Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Amazon Kindle

União Europeia: e-books não são livros e não têm direito a desconto nos impostos

0

20150306kindle

Ronaldo Gogoni, em Meio Bit

A peleja entre livros físicos e e-books está longe de ser decidida. De um lado temos empresas como a Amazon, brigando para que haja uma equiparação na carga tributária, o que reduziria os preços não só dos livros digitais como também dos e-readers. Do outro há o governo e o mercado editorial, que relutam em classificar o novo formato como um livro de papel, o que derrubaria seus preços sensivelmente.

Isso não é exclusivo do Brasil, lá fora a briga é a mesma. Agora a Comissão Europeia decidiu que e-books em geral (as publicações, não os aparelhos) não podem ser considerados livros, mas “serviços”. E com isso, terão uma taxação maior.

A decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia saiu na última quarta-feira como resposta à decisão tomada em 2012 por França e Luxemburgo, que não diferenciam os livros digitais dos físicos e concedem descontos iguais nos impostos. Ambos foram processados por desrespeitar uma regulamentação que estava causando evasão de impostos. De acordo com a corte (cuidado, PDF), um e-book não pode ser considerado um livro per se porque depende de um outro dispositivo para ser lido, como um e-reader, um tablet, um smartphone ou um computador.

Como sua contraparte de papel não depende de tais recursos, os e-books são para os olhos da Comissão serviços e não bens de consumo, e devem receber a taxação máxima do Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA). Dessa forma, França e Luxemburgo que cobram 5,5% e 3% de impostos passariam a cobrar 20% e 17%, respectivamente. Desnecessário dizer quem vai a pagar a conta…

Não é essa a primeira vez que a EU se atiça por perda de dinheiro: uma mudança da lei numa ocasião anterior obrigou a Amazon a aplicar o IVA correspondente em cada país da Europa em que vende livros digitais, pois até então a lojinha do tio Bezos utilizava a taxa de Luxemburgo, a mais baixa.

O mais provável é que ambos países recorram da decisão, e a própria Comissão reconhece que cada nação poderá no futuro utilizar diversos mecanismos legais a fim de definir suas próprias políticas, mas mesmo assim não deixa de ser uma tremenda derrota para quem esperava ver o velho continente olhar os e-books com mais carinho. Mas é um fato, o dinheiro sempre fala mais alto.

Editoras apostam agora em e-books curtos e baratos

0

Formato segue o modelo dos singles de música e está de olho nas plataformas digitais cada vez mais portáteis

Pílulas literárias Arte O Globo

Pílulas literárias Arte O Globo

Bolívar Torres, em O Globo

RIO – Marginalizados no mundo analógico, onde amargam vendas baixas e a desconfiança das livrarias, formas mais breves de ficção e não ficção ganham uma nova chance entre os usuários de tablets e smartphones. Afinal, parece lógico que plataformas digitais cada vez menores e mais portáteis favoreçam obras menos extensas. Não por acaso, selos como Penguin Shorts e a Story Cuts (da gigante Random House) passaram a explorar o filão dos livros digitais curtos e baratos. Chamados de e-shorts ou minie-books, eles oferecem conteúdo inédito ou recortes de obras já existentes no formato avulso, nos moldes dos singles de música do iTunes. No mesmo embalo, o Amazon Kindle Singles, serviço on-line que vende histórias entre cinco mil e 30 mil palavras por até US$ 3, já comercializou mais de cinco milhões de cópias desde sua criação, em 2011.

— Uma reclamação do usuário de tablet é a dificuldade em retomar a leitura de um livro longo, que precisa ser lido por partes — observa Sérgio Machado, presidente do Grupo Record, que ainda não lançou produtos nesse formato, mas vem acompanhando com interesse essa movimentação no mercado. — Dentro dessa lógica, acredito que o e-book se preste para o texto mais curto, que pode ser lido de uma sentada só.

A distribuição em formato avulso favorece quem busca uma leitura rápida e barata. No caso do Kindle Singles, que não tem previsão de lançamento no Brasil, a obra inédita é escrita especialmente para o serviço. Negociando de forma direta com a Amazon, sem intermédio das editoras, seus autores recebem 70% das vendas — o que representaria uma renda média de US$ 22 mil por single, segundo cálculos do jornal “The New York Times”. O formato está atraindo autores em busca de espaço (são mais de mil manuscritos recebidos por mês), mas também nomes consagrados, como Stephen King e Chuck Palahniuk.

Apesar do potencial comercial, a comercialização do e-short ainda engatinha por aqui. Na última terça-feira, a editora Cosac Naify estreou no mercado digital disponibilizando uma série de contos avulsos de Tchekhov, Tolstoi e Robert Stevenson a R$ 5 cada. Em 2011, a Editora 34 comercializou, a R$ 0,99 e R$ 2,99, histórias avulsas do livro “Nova antologia do conto russo”, que incluía autores como Ivan Turgueniev e Tolstói. As vendas surpreenderam, atingindo mais de um quinto das do exemplar impresso.

