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Literatura e internet: uma jornada metamórfica

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Se tem muito discutido a relação entre internet e literatura, tal como a importância de divulgação da leitura e escrita.

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Luísa G. Ferreira, no Homo Literatus

A literatura possui suas raízes intrinsecamente ligadas à cultura. A escrita não surgiu de forma prorrompida, todos os passos da humanidade influenciaram e influenciam o que escrevemos hoje. De acordo com o momento vivido, as suas relações dentro do contexto histórico e político o escritor cria sua própria técnica e suas características tão importantes em sua obra. Um exemplo são os personagens criados por Dostoiévski, sempre bem construídos psicologicamente, explorando o lado obscuro existente em todo homem. Suas referências são as escolas de teologia, psicologia e o modernismo literário, contribuindo na construção do existencialismo e expressionismo.

Jamais consegui nada, nem mesmo me tornar malvado; não consegui ser belo, nem mau, nem canalha, nem herói, nem mesmo um inseto. E agora, termino a existência no meu cantinho, onde tento piedosamente me consolar, aliás sem sucesso, dizendo me que um homem inteligente não consegue nunca se tornar alguma coisa, e que só o imbecil triunfa. Sim, meus senhores. O homem do século XIX tem o dever de ser essencialmente destituído de caráter; está moralmente obrigado a isso. O homem que possui caráter, o homem. De ação, é um ser essencialmente medíocre. Tal é a convicção de meus quarenta anos de existência. (Conto: O Subsolo, de Fiódor Dostoiévski)

Bem como Dostoiévski, o escritor português Fernando Pessoa possui características bem marcantes. O Modernismo Português (que inclui Pessoa) teve como base os movimentos de vanguarda européia com a publicação do primeiro volume da revista Orpheu. Instalou-se com a eclosão da Primeira Guerra Mundial e possuía uma crítica à estética e a idealização estabelecidas pela Revolução Industrial. A utilização de heterônimos foi um marco de Pessoa. Diferente dos pseudônimos que constituíam apenas a utilização de um outro nome, os heterônimos eram a constituição de uma nova pessoa com características próprias, uma multiplicação de identidades.

Alguns exemplos de seus heterônimos e suas peculiaridades:

Alberto Caeiro

Considerado o Mestre, tem uma linguagem simples, ligada a natureza, provavelmente herdada pelas suas origens de poucos anos de estudo. Adepto do verso livre, anti-metáfisico, predominando as sensações visuais (vê o pensamento como um mundo vazio e obscuro), pouco uso de metáforas.

Creio no mundo como num malmequer,

Porque o vejo. Mas não penso nele

Porque pensar é não compreender…

O Mundo não se fez para pensarmos nele

(Pensar é estar doente dos olhos)

Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

(Trecho de O Meu olhar, Alberto Caeiro)

Ricardo Reis

Adepto do que promove calma, clareza, serenidade e paz. Baseado principalmente nas doutrinas gregas: epicurismo (busca da tranquilidade) e estoicismo (não envolver muito emocionalmente para ter liberdade). Possui uma linguagem culta com temas mitológicos.

Vê de longe a vida.

Nunca a interrogues.

Ela nada pode

Dizer-te. A resposta

Está além dos deuses.

Mas serenamente

Imita o Olimpo

No teu coração.

Os deuses são deuses

Porque não se pensam.

(Trecho de Segue o Teu Destino, Ricardo Reis)

Álvaro de Campos

Possuiu três fases de escrita: a Decadentista, Futurista/Sensacionista e a Intimista/Pessimista). Possui poemas mais intensos e apelativos, existencialmente. O heterônimo futurístico de Fernando Pessoa, de angústia incessante.

Ah, onde estou ou onde passo, ou onde não estou nem passo,

A banalidade devorante das caras de toda gente!

Ah, a angústia insuportável de gente!

(Múrmuro outrora de regatos próprios, de arvoredo meu)

Queria vomitar o que vi, só a náusea de ter o visto,

Estômago da alma alvorotado de eu ser …

(Oh, onde estou, de Álvaro de Campos)

Estes exemplos (Dostoiévski e Pessoa) demonstram claramente a relação entre as mudanças ocorridas em um contexto social e a literatura. Para o entendimento da relação com a internet é preciso esgueirar-se pela história; as primeiras formas de escrita eram baseadas em símbolos, evoluindo em diferentes sistemas de acordo com os diferentes povos existentes naquela época. O início da escrita é um marco importante no desenvolvimento humano, delimitando o início da história e o fim da pré-história. Como sendo uma das primeiras formas de comunicação, se torna a base indispensável para as outras que se desenvolveram e as que se desenvolverão ao longo do tempo.

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Durante a década de 1960, uma das mais importantes invenções humanas começou a ganhar forma. Com objetivos militares; a internet, entrementes a Guerra Fria, possuía inicialmente o intuito de armazenamento e compartilhamento de dados sigilosos dos EUA. Muitas das tecnologias usadas hoje foram em seus princípios, utilidades bélicas e de guerrilhas. Apesar disso, com o desenvolvimento científico, estas invenções se tornaram muito úteis para fins acadêmicos, e nos dias atuais tornou-se um alicerce para divulgações literárias.

