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Posts tagged Algoritmo

Algoritmo revela como criar o best-seller perfeito

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Foto: pixabay)

(Foto: pixabay)

 

Bruno Vaiano, na Galileu

Livros com grandes quantidades dos verbos “need” (precisar), “want” (querer) e “do” (fazer) têm até duas vezes mais chances de ser um sucesso de vendas. Se o termo “OK” aparecer com frequência, são três vezes mais, confirmando nossas suspeitas sobre o apelo da capa de A Culpa é das Estrelas, de John Green. Fique longe de unicórnios, duendes e outras criaturas mágicas: ao contrário do que a saga O Senhor dos Anéis parece indicar, o público leitor, na média, prefere gente como a gente nos papéis principais. E uma última dica: se seus personagens pensam, agarram, seguram e perguntam mais que a média, você pode estar na trilha do estrelato.

Essas são algumas das descobertas de Jodie Archer, que costumava ser responsável pelas seleções da editora Penguin, e Matthew Jockers, professor de inglês da Universidade de Nebraska-Lincoln, que mapearam 20 mil romances aleatórios das últimas três décadas para tentar descobrir a fórmula do livro perfeito. Eles não se limitaram, claro, a simples palavras. Aspectos muito mais sutis de cada obra, como a construção do enredo e das personagens e as curvas da narrativa, foram levados em consideração.

O resultado é um algoritmo apelidado de “bestseller-ometer”, algo como “sucesso de vendômetro”, que, segundo os autores do estudo, é capaz de identificar um futuro hit das livrarias com até 80% de precisão. Os detalhes do sonho de consumo de qualquer editor foram publicados, é claro, em um livro, chamado The Bestseller Code: Anatomy of the Blockbuster Novel (St. Martin’s Press, R$ 83,00), ainda sem edição em português. Arte não é estatística, mas se você ainda não chegou lá, talvez a ciência possa dar aquele empurrão que falta.

*Com a supervisão de Isabela Moreira

Como um robô está tentando prever qual livro é um potencial best-seller

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Algoritmo faz o trabalho de encontrar livros com alto potencial, diz empresa

Algoritmo faz o trabalho de encontrar livros com alto potencial, diz empresa

 

Empresa pretende explorar melhor obras que podem fazer sucesso e intermediar contato com editoras

André Cabette Fabio, no Nexo

O clássico literário “O Senhor das Moscas”, de William Golding, foi rejeitado 20 vezes antes de ser publicado. “Carrie a Estranha”, de Stephen King, 30 vezes. “E o Vento Levou”, 38 vezes. Marcel Proust teve que pagar ele mesmo com os custos de publicação de “Em Busca do Tempo Perdido”. E editores disseram a J. K. Rowling, autora da série “Harry Potter”, que não abandonasse seu emprego para seguir carreira na literatura quando ela apresentou “Harry Potter e A Pedra Filosofal”. Ela diz que guarda até hoje em seu sótão as cartas que rejeitavam o livro.

Histórias de livros rejeitados inicialmente que depois vieram a fazer muito sucesso são comuns. E é provável que muitos potenciais “best sellers” ainda estejam em alguma gaveta (ou publicada discretamente em algum site obscuro da internet). Diante desse cenário, uma startup fundada em 2012 em Berlim, a Inkitt, tenta lidar com a questão usando um robô que detecta o potencial de venda de um livro.

O algoritmo de inteligência analisa como o público responde a obras literárias em desenvolvimento publicadas na rede. A expectativa é que esse sistema seja capaz de captar o que agrada ao público e encontrar livros com alto potencial de sucesso.

Como a empresa analisa o potencial de um livro

1 -Publicação

O autor escreve uma obra e a publica no site da startup, onde pode ser lido por uma comunidade de cerca de 500 mil pessoas.

2 -Algoritmo

Conforme leitores têm acesso ao trabalho, o algoritmo de inteligência artificial analisa como essas leituras são feitas. A empresa não revela exatamente como seu algoritmo funciona (se leva em conta o tempo gasto na obra ou as vezes em que um leitor abandona ou retoma a leitura, por exemplo). Mas afirma que a inteligência artificial desenvolvida é capaz de identificar quais livros têm potencial de sucesso.

3 -Negociação com editoras

Quando esse potencial é detectado, a companhia oferece a obra a grandes editoras e negocia os termos de licenciamento.


