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Enquete elege o melhor livro de Agatha Christie

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Agatha Christie

Jonatan Silva no Contracapa

Uma enquete promovida pelos herdeiros da escritora britânica Agatha Christie (1890 – 1976) elegeu o melhor livro da autora. O título ficou com E não sobrou nenhum – que teve 21% dos votos. Em seguida vieram Assassinato no Expresso do Oriente e O Assassinato de Roger Ackroyd.

E não sobrou nenhum conta a história de um grupo de pessoas que não se conhecem e acabam presas em uma ilha. Ao passo que as pessoas vão morrendo, os sobreviventes percebem que fazem parte de um jogo macabro. A história lhe é familiar? Pois foi a escritora, que completaria 125 anos no próximo dia 15, deu origem ao que se vê em Jogos mortais ou A Centopeia humana – ou ainda A Praia e tantos outros.

O livro foi o responsável por despertar no escritor Raphael Montes, autor de O Vilarejo e Dias perfeitos, o gosto pela leitura e o desejo de escrever literatura policial.

Sete livros de suspense para prender sua respiração

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Stephen King é um dos mais notáveis escritores de suspense e ficção, com livros famosos como "A Coisa".

Stephen King é um dos mais notáveis escritores de suspense e ficção, com livros famosos como “A Coisa”. Reprodução

Publicado no Catraca Livre

E não é só filme que da arrepio não. Os livros de suspenses e de terror são muito procurados, muitas vezes não só por darem medo, mas pelo mistério, pelo tipo de narrativa que nos deixa na maior tensão com investigações policiais, serial killers e muito mais.

Os livros de suspense causam incerteza, manipulam nossas emoções e nos fazem elaborar teorias para desvendar os milhares de acontecimentos e enigmas profundos que neles estão presentes. São ótimas leituras justamente por estarem sempre alimentando nossa imaginação.

Confira sete suspenses que selecionamos para começar a ler hoje.

Serial Killers: Louco ou Cruel?

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Serial Killers – Anatomia do Mal

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Coleção Agatha Christie

122175941_1GG-450x450 (mais…)

O perigoso cardápio de Agatha Christie

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Ms. Christie: veneno em profusão nas suas 91 obras

Ms. Christie: veneno em profusão nas suas 91 obras

Um festival vai recriar as receitas dos livros da Dama do Crime

Maev Kennedy, na Carta Capital

Um pouquinho mais de estricnina e molho de manteiga para o seu peixe, Vigário? Ou um pedacinho deste esplêndido bolo, tão apropriadamente chamado Morte Deliciosa?

Um exclusivo show culinário vai celebrar o 125º aniversário de nascimento de Agatha Christie, a Rainha do Crime. Será na própria cozinha da escritora, em Devon, Inglaterra, e os convivas são advertidos de que devem tratar os petiscos com extrema cautela.

A escritora francesa Anne Martinetti pretende recriar receitas a partir dos livros de Agatha, especificando aqueles particularmente propícios a trazer veneno como ingrediente extra. Como todo devoto de Miss Marple ou Hercule Poirot sabe, ocorre aos grandes detetives de, à frente de um café da manhã, um almocinho leve ou um chá da tarde, flagrarem um infeliz sufocando-se na garganta e ficando apavorantemente azul.

Anne Martinetti vai falar e cozinhar na casa de veraneio que Agatha Christie adorava, chamada Greenway – a casa que ela dizia ser “o lugar mais lindo do mundo” –, hoje sob os cuidados do Patrimônio Histórico britânico. O evento culinário é parte do Festival Agatha Christie, em setembro, que também se estenderá a Torquay, onde a escritora nasceu, a 15 de setembro de 1890.

Comida, nem sempre letal, figura profusamente nos livros de Agatha Christie e em sua vida real. A diretora do Festival, Anna Farthing, lembra que Ms. Christie frequentemente anotava, após seus compromissos sociais, que os acompanhantes tinham sido razoáveis, mas “a refeição, boa”. Uma foto de arquivo a mostra atarefada numa cozinha sombria da bela casa em estilo georgiano, de onde seu neto Gus saboreia a lembrança de deliciosos pratos produzidos pela vovó Agatha.

