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Anna Todd, autora de ‘After’, vem à Bienal do Livro do Rio

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Escritora fez série de livros eróticos inspirada na boy band One Direction.
Evento acontece entre os dias 3 e 13 de setembro, no Riocentro.

Publicado no G1

A escritora americana Anna Todd (Foto: JD Witkowski/Divulgação/Simon & Schuster)

A escritora americana Anna Todd
(Foto: JD Witkowski/Divulgação/Simon & Schuster)

A escritora norte-americana Anna Todd, de 25 anos, vem ao Brasil para a 17ª Bienal do Livro do Rio. O evento acontece entre os dias 3 e 13 de setembro, no Riocentro.

A informação foi confirmada pela editora Paralela, responsável pela publicação de “After” (2014) e “After – Depois da verdade”, lançado neste ano.

Fenômeno editorial nos Estados Unidos, a série de livros eróticos é inspirada na boy band One Direction. O cantor Harry Styles é o personagem Hardin Scott, um jovem rude, tatuado e com piercings que implica com o jeito de garota certinha da protagonista Tessa, que tem 18 anos no primeiro livro.

“After” bateu a marca de um bilhão de acessos na plataforma de leitura Wattpad.

Anna Todd é uma escritora estreante que vive em Austin, no Texas, com seu marido. De acordo com o site da Companhia das Letras, ela “sempre foi uma leitora ávida, fã de boy bands e de romance, e está vivendo um sonho desde que conseguiu combinar as três coisas”.

Escritora faz sucesso ao misturar “Crepúsculo”, “50 Tons” e One Direction

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Mariane Zendron, no UOL

A americana Anna Todd era uma das milhões de adolescentes apaixonadas pelo casal Edward e Bella, da saga “Crepúsculo”. Curtia cada detalhe do relacionamento dos personagens, mas se perguntava por que uma parte importante era deixada de fora: o sexo. “Quando li ‘Crepúsculo’, fiquei obcecada pelos personagens e comecei imaginar as cenas de sexo. Se você é adulto ou até adolescente, você sabe sobre sexo. Então por que deixar essa parte tão importante do relacionamento de fora?”

Todd, que completou 26 anos na última quinta (19), conquistou leitores do mundo inteiro após começar a escrever, meio na brincadeira, sobre um casal universitário que passa junto por diversas descobertas sexuais. As primeiras linhas foram escritas no Wattpad, uma rede social de livros, contos e poesias, onde a história já teve mais de 1 bilhão de acessos. Seus textos acabaram dando origem à série de livros “After”, cujo segundo volume, “Depois da Verdade”, chegou na última semana às livrarias brasileiras.

Sem perspectiva profissional, Anna começou a escrever em 2013 para afastar o tédio do trabalho de atendente que exercia no Texas. A mocinha da história, Tessa, é virgem e toda certinha, até conhecer Hardin, um dos alunos mais malcriados do campus –mas também o mais sexy. Cheio de tatuagens, piercings e dono de um corpo sarado, o personagem é inspirado em Harry Styles, um dos integrantes mais desejados do grupo britânico One Direction. O personagem até nasceu com o nome Harry, mas depois foi rebatizado para evitar problemas jurídicos.

Fãs do One Direction chateados 

Com essa junção de “Crepúsculo”, One Direction e pornô soft no estilo “Cinquenta Tons de Cinza”, a primeira edição também fez sucesso no Brasil, onde já vendeu mais de 20 mil exemplares. No entanto, a história despertou a ira de alguns fãs da boy band, que chegaram a abrir uma petição contra a autora e seus livros. Para a criadora do abaixo-assinado, a  história é desrespeitosa com as mulheres ao criar um protagonista emocionalmente abusivo. A iniciativa, no entanto, conseguiu apenas 43 assinaturas.

“Eu acho que, se as pessoas lessem o livro e não ficassem apenas com os comentários do Twitter, veriam que Hardin é bem mais fraco que Tessa. É uma relação que não é saudável, mas acho que as pessoas deveriam estar aptas a ler sobre todo tipo de relacionamento, não apenas os felizes e românticos”, disse ela.

O muso que inspirou o personagem nunca se pronunciou sobre os livros. Todd, por sua vez, diz fazer ideia do que Styles pensa sobre a série, mas prefere não dizer. “Eu sou fã em primeiro lugar e não acho que seria uma boa ideia contar isso para alguém. Acho que algumas coisas têm que permanecer privadas.”

