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A mulher que comoveu o Afeganistão com determinação para estudar

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A afegã Jahantab Ahmadi Imagem: Reprodução/Facebook

Publicado no UOL

Em um país no qual as mulheres geralmente aparecem no noticiário devido a mortes e violência, a imagem de uma mãe sentada no chão com uma criança no colo enquanto fazia uma prova de vestibular comoveu o Afeganistão.

Jahantab Ahmadi tem 25 anos e é mãe de três crianças. Ela cresceu em uma família muito pobre em Ushto, uma aldeia remota da província central de Daikundi onde começou a estudar tarde. Aos 18 anos concluiu o ensino fundamental, fase em que as crianças geralmente têm 14 ou 15 anos.

Em seguida, Jahantab casou-se com um agricultor analfabeto e, um ano depois, teve o primeiro filho. Em um país onde o casamento infantil e adolescente é a primeira causa de deserção escolar das meninas, o destino de Jahantab parecia selado, mas contra todas as previsões e com muitas dificuldades, continuou estudando.

Jahantab, que caminhava duas horas por dia até a escola, completou o ensino médio em 2013, mas não pôde continuar os estudos. “Sempre pensei em ir à universidade, mas os problemas me perseguiam”, lamentou.

Há duas semanas, após duas horas de caminhada e dez de ônibus desde sua aldeia, Jahantab chegou a Nili, capital da província de Daikundi, com seu filho de três meses nos braços para fazer a prova de acesso à universidade.

Mas, durante o exame, que foi realizado em um espaço aberto, o bebê começou a chorar por causa de uma dor no ouvido. Ela se levantou da carteira, se sentou no chão para tentar consolar a criança e continuou a responder as questões da prova com uma mão.

A impactante imagem foi fotografada por um professor que fiscalizava a prova. A foto foi compartilhada nas redes sociais e viralizou em questão de horas, gerando uma avalanche de reações.

“Não me dei conta de que alguém tinha me fotografado. Me assustei quando soube, mas as fotos me trouxeram sorte e transformaram o meu sonho em realidade”, narrou Jahantab com o bebê nos braços enquanto aconselhava os outros dois filhos a não saírem do quarto.

O destino dessa mãe mudou definitivamente. Após ver as fotos na internet, Jahantab e a família foram convidados a Cabul pela ativista dos direitos das mulheres Zahra Yagana.

A Associação Juvenil Afegã, uma ONG com sede no Reino Unido, arrecadou 11 mil libras esterlinas para apoiá-la e o segundo vice-presidente do país, Sarwar Danish, prometeu pagar durante quatro anos os custos de uma residência em Cabul.

Além disso, a presidência do país a ajudou a entrar na faculdade de Economia de uma universidade privada, onde terá todas as despesas cobertas durante esses quatro anos.

“Jahantab é, para mim, a mulher do ano do Afeganistão”, escreveu em uma rede social Farkhunda Zahra Naderi, conselheira do presidente afegão, ao ressaltar que a jovem é “uma referência” e que “mulheres valentes” como ela “acabarão com a violência” no país.

Apoio em casa

Mas há algo mais por trás da coragem. No Afeganistão, as meninas representam 39% dos estudantes em colégios em zonas urbanas e 24% em áreas rurais, e as famílias obrigam que elas abandonem os estudos após o casamento. O caso de Jahantab foi diferente, já que encontrou o apoio incondicional do marido, algo pouco habitual na conservadora sociedade afegã.

“Eu a apoio porque não quero que os meus filhos cresçam analfabetos como eu”, disse ele, ao reconhecer que não pôde ir à escola e quis que os filhos e a sua mulher seguissem com os estudos.

Nem sequer o fato de sua esposa ter aparecido em fotografias, o que vai contra a puritana moral afegã, impactou a fé do marido na companheira.

“Confio na minha mulher, então não me importa o que outros digam. Mesmo se as fotos não tivessem nos beneficiado e tivessem nos prejudicado, não teria me irritado com Jahantab”, acrescentou o marido, enquanto tomava conta das duas crianças mais velhas, de 6 e 3 anos.

