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Paulo Coelho: “Mais responsabilidade e menos trolagem”

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MEDITAÇÃO O escritor Paulo Coelho na Dinamarca, em 2007. Ele diz que, depois do susto que o coração lhe deu em 2011, quer ficar mais tempo na sua casa em Genebra, na Suíça (Foto: Joachim Ladefoged/VII/Corbis)

Publicado na Época

Em 2011, o escritor Paulo Coelho sofreu uma obstrução nas artérias do coração que o lançou ao limite entre a vida e a morte e o estimulou a repensar toda sua carreira de autor de sucessos. “Os momentos difíceis nos ensinam a viver melhor”, disse a ÉPOCA de sua casa em Genebra, na Suíça. Hoje, aos 64 anos, menos viajante e mais preocupado com a qualidade de vida, ele encontra tempo para meditar, planejar um romance a ser lançado em 2013 e fazer previsões. Nesta entrevista, discorre sobre o futuro do Brasil e do mundo. Segundo ele, a palavra de ordem para os meses que virão é “responsabilidade”.

1. ÉPOCA – Que sentimento o senhor recomenda à humanidade para os próximos meses?
Paulo Coelho –
 O sentimento da responsabilidade. A humanidade terá de ser mais responsável e menos destrutiva. A comunidade social permite que qualquer pessoa tenha uma voz que será ouvida. É preciso aproveitar isso para se fazer ouvir. É o contrário do que acontece hoje, nas caixas de comentários de notícias. Em vez de se dar conta de que são responsáveis pelo que dizem, elas se dedicam a criticar qualquer coisa e pessoa de forma violenta e indiscriminada. É o que se chama de “trolar” no jargão da internet. Faça com que sua voz seja ouvida com responsabilidade, e não como uma brincadeira. Mais responsabilidade e menos “trolagem”!

2. ÉPOCA – Que lugar inspirador ou para peregrinar o senhor recomenda para 2013?
Coelho – Peregrine por seu coração. Ele é inspirador. As pessoas estão frequentando muito a lógica e deixando de lado o sentimento. O coração tem uma caixa de ferramentas de que você precisará em 2013. Ali, você encontra a intuição e a capacidade de reagir rápido sem pensar muito. Com isso, não quero ser irracional. Refiro-me ao coração como metáfora, não como órgão. A linguagem do coração será cada vez mais importante. Usando seu coração, você volta ao estado de criança. Sem a ingenuidade da criança. Isso lhe dará condições de ser criativo para os desafios do ano. Fará você se adaptar às crises do mundo, como lidar com as novas linguagens. O coração pode não ser pragmático, mas é sábio. Procure conhecer o interior de sua alma. E assim estará no meio da tempestade, com raios e trovões a sua volta, e se sentirá bem. Você é um desconhecido, e seu potencial é maior do que você sabe. Passeando pela alma, você ficará feliz com o que encontrará. As pessoas temem a confrontação. No outono, as folhas brincam entre si que não querem cair, mas não adianta: elas cairão. A paz é uma utopia se associada à ideia de ausência de conflito. Aceite os conflitos, dê boas-vindas a eles e toque para a frente, porque isso é parte da condição humana.

3. ÉPOCA – Quais serão os maiores obstáculos para o crescimento pessoal humano em 2013?
Coelho –
 A zona de conforto será o pior obstáculo. Você cria essa zona achando que tem controle sobre tudo. Ora, isso é uma ilusão completa. No momento em que você acha que está tudo bem à sua volta, aí é que reside o perigo. Estou aqui parado, mas não me sinto tranquilo. Persigo a atividade, evitando a crença no controle. Aprendi isso em duas situações. A primeira foi em 1974, quando me achava o rei do mundo, porque tinha acabado de lançar a canção “Gita”, com Raul Seixas. Foi quando fui preso, desapareci – e aí meu mundo caiu. A segunda foi em 1979. Era um executivo de gravadora, achava que sabia aonde queria chegar. Troquei a Polygram pela CBS e aí fui mandado embora. Não consegui mais arranjar emprego. Foi uma bênção. Mas na hora você sofre. Você não tem controle sobre nada.

