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11 livros escritos por mulheres que vão brilhar na Flip 2016

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Clarice Lispector: escritora foi a primeira mulher a ser homenageada na Flip. Este ano o festival traz a segunda homenageada - Ana Cristina Cesar

Clarice Lispector: escritora foi a primeira mulher a ser homenageada na Flip. Este ano o festival traz a segunda homenageada – Ana Cristina Cesar

 

Caio Delcolli na Exame via HuffPost Brasil

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) deste ano tem como marco ser a edição com a maior quantidade de mulheres convidadas até hoje.

Dos 39 autores a participarem do evento, 17 são escritoras – ou 44% do total. Em relação à festa de 2015, estamos diante de um aumento de representatividade: foram 32 homens e 11 mulheres.

Na edição de 2014, nove mulheres marcaram presença. Um número muito pequeno diante dos 38 homens. Em 2003, na estreia da Flip, apenas três autoras foram convidadas: Ana Maria Machado, Adriana Falcão e Patrícia Melo. Os homens, em contrapartida, eram 22.

O aumento – ainda longe do ideal – se deve à pressão que a Flip tem encontrado para expandir a representatividade de minorias neste que é um dos principais eventos literários do país.

Neste ano, a autora homenageada é a carioca Ana Cristina Cesar (1952-1983), a segunda em 14 anos de Flip. A primeira mulher a ser laureada na festa foi Clarice Lispector, em 2005.

Além de Ana C. estar no centro do debate, outras poetas brasileiras de porte estarão no rolê, como Marília Garcia, Laura Liuzzi e Annita Costa Malufe.

Entre as convidadas internacionais, estão Svetlana Aleksiévitch, Helen Macdonald e Kate Tempest lançando seus livros.

A Flip começa nesta quarta-feira (29) e vai até dia 3 de julho. Confira abaixo alguns exemplos de lançamentos das autoras que estarão por lá:

1 – ‘Crítica e Tradução’, de Ana Cristina Cesar

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Reunindo ensaios sobre vários temas – como mulheres na poesia, tradução e documentários brasileiros –, textos críticos e traduções – como a do conto Bliss (1918), de Katherine Mansfield –, Crítica e Tradução revela facetas da autora que vão além da poesia que a consagrou.

Editora: Companhia das Letras Páginas: 544 Preço: R$ 64,90

2 – ‘F de Falcão’, de Helen Macdonald

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Um dos livros mais elogiados pela crítica em 2014 e 2015, F de Falcão traz o relato sincero e tocante da autora, que entrou em depressão após a morte do pai. A inglesa Helen Macdonald superou o luto de uma forma inusitada: treinando um falcão. Isolada das pessoas ao seu redor, Macdonald compra o animal e decide – e explica como – domesticá-lo e caçar com ele. Macdonald encontrou na companhia de um dos animais mais ferozes do mundo e de leituras sobre o escritor T. H. White a possibilidade de se recompor e encontrar um rumo para sua vida. Vencedor do Costa Book Award.

Editora: Intrínseca Páginas: 288 Preço: R$ 44,90; e-book R$ 29,90

3 – ‘Os Tijolos nas Paredes das Casas’, de Kate Tempest

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Rapper, escritora e artista de palavra falada, a inglesa Kate Tempest é a autora de Os Tijolos nas Paredes das Casas. Nele, duas jovens, Becky e Harry, estão entediadas na região sudeste de Londres, onde trabalham em empregos insignificantes e têm namorados ciumentos. Becky serve mesas e faz massagens eróticas à noite, enquanto Harry trafica cocaína – mas apenas até elas decidirem fugir da cidade. O Guardian elogiou o livro; classificou as metáforas como “explosivas” e destacou o “lirismo” da história.

Editora: Casa da Palavra/LeYa Páginas: 336 páginas Preço: R$ 44,90

4 – ‘A Teus Pés’, de Ana Cristina Cesar

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O primeiro e único livro que Ana Cristina Cesar lançou em vida por uma editora, em 1982, condensa material inédito até aquele momento e publicações feitas antes de maneira independente: Luvas de Pelica (1980), Cenas de Abril (1979) e Correspondência Completa (1979). Elogiada por romper barreiras entre poema, prosa e ensaio, e o eu lírico e biográfico, Ana C. – como era chamada pelos amigos – deixou em A Teus Pés um registro de sua intimidade com as palavras e de sua escrita vertiginosa, desafiadora e direta. Um marco da poesia considerada “marginal” feita naquela época.