— Foi só uma experiência, mas, como o resultado superou as expectativas, já cogitamos a hipótese de repeti-la no futuro — conta Eliete Cotrim, gerente comercial da Editora 34.

Já a Objetiva criou o selo digital “Foglio” no final do ano passado, destinado a publicar obras com até 15 mil palavras. A primeira leva oferece textos de Luis Fernando Verissimo sobre jazz, contos de Ana Maria Machado e poemas de Mario Quintana, por preços que variam entre R$ 4 e R$ 8.

Em tese, o e-short é a vitrine ideal para autores estreantes de narrativa curta. Ao contrário do Kindle Singles, contudo, as grandes editoras brasileiras contentam-se em reposicionar um conteúdo já publicado pela casa. Pelo menos por enquanto, a aposta em novos autores é feita apenas por editoras menores ou voltadas para a literatura de nicho, como a Draco, de São Paulo, cujo hit digital é o conto “A torre das almas”, de Eduardo Spohr.

— Como livros de R$ 2 a R$ 5 não doem no bolso, leitores que não conhecem autores ou selos podem experimentar sem medo de se arrepender da compra — justifica Erick Sama, editor da Draco.

Para Bernardo Ajzenberg, diretor executivo da Cosac Naify, a venda fracionada funciona mais como um incentivo à compra integral de uma determinada obra.

— Os contos avulsos, até agora, têm mais o sentido de uma amostra do conjunto da obra em que eles estão inseridos — explica Ajzenberg. — No caso da Cosac Naify, é preciso considerar que o livro impresso traz um conteúdo bem mais amplo, como prefácio, posfácios, dados biográficos e apêndices, que não se encontram no formato avulso. Entendemos que o maior potencial está nos ensaios, livros de referência, que prescindem, em tese, de muitas imagens ou ilustrações.

A forma tímida como as editoras brasileiras adotaram o e-short mostra que a fórmula ainda passa por um período de testes.

— As editoras no Brasil estão numa fase de experimentação com os e-shorts — avalia Camila Cabete, gerente sênior de relações com editores da Kobo, empresa que fabrica leitores digitais e comercializa e-books em parceria com a Livraria Cultura. — A ideia é ver como o consumidor vai receber para depois investir. Mas já dá para dizer que a aceitação está sendo muito boa. O formato tem tudo para ser o must de 2014.

Antes de fazer comparações com o exterior, porém, vale lembrar que os e-books representam menos de 2% do total de livros vendidos no Brasil, contra 23% nos Estados Unidos em 2012. Com o mercado digital incipiente, o e-short acaba juntando o pior dos dois mundos: vendas reduzidas a preços ainda mais reduzidos. Por isso a opção de alguns em lançar apenas autores já famosos.

— O marketing continua sendo um problema: como chamar a atenção de algo que não é conhecido? — lembra Machado.

— Quando você oferece o e-short de um clássico, pelo menos pega aquele cliente que acabou de comprar o tablet e procura algo conhecido e barato para testar o produto. É o cliente que não quer correr o risco de começar a ler uma obra longa e terminar no meio.

Apesar do tamanho reduzido, os e-shorts não são necessariamente mais fáceis ou baratos de produzir. Obras fracionadas multiplicam as vendas, mas também a mão de obra das editoras.

— Quando você fatia um livro já existente em dez novos pedaços, precisa prestar contas novas para cada um dos pedaços — continua Machado. — Mesmo que venda bastante, pode não valer a pena.

A autopublicação ainda é o terreno em que o e-short mais avança no Brasil, mas nem sempre com estratégias criteriosas. Entre os e-books mais vendidos da Amazon aparece “Aprender meditação, relaxamento, em um dia!”, um texto curto de dez páginas em que o editor se desculpa logo de cara por usar “um tradutor digital on-line que nunca é tão bom como uma pessoa real”. Para Noga Sklar, fundadora da KBR, editora pioneira no mercado digital, a ideia de single não foi bem compreendida por alguns editores brasileiros.

— Muitos desses e-books baratos são praticamente amostras, capítulos, contos fracionados, às vezes com menos de dez páginas, histórias incompletas, atalhos utilizados por algumas editoras para vender caro vendendo barato — lamenta. — O leitor se sente enganado ao pagar, digamos, R$ 1,99 por um “livro” e descobrir que comprou gato por lebre.

Rival do Amazon Kindle, Kobo Touch é boa opção para ler e-books brasileiros

2

Emerson Kimura, na Folha de S.Paulo

O mercado brasileiro de e-readers, os leitores de livros eletrônicos, carece de boas opções. A Livraria Cultura, em parceria com a Kobo, tenta mudar esse cenário.