Comparações com “Cinquenta Tons”
Mesmo sem os chicotes e algemas de “Cinquenta Tons de Cinza”, a série é frequentemente comparada à saga de sucesso escrita por E.L James, que tem o milionário Christian Grey e Anastasia Steele, também virgem no início, como protagonistas. Todd diz que a leitura da série adulta a ajudou a expandir seu universo literário, que por muito tempo se limitou a séries juvenis. “Na época que me apresentaram a esses livros, eu só estava lendo coisas para jovens adultos. Eu adoro os livros dela, mas a comparação é muito intimidadora.”

Assim como o sucesso de James, “After” também deve virar filme em breve. Em outubro de 2014, os direitos do livro foram comprados pelos estúdios Paramount. Diferentemente de James, Todd diz que não tem nenhuma experiência com a artes cinematográficas, mas que fará de tudo  para que a história do filme fique bem próxima da que vendeu tantos livros pelo mundo inteiro.

Adolescentes recriam histórias consagradas e publicam na web

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Escrita por uma americana de 25 anos, a fanfic ‘After’ tem apelo erótico e um protagonista ‘mulherengo e bêbado’

Roberta Salomone em O Globo

RIO – Quando encontra um nome perfeito para um personagem ou consegue imaginar um desfecho surpreendente para um novo enredo, Caroline Figueiredo corre para fazer anotações em seu caderno. Depois, a estudante, fã de comédias e filmes como “Jogos vorazes” e “Os Vingadores”, passa tudo para o computador e disponibiliza a produção na internet. Já são mais de 60 histórias acompanhadas e comentadas por leitores de várias partes do Brasil e do mundo. Todas baseadas em “The 39 clues” (“As 39 pistas’’), série de livros que Caroline nem se lembra mais de quantas vezes leu.

— O que faço é fanfiction. Me inspiro para criar novas histórias a partir de outras que gosto — explica a menina de 16 anos sobre o gênero literário nascido na web e definido como “ficção de fã”.

Caroline Figueiredo, de 16 anos, costuma escrever suas histórias em cadernos - ANTONIO SCORZA

Caroline Figueiredo, de 16 anos, costuma escrever suas histórias em cadernos – ANTONIO SCORZA

Textos sobre os mais diferentes temas que usam celebridades como personagens e repetem tramas já conhecidas viraram febre entre os adolescentes, que seguem autores novatos como Caroline em sites que abrigam milhares de histórias. Harry Potter é, disparado, o mais citado. Entre as séries de TV, “Glee” e “Doctor Who” saem na frente, já no meio musical, só dá o One Direction. Escrita por uma americana de 25 anos, a fanfic “After” tem grande apelo erótico e um protagonista “mulherengo e bêbado” batizado com o mesmo nome e sobrenome de um dos integrantes da boyband. A trama teve mais de um bilhão de visualizações e deve seguir o sucesso de “Cinquenta tons de cinza”, também originária na internet e inspirada em outra obra: “Crepúsculo.’’ Por questões legais, a versão impressa de “After” teve nomes trocados antes de chegar às livrarias e, em breve, vai virar filme.

— Fanfic não é só sacanagem não — avisa Babi Dewet, de 28 anos, autora da trilogia “Sábado à noite’’, que vendeu mais de dez mil cópias e fala sobre a banda britânica pop McFly.

Babi Dewet ganhou fama na internet com suas “fanfics”, que viraram livros - ANTONIO SCORZA

Babi Dewet ganhou fama na internet com suas “fanfics”, que viraram livros – ANTONIO SCORZA

O primeiro livro de Babi foi bancado pela mãe. Hoje, ela está entre as escritoras mais populares do gênero por aqui. É formada em Cinema, coleciona seguidores no Twitter e no Instagram e com seus longos cabelos com pontas azuladas, dificilmente passa despercebida. Nos braços carrega nove tatuagens, entre elas um Yoda de “Star Wars”, os símbolos das relíquias da morte de “Harry Potter”, e uma estrela igual à do líder do grupo preferido.

Ainda que não tão estilosas como Babi, muitas outras meninas (sim, elas são maioria esmagadora no mundo das fanfctions) sonham em trilhar o mesmo caminho e não medem esforços para isso. Sabem que fórmula pronta não existe, mas reconhecem que há algumas maneiras de fisgar novos leitores na web. Escrever ou pelo menos pensar num título em inglês, por exemplo, pode despertar uma maior curiosidade e resultar num maior número de visualizações.

