Contando e Cantando (Volume 2)

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Aluno de Harvard ganha título de honra com álbum de rap entregue como tese

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Obasi Shaw posa em frente à entrada da Universidade de Harvard - Charles Krupa / AP

Obasi Shaw posa em frente à entrada da Universidade de Harvard – Charles Krupa / AP

 

Obasi Shaw, de 20 anos, escreveu dez faixas inspiradas em livro do século XIV

Publicado em O Globo

RIO – Em vez de um ensaio, uma coleção de poemas ou um romance, o americano Obasi Shaw, estudante de Literatura na Universidade de Harvard, escolheu entregar como monografia um álbum de rap com dez faixas, totalizando 36 minutos de duração. O trabalho recebeu a segunda maior nota em seu departamento, além de um título de honra denominado summa cum laude minus — em latim, significa algo como “com a maior das honras”.

É a primeira vez que um trabalho como este é entregue em Harvard. Shaw, de 20 anos, participará de uma cerimônia de formatura nesta semana, e depois seguirá para o Google, onde trabalhará como engenheiro de softwares.

O álbum se chama “Liminal Minds” (“Mentes Liminares”) e, segundo o estudante, refere-se à ideia de que os negros nos Estados Unidos vivem entre a liberdade e a escravidão.

“Embora não estejamos mais escravizados, os efeitos da escravidão ainda nos perseguem na sociedade e em nossa mente” afirmou Shaw à rede de televisão local CBS Boston.

Cada música é cantada a partir da perspectiva de um personagem, um formato inspirado pela obra de Geoffrey Chaucer “The Canterbury Tales” (“Os Contos de Cantuária”) — uma coleção de histórias em prosa e verso do século XIV, considerada um marco para a formação da língua inglesa.

Obasi Shaw tem apenas 20 anos e trabalhará no Google após cerimônia de formatura - Charles Krupa / AP

Obasi Shaw tem apenas 20 anos e trabalhará no Google após cerimônia de formatura – Charles Krupa / AP

O jovem, nascido em Stone Mountain, no estado da Georgia, criou, escreveu e fez a mixagem do álbum. A ideia inicial veio de sua mãe, que notou a habilidade do filho em performances como rapper no campus da universidade.

Em “Declaration of Independence”, primeira faixa do álbum disponível online [confira abaixo], Shaw escreveu: “Observe, o que nós temos tem três lados — corpo e espírito para serem tronos para almas livres”.

Professora terá de pagar R$ 10 mil após chamar aluno de ‘negro burro’

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Governo do Estado de São Paulo foi condenado no mesmo processo.
Caso aconteceu no ano de 2008 em escola pública de Guarujá (SP).

Publicado no G1

Escola Estadual Prof Raquel de Castro Ferreira em Guarujá (Foto: Reprodução/Google Street View)

Escola Estadual Prof Raquel de Castro Ferreira
em Guarujá (Foto: Reprodução/Google Street View)

Uma professora e o Governo do Estado de São Paulo foram condenados pela Justiça a pagar indenização, de R$ 10 mil cada, para um aluno de uma escola pública em Guarujá, no litoral paulista, e à mãe dele, por conta de injúrias raciais.

Em 2008, a professora da Escola Estadual Professora Raquel de Castro Ferreira disse aos estudantes, durante uma aula, que ‘pessoas negras são burras e não conseguem aprender’. O comentário considerado ofensivo foi gravado pelo celular de um dos alunos.

Apesar do Estado ter entrado com recurso argumentando que o caso não passou de um “mero aborrecimento”, o desembargador Rebouças de Carvalho não acatou o pedido. Na última quinta-feira (17), ele confirmou a condenação tanto da professora, quanto do governo.

“Os fatos ocorreram no interior de uma escola pública e motivado por comentário infeliz e impróprio, ainda que episódico, e vindo de uma professora, ganha ainda contornos mais graves, isso porque a escola é o local da convivência, do incentivo à liberdade da tolerância e do respeito e, ainda, da promoção da dignidade humana. Referido tipo de comportamento de quem tem o dever de ensinar não pode ser admitido, devendo ser coibido”, ponderou.

A decisão da 9ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a sentença que já havia sido assinada pelo juiz Marcelo Machado da Silva, da 4ª Vara Cível de Guarujá. Entre as provas colhidas durante o processo, está a gravação contida em um celular demonstrando que a professora se referiu “às pessoas de pele negra como sendo pessoas ‘burras’ e que não conseguem aprender”.

Ex-aluno devolve livro para biblioteca de universidade depois de 49 anos

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Livro foi devolvido com pedido de desculpas. (Foto: Divulgação/Universidade de Dayton)

Livro foi devolvido com pedido de desculpas. (Foto: Divulgação/Universidade de Dayton)

 

Ele abandonou graduação para servir na Guerra do Vietnã.
Livro e material que tinha no campus ficou esquecido na casa dos pais.

