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6 séries inspiradas em clássicos da literatura que você precisa conhecer

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Em 'Sherlock', Benedict Cumberbatch dá vida ao famoso detetive Sherlock Holmes (Foto: Divulgação )

Em ‘Sherlock’, Benedict Cumberbatch dá vida ao famoso detetive Sherlock Holmes (Foto: Divulgação )

 

Publicado na Galileu

Ao longo dos últimos anos, a literatura clássica foi uma grande fonte de inspiração para a televisão. Séries e minisséries beberam na fonte de autores como Conan Doyle e Alexandre Dumas para trazer personagens queridos por leitores de diversas gerações à tona.

Separamos algumas dessas adaptações que estão disponíveis na Netflix. Confira:

1 – Sherlock (2010)
Estrelada por Benedict Cumberbatch (Doutor Estranho) e Martin Freeman (O Hobbit), a série adapta as histórias de Sir Arthur Conan Doyle sobre o detetive Sherlock Holmes para o século 21. A produção tem quatro temporadas, cada uma com entre três e quatro episódios de uma hora e meia de duração.

Martin Freeman e Benedict Cumbertbatch como Watson e Sherlock na série de TV (Foto: Divulgação )

Martin Freeman e Benedict Cumbertbatch como Watson e Sherlock na série de TV (Foto: Divulgação )

2 – Sleepy Hollow (2013)
A adaptação mistura conceitos dos contos Sleepy Hollow (A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça) e Rip Van Winkle, do americano Washington Irving. Na série de TV, o agente Ichabod Crane mata o Cavaleiro ao mesmo tempo que este o mata. Crane, no entanto, acorda em 2013, dando início à lenda na cidade de Sleppy Hollow, em Nova York. O seriado tem quatro temporadas com entre 13 e 18 episódios de duração.

Sleepy Hollow': nova versão de 'A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça' (Foto: Divulgação )

Sleepy Hollow’: nova versão de ‘A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça’ (Foto: Divulgação )

3 – The Musketeers (2014)
Inspirada no clássico Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas, a produção acompanha as aventuras de d’Artagnan, Porthos, Athos e Aramis enquanto estes defendem o rei e a França. Até o momento, a série possui três temporadas de dez episódios.

Elenco de 'The Musketeers' (Foto: Divulgação)

Elenco de ‘The Musketeers’ (Foto: Divulgação)

4 – Neverland (2011)
A minissérie se passa em 1906 e mostra um grupo de garotos que se tornam jovens meliantes ao trabalhar para Hook, que pede a ajuda para encontrar um tesouro que os levará para um lugar mágico: a Terra do Nunca. Baseado em Peter Pan, de J.M. Barrie, a série tem dois episódios de uma hora e vinte minutos e conta com a participação de Rhys Ifans (Um Lugar Chamado Notting Hill) e Keira Knightley (Orgulho e Preconceito).

Peter e Sininho em 'Neverland' (Foto: Divulgação )

Peter e Sininho em ‘Neverland’ (Foto: Divulgação )

5 – Tin Man (2007)
Nesta versão de O Mágico de Oz, de L. Frank Baum, Zooey Deschanel (500 Dias com Ela) vive DG, uma descendente de Dorothy Gale que vai parar no reino de OZ, onde tudo é mais sombrio e cheio de elementos de fantasia e ficção científica. Com três episódios de duração, a minissérie conta com Alan Cumming (The Good Wife) e Richard Dreyfuss (American Graffiti) no elenco.

'Tin Man': em nova versão, Zooey Deschanel vive Dorothy (Foto: Divulgação )

‘Tin Man’: em nova versão, Zooey Deschanel vive Dorothy (Foto: Divulgação )

6 – Moby Dick (2011)
Na adaptação do clássico de Herman Melville, William Hurt vive o capitão Ahab, que busca vingança da baleia Moby Dick. A minissérie de dois episódios conta ainda com a participação de Ethan Hawk (Boyhood) e Donald Sutherland (Jogos Vorazes).

William Hurt como o capitão Ahab em 'Moby Dick' (Foto: Divulgação )

William Hurt como o capitão Ahab em ‘Moby Dick’ (Foto: Divulgação )

Conheça lugares que inspiraram filmes e livros de ficção

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livraria Lello, em Portugal.

Publicado no Notícias ao Minuto

Autores de livros ou cineastas costumam se inspirar em lugares da vida real para criar cenários mágicos ou fantasiosos. Em várias cidades do mundo, é possível fazer turismo e visitar pontos que serviram de base para grandes histórias.