Enquanto uns acham que usar enredos já conhecidos ou nome de famosos não passa de plágio, há quem veja a produção como uma homenagem.

— Ninguém é verdadeiramente famoso hoje em dia se não tiver sua obra recriada por dezenas, centenas e milhares de fãs — afirma Cristiane Costa, autora de “Sujeito oculto”, livro escrito a partir de uma colagem de diferentes títulos. — O mercado passou a olhar este tipo de literatura com outros olhos. O que chama atenção é o número de visualizações e seguidores. É um tipo de autor que já vem com seu próprio público a tiracolo.

Marcela Moreira (à direita) e Leticia Black fazem parte do Clube das Autoras, site que tem 30 mil leitores - ANTONIO SCORZA

Marcela Moreira (à direita) e Leticia Black fazem parte do Clube das Autoras, site que tem 30 mil leitores – ANTONIO SCORZA

Foi exatamente o que aconteceu com Letícia Black, também conhecida como ” Leka Judd. No currículo da escritora de 24 anos há 90 fanfics espalhadas pela internet e o recém-lançado “Garota de domingo”, que fala sobre o conturbado romance entre Pam e Davi. O livro de Letícia está nas estantes de grandes livrarias dividindo espaço com séries best sellers internacionais como “Diário de um banana”.

Marcella Moreira tem 19 anos e é autora de 18 fanfics (“Eu escrevo muito e muito devagar”, confessa). Como Letícia, Cell é uma das participantes do Clube das Autoras, site que existe há dois anos, tem 30 mil leitores e cerca de 200 textos disponíveis.

— Os homens têm preconceito com o nosso trabalho. Acham que só escrevemos sobre bandas com garotos bonitinhos. Mas não sou dessas que ficam apaixonadas por qualquer um. Meu coração bate mais forte é pelo Fluminense — conta Marcella, que não tem namorado e é autora de alguns contos indicados apenas para maiores de idade por relatarem triângulos amorosos, traições e vinganças.

Beatriz Sosinho, de 16 anos, também fala e escreve sobre esses e outros assuntos, em tese “proibidos” para menores como ela. Prefere usar títulos em inglês e sempre cita bandas e cantores em seus textos. A ideia de “The fox and the snake” veio de “Hey you”, do Pink Floyd, e a história medieval “Stairway to heaven” foi batizada como a música do Led Zeppelin.

— Conheci o Sex Pistols lendo fanfics, sabia? — comenta Beatriz, a BJ Stewart.

Da esquerda para a direita, Beatriz Sosinho, Giovana Rita e Giovanna Lobo passam noites em claro lendo e escrevendo suas histórias - ANTONIO SCORZA

Da esquerda para a direita, Beatriz Sosinho, Giovana Rita e Giovanna Lobo passam noites em claro lendo e escrevendo suas histórias – ANTONIO SCORZA

Enquanto alguns carregam o laptop para a cama para acompanhar as aventuras de seus personagens favoritos, outros leitores chegam a imprimir páginas e mais páginas de textos como uma forma de driblar o controle dos pais.

— Já fiz isso, mas hoje prefiro ler no celular mesmo. Aí sei que ninguém vai implicar comigo. Se pudesse, passava noites em claro lendo, mas tenho que acordar cedo para ir para a escola — reclama Giovana Rita, de 17 anos, fã de mitologia grega e autora de cinco fanfics.

Um dos segredos do sucesso das “ficções de fãs” é a possibilidade de dar ao leitor a chance de “customizar” o que vai ler. Antes do acesso ao texto, muitas delas permitem que se escolha o nome, cor dos olhos e cabelos do protagonista, além do nome do melhor amigo ou pretendente. É uma maneira de ser inserido no cenário e fazer parte do universo que tanto gosta.

Nos Estados Unidos, só o site Fan Fiction tem cinco milhões de textos em 30 idiomas, e um dos principais no Brasil, o Fanfic Obsession, disponibiliza mais de oito mil histórias de diferentes gêneros, tem 18 mil acessos todos os dias de 25 países e 97% dos leitores do sexo feminino, entre 14 e 21 anos. Vislumbrando um mercado dos mais lucrativos, a Amazon permite desde o ano passado que fanfics sejam vendidas através do Kindle Worlds. Lá, a regra é clara: os lucros com as vendas devem ser divididos com os autores das obras originais.