A Kobo, que pertence à empresa japonesa Rakuten, é uma das principais marcas de e-reader do mundo. Seus aparelhos concorrem de igual para igual com os da Amazon (Kindle), os da Barnes & Noble (Nook) e os da Sony.

Na semana passada, a Cultura lançou no Brasil o Kobo Touch, modelo com tela sensível ao toque que foi anunciado nos EUA em maio do ano passado.

O Kobo Touch, leitor de livros eletrônicos (e-books) lançado no Brasil em parceria da fabricante com a Livraria Cultura, tem tela sensível ao toque

Leve (185 gramas) e compacto (11,4 x 16,5 x 1 cm), ele tem construção sólida e resistente, com uma agradável textura nas costas. O acabamento emborrachado garante uma pegada firme –o aparelho escorrega menos nas mãos. É vendido em quatro cores: preto, prata, lilás e azul.

Um botão na frente do aparelho, abaixo da tela, leva o usuário à tela inicial. Outro, no topo, serve para ligar, desligar ou colocar para dormir. Na parte inferior, há uma porta micro-USB, para conexão ao computador e carregamento da bateria. Um buraco na lateral esquerda serve como leitor de cartão microSD –recurso ausente no Kindle, que não permite aumentar o espaço de armazenamento.

O Kobo não tem botões físicos para mudar a página, o que é uma pena, pois eles facilitam o manuseio do aparelho com apenas uma mão. Botões laterais, como o do Kindle Keyboard e o do Nook Touch, permitem folhear o livro com a mesma mão que segura o e-reader –basta pressioná-los com o polegar. Sem eles, é necessário deslocar o polegar até a tela para mudar a página, o que não é trabalhoso, mas exige maior cuidado e esforço ao segurar o aparelho.

A resposta ao toque na tela costuma ser rápida, mas as falhas são frequentes. Felizmente, elas raramente ocorrem ao folhear o livro –são mais comuns ao digitar, selecionar palavras no meio do texto ou tocar ícones nos cantos da tela. A borda do aparelho, alta em relação à tela (devido à tecnologia de infravermelho usada para detectar os toques), também atrapalha o acesso aos comandos nos cantos, além de causar uma pequena sombra sobre a margem da página, a depender da iluminação ambiente.

PAPEL ELETRÔNICO

A tela do Kobo usa tecnologia de papel eletrônico E Ink, presente nos principais modelos de e-reader do mercado. Ela consome pouca energia, permite a leitura mesmo sob a luz do Sol, oferece bom ângulo de visão e, teoricamente, cansa menos os olhos do que telas de LCD, por exemplo. Por outro lado, tem baixa taxa de atualização, o que deixa animações e transições lentas e travadas.

Nos próximos parágrafos, falo um pouco mais sobre o E Ink. Se o assunto não lhe interessa, pule para o infográfico, mais abaixo.

Grosso modo, a tinta eletrônica da E Ink é formada por uma camada de microcápsulas que fica entre dois elétrodos (nesse caso, placas condutoras de corrente elétrica). Cada microcápsula tem o diâmetro de um fio de cabelo e leva em seu interior um fluido claro com partículas brancas (com carga elétrica positiva) e pretas (carga negativa) que se movem conforme a carga elétrica aplicada no elétrodo inferior.

Uma carga positiva no elétrodo inferior empurra as partículas brancas para o topo da microcápsula, deixando-as visíveis através do elétrodo superior, que é transparente –assim, a tela fica branca. Do mesmo modo, a aplicação de uma carga negativa faz com que as partículas pretas subam e escureçam a superfície da tela. A combinação dessas partículas pretas e brancas forma a imagem exibida pelo papel eletrônico.

Seu consumo de energia é baixo basicamente por dois fatores: ele não tem iluminação própria, e a retenção da imagem estática na tela não gasta energia.

Diferente de telas que são iluminadas com luz traseira (backlight), como as de LCD, o papel eletrônico é reflexivo, ou seja, reflete a luz ambiente –artificial ou natural (solar). Por não emitir a própria luz, ele supostamente cansa menos os olhos do usuário e consome menos energia, mas normalmente não é legível no escuro sem o auxílio de iluminação auxiliar.

Outras características comuns do papel eletrônico são o bom ângulo de visão, que permite uma boa legibilidade mesmo a partir de uma posição não perpendicular dos olhos em relação à tela; a baixa taxa de atualização, o que torna animações e transições –como mudanças de página– um tanto lentas; e o “ghosting” –tendência a exibir “fantasmas” (resquícios de uma imagem anterior)– geralmente solucionado com uma atualização completa da tela antes de formar a nova imagem. (mais…)

Go to Top