A famosa escola de bruxos de “Hogwarts”, da série “Harry Potter”, foi inspirada no Castelo de Alnwick, em Oxford, na Inglaterra, país natal da autora J.K Rowling. Já as colinas que circundam o lago na cidade fantasiosa de Harry Potter, são, na realidade, as margens do Loch Shiel, em Lochaber. Já as escadarias de madeira da livraria Lello, no Porto, serviram de inspiração para as escadas de Hogwarts.

Castelo de Alnwick, em Oxford

Castelo de Alnwick, em Oxford

Trechos do famoso romance “Viagem ao Centro da Terra”, de Jules Verne, foram totalmente inspirados na península de Snaefellsnes, ao noroeste da Islândia. Já o herói de Alexandre Dumas que roubava dos ricos e dava aos pobres, Robin Hood, teve seu quartel general inspirado na floresta de Sherwood, em Nottinghamshire. Na cidade são realizados diversas festas celebrando o personagem.

Foto: BILL STOREY

Loch Shiel, Escócia. Foto: BILL STOREY

 

Por fim, o local onde “vivem” Os Três Mosqueteiros, também do romancista francês Alexandre Dumas, foi inspirado na região da Gasconha, na França. Com informações da Ansa.

Península de Snaefellsnes, Islândia.

Península de Snaefellsnes, Islândia.

 

Floresta de Sherwood, em Nottingham, Inglaterra

Floresta de Sherwood, em Nottingham, Inglaterra

 

Biografia retrata o pai de Dumas, que inspirou ‘O Conde de Monte Cristo’

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Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

Em texto de 1857 sobre “O Conde de Monte Cristo”, romance que lançara com sucesso 13 anos antes, o francês Alexandre Dumas (1802-70) conta como lhe surgiu a ideia da trama, um processo que teria envolvido conversas com o príncipe Jerônimo Bonaparte e uma visita à ilha italiana de Monte Cristo, habitada por cabras selvagens.

Ao final do breve ensaio, Dumas faz uma provocação: “E agora todo mundo é livre para encontrar outra fonte para ‘O Conde de Monte Cristo’ que não esta que forneci aqui, mas apenas um homem muito sagaz irá encontrá-la”.

Poderia ser apenas referência irônica às dúvidas que circulavam sobre a autoria de suas obras, já que escrevia com uma equipe de colaboradores, mas, para o historiador americano Tom Reiss, 50, o francês jogava ali uma pista para “que um dia alguém pudesse conjecturar outra origem para seu herói injustiçado”.

Certo de ser o homem sagaz imaginado pelo romancista, Reiss dedicou-se a pesquisa e a escrever “Conde Negro – Glória, Revolução, Traição e o Verdadeiro Conde de Monte Cristo”, biografia que lhe rendeu um Prêmio Pulitzer e sai agora no Brasil pela Objetiva.

O biografado não é o Alexandre Dumas conhecido por romances como “Os Três Mosqueteiros”, tampouco o filho dele, o Alexandre Dumas dramaturgo, autor de “A Dama das Camélias”, mas o Alexandre Dumas cuja história acabou ofuscada pela do filho e do neto famosos.

O general Thomas-Alexandre Dumas lutando contra o Exército austríaco em 1797, em ilustração de 1912. Leemage

O general Thomas-Alexandre Dumas lutando contra o Exército austríaco em 1797, em ilustração de 1912. Leemage

E o motivo pelo qual esse primeiro Dumas –herói de guerra na Revolução Francesa, famoso em seu tempo como seria hoje nos EUA uma estrela do futebol americano– teria sido relegado a segundo plano não poderia ser mais controverso, a julgar pela opinião de Tom Reiss.

“Os franceses excluíram o general Dumas da história porque não podiam enfrentar a verdade de que o homem por trás dos maiores heróis de sua ficção era negro”, diz o biógrafo em entrevista por e-mail.

“O escritor Dumas tentou fazer com que o pai fosse reconhecido. Sempre que fez isso, foi rejeitado –embora fosse um dos mais famosos autores da França em seu tempo. Era simplesmente inaceitável que uma minoria racial ocupasse posição central na literatura francesa.”

O principal retrato contemporâneo do general Dumas anterior à biografia de Reiss foi publicado nos anos 1950 por Andrés Maurois –uma parte menor da biografia “Le Trois Dumas”, que contava a história das três gerações.

PENHORA

Thomas-Alexandre Davy de la Pailleterie nasceu em 1762, na colônia francesa de Saint-Domingue (atual Haiti), filho de um marquês branco e uma escrava negra.