A francesa Anne Martinetti soube abrir um curioso nicho na populosa estante de livros de gastronomia: receitas criminosas. Seus livros, com títulos de diabólicos trocadilhos, incluem Alimentaire Mon Cher Watson!, com os cardápios de Sherlock Holmes, e, agora, um estudo sobre Agatha Christie, chamado em francês de Crèmes et Châtiments, ou Cremes e Castigos.

“Vou oferecer o bolo chamado Morte Deliciosa do romance Morte Anunciada – um fabuloso bolo de chocolate”, diz Anne Martinetti. “Talvez prepare também um peixe na manteiga, a arma letal de Cipreste Triste, e deixe para os convivas adivinharem se acrescentei alguma estricnina.”

Veneno era um recurso favorito nos livros de Ms. Christie. Por isso mesmo, estará na pauta de outros eventos do Festival, a começar por uma visita guiada ao jardim de Torre Abbey, em Torquay, e uma palestra de Kathryn Harkup, autora de A Is for Arsenic – minuciosa análise de todo o repertório tóxico na obra de Agatha Christie. Assim como Anne Martinetti, Kathryn Harkup define o chocolate amargo como o mais eficiente dos ingredientes criminosos, pois disfarça o gosto da peçonha.

A ressurreição do detetive Hercule Poirot, de Agatha Christie, por Sophie Hannah

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HERDEIRA Sophie Hannah em sua casa, em Cambridge, na Inglaterra. “Quanto mais incomum o crime, melhor” (Foto: David Sandison/Eyevine)

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Sophie Hannah em sua casa, em Cambridge, na Inglaterra. “Quanto mais incomum o crime, melhor” (Foto: David Sandison/Eyevine)

A inglesa Sophie Hannah ressuscitou o detetive belga Hercule Poirot e concorre ao título de herdeira de Agatha Christie

Ruan de Sousa Gabriel, na Época

Quando Agatha Christie (1890-1976) publicou Cai o pano, em 1975, uma legião de fãs lamentou a morte do cerebral detetive belga Hercule Poirot. A Rainha do Crime morreu no ano seguinte. Em 2014, Poirot ressuscitou pela pena de outra escritora inglesa: Sophie Hannah. No romance Os crimes do monograma (Nova Fronteira, 288 páginas, R$ 29,90), o detetive usa o intelecto para desvendar um assassinato triplo em um hotel de luxo em Londres. Quando ergueu o pano que, há décadas, cobria o corpo de Poirot, Sophie Hannah já havia publicado poemas que arrancaram elogios da crítica. Seus romances policiais, protagonizados pelo casal de detetives Simon Waterhouse e Charlie Zailer (sim, Charlie é uma mulher), justificavam as comparações com Agatha. Os crimes do monograma veio à luz graças à ousadia de Peter Straus, o agente literário de Sophie Hannah. Num almoço com o editor dos livros de Agatha, Straus sugeriu que sua cliente seria a pessoa perfeita para trazer Poirot de volta à ativa. Os herdeiros aprovaram a ideia.

Tito Prates, coordenador do fã-clube brasileiro de Agatha e autor de Viagem à terra da Rainha do Crime, chama Os crimes do monograma de “o mais gótico dos casos do Poirot”. O livro é sombrio, conta crimes macabros e um cemitério serve de cenário para algumas cenas. Bem ao gosto de Sophie Hannah, cujos thrillers psicológicos sempre começam com personagens devastados por circunstâncias sinistras e inexplicáveis. A trama é narrada em primeira pessoa por Edward Catchpool, um jovem policial da Scotland Yard que recorre a Poirot. Catchpool substitui o Capitão Hastings, o fiel escudeiro do detetive belga, e, ao narrar a história, exime a escritora da árdua tarefa de imitar o estilo de Agatha (mas, oui, mon ami, imita o delicioso sotaque francês do detetive). Outra solução adotada para dar verossimilhança ao romance foi situá-lo em 1929 – Agatha não publicou nenhuma aventura de Poirot entre 1928 e 1932.