4. ÉPOCA – Que poder espiritual ou habilidade o senhor pretende desenvolver no ano que vem?
Coelho – Quero fazer algo de que não tenho certeza se conseguirei: aprender árabe e hebraico. Acredito que, no caso de línguas em conflito, como essas duas, quem sabe as palavras “não estão sendo mal traduzidas”? Quando Lutero traduziu a Bíblia e ela se tornou a base do idioma alemão, demonstrou que as palavras do latim eram imprecisas. A língua necessita de uma precisão. Se você entende os idiomas, passa a entender melhor as pessoas que falam aquelas línguas. Eu gostaria de manter um diálogo entre essas duas línguas distintas. São línguas místicas. O hebraico com o misticismo da cabala e o árabe com a poesia do Corão. Quem sabe não consigo aproximar esses dois universos?

5. ÉPOCA – O ano de 2012 foi marcado pela ascensão da literatura erótica para mulheres. O senhor acha que a tendência continuará? Quais as consequências desse tipo de literatura para as mulheres?
Coelho –
 Vejo como uma coisa positiva. Se gente como a Erika (Leonard James, autora da trilogia erótica Cinquenta tons de cinza) vende tantos livros, é porque tocou numa veia sensível que estava oculta. Esse tipo de literatura é liberadora. A relação das pessoas em relação ao sexo é ainda travada. Minha geração experimentou o sexo como livre. Depois, houve um retrocesso tremendo. É hora de as pessoas repensarem a sexualidade.

6. ÉPOCA – A literatura continuará a contribuir para o aperfeiçoamento das pessoas ou perderá terreno para a tecnologia?

Coelho – A literatura viverá uma transformação radical, por causa das pessoas. A primeira delas é a linguagem. Não há mais espaço para escrever a seus pares. Isso é perder a relevância. A literatura é beneficiada pela busca da simplicidade. O blogueiro se educa em concentrar-se na essência do que escreverá. É essa a transformação na literatura. Ela se tornará importante, mas não será como a conhecemos hoje. Literatura precisa de estilo, de conteúdo e de uma plataforma. A literatura está mudando nos três níveis. Como escritor, tenho de me adaptar à nova linguagem. Minha literatura sempre seguiu o princípio da objetividade que evita a superficialidade, sem perder a poesia. Escrever pelas redes sociais é fazer literatura. Hoje em dia, a literatura, como tudo, está migrando para a tela dos celulares. A literatura será lida pelo telefone.

7. ÉPOCA – O torcedor brasileiro tem pela frente dois eventos internacionais sediados no país: a Copa das Confederações em 2013 e a Copa do Mundo em 2014. Vamos vencer?
Coelho – Minha esperança é que o Brasil dê o show que ele dará. Não tenho dúvida de que venceremos. A Olimpíada de Londres foi criticada, mas foi responsável pela recuperação do país. Espero que aprendamos com os erros alheios.

8. ÉPOCA – Os brasileiros estão ficando mais ricos. A riqueza nos trará felicidade?
Coelho –
 O Brasil se livrou do complexo de vira-lata. Demos um passo gigantesco. Antes, o brasileiro batia no peito e dizia que tinha orgulho, mas, no fundo, admirava outras culturas. Agora ele é brasileiro, está contente de ser brasileiro, porque sua voz é ouvida. O brasileiro está conquistando a vida plena. Demorou!

9. ÉPOCA – Ficaremos mais sábios ou mais superficiais?
Coelho –
 Não sei. Se escolhermos combinar os lados masculino com feminino, a intuição e a força, ficaremos mais sábios. Mas é impossível saber ao certo. Estamos sendo arrastados ao mar da banalidade. Quando você sofre o excesso de informação, a tendência é voltar à simplicidade. Bater papo no bar ou na praça foi a origem da filosofia na ágora de Atenas. A saturação faz com que a gente queira voltar ao simples. E a tecnologia colabora nessa volta. Por mais que pareça uma contradição, a tecnologia nos ajuda a voltar aos fundamentos, à escolha das fontes de informação. Se, antes, sentíamos o fascínio pela internet, agora vivemos um momento de seleção e concentração da informação. Indo mais fundo, você acaba simplificando. E a simplicidade nos deixará mais sábios.

10. ÉPOCA – De onde virão os ventos da mudança política e cultural para o mundo, se é que haverá mudanças?
Coelho –
 A tecnologia está mudando tudo. As pessoas estão passivas ou ativas de uma maneira errada. Fazem “trolagem”, porque acham que estão colaborando, mas não estão fazendo nada.

11. ÉPOCA – O senhor vê um mundo unido por uma ideologia, como dizia John Lennon na canção “Imagine”?
Coelho – Não. É o oposto de John Lennon. Acredito num mundo em que as diferenças serão respeitadas. Estamos caminhando para um mundo de minorias. A globalização econômica dissolveu as fronteiras. Isso nos leva a voltar à condição tribal, tendo a tecnologia como ajuda. As minorias terão de ser respeitadas.

