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Posts tagged amor

A leitura e a infidelidade

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Cláudia De Villar, no Homo Literatus

A leitura provoca muitos sentimentos, mas percebe-se, já há algum tempo, que esse hábito está levando alguns leitores à infidelidade. Você que pensou que essa infidelidade ocorre quando um deles não lê e é deixado de lado pelo parceiro leitor, engana-se. Ambos traem. Não é uma traição levada pelas narrativas de amor e sexo, mas uma traição literária.

O leitor apaixona-se por uma obra, a narrativa não lhe sai da cabeça. Os sonhos são repletos de lugares e cenários do livro e essa paixão cega os olhos, provoca suores, calafrios. Esse leitor, doente de amor por seu livro, passa somente a falar dele. Não tem mais assunto. O assunto é o livro. A todos que ele encontra é feita uma ‘propaganda’ da obra. As qualidades daquela trama são descritas minimamente. Passa a achar ilógico alguém não se apaixonar por sua obra. Sim, sua, pois nesse momento a obra não é mais do autor, mas sua. Apodera-se do enredo, dos diálogos, dos pensamentos da personagem. Decide vestir-se igualmente ao mocinho da trama. Revolta-se com a proximidade do fim dos capítulos. Porém, a criatura vai a uma livraria e… É amor à primeira vista. Apaixona-se, perdidamente, por outra obra!

Então, o leitor, antes apaixonado pelo livro 1, vai até a prateleira, toca no novo livro, acaricia-o, vagarosamente, sente o seu cheiro, abre o livro, com ar de cientista, toca, novamente, em suas folhas, como se estivesse tocando em uma joia rara, aproxima os olhos, como se fosse míope, e olha com olhos arregalados o prefácio, lê o que há nas orelhas… Ah, as orelhas, são locais fantásticos para o leitor faminto por papel novo e, dessa forma, se vê perdidamente apaixonado pela nova obra. É infiel.

Sim, o leitor, mas o leitor com o terrível fetiche por leitura não consegue controlar os seus instintos literários e é infiel. Trai o livro que ainda está lendo. Muitas vezes, leva a nova obra para casa e a lê escondido, para que não seja descoberto! Vê o livro antigo na cabeceira de sua cama. Deixa-o ali mesmo e passa a levar o novo livro para o serviço. Lê nas horas vagas, lê na hora do almoço, lê nos intervalos, lê no ônibus e, quando chega em casa, age como um leitor honesto. Faz tudo igual, como sempre fez nos tempos remotos, toma banho, janta, assiste à novela e vai deitar ao lado de seu velho livro, de seu amor antigo. Primeiramente, ele olha para a obra e dá um longo suspiro e toca-o, meio a contragosto, abre-o. Nem o olha mais com aquele mesmo olhar apaixonado. Nem aspira mais o seu perfume. Lembra-se do livro que está em seu trabalho. O perfume do novo livro está em sua memória olfativa. Balança a cabeça a fim de espantar aquele cheiro inebriante! Esforça para se concentrar no livro antigo. Não lembra em qual página parou. Procura o marcador de páginas. Encontra-o. Volta a ler e dorme no meio da leitura. Sonha com o livro do serviço e suas páginas tentadoras com os seus belos parágrafos e sua língua, ops, sua linguagem envolvente. É infiel.

Como esse triângulo amoroso termina? Diga você, leitor, o que faz um leitor voraz?

Você finge para quem?

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Ique Carvalho, no The Love Code

the love code

Trilha:

Hoje uma mulher enviou esta mensagem:
“Você não existe.
Pare de querer me convencer,
que existe homem com sensibilidade, que pode amar ou,
querer bem.
Que tal intercalar com poemas e textos retirados daqueles papos com os amigos,
em que a bunda de fulana é bonita.
Talvez não te desse tantas curtidas femininas, mas seria mais honesto.
E eu não sou uma desiludida, não completamente, só realista.
Convenhamos.”
 