Publicado no G1

Um ex-estudante da Universidade de Dayton, nos Estados Unidos, devolveu um livro que tinha havia emprestado há 49 anos na biblioteca da instituição. James Phillips enviou o livro juntamente com um pedido de desculpas e suas justificativas.

O livro “History of the Crusades” ficou esquecido na casa dos pais de Phillips juntamente com outros materiais que ele mantinha no dormitório da universidade.

Segundo o relato, os itens foram recolhidos por alguém que o ajudou após ter sido convocado para servir na Marinha dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. A caixa com o material só foi descoberta após a morte dos pais.

Á época, os estudantes tinham a permissão de ficar com os livros emprestados por 14 dias. A estimativa da universidade é que, caso fosse obrigado a pagar a multa que foi perdoada, ele teria que desembolsar US$ 350,00.

Aluno de Harvard cria campanha para doar barco a tribo na Amazônia

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Johnny Motley, de 26 anos, é americano e estuda religião das Américas.
Campanha na internet está aberta; doações de qualquer valor são aceitas.

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Publicado no G1
Estudante de religião na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, uma das mais importantes do mundo, o americano Johnny Motley, de 26 anos, criou uma campanha na internet para comprar um barco de pequeno porte motorizado para uma comunidade indígena da Amazônia.

Motley se graduou em religião em Harvard e agora cursa o mestrado sobre o mesmo tema. Ele pesquisa as religiões nas Américas e desde 2013 teve várias passagens por tribos na Amazônia, como objeto de estudo.

“A pobreza, a falta de comida, de acesso à saúde me surpreenderam. É uma vida muito dura. Há problemas com drogas, álcool, e não há muito apoio de ninguém. Foi uma experiência muito marcante”, diz ao G1, por telefone, com seu português fluente.

Com o crowdfunding, o americano quer ajudar a comunidade de São Jorge do Rio Curicuriari, formada por 25 famílias, que vivem basicamente da pesca e do cultivo da mandioca, onde morou por três meses. Para chegar lá, o americano viajou três dias de barco pelo Rio Negro saindo de Manaus.

A meta é arrecadar 5 mil dólares para a compra de um barco pequeno, chamado de voadeira. A campanha está no ar há um mês e já atingiu a meta de 3,5 mil dólares. As doações são em dólar e podem ser feitas até dezembro. Não há valor mínimo e qualquer pessoa pode doar, basta ter um cartão de crédito internacional.

A voadeira será usada principalmente para que os índios cheguem mais rápido ao hospital. O mais próximo da aldeia fica a 100 quilômetros, na cidade de São Gabriel da Cachoeira. No entanto, hoje o acesso é feito por canoas e dura cerca de duas horas. Com o novo barco, o trajeto duraria no máximo 30 minutos.

“Em caso de emergência, os índios acionam o hospital via rádio que manda um médico por barco até o local. Soube que duas crianças se queimaram com água fervente, foram socorridas, sobreviveram, mas no caso de um infarto, um aneurisma, o tempo é muito importante. A demora pode matar”, afirma Motley.

O barco também vai servir para que os índios comercializem os artesanatos e farinha de mandioca produzidas na aldeia na feira de São Gabriel da Cachoeira.

Com o dinheiro arrecadado, o americano pretende, ainda, adquirir iluminação para que o barco possa ser utilizado à noite. Também precisa arcar com a despesa do transporte até o local. Se restar alguma verba, quer ajudar a comunidade indígena que fica ao lado, a Baniwa. “Eles estão precisando de coisas básicas e gostaria de fazer algo por eles. Quero comprar bolas de futebol e brinquedos para as crianças.”

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Volta ao Brasil
Johnny nasceu na Virgínia, nos Estados Unidos, e já teve várias passagens pelo Brasil. A primeira vez foi aos 18 anos, quando estava de férias e conheceu Jericoacoara, destino turístico no Ceará. Aos 21, fez um intercâmbio pela universidade e conheceu São Paulo e Rio de Janeiro. Depois de concluir a graduação, voltou para Jericoacoara onde passou uma temporada de oito meses trabalhando nos restaurantes da vila.

Para ele, a experiência na Amazônia foi muito rica e é lá que pretende seguir a carreira e os estudos sobre religião. “Hoje tenho muito mais qualificação. Conversei com pajés, vi rituais de curandeiros, cantos e orações para tirar doenças e fechar o corpo do mal. Culturas muito interessantes.”

O estudante conclui o mestrado em maio do ano que vem. Assim que se formar, quer voltar para a Amazônia para trabalhar em uma ONG. Brasileira ou americana. Não importa.

Aluno da UFPE vence mundial com jogo que compara escolas e prisões

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Victor Maristane, 23 anos, venceu o torneio A Story to Tell, da World Merit.
Para ele, essas instituições vêm falhando na missão de educar e reeducar.