4 -Publicação de versão digital

Se não há interesse por parte de uma editora, a própria empresa publica uma versão digital (o livro, dessa forma, é lançado em plataformas de venda, extrapolando o ambiente do site da startup). Se o número de cópias vendidas não chegar a mil em um período de 12 meses, os direitos sobre o trabalho voltam para o autor.


5 -Segunda negociação

Se o livro vender bem, a empresa volta a tentar negociar com as grandes editoras, agora com mais argumentos a favor de uma publicação.

Onde a empresa quer se encaixar no mercado de livros?#

Com seu método, a companhia quer se tornar uma intermediária entre autores e editoras tradicionais para chegar ao grande público. E capitalizar com um fenômeno que já existe: o nascimento de obras de sucesso em fóruns e plataformas de publicação on-line.

Segundo o site Author Earnings, que analisa dados da empresa de venda de livros Amazon, obras publicadas pelos próprios autores ou por pequenas editoras independentes – com frequência de propriedade dos próprios autores – somam 39% dos e-books vendidos ali.

Publicado em 2011, o bestseller “Cinquenta Tons de Cinza”, da inglesa E. L. James foi gestado na internet e vendeu mais de 125 milhões de cópias pelo mundo. Inicialmente, a obra foi lançada na plataforma fanfiction.net. A escritora viu o potencial do livro com base na reação dos leitores, que também usou para adaptar a obra antes de levá-la a editoras.

Da mesma forma que E. L. James se precisou do retorno dos primeiros leitores da obra no fanfiction.net, o algoritmo da Inkitt seria incapaz de fazer qualquer seleção eficiente se não tivesse como fonte de dados o trabalho de sua comunidade.

Primeira parceria com grande editora sai em 2017#

O método está trazendo à tona uma primeira obra: “Bright Star”, da escritora Erin Swan, que chegou até a plataforma através do concurso “Joias Escondidas” (“Hidden Gems”).

O livro é uma ficção para adultos que inaugura uma série contando a história de Paerolia, uma terra onde “conflito e guerra trouxeram amplas cisões”. Um líder rebelde, chamado Kael, ajuda a escrava Andra a “descobrir a força que sempre esteve com ela” para lutar e recuperar um dragão. Os direitos sobre o trabalho foram vendidos para a editora Tor Books, que deve lançá-lo em 2017. Para Ali Albazaz, criador da startup, isso é um sinal de que seu algoritmo e seu modelo de negócios estão indo pelo caminho certo:

Esse acordo é um claro sinal à indústria editorial de que a análise de dados é o caminho para o futuro. Estamos na dianteira do movimento que usa dados para edição, e esse acordo mostra que nosso modelo de negócios funciona.”

Cientistas criam algoritmo para solucionar mistérios de Agatha Christie

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Agatha Christie, surrounded by some of her 80-plus crime novels.

A mestre do suspense é a autora mais lida de todos os tempos

André Bernardo, na Galileu

Desde 1920, quando lançou o romance O Misterioso Caso de Styles, até sua morte, em 1976, a britânica Agatha Mary Clarissa Christie escreveu 241 histórias. Mestra em narrar a solução de crimes, sua volumosa produção também foi alvo de investigações literárias. Afinal, como Agatha conseguia escrever uma nova história a cada três meses? Para responder a essa pergunta, os pesquisadores Jamie Bernthal e Dominique Jeannerod releram 27 dos 66 livros policiais da autora à procura de pistas que ajudassem o leitor a identificar o assassino, desenvolvendo um algoritmo capaz de entender seu estilo de criação (veja quadro abaixo). “Infelizmente, o algoritmo não funciona para tudo que ela escreveu. Dois de seus livros mais famosos, Assassinato no Expresso do Oriente e Cai o Pano, não se encaixam no padrão”, diz Bernthal.

“Mas Agatha não seria a ‘rainha do crime’ se não tivesse quebrado algumas regras.” Estima-se que tenham sido vendidos 4 bilhões de exemplares dos seus livros, com traduções para mais de cem idiomas — ela é a autora mais lida de todos os tempos, atrás somente da Bíblia e de William Shakespeare. A vida de Agatha também teve seus mistérios: em dezembro de 1926, ela desapareceu durante 11 dias e até Arthur Conan Doyle, pai de Sherlock Holmes, ajudou nas buscas. Depois de 40 anos de sua morte (completados em 12 de janeiro), biógrafos afirmam que o sumiço aconteceu por conta de uma depressão após a perda da mãe e a descoberta de uma traição do marido.