As comparações entre o Poirot de Agatha e o Poirot de Sophie Hannah são inevitáveis. Tito Prates diz que alguns fãs mais puristas consideraram Os crimes do monograma “um sacrilégio” e querem distância do livro. “Sophie Hannah quis ser tão fiel ao Poirot que, às vezes, exagerou”, afirma. Jean Pierre Chauvin, professor da Universidade de São Paulo (USP), diz que a ressurreição de Poirot é um milagre que beneficia ambas: “Agatha ganhou pelo resgate de sua obra e Sophie Hannah se firmou como uma nova voz que dialoga com o passado”.

Convidada pela Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Sophie Hannah aproveitou a vinda ao Brasil para lançar A vítima perfeita (Rocco, 432 páginas, R$ 39,50), um livro que é só seu e conta a história de Naomi, uma mulher independente que constrói relógios de sol decorados com frases em latim. Quando seu amante Robert desaparece, ela convence os detetives Simon e Charlie a procurá-lo. Inventa que Robert a havia estuprado. Um estranho a violentara anos antes, mas ela manteve a história em segredo e só revelou os detalhes terríveis aos policiais quando percebeu que eles não levaram sua denúncia de desaparecimento a sério. Metade dos capítulos é narrada pela própria Naomi, em discursos dirigidos a seu amante sumido. Os outros capítulos acompanham a investigação do genial Simon e da problemática Charlie. “É importante para mim que o livro seja um desafio para o leitor, que ele não consiga adivinhar o que vai acontecer até o final. Quanto mais incomum é o crime, mais interessante”, disse Sophie Hannah a ÉPOCA.

Os crimes narrados pela nova dama do romance policial não são cometidos por vingança ou dinheiro, mas por motivos obscuros em circunstâncias muito específicas. Chauvin afirma que os thrillers psicológicos de Sophie Hannah resgatam a densidade de autores como Ruth Rendell (1930-2015), outra inglesa que já foi declarada herdeira de Agatha Christie. Sophie Hannah quer entreter seus leitores e também ensiná-los sobre a mente humana e seus transtornos. “Você nunca conhece alguém de verdade até conhecer seu lado sombrio. Eu escrevo histórias sobre esse lado sombrio, que é muito mais interessante”, afirma. Os velhos fãs de Poirot e os novos de Simon e Charlie concordam.

Riviera Inglesa sem mistério: roteiro segue os passos de Agatha Christie no litoral do Reino Unido

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Ator caracterizado como o detetive Hercule Poirot posa em Torquay, cidade natal de Agatha Christie, no sul da Inglaterra - Visit Britain / Divulgação

Ator caracterizado como o detetive Hercule Poirot posa em Torquay, cidade natal de Agatha Christie, no sul da Inglaterra – Visit Britain / Divulgação

Berço da escritora, há 125 anos, Torquay, no condado de Devon, tem paisagens litorâneas e vilarejos rurais

Eduardo Maia, no Boa Viagem

TORQUAY – Existe um lugar no sudoeste da Inglaterra onde um detetive belga se sentiria muito bem em casa. Ele poderia ser vizinho de uma senhora perspicaz, que desvenda os mais insolúveis casos com a mesma facilidade com que tira as ervas daninhas do jardim. Viajantes misteriosos, intrépidos arqueólogos e ricaços excêntricos também aproveitariam o calçadão de frente para o mar e o microclima que dão ao litoral do condado de Devon o merecido — ainda que inusual — apelido de Riviera Inglesa. De certa maneira, Hercule Poirot e Miss Marple conhecem cada canto da pacata Torquay, onde nasceu e cresceu Agatha Christie, há 125 anos.

A mistura de paisagens litorâneas com vilarejos rurais ingleses, tão comuns em boa parte dos 80 livros da “Dama do Crime”, além de pano de fundo para histórias de mistério e detetives, faz da região um dos destinos mais pitorescos do Reino Unido. À primeira vista, há uma certa decadência no cenário de casarões vitorianos, hotéis grandiosos, jardins e calçadões por onde circulava boa parte da elite britânica no início do século XX. Mas esse é o charme de Torquay, eleita, pelo segundo ano consecutivo, o melhor destino de praia da Inglaterra pelos usuários do TripAdvisor.

