Contando e Cantando (Volume 2)

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Qual a importância das fotos dos escritores, para eles e para os leitores

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Retratos de escritores projetam uma imagem que forma a mitologia em torno de suas personalidades e acompanha a leitura de suas obras

Juliana Domingos de Lima, no Nexo

Por ser um escritor nascido ainda no século 19, o homenageado pela Festa Literária de Paraty de 2017 Lima Barreto não tem tantas imagens de si circulando por aí, como é o caso dos escritores contemporâneos.

Lima Barreto em 1909, ano de lançamento de "Recordações do Escrivão Isaías Caminha"

Lima Barreto em 1909, ano de lançamento de “Recordações do Escrivão Isaías Caminha” – Foto: Domínio Público

 

A pouca iconografia existente do autor, que inclui as fotos analisadas pela professora da UFRJ Beatriz Resende no ensaio “O Lima Barreto que Nos Olha”, no entanto, ajuda a entender o que atormentava o escritor, qual a sua história e qual era a condição de um escritor negro no início do século 20 no Brasil.

Até a pesquisa de Resende, as fotos de Barreto que ela analisou nunca haviam sido vistas por alguém externo à instituição psiquiátrica onde ele foi internado e fotografado em 1914 e 1919. Para a pesquisadora, as fotos eram a “prova material” do que ele havia relatado no livro “Diário do Hospício”. Projetam, além disso, uma imagem muito diferente do escritor jovem, confiante e vestido com esmero no ano de publicação de “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”.

Para Dustin Illingworth, jornalista especializado em literatura que escreve para o site “Literary Hub”, as fotos de escritores constituem um texto paralelo à própria obra de um autor. A expressão do escritor em imagens, seja na orelha de um livro ou em um banner de livraria, ecoa e acompanha a experiência de leitura. E constrói uma fantasia em torno da figura por trás do texto. “Se a nossa é uma cultura da primazia visual, há dúvidas de que as fotos de nossos autores venham a habitar os textos que eles escrevem?”, questiona Illingworth.
Primeiros retratos de escritores brasileiros

O primeiro dos grandes escritores brasileiros a ter sua trajetória registrada por meio de fotografias, e portanto a deixar imagens de si para gerações posteriores, foi Machado de Assis. Nascido na primeira metade do século 19, sua geração coincide com a que viu, no Brasil, a fotografia se tornar parte da vida social, cosmopolita e intelectual das pessoas. A trajetória do escritor contada em fotos foi reunida no livro “A Olhos Vistos: Uma Iconografia de Machado de Assis”, organizado pelo professor de Literatura Brasileira na USP Hélio de Seixas Guimarães.

Machado fotografado por Marc Ferrez e Joaquim Insley Pacheco, em 1884 - Foto: Domínio Público

Machado fotografado por Marc Ferrez e Joaquim Insley Pacheco, em 1884 – Foto: Domínio Público

 

O modernista Mário de Andrade também foi intensamente retratado, em pinturas e fotos, e se mostrava consciente do cultivo de sua imagem de escritor e homem público a partir desses registros. “Dos retratos que foram feitos em vida, Mário de Andrade exerceu influência direta sobre muitos deles, interferindo e opinando durante a sua execução e também os criticando em textos e cartas depois de terminados”, diz o artigo “Retratos de Mário de Andrade: catálogo da iconografia dedicada ao escritor”, escrito pela pesquisadora em História da Arte da Unicamp Tameny Romão.

O trabalho explicita as construções da imagem do autor de “Macunaíma”, assimiladas pelo imaginário popular: seus retratos, tirados em casa ou no estúdio, cercado de objetos que havia trazido de suas viagens folclóricas ao Nordeste ou com um cigarro na boca, projetavam um homem culto, viajado, descontraído ou circunspecto e triste, como é muitas vezes o ideário romântico alimentado em relação à personalidade de escritores.

