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Baiano virou morador de rua em SP, mas nunca largou faculdade

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Alderico Ferreira da Silva, 57, estudante de enfermagem

Alderico Ferreira da Silva, 57, estudante de enfermagem

 

Paulo Gomes, na Folha de S.Paulo

RESUMO No ano passado, Alderico Ferreira da Silva, 57, largou o emprego num centro de assistência social e entregou a casa onde vivia sozinho de aluguel. Sem dinheiro, voltou para uma situação em que já esteve outras vezes –a de morador de rua. Convencido por colegas, só não largou a faculdade de enfermagem. Passando as noites em um abrigo, deve se formar no fim do ano e acaba de conseguir emprego em um hospital.

*

Desde criança em Salvador meu sonho era ser alguma coisa. Meu pai queria que eu fosse médico. Em casa eu era o caçula de cinco filhos. Mas o regime era muito rígido. Tempo da sola, da palmatória. Todo mundo se mandou.

Quando completei 13 anos eu disse “basta” e saí de casa. Comecei a trabalhar. Tudo o que aparecia na frente eu queria fazer. Em Salvador eu ficava em pensão. Em algumas das construções onde trabalhei tinha alojamento.

Não precisei pegar nada dos outros, nem fumar droga, nem vender porcaria. Meu pai me ensinou os valores. Sempre trabalhei, sempre procurei estudar. Mesmo nessa vida de rua, nunca pedi nada para ninguém. Se estiver sem emprego eu cato uma lata, quando não tem um bico eu pego papelão e vendo.

Em Salvador estava fraco de serviço, então vim para cá nos anos 80. No dia que cheguei em São Paulo já peguei um serviço, como auxiliar de manutenção em fábrica. Depois trabalhei como metalúrgico e morei em Santo André [ABC].

Aí comprei uma casinha em São Mateus [zona leste]. Um dia eu saí para trabalhar e quando voltei um pessoal [envolvido com tráfico de drogas] tinha tomado a casa.

Fui para Franca [no interior de SP], na época que tinha muita oferta de emprego lá. Fiz bicos carregando saca de café, trabalhando com papelão. Passei por várias outras cidades. Aí quando consegui um dinheirinho voltei para cá e fiquei no Arsenal da Esperança [abrigo na Mooca].

Não tinha mais casa, não tinha nada. Já estava com mais de 40 anos. Com essa idade ninguém conseguia nada. Então decidi fazer o ensino médio e terminei rapidinho.

Fui trabalhar no programa do Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto [no Belenzinho]. Conversando com as profissionais deles, que falavam muito sobre os problemas das pessoas de rua, decidi fazer faculdade de enfermagem e consegui o Fies [financiamento estudantil] integral nos primeiros meses [para estudar na Uniesp].

Aluguei uma casa em São Mateus, bem distante daquele pessoal [que tomou a casa dele no passado]. Mas sabe como é, pessoa que faz faculdade, mora sozinha, paga aluguel e não tem ninguém…

Fui transferido pro Cratod [centro do governo estadual para tratar dependentes de álcool e drogas], fazia todo o trabalho de agente de saúde. Colocava o cara em pé e no outro dia ele estava drogado de novo. É desgastante.

Eu amava o que fazia. Mas quero ver o meu trabalho evoluir. Pedi para sair. Foi a maior loucura que fiz na vida. Minhas contas estavam se acumulando, eu tinha que estudar, o lugar era longe. Às vezes dormia só três horas por noite, estava esgotado.

Aí o aluguel atrasou e o dono me deu seis meses para acertar. Um dia um parente dele bateu na minha porta e entreguei a casa do jeito que estava, com mobília. Eu ia trancar a matrícula. Três colegas foram pra porta do albergue e disseram: “você tem que se formar este ano”. Não tenho nenhuma DP [reprovação em disciplinas].

Encontrei o padre Júlio [Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua] e falei que estava fazendo faculdade de enfermagem. Pedi um trabalho. Ele tirou uma foto e colocou no Facebook. Consegui um trabalho. Começo no dia 5 como auxiliar administrativo do centro cirúrgico do Igesp [hospital na Bela Vista]. O que eu precisava era o emprego, para voltar a uma vida estável.

Ainda não me formei, estou com 300 horas de estágio para cumprir. Em mais alguns meses eu consigo. O sonho de toda a pessoa que mora no abrigo, no equipamento social, é ter uma “chavinha”. Não tem problema de ser aluguel, ele só quer ter o seu lugar, a liberdade de ir e vir, um lugar só dele. E isso está nos meus planos.

Alunos ajudam colega a superar grave acidente com linda atitude

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Publicado no Catraca Livre

Alunos do 4º ano de uma escola no Tocantins encontraram uma maneira linda de ajudar uma colega de sala que sofreu um grave acidente a superar o trauma. A garota acidentada precisaria usar uma máscara por causa dos ferimentos para que sua pele não ficasse manchada pelo sol.

