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Maior biblioteca pública da Europa tem 10 andares, jardim suspenso e wi-fi

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Publicado no UOL

http://imguol.com/c/entretenimento/2013/09/18/fachada-da-maior-biblioteca-publica-da-europa-em-birmingham-com-wi-fi-gratuito-em-seus-10-andares-e-jardins-suspensos-o-predio-faz-parte-do-plano-de-renovacao-da-segunda-maior-cidade-1379473483953_956x500.jpg

Esqueça a imagem de livros de páginas amareladas, acumulados em prateleiras poeirentas. Combinando arquitetura, inovações e raridades shakespearianas, a maior biblioteca pública da Europa em número de visitantes redefine o conceito de local de conhecimento.

Localizada a cerca de 2 horas de Londres, a nova biblioteca de Birmingham deve atrair 3,5 milhões de frequentadores por ano, de acordo com as expectativas da organização. Com wi-fi gratuito em seus 10 andares e jardins suspensos, o prédio faz parte do plano de renovação da segunda maior cidade inglesa, mas já serve como referência a outras grandes bibliotecas no velho continente.

O UOL visitou o local, inaugurado no dia 3 de setembro pela jovem paquistanesa Malala Yousafzai. A ativista, que foi levada para Birmingham para receber tratamento após ser baleada pelo Talibã por defender a educação de meninas em seu país, mora atualmente na cidade.

Em um momento em que o governo britânico tem fechado bibliotecas públicas pelo país, abatidas pela recessão, os números estimados para o espaço impressionam.

O prédio de 31 mil metros quadrados foi projeto por arquitetos holandeses para abrigar um milhão de volumes impressos – o maior acervo público no Reino Unido. Desses, 400 mil estão disponíveis para o público.

Conforme o diretor, Brian Gambles, o projeto totalizou £ 188,8 milhões (cerca de R$ 680,95 milhões) – £ 4,2 milhões (R$ 15,15 milhões) a menos do que o orçado.

“É sobretudo um local de transformação: sobre como temos transformado a vida das pessoas, com educação, e sobre como tornar uma biblioteca para a era digital”, ressalta.

Após passar cinco anos trabalhando no projeto, a arquiteta Francine Houben, do escritório holandês Mecanoo, conta que tentou refletir no prédio uma cidade de população jovem e multicultural. Sua obra foi criada para desenvolver os sentidos.

“É uma ode ao círculo”, explica Francine, em referência às formas circulares de diferentes elementos do edifício, como a rotunda de livros, que compreende três andares e conta com luz natural.

Não é apenas a leitura que deve atrair cerca de 10 mil visitantes por dia: o local inclui dois jardins suspensos, anfiteatro ao ar livre, área musical, biblioteca infantil e espaços para estudos com diferentes configurações, entre outros.

“Cada biblioteca é diferente. O que é único na de Birmingham é seu acervo e seu patrimônio”, ressalta a arquiteta, que deve ir a São Paulo no final de outubro para uma palestra.

Área dedicada a Shakespeare tem 43 mil livros, incluindo as quatro primeiras coleções publicadas das peças teatrais do autor (conhecidos como “Folios”) e edições raras de obras individuais impressas antes de 1709

Shakespeare no topo

A biblioteca de Birmingham conta com uma das maiores coleções de William Shakespeare no mundo. O dramaturgo inglês – nascido em Stratford-Upon-Avon, cidade na mesma região inglesa – é homenageado em um espaço histórico, remontado no topo do moderno edifício.

A sala fazia parte originalmente da segunda biblioteca da cidade, inaugurada em 1882 (após um incêndio ter destruído o primeiro prédio). Em estilo vitoriano, com painéis de madeira e gabinetes de vidro, ela foi removida inteiramente e restaurada.

Apesar de a coleção shakespeariana ter se tornado maior do que a capacidade da sala já no início do século 20, ela ainda está abrigada no prédio. São 43 mil livros, incluindo as quatro primeiras coleções publicadas das peças teatrais do autor (conhecidos como “Folios”) e edições raras de obras individuais impressas antes de 1709.

As prateleiras do espaço também dispõem de outros importantes acervos, que passam por digitalização para ser disponibilizado ao público. Alguns podem ser conferidos em mesas com touch screen, desenvolvidas especialmente para a biblioteca.