Em uma carta de 1944 enviada ao amigo Newton Freitas, Mário de Andrade envia uma foto dele mesmo que diz, na correspondência, ser a que mais gostava por marcar no seu rosto “os caminhos do sofrimento, você repare, cara vincada, não de rugas ainda mais de caminhos de ruas, praças, como uma cidade. (…) ele denuncia todo o sofrimento dum homem feliz”.
As fotografias de escritores

Fotógrafo e colaborador de editoras como Companhia das Letras, Planeta, Rocco e 34, Renato Parada já fotografou autores contemporâneos brasileiros e estrangeiros. José Saramago, Mia Couto, Elvira Vigna, Drauzio Varella, Daniel Galera e Ian McEwan estão entre seus retratados.

“Acho que essas escolhas fazem parte de como esses autores querem que o leitor se relacione com seus livros”, disse Parada em entrevista ao Nexo.

Ele concorda que quando o leitor julga, pela aparência, um escritor como “bonito, inteligente, agradável ou maldito”, isso tem impacto na forma como ele é lido.

'Saber que Daniel Galera é um contemporâneo meu me fez ter mais interesse por seus livros', diz Parada - Foto: Renato Parada

‘Saber que Daniel Galera é um contemporâneo meu me fez ter mais interesse por seus livros’, diz Parada – Foto: Renato Parada

 

Como leitor, Parada relata como sua experiência ou seu interesse pela literatura de alguns autores passa pela imagem deles. “Saber que Daniel Galera é um contemporâneo meu me fez ter mais interesse por seus livros”, diz. Também fala de como a imagem do autor do calhamaço “Graça Infinita” o convenceu a chegar ao fim do livro. “O fato de um escritor como David Foster Wallace se vestir como um Axl Rose acadêmico me influenciou a conseguir ter a dedicação suficiente para conseguir ler seus livros. Me ajudou a entender que ler um livro de 1.000 páginas também pode ser algo extremamente legal e divertido de se fazer”.

O retrato tirado de Elvira Vigna, autora do livro “Como Se Estivéssemos em um Palimpsesto de Putas” é um dos preferidos do fotógrafo por comunicar a força e a dureza da personalidade e do estilo literário da escritora.

Retrato tirado da escritora Elvira Vigna é um dos preferidos do fotógrafo - Foto: Renato Parada

Retrato tirado da escritora Elvira Vigna é um dos preferidos do fotógrafo – Foto: Renato Parada

Ele diz preferir fazer fotos “não literais”, fugir da pose intelectual ou profunda, das fotos convencionais com uma estante de livros ao fundo.

“São pessoas mais interessantes que isso”, diz. “As pessoas têm essa ideia do que é um escritor – alguém mais velho, acadêmico, e isso pode distanciar alguns da literatura, como os jovens, que podem achar que esse universo não é tão legal e interessante”.
Kafka, Plath, Camus

No texto “Como fotos de autores mudam nossa maneira de ler”, publicado no site “Literary Hub”, Dustin Illingworth cita alguns casos de fotos de escritores muito conhecidos cujos retratos são inseparáveis, para ele, das respectivas obras.

“A última foto tirada de Franz Kafka, meses antes dele morrer de uma tuberculose que o havia perseguido por anos, revela a magreza, a contemplação e a intensidade quase insuportável de um rosto transformado em um tipo de aforismo físico: o rosto de Kafka como uma história kafkiana”

Dustin Illingworth

Para o “Literary Hub”

Para o jornalista do 'Literay Hub' a expressão de Kafka concentra características de um personagem de um de seus livros - Foto: Domínio Público

Para o jornalista do ‘Literay Hub’ a expressão de Kafka concentra características de um personagem de um de seus livros – Foto: Domínio Público

 

O sorriso enigmático e a expressão ambígua da americana Sylvia Plath, autora de “A Redoma de Vidro” e do livro de poesia “Ariel” também ficam impressos, para ele, à ferocidade de sua obra poética. Illingworth registra ainda a elegância e a rebeldia do teco de cigarro nos lábios do francês Albert Camus, em sua foto mais famosa. Camus é, segundo ele, o James Dean do existencialismo.

15 livros que seu filho adolescente deve ler (mesmo que você não queira)

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Robert Downey Jr. (recém-chegado à maioridade) e Andrew McCarthy em ‘Abaixo de Zero’ (1987), adaptação do romance homônimo de Bret Easton Ellis.