Vendido temporariamente como escravo pelo pai na adolescência –o marquês o penhorou para pagar uma viagem à França, mas depois o resgatou–, Alex foi criado na elite parisiense antes de cortar laços com a família e passar a usar o sobrenome da mãe, Marie-Cessette Dumas.

Sem o título de nobreza, o jovem mestiço entrou para o Exército como soldado raso e, em poucos anos, tornou-se um general, no comando de mais de 50 mil homens.

Alguns de seus feitos, anotados por autores da época, lembram os do Barão de Munchausen, cujos relatos absurdos inspiraram o clássico de Rudolf Erich Raspe (1736-94) –num deles, Dumas aparece a cavalo agarrando uma viga no teto e se erguendo do chão com cavalo e tudo.

Relatos descrevem a ocasião em que Dumas venceu três duelos num dia –o que, para Reiss, foi “quase certamente a base para uma das cenas mais cômicas e bem conhecidas de ‘Os Três Mosqueteiros’, em que d’Artagnan desafia Porthos, Athos e Aramis para duelos numa tarde”.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

A inspiração para “O Conde de Monte Cristo” seria mais óbvia –voltando à França após ajudar Napoleão Bonaparte a conquistar o Egito, o general quase naufragou e acabou numa masmorra numa ilha no Mediterrâneo.

A carreira meteórica do general foi interrompida depois do período no calabouço e de Dumas criticar a campanha de Napoleão no Egito, o que o tornaria desafeto do líder.

A escritora Heloisa Prieto, especialista na obra do romancista, diz que não há consenso sobre essas inspirações. Ela lembra que o principal colaborador de Dumas, Auguste Maquet, era quem fazia as pesquisas para ele.

Mas, diz, é inegável que “o general Dumas era uma figura onipresente para o filho, cujas obras tratam do sujeito excluído, que tem de lutar por um lugar, do resgate dos valores da cavalaria”.

No Brasil, onde apenas cerca de dez dos mais de 600 títulos de Dumas já foram publicados, pode ser mais difícil buscar outras referências. Para os próximos anos, estão previstas duas continuações de “Os Três Mosqueteiros”, “Vinte Anos Depois” (que retrata um retorno tardio do quarteto) e “O Visconde de Bragelonne”, pela Zahar, que vem publicando obras do francês desde 2004.

MEMÓRIAS

O romancista foi fonte central para Reiss, ao dedicar ao pai cerca de 200 páginas de suas memórias, mas o biógrafo teve de descontar os exageros do filho. “O general era bom demais para ser real. E todos os textos repetiam o que o filho disse sobre ele”, diz Reiss, que checou tudo em arquivos militares.

Entre os textos inéditos que pesquisou, estão os arquivos dos três Dumas mantido num cofre no museu da família em Villers-Cotterêt, onde o romancista nasceu.

Quando chegou à vila francesa, Reiss descobriu que ninguém sabia a combinação do cofre. Conseguiu anuência do vice-prefeito para arrombá-lo e fotografar o que conseguisse por duas horas –antes de a polícia chegar.

28 livros que são diamantes para o cérebro de crianças e adolescentes

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Euler de França Belém, no Jornal Opção

Bons livros para crianças e adolescentes — a chamada literatura infanto-juvenil — são eternos e, mais, podem ser lidos por adultos com igual prazer. Muitos livros, mesmo de qualidade mediana, se tornaram clássicos. As obras de Monteiro Lobato, Alexandre Dumas, Irmãos Grimm, Ruth Rocha, Lygia Bojunga, Ana Maria Machado, H. C. Andersen não morrem jamais. São para sempre. “Meninos da Rua Paulo”, de Ferenc Mólnar, para ficar num exemplo, é um clássico universal e atemporal.

“O que me diz, Louise?”, de Slade Morrison e Toni Morrison
O que me diz Louise

Nobel de Literatura, a americana Toni Morrison é uma escritora notável. O livrinho “O Que Me Diz, Louise?” é uma celebração da leitura, da cultura, do aprendizado. Sobretudo, do prazer e não da obrigação de ler. Mesmo num dia chuvoso, Louise sai de casa em busca de um refúgio quase secreto: a biblioteca, espécie de porta aberta para todas as coisas do mundo. A biblioteca, com seus vários livros, transforma os seres humanos e, daí, o mundo. Ah, o livro nada tem de chato. (Glo­binho, 32 páginas, tradução de José Rubens Siqueira, ilustração de Shadra Strickland)

 

“O Pequeno Nicolau”, de Sempé-Goscinny

O Pequeno NicolauCom ilustrações de Jean-Jacques Sempé, o livrinho aparentemente despretensioso escrito pelo francês René Gos­cin­ny, criador de Asterix, que viveu em Buenos Aires durante a infância e parte da juventude, narra em primeira pessoa as aventuras do menino Nicolau. Contando suas experiências na escola, em casa com os pais e com os amigos, Nicolau diverte e ao mesmo tempo apresenta uma narrativa de como uma criança percebe o mundo ao seu redor. Para os interessados pela língua francesa, vale a pena ler o livro no original. A prosa da obra é fluente, precisa e acessível (Mar­tins Fontes, 136 páginas).

