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6 Livros para ler em um único dia

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Laura Coelho de Almeida, no Feededigno

Julho está quase chegando ao fim e com ele as férias. Você aí quer curtir os últimos dias livres lendo algum livro antes de voltar a rotina e não sabe como? A gente te ajuda! Que tal ler alguns livros maravilhosos e que podem ser lidos em um dia?

Confira abaixo a lista de livros com suas respectivas “mini resenhas”:

A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista (Jennifer E. Smith)

O livro em si já se passa em 24 horas e por mais que ele tenha 223 páginas a leitura flui muito rápido.

A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista vai contar a história de Hadley, uma menina que está indo para Londres para o casamento do pai, porém ela acaba perdendo o voo e fica presa no aeroporto. Lá, ela conhece o Oliver, um britânico que estuda nos Estados Unidos e que também está indo para Londres. Os dois acabam se conhecendo e conversando sobre tudo.

Por mais que o foco seja o romance entre os protagonistas, a relação de Hadley com o pai também recebe bastante destaque, bem como a história do motivo do Oliver estar indo para Londres.

Sinopse:

“Com certa atmosfera de ‘Um Dia’, mas voltado para o público jovem adulto, A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista é uma história romântica, capaz de conquistar fãs de todas as idades. Quem imaginaria que quatro minutos poderiam mudar a vida de alguém? Mas é exatamente o que acontece com Hadley. Presa no aeroporto em Nova York, esperando outro voo depois de perder o seu, ela conhece Oliver. Um britânico fofo, que se senta a seu lado na viagem para Londres. Enquanto conversam sobre tudo, eles provam que o tempo é, sim, muito, muito relativo. Passada em apenas 24 horas, a história de Oliver e Hadley mostra que o amor, diferentemente das bagagens, jamais se extravia.”

Veja os detalhes da obra:

Título: A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista
Autor: Jennifer E. Smith
Editora: Galera Record
Número de Páginas: 223
Ano de Publicação: 2013

Outros Jeitos de Usar a Boca (Rupi Kaur)

Outros Jeitos de Usar a Boca é uma coletânea de poemas sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. É dividido em quatro partes: A Dor, O Amor, A Ruptura e A Cura. Em cada parte a autora reúne poemas (e ilustrações) de um mesmo tema e nos apresenta histórias de luto, perda, estupro, repressão, tesão, amor, traição, término, perdão e recomeço.

Sinopse:

“Outros jeitos de usar a boca é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.”

Título: Outros Jeitos de Usar a Boca
Autor: Rupi Kaur
Editora: Planeta
Número de Páginas: 208
Ano de Publicação: 2017

O Garoto dos Meus Sonhos (Lucy Keating)

O Garoto dos Meus Sonhos conta a história de Alice, uma garota que sempre sonhou com o mesmo garoto, Max, durante a vida toda. Quando ela se muda com o pai para uma nova cidade Alice vê, surpreendentemente, na vida real, o garoto dos seus sonhos. Porém, o Max real não a reconhece e é muito diferente do Max dos sonhos. E apesar do livro ter 264 páginas, a leitura flui muito rápido, pois o leitor fica preso na história querendo saber o que irá acontecer a cada passo de Alice e Max.

Sinopse:

“Desde quando consegue se lembrar, Alice tem sonhado com Max. Juntos eles viajaram o mundo, passearam em elefantes cor-de-rosa, fizeram guerra de biscoitos no Metropolitan Museum of Art… e acabaram se apaixonando. Max é o garoto dos sonhos – e somente dos sonhos – até o dia em que Alice o vê, surpreendentemente, na vida real. Mas ele não faz ideia de quem ela é… Ou faz? Enquanto começam a se conhecer, Alice percebe que o Max dos Sonhos em nada se parece com o Max Real. Ele é complicado e teimoso, além de ter uma namorada e uma vida inteira da qual Alice não faz parte. Quando coisas fantásticas dos sonhos começam estranhamente a aparecer na vida real – como pavões gigantes que falam, folhas de outono cor-de-rosa incandescente, e constelações de estrelas coloridas –, Alice e Max precisam tomar a difícil decisão de fazer isso tudo parar. Mesmo que os sonhos sejam mais encantadores que a realidade, seria realmente bom viver neles para sempre?”