Robert Downey Jr. (recém-chegado à maioridade) e Andrew McCarthy em ‘Abaixo de Zero’ (1987), adaptação do romance homônimo de Bret Easton Ellis.

 

É preciso admitir: seu filho se aproxima da idade adulta. Por mais difícil que seja para nós, estas leituras o colocarão diante de dilemas que ajudarão na sua formação

Elena Horrillo, no El País

É possível que o pesadelo de alguns pais seja ver sua filha adolescente lendo o polêmico Lolita, de Nabokov. Ou talvez se pareça mais com esse instante, eterno e torturante, em que seu rebento, ainda menor de idade, pede um exemplar do transgressor Mulheres, de Bukowski.

O que vem a seguir, certamente, é um olhar martirizado para o calendário, perguntando-se em que momento esse sangue do seu sangue deixou de lado aqueles livros cheios de ilustrações, e depois uma pequena pontada de alegria, porque ele pertence a essa comunidade de jovens que se interessam pela leitura. Nesse ponto é que surge o dilema: com que idade se deve ler Kerouac?

A má notícia é que não há respostas absolutas. “A questão não é tanto a idade, e sim o grau de maturidade”, diz Marisol Salazar Ego-Aguirre, chefa do departamento de Língua e Literatura do Colégio Lourdes de Madri. É preciso levar em conta a bagagem como leitor e o desenvolvimento do jovem. Há livros que podem ser lidos aos 16 anos, mas que são muito mais apreciados quando se é um pouco mais adulto. Outros são para ler e reler.

Convém levar em conta também a confiança que existe dentro de casa. “Seria bom que antes pais e filhos conversassem sobre temas como o sexo, drogas e as complexas relações humanas, porque livros desse tipo devem ser encarados como ficção, não como exemplos a seguir em alguns casos”, reflete Jesús Casals, diretor de conteúdo da livraria La Central de Callao, de Madri.

Consultamos pais, professores, críticos e vendedores e selecionamos 15 livros que, recomendados ou dados de presente (desde que pareça um acidente), servirão para que seus filhos deem o salto para a idade adulta, literariamente falando. E o melhor de tudo é que, se você já estiver avisado, não sofrerá uma série de microinfartos toda vez que mergulhar nas suas páginas.

1. Abaixo de Zero, de Bret Easton Ellis. Sim, Easton Ellis é também o autor do perturbador O Psicopata Americano. E, sim, é um representante da chamada Geração X. E também “descreve a sociedade norte-americana rica e sua decadência moral, mergulhada em drogas, álcool e perversões sexuais”, diz a especialista Marisol Salazar. Nada disso é tranquilizador, mas, sejamos sinceros, poucas coisas desse tipo deverão impressionar um adolescente do século XXI com acesso ao Snapchat e Instagram. É possível que lhes forneça um ponto de vista diferente sobre esses excessos.

2. O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Não, não tem absolutamente nada a ver com os arquiconhecidos tons de cinza de Christian Grey – repare que a vogal é diferente. O livro do E.L. James só deveria cair nas mãos da sua prole como um magnífico exemplo do grau de controle e poder que uma relação jamais deveria admitir. E não, não nos referimos ao sexo. Se você quiser oferecer algo muito mais benéfico aos seus filhos e, nas palavras de Casals, se quiser que comecem “a compreender que não serão jovens a vida toda”, ponha este clássico de Wilde em suas mãos.

3. No País das Últimas Coisas, de Paul Auster. “A descrição de um futuro sombrio, um mundo que desaparece, nos convida a refletir sobre nossas ações e nos apresenta um futuro terrível”, comenta Mercedes Hernández, chefe do departamento de livros da FNAC Espanha. Jogando com a distopia, o premiado autor norte-americano Paul Auster nos conduz ao lugar que ilumina o pesadelo da sociedade de consumo; sem valores, sem sentimentos e numa constante busca pela morte.

