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Posts tagged Ancelmo Gois

Mesmo com a crise de Saraiva e Cultura, mercado livreiro vê faturamento crescer

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Livraria no Rio | Guito Moreto

Ancelmo Gois, em O Globo

Passada a tormenta

Mesmo com a crise das duas maiores redes de livrarias do Brasil, Saraiva e Cultura/Fnac, que atrasam pagamentos às editoras, o mercado livreiro vai muito bem, obrigado. Em abril, o crescimento foi de 13,95% no faturamento, em relação ao mesmo mês de 2017, passando de R$ 121,9 milhões para R$ 139,9 milhões.

No acumulado do ano, houve aumento de 14,22% em faturamento. Os dados são de pesquisa inédita do Sindicato Nacional dos Editores de Livros.

Ladrão de livros envia carta à Biblioteca Nacional pedindo a doação de obras para o presídio

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É muita cara de pau

Ancelmo Gois, em O Globo

Laéssio Rodrigues de Oliveira, 43 anos, o mais famoso ladrão de livros do país, enviou esta carta à Biblioteca Nacional, no Rio, solicitando a doação de exemplares à biblioteca do presídio Milton Dias Moreira, em Jacareí (SP), que, segundo ele, está “pobrezinha na oferta de obras de qualidade”.

Ex-estudante de biblioteconomia, ele foi condenado a 11 anos de prisão pelo roubo de obras raras em vários museus e bibliotecas do país, como a própria Biblioteca Nacional, em 2005.

Filme bandido…

A Ancine autorizou a captação de patrocínio de R$ 771 mil, pela Lei do Audiovisual, para a “Boutique Filmes” levar à telona a história do larápio.

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Trecho da carta enviada por Laéssio Rodrigues de Oliveira | Reprodução

Livro mais vendido durante a Flip foi ‘Na minha pele’, de Lázaro Ramos

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Lázaro Ramos, na Flip | Iberê Perissé/Flip

Lázaro Ramos, na Flip | Iberê Perissé/Flip

Ancelmo Gois, em O Globo

Fora Lima Barreto (1881-1922), claro, o autor homenageado, ninguém foi tão paparicado na Flip 2017 quanto o ator e escritor Lázaro Ramos.

É claro que o sucesso na TV Globo ajuda. Mas, por onde ele passou e falou, em três mesas diferentes, foi aplaudido e admirado. Na Livraria da Travessa, na praça da Matriz, em Paraty (RJ), o livro mais vendido nesses dias de Flip foi “Na minha pele”, de Lázaro: 1.187 cópias. Merece.

Entre os convidados estrangeiros da Flip, quem fez um baita sucesso foi Scholastique Mukasonga, nascida em Ruanda e radicada na França. Seu depoimento na Igreja da Matriz, quinta, sobre sua mãe e família durante o massacre de 1994 em seu país, no qual 800 mil pessoas foram massacradas, foi um dos pontos altos do evento literário.

Na lista dos cinco livros mais vendidos na Travessa, dois são dela: “A mulher dos pés descalços” (394) e “Nossa Senhora do Nilo” (272), ambos publicados por aqui pela Nós e traduzidos por Marília Garcia.

Lázaro Barreto

Ficção por ficção, o brasileiro prefere novela de TV a livro

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Arte | André Mello

Arte | André Mello

 

Ancelmo Gois, em O Globo

Esta semana, na famosa Feira do Livro de Frankfurt, Tomás Pereira, da editora Sextante, lamentou a baixa disseminação da ficção comercial no Brasil. A lista dos dez mais vendidos em ficção é quase sempre dominada pelos estrangeiros, ao contrário do ranking de não-ficção. “Os melhores autores brasileiros estão escrevendo novela”, afirmou. À “Folha”, o editor explicou que o Brasil não consolidou um mercado de livros de massa, e que as editoras não conseguem competir com o mercado de TV, para onde migraram autores com habilidade para serem best-sellers: “Perdemos esses autores para a dramaturgia”.

Diante do tema, o crítico e ensaísta Italo Moriconi diz que é mais fácil sair do livro para a TV do que fazer o caminho inverso. “Nenhum editor pode criar um autor, embora possa ajudá-lo a aperfeiçoar-se. Talvez o que o leitor brasileiro de best-sellers busque seja justamente a ambiência ‘americanizada’ ou ‘globalizada’ desse tipo de livro”. Italo é otimista.”Há, hoje, um potencial grande de vendagens na ficção de fantasia, na jovem, proveniente de celebridades youtubers, e nas diversas modalidades de fan fiction. O best-seller brasileiro ou sairá daí ou não sairá”. Para ele, a melhor maneira de editores criarem autores numa linha pretendida qualquer é pagando-lhes “polpudos adiantamentos”.

