Homem caminha enquanto lê um livro na livraria Juan Rulfo, em Madri. LUIS SEVILLANO

Homem caminha enquanto lê um livro na livraria Juan Rulfo, em Madri. LUIS SEVILLANO

 

Da Argentina aos EUA, o EL PAÍS sugere uma seleção de obras que enriqueceram 2015 na região

Publicado no El País

Do diário de um escritor argentino ao de um preso mauritano em um presídio hediondo em um canto de Cuba. Do capitalismo do conhecimento da Costa Oeste dos Estados Unidos à memória chilena. Da infância prosaica e hilária em São Paulo à ditadura brasileira. De um massacre de chineses no México há um século a todas as formas possíveis de violência que a Colômbia desencadeou, e tenta deixar de desencadear. Não sabemos o que é exatamente a América. Mas uma maneira de procurar saber é lendo-a. As redações de EL PAÍS Brasil e América propõem uma seleção de obras que enriqueceram o ano na região. Da Argentina aos Estados Unidos.

Los Diarios de Emilio Renzi. Años de Formación (Os Diários de Emilio Renzi. Anos de formação)

Ricardo Piglia (Anagrama)

Ricardo Emilio Piglia Renzi nasceu há 74 anos na Grande Buenos Aires, e no processo de se transformar em um dos principais escritores argentinos dividiu seu nome em dois: o autor Ricardo Piglia e seu alterego, Emilio Renzi. Neste primeiro volume de seus diários, relata o começo como escritor, as primeiras leituras e os encontros com Borges e Walsh. ALEJANDRO REBOSSIO

La forma de las ruinas

Juan Gabriel Vásquez (Alfaguara)

Existem dois tipos de pessoas: as que acreditam no azar e as que transformam qualquer acontecimento em uma oportunidade para armar uma teoria da conspiração. Essas versões do ser humano se encontram no último romance de Juan Gabriel Vásquez (Bogotá, 1973) enredadas em dois momentos relevantes na história da Colômbia: os magnicídios do político Jorge Eliécer Gaitán e do senador liberal Rafael Uribe Uribe. ANA MARCOS

Desmonte

Gabriela Massuh (Adriana Hidalgo)

Gabriela Massuh (Tucumán, 1954) narra em seu terceiro romance a viagem de uma jornalista da área literária que prefere ocupar-se de histórias que “não interessam a ninguém”, segundo a recriminação de seu editor. Massuch, ex-professora, jornalista, tradutora e diretora do departamento cultural do Instituto Goethe de Buenos Aires, conta a desgraça dos indígenas deslocados. ALEJANDRO REBOSSIO

Historia Secreta de Chile (História Secreta do Chile)

Jorge Baradit (Editora Universitária)

O livro de Jorge Baradit (Valparaíso, 1969) foi um dos fenômenos editoriais no Chile. O escritor, que usa diferentes plataformas narrativas, como trilhas sonoras, peças audiovisuais, mockumentários, quadrinhos, ilustrações e livros-objetos, conquistou os leitores com 12 relatos de não ficção. ROCÍO MONTES

Qué Vergüenza (Que Vergonha)

Paulina Flores (Editorial Hueders)

Um livro que reflete o dinamismo das narradoras chilenas é esta estreia de Paulina Flores (Santiago, 1988), por meio de nove relatos de uma visão despojada da vida dos chilenos de hoje. Mulheres que moram em apartamentos de classe média, homens que perderam o emprego e que revelam os sustentos frágeis das famílias, jovens que trabalham em fast-foods, Uma visão dura, mas terna, da realidade chilena. ROCÍO MONTES

Nuevos Juguetes de la Guerra Fría (Novos Brinquedos da Guerra Fria)

Juan Manuel Robles (Seix Barral)

É a primeira obra do escritor peruano Juan Manuel Robles. Formado na escola de cronistas da revista limenha Etiqueta Negra, Robles se lança aqui a uma história que brinca com a essência da recordação, da memória, com o fato em si de voltar neuroniamente ao passado, seu significado, sua arquitetura química. Uma história de espionagem que transcorre entre Havana, Lima, Nova York e La Paz em um tempo que já se foi. PABLO FERRI

Zona de obras

Leila Guerriero (Anagrama)

Há quem se queixe de que nas relações de cronistas latino-americanos o único nome feminino seja Leila Guerriero (Junín, 1967), mas o certo é que este livro, que recompila artigos e conferências, e agora é editado no México, Argentina e Colômbia, transpira paixão pelo jornalismo. CECILIA BALLESTEROS

Niebla al Mediodía (Névoa ao Meio-Dia)

Tomás González (Alfaguara)

Apaixonar-se por alguém radicalmente diferente pode vir a ser um absurdo. E também uma viagem para entender a alma de uma pessoa. Por meio de uma história simples, Tomás Conzález (Medellín, 1950) volta a recriar um mundo complexo em Niebla al Mediodía, como já havia feito em La Luz Difícil (A Luz Difícil). Dizer que se trata de um romance sentimental seria reduzir à mínima expressão a complexidade que o leitor encontra ao longo de apenas 148 páginas. JAVIER LAFUENTE

La Oculta

Héctor Abad Faciolince

Em La Oculta, novo romance de Héctor Abad Faciolince (Medellín, 1958), a morte de Ana, a matriarca de uma família de classe média alta, desata a ação. Seus filhos, Antonio, Eva e Pilar, combinam o luto com os problemas cotidianos trazidos pela morte dos pais e o terror que se vive na zona rural colombiana. LUIS PABLO BEAUREGARD

La Ruidosa Marcha de los Mudos (A Ruidosa Marcha dos Mudos)

Juan Álvarez (Seix Barral)

Um romance histórico a partir de grandes épicos pode ser excelente, mas logo de início não será muito original. Aí reside o valor de La Ruidosa Marcha de los Mudos, onde Juan Álvarez (Neiva, 1978) dá voz a José María Caballero Llanos, um homem que não (mais…)