Uma das preciosidades é o arquivo da empresa Boulton & Watt, o mais importante da Revolução Industrial, com cerca de 29 mil desenhos industriais da época.  No catálogo online, há menção da venda de uma máquina a vapor para a cunhagem de moedas para o Brasil, em 1811.

Entre as mais de 8,2 mil publicações datadas antes de 1701, estão três livros impressos em 1479 pelo primeiro gráfico inglês, William Caxton, em perfeito estado. A edição do “Birds of America” (“Aves da América”), publicado pelo naturalista John James Audubon na primeira metade do século 19, figura entre os mais caros do mundo devido sua raridade e é um dos destaques.

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Além disso, a biblioteca pública de Birmingham é a única no Reino Unido a ter uma das coleções nacionais de fotografias, com mais de 3,5 milhões de imagens.

Em outubro, o espaço deverá receber escritores renomados como Lionel Shriver (autora de “Precisamos Falar sobre Kevin” e “O Mundo Pós-Aniversário”) e Carol Ann Duffy (escritora e poetisa escocesa, primeira mulher a ser indicada como “Poeta Laureado” do Reino Unido) durante o festival de literatura de Birmingham.

A expectativa é que a biblioteca se torne um novo destino turístico na região central da Inglaterra.

Fungos ameaçam acervo da Biblioteca Mário de Andrade em SP

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Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

Parte do acervo da Biblioteca Mário de Andrade, o segundo maior do país, está infestado por fungos. O problema foi diagnosticado menos de dois anos após o encerramento de uma extensa reforma em seu prédio principal, ocorrida entre 2007 e 2011.

Levantamento interno feito entre dezembro de 2012 e fevereiro deste ano constatou que ao menos 15 dos 22 andares com acervo na torre principal da biblioteca, no centro de São Paulo, foram atingidos em alguma medida.

Foram 18 mil livros -incluindo raros, mais antigos- afetados, dentre os cerca de 340 mil que ficam nesses andares. No total, a biblioteca tem 7 milhões de itens, considerando livros, periódicos, mapas, fotos e documentos.

A questão foi identificada no ano passado por Maria Christina Barbosa de Almeida, que dirigiu a biblioteca no segundo mandato de Gilberto Kassab (PSD) na Prefeitura de São Paulo -gestão que iniciou a reforma na biblioteca.

Sala de periódicos da biblioteca, aberta ao público - Ze Carlos Barretta/Folhapress

Sala de periódicos da biblioteca, aberta ao público – Ze Carlos Barretta/Folhapress

Em março, ao passar o bastão para o novo diretor, o professor da USP Luiz Bagolin, ela entregou relatório apontando problemas na climatização. Indicado por Juca Ferreira, secretário de Cultura na gestão Fernando Haddad (PT), Bagolin assumiu o cargo oficialmente há um mês.

“A ocorrência chama a atenção. Não deveria haver fungos, já que o sistema é climatizado”, disse ele à Folha.

Os fungos resultaram de uma umidade acima do ideal nos andares climatizados -chegando a superar os 60%, quando o recomendado para acervos bibliográficos é 45%.

Como quase todos os R$ 7 milhões do orçamento de 2013 da instituição já estavam empenhados quando Bagolin assumiu, foi necessário um adendo de R$ 400 mil para a higienização e restauro. O trabalho, já iniciado, deve durar de seis meses a um ano.

Nenhum livro chegou a se perder, segundo a instituição, mas volumes infectados ficam inacessíveis ao público, já que têm potencial para causar doenças, e podem ficar deformados.
Procurada para comentar o caso, a ex-diretora Maria Christina preferiu repassar à Folha o relatório que entregou a Bagolin em março.

O texto informa que, até 2007, só os cinco primeiros andares da torre, inaugurada em 1942, eram climatizados. Nunca haviam sido identificados fungos, embora uma infestação por brocas tenha atingido o acervo em 2006.

O sistema de ar condicionado começou a ser instalado em 2008 e a funcionar no segundo semestre de 2011. Entre projeto, instalação e manutenção, três empresas se envolveram no processo.

No início de 2012, foram percebidas deformidades em livros, causadas por fungos. Medidas como higienização e troca de equipamentos foram tomadas, mas no final do ano a situação se agravou.

Em maio deste ano, a biblioteca contratou o Instituto de Pesquisas Tecnológicas para diagnosticar os fungos; agora, especialistas buscam a origem do problema.

