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Ian Fleming: O agente secreto que criou James Bond

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Ian Fleming Foto:Express Newspapers/Getty Images

 

Morto há 54 anos, escritor sabia do que estava falando

Publicado na Aventuras na História

Em 1946, recém-desligado da Marinha Real Britânica, Ian Fleming decidiu construir uma casa em Oracabessa, cidadezinha litorânea no norte da Jamaica. Ex-comandante do Serviço de Inteligência, Fleming conheceu a ilha durante a Segunda Guerra, quando foi designado para espionar a suposta presença de submarinos alemães no Mar do Caribe. Foi lá que Ian Lancaster Fleming escreveu os 14 livros, entre contos e romances, de James Bond, o mais famoso agente secreto da literatura universal.

Na hora de batizar a propriedade, Fleming não teve dúvida. “Golden Eye foi o nome dado à operação que tinha por objetivo montar bases de apoio na Espanha”, diz o biógrafo Andrew Lycett, de Ian Fleming. “O Estreito de Gibraltar era considerado estratégico porque, caso a Espanha fosse invadida, os nazistas teriam controle sobre toda a costa do Atlântico, o que representaria um risco ainda maior aos navios aliados. Fleming sentia tanto orgulho dessa operação que, anos depois, deu o nome dela à sua casa de veraneio na Jamaica.”

Fleming trabalhando em sua casa na Jamaica Reprodução

Autor de uma completa biografia sobre o criador de 007, Lycett afirma que o convite para ingressar no mundo da espionagem partiu do contra-almirante John Henry Godfrey, ex-diretor da Inteligência Naval da Marinha Real Britânica. Em maio de 1939, quatro meses antes do início da Segunda Guerra, Godfrey perguntou a Fleming se ele não gostaria de trabalhar como seu assistente pessoal. Convite aceito, Fleming ficou incumbido, entre outras tarefas, de estudar dossiês sobre agentes secretos e bolar projetos de inteligência contra os alemães. O mais bem-sucedido deles foi Golden Eye.

Fleming desempenhou tão bem a função que, em 1942, foi encarregado de chefiar uma unidade secreta conhecida como 30 Assault Unit. “Sua missão era se infiltrar em territórios prestes a serem invadidos e recolher documentos importantes antes que fossem destruídos pelo inimigo”, explica o escritor Nigel West, de Historical Dictionary of Ian Fleming’s World of Intelligence: Fact and Fiction. Segundo West, Fleming raramente saía para o campo de batalha. “Ele não tinha autorização para estar próximo das linhas inimigas. Se fosse capturado, representaria um risco à segurança.”

Jogada de mestre

Já nessa época, Fleming colecionava amigos que atuavam como agentes secretos. O primeiro foi Conrad O’Brien-ffrench, que conheceu em 1927, quando, aos 19 anos, estudou na Escola Tennerhof, na Áustria. Depois vieram outros, como Dusan “Dusko” Popov e Patrick Dalzel-Job. Durante a Segunda Guerra, Popov trabalhou tanto para o serviço secreto alemão, sob o codinome Ivan, quanto para o MI5, serviço de segurança nacional, com a alcunha de Triciclo. Como agente duplo, contava aos alemães tudo o que os ingleses gostariam que soubessem.

Fleming conheceu Popov no Casino Estoril, em Portugal, durante uma rodada de bacará, em 1941. Na ocasião, o agente sérvio fez uma aposta de US$ 40 mil, que obrigou um adversário a se retirar da mesa. A cena impressionou tanto que Fleming a usou em seu primeiro romance, Casino Royale, escrito em 1953.

Já Dalzel-Job era um dos 30 homens de confiança de Fleming na 30 Assault Unit. Em maio de 1940, quando servia na Noruega, Dalzel- Job montou uma operação que resgatou 4.500 civis, entre homens, mulheres e crianças, de um povoado ameaçado por bombardeios alemães. Por ter desobedecido as ordens de seus superiores, Dalzel-Job foi levado à corte marcial. Só escapou porque o rei Haakon VII intercedeu em seu favor. De quebra, ainda levou a Cruz de Cavaleiro de Saint Olav, a mais alta condecoração da Noruega, por seu ato de bravura.