— Acho o máximo participar de tudo isso e não ligo para quem diz que o que a gente faz é plágio. Esta é uma forma de incentivar a leitura e fazer novos amigos — acredita Giovanna Lobo, de 16 anos, que tem 36 textos publicados e um deles, “Anjo imperfeito”, com partes inteiras copiadas em outra fanfic na semana passada. — Não tem jeito. Até a gente corre esse risco.

Autores revelados pelo Wattpad, rede social literária, atraem a atenção de editoras brasileiras

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Nomes como Anna Todd, de ‘After’, chegam às livrarias do país após alcançarem até um bilhão de visualizações

Livros publicados na rede social Wattpad ganham páginas impressas - Arte: André Mello

Livros publicados na rede social Wattpad ganham páginas impressas – Arte: André Mello

Liv Brandão em O Globo

RIO – Anna Todd era uma pós-adolescente recém-casada, que não sabia bem o que queria da vida. Ávida leitora, a americana descobriu numa rede social gratuita com foco em celulares e tablets a solução para o tédio atrás do balcão da loja em que trabalhava. Com o Wattpad, pegou gosto pelas histórias escritas pelos próprios usuários, publicadas em pequenos capítulos, geralmente semanais, formatadas para serem lidas em pequenas telas. Um belo dia, começou ela mesma a escrever e dali saiu uma fan fiction cujos personagens eram os integrantes da boy band One Direction transportados para uma universidade, com um leve toque erótico, formatado para adolescentes. De repente, boom. “After”, sua primeira trilogia, teve mais de um bilhão de visualizações e seis milhões de comentários no aplicativo, arrebanhando uma legião de fãs (outra de detratores) e, claro, chamando a atenção de grandes editoras do mundo todo e dos estúdios de cinema — a trama será adaptada pela Paramount.

No Brasil, “After” acaba de sair assim, com o título em inglês mesmo (a pedido das fãs de Anna), pelo selo Paralela, da Companhia das Letras. Chega às livrarias com 50 mil cópias, tiragem de best-seller, e a marca do Wattpad na capa. A versão impressa foi revisada, reformatada e ganhou trechos exclusivos, que apimentam a relação do protagonista (no papel, ele deixou de ser uma ficcionalização do cantor Harry Styles, rebatizado de Hardin Scott, como será no filme). A segunda parte será lançada em janeiro, a terceira em fevereiro e a quarta em março, seguindo a estratégia do mercado internacional.

A americana Anna Todd, autora de 'After' - Divulgação

A americana Anna Todd, autora de ‘After’ – Divulgação

Mercado esse que está atento para absorver outros talentos surgidos na plataforma. A galesa Beth Reekles, que publicou “The kissing booth” na rede social quando tinha apenas 15 anos, entrou na lista de adolescentes mais influentes de 2013 da “Time”. Por aqui, já foram lançadas a paulistana Lilian Carmine (“Lost boys”, Leya), a sul-mato-grossense Camila Moreira (“O amor não tem leis”, Objetiva) e a americana Laurelin Paige (“Por você”, Rocco). Em 2015, é a vez da carioca Nana Pauvolih (“A redenção do cafajeste”, Rocco), em fevereiro; da pernambucana Mila Wander (“O safado do 105”, Planeta), em março; e do inglês Taran Matharu (“The summoner”, ainda sem título em português, Galera Record), em maio. Os gêneros vão da ficção adolescente à ficção erótica, passando pela fantasia.

— Comecei a escrever fan fiction porque amava ler isso. Ser escritora era um sonho que eu nem sabia que tinha até começar. Quando publiquei o primeiro capítulo, nem fazia ideia de que alguém iria lê-lo, muito menos esperar que a coisa toda ficaria tão grande — conta Anna Todd, hoje com 25 anos, que escreveu “After” pelo diminuto teclado do celular pela facilidade de poder fazê-lo em qualquer lugar, e chegou às editoras tradicionais graças à equipe do Wattpad, que funcionou como um agente literário. — Quando vi as contas falsas nas redes sociais se comunicando como se fossem os personagens do livro pensei: “uau, os fãs realmente amam esses caras!”.