12. ÉPOCA – Devemos temer a intolerância religiosa?
Coelho –
 O grande problema deste milênio é que ele aponta para a intolerância religiosa. As pessoas, por ausência de fé, precisam provar a elas próprias que têm fé. As agendas políticas são determinadas pelas agendas religiosas.

13. ÉPOCA – A que pergunta o senhor gostaria de responder, caso um repórter do futuro aparecesse na sua frente?
Coelho –
 Gostaria de responder a uma só pergunta: “Você viveu com dignidade?”. Esperaria responder ao repórter com um sonoro “sim!”.

O nascimento de um livro

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Publicado por Publistagram

Que tal ver um pouco como os livros são publicados com métodos tradicionais e não eletrônicos?

Em apenas 2 minutos é possível se encantar ainda mais pela magia dessa compilação de páginas envolventes, mesmo na era digital.

Sei lá, talvez os e-books sejam mais práticos e as vezes não custam nada, mas será mesmo que substitui o ato de pegá-lo na mão, sentir seu cheio e tê-lo no criado mudo?

Ele pode ficar velho, pode acumular poeira, mas sempre estará ali exercendo o mesmo encanto em você. E o curta abaixo tenta trazer de volta a fantasia do trabalho artesanal que originam os livros.

O curta foi um pedido do Daily Telegraph, jornal britânico fundado em 1855, dirigido pelo diretor inglês Glen Milner e rodado na gráfica Smith-Settle, em Leeds. E o livro belissimamente confeccionado nos moldes antigos é ‘Mango and Mimosa’ da autora Suzanne St Albans.

Bom, me desculpem os tecnológicos, mas que é belo, é!

 

Grandes livrarias estão ainda maiores e vendem menos livros

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Publicado por PublishNews

anl.org.br/web/ A Associação Nacional das Livrarias, a ANL, publicou hoje o Diagnóstico do Setor Livreiro de 2012, apresentando dados de 716 lojas, que representam 474 razões sociais diferentes. Os dados desta edição foram coletados e analisados pela alemã GfK, que chegou recentemente ao Brasil. Nas edições anteriores, de 2006 e 2009, os dados vieram de outras fontes, mas vale a comparação da evolução do setor livreiro do país.

A maior tendência apontada pelo relatório é o aumento em tamanho das grandes redes de livrarias e a diminuição da presença de livrarias de médio porte: a porcentagem de redes que possuem mais de 100 lojas passou de 6% a 15% entre 2009 e 2012, e as que possuem de 2 a cem lojas caiu de 31% a 22% no mesmo período. Segundo o Diagnóstico, “a importância das livrarias cujo faturamento é de até 350 mil se mantém em 40%, enquanto as que faturam de 7 a 10 milhões sobe de 3% para 17%”. A pesquisa destaca ainda a importância das livrarias independentes – que possuem apenas uma loja – cuja porcentagem se manteve em 62% em relação à pesquisa anterior.

A concentração na região Sudeste é outra característica do setor: 60% das lojas estão localizadas ali, enquanto o Sul possui 16% do total de livrarias, e o Nordeste, 15%. Apenas 2% das livrarias do país estão localizadas na região Norte, a maior região geográfica.

Os livros representam uma parcela cada vez menor da receita das livrarias: a porcentagem de livrarias cujo faturamento vinha mais da metade da venda de livros caiu de 81% para 48%. Além disso, o estudo mostra que até 20% dos livreiros venderam até mil exemplares de livros em 2011. Os itens CDs e DVDs e Material de papelaria ganham destaque e, dentre os livros, as categorias Religiosos (76% das livrarias comercializam o gênero, esse número era 46% em 2009), Literatura Infantil, Juvenil e Auto Ajuda/Esotéricos são comercializados em um maior número de livrarias.

O espaço dedicado exclusivamente ao livro também diminuiu e as livrarias investiram em espaço para eventos – passou de 16% a 31% a porcentagem de livrarias que possui espaço para eventos – e cybercafés – foi de 5% a 23%. O comércio de conteúdo digital continua tímido, apenas 27% das livrarias vendem conteúdo digital, ou seja, e-books, áudio-books, músicas e filmes para baixar.

Para saber mais, acesse o site da ANL.

