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Tablet ajuda a ensinar crianças, diz diretora; outros educadores rejeitam a novidade

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Rodolfo Lucena, na Folha de S.Paulo

Depois de terem conquistado corações e mentes de crianças, adolescentes e adultos pelo mundo afora, os tablets se voltam para um mercado sempre em expansão: o fabuloso mundo dos bebês. Cidadãos ainda não alfabetizados ou que mal conseguem enrolar algumas palavras encostam suas mãos gorduchinhas nas telas de vidro para comandar carrinhos, letras, músicas, trens e galinhas cantantes.

Fazem isso em casa, por certo, usando os aparelhos dos pais. E, cada vez mais, têm os “seus” próprios gadgets, em escolas de educação infantil que adotam o tablet como ferramenta de ensino e diversão para a meninada de menos de quatro anos.

Crianças usam tablet na escola Primetime, em São Paulo (Karime Xavier/Folhapress)

Crianças usam tablet na escola Primetime, em São Paulo (Karime Xavier/Folhapress)

“É uma ferramenta interessante porque traz um tipo de mídia com grau de interatividade que a televisão e os filmes infantis oferecem e por causa da tela sensível ao toque, que torna o uso mais fácil para as crianças. É muito intuitivo, e o bebê não se limita à atividade motora”, avalia Christine Bruder, 40, diretora da Primetime, escola no Morumbi, em São Paulo, que atende crianças de até três anos e usa os aparelhos desde o ano passado.

Os resultados são positivos, afirma Jacqueline Cappellano, 40, coordenadora das turmas de dois a quatro anos da Escola Internacional de Alphaville, que também passou a usar as tabuletas eletrônicas no ano passado. “A gente sabe que as crianças aprendem de forma diferente. Um conteúdo que você não consiga atingir por meio de uma estratégia dentro da sala de aula, usando material concreto, consegue que a criança entenda por meio da tecnologia”, diz ela.

A turminha adora. No Colégio Brasil Canadá, em Perdizes, crianças de três anos sentam em roda para brincar com o tablet, e o uso do aparelho se torna uma experiência coletiva: estão todos conectados a um sistema de televisão, e o grupo acompanha pela tela grande, por exemplo, quando um coleguinha traça com o dedo o perfil de uma letra.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

A turminha adora. No Colégio Brasil Canadá, em Perdizes, crianças de três anos sentam em roda para brincar com o tablet, e o uso do aparelho se torna uma experiência coletiva: estão todos conectados a um sistema de televisão, e o grupo acompanha pela tela grande, por exemplo, quando um coleguinha traça com o dedo o perfil de uma letra.

“O uso da tecnologia faz parte do mundo deles”, diz a professora Bruna Figueiredo Elias, 27. “E a interação com o mundo deles é muito importante. Percebemos que eles gostam, que se concentram.”

Para isso, porém, é preciso ter os aplicativos corretos –uma busca que não foi fácil, segundo Bruder. “Os aplicativos precisariam ser algo adequado ao interesse das crianças, e não preparando as crianças para aprenderem alguma coisa.”

“Até os três anos, eles aprendem pondo a mão na massa, vivendo, experimentando, com liberdade. E muitos aplicativos fechavam o bebê em ‘aperte aqui’, ‘aperte agora’, incentivando a rapidez dos movimentos ou queriam ensinar a criança a ler, a reconhecer letras, números. Demorei tempo para achar conteúdo que fizesse sentido para apresentar a um bebê”, diz.

Além do controle do conteúdo, há que limitar o tempo de tablet na mão. “As crianças de dois a quatro anos têm uma aula por mês”, diz Cappellano, que também delimita o horário em que suas gêmeas de quatro anos podem usar os aparelhos.

CRIANÇAS LIGADAS

O tempo que crianças passam com eletrônicos, mesmo se controlado, pode ser demais, dizem alguns educadores.

“Nós não usamos aqui, dentro do estabelecimento, nenhum desses instrumentais. A gente tem como filosofia que o grande aprendizado da criança na primeira infância é por meio do brinquedo. Não o brinquedo físico, mas o [ato de] brincar”, conta a pedagoga Nereide Tolentino, 70, diretora da Escola da Vovó, que funciona há 36 anos e atende crianças de até seis anos em Pinheiros.

