esq) e ela hoje (à dir)

 

Para poder frequentar a escola durante o regime do Talebã, Zahra Joya teve que fazer algo inusitado e perigoso: se vestiu de menino durante seis anos.

Publicado na BBC Brasil

Naquela época, as meninas e mulheres do Afeganistão eram proibidas de ir à escola. Só estudavam em casa, na expectativa de que algum dia as escolas voltassem a aceitá-las.

Mas o tio de Zahra, também aluno, teve uma ideia: por que não vesti-la de menino? Ela, à época com apenas cinco anos, insistiu com a mãe e o avô para levar a ideia a cabo. A princípio, a mãe recusou, dizendo que a vontade de Deus era que ela fosse menina.

Ela insistiu e convenceu os dois a fazer uma experiência.

“Mudei minha roupas e tive que aprender a ser menino. Meu tio me ensinou a jogar futebol, a ir para as montanhas, a fazer as coisas que os garotos faziam. E passei a me chamar Mohammed”, contou ao programa de rádio Outlook, da BBC.

No primeiro dia de escola, a diretora já mandou que cortasse o cabelo, pois à época poucos meninos no Afeganistão usavam cabelos longos. Mas ninguém suspeitou que ela fosse menina, já que a escola ficava a 1h30 de sua casa e ninguém conhecia sua família.

Ela, porém, vivia com medo de ser descoberta – de não responder ao ser chamada de Mohammed ou se apresentar como Zahra, o que de fato chegou a acontecer, mas sem causar grandes problemas.

A família também tinha receio que o plano fosse descoberto e eles fossem ameaçados. Outro medo era virar noiva em um casamento forçado pelo Talebã, como era o costume.

Sociedade

Mas a experiência teve pontos positivos. Ela teve acesso não apenas à educação mas a segmentos da sociedade que não teria como mulher.

“Ao ser Mohammed fiz meu futuro, aprendi a socializar com homens e com uma parte da sociedade com a qual eu não teria contato. Quando tinha uma reunião só para meninos eu podia ir, falar com homens, apertar as mãos deles, o que não era comum no Afeganistão.”

Aos poucos, até parte da sua família começou a chamá-la de Mohammed Zahra, apelido que dura até hoje.

Mas, quando ela tinha 11 anos, o regime do Talebã caiu e ela pôde voltar a estudar.

As escolas, porém, eram separadas entre meninos e meninas. Zahra sofreu dos dois lados: os meninos achavam injusto ela ter frequentado a escola deles, e as meninas faziam bullying porque “até ontem” ela era menino.

Mas a garota não ligava. “Eu dizia que estava feliz porque eu podia ler, escrever, tive educação no tempo certo. Estava orgulhosa porque tinha voz”, conta.

Mas sentia falta dos tempos em que era Mohammed.

“Tinha saudade dos dias em que era Mohammed. Como Zahra, não tinha as oportunidades que os meninos tinham, não tinha todos os direitos, não podia rir alto. Sinto saudade dos direitos que tinha como Mohammed”, afirma.

Os estudos não pararam por ali: ela estudou direito na faculdade e hoje, aos 23 anos, é jornalista e sustenta toda a família – paga inclusive a educação das duas irmãs mais novas, pois prometeu a si que elas “não sofreriam como sofri”.

E para onde foi Mohammed?

“Mohammed ainda vive em mim. A coragem que adquiri sendo Mohammed me ajudou muito a ser alguém na minha própria identidade. Tento muito não perder essa coragem que me ajudou a ser alguém e ajudar outras pessoas, especialmente mulheres.”

Professor no Afeganistão pedala km’s para levar livros a vilas remotas onde não existem escolas

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Publicado no Hypeness

Saber Hosseini, um professor de Bamiyan, no Afeganistão, transformou sua bicicleta em uma biblioteca itinerante, dando inicio ao projeto “Children’s Book Foundation”. Todo fim de semana, ele carrega sua bike com livros e os leva até vilarejos remotos, onde não existem escolas, dando assim oportunidade as crianças locais de terem acesso a livros e educação.

Hosseini conta que a ideia surgiu há seis meses, quando conversou sobre o projeto com alguns amigos. Estes, gostaram da iniciativa, e fizeram algumas doações para ajudar o professor a comprar os primeiros livros. No início, a biblioteca contava com 200 exemplares. Hoje, com a ajuda de mais doadores, a coleção já conta com mais de 6 mil livros.

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Nós usamos a bicicleta por várias razões: primeiro, porque não temos dinheiro suficiente para comprar carros. Segundo, porque algumas aldeias são acessíveis apenas por bicicleta ou moto. E, por último, porque o Taliban tem, por vezes, utilizado bicicletas em seus ataques a bomba. Então a mensagem que quero transmitir é que podemos substituir a violência pela cultura.”, conta o professor.

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O projeto funciona parecido com uma biblioteca. Toda semana, novos livros chegam as comunidades, e os antigos são recolhidos, sendo levados para crianças de outros vilarejos.

“A maioria destas crianças tem idade para estar no terceiro ou quarto ano, mas a verdade é que eles não sabem nem ler ou escrever. Isso não deveria acontecer”, disse Hosseini.

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Sempre que chega aos vilarejos, o professor tenta conversar com as crianças sobre vários assuntos. Certa vez, Hosseini conta que conversou sobre armas, falando que elas deveriam dizer não as armas e sim aos livros. Na semana seguinte, quando retornou ao local, recebeu armas de plástico de todas as crianças do vilarejo, que se reuniram para entregá-las para ele sob uma condição: na outra semana gostariam de ser a primeira parada do projeto, para que pudessem assim escolher os exemplares com mais variedade. “Foi o momento mais alegre da minha vida!”, afirmou o professor.

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O projeto, que já tem uma biblioteca física e mais cinco em construção, agora conta com um financiamento coletivo para arrecadar fundos para mais e mais livros. A cada $1 recebido, até dois livros podem ser comprados. Um valor tão insignificativo para nós, mas que pode ajudar a mudar a vida de uma criança!

Todas as fotos © Children’s Book Foundation

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