4. O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger. Em suas páginas aparecem temas como o álcool, sexo e prostituição. O fato de o assassino de John Lennon, Mark Chapman, portar um exemplar do romance na hora em que matou o Beatle conferiu à obra um caráter mitológico, para bem ou para mal, fazendo com que fosse proibido em algumas escolas ou transformado em leitura obrigatória em outras. Para Casals, a história do jovem Holden Caulfield, narrada em primeira pessoa, é “todo um romance de iniciação da vida adulta”. O livro é tão radical quanto seu protagonista, que precisa decidir se cresce ou não. Um dilema e tanto.

5. Tokio Blues — Norwegian Wood, de Haruki Murakami.
O aspirante ao Nobel de Literatura costura um triângulo amoroso — ou vários — enaltecendo a morte, cultura, sexo e inseguranças da adolescência. É um romance intimista, com uma forte carga emocional e, às vezes, tortuoso. Por que lê-lo? “Para entender que você não é o único jovem torturado neste mundo”, diz Jesús Casals, diretor de conteúdo da rede de livrarias espanhola La Central.
15 livros que seu filho adolescente deve ler (mesmo que você não queira)

6. Grow Up (Cresça), de Ben Brooks. “Uma maneira encrenqueira contemporânea de dar o salto.” É como Casals define este livro, publicado em 2011, por um Ben Brooks que, na época, tinha 19 anos e afirmava que a obra — a quinta de sua carreira — havia sido finalizada três anos antes. A história gira em torno de um jovem inglês, Jasper, em sua jornada niilista para a vida adulta. Repleto de um humor jovial e sem pretensões. Seu protagonista já foi denominado como um Holden Caulfield (protagonista de O Apanhador no Campo de Centeio) nos tempos do Facebook e do cyberbullying.

7. O Estrangeiro, de Albert Camus. Um sintoma comum da adolescência é se sentir fora de lugar e tentar encontrar um para se adequar. Para Meursault, o protagonista de Camus, a realidade é estranha, absurda e incompreensível. Encontra-se privado de um sentimento de pertencimento e a apatia toma conta do personagem. Devido a esse aspecto trágico e por “incorporar a ideia da pessoa que se sente alheia a tudo”, o livro é recomendado por Jorge de Cominges, escritor e crítico literário.

8. O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald. Sabemos que há um filme e que é estrelado por ninguém menos que o — finalmente — vencedor do Oscar Leonardo DiCaprio. Mas as cerca de 200 páginas de Scott Fitzgerald retratam cuidadosamente a sociedade fictícia, oprimida e cheia de excessos que caracterizou a década de vinte nos Estados Unidos. Uma época cheia de esperança e vitalidade que não via ainda seu nefasto horizonte final, na forma do crash de 29. Para De Cominges, é uma recomendação segura por seu “tom desencantado e o tema de tornar sonhos em realidade”.

9. Histórias de Cronópios e de Famas, de Julio Cortázar. “Quando você lê Cortázar pela primeira vez, abre-se uma nova dimensão na linguagem, sua narrativa pode descobrir um universo paralelo em uma mente receptiva”, diz Mercedes Hernández, chefe do departamento de Livros da Fnac Espanha. Se depois de ler este livro seus filhos ficarem encantados, você pode ir à biblioteca e buscar outra obra-prima de Cortázar, como Rayuela.

10. O Jovem Törless, de Robert Musil. Para o escritor e crítico Jorge de Cominges, trata-se “do romance de aprendizagem por excelência”. Narra a passagem para a vida adulta, e em uma escola militar, do jovem Törless, que irá tropeçar na crueldade, na moralidade ou na sexualidade de seus colegas, como também nas suas. Foi escrito em 1906, alguns anos antes do início da Primeira Guerra Mundial, mas alguns padrões remetem ao império austro-húngaro.
15 livros que seu filho adolescente deve ler (mesmo que você não queira)

11. A Metamorfose, de Franz Kafka. Ingrediente presente em de toda boa lista literária que se preze, o clássico de Kafka atrai e inquieta adolescentes há décadas, ao mesmo tempo que vem arrastando teorias sobre sua interpretação. Portanto, para Casals, é “uma boa maneira de distinguir a realidade e ficção”, bem como para Salazar é “uma história perturbadora que os adolescentes precisam conhecer”. A boa notícia é que é tão curto que, uma década depois, é possível reler o livro e se surpreender novamente.