Ao ser indagado, certa vez, se reconhecia traços de sua personalidade no jeitão mulherengo de James Bond, deu de ombros: “Os livros e filmes dele nunca fizeram o meu estilo”. “Além disso, só amei uma única mulher em toda a minha vida”, disse Dalzel-Job, por ocasião da morte da esposa, Bjorg, em 1986.

Fluente em francês, William Somerset Maugham foi recrutado para trabalhar como agente secreto durante a Primeira Guerra. Em 1928, ele tirou proveito dos anos vividos como espião para escrever os 16 contos que integram a antologia O Agente Britânico. A exemplo de James Bond e Ian Fleming, John Ashenden, um agente de hábitos refinados, também pode ser considerado o alter ego de Maugham. Autor de clássicos como Servidão Humana, de 1915, e O Fio da Navalha, de 1944, Somerset Maugham morreu em Nice, na França, em 1965, aos 91 anos.

Partiu de Kim Philby, o famoso agente duplo soviético, o convite para Henry Graham Greene ingressar no serviço secreto, em 1941. Naquele mesmo ano, foi mandado para Freetown, Serra Leoa, onde permaneceu até 1943. Um de seus livros mais famosos é Nosso Homem em Havana, de 1958. Nele, conta a história de um vendedor inglês de aspirador de pó que aceita trabalhar como espião em Cuba, onde mora. Só que, em vez de somente relatar o que viu e ouviu, começa a inventar histórias para os seus superiores.

Nascido David John Moore Cornwell, John Le Carré trabalhava como agente disfarçado de diplomata na embaixada de Bonn, na Alemanha, quando lançou O Espião que Saiu do Frio, em 1963. O romance deu a ele tanta projeção que resolveu pedir dispensa do serviço secreto.

Ao todo, foram 13 anos dedicados à espionagem: tanto no MI5, o serviço de segurança nacional, quanto no MI6. Aos 82 anos, ele já escreveu mais de 20 livros, muitos adaptados para o cinema, como O Espião Que Sabia Demais, de 1974; O Alfaiate do Panamá, de 1996; e O Jardineiro Fiel, de 2001.

Arquivo confidencial

Para o historiador Keith Jeffery, a lista de agentes que serviram de inspiração para Fleming é extensa e inclui alguns nomes do MI6 (sigla para Military Intelligence, Section 6, a CIA do Reino Unido), como Wilfred “Biffy” Dunderdale, ex-chefe do escritório da organização em Paris, e Pieter Tazelaar. É o que revela Jeffery em MI6: The History of the Secret Intelligence Service, um calhamaço de 800 páginas que vira pelo avesso os arquivos da agência britânica, desde sua criação, em 1909, até pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

Bond com o famoso smoking que foi inspirado nos amigos de Fleming Reprodução

Algumas das histórias contadas por Jeffery são familiares aos aficionados por James Bond. Como a que descreve a chegada de Pieter Tazelaar a uma praia da Holanda, então ocupada pelo exército alemão, com um smoking, impecável, sob a roupa de mergulho. Ao tomar conhecimento da façanha, Fleming fez questão de incluí-la em Goldfinger, lançado em 1959 e levado às telas em 1964. “Os espiões da vida real são bem mais interessantes do que os da ficção”, afirma Jeffery. “O James Bond dos filmes mais parece um super-herói de desenho animado do que um agente de carne e osso.”

Professor da Universidade de Belfast, no Reino Unido, Jeffery se apressa em esclarecer que os membros do MI6 – ao contrário do mais famoso deles, James Bond – nunca tiveram qualquer “licença para matar”: “Isso é pura invenção do Fleming”. “Durante a Segunda Guerra, os agentes britânicos, principalmente os que serviram em unidades especiais, aprenderam técnicas de combate. Muitos deles tiveram que usá-las, por exemplo, quando a França foi ocupada pelos alemães. Mas tais técnicas só podiam ser usadas pelos agentes em situações de legítima defesa”, afirma.

Criador e Criatura

Ainda hoje, 54 anos depois da morte de Fleming, vítima de ataque cardíaco no dia 12 de agosto de 1964, aos 56 anos, jornalistas e historiadores se perguntam: mas, afinal, onde termina Fleming? E onde começa Bond? Para o historiador James Chapman, da Universidade de Leicester, na Inglaterra, James Bond pode ser entendido como o alter ego ficcional de seu criador. “Ele é tudo o que Ian Fleming gostaria de ter sido”, declara. “Na hora de criar o personagem, Fleming emprestou a Bond o seu gosto pessoal em roupas, cigarros, carros, bebidas e mulheres”, enumera.