“Não sabemos se o projeto de ar condicionado está inadequado; se está adequado, mas a instalação teve problemas; ou se o projeto está adequado, a instalação está adequada e alguma coisa se desregulou”, diz Bagolin.

Segundo ele, como a SP Obras fiscalizou a instalação em 2011, as empresas envolvidas não têm responsabilidade legal sobre o sistema.

O diretor lembra que a Mário de Andrade está de longe em condições melhores que a maior biblioteca do país, a Fundação Biblioteca Nacional, do Rio. Para ele, os fungos refletem um problema crônico nacional. “O Brasil engatinha no que diz respeito à preservação de acervos.”

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

DIGITALIZAÇÃO

A questão da preservação inclui a digitalização, em relação à qual Bagolin tem visão diferente da gestão anterior. Em vez de terceirizar o serviço, como vinha sendo feito, ele vem organizando um setor interno, para o qual contratou três funcionários.

“Temos 2.000 itens digitalizados num acervo de 7 milhões. Vejo no setor interno não só o serviço da digitalização, mas a aquisição de conhecimento e a chance de desenvolver pesquisa”, diz.

Para 2014, a meta é comprar equipamentos básicos, que devem custar R$ 800 mil.

Outros mais caros, como robôs que viram as páginas sozinhos -como na Biblioteca Mindlin, atual parceira da Mário de Andrade na digitalização-, não são prioridade, já que obras raras têm de ser digitalizadas primeiro e suas páginas precisam ser viradas manualmente.

Outra meta é criar uma sala para crianças, hoje inexistente na instituição. O projeto, estimado em R$ 400 mil, será apresentado em outubro, em evento sobre políticas públicas para a infância.

É claro que as ideias dependem da boa vontade da atual gestão no município. Em 2012 e 2013, a BMA teve orçamentos de, respectivamente, R$ 6 milhões (após projetar R$ 11 milhões) e R$ 7 milhões (após projetar R$ 13 milhões). Para 2014, a meta é conseguir R$ 20 milhões.

RAIO-X LUIZ BAGOLIN

Bagolin, novo diretor da BMA - Eduardo Anizelli/Folhapress

Bagolin, novo diretor da BMA – Eduardo Anizelli/Folhapress

Origem
Nasceu em 1964, em Ribeirão Preto (SP)

Formação
Artista plástico, com mestrado e doutorado em filosofia pela USP

Carreira
Professor e pesquisador do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP)

Philip Roth: “A cultura literária acabará em 20 anos”

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O escritor americano afirma que a tecnologia deverá acabar com o livro em papel e que a literatura tende a perder a influência na formação dos jovens

Luís Antônio Giron, na Época

CONSAGRADO O autor Philip Roth em Nova York, em 2010 (Foto: Steve Pyke/ContourPhotos/Getty Images)

CONSAGRADO
O autor Philip Roth em Nova York, em 2010 (Foto: Steve Pyke/ContourPhotos/Getty Images)

O edifício Austin, com seus 20 andares, fica a um quarteirão do museu de História Natural de Nova York. O porteiro indica o elevador que leva ao 12° andar. Ali, à porta de um apartamento despojado, com vista para a região plana e repleta de prédios do Upper West Side de Manhattan, uma criatura mitológica dá boas-vindas. “Entre, por favor!”, diz Philip Roth, sorrindo. Ele é mais simpático do que se esperaria do criador de personagens beligerantes, frequentemente à beira do desvario. Tampouco lembra o fauno lúbrico descrito pelas feministas. Magro, alto e em forma, Roth tampouco parece um verbete da enciclopédia do romance. Aos 80 anos, 54 de carreira, ele é tido por críticos respeitados como o maior escritor vivo e figura há décadas na lista de possíveis ganhadores do Prêmio Nobel. É o único autor vivo a merecer a edição de suas obras na editora The Library of America, dedicada a escritores consagrados. Roth chegou a declarar que não escreveria mais. Nesta entrevista a ÉPOCA, no entanto, diz por que mudou de ideia e já está pensando numa novela em um gênero que jamais praticou: o fantástico.