Como escritor,
eu poderia escrever pra te convencer.
Mas eu não sou escritor.
Eu sou apenas um cara,
que vai te contar uma pequena história.
Sem frases bonitas,
apenas sinceras.
Bem, eu tinha treze anos e
ainda era muito inseguro.
Na escola, muitos me chamavam de feio,
tímido e quatro olho.
Eu voltava pra casa,
deitava no colo da minha mãe e perguntava:
“Mãe será que algum dia,
alguma garota vai se apaixonar por mim?”
CONFIANÇA, meu filho – ela respondia sorrindo.
É um bom conselho.
Mas não muito prático,
para um menino de treze anos,
com o coração quebrado.
Até que um dia,
uma garota que sorria se inclinou e me beijou.
Ela mostrou,
que era possível me amar como eu sou.
Cheio de defeitos mas com um coração inteiro.
E ao longo dos anos,
continuei sendo eu mesmo.
Eu gosto de coca gelada,
fazer cosquinha e,
ficar em casa.
Algumas mulheres,
acham isso sem graça.
Outras gostam do cara bonito,
que faz merda, acorda e diz:
“Sinto muito.”
No outro dia,
enche a cara, desmaia e,
faz tudo de novo.
Eu escrevo sobre amor.
Mas algumas pessoas,
não dão muito valor.
Recebo mensagens dizendo:
“Isso é coisa de viado.”
Esse mesmo “homem”,
que acha tudo isso coisa de viado,
é o mesmo que desvaloriza e,
trata mulher como objeto.
Como se uma mulher,
só existisse para satisfazê-lo.
Mas eu não gosto de homem.
Quem escolhe esse tipo de cara,
não sou eu.
É você.
O meu pai sempre disse:
“Meu filho, a vida está nas mãos de quem sabe escolher.”
Eu tinha amigos,
que sentavam no bar e enchiam a cara.
Só falavam de carro, dinheiro, futebol e mulher pelada.
São os mesmos,
que nunca me ligaram para perguntar:
“E seu pai, como está?”
Eles continuam no meu whatsapp,
enviando vídeos de mulher pelada.
Mas na minha vida,
perderam o lugar.
Hoje eu tenho amigos,
que sentam no bar e pedem uma coca gelada.
Só falam de video game,
seriados e da vida de casado.
Quando meu pai ficou doente,
eles não me ligaram.
Eles vieram até a minha casa.
Abraçaram a minha mãe,
seguraram a mão do meu pai e
de coração, fizeram uma oração.
Essa é a minha pequena história.
Na forma mais pura e sincera,
esse sou eu.
Feio, tímido e quatro olho.
Amigo,
você pode me chamar de louco.
Eu sei, tudo bem.
Nesse mundo, meu velho,
quem fala com a razão,
acha maluco quem escuta o coração.
Posso aceitar isso.
E você?
Se eu pudesse te dar um único conselho seria:
Seja sincero.
Não vale a pena fingir.
Um dia,
toda mentira chega ao fim.
Como escritor,
eu poderia terminar assim.
Mas, não sou escritor.
Eu sou apenas um cara,
que escreveu na parede do quarto:
Quando o querer é sincero,
o amor se torna completo.

Capa do post: Tumblr

Artista brasileiro cria tirinhas que geram debate e inspiração

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Publicado por Hypeness

Se no Facebook as pessoas costumam apenas jogar opiniões sobre a vida, a política, o universo e tudo mais, Matheu Ribs faz diferente: ele usa ilustrações para dar belos tapas na cara de quem o segue e atentar para tópicos que vão do racismo à religião distorcida.

Ribs, que estuda Ciências Políticas no Rio de Janeiro, não mede palavras ou imagens na hora de expor o que pensa, gerando tirinhas (se é que podemos chamar sua arte dessa forma) pra lá de instigantes. Amor, frustrações, machismo e até mesmo questões políticas entram na roda, para sair dela de uma forma totalmente diferente.

O ilustrador não titubeia ao se assumir militante e muitas de suas artes trazem ideias tidas como “de esquerda”. Mas tudo bem, mesmo que você não concorde com algumas delas, sempre é tempo de pensar o diferente e refletir.

Em último caso, fique com as poesias de Ribs sobre sentimentos. Afinal, na hora de amar e sofrer, todo mundo faz igual.

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Todas as imagens © Matheu Ribs

Romance de Ariano Suassuna vai virar minissérie na TV

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Publicado no Boa Informação [via Diário de Pernambuco]

O reino fantástico de Ariano Suassuna ganhará novamente as telas com os contornos mágicos de Luiz Fernando Carvalho. O diretor, atualmente à frente de Meu pedacinho de chão, novela da TV Globo, adaptará A história de amor de Fernando e Isaura para uma minissérie televisiva.

O projeto foi divulgado por ele na quinta-feira (24), durante o velório do escritor, no Palácio do Campo das Princesas. Ele chegou de madrugada e voltou para o Rio de Janeiro, onde mora, no mesmo dia. A versão audiovisual ainda está em processo de roteirização e não tem data definida para estreia, mas pode começar a ser rodada em 2015.