12. Historias del Kronen, de J. A. Mañas. Este romance tem sido chamado de irmão espanhol de Abaixo de Zero. Suas páginas, muito mais explícitas do que o filme de mesmo nome, foram incluídas por Salazar por falar de temas eternos que caracterizam os adolescentes, tais como o abuso de drogas, álcool, amizade, sexo e a busca por pertencer a um grupo, às vezes, seja qual for.

13. Maus — A História de Um Sobrevivente, de Art Spiegelman. Esta crônica de gatos — nazis — e ratos — judeus —, que lembra a história de um sobrevivente do extermínio nazista, foi o primeiro romance gráfico a ganhar o Prêmio Pulitzer. Não só evoca a história do holocausto, mas também foca na difícil convivência entre gerações após o horror sofrido. Para Hernández, é, sem dúvida, “a melhor maneira de aterrissar no romance gráfico: devido à própria história e por como é contada”.

14. Nip the Buds, Shoot the Kids (Belisquem os Botões, Matem as Crianças), de Kenzaburo Oé. Não abandonamos o tema da Segunda Guerra Mundial, apesar de agora nos aproximarmos da cultura japonesa da época. “Apesar de ser Prêmio Nobel e mundialmente conhecido, Kenzaburo Oé sempre é uma surpresa”, diz a especialista Mercedes Hernández. O escritor japonês retrata um cenário inicial semelhante ao Senhor das Moscas, com um grupo de jovens forçados à sobrevivência, mas isso não desemboca no caos, e sim na organização coletiva. E são precisamente os adultos que quebram o feitiço.

15. Heróis, de Ray Loriga. Tem todos os componentes para armar-se como um poliedro na mente de um adolescente. Rock, álcool, amigos, “meninas bonitas” e infinitas frases que antigamente eram sublinhadas ou escritas nos diários e que, agora, são compartilhadas, sobre um fundo limpo e negro, nas redes sociais dos dias atuais.

25 livros indispensáveis para qualquer estudante

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Fonte: Shutterstock      Existem grandes obras da literatura que são indispensáveis para qualquer estudante

Fonte: Shutterstock
Existem grandes obras da literatura que são indispensáveis para qualquer estudante

Conheça a lista e entenda a importância de ler tais livros para a sua vida

Publicado no Universia Brasil

Durante o período de férias, os estudantes tendem a se distanciar um pouco das leituras, até mesmo para relaxar por algumas semanas antes de voltar para a rotina de estudos. No entanto, existem grandes obras da literatura que são indispensáveis para qualquer estudante pois, além de ampliarem os conhecimentos, são também grandes fontes de entretenimento.

Pensando nisso, a Universia Brasil preparou uma lista com 25 obras que não podem faltar na sua estante nessas férias. Aproveite seus momentos de descanso e leia!

1. Freedom – Jonathan Franzen

Este livro narra a história de uma família norte-americana e suas desventuras durante o século 20. É interessante observar as diversas mudanças de pontos de vista e da sociedade com o passar dos anos.

2. Este Lado do Paraíso – F. Scott Fitzgerald

Trata-se do primeiro romance do escritor de O Grande Gatsby. Assim como ele, é uma grande crítica a sociedade (especialmente aos jovens) dos Estados Unidos do período da Primeira Guerra Mundial. Um dos pontos interessantes do livro é o forte cunho autobiográfico, especialmente no que diz respeito ao protagonista, Amory Blaine, um aspirante a escritor.

3. Norwegian Wood – Haruki Murakami

Batizado em homenagem a uma canção dos Beatles, o livro se passa no Japão, na década de 60. O personagem principal, Toru Watanabe vive um dilema ao se dividir entre dois amores e enfrentar as descobertas da faculdade em uma época conturbada.

4 . 1984 – George Orwell

Uma das obras mais famosas do gênero da distopia, 1984 é um livro de forte cunho político, que debate questões éticas sobre a individualidade das pessoas e até que ponto o controle do Estado é válido. É fundamental para a formação do senso crítico de qualquer estudante.