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A briga pelo futuro dos livros

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Com a entrada de Amazon e Livraria Cultura na disputa por e-books, o mundo livreiro pode mudar radicalmente

Pedro Doria, em O Globo

Faz meses, já, que o mercado brasileiro vinha sendo aquecido para a chegada dos e-books. E, aí, tanto Livraria Cultura quanto Amazon se lançaram ao jogo no mesmo dia. Foi na última quarta-feira que o site da americana foi ao ar e que a brasileira fez uma festa em sua matriz, no Conjunto Nacional da Avenida Paulista, para lançar no mercado seu leitor de livros eletrônicos, o Kobo. Alguns dos acordos com editoras foram fechados em cima da hora. E, isso desaponta por certo os consumidores, os preços não são tão mais baixos assim. De cara, parece injusto. Mas é tudo resultado de uma dança complexa.

Hoje, o leitor que quiser comprar a edição eletrônica de uma obra tem algumas opções. Já existiam a livraria virtual Gato Sabido e a Saraiva. A Apple também estava no mercado. Com Amazon e Cultura, fecham em cinco os principais fornecedores. Os interesses de cada um destes atores, porém, são distintos.

Não raro, descrevemos na imprensa a Amazon como a maior livraria virtual do planeta. É verdade. Mas o negócio da Amazon não é vender Kindle ou livro. Pelo contrário. Tanto o leitor eletrônico Kindle, quanto os livros de papel, quanto os livros eletrônicos dão prejuízo. E o algoritmo da Amazon, o programinha por trás do site, é inteligente. Ele muda o preço a cada visita, fazendo minúsculos ajustes. Ele conhece o comportamento de cada cliente. A Amazon é uma máquina de seduzir. E seu truque é simples: ela ganha dinheiro vendendo outras coisas.

Por enquanto, a loja brasileira está apenas no ramo de e-books. O Kindle, cujo preço do modelo mais simples será R$ 299, é um chamariz. Ele só lê livros comprados na própria Amazon. A ideia é prender mesmo o consumidor, cultivar seus hábitos de contínuo retorno, para que um dia ele compre também um aparelho de TV ou qualquer outra coisa cara e lucrativa. Livros são a isca. (Também é possível ler livros da Amazon no iPad e tablets Android.)

A Apple está no ramo de livros eletrônicos por um segundo motivo. Ela deseja que seu tablet seja o mais completo possível. Se dispor de uma biblioteca bem fornida para venda incentivar a compra de iPads, está no ramo. Mas, para ela, é um negócio secundário.

Livrarias como a Barnes & Noble, nos EUA, e a Cultura, no Brasil, entram no jogo numa posição defensiva. Se o mercado da literatura digital é inevitável, melhor estar nele do que ver um concorrente novo ocupando o espaço abandonado.

O raciocínio natural seria, portanto, de que o consumidor ganha. Mas esta é uma equação arriscada. Do outro lado do negócio estão as editoras. Mesmo quando vende livros por preços muito abaixo do mercado, a Amazon repassa às editoras o mesmo valor combinado. Então, a princípio, não há prejuízo. O receio é que lentamente a gigante multinacional vá exterminando seus concorrentes ao mesmo passo em que habitua o consumidor a preços mais baixos. Concorrência predatória. Após alguns anos, as editoras se vêem forçadas a abaixar seus preços. Ficam menores.

Há quem diga que tirar poder das editoras é bom. Nos EUA, a facilidade de distribuir e-books permitiu o surgimento de inúmeros títulos que sequer passam por editoras tradicionais. Mas um detalhe: os best-sellers independentes costumam ser ficção de gênero. Thrillers, romances eróticos para mulheres, histórias de detetive. O que estiver na moda vende, o que não estiver é ignorado.

O argumento em prol das editoras é o da curadoria. Editores pescam boa literatura que talvez jamais tivesse chance e os colocam nas livrarias com um selo que garante qualidade. Equilibram estes custos, altos, com best-sellers. Mas, mesmo nestes casos, é preciso apostar. Mike Shatzkin, do New York Times, gosta de usar o exemplo de “Steve Jobs”, a biografia de Walter Isaacson. Custa mais de US$ 500 mil colocar um jornalista experiente para viajar por toda parte durante mais de um ano dedicado a pesquisa. Uma grande editora paga para que livros venham à vida. Num mercado de editoras encolhidas, isto não mais ocorre pois o risco é muito e o dinheiro, pouco.

É cedo para dizer quem tem razão. Mas o preço mais baixo agora não é, necessariamente, o melhor para quem gosta de livros.

Foto: Kobo / Divulgação

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