ÉPOCA – Não há nenhum computador nesta sala. O que o senhor pensa sobre os avanços tecnológicos como tablets e e-readers? Eles melhoram a compreensão do mundo?
Philip Roth –
Não sou fanático por tecnologia. Tenho o mesmo telefone celular há anos e não pretendo trocá-lo. Escrevo em computador, como fiz antes com a máquina de escrever. É óbvio que as máquinas facilitam a finalização de um texto. Só que as coisas estão se transformando muito rapidamente para meu gosto. Não consigo achar graça em ler livros em formato eletrônico em e-reader. Outro dia passei numa loja Apple com a forte disposição de comprar um iPad. Cheguei lá, vi tanta gente se acotovelando para ver como funcionava o aparelho e cheguei a testá-lo. Acabei desistindo. Não sei por que, mas o iPad não me convenceu, talvez porque pareça chato escrever nele, e ler nele é dispersivo. Quem vai conseguir ler um livro inteiro meu naquele tablet? É mais um totem do culto à tecnologia. Hoje, toda a cultura se encontra a nossa disposição. E isso me preocupa. A cultura literária como conhecemos vai acabar em 20 anos. Ela já está agonizando. Obras de ficção não despertam mais interesse nos jovens, e tenho a impressão de que não são mais lidas. Hoje, a atenção é voltada para o mais novo celular, o mais novo tablet. Daqui a poucas décadas, a relação do público e do escritor com a cultura será muito diferente. Não sei como será, mas os livros em papel vão acabar. Surgirá outro tipo de literatura, com recursos audiovisuais e o que mais inventarem.

ÉPOCA – Sua trajetória foi ascendente, de um autor quase maldito de O complexo de Portnoy, de 1969 – que era lido pelos meninos como eu como uma iniciação aos segredos do sexo –, ao mestre canonizado dos romances filosóficos, que tratam da velhice e da morte. O que mudou em sua vida nestes 42 anos?
Roth –
Não sei, você sabe? O que terá sido? No tempo de O complexo de Portnoy, muita gente disse que eu tinha inventado a masturbação! Quanto à consagração, a vida e a atividade literária se confundem. Para mim, escrever foi sempre a prioridade. Foi um caminho natural, de juventude, amadurecimento e velhice. Talvez o mundo tenha ficado mais parecido comigo. Hoje, ninguém precisa ler meus livros atrás de nenhuma técnica sexual! (risos)

ÉPOCA – O senhor tem milhares de fãs jovens no Brasil, obviamente não mais por causa dos métodos de masturbação de Portnoy.
Já pensou em visitar o país e se encontrar com seus leitores?
Roth –
Já fui convidado a participar de eventos literários no Brasil. Gostaria de ir, mas recusei muitas vezes, pois na minha idade não tenho mais ânimo para viajar. Em junho, me convidaram para ir a Londres receber o Man Booker Prize. Agradeci e disse que não poderia ir. A organização gravou um vídeo com uma mensagem minha, e tudo correu muito bem. Não pretendo mais fazer viagens fora dos Estados Unidos. Aliás, minhas viagens têm sido entre minha casa de campo, em Warren, Connecticut, e Nova York. Gosto dessa rotina segura.

ÉPOCA – Que referências o senhor tem do Brasil?
Roth –
Infelizmente não conheço nada do país nem de sua cultura. Nunca ouvi falar de um autor brasileiro atual. Não tenho nenhum contato por lá. Nem sei nem o nome de meu editor em São Paulo. Você sabe que li um único autor brasileiro? É a imagem que tenho do Brasil. Não me recordo do nome dele, mas é um romance irônico, de narrativa descontínua, sobre um homem morto que conta suas paixões e confusões em primeira pessoa. Adorei…

ÉPOCA – É Memórias póstumas de Brás Cubas, publicado aqui sob o título de Epitaph for a small winner. O autor é Machado de Assis.
Roth –
Isso! Alguns amigos meus como (o crítico inglês) John Gledson me recomendaram a leitura, e gostei demais. Outro amigo, o crítico Harold Bloom, colocou o livro entre os maiores exemplos do cânone ocidental e chamou Machado de Assis de gênio. Como não conheço outros livros dele, não sei dizer. Ele me parece bastante influenciado por Tristram Shandy (romance do irlandês Laurence Sterne). Mas com uma abordagem menos pilhérica, mais consistente e aforística. Acho que deveria ler mais autores brasileiros. Ler é o que mais gosto de fazer, além de ouvir música e nadar.