 

“20 mil léguas submarinas”, de Júlio Verne

20 mil leguas submarinasA edição contém o tex­to integral e 30 ilustrações originais. Um dos criadores da ficção científica, Júlio (Jules) Verne é uma espécie de Nos­tradamus da literatura e, mesmo, da ciência. Invenções às quais não teve acesso, pois morreu em 1905, foram anunciadas em seus livros. Prisioneiro do capitão Nemo, o professor Aronnax e Ned Land vivem a bordo do submarino Náutilus. Sem o didatismo de alguns autores, privilegiando a imaginação, a sua e a dos leitores, Verne mostra a riqueza do mundo marinho. (Zahar, 472 páginas, tradução de André Telles)

 

“O Jardim Secreto”, de Frances Rodgson Burnett

O Jardim SecretoO romance “O Jardim Secreto”, de Frances Rodgson Burnett, é sobre o encontro entre uma menina e um menino, sobretudo é uma celebração da amizade entre dois seres e a descoberta, por assim dizer, do mundo. O garoto vive numa cama, mais morto do que vivo, até a chegada de uma menina esperta que injeta vida em seu ser e o retira do quarto. Juntos, descobrem um jardim secreto e uma história, que, como o belo jardim, não pode mas é devassada. (Há duas traduções de qualidade pela Editora 34, de Marcos Maffei, e pela Companhia das Letras/Penguin, de Sônia Moreira. Há uma bela edição, em pop art, da Publifolha)

 

“4 Contos”, de e. e. cummings

4 ContosNão estranhe: é assim mesmo — e. e. cummings. É como o poeta assinava seus livros, com minúsculas. Todos conhecem cummings como um poeta extra­or­dinário, traduzido no Brasil por Augusto de Campos. No seu único livro para crianças, o bardo mostra que tem a imaginação adequada. Os contos versam sobre nascimento, amor. Quem aprecia Tolkien não se espantará com o elfo criado pelo vate americano. Imagine um elefante que tem carinho por uma borboleta e uma casa, meio solitária, que se declara apaixonada por um passarinho. Há duas meninas, Eu e Você. Lúdico e inteligente. (Cosac Naify, 48 páginas, tradução de Cláudio Alves Marcondes, ilustrações de Eloar Guazzelli)

 

“Vozes no Parque”, de Anthony Browne

Vozes no ParqueAnthony Browne ganhou o prê­mio Hans Chris­­­tian An­dersen, o No­­bel da literatura infanto-juvenil. O li­vro convida o leitor para pensar sobre a diversidade do mundo, sobre a interpretação dos fatos. Um passeio, feito num parque, é relatado por quatro vozes diferentes, com suas nuances. Resulta que um passeio pode ser muitos passeios, ao incorporar vozes diversas. “Um convite para nos colocarmos no lugar do outro, para ampliarmos nosso horizonte e para pensarmos sobre algumas questões como o isolamento, a amizade e as coisas estranhas em meio ao familiar”, segundo a editora. Atente-se para as ilustrações. (Zahar, 32 páginas, tradução de Clarice Duque-Estrada)

 

“Huckleberry Finn”, de Mark Twain

Huckleberry FinnPense em Mark Twain como o Mon­teiro Lobato dos Estados Uni­dos, com uma pitada a mais de humor. O menino Huck Finn é esperto, inteligente e até malandrinho. Suas histórias divertidas sempre levam o leitor a sorrir. É quase um romance de formação, preciso e enxuto. O menino amadurece durante suas peripécias. Fica-se com a impressão, às vezes, de que Huck Finn é um menino-adulto ou um adulto-menino. É o mais importante livro da literatura juvenil (ou infanto-juvenil) dos Estados Unidos, inclusive adaptado para o cinema. (L&PM, 320 páginas, tradução de Rosaura Eichenberg. Há outra edição. A leitura em inglês talvez seja mais proveitosa)

 

