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Bob Dylan, finalmente, recebe o Nobel de Literatura na Suécia

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O Nobel de Literatura para Bob Dylan foi anunciado em outubro de 2016 (foto: PHILIPPE LOPEZ/AFP)

O Nobel de Literatura para Bob Dylan foi anunciado em outubro de 2016 (foto: PHILIPPE LOPEZ/AFP)

 

Academia confirmou que prêmio foi entregue ao músico, que fez apresentações em Estocolmo, agendadas previamente ao anúncio de sua vitória, em outubro passado

Publicado no UAI

Após meses de suspense, Bob Dylan finalmente recebeu, neste sábado, seu Nobel de Literatura em uma reunião com a Academia Sueca, que lhe concedeu o prêmio por sua poesia.

Como Thomas Mann, Albert Camus, Samuel Beckett, Gabriel García Márquez e Doris Lessing, o cantor e compositor americano, de 75 anos, entrará no panteão dos homens e mulheres de letras que foram recompensados pela Academia Sueca desde 1901.

Mantida em segredo até o final, a entrega do prêmio foi confirmada na noite de sábado, 1, por um dos membros da Academia, Horace Engadahl, que não deu detalhes. “Sim”, respondeu Engdahl à rede de televisão pública SVT, que lhe perguntou se Dylan tinha recebido o prestigioso prêmio, que foi anunciado em outubro passado.

No entanto, não foram explicadas as circunstâncias exatas da entrega da medalha e do diploma do prêmio, nem se esta ocorreu antes ou depois do show de Dylan no sábado na capital sueca.

O mistério permanece em torno ao discurso de aceitação, que poderia ser uma canção, e que tem que ser pronunciado por todos os premiados no período de seis meses após a cerimônia de entrega, neste caso antes de 10 de junho.

“A Academia Sueca e Bob Dylan concordaram em se reunir neste fim de semana. A reunião será pequena e íntima e nenhum meio estará presente, só comparecerão Bob Dylan e os membros da Academia, conforme o desejo de Dylan”, escreveu a secretária permanente da Academia, Sara Danius, em seu blog.

“Não se pronunciará nenhum discurso Nobel. A Academia tem razões para pensar que posteriormente será enviada uma versão gravada”, acrescentou Danius. Este discurso é o único requisito para receber as oito milhões de coroas (839.000 euros, 870.000 dólares) que acompanham o prêmio.

Bob Dylan tinha previsto realizar dois shows em Estocolmo, no sábado e no domingo, para iniciar uma turnê europeia com ocasião do lançamento do seu novo trabalho, “Triplicate”, um disco triplo de versões de canções de Frank Sinatra.

Pouco antes do show de sábado, às 19H30 (14H30 de Brasília), seus fãs começavam a encher as imediações do Stockholm Waterfront, onde a apresentação seria realizada.
Ylva Berglof, redatora de 62 anos, ia ver o cantor nos palcos pela 18ª vez. “Merece [o Nobel], apesar de eu achar que ele não administrou bem isso. Poderia ter mostrado mais gratidão”, disse.

“Arrogância”

Em uma escolha inesperada, que gerou indignação em algumas pessoas, Bob Dylan, cujo nome verdadeiro é Robert Allen Zimmerman, foi premiado em outubro por criar “novos modos de expressão poética dentro da grande tradição da música americana”, segundo o anúncio da Academia.

O compositor de “Blowing in the Wind” e “Mr. Tambourine Man” é o primeiro músico a receber o prestigioso prêmio. Seu nome, como o do canadense Leonard Cohen, falecido em novembro, figuravam com frequência entre os possíveis candidatos.

Enquanto os críticos mais puristas esperavam que o prêmio fosse para seus compatriotas Philip Roth ou Don DeLillo, a secretária permanente Sara Danius sempre defendeu a escolha da Academia, inscrevendo a poesia cantada de Dylan na tradição de Homero.

Após o anúncio, Bob Dylan ficou em silêncio, o que aumentou a polêmica. Um dos notáveis da Academia, Per Wästberg, chegou a criticar sua “arrogância”. Durante o banquete de entrega dos prêmios, em 10 de dezembro, foi a embaixadora dos Estados Unidos na Suécia que leu seu discurso de agradecimento, no qual afirmava que não podia acreditar que seu nome figurava ao lado de autores como Rudyard Kipling (1907) e Ernest Hemingway (1954).

“Esses gigantes da literatura cujas obras são ensinadas na sala de aula, abrigadas em bibliotecas ao redor do mundo e das quais se fala em tons reverentes, sempre me impressionaram profundamente”, disse então.

Para Martin Nyström, crítico musical do jornal Dagens Nyheter, o músico “tem uma agenda incrível. É um artista, escreve livros, textos, música e está em turnê com a sua banda sem parar”.

Nesta sexta-feira, o cantor, natural de Minnesota (norte dos Estados Unidos), publicou um álbum triplo, “Triplicate”, onde presta uma homenagem à idade de ouro da composição americana, com versões de clássicos dos anos 1940 e 1950.

Anúncio no RS: Parecia declaração de amor, mas era trabalho da faculdade

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Anúncio de venda de anel que viralizou no Facebook era um trabalho de faculdade

Anúncio de venda de anel que viralizou no Facebook era um trabalho de faculdade

Lucas Azevedo, no UOL

“Ela disse não” — e´esse o título de um classificado curioso que foi publicado na edição impressa do jornal gaúcho Zero Hora na manhã da última quinta-feira (17). Com um “textão”, o anunciante de Porto Alegre (RS) colocava à venda um anel de ouro 18K.

Segundo o autor do anúncio, a anel era o que havia restado do pedido de casamento que ele descreve com riqueza de detalhes.