Editora: Companhia das Letras Páginas: 144 Preço: R$ 19,90

5 – ‘A História dos Meus Dentes’, de Valeria Luiselli

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O discreto Gustavo Sánchez Sánchez, ou simplesmente “Estrada”, quer trocar todos os dentes. Ele viaja pelo mundo aperfeiçoando habilidades que podem ajudá-lo nisso, como sua imitação da cantora Janis Joplin. O romance mostra a importância da arte em nossas vidas e da construção de nossas identidades. Entrou na lista do BuzzFeed de melhores livros de ficção de 2015.

Editora: Alfaguara Páginas: 126 Preço: R$ 34,90

6 – ‘A Guerra Não Tem Rosto de Mulher’, de Svetlana Aleksiévitch

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A jornalista bielorrussa vencedora do Nobel de Literatura de 2015 traz neste livro de não ficção relatos sobre a Segunda Guerra Mundial de um ponto de vista pouco lembrado: o das mulheres. Algumas soviéticas encararam de fato o confronto contra os nazistas – e trouxeram consigo lembranças de fome, tristeza, violência sexual e angústia, entre outras. A Guerra Não Tem Rosto de Mulher dá voz a voluntárias, enfermeiras e franco-atiradoras, por exemplo.

Editora: Companhia das Letras Páginas: 392 Preço: R$ 49,90

7 – ‘Um Caderno para Coisas Práticas’, de Annita Costa Malufe

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Em seu novo livro, Annita Costa Malufe tece com suas poesias histórias sobre o cotidiano que se interligam. Além disso, a autora dá sinais de que, como o Estadão a classificou, ela é uma “herdeira” de seu principal objeto de estudo: a homenageada da Flip Ana Cristina Cesar. Malufe também é professora universitária de literatura.

Editora: 7Letras Páginas: 104 Preço: R$ 34,90

8 – ‘Paris Não Tem Centro’, de Marília Garcia

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O novo lançamento de Marília Garcia, um dos principais nomes da poesia brasileira atual, é um longo poema que desafia as barreiras entre os gêneros de prosa e ensaio literário. Com edição artesanal limitada de 120 exemplares, a editora aposta que Paris Não Tem Centro se tornará item de colecionador.

Editora: 7Letras Páginas: 24 Preço: R$ 15 (mais…)

Pressão da sociedade civil faz aumentar número de escritoras na Flip

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Publicado no UOL

Bielorrussa Svetlana Alexievich, convidada da Flip 2016

Bielorrussa Svetlana Alexievich, convidada da Flip 2016

O número de escritoras convidadas para a 14ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) é o maior da história do evento, criado em 2003. O encontro reunirá em Paraty, no Rio de Janeiro, entre 29 de junho e 3 de julho, 22 homens e 17 mulheres no palco principal. Um avanço, se comparado ao de 2015, quando 32 homens e 11 mulheres compuseram as mesas de debate, e ao de 2014, em que apenas nove mulheres participaram do encontro, contra 38 homens.

A homenageada deste ano é a poetisa Ana Cristina Cesar (1952-83), representante da poesia marginal da década de 1970. A romancista Clarisse Lispector foi a única mulher homenageada antes dela. A principal autora da programação da Flip é jornalista bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 2015 e autora de Vozes de Chernobyl.

Apesar do aumento significativo, a Flip continua pouco inclusivo, na opinião de ativistas como a arquiteta, escritora e feminista negra Stephanie Ribeiro, ao questionar a ausência de autores negros na festa.

“Vivemos em um país em que a maioria da população é negra. Temos escritores negros maravilhosos nas várias regiões do Brasil, mas essas outras narrativas, fora do eixo Rio-São Paulo, muitas vezes são ignoradas. Entendo que existe uma necessidade comercial de chamar determinados nomes, mas é possível criar alternativas para haver mais inclusão, se não vamos trabalhar sempre com uma narrativa única”, declarou Stephanie, que também criticou o fato de que mulheres negras, quando lembradas, geralmente são limitadas a falar apenas sobre racismo no mundo literário.

“É importante fazer esse recorte, mas as mulheres negras diversas, às vezes querem escrever um romance, um livro de receitas. Para criarmos empatia, precisamos enxergar a realidade do outro e a literatura no Brasil não consegue fazer isso. Não porque as pessoas negras não estão escrevendo, mas porque o que elas estão escrevendo não tem espaço na biblioteca, na livraria, na editora e na Flip”, completou Stephanie.

A editora e cofundadora do coletivo Kdmulheres?, Laura Folgueira, reconhece o esforço da Flip, mas espera mais, bem mais. O coletivo surgiu em 2014 e fez um pequeno manifesto durante a Flip daquele ano para questionar a invisibilidade das mulheres no campo da literatura. Desde então ela e outras ativistas têm dialogado com os organizadores do evento para melhorar esse quadro.