“Se a gente coloca a criança na [frente da] televisão ou no computador ou qualquer um desses joguinhos em que ela só aperta botão, ela não tem de criar nem imaginar nada”, reforça Valéria Rocha, 39, diretora do Quintal do João Menino, escola maternal e jardim para crianças de um ano e meio a seis anos, na Vila Madalena.

Independentemente de divergências de filosofias pedagógicas, há que ter cuidado com a oferta de tecnologia para as crianças. A Associação Americana de Pediatria “desencoraja” o uso de mídia eletrônica por menores de dois anos e a colocação de aparelhos de TV no quarto de crianças. Em um documento sobre o assunto, a entidade cita estudos que encontraram efeitos negativos no desenvolvimento intelectual infantil.

Outros estudos indicam que poucas pessoas nos EUA deram ouvidos às recomendações dos médicos: levantamento realizado pela Common Sense Media em 2011 mostrou que 30% das crianças com menos de um ano têm televisão no quarto.

Nenhuma das escolas ouvidas pela Folha oferece os aparelhos para crianças com menos de dois anos. E dizem que a experiência precisa ser sempre monitorada.

“As atividades com tablet não podem substituir explicações do professor; as brincadeiras com tablets não podem e não devem substituir as entre as crianças; o contato físico com amigos reais é mais importante –e imprescindível”, diz Bruna Elias.

Professores são proibidos de interagir com alunos na internet

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Alunos do Internacional participaram de palestras e oficinas sobre os perigos da rede virtual
Foto: Divulgação

Publicado originalmente no Terra.com

No meio da aula, o aluno desvia o olhar do quadro depois de ouvir um bipe de dentro da mochila. Na sala ao lado, frente aos computadores, um grupo de meninas tenta acessar a página virtual de sua banda preferida, sem sucesso. As cenas são corriqueiras nas escolas brasileiras: desde que as redes sociais revolucionaram a navegação na internet, ficou difícil para professores e pais se manter à sombra da discussão.

Em Nova York, o Departamento de Educação foi radical: publicou recentemente um guia de orientação voltado aos professores e que os proíbe de se comunicar com alunos em blog e redes sociais – vale para Facebook, Twitter, YouTube, Google+, Flickr e qualquer outro similar. Segundo o Social Media Guidelines, caso a utilização de um perfil online esteja ligada à realização de uma atividade pedagógica, é preciso criar uma conta profissional. Ainda assim, não se deve adicionar estudantes. O documento é apresentado como um guia que ajuda “funcionários e estudantes a utilizar as mídias sociais de uma maneira segura e responsável”.
Por aqui, as escolas adotam medidas diversas. Há quem se aproxime da visão americana. É o caso da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri, em São Paulo, cujos professores também não devem manter contato com estudantes via redes sociais.

“Pedimos que eles não adicionem os alunos, até para evitar problemas caso alguém adicione um professor e o docente, por descuido, não aceite. Pode acontecer acidentalmente, e nós queremos evitar esses problemas”, explica o coordenador de tecnologia educacional da escola, Francisco Amâncio Cardoso Mendes. Os funcionários também são orientados a não responder comentários nem se envolver em discussões a respeito da escola – nesses casos, devem notificar a instituição. A escola chegou a ter uma página no Facebook, mas a experiência não deu certo. “Paramos de abastecê-la com conteúdo, porque nem todo mundo na rede age de maneira ética. Há comentários maléficos, e não queremos alimentar esse tipo de movimento. Nós preferimos ficar à margem das redes sociais”, diz Mendes. A utilização de Facebook, Twitter e similares é vetada nas salas de aula.

