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Agricultor sai da roça para conquistar diploma de agrônomo na UFC

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Agricultor Zé Alfredo (FOTO: Arquivo pessoal) Agricultor e pai de oito filhos, Zé Alfredo estudou e, com muito esforço, conseguiu ingressar na Universidade Federal do Ceará

Agricultor Zé Alfredo (FOTO: Arquivo pessoal)
Agricultor e pai de oito filhos, Zé Alfredo estudou e, com muito esforço, conseguiu ingressar na Universidade Federal do Ceará

Aos 37 anos, Zé Alfredo entrou em uma sala de aula com o objetivo de ingressar na universidade. Realizou o sonho e ensinou os aprendizados aos companheiros da região

 

Roberta Tavares, no Tribuna do Ceará

Zé Alfredo iniciou os estudos aos 37 anos e passou no vestibular (FOTO: Arquivo pessoal)

Zé Alfredo iniciou os estudos aos 37 anos e passou no vestibular (FOTO: Arquivo pessoal)

A 103 quilômetros de Fortaleza, no município de Pentecoste, José de Paula Firmiano de Sousa, agricultor e pai de oito filhos, resolveu mudar o destino da família. “Zé Alfredo”, como é conhecido pelos amigos, iniciou o trabalho na roça ainda criança, aos 7 anos, plantando milho, feijão e algodão. Aos 37, entrou pela primeira vez em uma escola com uma meta: a de ingressar na universidade.

“Eu sentia necessidade de falar corretamente, até de discursar diante das pessoas. Percebia esse desejo, e as coisas foram se encaminhando para que eu conquistasse algo melhor”, conta. Por meio de supletivo, concluiu o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. Graças ao Programa de Educação em Células Cooperativas (Prece), formado por estudantes de municípios do interior do Ceará, fez o pré-vestibular. “A minha rotina era trabalhar e estudar nas horas vagas”.

Por dois anos, ele e a filha andavam cerca de 10 quilômetros até a comunidade rural de Cipó, a fim de participar dos estudos em células para ingressar na universidade. Iam a pé, de canoa, de motocicleta e, às vezes, tinham a sorte de conseguir carona até o local, que funciona em um campo aberto, no meio do Sertão do Ceará.

O esforço não foi em vão. Pai e filha passaram no vestibular e ingressaram na Universidade Federal do Ceará (UFC). Ele, no curso de Agronomia, ela em Geografia. Com a conquista, Zé Alfredo passou a morar na residência universitária, em Fortaleza.

De segunda a sexta-feira a rotina era voltada aos estudos para o curso. Além de bolsista universitário, ainda fazia trabalhos extras durante a semana. No sábado, já estava novamente em Pentecoste para trabalhar na roça e ajudar a esposa e os filhos, ainda pequenos. “Eu ficava trabalhando na agricultura rudimentar. Todas as culturas que davam certo plantar, eu plantava”. Já o domingo era destinado a ministrar aulas no Prece para ajudar companheiros da comunidade a ingressarem na faculdade, assim como ele. “Me tornei facilitador das disciplinas, é uma experiência muito boa”, comemora.

Programa é formado por estudantes de comunidades rurais e municípios do interior do Ceará (FOTO: Divulgação)

Programa é formado por estudantes de comunidades rurais e municípios do interior do Ceará (FOTO: Divulgação)

Zé Alfredo, ao longo da graduação, trabalhou com afinco para que muitos de sua região também tivessem a oportunidade de entrar na universidade. “Se o meu Ensino Fundamental e Médio não tivessem sido na dificuldade, se fossem muito fáceis, não daria tanto valor à universidade como eu dou. Eu era uma pessoa da roça, não tinha o hábito de ficar fora da minha comunidade, foi tudo muito difícil”, confessa.

Segundo o agrônomo, o mais árduo foi ter de ficar longe da família. “Morar na residência universitária e ficar distante da minha esposa e dos meus filhos foi muito complicado. Toda vez que eu saía, minha filha chorava. A gente sente muito, porque é uma mudança grande”, relata.

Desistir?

Engana-se quem pensa que as férias do agricultor e estudante eram somente lazer. Tinha de colocar em dia o que estava faltando na roça. O trabalho realmente era pesado. Por vezes, José de Paula pensou em desistir do curso – que tem duração de cinco anos – e voltar a morar e trabalhar de sol a sol em Pentecoste, mas o apoio da esposa foi fundamental para que fosse até o fim. “Eu ia abandonar os estudos, porque todos da minha casa estavam trabalhando muito, e eu precisava ajudar. A minha esposa me pediu para não fazer isso, porque a minha formatura eu estava devendo a ela. O lado positivo foi muito forte para que tudo desse certo”, conta.