“Do mesmo jeito que eles olharam para a questão de gênero, eles também têm que olhar para a questão de outras minorias, a racial, a LGBT, a indígena. A desculpa nos anos anteriores para o pequeno número de mulheres era de que os convites haviam sido recusados, mas é preciso ter isso como bandeira”, defendeu ela. “A representatividade é uma das formas mais palpáveis de mudar a sociedade. Uma menina negra precisa ver mulheres negras escritoras ocupando espaços de visibilidade para entender que ela também pode ocupar esse espaço. Ler Carolina Maria de Jesus, por exemplo, uma mulher negra, que morava em favela, pode ser uma micro-revolução na vida de uma pessoa, no sentido de empoderá-la a escrever”, ressaltou ela.

O curador da Flip, Paulo Werneck, explicou que a ausência de autores negros não ocorreu por falta de convites, mas admitiu que houve falha. “Fizemos vários convites, tanto nacionais como internacionais, mas não obtivemos respostas positivas. Certamente poderíamos ter feito outros convites, mas fizemos aqueles que tinham a ver com a curadoria”, disse ele ao citar alguns dos convidados, como Paulinho da Viola, Elza Soares e Mano Brown.

Flip vai homenagear a poeta Ana Cristina Cesar em 2016

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Ana Cristina Cesar é a segunda mulher a ser homenageada na Flip

 

Publicado no A Tarde [via Estadão]

Pela segunda vez em sua história, a Festa Literária Internacional de Paraty vai homenagear uma mulher. Referência entre poetas da nova geração, mas não tão conhecida do grande público, Ana Cristina Cesar (1952-1983) foi a escolhida para a edição de 2016 do evento, que será realizado entre 29 de junho e 3 de julho. Antes dela, só Clarice Lispector, em 2005.

Ana Cristina Cesar, Ana Cristina C., Ana C. tinha 24 anos quando teve poemas incluídos na antologia 26 Poetas Hoje, organizada por Heloisa Buarque de Holanda em 1976, e só três anos depois lançou Cenas de Abril, de poesia, e Correspondência Completa, de prosa, em edições de autor. Em 1982, publicou A Teus Pés, obra que abriria a lendária coleção Cantadas Literárias, da Brasiliense, que fez história ao revelar toda uma geração de escritores, como Caio Fernando Abreu, Marcelo Rubens Paiva, Reinaldo Moraes. “Ouvimos falar sobre todos eles, mas não tanto de Ana Cristina. Será a chance de corrigirmos isso”, diz Paulo Werneck, curador da Flip.

Ele conta que desde que assumiu a programação do evento, em 2014, o nome da poeta aparece durante as discussões para a escolha do escritor homenageado. “Olhando retrospectivamente, a poesia ganhou um espaço importante na Flip e só seguimos a direção que já estava sendo apontada”, comentou. Em 2013, as jovens poetas Bruna Beber, Ana Martins Marques e Alice Sant’Anna encantaram o público – e Rua da Padaria, de Bruna, chegou a ficar entre os mais vendidos durante o evento. Em 2015, a portuguesa Matilde Campilho foi o destaque e seu Jóquei foi o best-seller. Houve outros momentos importantes, e até mesmo a escocesa Jackie Key, sem nenhum poema traduzido antes ou depois da festa, causou comoção.

Leitor da poeta durante a adolescência, Werneck diz que com os preparativos da homenagem terá a chance de redescobrir seus escritos. “É uma obra curta, mas muito densa, com vigor forte e emoção. Seu aspecto confessional tem muito a ver com nossa época – e a escrita de diário, a autoficção também. Ela praticou uma escrita muito pessoal e confessional, aspectos que ganham bastante relevo hoje em dia.” O curador revela que hoje, lendo a obra de poetas brasileiros contemporâneos, vê, em cada página, o traço de Ana Cristina Cesar.

Para homenageá-la, Werneck pediu a bênção a Armando Freitas Filho, amigo pessoal da poeta e nomeado por ela como o guardião de suas caixas e de sua memória. Ana se matou aos 31, em 29 de outubro de 1983. Hoje, ela teria 63.

Armando, Heloisa, Silviano Santiago, Viviana Bosi são alguns dos nomes que devem circular por Paraty em 2016. São próximos de sua obra ou conviveram com ela. Aliás, esta é a segunda vez, também, que um autor mais contemporâneo é escolhido – o primeiro, Millôr Fernandes, até participou da festa. “Fica mais quente, mais próximo. A homenagem será centrada nos anos 1970 e 1980. Antes, ficávamos naquele miolo do século 20, o modernismo amadurecendo no Brasil”, comenta Werneck.

Na esteira da homenagem, como ocorre todos os anos, livros devem ser lançados. Seu acervo está sob os cuidados do Instituto Moreira Salles e sabe-se que há material inédito, como traduções, ensaios, etc., a ser descoberto. Para quem quer se preparar para o festival (mais…)

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