Se tem muito discutido a relação entre internet e literatura, tal como a importância de divulgação da leitura e escrita. Assim, é viável pontuar os principais tópicos abrangentes das duas áreas para um entendimento mais amplo e racional.

A internet como ferramenta de escrita

Muitos são os textos publicados na internet, sejam em blogs ou em sites. É importante distinguir as várias nuances que cercam um texto feito para a internet e um texto publicado na internet. Os textos escritos em blogs possuem um escrita mais subjetiva, focando na vida do escritor, uma espécie de diário; além disso, é comum o uso de termos típicos da web como: ‘rs’, ‘haha’. Geralmente são texto criados para a web. Já a maioria dos sites focam em um material mais formal, discutindo assuntos atuais ou clássicos. Um exemplo é o Homo Literatus, com o jornalismo literário, publica sobre a literatura (material crítico), e a literatura (com crônicas e contos dos colaboradores). Como diferenças básicas, estão o público alvo e o tipo de escrita: formal ou informal.

Credibilidade

Hoje em dia os internautas possuem uma maior distinção do que se tem credibilidade ou não na internet. Como “todos” têm liberdade de publicar qualquer material, a web pode se tornar vilã para alguns leitores; ludibriando e distorcendo conteúdos de relevância.

Discursões

Conteúdos são despejados todos os dias, a maioria são superficiais. Assim como a credibilidade, o leitor precisa encontrar discussões mais profundas, que não se contentem em mostrar apenas um lado da moeda, principalmente em assuntos atuais, que estejam em pauta.

Algo novo ou apenas uma reprodução modificada do real?

Pode-se pensar que a internet introduziu diversos conteúdos, tipos de escrita; mas a maioria já existia e foi apenas modificada. Como as cartas, os moleskines para anotações, e até mesmo, os próprios livros.

A globalização

A internet se tornou um meio de globalização, uma extensão do que o capitalismo introduziu com empresas multinacionais, se tornando uma forma de adquirir mais acesso do que antigamente. Também é mais comum os textos coletivos, unindo ideias e pessoas de diferentes lugares. Incluindo a possibilidade de armazenamento de fotos e textos virtualmente.

As dificuldades de publicação

Um dos motivos do aumento nas publicações independentes vem da resistência das editoras. Muitas ainda preferem publicar um best-seller americano que já possui viabilidade e com certeza será sucesso de vendas no Brasil, do que investir em um novo escritor. Isso faz com que as publicações independentes permanecem no texto integral, sem ser corrompido por mudanças feitas por editores. O público passa e ter um contato mais direto com o autor, com a sua escrita em essência. Há também, situações que envolvem ‘da internet para a editora’, como aconteceu com o ‘Eu me chamo Antônio’, um projeto envolvendo poemas; fizeram um grande sucesso na internet e só após foi publicado editorialmente.

As redes sociais

O auge de divulgação fica com as redes sociais. Através do Twitter e do Facebook quem está conectado vê como uma forma de se expressar publicar frases/citações e trocar informações sobre suas obras preferidas. Os jovens são quem dominam esta área, criando fan pages sobre obras as obras mais populares do momento. Os livros se tornam mais do que conteúdo, um objeto; e os leitores se tornam fãs; alimentando o mercado editorial e formando um vínculo de afeto entre eles e os escritores.

Não há dúvida quanto a importância da internet na divulgação literária. A resistência encontrada inicialmente com argumentos que apoiavam que a web extinguiria os livros, foi aos poucos sendo substituída pela simples razão: como sendo um veículo de informação e compartilhamento, fez com que o que foi produzido no mundo possa circular com mais facilidade; escoando pelas valas das fronteiras e despejando, em cada ponto do mundo, um pouco de identidade.

Maria Bethânia diz que deseja gravar CD com poemas de Fernando Pessoa

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Ao lado de Cleonice Berardinelli, cantora leu obra do português na Flip.
Com 96 anos, professora afirmou sempre descobrir sonetos do poeta.

Maria Bethânia leu poemas de Fernando Pessoa no terceiro dia da Flip (Foto: Flavio Moraes/G1)

Maria Bethânia leu poemas de Fernando Pessoa no terceiro dia da Flip (Foto: Flavio Moraes/G1)

Letícia Mendes, no G1

A obra de Fernando Pessoa foi celebrada por Maria Bethânia e pela estudiosa do poeta Cleonice Berardinelli na mesa mais disputada da 11ª Flip, que aconteceu na noite desta sexta-feira (5). Com ingressos esgotados logo no primeiro dia de vendas, em 10 de junho, a sessão de leitura começou com 20 minutos de atraso e lotação na Tenda dos Autores. Poucos minutos após a hora marcada para o início, 19h30, ainda havia uma multidão em frente ao local.