Fleming e Sean Connery, o Bond de 1962 Foto ATP

Autor de Licence To Thrill: A Cultural History of the James Bond Films, Chapman aponta “semelhanças” entre Fleming e Bond. A primeira é que os dois eram fumantes incorrigíveis. E eles não fumavam qualquer cigarro, só os da marca Morland Special. No caso de Fleming, chegava a quase 60 por dia. Outra paixão é o golfe. Nos filmes, o agente secreto apareceu dando umas tacadas em 007 contra Goldfinger, de 1964, e O Amanhã Nunca Morre, de 1997. Quanto a Fleming, ele sofreu o infarto que tiraria sua vida no campo de golfe Royal St. George’s Sandwich, em Kent, na Inglaterra.

Na opinião do historiador Vincent Chenille, da Universidade de Versalhes, na França, as semelhanças entre Fleming e Bond vão além do fascínio por carros velozes, mulheres bonitas e jogos de azar. Segundo ele, Bond permitiu que Fleming realizasse alguns de seus sonhos, como seguir a carreira diplomática. Se Fleming fracassou no exame, Bond teve melhor sorte no livro A Morte no Japão, que ganhou o título de Com 007 Só Se Vive Duas Vezes, quando chegou às telas, em 1967. “A relação de Fleming com Bond era de puro amor e ódio. No fundo, sabia que seu personagem era melhor do que ele”, afirma.

Vidas duplas

Espiões que escrevem best-sellers? Ou escritores que atuam como agentes secretos? Como definir autores, como os britânicos Somerset Maugham, Graham Greene e John Le Carré, que prestaram serviços de espionagem para o governo de Sua Majestade? Segundo o historiador Keith Jeffery, autor de MI6: The History of the Secret Intelligence Service, escritores foram recrutados pelo SIS (“Serviço Secreto de Inteligência Britânico”), para atuar como espiões porque tinham fácil acesso a informações importantes e, principalmente, por não levantarem suspeitas.

Série ‘Carcereiros’, que adapta livro de Drauzio Varela, busca entender o bem e o mal

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Rodrigo Lombardi interpreta o agente penitenciário Adriano na série ‘Carceireiros’ Foto: Ramón Vasconcelos/Globo

Luiz Carlos Merten, no Estadão

Tiradentes, no interior de Minas Gerais, abriga em janeiro a Mostra Aurora, principal vitrine da produção autoral e independente de cinema do País. Em 2018, ampliando um pouco o leque, Tiradentes abriu espaço para discutir a relação da teledramaturgia com a literatura.

E o foco foi a série Carcereiros, de José Eduardo Belmonte, adaptada – por dois craques, Fernando Bonassi e Marçal Aquino – do livro de Drauzio Varela. Série estreou na quinta, 26, na TV Globo – e segue sempre às quintas, na mesma emissora.

De cara, Aquino e Bonassi disseram aquilo que qualquer pessoa que acompanhe minimamente o noticiário está cansada de saber – o sistema carcerário brasileiro é cruel, desumano. E o diretor Belmonte – seu filme que mais se aproxima do universo da série é Alemão.

Rodrigo Lombardi faz o protagonista. É um agente penitenciário, personagem que o sistema tenta manter no anonimato, mas que volta e meia vai parar nos jornais e na TV – como refém, quando as penitenciárias explodem, e isso ocorre com frequência.

Em casa, Othon Bastos adverte o filho/Lombardi.

Por que ele insiste em trazer para o ambiente familiar a pressão do trabalho? Quem responde é a chamada da série – o carcereiro pode sair da penitenciária, mas a penitenciária não sai de dentro dele. Como diretor, Belmonte gosta de retratar pessoas diante de problemas grandes demais – que as ultrapassam.

Os carcereiros vivem nesse limite. São servidores de um Estado que não lhes fornece ferramentas para enfrentar situações graves diante de gangues criminosas. E vivem expostos à violência.

Além do texto e da interpretação sólidos, Carcereiros beneficia-se daquilo que Daniel Filho gosta de chamar de “plus a mais”. A série funciona em dois registros, incorporando imagens de um documentário por Fernando Grostein, Pedro Bial e Claudia Calabi sobre a violência, incluindo motins, em presídios.