A batalha valeu a pena. No fim de 2013, lá estava Zé Alfredo, aos 53 anos, entre os 404 concludentes dos centros de Ciências, de Tecnologia e de Ciências Agrárias que colaram grau na Concha Acústica da UFC. “Eu não tenho palavras para dizer o tamanho da minha felicidade em ter concluído o curso. A minha meta é continuar estudando, enquanto eu tiver condições e oportunidade. Uma coisa que me faz bem é estudar”, diz.

Trabalho atual

Agora, o agrônomo atua na administração da fazenda da Universidade, em Pentecoste, ao lado de funcionários e servidores. “Fui convidado para administrar a fazenda, onde tem fruticultura, ovino e caprino. Diretamente trabalho com 35 pessoas, e a minha função é distribuir as funções”, explica.

A partir do exemplo de Zé Alfredo, cinco dos seus filhos também foram ou são estudantes da UFC e, como ele, retornam aos fins de semana para as atividades em seu município. “Minha mãe, apesar de ser quase analfabeta, sempre me motivou, e é isso que quero passar para meus filhos”, afirma. “Com certeza eu sou um exemplo para eles e para outras pessoas da comunidade. Muitos colegas me disseram que quando pensam em desistir lembram de mim, porque eu sempre fui muito empolgado e dedicado, não faço só por fazer”, dá a dica.

Entenda o Prece

O Programa de Educação em Células Cooperativas é uma organização sem fins lucrativos, formado por estudantes de comunidades rurais e municípios do interior do Ceará que, por meio do estudo em células, ingressam na universidade e retornam para ajudar outros jovens através das associações estudantis chamadas de Escolas Populares Cooperativas (EPC’s).

Criado em 1994 na comunidade rural de Cipó, em Pentecoste, o programa já levou mais de 500 estudantes para a universidade. Existem 13 EPC’s nos municípios de Apuiarés, Paramoti, Pentecoste e Umirim.

 

Escola atingida por veneno agrícola é depredada, em Rio Verde, GO

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Unidade teve o portão arrancado e seis salas de aulas destruídas.
Vândalos deixaram recado no quadro: ‘Protesto veneno’.

Publicado por G1

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Uma das salas de aula destruídas por vândalos, em Rio Verde (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

A escola rural do Assentamento Pontal dos Buritis foi depredada na noite deste domingo (30). O local, a 115 quilômetros de Rio Verde, região sudoeste de Goiás, teve seis salas de aula destruídas. Os vândalos jogaram pedras em vidraças, quebraram prateleiras, bebedouro e ar-condicionado, arrancaram um portão e ainda deixaram um recado no quadro-negro de uma sala: “Protesto veneno”. Alunos da unidade foram atingidos por agrotóxico despejado de um avião agrícola no último dia 3 de maio.

O agricultor Eraldo Silva Santos, que mora perto da escola, afirma que não viu os suspeitos. “Eu até ouvi um barulho à noite, levantei e acendi a luz de casa, mas as pessoas devem ter corrido”, acredita.

Mãe de uma estudante, Maria Divina Faria conta que um filho já estudou na unidade e que foi para faculdade. “Eu batalho para minha outra filha ir também para a faculdade e aí você vê uma tristeza dessa. Dá vontade até de chorar”, desabafa.

O diretor da escola, Hugo Alves dos Santos, disse que a polícia já foi até o local e investiga o caso. Os prejuízos ainda não foram contabilizados, mas o colégio passará por uma reforma. Caso a obra não seja finalizada até o final das férias do mês de julho, 250 alunos terão de ser transferidos para outra unidade, também na zona rural.

O prédio não possui câmeras de segurança. A delegada titular do 1º Distrito Policial, Jaqueline Camargo Machado Queiroz, disse ao G1 que os suspeitos do crime ainda não foram identificados. “Acreditamos que sejam alunos. Parece que acontecia uma festa próxima e pode ser que estudantes foram até a escola para praticar vandalismo”. Ela acrescenta que não se sabe quantos eram, mas que a perícia coleta digitais para identificação.

A unidade foi atingida por agrotóxicos na manhã do dia 3 de maio, quando uma aeronave despejou o veneno em uma lavoura próximo à escola. No momento em que o agrotóxico foi despejado, 122 alunos estavam no estudando e dezenas foram intoxicadas. Na ocasião, foi constatado que o inseticida utilizado não poderia ser usado em aviões, mas apenas aplicado via terrestre.

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