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Aplaudida de pé ao subir ao palco, dona Cléo – como prefere ser chamada -, de 96 anos, iniciou a mesa “Lendo Pessoa à beira-mar”. Bethânia, que tem integrado versos do poeta português em seus shows há mais de 40 anos, foi convidada por Cleonice para entrar em cena.

As duas fizeram uma leitura ininterrupta de 50 minutos de poemas de Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis, como “Dois Excertos de Odes”; “O meu coração quebrou-se”; “Leve, breve, suave”; “Natal… na província neva”; “Autopsicografia”; “Cerca de grandes muros quem te sonhas”; “Prece”; “O rei”; “O infante”; “O guardador de rebanhos”; “Quando eu não te tinha”; “O amor é uma companhia”; “Já sobre a fronte vã”; “Quer pouco terás tudo”; “Aniversário”; “Esta velha angústia”; “Depus a máscara”; “Todas as cartas de amor são ridículas”; “Poema em linha reta”; “O Binômio de Newton”.
Em seguida, o mediador Júlio Diniz questionou Cleonice sobre qual seria seu heterônimo favorito. “É como perguntar para a mãe de qual filho ela gosta mais. Eu tenho um aluno que faz pesquisa constantemente sobre Pessoa, descobrindo novos sonetos cada vez mais”, disse.

Bethânia contou que foi o diretor teatral Fauzi Arap “quem colocou o Pessoa no meu colo”. “Ele viu que tinha a ver comigo. Ele me fez aprender, ler, entender e gostar”, afirmou. Junto com Cleonice, a cantora disse que deseja gravar um CD com leitura dos poemas. “Claro que eu aceito”, respondeu dona Cléo.

Projeto reúne os versos de Fernando Pessoa mais citados na internet

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O poeta Fernando Pessoa, em 1929, em do livro "Fernando Pessoa - Uma Fotobiografia", de Maria José de Lancastre

O poeta Fernando Pessoa, em 1929, em do livro “Fernando Pessoa – Uma Fotobiografia”, de Maria José de Lancastre

Publicado por EFE [via Folha de S.Paulo]

Um site lançado no 125º aniversário de nascimento de Fernando Pessoa (1888-1935), no último dia 13, pretende descobrir quais são os versos do poeta português mais citados nas redes sociais.

Através da coleta de citações, visível na página “O Mundo em Pessoa”, uma equipe procura mostrar quais são os versos “que mais inspiram os leitores de todo o mundo”, informaram nesta quinta-feira (20) os idealizadores do estudo, a Universidade de Lisboa e o portal português sapo.pt.

O site dá não apenas as referências aos textos assinados com o nome, mas também com os vários pseudônimos que Pessoa usou durante sua carreira –que, curiosamente, são os mais lembrados na internet.

Segundo as estatísticas já disponíveis, o poema “Tabacaria”, escrito com o nome de Álvaro de Campos, é o mais popular nas redes sociais.

O pseudônimo tem mais que o dobro de referências no último mês (374) que o segundo mais repetido, “II – O meu olhar é nítido como um girassol” (128), assinado como Alberto Caeiro.

Da composição que lidera a lista, escrita em 1928, são mencionados especialmente, os versos “À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” e “Serei sempre ou que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta”.

Para os que só conhecem as frases soltas, o projeto leva o usuário ao texto original, para assim “ampliar o número de leitores e o conhecimento de sua obra”, defendem os idealizadores do projeto.

13 livros de Fernando Pessoa para download gratuito

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Publicado por Universia

(Crédito: Luis Santos/Shutterstock.com)

Confira 13 obras do escritor Fernando de Pessoa que estão em dominio público

No 76º aniversário da morte de Fernando Pessoa, a Universia Brasil separou 13 obras do escritor e poeta português disponíveis em dominio público para download gratuito.

Os livros foram retirados do portal Dominio Público, biblioteca digital mantida pelo Ministério da Educação. Entre a selação estão inclusive obras de dois de seus heterônimos: Alberto Caeiro e Bernardo Soares, autores fictícios que possuem personalidade.

Veja a seguir as obras de Fernando de Pessoa para download:

Cancioneiro – Fernando Pessoa

Mensagem – Fernando Pessoa

O Banqueiro Anarquista – Fernando Pessoa

O Eu profundo e os outros Eus – Fernando Pessoa

Poemas de Fernando Pessoa – Fernando Pessoa

Poemas Traduzidos – Fernando Pessoa

Poesias Inéditas – Fernando Pessoa

Primeiro Fausto – Fernando Pessoa

Poemas em Inglês – Fernando Pessoa

O Guardador de Rebanhos – Alberto Caeiro

(heterônimo de Fernando Pessoa)

O Pastor Amoroso – Alberto Caeiro

(heterônimo de Fernando Pessoa)

Poemas Inconjuntos – Alberto Caeiro

(heterônimo de Fernando Pessoa)

Do Livro do Desassossego – Bernardo Soares

(heterônimo de Fernando Pessoa)

dica da Luciana Leitão

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