ÉPOCA – O que o senhor tem lido ultimamente?
Roth –
Estou num momento da vida em que ler significa reler. Permaneço no século XVIII!(risos) Releio clássicos. Mas, de uns meses para cá, parei de ler ficção. Leio história, sobretudo livros que tratam de meus tempos de menino, o período da Segunda Guerra Mundial, que vivi em Newark, (cidade vizinha a Nova York), onde nasci. Eu não tinha a dimensão dos fatos. Os historiadores me ajudam a entender aqueles tempos. Sou fascinado pela era Roosevelt, e há ensaios e estudos recentes sobre o período – parecido com o atual, com os problemas da recessão econômica. Um livro que me impressionou foi O jovem Stálin, de Simon Sebag Montefiore. Ele traça um perfil aterrador do futuro ditador russo. Stálin é tão mau que faz Ivan Karamázovi parecer uma criança de jardim de infância.

ÉPOCA – Seus pais eram judeus, filhos de imigrantes da Europa Central. O senhor manteve tradições como o hebraico e o ídiche e o culto a símbolos religiosos?
Roth –
Não. Meus pais eram cidadãos americanos pragmáticos. Eles criaram a gente sem obrigações religiosas. Fiz meu bar mitzvah aos 13 anos, mas desde então nunca mais entrei numa sinagoga! Nunca entendi uma só palavra em hebraico que tive de recitar na ocasião e até hoje não sei o que o rabino disse naquele dia. Não sou religioso nem mantenho em casa símbolos judaicos. Os judeus americanos de minha geração não sentiram o fardo da tradição. Ser judeu em Nova York hoje é uma espécie de modo de vida cultural. Meus livros trazem personagens que carregam a tradição de forma bem mais pesada do que eu.

“Não sou religioso nem mantenho
em casa símbolos judaicos.
Os judeus americanos de
minha geração não sentiram
o peso da tradição”

ÉPOCA – Muitos de seus livros se passam em Newark. Quanto de realidade contêm suas tramas?
Roth –
Retirei muitos dos personagens e das situações do ambiente da Newark dos anos 1940 e 1950. Mas nem tudo em minha obra é Newark, como dizem alguns críticos. Como escritor, misturo várias referências – inclusive geográficas.

ÉPOCA – A moralidade e a mortalidade são os temas centrais de sua obra?
Roth –
Em minhas histórias, a trama conduz a determinado tipo de problema moral. Os personagens caem sozinhos nas armadilhas de seus destinos. Não sou assombrado por dilemas morais nem temo a esperada vitória da morte. Mas o fato de ter perdido amigos aparece em meus livros. Há um ano morreu o mais brilhante de todos, John Updike. Perdi parentes, amores, amigos. A impressão é de que meu mundo está encolhendo. Não há como não se entristecer.

ÉPOCA – Apesar da fama de eremita, o senhor parece cercado de gente…
Roth –
Sim, meus melhores amigos são colegas de profissão. Sou próximo a Joyce Carol Oates, Don DeLillo e Doctorow. Procuro manter uma vida social ativa, na medida do possível, já que decidi viver a maior parte do tempo no interior. Quando estou em Nova York, como você está vendo, todo mundo me liga para marcar encontros.

ÉPOCA – Como é seu dia a dia?
Roth –
Acordo cedo, escrevo no computador, saio, converso com os vizinhos de Warren e vou nadar. Nado cinco vezes por semana: nado crawl e costas. Aqui, frequento uma piscina no centro da cidade. Nadar para mim não melhora só a musculatura. Nadar me faz pensar, me obriga a refletir sobre o que estou fazendo. Já inventei muitas histórias debaixo d’água! Depois de nadar, almoço, volto a escrever até cansar. Aí ouço música, vejo um filme e vou dormir.

ÉPOCA – Qual é seu método para criar uma história?
Roth –
Não monto um esquema como alguns autores. Sou intuitivo. Começo com uma ideia e vou testando para ver se ela gera uma ação. Os personagens ganham vida, e o livro toma corpo. Minhas histórias surgem da surpresa da escrita.