O próprio jornal compartilhou uma foto do anúncio em suas redes sociais e a história viralizou no Facebook. Ao final da quinta-feira, os jornalistas do Zero Hora publicaram a “real história”: não era o triste relato de uma desilusão amorosa, mas um trabalho de faculdade.

O autor é o mestrando em Letras da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) Samir Arrage. E a publicação, um experimento para a disciplina de literatura comparada, do mestrado em escrita criativa.

Até a manhã desta sexta (17), mais de 800 e-mails enchiam a caixa do e-mail divulgado para entrar em contato com o dono do anel.

ela disse não

Bem casado e com filho a caminho

“Tive a ideia de veicular esse miniconto de ficção, que nada tem a ver com minha história pessoal, como forma de experimentar a literatura invadindo outros espaços [o da publicidade em jornal]”, conta Arrage.

Samir é “bem casado”, e sua mulher está grávida do primeiro filho do casal.

“Desenvolvi um trabalho em que escrevi pequenos contos e, um deles, fiz tragicômico, parodiando a linguagem de um anúncio de classificados”, explica o publicitário, que não esperava tamanha repercussão com a iniciativa.

Das correspondências recebidas, muitas pessoas se interessaram pelo negócio e solicitam mais informações sobre o anel à venda, outros se compadecem pelo sofrimento do personagem.
‘Tu merece coisa melhor’

“A maioria dos e-mails é em um tom de ‘ah, tu merece coisa melhor, bola pra frente’. Muita gente consolando”, conta o publicitário. Ele conta que algumas mensagens pareciam paquera, elas sugeriam: “vamos conversar mais…”

“Não foi pensado nem proposital. Esperava receber meia dúzia de e-mails e anexar no final do trabalho da faculdade”, diz.”Até brinquei que nunca mais algo que eu escrever vai ter tanta gente lendo.”

Veja o texto na íntegra:

ELA DISSE NÃO

VENDE-SE anel de ouro 18k c/ brilhante, s/ uso, única (possível) dona declinou. Acendi velas, forrei o piso c/ pétalas (vermelho metálico) preparei talharim à carbonara (receita copiada da internet). Operei o saca-rolhas, servi 2 taças com malbec (argentino). Jazz (instrumental/americano) ao fundo. Antes da sobremesa: encostei joelho (direito) no piso soterrado por flores. Destampei o casulo aveludado. Proposta feita. Ao que parece, oportunidade única, p/ ela, nunca foi. Lacrimejou/berrou/culpou a rotina (1 clichê). C/ apenas 8 meses de uso, fui substituído por 1 rapazote 0km. 1 estagiário de Direito, 23 anos (revisado em rede social). Colega de trabalho, mais potência, 6 gomos no abdômen. Em péssimo estado, busco, ao menos, recompensa financeira. Voltei a fumar (clichê, 2). Bem que mamãe (falecida, 3 anos) sempre avisava: as coisas do coração não têm pisca-pisca. Enfim, negocia-se. Aceitamos ofertas/trocas/ombro amigo e histórias a combinar c/ essa. Envie p/: [email protected]

Glossário diferenciado

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Gregorio Duvivier, na Folha de S.Paulo

Outro dia vi um anúncio de alguma coisa que não lembro o que era (como vocês podem deduzir, o anúncio era péssimo). Lembro apenas que o produto era diferenciado, funcional e sustentável. Pensando nisso, fiz um glossário de termos diferenciados e suas respectivas funcionalidades.

Agregar: o verbo agregar, antes transitivo, destransitivou-se. O que antes pedia um objeto, agora dispensa complementos. Diz-se: esse conceito é bom porque agrega. Agrega o que? Valor, claro. Agregar é uma palavra que encarece.

Conceito: ideia que agrega.

Consciente: outra palavra que perdeu transitividade. O consciente intransitivo designava aquele que não estava inconsciente, isto é, que estava acordado. Hoje, quando se fala em consumidor consciente, não está se falando do consumidor acordado mas daquele que tem consciência de algo. Embora esse algo não esteja especificado, pressuponha que seja a “sustentabilidade”.

Diferenciado: um adjetivo que define um substantivo mas também o sujeito que o está usando. Quem fala “diferenciado” poderia falar “diferente”. Mas escolheu uma palavra diferenciada. Porque ele quer mostrar que ele próprio é “diferenciado”. Essa é a função da palavra “diferenciado”: diferenciar-se. Por diferençado, entenda: “mais caro”. Estudos indicam que a palavra “diferenciado” representa um aumento de 50% no valor do produto. É uma palavra que faz a diferença.

Funcional: algo que funciona. Ou faz funcionar. Ou tem alguma função no mundo. Mesmo que, no fundo, tudo tenha uma função no mundo. Esse adjetivo, por exemplo, tem como função encarecer o substantivo. Por “suco funcional” entenda: “suco mais caro”. Estudos indicam que a palavra funcional incrementa em 80% o valor de um produto.

Funcionalidade: função especialmente funcional.

Posicionamento: posição especialmente diferenciada.

Sustentável: a palavra “sustentável” está por toda parte. Na prática, o selo “sustentável” por si só não quer dizer nada e pode ser usado por qualquer siderúrgica, desde que ela se sustente. A palavra ecologicamente, que deveria acompanhá-la, foi convenientemente esquecida. Prefira palavras menos escorregadias, como: não-poluente ou sem agrotóxicos. A função da palavra sustentável, assim como de todas as palavras acima, é uma só: agregar. O que? Valor, claro. Sugiro uma nova tradução da obra de Milan Kundera: a sustentável leveza do ser. Vai vender que nem água funcional.

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