“As aventuras de Robin Hood”, de Alexandre Dumas

As aventuras de Robin HoodRobin Hood é um clássico da literatura universal (poucas pessoas não sabem quem é). As histórias estabelecidas por Alexandre Dumas são as mais bem cuidadas e são ambientadas nos séculos 12 e 13, sob o reinado de Ricardo Coração de Leão. O criminoso que rouba dos ricos para doar aos pobres é admirador do rei Ricardo e batalha para que volte ao trono. Nas matas de Sherwood e Barnsdale, Robin Hood e seus aliados, como João Pequeno, lutam contra o xerife de Nottingham e os soldados do rei usurpador. Há também a bela Lady Marian, paixão de Robin Hood, e o frei Tuck, seu aliado. (Zahar, 472 páginas, tradução de Jorge Bastos)

 

“Os Meninos da Rua Paulo”, de Ferenc Molnár

os Meninos da Rua PauloO húngaro Ferenc Molnár escreveu um dos mais belos livros juvenis (que todo adulto lê com prazer). Paulo Rónai, húngaro que veio para o Brasil fugindo do nazismo, é o exímio tradutor desta obra-prima. Ele escreveu o prefácio e o poeta e tradutor Nelson Ascher é autor do posfácio e das notas. Brigas de meninos, nas ruas de Budapeste, no século 19, poderiam render uma reportagem de jornal. Nas mãos de Ferenc Molnár resultaram num romance delicioso, escrito com graça e grande compreensão do universo dos garotos. (Cosac Naify, 70 páginas)

 

“Os três mosqueteiros”, de Alexandre Dumas

Os três mosqueteirosUma das graças do livro do escritor francês Alexandre Dumas é saber que os três mosqueteiros são, na verdade, quatro — Athos, Por­thos, Aramis e D’Artagnan. O romance de capa e espada se tornou universal. A versão brasileira, integral, contém mais de 100 ilustrações originais. A editora disponibiliza duas edições — uma mais barata e outra mais sofisticada. Os quatro heróis permanecem encantando os leitores. Não só. A história, levada ao cinema, encanta os espectadores. (Zahar, 688 páginas, tradução de André Telles e Rodrigo Lacerda)

 

“O Pequeno Príncipe”, Saint-Exupéry

O Pequeno PrincipeHá um preconceito intelectual contra este belo livro, so­bretudo no Bra­sil. Crianças e adolescentes (se não tiverem ab­sorvido a ranzinzice dos adultos) podem lê-lo com proveito. As mensagens podem soar piegas, num mundo feito de racionalismo consumista e sempre apressado, mas a história, com suas frases (dizem que moralistas), é bonita. Vale ler a tradução, mais madura e precisa, de Ferreira Gullar. O livro, na pena do maior poeta brasileiro vivo, ficou mais adulto. (Agir, 96 páginas)

 

“Grande Sertão: Veredas”/graphic novel, de Guimarães Rosa

42749000“Grande Sertão: Veredas, dirão, não é romance para crianças e adolescentes. De fato, não é. Porém, “Grande Sertão: Ve­redas”/graphic novel, de tão bem adaptado e, até, facilitado, pode ser lido por jovens atentos. O roteiro é de Eloar Guazzelli e a arte, de Rodrigo Rosa. O livro de Guimarães Rosa é uma das obras realmente imperdíveis da literatura brasileira. (Globo Livros, 180 páginas. O único problema é o preço: 199,90 reais)

 

“Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato

cacadas de pedrinhoO Brasil está cada vez mais urbano, com espaço cada vez menor para a área rural. Crianças, adolescentes e mesmo adultos sabem cada vez menos sobre assuntos que tenham a ver com o campo. O belo “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, se torna, portanto, mais interessante do que nunca. Porque põe seus leitores em contato com a natureza, com um garoto que inventa coisas para se divertir. Hoje, tirar uma criança das teclas de computadores e smartphones não é fácil. Monteiro Lobato, com sua rica imaginação, às vezes pecando por certo didatismo, provavelmente ainda consegue encantar as crianças e, até, os adolescentes. (Globinho, 72 páginas)

 

“O Menino e o Tuim”, de Rubem Braga

O Menino e o TuimO cronista Rubem Braga prova que sabe escrever para crianças com a história “O Menino e o Tuim”. O livro mostra a relação de uma criança com um passarinho. “Além de todo encantamento e alegria de ter um bichinho, o menino é forçado a lidar com as obrigações, necessidades e dilemas que vêm junto com o animalzinho quando ele é domesticado. Com uma linguagem sensível e poética, Rubem Braga capta toda a emoção de uma amizade pura e sincera e outras experiências transformadoras da infância”, sintetiza a editora. (Galerinha Record, 24 páginas)