ÉPOCA – Quais escritores mais o influenciaram?
Roth –
Depende da idade. Aos 10 anos, lia um autor que me marcou: Thomas Wolfe. Foi um grande contador de histórias – e seus romances me ensinaram o valor da ação, da reviravolta e da veracidade dos personagens. Aos 20, fiquei fascinado pela ideia do grande romance americano. Com as obras de Theodore Dreiser e Henry James, aprendi a lidar com vários planos narrativos. Em 1953, aos 30, descobri As aventuras de Augie March, de Saul Bellow. Ele abriu o caminho para mim. Meu estilo não tem a ver com o de Bellow, seu humor é mais corrosivo. Mas ele me inspirou, pois mostrou que o mundo judaico americano podia atingir a universalidade.

ÉPOCA – Cite escritores inócuos em sua formação.
Roth –
John Cheever, com seus dramas suburbanos, criou uma obra maravilhosa, fui amigo dele, conversamos muito, mas em nada me afetou. Há também Jack Kerouac. Os livros dele têm sido supervalorizados. Ele nunca passou de um narrador banal, um eterno adolescente.

ÉPOCA – Os críticos europeus denunciam o isolamento cultural da ficção americana. O senhor concorda com a análise?
Roth –
Não. O que vejo é surgir um bom romance americano a cada semana. Só para mencionar meus amigos, há a Joyce Carol Oates e DeLillo. Entre os novos, Nicole Krauss tem produzido romances excelentes, como Great house. E Mollly Molloy, autora de El Sicario. A ficção americana cresce nos momentos difíceis.

ÉPOCA – O senhor anunciou que não vai mais escrever. É verdade?
Roth –
Sinto desapontá-lo, mas tive de rever meu anúncio. Por sugestão de uma amiga, já estou trabalhando numa novela curta fantástica, com figuras mitológicas. É só o que tenho a dizer por enquanto.

30 bibliotecas famosas mundo afora

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Conheça verdadeiros paraísos para quem é fã de literatura

Lorena Dana, no Superinteressante

BIBLIOTECA DO CONGRESSO – É a instituição cultural mais antiga dos Estados Unidos. Possui mais de 140 milhões de itens. Está localizada no Distrito de Columbia.

Foto: Getty Images

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BIBLIOTECA NACIONAL MARCIANA – Não, não fica em outro planeta. Esta é a principal biblioteca de Veneza, na Itália. Foi dedicada ao padroeiro da cidade, São Marcos. É conhecida por abrigar mais de 13 mil manuscritos!

Foto: Flickr / senex_magister26

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BIBLIOTECA GEORGE PEABODY – Fundada no século 19, possui mais de 300 mil itens. Está localizada em Baltimore, Maryland (EUA).

Foto: Flickr/ n_s_gittings

Foto: Flickr/ n_s_gittings

BIBLIOTECA DO MOSTEIRO BENEDITINO DE ADMONT – Construída no século 18, é a maior biblioteca monástica do mundo, com mais de 70 mil volumes e 1400 manuscritos. Está localizada na região central da Áustria.

Foto: Getty Images

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BIBLIOTECA CENTRAL DE SEATTLE (EUA) – O prédio feito de vidro e aço tem 11 andares e pode comportar até 1,4 milhão de livros. Foi inaugurada em 2004.

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BIBLIOTECA JOANINA – É uma biblioteca do século 18, situada na Universidade de Coimbra, em Portugal. É conhecida por seu estilo rococó. Possui mais de 70 mil volumes.

Foto: Flickr / 8724323@N06

Foto: Flickr / [email protected]

BIBLIOTHECA AUGUSTA – Foi fundada em 1573, em Wolfenbüttel, na região central da Alemanha. Tem mais de 900 mil livros, incluindo importantes obras da Idade Média.

Foto: Wikimedia Commons

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BIBLIOTECA DO MONASTÉRIO DE STRAHOV – Construída no século 17, tem dois salões principais: o teológico e o filosófico. Guarda mais de 400 mil volumes.

Foto: Wikimedia Commons

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BIBLIOTECA DO PARLAMENTO – Fundada no início do século 18, foi parcialmente destruída pelo fogo em 1906. Tem mais de 600 mil volumes e 300 funcionários. Localiza-se em Ottawa, no Canadá.

Foto: Getty Images

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BIBLIOTECA DA ASSEMBLEIA NACIONAL – Possui itens raríssimos, como as minutas do processo de Joana D’arc e manuscritos originais de Jean Jacques-Rousseau. Está localizada no Palais Bourbon, em Paris (França).

Foto: Getty Images

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