Historiador tenta reconstruir biblioteca da Universidade de Mossul após saída do Estado Islâmico

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Imagens publicadas no site oficial da Biblioteca Central da Universidade de Mossul mostram como era o prédio antes da invasão do Estado Islâmico, e como ficou após a retirada do grupo terrorista (Foto: Divulgação/University of Mosul)

Imagens publicadas no site oficial da Biblioteca Central da Universidade de Mossul mostram como era o prédio antes da invasão do Estado Islâmico, e como ficou após a retirada do grupo terrorista (Foto: Divulgação/University of Mosul)

 

Prédio virou quartel-general do EI e teve milhares de livros destruídos. Com retomada, historiador anônimo reúne voluntários para preservar obras que sobreviveram a 19 meses de ocupação.

Ana Carolina Moreno, G1

m historiador iraquiano está tentando reconectar a cidade de Mossul com o resto do mundo com o resgate de livros e a reconstrução de uma biblioteca. Depois de dois anos e meio sob o domínio do Estado Islâmico (EI) e nove meses de batalha intensa entre os terroristas e o exército do Iraque, a cidade iraquiana ficou destruída e mais de 900 mil habitantes fugiram de suas casas.

Com a vitória do governo iraquiano, decretada em 9 de julho, os sobreviventes agora começam a reconstruir uma cidade devastada. E a Biblioteca Central da Universidade de Mossul virou um dos símbolos do desafio. “Eu vou trabalhar neste projeto até que eu sinta que a biblioteca voltou a ser um lugar onde pesquisadores de todo o mundo vão querer visitar”, disse, em entrevista por telefone ao G1, o historiador, que só aceita se identificar pelo codinome de ‘Mosul Eye’ (‘Olho de Mossul’).

‘Mosul Eye’ não revela sua identidade, sua idade e conta apenas que estudou na universidade que agora quer ajudar a reerguer. Para preservar sua segurança, ele não aceita revelar o país onde vive, e afirma que nem os próprios voluntários locais (entre 20 e 40 pessoas com quem se comunica virtualmente) conhecem sua verdadeira identidade.

Ele conta que há cerca de um ano fugiu do Iraque por causa das constantes ameaças de morte – seu blog anônimo foi o primeiro a surgir após a invasão do EI, e virou uma fonte de informação da resistência aos terroristas para internautas e jornalistas de todas as partes do mundo.

Além de coordenar um grupo que já resgatou mais de 2 mil livros dos destroços, o voluntário anunciou ainda um pedido de doações de livros do mundo todo, e busca uma impressora para digitalizar as obras da biblioteca para que elas sejam preservadas para sempre.

‘Ministério da educação islâmica’

Ao G1, ‘Mosul Eye’ recontou o que foi feito da biblioteca durante a ocupação do Estado Islâmico. Localizado no vasto campus da universidade, no lado leste da cidade, o outrora imponente edifício da biblioteca era um dos locais militarmente estratégicos para o grupo terrorista, e virou a sede de um novo ‘ministério da educação’, que tentou suplantar o sistema educacional por uma doutrinação baseada no ensino religioso.

Neste quartel-general, livros didáticos de todos os níveis de ensino foram reescritos, conta ele. O grupo terrorista também tentou reabrir a universidade, mas impondo seu próprio sistema educacional.

Voluntária de Mossul ajuda a empilhar os livros retirados da Biblioteca Central da Universidade de Mossul, após o Estado Islâmico deixar o prédio, depois de 19 meses usando a universidade como ponto militar estratégico (Foto: Ali Al-Baroodi)

Voluntária de Mossul ajuda a empilhar os livros retirados da Biblioteca Central da Universidade de Mossul, após o Estado Islâmico deixar o prédio, depois de 19 meses usando a universidade como ponto militar estratégico (Foto: Ali Al-Baroodi)

 

“A universidade foi fechada em junho de 2014 pelo Estado Islâmico quando ele ocupou a cidade. Mas eles tentaram reabrir a universidade, obrigando os funcionários e professores a fazerem uma reunião com o ministro de educação islâmica”, afirmou o historiador.

A iniciativa, porém, fracassou. “Eles pararam o ‘ministério da educação’ no começo de 2015, porque não conseguiram fazer nada. As pessoas se recusaram a ir para a universidade. A universidade em si foi reaberta fora de Mossul, então os estudantes não precisavam seguir o Estado Islâmico ou ir para a universidade islâmica.”

Resgate arriscado

O edifício da biblioteca ficou nas mãos do EI entre junho de 2014 e janeiro de 2017, quando o grupo se retirou do local após ataques da ofensiva do exército iraquiano. O Iraque só anunciou a retomada total da cidade em 9 de julho, mas há meses o grupo de voluntários, que atendeu ao chamado do historiador pela internet, passou a se dedicar à recuperação da biblioteca.

