Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged amores fracassados

5 Livros para ler se você sente falta da série: ‘Two and a Half Men’

0

029-two-and-a-half-men-theredlist

Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

Todos temos nossas series favoritas, e se dependesse de nós, elas seriam produzidas ad infinitum para o nosso bel prazer; mas infelizmente o formato deste produto tende a passar por nossas vidas durante anos, marcar instantaneamente todo uma geração e deixar nada mais do que muita saudade ao fim de sua última temporada.

Foi pensando nisso que criamos este espaço banzo, com o intuito de indicar livros que possuam conceitos semelhantes ao de séries passadas, e assim tentar resgatar um pouco do espírito que projetou o sucesso desses programas.

“Em Dois Homens e Meio (no original, Two and a Half Men) Charlie Harper, é um compositor de jingles, que mora numa bela casa na praia de Malibu, em Los Angeles. É rico, por isso tem uma enorme facilidade de conquistar as mulheres. Possui um belo carro na garagem, e sempre se envolve em confusões devido ao seu consumo de bebidas alcoólicas, com mulheres, jogos, e apostas. Seu estilo de vida muda, quando seu irmão Alan Harper , que esta no meio de um divórcio com a esposa, passa a morar com ele, junto ao o seu filho Jake Harper.

Apesar de Charlie ser muito diferente de seu irmão, ele o recebe em sua casa, pelo fato de não ter pra onde ir, e estar com o seu sobrinho. Embora sejam diferente um do outro, eles tem uma coisa em comum: Os dois amam Jake, e querem o melhor para o menino.”
Portanto, se você gostava de ‘Two and a Half Men’, então vai adorar ler…

✔ Espero que sirvam cerveja no Inferno (Tucker Max)
Finalmente uma literatura para homens… Você entra nas livrarias e vê livros para meninas, romances para mulheres solteiras, livros eróticos para mulheres casadas, e até temas para senhoras. Para homens, nada! Tucker Max escreveu o livro mais politicamente incorreto sobre as aventuras masculinas… Ele ri da vida, da saúde, da segurança dentro do trio: cerveja, noitada e mulheres… Mas não banca o garanhão invencível.

Ele conta as furadas, os micos, as mancadas, mas também o lado divertido dessas aventuras… para valer a máxima contida no título: Já que tem certeza de que não vai para o céu, ele torce para que sirvam pelo menos cerveja no inferno. (Faro editorial)

✔ Beber, Jogar, [email protected]#er (Andrew Gottlieb)
Em ‘Beber, jogar, [email protected]#er’, Bob Sullivan traído e abandonado por sua mulher, parte em uma jornada em busca da felicidade e da liberdade. Desiludido, Sullivan narra suas farras homéricas e algumas confusões como – encher a cara na Irlanda, apostar até as calças em Las Vegas, e dar asas a seus desejos proibidos na Tailândia. A única regra é não ter regras.

Se você se acha um bom boêmio só porque possui uma conta de pendura no bar de esquina da sua rua, experimente acompanhar o protagonista na Trilha do Whisky, um dos principais pontos turísticos da Irlanda, um país que possui toda sua cultura nativa baseada unicamente no consumo do álcool, a ponto de batizar com nomes de bebidas (e referencias) suas ruas, bairros, cidades e até mesmo seus pontos históricos. (Editora Planeta)

✔ O Enterro da Cafetina (Marcos Rey)
O mundo dos personagens de Marcos Rey começa quando o sol se põe e a noite cai sobre a cidade de São Paulo. Então, boêmios, garotas de programa, gigolôs, guerrilheiros urbanos (o livro foi escrito nos dias da ditadura militar), dançarinas de cabarés, taxi girls, alcoólatras começam a sair das tocas, como ratos famintos, em busca de aventuras, de divertimento, de um trouxa, de um trocado, de uma garrafa de álcool, ou do simples e exato exercício de suas profissões.
Como diz o autor, “são homens e mulheres que param nos bares, restaurantes, inferninhos, cabarés, boates e em certas casas onde tudo se tolera”, por vocação ou erro de educação, dor de cotovelo ou outra dor qualquer, vagabundagem. A noite paulistana, seus mistérios e misérias, faz a unidade de O Enterro da Cafetina, atando os sete contos entre si e formando um grande painel.