5. Crime e Castigo – Fiódor Dostoievski

Uma das obras primas da literatura russa, Crime e Castigo foi publicado no século XIX, mas sua discussão sobre os valores morais permanece atual. Permeado por influências filosóficas, o livro narra a história de um estudante, Rodion Rasólnikov, que não consegue lidar com sua própria consciência após cometer um assassinato.

6. Admirável Mundo Novo – Audous Huxley

Outro clássico das distopias, Admirável Mundo Novo, lida com questões muito pertinentes, como a chamada “ditadura da felicidade” – na qual todos teriam que estar sempre felizes, não importam os meios necessários para atingir esse estado – e a alienação. Embora se passe em um mundo imaginário, a história tem muitos elementos que fazem repensar as atitudes e pensamentos das pessoas na atualidade.

7. Cem Anos de Solidão – Gabriel García Marquez
Escrita pelo vencedor do Prêmio Nobel, Cem Anos de Solidão é uma obra essencial para compreender o realismo mágico da literatura latino-americana. Ao narrar todas as desventuras de gerações da família Buendía, o escritor expande os limites da linguagem e discorre, também, sobre aspectos da história da América do Sul. Tudo isso com o grande mote da solidão humana como plano de fundo na trama.

8. Lolita – Vladimir Nabokov

Mais um tesouro da literatura russa, Lolita é um clássico que lida com sentimentos profundos e controversos como a paixão, além de polêmicas éticas e morais. Trata-se da história de Humbert, um homem casado que se apaixona pela enteada, Dolores (Lolita), de maneira obsessiva.

9. O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald

Ambientado na década de 1920, O Grande Gatsby é uma crítica ácida ao consumismo e a frivolidade da classe alta americana da época. Além de tratar sobre temas como o egoísmo e a ambição, é um livro indispensável para aqueles que buscam compreender o “American Way of Life”.

10. Adeus às Armas – Ernest Hemingway

Outra narrativa com cunho autobiográfico, o livro foi baseado nas experiências do escritor e jornalista como motorista de ambulâncias na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, o que garante a veracidade da ambientação. Além das mazelas da guerra, o leitor também se envolve com a profundidade do trágico amor de Frederic e Catherine.

11. As Vinhas da Ira – John Steinbeck

Também escrita por um vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, esta narrativa é ótima para quem deseja entender um pouco mais do contexto da Grande Depressão nos EUA durante os anos 30. Trata-se da trajetória da família Joad que, após se endividar e perder tudo, enfrentar uma dura jornada em busca de oportunidades na Caifórnia.

12. O Mestre a Margarida – Mikhail Bulgakov

Esse é um caso em que o processo de elaboração da obra é tão interessante quanto sua narrativa em si. Para escrever a história de uma visita do diabo à Moscou dos anos 20, o escritor elaborou 4 manuscritos, ao longo de 12 anos, sendo que a versão final foi concluída por sua esposa, após a morte de Bulgakov. Por seu forte conteúdo crítico sobre a política de a sociedade, O Mestre e a Margarida chegou a ser censurado pelo governo soviético e sua primeira versão integral foi publicada somente em 1973, na Alemanha.

13. A Cabana do Pai Tomás – Harriet Beecher Stowe

Esse livro também tem uma grande importância histórica, pois é considerado por muitos um dos fatores que levou à Guerra de Secessão dos EUA(1861 – 1865). Trata-se de um grande manifesto contra a escravidão, afinal, Tomás, o personagem principal, é um escravo pacifista que acaba sofrendo duramente as condições da escravidão. A história revela o horror dessa prática e deve ser lida por estudantes para que erros como esse não se repitam.

14. O Estrangeiro – Albert Camus

O filósofo argelino Albert Camus mostra em O Estrangeiro, uma de suas obras mais conhecidas, as bases de sua filosofia do absurdo. Ao discorrer sobre a história de Mersault, um homem frio e aparentemente sem sentimentos, o autor buscar entender a relação do homem com o universo e como esse mistério pode apenas não fazer sentido.