Voluntários se organizam para retirar os livros da Biblioteca Central da Universidade de Mossul, no Iraque, que passou 19 meses nas mãos do Estado Islâmico e sofreu ataques tanto do grupo terrorista quanto de bombardeios da coalizão liderada pelos Estados Unidos, segundo o historiador anônimo por trás do blog 'Mosul Eye' (Foto: Divulgação/Ali Al-Baroodi)

Voluntários se organizam para retirar os livros da Biblioteca Central da Universidade de Mossul, no Iraque, que passou 19 meses nas mãos do Estado Islâmico e sofreu ataques tanto do grupo terrorista quanto de bombardeios da coalizão liderada pelos Estados Unidos, segundo o historiador anônimo por trás do blog ‘Mosul Eye’ (Foto: Divulgação/Ali Al-Baroodi)

 

Até agora, o homem por trás do codinome ‘Mosul Eye’ estima que cerca de 2 mil livros foram resgatados, entre eles obras raras. Nem todos, porém, estão em boas condições, e nem sempre as buscas pelo edifício vazio e cinza estão livres de perigo, já que ainda há bombas dentro do prédio.

“O próximo passo é digitalizar esses livros. Mas acho que a biblioteca central deveria ter feito isso há quatro anos, porque todo mundo esperava que esse tipo de coisa poderia acontecer. Eles deveriam ter pensado mais no futuro.” Essa iniciativa, porém, exige uma impressora específica, que os voluntários ainda não conseguiram.

Um ‘olho’ do mundo em Mossul

Ele documenta, pelas redes sociais, o andamento do projeto, com fotos e vídeos. ‘Mosul Eye’ também promove uma série de eventos culturais para tentar incentivar a produção de arte na cidade – educação e cultura estão entre as muitas restrições impostas pelo Estado Islâmico à população local. Homens vestindo jeans, mulheres com roupas coloridas e o som de instrumentos musicais mostrados no vídeo acima eram impensáveis há um ano, diz ele.

O próprio fato de um civil registrar imagens em fotos e vídeos, como fizeram Ali Al-Baroodi e Saad Hadi, voluntários que documentam o resgate da biblioteca em imagens como as desta reportagem, seria uma morte certa. “Se alguém quisesse se matar, era só levar uma câmera para a rua”, diz o historiador.

Enquanto esperam a reconstrução dos sistemas de esgoto, água e eletricidade, e a reforma dos prédios, que devem custar mais de US$ 1 bilhão, segundo a ONU, a população volta a viver livre. Nesta quinta-feira (27), um grupo de estudantes de belas artes realizará uma noite de gala em Mossul, para apresentar obras que têm sido produzidas em cima dos próprios escombros da cidade, em outra das ações divulgadas por ‘Mosul Eye’.

Sua iniciativa de servir como a “janela” de Mossul para o mundo fez com que o jovem angariasse mais de 270 mil seguidores no Facebook e 23 mil no Twitter. Com publicações em árabe e em inglês, ele busca ajuda para seu projeto desde janeiro.

“A gente não podia, nos últimos anos, reconectar Mossul com o resto do mundo porque tínhamos problemas: segurança ruim, corrupção na educação, eles estavam matando pessoas, nós não podíamos fazer nada. Eu pensei que esse era o momento de fazer algo”, lembra.

Apoio do Ocidente

Ele afirma que chegou a receber uma única doação de seis mil livros vindas dos Estados Unidos, neste mês, e cita países da Europa e a Austrália como principais apoiadores da iniciativa. De pessoas árabes ele afirma ter recebido alguns e-mails. “Da Rússia, nenhum”, ressalta. Em seu site oficial, a biblioteca, que passou a publicar notícias depois de vários anos de ocupação, relatou em junho uma doação de 1.500 obras, feita pela Biblioteca de Alexandria, no Egito.