Título: O Garoto dos Meus Sonhos
Autor: Lucy Keating
Editora: Globo Alt
Número de Páginas: 264
Ano de Publicação: 2016

O Vilarejo (Raphael Montes)

O Vilarejo é um livro com sete contos de terror, do autor brasileiro Raphael Montes. Cada conto é fechado, porém se passam no mesmo vilarejo e em cada um mostra como cada demônio de cada um dos sete pecados capitais se manifesta nas pessoas, fazendo perceber o quanto um sentimento pode destruir tudo ao seu redor.

A leitura flui muito rápido por ser em formato de contos, porém pode ser que você tenha que largar o livro por uns minutinhos para superar o que você leu. O livro também conta com ilustrações maravilhosas e um tanto quanto bizarras!

Sinopse:

“Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome.

As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.”

Título: O Vilarejo
Autor: Raphael Montes
Editora: Suma de Letras
Número de Páginas: 109
Ano de Publicação: 2015

Nada (Janne Teller)

Neste livro, Janne Teller conta a história de Pierre Anthon, uma criança que constatou que nada na vida importa, que nada tem significado. Seus colegas de classe então decidem fazer uma “pilha de significados” para mostrar a Pierre que a vida tem significado. A pilha é composta de coisas que são importantes para cada umas das crianças, porém as coisas ficam complicadas quando eles decidem que outra pessoa deve escolher o que o outro irá colocar na pilha e tudo toma um rumo extremo.

Sinopse:

“‘Nada importa. Você começa a morrer no instante em que nasce.’ Pierre Anthon está no sétimo ano e tem a certeza de que nada na vida tem importância. Por isso, ele decide abandonar a sala de aula e passar os dias nos galhos de uma ameixeira, tentando convencer seus companheiros de classe a pensar do mesmo modo. Agora, diante da recusa do menino de descer da árvore, seus colegas farão uma pilha de objetos que significam muito para cada um deles, e com isso esperam persuadi-lo de que está errado.

A pilha começa com uma coleção de livros, uma vara de pescar, um hamster de estimação… Contudo, com o passar do tempo, os participantes se desafiam a abrir mão de coisas ainda mais especiais. A pilha de significados logo se transforma em algo macabro e doentio, que coloca em xeque a fé e a inocência da juventude.”

Título: Nada
Autor: Janne Teller
Editora: Record
Número de Páginas: 128
Ano de Publicação: 2013

A Hora do Lobisomem (Stephen King)

Neste clássico de Stephen King com uma nova edição e com uma belíssima capa dura em alto relevo, temos também uma história rápida e ao mesmo tempo cativante. O mestre da literatura consegue nos prender com sua escrita de forma que a devoremos com a ferocidade de um lobisomem.

Sinopse:

“O primeiro grito veio de um trabalhador da ferrovia isolado pela neve, enquanto as presas do monstro dilaceravam sua garganta. No mês seguinte, um grito de êxtase e agonia vem de uma mulher atacada no próprio quarto.
Agora, a cada vez que a lua cheia brilha sobre a cidade de Tarker’s Mill, surgem novas cenas de terror inimaginável. Quem será o próximo?

Quando a lua cresce no céu, um terror paralisante toma os moradores da cidade. Uivos quase humanos ecoam no vento. E por todo lado as pegadas de um monstro cuja fome nunca é saciada.