 

“Andira”, de Rachel de Queiroz

AndiraAndira é uma criança? Não, Andira é uma andorinha-criança, quer dizer, um filhote. Pequena, e como não sabe voar, as demais andorinhas, que se preparam para migrar no inverno, deixam-na para trás. Como muitas andorinhas, Andira nasceu numa igreja e, na ausência dos parentes, é criada por morcegos. Estes se tornam seus mestres. (José Olympio, 64 páginas, ilustrações de Cláudio Martins)

 

“Marcelo, Marmelo e Martelo”, de Ruth Rocha

Marcelo Marmelo e MarteloRuth Rocha conhece como poucos o que se passa pela cabeça das crianças e adolescentes. Ela escreve com uma clareza impressionante e não subestima seus leitores. Por isso seus livros são tão lidos e adorados. Em “Marcelo, Marmelo e Martelo”, a escritora explora a vida de meninos que moram na cidade. São garotos espertos e ativos. Marcelo é um criador de palavras novas. Nas livrarias podem ser encontradas as belas e precisas adaptações que Ruth Rocha fez para a “Ilíada” e a “Odisseia”, de Homero”, e “Tom Sawyer”, de Mark Twain. Crianças ganham, muito, se lerem as adaptações. (Salamandra, 64 páginas, ilustrações de Mariana Massarani)

 

“A História de Emília”, de Monteiro Lobato

42127738Talvez seja possível dizer que Monteiro Lobato inventou a literatura infantil e infanto-juvenil no Brasil. Suas histórias não perdem vitalidade e permanecem modernas, ou, diria Carlos Drummond de Andrade, eternas. O escritor era um homem sisudo, mas tinha uma capacidade de imaginação imensa e, principalmente, não menosprezava a capacidade de entendimento de crianças e adolescentes. A história de Emília, uma boneca falante, é uma de suas principais criações Mexe com a percepção criadora das crianças. O curioso é que a personagem, com sua irreverência, agrada tanto meninas quanto meninos. É tão moleca, esperta e divertida quanto qualquer criança. (Globinho, 32 páginas)

 

“Meu Pé de Laranja Lima”, de José Mauro de Vasconcelos

Meu Pé de Laranja LimaO romance “Meu Pé de Laranja Lima” não deixa de ser piegas e, em alguns momentos, até primário. A exploração do sentimentalismo ganharia se incluísse, de modo mais incisivo, o humor, o riso (o mundo infantil raramente é tão lamentoso). Mas uma coisa é certa: José Mauro de Vasconcelos sabe comover crianças, pelo menos as do meu tempo de menino (entre as décadas de 1960 e 1970). A história do menino e do Portuga tem um quê de Mark Twain? Um quê, no caso, significa uns 20%. (Melhoramentos, 192 páginas)

 

“O estribo de prata”, de Graciliano Ramos

O estribo de prata“Vidas Secas” é, cla­ro, um roman­ce adulto. Mas a história de Fabiano e da cachorra Baleia pode ser lida com proveito por jovens perceptivos. “O Estribo de Prata” é, ao contrário, um livro mesmo para garotos. Trata-se de um causo contado por Alexandre, um misto de caçador e vaqueiro. Simples, direto e muito bem escrito. Menos seco que a prosa tradicional de Graciliano Ramos. Há, por assim dizer, um pouco mais de emoção. (Galerinha Record, 24 páginas, ilustrações de Simone Matias)

 

“A Menina Cláudia e o Rinoceronte”, de Ferreira Gullar

A Menina Cláudia e o RinoceronteAo criar colagens, o poeta Ferreira Gullar decidiu escrever “A Menina Cláudia e o Rinoceronte”. A garota, brincando com papel picado, “cria um rinoceronte. Ela toma gosto e logo faz vários outros, um de cada cor, era muita alegria inventar todo aquele novo e fantástico universo. Até que sua própria criação a surpreende obrigando a menina a embarcar numa incrível jornada e tanto pelos recortes de papel. Toda a história é contada por Gullar através de poemas leves e divertidos. Um livro lindo, uma verdadeira obra de arte visual com texto sensível e envolvente”, anota a editora. (José Olympio, 48 páginas)

 