15. A Arte da Felicidade – Um Manual para a Vida – Dalai Lama e Howard C. Cutler

Esse livro se baseia em uma série de entrevistas concedidas pelo Dalai Lama ao dr. Howard Cutler. Como o próprio título diz, ele ensina como driblar problemas típicos da vida dos estudantes, como ansiedade, estresse, medo e, ao mesmo tempo, a cultivar sentimentos como a bondade.

16. Fausto – Johann von Goethe

Baseada em uma lenda alemã, a obra prima de Goethe conta a história do médico Fausto, que fez um pacto com o diabo Mefistófeles para obter conhecimento e acaba perdendo a alma, mesmo após apaixonar-se pela doce e pura Margarida. Além de ser um dos clássicos da literatura mundial, Fausto oferece um grande conteúdo histórico para os estudantes.

17. Paraíso Perdido – John Milton

Os versos do poeta britânico fazem referência às obras bíblicas, como o Gênesis. Trata-se de uma releitura da história sobre a perdição de Adão e Eva no Jardim do Éden, que recria o debate sobre os princípios éticos e morais, os conceitos éticos e morais.

18. O Senhor das Moscas – William Golding

A narrativa se passa em uma ilha deserta, após um acidente de avião em que crianças e adolescentes sobrevivem sem a supervisão de nenhum adulto. Para sobreviver, os jovens formam uma comunidade, que acaba tendo um final trágico. O livro representa uma grande crítica ao ideal do “bom selvagem” e também ao comportamento das pessoas na sociedade.

19. O sol é para todos – Harper Lee

Mais uma história que debate um dos maiores problemas da sociedade, o preconceito, O Sol É Para Todos conta a trágica história de um jovem negro que foi acusado injustamente de ter estuprado uma jovem branca. Além de tocar no polêmico tema da violência sexual, O Sol É Para Todos aborda a injustiça racial e se tornou uma das obras que embasaram o movimento pelos Direitos Civis nos EUA nos anos 60.

20. O Concorrente – Stephen King

Mais um clássico de ficção científica, O Concorrente se passa no ano de 2025, em um cenário nem um pouco animador. É em um mundo dominado pela pobreza e a alienação que Ben Richards, o protagonista, vive. Para conseguir pagar o tratamento de saúde da filha, ele acaba sendo voluntário para participar do programa de TV O Foragido, no qual pessoas perdem a vida na tentativa de ganhar o prêmio, em uma espécie de luta de gladiadores. A história discute os valores morais e sentimentos como a determinação e o respeito pela vida.

21. Laranja Mecânica – Anthony Burgess

Outro clássico das distopias, a Laranja Mecânica é indispensável para entender as raízes da violência. Em uma sociedade do futuro, o jovem Alex é líder de um grupo de adolescentes que cultuam a violência, porém, para interromper seus atos brutais, o governo inglês acaba transformando Alex em uma vítima do próprio conceito que pregava. A história reflete sobre a banalização da violência e suas consequências para a mente humana.

22 – Civilização e seus descontentamentos – Sigmund Freud

O pai da psicanálise aborda nesta obra um tema clássico da psicologia: o dilema entre a vontade individual do ser humano frente ao bem comum. Partindo desse embate, Freud analisa como as pessoas conseguem lidar com a culpa gerada por seus desejos reprimidos pela sociedade, criando novas formas de expressão. Uma boa dica para quem deseja entender o pensamento de Freud, tema de aulas em diversas áreas.

23. Hamlet – William Shakespeare

Considerada uma das melhores tragédias já escritas, a peça de Shakespeare é aclamada por sua trama recheada dos maiores dilemas existenciais da humanidade, que trata de sentimentos universais como a ira e a ambição.

24. A Divina Comédia – Dante

Obra prima do Renascentismo na literatura, A Divina Comédia é uma trilogia de poemas -Inferno, Purgatório e Paraíso – utilizada até hoje para compreender os valores do mundo medieval. Além da beleza poética, seu valor histórico também é imenso, afinal, o livro é considerado o primeiro texto escrito em italiano (o Latim era o idioma utilizado em obras literárias até então).