Professores, estudantes, economistas, acadêmicos: residentes de Mossul atenderam ao chamado do blogueiro anônimo 'Mosul Eye', um historiador exilado fora do Iraque, e agora tentam preservar os livros da Biblioteca Central da Universidade de Mossul (Foto: Divulgação/Ali Al-Baroodi)

Professores, estudantes, economistas, acadêmicos: residentes de Mossul atenderam ao chamado do blogueiro anônimo ‘Mosul Eye’, um historiador exilado fora do Iraque, e agora tentam preservar os livros da Biblioteca Central da Universidade de Mossul (Foto: Divulgação/Ali Al-Baroodi)

 

Ao G1, ‘Mosul Eye’ relatou que três pessoas do Brasil, entre eles uma moradora de São Paulo e um do Paraná, já enviaram mensagens mostrando interesse no projeto. “Eu gostaria de saber mais não só sobre os brasileiros, mas sobre a América Latina”, disse ele. “Queremos ler, precisamos ler mais sobre culturas diferentes.”

O historiador, que há anos vive virtualmente sob o codinome e não revelou sua identidade nem para a própria família, explica que tem mais poder de ajudar a resgatar e preservar a história de sua cidade por trás da ideia ‘Mosul Eye’ do que como um único indivíduo. Um dos legados que ele pretende deixar com o projeto é mudar a visão que o mundo tem de Mossul:

“O que eu quero mesmo é que, quando alguém buscar por Mossul, que eles não encontrem coisas relacionadas ao Estado Islâmico, e sim a biblioteca de Mossul. É esse o meu sonho. E eu sou tão forte quanto os meus sonhos.”

COMO AJUDAR

As doações estão sendo enviadas a um endereço em Erbil, uma cidade do Curdistão iraquiano. Para obter mais informações, é preciso enviar um e-mail em inglês para [email protected]

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Alunos de colégio de MG raspam a cabeça em apoio a professora com câncer

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Rayder Bragon, em UOL

Alunos rasparam a cabeça e alunas cobriram o cabelo com lenços para demonstrarem apoio a uma professora submetida a tratamento contra um câncer de mama, na cidade de Pará de Minas (a 80 km de Belo Horizonte).

A iniciativa aconteceu durante um café da manhã em homenagem à educadora, que leciona a disciplina de matemática para os estudantes do ensino médio no colégio Berlaar Sagrado Coração de Maria. A instituição preferiu manter preservado o nome da docente.

De acordo com o estudante Marcos Francisco Campos, 16, e um dos idealizadores da ideia, a professora, que está afastada há dois meses em razão do tratamento, ficou muito emocionada ao ser recepcionada pelos estudantes.

“Os meninos ficaram escondidos, e as meninas que receberem ela, com os lenços na cabeça. Foi entrando um por um. Todos usavam toucas e, quando já estávamos reunidos, a gente tirou as toucas. Ela chorou neste momento. Nós ficamos emocionados demais e a abraçamos”, explicou.

O estudante disse que a turma ficou sabendo da enfermidade da educadora por meio de outra professora da instituição. “Uma professora nos contou que ela estava com câncer. Daí, eu perguntei aos meninos se eles se animavam a raspar a cabeça para fazer uma homenagem a ela. Eles gostaram da ideia”, contou. Campos disse que dez colegas cortaram os cabelos.

“Além de nossa professora, ela é muito amiga da nossa turma”, frisou.

Apoio

O diretor Paulo Evandro Gonçalves Costa, 41, informou ter apoiado a iniciativa dos alunos ao perceber que alguns deles surgiram com a cabeça raspada no colégio e pediram a realização de um encontro com a professora nas dependências do colégio.

“Eles combinaram entre si. A gente não estava sabendo de nada. Um ou outro chegava aqui com a cabeça raspada, mas a gente achou natural porque muitos passam em vestibulares. Eles nos solicitaram apenas que queriam fazer um café da manhã para a professora”, relembrou.

O dirigente informou que, até então, a direção do colégio estava tentando preservar os alunos da notícia da doença da docente.

“Ela nos comunicou que encontrou esse nódulo maligno há dois meses. E ela, mesmo antes de se submeter ao tratamento, raspou a cabeça. A gente tentou preservar os alunos da notícia, não os alarmando”, declarou.

No tocante ao apego dos estudantes para com a professora, o diretor a descreveu como uma pessoa “rigorosa”, mas “carismática”. “Ela é uma professora muito querida pelos alunos, não é normal um professor de matemática ser tão bem quisto assim. Apesar de ser rigorosa, ela é muito carismática”, explicou.

Segundo ele, os pais dos alunos que participaram da homenagem se solidarizam com a iniciativa dos filhos. “Eu até fiquei com receio de que os pais pudessem pensar que os filhos foram forçados por algum colega a raspar a cabeça, mas todos foram muito solidários com a situação”, disse.