“Raul da Ferrugem Azul”, de Ana Maria Machado

Raul da Ferrugem AzulGanhadora do Prêmio Hans Chris­tian Andersen, Ana Maria Machado é autora de livros de alta qualidade, como “Raul da Ferrugem Azul”, “História Meio ao Contrário?” e “Bisa Bia Bisa Bel”. Raul aparece com manchas azuis em todo o corpo. Depois de se lavar, usando xampu, álcool e detergente, conclui que tem ferrugem azul. A escritora conta a história com graça e sempre levando em consideração que o leitor é inteligente e perspicaz. (Salamandra, 64 páginas, ilustrações de Rosana Faria)

 

“A Bolsa Amarela”, de Lygia Bojunga

A Bolsa AmarelaLygia Bo­junga é uma escritora de livros infanto-juvenis? Consagrou-se assim. Acima de tudo, é uma grande escritora. Em conflito com a família e consigo mesma, uma menina esconde na sua bolsa “três grandes vontades”: “a de crescer, a de ser garoto e a de se tornar escritora”. Afinal, criança tem vontade ou sua vontade é a dos adultos? A garota relata como é seu cotidiano, intercambiando o mundo real, no qual vive com a família, e seu próprio mundo, no terreno da imaginação. (Casa Lygia Bojunga, 134 páginas)

 

“Histórias da Velha Totônia”, de José Lins do Rego

Histórias da Velha TotôniaJosé Lins do Rego tem livros magníficos sobre a infância. “Me­nino de Enge­nho”, às vezes subestimado, é um belíssimo romance. O es­critor paraibano escreve muito bem sobre meninos. “Quisera que todos eles (os meninos) me ouvissem com a ansiedade e o prazer com que eu escutava a velha Totônia do meu engenho”, disse o autor paraibano. A linguagem coloquial, oralizada, torna o livro extremamente acessível, divertido e delicioso. (José Olympio, 120 páginas)

 

“17 É Tov!”, de Tatiana Belinky

17 e TovTatiana Belinky nasceu na Rússia e veio cedo para o Brasil. Traduziu para o português Gógol e Tchekhov, sempre com mestria. Ao mesmo tempo, escreveu belos livros no campo infanto-juvenil — com a percepção de que a criança e o adolescente são inteligentes e dispensam didatismos excessivos. “Em ‘17 É Tov!’ ela descreve os primeiros 17 anos em São Paulo, por meio de crônicas divertidas e bem-humoradas. Desde a chegada no bairro paulistano de Hi­gienópolis até o casamento de seu irmão com uma prima, a autora narra casos que marcaram sua vida e sua experiência em um novo país”. Suas memórias, escritas com leveza, são divertidas e atentas. (Cia das Letrinhas, 88 páginas, ilustrações de Maria Eugênia)

 

“A Árvore dos Desejos”, de William Faulkner

a-arvore-dos-desejos-william-faulkner-14710-MLB169456628_8539-OO escritor americano William Faulkner é mais conhecido por seus romances mais complexos, como “O Som e a Fúria”, “Luz em Agosto”, “Absalão, Absalão” e “Enquanto Agonizo”. “A Árvore dos Desejos”, ao contrário dos chamados livrões, é escrito numa prosa mais simples e acessível. O menino Maurice convida a garota Dulcie para saírem em busca da Árvore dos Desejos. Eles vão para a floresta, ao lado de outras crianças. O Nobel de Literatura manipula bem o entrelaçamento entre o real e o fantástico. (Cosac Naify, 56 páginas, tradução de Leonardo Fróes, ilustrações de Eloar Guazzelli)

 

“Os Gatos de Copenhague”, de James Joyce

os-gatos-de-copenhague-james-joyce-8573214112_200x200-PU6eb479c3_1O autor de “Ulysses”, James Joyce, escrevendo para crianças? Sim e, melhor, o faz muito bem. “Os Gatos de Copenhague”, com qualificada tradução de Dirce Waltrick do Amarante, é divertido. O autor de “Ulysses” envia, da Dinamarca, uma carta para seu neto Stephen Joyce, na qual conta a história de que não há gatos em Copenhague. Que o leitor não se assuste: a história é simples, sem as firulas experimentais dos outros textos do escritor irlandês. (Iluminuras, 24 páginas, ilustrações de Michaella Pivetti)

 

“Discurso do urso”, de Júlio Cortázar

discurso-de-urso-julio-cortazar-emilio-urberuaga-450O escritor argentino Julio Cor­tázar é mais conhecido por “O Jogo da Amarelinha”, romance para adultos. O conto poético “O Discurso do Urso”, seu primeiro texto infantil, versa “sobre a vida e os seres humanos, vistos através dos olhos de um ursinho que vive passeando pelos canos dos prédios. Neste vai e vem ele ouve conversa e explora” o “cotidiano” das pessoas — “e suas qualidade e imperfeições — com curiosidade, deslumbre e audácia”, ressalta a editora. (Galerinha Record, 28 páginas, tradução de Léo Cunha)