O que contam essas histórias? Coisas terríveis que acontecem na noite, como diz a Bíblia, mas também casos surpreendentes, quase patéticos, insuspeitas generosidades. Noitadas de amigos, regadas a muito álcool, que terminam de forma trágica; o gigolô bem-sucedido, homem de muitas mulheres, apaixonado por uma moça de família, a quem auxilia financeiramente; a morte e o enterro retumbante da velha cafetina; jogos de sedução em que cada um procura lograr o outro; a ação de guerrilheiros mais ou menos trapalhões; um caso de ciúmes neurótico; o redator alcoólatra lutando pela sobrevivência. (Editora Global)

✔ Fabulário Geral do Delírio Cotidiano (Charles Bukowski)
Este livro é o segundo volume da obra Ereções, ejaculações e exibicionismos, do genial Charles Bukowski (1920-1994). Depois de Crônica de um amor louco, o velho Buk descreve, nestes mais de trinta contos fortemente autobiográficos, suas desventuras, traumas, amores fracassados e prisões inesperadas. Eis toda a excitação frenética do escritor nascido na Alemanha e emigrado para os Estados Unidos que imortalizou o mundo marginal de Los Angeles, sua cidade de adoção. O olhar estrangeiro-nativo de Bukowski esmiúça o lado negro do sonho americano – e revela o anti-sonho -, um mundo de marginais, viciados, bêbados e prostitutas, dos quais só não se pode dizer que estão na sarjeta porque sempre decaem um pouco mais. São pessoas tal qual na vida real, retratadas de forma triste, divertida, escatológica e universal, em toda sua vulgaridade e realidade.

Eis todo o gênio narrativo de Charles Bukowski, que, como John Fante, representa o último grito da geração beat e cujo humor cáustico foi comparado ao de Henry Miller, Louis-Ferdinand Céline e Ernest Hemingway. (Editora L&PM)

✔ Se Você Gostou da Escola, Vai Adorar Trabalhar (Irvine Welsh)
O que há em comum entre uma madame de Chicago, jovens americanos hedonistas, escoceses bêbados e outros tipos pra lá de banais? Com seu inconfundível senso de humor, Irvine Welsh dá voz a uma galeria de personagens tão bizarros quanto inesquecíveis na coletânea. Se Você Gostou da Escola, Vai Adorar Trabalhar- Mais cáustico do que nunca, o autor de Trainspotting mostra, nas quatro histórias e uma novela que compõem o livro, que também é um mestre das narrativas curtas, gênero que não trabalhava desde a década de 1990.

Em comum, os personagens criados por Welsh vivem todos alguma forma de desespero silencioso. Em “Cascavéis”, uma ex-promessa do futebol americano, que desperdiçou sua carreira entre as drogas, a bebedeira e um amor não correspondido, se vê em uma situação limite em pleno deserto; no conto seguinte, que dá título ao livro, um britânico troca a Inglaterra pelo Caribe em busca de uma vida de prazeres, mas os problemas o seguem; a heroína de “Cães de Lincoln Park” vive uma montanha-russa de emoções, equilibrando-se entre a hipocrisia de amizades duvidosas e seus próprios preconceitos; em “Miss Arizona”, um cineasta a caminho do estrelato encontra mais do que esperava ao pesquisar a biografia de seu ídolo; e, em “O Reino de Fife”, o autor acompanha o crescente efeito opressivo da rotina e da falta de perspectivas sobre um grupo de jovens moradores de uma pequena cidade escocesa. (Editora Rocco)

Um brinde ao velho Bukowski!

0

Objetividade, muitos litros de álcool e uma boa dose de grossura. Essa pode ser uma, entre muitas, a definição do escritor norte-americano Charles Bukowski. Ele reduziu o sonho americano a personagens enlouquecidos em quartos imundos de hotéis. Em uma existência recheada de desventura, traumas, amores fracassados e prisões inesperadas, o escritor mergulhou em viagem metafísica na noite de sua amada cidade de Los Angeles.

Fernando do Valle, no Homo Literatus

Charles Bukowski nasceu na pequena Adernach (Alemanha) em 16 de agosto de 1920 e morreu há 20 anos, em 9 de março de 1994, por complicações de uma leucemia.

1

Vinho, dúzias e mais dúzias de cervejas e discos de música clássica acompanham o escritor na decadente Hollywood dos cafetões, aspirantes a superstars e alcoólatras inveterados. A literatura de Bukowski parece gritar: “já que não gosto do que vejo, então encho a cara, escrevo e mando tudo à merda”.

Acusado de machista e de praticar uma subliteratura pelos amantes da boa e limpinha literatura, o também poeta Bukowski nunca deu muita importância sobre o que se falava dele e destilava sempre sua cáustica percepção da realidade, incomodando os conformados e medíocres.

American Writer Charles Bukowski

Os detratores de Bukowski ignoram como sua literatura sempre conviveu com a indiferença e a violência (ele passou a infância sendo espancando por seu pai que o considerava um indolente sem ambição). Isso foi regurgitado em uma nova forma de expressão em que uma escrita sem rodeios sai em defesa dos fracos e desesperados em busca de algum afeto ou da próxima rodada no bar da esquina.

Com o velho Bukowski, não se tem meio-termo, sua persona literária e seus escritos despertam ódio e amor na mesma intensidade. A sua língua afiada também não perdoava. Nem o papa da geração flower power, Thimothy Leary, e um dos ícones do movimento beat, Allen Ginsberg, escapavam. O trecho é do conto O Grande Rebu da Maconha:

“O deus do ácido deles, Leary, lhes diz: desistam da luta, me sigam, aí aluga um auditório aqui na cidade e cobra cinco pratas por quem quiser ouvir ele falar. depois chega Ginsberg junto com ele, e proclama que Bob Dylan é um grande poeta . auto-propaganda dos que ganham posando de maconheiros. América”.