25. O Rio Que Saía do Éden – Richard Dawkings

Com base na teoria de Charles Darwin, Richard Dawkings explica o surgimento das milhares de espécies de seres vivos do planeta a partir da genética, estabelecendo relações entre eles. Com uma linguagem leve, repleta de metáforas, o cientista consegue desenvolver suas ideias e torna-las compreensíveis para os estudantes, fazendo com que O Rio Que Saía do Éden se torne uma leitura recomendada não apenas para estudiosos da biologia.

Principal grupo editorial de Portugal adquire o selo “Livros do Brasil”

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Imagem: Google

Imagem: Google

Publicado por Yahoo

Lisboa, 8 jan (EFE).- O principal grupo editorial de Portugal, Porto Editora, anunciou por comunicado nesta quinta-feira a compra do selo Livros do Brasil por cerca de 500 mil euros com o objetivo de relançar a editora nos próximos três anos.

Inaugurada há 70 anos em Portugal, a “Livros do Brasil” foi criada para divulgar as grandes obras da literatura brasileira e de outros renomados autores em nível internacional, cujos livros ainda não tinham sido publicados em solo lusitano.

Escritores como Albert Camus, Ernest Hemingway e Eça de Queirós são alguns dos autores incluídos em suas coleções.

“A Livros do Brasil se tornou, durante anos, um dos mais importantes selos editoriais portugueses”, afirmou a Porto Editora, que concluiu a sexta aquisição nos últimos 13 anos.

A última compra será “relançada” com um investimento de mais 500 mil euros, segundo explicou o administrador do grupo, Vasco Teixeira, em entrevista publicada nesta quinta-feira pelo “Jornal de Negócios”.

O responsável pela companhia lembrou da compra dos ativos da alemã Bertelsmann – uma das principais empresas do setor editorial em nível mundial – em 2010 e afirmou que desde então a ampliação do negócio da Porto Editora se deve mais “à preservação de um determinado patrimônio cultural” que à melhora da receita.

Sobre a “Livros do Brasil”, Vasco Teixeira ressaltou o “importante papel” do selo “no cenário cultural”, mas considerou que ele esteve “um pouco adormecido” nos últimos anos.

Segundo os dados divulgados pela empresa, as vendas da Porto Editora beiram os 150 milhões de euros por ano e o lucro em 2013 chegou aos 16,2 milhões de euros.

Carta inédita de Camus para Sartre é encontrada na França

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Publicado por Folha de S.Paulo

Uma carta inédita do escritor Albert Camus ao filósofo Jean-Paul Sartre foi encontrada recentemente e confirma a relação amistosa entre os dois intelectuais poucos meses antes da ruptura em 1952.

A briga aconteceu depois da publicação do ensaio “O Homem Revoltado” de Camus, obra que Sartre rejeitou de maneira taxativa.

A carta, que teve a autenticidade comprovada por um especialista, começa com a saudação “meu querido Sartre” e termina com “eu aperto sua mão”.

O escritor argelino Albert Camus em foto de Henri Cartier-Bresson / Henri Cartier-Bresson

O escritor argelino Albert Camus em foto de Henri Cartier-Bresson / Henri Cartier-Bresson

No texto, Camus recomenda a Sartre a atriz “Aminda Valls, amiga de María (Casares, famosa atriz, que foi amante de Camus) e minha, republicana espanhola, que é uma maravilha de humanidade”.

No início de 1951, Sartre preparava o lançamento da peça “O Diabo e o Bom Deus”.

Na montagem, María Casares teve o papel de Hilda, mas Aminda Valls não fez parte do elenco.

“A carta havia sido comprada por um colecionador de autógrafos nos anos 70”, disse Nicolas Lieng, especialista em literatura do século XIX e XX, intermediário na venda do documento a um dos colecionadores privados mais importantes de artigos de Camus.

A carta não tem data, mas, levando em consideração alguns eventos mencionados, especula-se que tenha sido escrita em março ou abril de 1951.

Seis meses depois do envio da carta, Camus publicou “O Homem Revoltado” e, pouco depois, Sartre rompeu a amizade entre os dois, queimando quase toda a correspondência trocada.

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