 

“Caninos Brancos”, de Jack London

CapaJack London é um escritor brilhante, porém, como pouco dado a firulas experimentais, às vezes é sugerido como do segundo time. O autor de “O Cha­mado Selvagem” é responsável, em larga medida, pela formação e ampliação do número de leitores. Sua prosa é de qualidade, densa e, ao mesmo tempo, simples. Pode ser lida, com igual prazer, por crianças, adolescentes e adultos. “Caninos Brancos” é um de seus mais belos romances. Um lobo do Yukon, aprisionado, é utilizado como puxador de trenó e como cão de rinha. Resgatado por um homem “não-selvagem”, readquire, por assim dizer, sua “dignidade” e, aos poucos, volta à natureza. As relações homem-natureza são mostradas com rara felicidade por Jack London. A história foi adaptada para o cinema, mas nada substitui a leveza contagiante do texto do escritor americano (há pelo menos duas traduções de qualidade. Sônia Moreira é responsável pela da Companha das Letras/Penguin, com 296 páginas, e Rosaura Eichenberg fez a da L&PM, com 232 páginas)

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10 Escritores famosos, mas que escreveram poucos livros…

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Douglas Eralldo, no Listas Literárias

Lendo a biografia de Salinger publicada pela Intrínseca me atentei ao fato de alguns autores por uma razão ou outra se tornaram famosos e influenciaram de forma drástica a literatura, mesmo que sem uma produção prolífica. Por isso na lista de hoje, 10 Escritores famosos que escreveram poucos livros:

11 – J. D. Salinger: Começando a lista por quem inspirou-a. O polêmico e recluso autor de um único mas arrebatador romance “O Apanhador no Campo de Centeio” além deste livro publicou outros 3 livros com seus contos. Há a possibilidade de que em 2015 obras inéditas de Salinger ganhem as livrarias, o que certamente seria um grande alvoroço no mercado editorial;

2 – Emily Brontë: Das irmãs Brontë é a que se tem menos informações, no entanto seu único livro publicado, O Morro dos Ventos Uivantes resiste ao tempo estando sempre entre os principais long-sellers com saída certa nas estantes de livrarias;

3 – Manuel Antônio de Almeida: Médico e professor, outro nome a publicar tão somente um livro, mas que porém marcou a literatura nacional, inclusive com adaptações para outras mídias. Memória de Um Sargento de Milícias é um dos principais clássicos nacionais, e leitura obrigatória nas escolas;

14 – Stieg Larsson: O jornalista e escritor sueco é um desses casos que não sobreviveram para ver o próprio sucesso. Morto em 2004 ele não pode acompanhar o sucesso de público e crítica de sua trilogia policial Millennium, uma das mais aclamadas do gênero;

5 – Oscar Wilde: O polêmico escritor reconhecido por seu trabalho no teatro, novelas e contos, tem ao longo da carreira algumas obras que selecionam estes trabalhos, e um único romance, O Retrato de Dorian Gray, um clássico da literatura mundial;

6 – Margareth Mitchell: Uma síndrome parece afetar escritores de obras marcantes. É o caso de Margareth que depois do sucesso de E o Vento Levou, não teve tempo de pensar em escrever novos livros pois acabou morrendo atropelada com 49 anos de idade;

7 – Alexandre Dumas, o Filho: A família Dumas contribuiu com relevância para a literatura literatura. O pai escreveu clássicos como O Conde Monte Cristo, e O s Três Mosqueteiros. Já o filho, teve atuação mais destacada no teatro, publicando dois livros, o mais famoso e relevante o clássico A Dama das Camélias;

18 – Anna Sewell: Beleza Negra, um dos grandes best-sellers da literatura mundial foi escrito de certa forma tardia, levando 6 anos para ser escrito. Após a publicação o livro foi um sucesso imediato, no entanto Anna morreu por causa de uma hepatite 5 meses após a publicação do livro;

9 – Boris Pasternak: Conhecido como um dos maiores poetas do Século XX, no que se diz a romances o autor se limitou a tão somente um, o épico Dr. Jivago, que adaptado tornou-se um dos grandes sucessos do cinema;

10 – John Kennedy Toole: O autor escreveu o cômico A Confederação dos burros, porém não conseguiu lidar com seus problemas, e acabou se suicidando em 1969. Seu reconhecimento veio tardiamente nos anos 1980 com um Pulitzer póstumo;

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