Alunos e professores fazem ato em apoio à greve na rede estadual paulista

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Publicado em Folha de S.Paulo

Ao menos 150 pessoas participaram de uma manifestação em apoio à greve dos professores da rede paulista na manhã desta quarta-feira (20) pelas ruas da zona oeste de São Paulo.

De acordo com a Polícia Militar, o grupo caminhou pelas ruas e avenidas do bairro, como a rua Cerro Corá, a avenida Pompeia e a rua Heitor Penteado, onde fica a estação Vila Madalena, da linha 2-verde do Metrô.

Em frente à estação, o grupo formou uma roda e abriu faixas e cartazes com os dizeres: “Professores em greve queremos negociação – Pedimos apoio”. Entre os manifestantes, estavam alunos da escola estadual Manuel Ciridiao Buarque Professor. A polícia informou que o ato foi pacífico e durou pouco mais de uma hora.

Os docentes estão em greve por melhores salários e condições de trabalho desde o dia 16 de março. Na última sexta (15), os grevistas decidiram manter a greve da categoria.

MULTA DE R$ 300 MIL

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) conseguiu na Justiça a aplicação de multa ao sindicato do professores paulistas por bloquear rodovias no Estado.

A juíza Lais Helena Bresser Lang Amaral determinou que a Apeoesp (sindicato dos professores) deve pagar cerca de R$ 300 mil por fechar as rodovias Régis Bittencourt, no dia 7, Anchieta –que liga São Paulo ao litoral paulista– no dia 13, e Hélio Smidt –que dá acesso ao aeroporto de Guarulhos (Grande SP)– no dia seguinte.

Na decisão, divulgada na segunda-feira (18), a juíza destacou que o sindicato não “deve praticar qualquer ato de turbação ou esbulho nas rodovias do Estado de São Paulo ou das vias que lhe permitam acesso”.

Segundo Lais Helena, caso o sindicato não tenha recursos para pagar a multa, a Justiça poderá bloquear as contas dos dirigentes da entidade.

No dia 22 de abril, a Justiça já havia determinado, em caráter liminar, que a Apeoesp não poderia fechar total ou parcialmente rodovias em São Paulo. Na ocasião, a Justiça fixou multa de R$ 100 mil por rodovia fechada.

No final de abril, a PGE (Procuradoria Geral do Estado) entrou com pedido na Justiça para que o sindicato fosse multado por bloquear totalmente uma rodovia durante um protesto.

Em nota, a Apeoesp afirmou que orientou suas subsedes a não realizar bloqueios em rodovias após decisão judicial contrária à medida, e que os protesto que levaram à aplicação da multa aconteceram à revelia da entidade. Ela também afirmou que já recorreu do bloqueio de bens.

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PARALISAÇÃO

Os professores estão em greve há 66 dias e as negociações com o governo Geraldo Alckmin (PSDB) não avançaram no período. A categoria pede reajuste de 75% (para equiparar o salário aos demais servidores do Estado com formação superior), mas o governo tucano até agora nem sequer apresentou uma contraproposta.

Segundo a Apeoesp (sindicato dos professores), o governo pretende apresentar uma proposta apenas em junho, um mês antes da data-base da categoria, num sinal de que a paralisação tende a se estender por mais tempo. Se o acordo não acontecer até lá, a greve superará, em duração, a mais longa da história, ocorrida em 1989, com 80 dias parados.

No começo de maio, levantamento feito pela Folha mostrou que a greve dos professores de SP tem baixa adesão em grandes escolas. As escolas estaduais com mais matrículas na capital têm paralisações, mas com adesão de, em média, 15% dos professores.

Além dessa guerra dos número, professores e governo disputam na Justiça o pagamento ou não dos dias parados. A última vitória foi do sindicato, nesta quarta, após decisão do Tribunal de Justiça contra o desconto do ponto.

Jovem com paralisia cerebral escreve livro e vai se formar em faculdade

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Estudante de 27 anos concluirá curso de história em dezembro, na UEG.
Sem coordenação motora, ela digita com a ponta do nariz, em Goianésia.