Aluno do mestre Ariano. Assim Luiz Fernando Carvalho se definiu. “Eu adaptei os extremos de Ariano: A farsa da boa preguiça (1995), Uma mulher vestida de sol (1994) e também A pedra do reino (2007)”, comparou o diretor, sobre o espetáculo cômico escrito em 1964, a tragédia teatral de 1947 e o romance de 700 páginas sobre o grupo que fez ressurgir Dom Sebastião em São José do Belmonte, no Sertão pernambucano, publicado em 1971.

O”pequeno e lindo” romance, como explicou Carvalho a trama de A história de amor de Fernando e Isaura, escrito em 1956. Baseado na paixão lendária entre o cavaleiro Tristão e a princesa Isolda, o livro é ambientado em Alagoas, com muitas cenas à beira do mar.

Noveleiro declarado – a família até dizia que ele não assistia à televisão, mas brigava com ela -, Ariano não poderá participar ativamente, como fez das outras vezes, do processo de produção de Carvalho, em cujo trabalho tanto confiou. Ele ajudou na elaboração do roteiro e visitou o set de filmagens de A pedra do reino, com os pernambucanos Irandhir Santos, Prazeres Barbosa, Germano Haiut e Hilda Torres no elenco. A minissérie foi gravada em Taperoá, no Sertão da Paraíba, para onde Ariano se mudou após o assassinato do pai, quando tinha três anos.

Apesar da proximidade com os bastidores, fazia questão de conferir o resultado apenas durante a transmissão na televisão ou no cinema. “Adorei a adaptação de Os Maias para a TV, que Luiz Fernando Carvalho dirigiu. Fiquei com ciúmes do Eça de Queiroz. Gosto muito do Eça, mas gosto mais de mim”, brincou, pouco antes da estreia de A pedra do reino.

Era brincadeira, claro. Ele já havia inspirado duas séries de Carvalho, Os Trapalhões no Auto da Compadecida e, em 1999, os quatro capítulos dirigidos por Guel Arraes baseados no Auto da Compadecida exibidos pela TV Globo multiplicaram o alcance da peça. As peripécias de Chicó e João Grilo, interpretados por Matheus Nachtergaele e Selton Mello, cravaram o nome de Ariano Suassuna não só na literatura brasileira, mas na produção audiovisual.

ENTREVISTA // Luiz Fernando Carvalho

Ariano Suassuna era muito criterioso com relação aos que iriam adaptar os textos dele. Como foi a relação de vocês?

Estar junto de Ariano era sempre uma grande viagem de aprendizagem. É um prazer imenso e ao mesmo tempo bem dificil de representar o Brasil sem Ariano Suassuna, que vai ser lembrado por muitos anos. Estar ao lado dele era enriquecedor, porque se em um determinado momento eu perguntava a diferenca entre jagunço e capanga, ele vinha me dar uma aula completa, sobre geografia, sobre música sertaneja, sobre geologia, sobre canto.

Como foi o processo de adaptação do texto para a linguagem audiovisual?

No processo de criação, parecíamos duas crianças. Nós ficávamos na casa de Ariano (no Poço da Panela, no Recife), sentados no chão, recortando xerox dos livros, escolhendo as frases, em um processo de colagem, mesmo. Era assim que surgiam os roteiros.

Encontrado material inédito do poeta chileno Pablo Neruda

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Kelly Lima, no Diário24Horas

2014-06-18-pablo-nerudaO mundo da literatura foi agraciado com um grande achado. Segundo anunciou a editora Seix Barral, nesta quarta-feira (18), cerca de 20 poemas nunca publicados do famoso poeta e ganhador do Nobel de Literatura Pablo Neruda foram encontrados no Chile.

Os poemas somam um total de mil versos e foram descobertos em caixas com manuscritos do poeta durante uma revisão dos arquivos feita pela Fundação Pablo Neruda. A Seix Barral afirma que publicará as poesias até o fim do ano na América Latina e no começo de 2015 na Espanha. A descoberta é tratada como a mais importante nos arquivos do escritor.

A maioria dos poemas falam de amor e já mostram um Neruda na maturidade, uma vez que foram escritos nos anos 1950 e 1960. Seu tamanho é semelhante às poesias de “Vinte poemas de amor e uma canção desesperada” e “Canto geral”, dois dos principais livros do autor. O poeta e editor da Seix Barral Pere Gimferrer se disse surpreso com os novos poemas. “(Os poemas têm) o poder imaginativo, a transbordante plenitude expressiva e o mesmo dom, a paixão erótica ou amorosa. É o mesmo Neruda de ‘Odes elementares’, ‘A barcarola’ e ‘Memorial da ilha negra’”, disse ao El País.

A publicação do material inédito de Neruda vai coincidir com o 110.º aniversário do seu nascimento e o 90.º aniversário da publicação de “Vinte poemas de amor e uma canção desesperada”.

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