VERSÃO “BAUNILHA” DE “50 TONS”

A devoção dos fãs é fator essencial nessa onda. Graças ao empenho dos leitores em acompanhar as histórias, comentando e sugerindo modificações, os autores do Wattpad acabam ganhando edição gratuita, feita pelo principal alvo da indústria de best-sellers. A participação, por sua vez, faz com que os leitores se sintam responsáveis por aquela obra.

— De certa forma, estou surpresa por ver tantos fãs comprando um livro que já leram, mas eles sempre foram tão apaixonados pela história que me parece que querem ter uma peça sólida para poder pegar com as mãos — justifica Anna, que recebe, diariamente, uma enxurrada de vídeos e fotos dos fãs posando com o livro, uma versão “baunilha” de “50 tons de cinza”, como a própria autora define.

O escritor inglês Taran Matharu, autor de 'The summoner' - Divulgação

O escritor inglês Taran Matharu, autor de ‘The summoner’ – Divulgação

Acessível a qualquer pessoa com um computador (ou smartphone, ou tablet…) com conexão com a internet, o Wattpad é uma rede social como qualquer outra, reunindo autores com trajetórias diversas. Um dos mais aclamados é o inglês Taran Matharu, filho de um indiano e de uma brasileira. Bem diferente de Anna, que caiu nessa de paraquedas, o jovem de 23 anos sempre escreveu, mas guardava suas histórias para si. Quando começou a publicar “The summoner”, saga fantástica com elementos de “Harry Potter”, “Pókemon”, “O Senhor dos Anéis” e videogames como “Skyrim”, prometeu publicar um capítulo por dia e, no fim de um mês, já tinha cem mil leitores. No único dia em que resolveu tirar folga (era seu aniversário), levou bronca dos fãs. Isso o encorajou a dar passos maiores. Na época, Matharu estagiava no departamento de vendas digitais da Penguin Random House, uma das principais editoras do mundo.

— Perguntei para o meu então chefe quem eram os melhores agentes do Reino Unido. Mandei mensagem para seis deles pelo Facebook mostrando meus números no Wattpad e três horas depois um deles me ofereceu representação. O livro nem estava pronto quando fechamos o contrato — conta Matharu, arranhando o português, e frisando que, apesar da boa relação que mantém com o Wattpad, o aplicativo não intermediou sua publicação por editoras tradicionais. — Minha primeira oferta veio do Brasil, e meu livro foi para leilão em Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, além de ser vendido na Espanha, na França e na Polônia. Até agora, foram mais de cinco milhões de visualizações.

Para agradecer aos leitores pelo apoio, Matharu está publicando no Wattpad um adendo à sua trilogia, contando a história anterior à de seu primeiro livro.

A carioca Nana Pauvolih escrevia há 25 anos, mas só começou a tornar suas histórias públicas há três, quando ficou viciada em autopublicação. Professora de História e Filosofia, chegou a reduzir sua carga horária para se dedicar à escrita, publicando sua literatura erótica em blogs e grupos do Facebook.

CONEXÕES E CONCURSO

Nana começou a tirar uns trocados com a venda de e-books na Amazon, e chegou ao Wattpad em busca de mais visibilidade.

— No começo, não entendia os métodos de divulgação, mas a própria comunidade me ensinou as técnicas. Em menos de um mês, tive 700 mil acessos — explica Nana, que costuma remover os capítulos do Wattpad depois de um tempo para estimular a venda dos e-books. Mesmo assim, a série “Redenção” teve mais de um milhão de acessos na plataforma, e o terceiro livro ainda está na metade. Atualmente, ela está licenciada do magistério e se dedica apenas a escrever.

Para Allen Lau, CEO do Wattpad, o alcance dos autores em outras mídias é benéfico para todos, inclusive para a rede.

— O Wattpad nasceu como um meio de dar às pessoas a chance de ler em qualquer lugar, bem como de permitir com que qualquer um compartilhasse conteúdo original. É um espaço em que escritores podem se expressar, testar ideias e se conectar com outros escritores e leitores — explica Lau. — Estamos orgulhosos de ter wattpadders reconhecidos dentro e fora da plataforma. Temos projetos que ajudam editores a conectar seus autores aos fãs, além de descobrir novos autores como o concurso que fizemos com a (editora) Harlequin, “So you think you can write” (“então você acha que pode escrever”, paródia de um reality show popular no Reino Unido).

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