 

Santiago Nazarian lança primeiro romance juvenil

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O escritor Santiago Nazarian (Divulgação)

O livro ‘Garotos Malditos’ foi publicado recentemente pela Galera (Record)

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Santiago Nazarian não escrevia livro para adolescente, mas caiu no gosto deles com Mastigando Humanos, título de 2006 que acabou incluído em programas de compra do Governo e levou o autor a encontros com estudantes. Temas adolescentes estão ali, e nas outras obras, mas até Garotos Malditos, lançado recentemente pela Galera (Record), ele nunca havia sentado para escrever um livro verdadeiramente juvenil.

Em Ouro Preto, Minas Gerais, para participar do Fórum das Letras, que terminou neste domingo, ele conversou com a reportagem sobre a obra. De saída, justifica-se: “O livro não tem uma sofisticação literária, é coloquial, narrado por um adolescente.” Entretanto, ele não queria que fosse uma história boba. “Tinha que ser divertido e ter um pouco de esperteza e de malícia.” E tinha de ser daqueles livros que o próprio leitor, e não os pais ou professores, descobrem nas livrarias.

Voltou então à sua própria meninice e tentou imaginar o que um adolescente de hoje gostaria de ler para criar Ludo, um garoto de poucos amigos, viciado em filmes de terror, que muda de escola no meio do ano letivo e encontra um ambiente que não existia nem em seus melhores sonhos: uma classe de vagais, professores à toa e uma diretora burra e sensual. Ele, claro, estranha essa liberdade toda. Aos poucos, vai descobrindo que aquela é uma escola de monstros – de verdade, tipo, lobisomem, zumbi e vampiros. Mas que escola não é quando se tem 15, 16, 17 anos? Ludo é excluído, faz amizade com um garoto gay e com outro aluno que, assim como os dois, não está entre os mais populares.

Garotos Malditos é um livro para meninos, com doses de violência e crueldade, que fala de questões próprias dessa idade, como amizade e descoberta da sexualidade. Obras assim não são comuns num mercado dominado por chick lit. É para meninos, mas meninas também acabam se interessando, diz o autor, já que é uma forma de saber o que se passa na cabeça dos garotos, retratados – e aí está um dos méritos da obra – de forma não idealizada.

Se as vendas forem bem, outros títulos podem dar continuidade à história. Já está tudo na cabeça de Santiago, 35 anos, que não quer ser visto como um escritor de obras juvenis – mesmo porque, diz, essa questão que tinha com sua adolescência já foi superada. “Mas se ficar rico com isso, não me incomoda continuar enquanto escrevo outras coisas.”

Seu próximo livro, previsto para 2014, vai mostrar, com os elementos fantásticos que marcam sua literatura, um homem na crise da meia idade. “Quando fica muito no realismo, sinto que falta um chantilly ali em cima.”

 

O livro é um objeto sensual

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Imagem: Google

Publicado no blog do Sostenes Lima

O desejo de ver está presente na leitura. A capa, a encadernação de um livro são sua roupa. Indicam um nome, um título, um pertencer (a casa editora) que se propõem ao olhar e o atraem.

Quando o livro está na estante de uma biblioteca, seu acesso é fácil para o olhar em busca de prazer; quando está posto na vitrine de uma livraria, esta barreira transparente aumenta nossa curiosidade. Entramos na livraria pra ‘dar uma olhada’. Exceto no caso em que já sabemos o que queremos e pedimos ao livreiro, não gostamos de ser perturbados em nossa inspeção. Fuçamos até que, atraídos por um vago indício, seguramos um livro. Aí começa o prazer, quando o abrimos, tocamos, folheamos, sondamos aqui e ali. Se o livro não está com as páginas cortadas, às vezes somos obrigados a fazer uma pequena acrobacia ocular para ler uma página pregada por cima ou pelo lado, pois é justamente aquela passagem que nos interessa.

Enfim, é preciso escolher. Se a promessa de prazer nos parece que vai poder ser mantida, pagamos o preço do livro e partimos abraçados com ele. Dependendo de se não nos desagrada mostrá-lo em nossa posse ou se algum pudor nos leva a esconder a sua identidade, o mostraremos nu ou embrulhado. Para ler, precisamos nos isolar com o livro – em público ou em particular – e às vezes em lugares bem estranho e a priori pouco propícios a este tipo de exercício.

O que nos leva a ler? A busca de um prazer pela introjeção visual que satisfaz uma curiosidade.

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Texto extraído de: André Green. Literatura e psicanálise: a desligação. In: Luiz Costa Lima (Org.). Teoria da literatura em suas fontes. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. p. 233-234.
(O título “O livro é um objeto sensual” não consta no original).

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