Mas, para que ela não se sentisse diferente, os colegas decidiram fazer essa surpresa:

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Isso, mesmo. Todos resolveram usar máscaras. Assim, ela poderia se sentir mais aceita por todos durante o processo de recuperação. A atitude emocionante teve o apoio da professora e foi divulgada por meio da página do Facebook da instituição na última quinta-feira, 18. A publicação já conta com mais de 15 mil reações (curtir, etc.) e 4,6 mil compartilhamentos.

Créditos: reprodução/Facebook Máscaras foram confeccionadas para aluna não se sentir diferente

Créditos: reprodução/Facebook
Máscaras foram confeccionadas para aluna não se sentir diferente

 

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Aplicativo ajuda a ‘manter amizades’ controlando empréstimo de livros

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Interior da Biblioteca Mario de Andrade, na região central de São Paulo

Interior da Biblioteca Mario de Andrade, na região central de São Paulo

 

Carol Prado, na Folha de S.Paulo

Sabe aquele livro que você emprestou há uns dois anos —nunca voltou— e, agora, nem sabe mais com quem está?

Um trio de Florianópolis conseguiu transformá-lo em negócio.

Lançado oficialmente em janeiro, o aplicativo Livrio é uma espécie de facilitador de empréstimos de livros. Além disso, “ajuda a manter amizades” que seriam destruídas por algum título não devolvido, diz um de seus criadores, o engenheiros de softwares Aurélio Saraiva, 30.

Funciona assim: o usuário cadastra seus livros na ferramenta, se conecta a outras pessoas, navega pela biblioteca de seus contatos e pode solicitar ou receber pedidos de empréstimo. Também é possível recomendar obras a amigos.

Para consumar o empréstimo, é claro, é preciso marcar um encontro —a internet não resolve tudo.

“Existe um vínculo e um prazo. Quem emprestou consegue saber com quem está o livro e quando ele tem que ser devolvido. Quem pegou emprestado é notificado sobre quando precisa devolver”, explica Saraiva.

Ele e mais dois amigos investiram cerca de R$ 150 mil na criação da ferramenta. A ideia surgiu há um ano e, em outubro do ano passado, o aplicativo foi aberto a um número restrito de pessoas.

Menos de dois meses após o lançamento oficial, o serviço tem 2.500 cadastrados e mais de 20 mil livros disponíveis para empréstimo.

“O objetivo é que, com o tempo, as pessoas percam o medo de emprestar”, afirma o criador.

O software está disponível para aparelhos com sistemas operacionais iOS e Android.

App ajuda a gerenciar empréstimos de livros entre amigos

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App foi lançado por Startup de Florianópolis

App foi lançado por Startup de Florianópolis

Com ele você sabe para quem emprestou cada título e há quanto tempo

Publicado no Catraca Livre

Emprestar livros e fazer o conhecimento circular é uma ótima ideia, mas e quando aquele livro que você gosta tanto não volta? É comum esquecermos para quem emprestamos cada título e quando, mas para resolver esse problema, uma startup de Florianópolis criou o app Livrio.

A ideia da ferramenta é ajudar na dinâmica da troca de livros e impedir que as publicações se percam por aí. Para usar o serviço, é preciso cadastrar seus livros, usando a câmera do celular como leitor de código de barras, ou manualmente, pesquisando por título, ISBN ou autor.

Em seguida, basta divulgar a ferramenta para amigos que gostem de ler como você, com quem você poderá se conectar, pesquisar os livros que eles também cadastraram no app, solicitar ou oferecer um livro emprestado e gerenciar esses empréstimos.

O Livrio é gratuito e está disponível para IOS e Android.

Garis de BH usam livros herdados dos filhos para estudar para o Enem

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Ex-alunos da EJA, amigos concluíram o ensino médio neste ano.
‘Comecei a pegar amor ao estudo de novo e não quis parar’, diz funcionário.

De blusa laranja, Milton Marinho exibe certificado de conclusão do Ensino Médio; de uniforme branco, Domingos Costa carrega livro de preparação para o Enem (Foto: Raquel Freitas/G1)

De blusa laranja, Milton Marinho exibe certificado de conclusão do Ensino Médio; de uniforme branco, Domingos Costa carrega livro de preparação para o Enem (Foto: Raquel Freitas/G1)

Raquel Freitas, no G1

Há quase 35 anos, os garis Milton Salvador Marinho, de 50 anos, e Domingos Lopes Costa, de 47, fazem parte da equipe da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) de Belo Horizonte. Por causa do trabalho, a que se dedicam desde a adolescência, eles chegaram a abandonar os estudos. Entretanto, depois de mais de três décadas de serviço, os amigos conseguiram voltar à sala de aula, concluíram o ensino médio há cerca de dois meses e, agora, preparam-se para um novo desafio: o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), dias 8 e 9 de novembro.