Beatriz Resende, outra critica literária, acha que a questão central é a falta de visibilidade, publicidade e divulgação, já que, para ela, a literatura brasileira vai muito bem. “Ela é múltipla, sintonizada com o contemporâneo e tem condições de circulação global. Tem-se renovado, com jovens autores interessantes surgindo, ao mesmo tempo em que os nossos decanos continuam excelentes. Nossa literatura tem tudo para atrair leitores de outros lugares do mundo, com autores que são, muitas vezes, pouco conhecidos entre nós”.

Já outro critico de destaque, José Castelo, prefere caminhar em outra direção. “Infelizmente, a maior parte da nova geração de ficcionistas brasileiros escreve, hoje, hipnotizada pelas seduções do mercado. O faz para se consagrar comercialmente”. Para ele, essa “literatura comercial”, como prefere chamá-la, não é um caso isolado, “mas um efeito dos tempos banalizados e obscuros em que vivemos”. Ainda assim, Castelo aponta grandes exceções como os escritores Carlos de Brito Mello, Julian Fuks e Rubens Figueiredo. “Todos movidos movidos pela ideia da resistência. Sem resistência, não há literatura que mereça esse nome”. Boa leitura.

Laurentino e seu caminho de volta para casa

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Ana Claudia Guimarães, na coluna de Ancelmo Gois

Laurentino Gomes, o escritor | Divulgação

Laurentino Gomes, o escritor | Divulgação

Laurentino Gomes, paranaense de Maringá, 59 anos, lança, na Bienal do Livro, agora em setembro, uma obra que foge completamente dos temas históricos que fizeram dele um autor de best-sellers como “1808”, no qual fala sobre a chegada da Corte portuguesa ao Brasil. Em “O caminho do peregrino”, Laurentino narra, em parceria com seu mestre espiritual, o pastor Osmar Ludovico, uma viagem que fez à Terra Santa com um grupo de brasileiros. Escreveu o livro “meio sem querer”, como ele mesmo diz: “A obra foi brotando na cabeça, com toda a estrutura.”

Católico de formação, de família conservadora, ele se afastou, durante décadas, de práticas religiosas. Mas, por “caminhos misteriosos”, segundo ele, está “voltando para casa”.

Aqui, o coleguinha Laurentino bate um papo com Ana Cláudia Guimarães, da turma da coluna.

Foi a primeira vez que você fez uma peregrinação?
Não. Antes, eu já tinha tido duas experiências. Uma delas em Roma, no dia em que os papas João XXIII e João Paulo II foram canonizados. Também fiz o Caminho de Santiago de Compostela, completamente por acaso. A data de um lançamento de um livro meu na Espanha foi adiada e me ofereceram a viagem.

Como foi sua parceria com Osmar Ludovico?
Osmar é um mentor espiritual cristão. É o meu líder espiritual. Ele faz meditações de trechos das escrituras. Quando surgiu a possibilidade de fazer um livro com Osmar, contando a minha experiência, fiquei meio amedrontado. Tive medo da reação das pessoas. Mas, depois, comecei a sonhar com o livro, e tudo ficou claro em minha cabeça. Foi uma alegria.

A capa do novo livro de Laurentino | Reprodução

A capa do novo livro de Laurentino | Reprodução

De que fala “O caminho do peregrino”?

É um livro que também mistura o meu trabalho como pesquisador. Fizemos observações da arqueologia de Israel, do Império Romano. Falamos sobre como era Israel no tempo de Jesus, sobre a geografia da Terra Santa, um simbolismo espiritual. O interessante é que não é possível se comprovar cientificamente algo que brota do coração das pessoas.

Qual é o resultado dessa peregrinação para você?
O peregrino é diferente do turista. O turista olha para fora, mobilizado pela paisagem, quer consumir o que vê. O peregrino olha para dentro, para ter uma revelação que está escondida em seu coração, um silêncio. O livro não tem como propósito ser um relato de viagem. É uma crônica de uma peregrinação. Como disse Leonardo Boff para mim, uma vez, descobri que Deus é mais para ser sentido do que para ser pensado. É uma dimensão inexplicável, misteriosa. Fui redescobrindo um significado escondido na minha infância. Eu seguia os meus pais, mas não entendia. Agora, tocou o meu coração. Não dá para explicar com palavras. É uma volta para casa.

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