Gabriela Lima, no G1

1Uma jovem de 27 anos é exemplo de superação em Goianésia, a 198 quilômetros de Goiânia. Lívia Barbosa Cruz tem paralisia cerebral e está se formando em história na Universidade Estadual de Goiás. A jovem, que mexe apenas com a cabeça e fala com dificuldade, concluirá o curso no próximo mês e já se prepara para conquistar novos objetivos: “Quero publicar um livro que estou escrevendo e fazer uma pós-graduação”.

Lívia teve paralisia cerebral ao nascer e não desenvolveu a coordenação motora. Sem dominar as mãos, ela precisou encontrar outra forma de escrever a monografia e o livro: digitar com a ponta do nariz e o queixo. O irmão Jeferson Barbosa Cruz, de 22 anos, ensinou o básico sobre o computador e ela, sozinha, aprendeu a mexer no Twitter e Facebook. A estudante gosta de usar as redes sociais para se comunicar com os amigos e com os primos que moram em outras cidades.

Em entrevista ao G1, pelo Facebook, a jovem conta que chegar até o fim do curso não foi fácil. Além de ter os movimentos do corpo limitados, também sofreu preconceito. “Tive problemas, mas venci e hoje estou muito feliz”, comemora a estudante que escolheu a inclusão no ensino superior como tema para a monografia.

Professora do curso de história, Edilze de Fátima Faria elogia a aluna. “A deficiência física não afeta a inteligência dela. Ela é muito esforçada. Ela mora longe da universidade e vem todos os dias em uma cadeira [de rodas]. É um exemplo de vida”, diz.

Lívia com os colegas de faculdade na UEG de Goianésia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Lívia com os colegas de faculdade na UEG de Goianésia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

“Viciada em livros”, como a própria Lívia diz, ela agora está escrevendo o seu próprio romance. A jovem adianta que o trabalho está em fase de conclusão e contará a história de amores platônicos. Segundo ela, a obra é baseada em fatos reais, tanto de casos que ela tomou conhecimento quanto dela mesma. “Quem nunca amou em segredo?”, questiona.

Apoio

Para realizar o sonho de fazer um curso superior, Lívia contou com a ajuda de algumas pessoas. O apoio principal vem da mãe, Cleones Barbosa dos Santos, de 43 anos, que desde 2009 leva a filha todos os dias para a universidade.

De segunda a sexta-feira, Cleones anda cerca de três quilômetros a pé, no caminho de ida e volta para a UEG, empurrando a cadeira de rodas da filha. Enquanto Lívia assiste aula, ela espera do lado de fora. Para passar o tempo, faz bordados e crochê. Para a mãe, todo o esforço valeu a pena: “Eu não tenho palavras para dizer o que sinto. Ela conseguiu mostrar o valor dela”.

Cleones conta que ficou grávida de Lívia aos 16 anos e parou de estudar no terceiro ano do ensino fundamental. Mas, ao ajudar a filha, acabou aprendendo e hoje até se expressa melhor. “Ele sempre gostou de ler e se interessou pelos estudos. Às vezes eu copiava a tarefa para ela e fui aprendendo. Tenho formação em ser mãe”, diz. A filha retribui a dedicação da mãe: “Sem ela seria impossível chegar onde estou hoje”.

Cleones Barbosa leva a filha todos os dias para a universidade (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Cleones Barbosa leva a filha todos os dias para a universidade (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Antes da faculdade, ela contou com o auxílio do irmão. Era Jeferson quem levava a irmã para a escola. “Estudávamos juntos até o terceiro ano do ensino médio”, conta a universitária. Os dois tentaram o vestibular, mas só Lívia seguiu em frente.

No ensino médio, Lívia descobriu a paixão pela história nas aulas de Valdelice Camilo, sua grande incentivadora e também professora na UEG. Na universidade, a estudante também destaca as aulas do professor Paulo Bernardes.

Professora de apoio

Quando Lívia conseguiu a aprovação no vestibular, o campus da UEG de Goianésia precisou fazer algumas adequações para recebê-la. A sala de aula foi transferida do primeiro andar para o térreo a universidade teve de contratar uma professora de apoio.

A contratação da docente especial foi a parte mais difícil, segundo a mãe de Lívia. A jovem precisa da professora de apoio para sentar ao lado dela e copiar o conteúdo nos dias de trabalho. “Foi um trabalhão danado para conseguir, porque não tinha esse cargo lá. Mas a direção conseguiu contratar uma professora de Libras e conciliar os horários para que ela pudesse atender a Lívia”, relata Cleones.

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