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Publicado no G1
Escolas e prisões são mais parecidas do que se imagina, segundo o estudante de ciências da computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Victor Maristane, de 23 anos. “Uma tenta educar e a outra, reeducar. Mas ambas vêm falhando frequentemente”, explica o jovem, que ganhou um concurso mundial com um jogo inspirado nesta reflexão. O game ‘Escola ou Prisão’ mostra semelhanças entre as duas instituições e foi um dos dois vencedores da competição A Story to Tell. Organizado pela World Merit, o concurso pediu para jovens contarem uma história com base em um problema social. O resultado foi divulgado no último sábado (11): Victor foi campeão ao lado da paquistanesa Nida Javed, que mostrou o trabalho infantil existente em seu país por meio de um vídeo. Como prêmio, os jovens ganharam uma viagem para uma conferência de educação no México.

O desafio proposto pela World Merit, organização que oferece oportunidades a jovens de todo o mundo a fim de superar problemas sociais, recebeu 35 projetos diferentes. Foram relatos em vídeos, textos e fotos vindos, em sua maior parte, de países em conflito ou em crise, como a Síria, o Paquistão e a Grécia. O pernambucano Victor Maristane era o único brasileiro inscrito. Ele também foi o único concorrente a tratar a questão em forma de jogo. “O concurso dizia que você podia contar a história em qualquer meio e o jogo também é um meio”, defende o estudante, que desenvolveu o game vencedor em apenas sete dias.

Na plataforma, que está disponível no site da World Merit, Victor mostra closes de fotos tiradas em escolas ou prisões de todo o mundo, encontradas na internet. São grades, cadeiras de estudo, celulares, crianças, muros. O jogador é desafiado a adivinhar se a imagem pertence a uma escola ou a uma prisão. Surpreendentemente, o erro é mais frequente do que se espera. Só ao marcar sua opinião, o jogador vê o restante da foto e o local em que foi tirada. “Escolas e prisões em vários países estão enfrentando grandes desafios em equipar efetivamente seus estudantes ou detentos para a vida no século 21. Por quê? E o que podemos fazer a respeito? Como podemos fazer prisões se parecerem mais com escolas, e escolas se parecerem menos com prisões?”, questiona o pernambucano na descrição do jogo, que teve 7 mil visualizações em apenas uma semana.

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Em entrevista ao G1, Victor conta que as semelhanças entre essas instituições ficaram claras quando ele leu o livro ‘Volta ao Mundo em 13 Escolas’. “A coordenadora de uma escola contou que uma criança havia dito que as grades do colégio pareciam com as de uma prisão. Então, ela mandou tirar tudo. Algum tempo depois, surgiu a ideia do jogo. Deixei para fazer depois. Mas, três dias depois, vi o link do concurso e corri para programar”, conta. Em uma semana, o pernambucano aprofundou os estudos sobre o tema e desenvolveu o game. Ele leu artigos, notícias, pesquisas e colheu fotos na internet. Agora, pretende usar o projeto para difundir esta reflexão. “Vi que muita gente nunca tinha parado para pensar sobre isso. Então, a contribuição que eu quero dar é lançar esta provocação, provocar um choque inicial para que cada um veja o que pode fazer”, diz Victor, que também não descarta a possibilidade de expandir o projeto em um blog ou um documentário.

O pernambucano considera importante refletir sobre o tema porque acredita que tanto escolas quanto prisões desempenham funções sociais importantes, mas não vêm cumprindo-as de forma eficaz. “Costumo acreditar muito no potencial das pessoas. Acho que as pessoas podem se superar. Mas essas instituições nem sempre incentivam isso. A faculdade, por exemplo, pode ser aprisionante no seu formato atual”, diz o estudante, que usa a própria experiência como exemplo. Victor integra a Empresa Júnior do Centro de Informática da UFPE e diz que o aprendizado obtido ali foi fundamental para sua formação. “Às vezes, faltam atividades como essa nas escolas. Se você não atende a um padrão, é simplesmente esquecido. Falta preocupação em formar e reeducar. Nas prisões, é do mesmo jeito. Quando uma pessoa é condenada à prisão perpétua, é porque as pessoas desistiram dela. Acharam melhor colocá-la em uma jaula ao invés de reeducá-la”, argumenta.

No México, que recebe a conferência mundial sobre educação em outubro, Victor pretende continuar mostrando essa problemática. Na ocasião, ainda quer buscar apoio para o projeto que vem desenvolvendo como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC): um aplicativo voltado para a alfabetização de jovens e adultos. Mas a oportunidade de conhecer o país é muito mais significativa para o estudante. Ele também sonha em ser escritor e está trabalhando na sua primeira obra, um livro que se passa justamente no México. “Essa experiência vai contribuir muito com meu livro. É a história de um homem que tem o poder de controlar a vida. Se passa no México por conta da relação que eles têm com os mortos. Além disso, no livro, os mortos começam a ser usados no mercado negro, na construção civil e em trabalhos domésticos. Então, os vivos acham que eles estão tirando seus empregos e isso gera toda uma problemática social”, revela.

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