Mas o colégio não ficou de fora da discussão sobre redes. Desde o ano passado, tem promovido ações com o objetivo de conscientizar alunos, pais e docentes sobre eventuais perigos da internet. Depois de uma palestra sobre internet segura e capacitação dos funcionários em 2011, neste ano, professores e alunos tiveram duas semanas voltadas à discussão de questões relacionadas ao tema. “Primeiro, os temas foram trabalhados em sala de aula, em todas as disciplinas. Queríamos instigá-los a pensar sobre o que colocam na rede social, com quais objetivos e de que forma isso acontece”, explica o coordenador. Depois dos debates, foi ministrada uma oficina para que os alunos apresentassem suas dúvidas e discutissem suas inseguranças. “Trabalhamos para mostrar que a rede social é benéfica, desde que o usuário tenha cuidado, saiba se prevenir e perceba que esse é um espaço público, e não apenas dele”, destaca. Mendes explica que a iniciativa não surgiu de problemas causados pelas redes. “Acreditamos que a conscientização é melhor que a correção, o que nos leva a agir preventivamente, mostrar os perigos. Mostramos para os alunos o que aconteceria em casos de cyberbullying, invasão de perfil ou vazamento de informações em redes sociais”, conta. A Escola Internacional de Alphaville também investe no uso de tablets e aposta na utilização de aplicativos educativos para realização de atividades pedagógicas.

Escola de Porto Alegre é a primeira a criar cartilha de uso das redes
Problemas de privacidade e difamação são uma constante nas redes. Mas, para o doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Paris V Alex Sandro Gomes, é papel da escola conscientizar crianças e jovens. “Essa geração tem muita habilidade técnica, mas pouca habilidade social. Eles se expõem demais e lidam muito mal com questões de privacidade. Se é papel da escola mostrar que o cidadão deve dirigir com responsabilidade ou respeitar os mais velhos, o mesmo vale na hora de alertar sobre a internet”, compara. O especialista diz, no entanto, que não é dever da escola punir caso o comportamento no ambiente virtual seja inadequado. “Essa é uma questão de regulamentação. A partir dos 16 anos, alunos e professores podem responder civilmente por seus atos. Não cabe à escola criar regras e normas. A legislação dá conta disso, caso o erro seja grave. O papel da instituição de ensino não é regulamentar, e sim conscientizar”, afirma Gomes.

Pioneiro na criação de uma cartilha do gênero, o Colégio Farroupilha, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, apresentou o Guia de Postura nas Redes Sociais à comunidade escolar no início deste ano. Entre recomendações para evitar a publicação de conteúdos ofensivos e difamatórios, além de verificar a veracidade de qualquer informação antes de transmiti-la a outras pessoas, pais, professores e alunos foram convidados a refletir sobre comportamento em ambientes virtuais. “Não podemos nos isentar de orientar os alunos em relação à postura nos meios virtuais”, diz a psicóloga educacional do Farroupilha, Luciana Motta. A instituição compreende, segundo a especialista, que a maior parte da interação nas redes acontece fora do ambiente escolar, mas que ações além dos muros do colégio podem refletir positiva e negativamente na convivência entre alunos, professores e funcionários. “Entendemos que, nesse momento, precisamos nos aliar às famílias. Todos os responsáveis receberam o guia, mesmo os de alunos pequenos que ainda não conseguem ler. Esses pais também precisam estar preparados”, afirma.

A instituição tenta equilibrar o uso das redes: os acessos normalmente são bloqueados, mas há liberação para realização de tarefas de sala de aula – as ações, no entanto, são integralmente monitoradas. Em parceria com o setor de tecnologia educacional do Farroupilha, professores estimularam a criação de esquetes teatrais sobre os riscos da rede e gerenciaram a criação de perfis online. “Eles puderam ver o que é permitido colocar no Facebook, além de perceber que tipo de ação acabaria os expondo. Uma questão atual que respinga no ambiente escolar é o cyberbullyng, porque é muito mais fácil dizer coisas quando não se está frente a frente. Nossos alunos aprenderam a ter uma postura ética nas redes e respeitar os outros usuários”, diz. O Farroupilha não desestimula contatos virtuais entre professores e aluno. “A recomendação que damos é de que tenham bom senso. Nossa preocupação é garantir que os papeis fiquem bem definidos. Professor é professor, aluno é aluno, e é assim que deve ser também nas redes sociais”, afirma Luciana.

dica do Chicco Sal

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