Com termômetros marcando sempre temperaturas mais altas que no resto do país e belas praias bastante preservadas nos arredores do centro urbano, é fácil entender o porquê.

Para fãs de Agatha Christie, a viagem à região ganha mais sabor. Tudo remete à filha mais ilustre do lugar, não só em Torquay, que exibe orgulhosa pontos como as praias preferidas e até o hotel onde a escritora passou a lua de mel. Perto dali, a curta viagem de trem (onde, espera-se, nenhum passageiro virará alvo do detetive Poirot), está Greenway, casa de veraneio de Agatha, e que serviu de inspiração a obras como “A extravagância do morto”, “Cinco porquinhos” e “Punição para a inocência”.

O condado de Devon guarda outras fontes de inspiração não só para Agatha, como outros mestres da literatura policial inglesa. Arthur Conan Doyle, por exemplo, foi até o Dartmoor National Park, o maior do sul do país, para criar um de seus maiores clássicos, “O cão dos Baskervilles”. Na praia de Poirot, o sol também brilha para Sherlock Holmes.

CENÁRIO QUASE TROPICAL À BEIRA-MAR

Marina de Torquay, no condado de Devon, onde nasceu Agatha Christie - Eduardo Maia / O Globo

Marina de Torquay, no condado de Devon, onde nasceu Agatha Christie – Eduardo Maia / O Globo

Provavelmente ainda fazia calor em Torquay quando Agatha Mary Clarissa Miller nasceu, em 15 de setembro de 1890. Se uma coisa não mudou nos últimos 125 anos foi a vocação “tropical” deste balneário, um dos mais populares da Inglaterra. Dona de um microclima que faz que palmeiras sejam figuras fáceis na paisagem, a chamada Riviera Inglesa tem altas temperaturas no verão e clima ameno no inverno, além de 20 praias espalhadas por 35 quilômetros de costa de frente para o Canal da Mancha e a Baía de Tor, tudo emoldurado por colinas e penhascos à beira-mar.

Torquay entrou para o mapa turístico britânico na virada do século XIX para o XX, quando balneários assim tornaram-se extremamente populares no país. É dessa época o Grand Hotel, exemplo de hospedagem de luxo vitoriano, inaugurado em 1881, escolhido pelo jovem casal Agatha e Archie Christie para sua lua de mel, em 1914. Passaram apenas uma noite, mas o suficiente para que, anos depois, o hotel batizasse sua suíte principal com o nome da hóspede ilustre.

O hotel é um bom ponto de partida para a Agatha Christie Mile, o roteiro inspirado na vida e na obra da escritora. Uma parada obrigatória perto dali é a Torre Abbey, construção mais antiga da cidade, datada de 1196.

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Além da interessante arquitetura medieval e do museu que funciona entre suas espessas paredes, chama a atenção o Potent Plants Garden, um dos três jardins do antigo monastério. Fã da escritora, o jardineiro-chefe criou uma área só com plantas usadas para elaborar os venenos que mataram mais da metade das vítimas nos livros de Agatha, uma grande entendedora do assunto.

O calçadão em frente, na Torbay Road, leva à parte mais agitada da cidade, a começar pelo Princess Gardens, uma pracinha tão verde quanto charmosa. Se o tempo estiver bom, estique pelo Princess Pier, em frente, onde a escritora, quando jovem, arriscava manobras de patins. À noite, programe uma sessão no Princess Theatre, o teatro que sempre exibe algum clássico britânico e que, de 14 a 19 de setembro, apresentará “E não sobrou nenhum”, um dos grandes sucessos da autora, parte do Agatha Christie Festival. O evento anual, em 2015 será especial pelo 125º aniversário, que acontecerá de 11 a 20 de setembro na cidade.

A programação completa ainda não foi divulgada, mas já se sabe que haverá longas filas para fotografias ao lado do busto de bronze com a imagem da escritora, instalado no começo da Strand, o calçadão que margeia a marina de Torquay e tem o metro quadrado mais concorrido durante o verão. Lojas e restaurantes típicos de cidades de veraneio se sucedem nos casarões vitorianos.

As melhores cozinhas da cidade, no entanto, ficam na Beacon Terrace, uma ladeira suave onde estão (mais…)

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