Carcereiros (reais) dão seus depoimentos, costurando a trama. Desde quinta, 26, a Globo soma à ficção de Onde Nascem os Fortes o docudrama de Carcereiros. Se você não reza na cartilha do bandido bom é bandido morto, a série vai ajudar a iluminar a realidade (e entender o Brasil).

Nada da simplificação de mocinhos versus bandidos. Carcereiros busca o humano para entender o bem e o mal de cada figura em cena.

007 vai ganhar série regular nos quadrinhos depois de 20 anos

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Lançamento aproveita a estreia de 007 Contra Spectre nos cinemas.

Eder Augusto de Barros, no SuperNovo

Segundo o CBR, a Dynamite Entertainment vai lançar no dia 4 de novembro nos EUA uma nova série regular do agente secreto britânico 007 depois de 20 anos longe dos quadrinhos. A revista que levará o nome de James Bond – 007 terá roteiros de Warren Ellis e Jason Masters. A primeira edição terá uma leva de capas alternativas desenhadas por Dom Reardon, Jock, Gabriel Hardman, Stephen Mooney, Dan Panosian, Francesco Francavilla e Glenn Fabry.

 

O primeiro arco, chamado de VARGR, vai mostrar James Bond voltando a Londres para assumir tarefas de outro agente double zero morte em serviço. O roteirista Warren Ellis comentou oficialmente a nova aposta da Dynamite e disse que vai se inspirar no James Bond de raíz, James Bond moleque, aquele dos livros de Ian Fleming:

O James Bond de Ian Fleming é um ícone, e é um prazer contar narrativas visuais com o Bond original dos livros, brutal e cheio de cicatrizes.

A primeira capa, e as versões alternativas, já foram divulgadas, e você vê abaixo. O movimento da Dynamite é uma clara oportunidade de impulsionar o lançamento com o filme 007 Contra Spectre que chega aos cinemas exatamente no dia 5 de novembro.

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Carta com plano original de autor para ‘Game of Thrones’ é revelada

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O escritor George R.R. Martin, da série "Game of Thrones"(Foto: Matt Sayles/Associated Press)

O escritor George R.R. Martin, da série “Game of Thrones”(Foto: Matt Sayles/Associated Press)

Publicado na Folha de S.Paulo

Uma carta do escritor George R.R. Martin para seu agente, enviada em outubro de 1993, foi publicada na internet revelando seus planos para a saga “As Crônicas de Gelo e Fogo”, que inspiram a série “Game of Thrones”, da HBO. Muita coisa mudou.

(Atenção: essa reportagem contém spoilers tanto dos livros quanto da série televisiva.)

Em 1993, Martin planejava fazer uma trilogia. Por enquanto, foram lançados cinco volumes —o sexto não deve ser publicado neste ano segundo a editora HarperCollins, que publica seus livros em inglês.

Desde o início o plano era matar Ned Stark e sua mulher, Catelyn. Enquanto a morte de Ned se desenrolou como previsto, a de Catelyn seria bastante diferente. Após a morte do marido, ela fugiria para o norte, para além da Muralha, e seria capturada por Mance Rayder, morrendo pelas mãos de seu grupo.

Sansa Stark iria se casar com Joffrey e teria um filho com ele. Joffrey, por sua vez, encontraria Robb Stark em uma batalha, na qual este seria derrotado e morto por Jaime e Tyrion Lannister.

A trajetória de Arya Stark é a mais diferente do plano inicial. Ela e Jon Snow iriam se apaixonar e seriam atormentados pelo fato de que Jon fez votos de castidade e de que são meio-irmãos —pelo menos “até o segredo da verdadeira paternidade de Jon ser revelado no último livro”.

Tyrion também deveria se apaixonar por Arya. Seu irmão, Jaime, mataria todos os postulantes ao Trono de Ferro e culparia Tyrion pelos assassinatos. Exilado, ele se uniria aos Stark para derrubar Jamie, encantando-se por Arya.

Khal Drogo também já estava fadado a morrer, mas de um modo diferente: ressentida pelo fato de o marido ter matado seu irmão, Daenerys o assassinaria, chegando a Westeros no segundo volume da trilogia.

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