Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Al Capone

Biógrafo só não pode mentir, diz americano que escreveu sobre Al Capone e Marco Polo

0

Fábio Victor na Folha de S.Paulo

Autor de livros sobre as vidas de Marco Polo, Al Capone, Louis Armstrong, James Agee e Irving Berlin, entre outros, o biógrafo e historiador americano Laurence Bergreen, 63, defende que pode-se abordar quase tudo a respeito de biografados –só não se pode mentir.

Bergreen, que teve lançados no Brasil os livros “Além do Fim do Mundo” (sobre a expedição de Fernão de Magalhães) e “Marco Polo” (biografia do navegador italiano), foi convidado de última hora para o 1º Festival Internacional de Biografias, aberto anteontem e que vai até amanhã em Fortaleza.

O americano está de passagem pela cidade com a mulher, cearense. Ao saber do festival, ela procurou a organização, que o convidou para uma palestra às 18h de hoje.

Henrique Kardozo/Estúdio Pã/Divulgação
O escritor e biógrafo americano Laurence Bergreen, 63
O escritor e biógrafo americano Laurence Bergreen, 63

Folha – Qual o equilíbrio possível entre liberdade de expressão e direito à privacidade?
Laurence Bergreen – Nos EUA, essas fronteiras são redefinidas toda vez que um novo caso vem à tona. Em geral, o direito de a sociedade ser informada tem precedência. Mas depende sobre quem se está escrevendo. Se é sobre uma pessoa anônima, ela tem direito à privacidade. Mas sobre uma figura pública pode-se escrever quase tudo, a menos que se minta intencionalmente, que se invente uma informação. Diz-se nos EUA que “a verdade é sempre uma defesa”: se você publica algo constrangedor sobre alguma figura pública, mas é verdade, nada pode ser feito.

Há restrições ao trabalho de biógrafos nos EUA?
As restrições normalmente envolvem material protegido por direitos autorais, como músicas ou trechos de livros. Mas, mesmo nesses casos, os escritores têm a proteção do “fair use” [“uso justo”], que permite que em alguns casos jornalistas e biógrafos usem um pedaço de uma obra protegida por direito autoral –pode ser uma música, um poema, uma reportagem. A questão é quanto pode ser usado. Não há critério claro.

Quem define quanto?
Há um senso comum de que não pode ser mais que uma pequena porcentagem. Mas é muito flexível.

Como o sr. analisa as restrições da lei brasileira para publicação de biografias?
Como americano, vejo com preocupação, porque acho que, quanto mais liberdade de expressão, melhor.

Não é uma contradição que os EUA, que se proclamam o país da liberdade, espionem cidadãos, governantes e empresas de outros países?
Assim como os brasileiros, estamos muito chateados com esse caso. Uma pesquisa realizada com integrantes do PEN [associação de escritores] mostrou que nunca estivemos tão preocupados com direitos individuais e liberdade de imprensa como agora. É para nós também uma surpresa, há um ano ninguém sabia das atividades da NSA [Agência de Segurança Nacional, dos EUA], imaginava-se que ela tinha apenas propósitos militares.

O jornalista FABIO VICTOR viajou a convite do Festival Internacional de Biografias

Uma espiada nos livros do ‘Big Brother Brasil 13’

1
Fani encara o “Grande mentecapto”, de Fernando Sabino Terceiro / Reprodução/TV Globo

Fani encara o “Grande mentecapto”, de Fernando Sabino Terceiro / Reprodução/TV Globo

Entre a autoajuda e a religião, leitura funciona como indicador dos perfis dos participantes reality

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO – Se alguém o convidasse para passar até três meses confinado numa casa e fosse possível levar apenas um livro, qual você escolheria? “Ulisses”, de James Joyce, com suas 912 páginas? Ou algum dos tijolaços da série “Crônicas de Gelo e Fogo” (Leya), de R.R. Martin, em que é baseada a série de TV “Game of Thrones”?

Os participantes do “Big Brother Brasil” precisam responder a esta (angustiante) questão, já que a produção só permite que eles levem um livro para o confinamento. E, normalmente, as escolhidas são publicações de autoajuda, com mensagens motivacionais e estratégias para vencer no jogo, ou então religiosos.

Nesta edição, a veterana Fani foi flagrada cochilando com um exemplar de “As 48 leis do poder” (Rocco), de Robert Greene, nas mãos. A obra conta como mestres no jogo do poder se deram bem, seja no Japão feudal ou na Chicago de Al Capone. Pela aplicação da aluna, ainda não dá para saber se as lições serão úteis para mantê-la na casa por mais tempo. Fani também deu uma olhada em “O grande mentecapto”, de Fernando Sabino, levado pelo nerd da casa, Ivan.

Eliéser, outro veterano, optou por apelar para as forças divinas e está lendo “Amor acima de tudo” (Thomas Nelson Brasil), de Max Lucado. O livro fala sobre o amor de Deus pelos homens na Terra e como é possível amar uns aos outros do mesmo modo como Ele nos ama. Uma leitura um tanto controversa para um programa em que apenas um será o vencedor. Seria uma estratégia de sobrevivência do paranaense aparecer como bom cristão?

No entanto, nenhum livro causou tanta surpresa como o escolhido pela eliminada Aline. A moça levou consigo “O pequeno príncipe”, clássico de Antoine de Saint-Exupéry, publicado originalmente em 1943 e que atravessa gerações. Não se sabe ao certo quais pílulas de sabedoria a moça buscava, mas, pelo visto, não deu certo. Curiosa foi a declaração de seu noivo Jeferson, ao ser indagado sobre o livro: “Ela gosta de ler revista de fofoca de celebridade. Eu nunca a vi lendo um livro”. Ficamos combinados.

Outro eliminado, Dhomini, preferiu um livro de não-ficção, “Harpas Eternas — Volume I” (Pensamento/Cultrix), de Josefa R.L. Alvarez, que conta a história de Jesus Cristo desde o seu nascimento até os 12 anos, baseada em uma pesquisa histórica em vários países do Oriente Médio. Ao menos é o que garante a autora.

No “Big Brother Brasil” também há espaço para leituras “cabeça”. O artista plástico Aslan saiu na frente na disputa pelo papel de intelectual da casa ao encarar “Insurgências poéticas — Arte ativista e ação coletiva” (Annablume Editora), de André Mesquita. A obra é uma dissertação de mestrado apresentada pelo autor na Universidade de São Paulo (USP), em 2008, e que levanta os pontos de contato entre movimentos sociais e práticas artísticas. Livro que deve demorar os três meses para ser digerido.

Vale lembrar que, no último “BBB”, o bicho do mato Fael era um leitor voraz. Na sua passagem pela casa, quatro livros passaram pelas suas mãos: “O poder da Cabala” (Imago), de Yehuda Berg, “Quem mexeu no meu queijo” (Record), de Spencer Johnson, “Conversando com os espíritos” (Sextante), de James van Praagh, e “Sobre homens e lagostas” (Objetiva), de Elizabeth Gilbert, até que a produção decidiu recolher todos os exemplares da casa, no 52º dia. Vencedora do programa na 11ª edição, Maria alavancou as vendas de “Deixe os homens aos seus pés” (Universo dos Livros), de Marie Forleo. Gostos literários à parte, as escolhas dos brothers servem de sinais dos seus perfis.

Go to Top