Um clássico de Stephen King, com as ilustrações originais de Bernie Wrightson”

Título: A Hora do Lobisomem
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Número de Páginas: 152
Ano de Publicação: 2017

Após ‘Big Little Lies’, mais livros de Liane Moriarty devem chegar às telas

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Shailene Woodley (Jane), Reese Witherspoon (Madeline) e Nicole Kidman (Celeste) em cena de "Big Little Lies"

Shailene Woodley (Jane), Reese Witherspoon (Madeline) e Nicole Kidman (Celeste) em cena de “Big Little Lies”

 

Felipe Giacometi, na Folha de S.Paulo

Não é tão comum uma série chegar à TV com um elenco recheado de atrizes de peso de Hollywood como foi o caso de “Big Little Lies”, que tem no elenco as vencedoras do Oscar Nicole Kidman e Reese Witherspoon, além de Shailene Woodley, em alta pela saga “Divergente”, e Alexander Skarsgård.

A atração, uma das apostas da HBO para 2017, estreou quase simultaneamente a outros pesos-pesados do canal, como “Girls” e “Last Week Tonight”, de John Oliver.

Outra alavanca para a história que esmiúça os podres da vida de casais aparentemente perfeitos é Liane Moriarty. Sucesso de vendas principalmente nos EUA, a australiana é autora do livro homônimo que rendeu a série, adaptada em oito capítulos. No Brasil, o livro foi traduzido pela Intrínseca como “Pequenas Grandes Mentiras” (R$ 49,90, 400 págs.).

Segundo o jornal britânico “The Guardian”, ela vendeu seis milhões de cópias de suas obras em todo o mundo, embora o reconhecimento em seu país natal só tenha vindo depois da fama que conquistou nos EUA.

A primeira a sondá-la para filmar seus livros foi a também australiana Nicole Kidman (a atriz tem dupla cidadania). “Minha agente disse que Nicole estava em Sydney e queria tomar um café comigo para falar da possibilidade de adaptar o livro. No começo, havia a ideia de fazer um filme, mas depois ficou como uma série”, afirma.

As negociações evoluíram, e a atração foi para a HBO. Acabou filmada na Califórnia, nos oeste dos EUA, embora a trama original se passe em uma fictícia cidade no litoral australiano.

“No fim, [a diferença] é o sotaque”, avalia Moriarty, comparando os dois locais. “Não acho que a série ter sido gravada nos EUA afete muito. O visual é muito parecido com o que eu imaginava e, viajando pelo mundo, vi muita gente dizendo que a história poderia ter acontecido na realidade delas”, diz.

Sobre as diferenças entre palavra escrita e imagem, a autora considera que algumas vezes é mais fácil mostrar com uma filmagem o que os personagens estão sentindo, o que nos livros poderia levar páginas e páginas.

Mas, na série, as personagens precisam falar em voz alta o que estão pensando. Não há os monólogos internos do romance.

Por causa da distância entre EUA e Austrália, Liane não acompanhou de perto as gravações, mas disse ter ficado muito satisfeita com o resultado da adaptação.

“Nicole também é australiana e tem casa em Sydney, então pudemos nos ver e conversar sobre o papel dela. Com Reese, não me encontrei muito, mas quando eu visitei o set, ela foi adorável. Foi uma escolha perfeita para o papel de Madeline.”

ADAPTAÇÕES

Enquanto a trama começa a engrenar na TV -neste domingo (5) vai ao ar o terceiro episódio-, Liane está em casa novamente e com a rotina corrida: começou a escrever outro livro e se prepara para ver outros três de seus romances irem para as telas.

“‘As Lembranças de Alice’ teve o script finalizado, e Jennifer Aniston está ligada ao projeto. Há uma possibilidade de ela interpretar Alice, que eu espero que aconteça”, diz a autora.

“‘O Segredo do Meu Marido’ também está quase pronto. Estão definindo quem vai protagonizar o filme. Também há conversas para ‘Truly Madly Guilty’, que é meu livro mais recente, novamente seja feito pela produtora de Nicole Kidman. Mas essa é uma história bem pequena, então definitivamente não será uma série.”