Bukowski emigrou para os Estados Unidos com apenas dois anos de idade. Alemão de nascimento, o escritor mergulha na alma americana e destrói em sua literatura um dos paradigmas do american way of life: o culto ao vencedor.

Adolescente brigão, problemático e triste, o que fica claro em um de seus melhores livros, Misto Quente – a juventude de Henry Chinaski (alter ego do escritor), Bukowski sofria com os abusos paternos até o dia em que o agride até nocauteá-lo e some de casa.

Em uma das passagens do livro, seu pai soldado o obriga a cortar a grama do quintal (símbolo de toda família classe média norte-americana, uma casa limpa com um belo gramado à frente) com perfeição milimétrica. Qualquer falha era motivo para que seu pai o surrasse impiedosamente.

Sobre o enterro de seu pai, Bukowski escreveu:

“Lembro que atravessamos a rua e entramos na casa mortuária. Alguém dizia que meu pai tinha sido um bom homem. Me deu vontade de contar a eles o outro lado. Que ele era um homem ignorante. Cruel. Patriótico. Com fome de dinheiro. Mentiroso. Covarde. Um impostor. Minha mãe só estava há um mês debaixo do chão e ele já estava chupando os peitos e dividindo o papel higiênico com outra mulher. Depois alguém cantou. Nós desfilamos diante do caixão. Talvez eu cuspa nele, pensei”.

Depois de abandonar sua família, o escritor vagou por quartos de motéis decadentes sobrevivendo de bicos em troca de poucos dólares. Muitas vezes, foi despedido por chegar tarde, embriaguez ou por simplesmente mandar o patrão se foder. Apostador ferrenho em corridas de cavalo, encontra o emprego da maior parte de sua vida: entregar cartas a velhotas falantes, mulheres histéricas e homens “ambiciosos” e “promissores”. Daí nasce outro livro: Post Office (editado no Brasil pela Brasiliense).

1

O jornalista Jack Kroll da extinta revista semanal Newsweek escreveu como o fracasso é uma das saídas para artistas como Bukowski: “um pertubador profissional da ordem estabelecida — escreve com delirante insistência romântica, afirmando que os fracassados são menos hipócritas que os vitoriosos, e com veemente compaixão pelos perdidos”.

Crítico da indústria do cinema, Bukowski foi transportado para a sala escura duas vezes. Em uma delas, o diretor italiano Marco Ferreri escolheu a monumental italiana Ornella Muti para interpretar a prostituta Cass no filme inspirado no conto Crônica de um Amor Louco, Chinaski (Bukowski) é interpretado por Ben Gazzara.1

Em outra adaptação, Barfly, literalmente mosca de bar, traz na pele de Chinaski/Bukowski o ator Mickey Rourke em suas andanças pelos bares de Los Angeles. O filme mostra também a relação da editora da revista Harlequim, Barbara Frye, com Bukowski. Ela foi uma das primeiras a publicar o trabalho do escritor que enviava muitos de seus contos e poemas para várias publicações e era constantemente recusado.

Hoje Bukowski tem conquistado aos poucos seu lugar entre os grandes escritores norte-americanos da segunda metade do século passado. Para seus detratores e admiradores, Bukowski resmungaria, com uma long neck na mão: “não importa se me acham um gênio ou um idiota; afinal, nunca pedi nada a ninguém.”

Trecho do conto “A mais linda mulher da cidade” do livro Crônica de um amor louco:

Bebi até a hora de fechar. Cass, a mais bela das 5 irmãs, a mais linda mulher da cidade. Consegui ir dirigindo até onde morava. Não parava de pensar. Deveria ter insistido para que ficasse comigo em vez de aceitar aquele “não”. Todo o seu jeito de quem gostava de mim. Eu é que simplesmente tinha bancado o durão, decerto por preguiça, por ser desligado mesmo. Merecia a minha morte e a dela. Era um cão. Não, para que pôr a culpa nos cães? Levantei, encontrei uma garrafa de vinho e bebi quase inteira. Cass, a garota mais linda da cidade, morta aos vinte anos.

Lá fora, alguém buzinou dentro de um carro. Uma buzina fortíssima, insistente. Bati a garrafa com força e gritei:

– MERDA! PÁRA COM ISSO, SEU FILHO DA PUTA!

A noite foi ficando cada vez mais escura e eu não podia fazer mais nada”.

Bukowski viaja sobre Deus, a mídia e a sorte:

Música Bukowski, da banda Modest Mouse (com legendas em espanhol):

Assista na íntegra o filme Crônica de um amor louco, de Marco Ferreri

Go to Top