Os dois garis “herdaram” dos filhos os livros em que estudam para o exame. Na primeira página da apostila usada por Milton, uma assinatura com letras redondas não deixa dúvidas que um dia o material foi de sua filha mais velha, que está na universidade.

Domingos entrou para a SLU aos 13 anos. Por algum tempo, tentou conciliar a jornada cansativa e a escola, mas encontrou seu limite na 7ª série. Em 1990, já adulto, com a ajuda do Telecurso 2000, concluiu o ensino fundamental. Os filhos trouxeram a nova motivação para que ele se matriculasse em uma escola estadual, na Região Nordeste da capital, e cursasse do 1º ao 3º ano pela modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Dois dos quatro filhos do gari resolveram fazer curso superior. Um deles já se formou em turismo em uma faculdade particular da cidade, e a outra está prestes a concluir o mesmo curso na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O que mais me moveu a voltar estudar foi ver os meus filhos já criados, formando na faculdade. Para eu ter uma condição melhor de conversar com eles”
Domingos Lopes Costa, gari

“O que mais me moveu a voltar estudar foi ver os meus filhos já criados, formando na faculdade. Para eu ter uma condição melhor de conversar com eles. Porque não adianta você ter os filhos formados sem ter uma condição de dialogar com eles. O que você aprende hoje, se você não seguir acompanhando, está ultrapassado amanhã”, explica.

A trajetória de Milton, que também tem uma filha na faculdade, é parecida. Ele faz parte do quadro da Superintendência de Limpeza Urbana desde os 14 anos. Logo que começou a trabalhar, os estudos ficaram de lado. Na capina em áreas de vegetação da cidade ou durante os 26 que correu atrás de caminhão de lixo, o gari não encontrava tempo e motivação para encarar os livros novamente.

Desde a adolescência trabalhando na SLU, garis falam com orgulho do retorno aos estudos (Foto: Raquel Freitas/G1)

Desde a adolescência trabalhando na SLU, garis
falam com orgulho do retorno aos estudos
(Foto: Raquel Freitas/G1)

Ele conta que o incentivo para retornar aos estudos veio no período em que trabalhou no escritório central da SLU. Ele conta que o apoio de funcionários e estagiários foi fundamental. “Eu estava saindo da coleta de lixo e não sabia nem ligar o computador. O pessoal no escritório central sempre me ajudava, me incentivava. Eu comecei até a ficar deprimido, as pessoas me ajudando, eu querendo ajudar, mas sem poder fazer nada. Aí comecei a estudar de novo. Eu comecei a pegar amor ao estudo de novo e não quis parar não”, relembra.

Saio do trabalho, dou uma corridinha para refrescar a cabeça. Aí, sento para estudar um pouquinho, por umas duas horas, até dar a hora de buscar minha filha na faculdade, para ela não vir sozinha”
Milton Salvador Marinho, gari

Milton, que já rodou o Brasil e foi aos Estados Unidos e à França para participar de maratonas, conta que, entre o dia de trabalho e a noite de estudos, pratica corrida para relaxar. “Saio do trabalho, dou uma corridinha para refrescar a cabeça. Aí, sento para estudar um pouquinho, por umas duas horas, até dar a hora de buscar minha filha na faculdade, para ela não vir sozinha”, conta. Domingos também acha a pausa importante, mas substitui a corrida pela caminhada.

História ou geologia
Os dois acreditam que o inglês será o maior desafio do Enem. Eles esperam o resultado do exame para resolver em quais instituições pretendem concorrer uma vaga. Eles ainda estão na dúvida sobre a escolha do curso, mas a história é uma opção comum para os colegas de trabalho.

“São duas áreas que eu gosto. Vou fazer história ou ser geólogo. Eu gosto de embrenhar no mato, eu gosto de caverna, mina. Explorar lugares é comigo mesmo, eu gosto de aventura. A história, eu tenho ela como uma vivência, muitas respostas são buscadas na história”, pontua Domingos. Já Milton também carrega entre as possibilidades o curso de geografia. “Tenho um professor de geografia que é fera. Ele para mim é um exemplo”, justifica.

Eles não têm dúvidas que também conseguirão se dedicar aos estudos na faculdade. “Nós tivemos uns aqui que se deram bem, também ficam como exemplo”, diz Milton. Um colega, que está se formando em engenharia civil, é uma das principais inspirações.

Colegas de trabalho dividem gosto pela história, mas ainda não estão certo de qual curso pretendem fazer na faculdade (Foto: Raquel Freitas/G1)

Colegas de trabalho dividem gosto pela história, mas ainda não estão certo de qual curso pretendem fazer na faculdade (Foto: Raquel Freitas/G1)

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