Liane Moriarty, autora de "Big Little Lies", ao lado de Reese Witherspoon, no tapete vermelho da série

Liane Moriarty, autora de “Big Little Lies”, ao lado de Reese Witherspoon, no tapete vermelho da série

Curiosidades Literárias: Alice – a verdadeira história

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A verdadeira história de Alice, a personagem do livro “Alice no País das Maravilhas

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Imagem da verdadeira Alice, protagonista do livro

Publicado por Eu amo leitura

Voce reconhece essa frase:
” Um presente de natal para uma criança querida em memória de um dia de verão”

Apesar dessa frase estar inclusa dentro de um livro muito famoso, você certamente jamais a leu por um motivo muito simples, ela não consta em nenhuma obra que foi publicada, e se encontra na capa do manuscrito de “Alice no País das Maravilhas” publicada por Lewis Carrol em 1865.

Antes de passar para o papel sua história, Carrol, em um passeio de barco pelo Rio Tâmisa, começou a conversar com os 03 filhos do vice-chanceler da Universidade de Oxford, e para distrai-los começou a contar uma história que só estava dentro da sua cabeça. Uma das filhas se chamava Alice Pleasance Lidell, que inspirou a criaçao da personagem principal.

Tudo isso aconteceu no verão de 1862, e Alice pediu que Carrol escrevesse esse livro para ela.
Depois desse passeio Carrol e Alice se tornaram inseparaveis.

Agora eu lhes pergunto, o que vocês fariam se sua filha de 7 anos se tornasse inesperadamente amiga de um escritor esquisitão de 31 anos fazendo com ele demorados passeios de canoa e posando para seus retratos artísticos? Em vez de chamar a polícia – como qualquer família normal – a de Alice Pleasance Liddell incentivou seu relacionamento com Charles Dodgson, um escritor que assinava como Lewis Carroll. E a menina acabou sendo a musa inspiradora dos clássicos Alice no País das Maravilhas (1865) e Através do Espelho (1871) – este inclusive termina com um poema em que as primeiras letras de cada estrofe formam o nome da menina. Até hoje não é claro o que exatamente estava rolando entre a menina e o escritor. Especula-se, e ninguém poderia deixar de especular, que havia uma paixão, consumada ou não. Sempre se acreditou que, quando ele deixou de frequentar a casa dos Liddell subitamente, em 1863, foi porque os pais de Alice haviam resolvido dar um basta naquele relacionamento inapropriado. Mas documentos descobertos pela biógrafa Karoline Leach mostram que Carroll talvez fosse tão simpático com Alice e suas irmãs porque estava interessado mesmo era na governanta da casa.

Mas independente das fofocas, o fato é que, dois anos depois, Carrol cumpriu o prometido e entregou um livro de 90 páginas,todo escrito a mao e com 37 ilustraçoes. Ao ver o livro, seus amigos , encantados com a história insistiram para que ele publicasse.Carrol então, fez algumas pequenas mudanças, e o livro foi publicado em 1865.

Muitos anos depois, Alice precisou vender seu manuscrito em um leilao

Hoje o manuscrito encontra-se na British Library em Londres, que disponibilizou na internet o manuscrito para quem quiser conhecer : http://www.bl.uk/onlinegallery/ttp/alice/accessible/introduction.html

Campanha no Kickstarter arrecada fundos para tatuagens temporárias de clássicos da literatura

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Bruna Mesquita, no INFO Online

A marca Litographs arrecada fundos no Kickstarter para a sua mais nova criação: tatuagens temporárias de trechos clássicos da literatura. Obras como Alice no País das Maravilhas, Peter Pan, Os Miseráveis, Orgulho e Preconceito e Hamlet são os primeiros clássicos idealizados para marcar a pele provisoriamente.

Os que colaborarem com o projeto terão a oportunidade de fazer parte da primeira iniciativa da empresa norte-americana, que dividirá o livro Alice no País das Maravilhas em 2.500 frases únicas para tatuar. Após receberem a tatuagem temporária, os compradores deverão aplicá-la no local desejado, tirar uma foto e compartilhar no Litographs para criar uma galeria completa com os trechos do livro.

Além disso, as doações têm um valor pré-definido e possibilitam os apoiadores a escolher pacotes com diversas tatuagens. Por hora, o projeto já recebeu cerca de 34 mil dólares e 5 mil pacotes já foram encomendados.

A Litographs promete que as tatuagens projetadas serão realistas, tanto em termos de arte quanto de aparência, já que eles trabalham com um estúdio de Hollywood especializado em elaborar tatuagens temporárias.

Além do País das Maravilhas: Sylvie and Bruno, outro romance de Lewis Carroll

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Poucos conhecem a última obra publicada em vida pelo escritor de Alice no País das Maravilhas, mas Sylvie and Bruno talvez seja a obra-prima de Lewis Carroll.

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Maria Luiza Artese, no Homo Literatus

“’ Mas oh, Sylvie, o que faz do céu um azul tão terno?’

Os doces lábios de Sylvie moldaram-se para responder, mas sua voz soava fraca e distante. A visão estava rapidamente escapando da minha ávida vista: mas me parecia, naquele último momento perplexo, que não era Sylvie, mas um anjo olhando através daqueles fiáveis olhos castanhos, e que não a voz de Sylvie, mas a de um anjo sussurrava

‘O amor’”

Sylvie and Bruno e Sylvie and Bruno Concluded, publicados nos últimos anos da vida de Lewis Carroll, seriam o seu maior fracasso comercial. Estranho dizer, por outro lado, que foram, também, sua obra mais nobre — possivelmente as palavras mais puras a respeito da verdadeira essência do misterioso Charles Dodgson, o nome real do autor de Alice no País das Maravilhas. Mas é impossível negar que as intenções de Carroll, no último livro que escreveria, fossem as melhores. Entre reflexões filosóficas sobre temas como culpa, pecado, altruísmo e até respeito para com os animais, as pequenas fadas Sylvie e o irmão Bruno vêm para resgatar aquilo que começava a minar nas últimas décadas do século XIX: a fé e a inocência, a esperança acima da frieza da ciência, a pureza infantil perseverando acima da incredulidade adulta, e salvando-a com sua magia do amor. Lewis, por si mesmo, era um infeliz professor de matemática em Oxford, habituado a cálculos e fórmulas, socialmente retraído, com uma tendência à organização acentuada, e fisicamente debilitado por uma série de problemas. Especula-se que tinha epilepsia, além de sofrer de enxaquecas constantes e ser surdo de um ouvido. Era gago, mas há quem afirme que tal condição desaparecia quando estava junto de uma criança — e não é de se estranhar que o desgostoso Carroll, quando diante daquilo que lhe representava o antídoto de toda a infelicidade adulta, se entregasse a um relaxamento contente. Apesar das inúmeras especulações acerca de suas intenções nesses casos, é mais provável que Charles Dodgson não tivesse interesse sexual nas meninas a que se afeiçoava. Em Sylvie and Bruno, fica claro que a infância é, para ele, a maior representação da beleza no universo. Através dos acontecimentos malucos na aventura das duas fadas, o autor busca avidamente pela inocência perdida, a inocência que deve ser recuperada e mantida na construção de um caráter melhor, na evolução espiritual para a qual serve a experiência terrena. No prefácio que antecede a primeira edição, ele discorre sobre o assunto:

“Mas, uma vez que percebamos qual é o verdadeiro objetivo na vida—que não é prazer, nem conhecimento, nem sequer a fama(…)—mas que é o desenvolvimento do caráter, a subida a um mais elevado, mais nobre, mais puro estandarte, a construção do homem perfeito—e então, ao longo que sentirmos que isso continua, e vai (confiamos) para sempre continuar, a morte não tem para nós nenhum terror; não é uma sombra, mas uma luz; não é um fim, mas um começo!”

No mesmo prefácio, Carroll demonstra grande interesse em desenvolver obras religiosas, que inspirem nos pequeninos os “mais sérios pensamentos da vida humana”, e admite que Sylvie and Bruno fora moldado nessa direção. Mas deixa claro que, na infância, a religião deve ser tratada como uma revelação do amor. Desse modo, é mais do que natural que a grande heroína de Carroll seja então Sylvie, ao invés de Alice.

A história de Sylvie and Bruno se divide em dois universos diferentes: o narrador, um homem doente cuja enfermidade jamais é explicada, e o nome jamais revelado, transita entre o mundo real, onde vai ao encontro de um amigo médico na pequena cidade inglesa de Elveston, e Fairyland, o mundo das fadas que lhe surge em sonhos e depois passa a se misturar com a vida cotidiana. Ele conhece Sylvie, a graciosa fada que tem de escolher entre amar todos e por todos ser amada (e, num heroísmo natural, escolhe “amar todos”) e Bruno, seu irmão mais novo que detesta estudar as lições e tem um jeito de falar errado bastante peculiar. O pai dos dois protagonistas é o prefeito de Outland, província do mundo de Fairyland, mas ocorre uma conspiração para roubar-lhe o posto; e, no meio de toda a confusão, a madura Sylvie e o pequeno Bruno se perdem entre as florestas da Inglaterra e as províncias mais malucas de Fairyland, enquanto emprestam magia aos acontecimentos triviais da vida do narrador. Arthur, o médico e amigo do protagonista, está apaixonado pela encantadora Lady Muriel, que mais parece uma versão crescida e palpável de Sylvie. Mas há outro pretendente em vista para Lady Muriel, e uma epidemia de febre ameaça a vila próxima de pescadores, pondo em risco a vida de Arthur, que vai à assistência dos doentes. O desfecho, no entanto, é feliz; e, mesmo sendo extremamente pesado em relação à afável Alice, ainda há a aura encantadora e nonsense que caracterizam Carroll. Ele mesmo, aliás, parece surgir na pele de “Mister Sir”, como é evocado pelo hilário Bruno. É fácil encontrar sentidos ocultos em tal semelhança: Carroll, também eternamente debilitado por tantas doenças, deparava-se com a chegada do fim quando escreveu Sylvie and Bruno; e, de acordo com a própria convicção espiritual, era-lhe importante encontrar na vida um sentido que ultrapassasse a atmosfera cinzenta do cientificismo da época. Aqui o livro triunfa, arrancando suspiros dos leitores mais sensíveis. Para os padrões atuais, no entanto, Sylvie and Bruno é considerado excessivamente sentimentalista, quase piegas—interpretações por demais contemporâneas.

O público que consumira Alice tão avidamente na época, também, frustrou-se pela extrema diferença entre as duas obras; e, muito possivelmente, Carroll não conseguiu direcionar-se ao público que desejava, declaradamente infantil. É fato que o imaginário das crianças da época, suas noções e ideias, eram bastante distintas do que consideramos, hoje em dia, natural. Mas é difícil imaginar que mesmo as letradas crianças vitorianas encontrassem diversão nos discursos de Arthur sobre pecado, classes sociais e ciências.

Assim como Alice, Sylvie and Bruno foi belamente ilustrado. Harry Furniss, respeitado ilustrador que assinava algumas revistas da época, passou por tumultuadas discussões com Carroll antes de entregar-lhe o trabalho desejado. Ao admirar as peças hoje, no entanto, é óbvio que a exigência do autor valeu a pena:

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Para quem quiser conhecer o que Carroll considerava como sua obra-prima, o livro pode ser baixado de graça pela loja da Amazon. Foi traduzido e publicado no Brasil em edição da Iluminuras, em 1997, mas não houve edição posterior. Também está disponível em inglês na internet. Você pode ler por aqui.

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