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‘Recordista’ em biblioteca pública, aposentado já leu 4.902 livros

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Henrique Gentile Menezes, de 74 anos, em seu apartamento na Cidade Baixa, em Porto Alegre (Paula Sperb/VEJA.com)

Henrique Gentile Menezes consumiu, em média, 446 obras ao ano na última década. Entre seus preferidos, Balzac, Victor Hugo e Machado de Assis

Paula Sperb, na Veja

Os óculos ficam estrategicamente posicionados ao lado dos livros, em uma prateleira da sala de um apartamento de classe média no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. Todos os dias, o aposentado Henrique Gentile Menezes, de 74 anos, conta com a ajuda dessas lentes para poder enxergar melhor de perto durante sua atividade favorita: a leitura.

Porém, Menezes não é um leitor comum. Usuário assíduo da Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães, ele já retirou e leu 4.902 livros desde 2007, ano em que o sistema passou a ser informatizado. Ele é o leitor “recordista” da biblioteca – o segundo lugar retirou 1.217 obras. Como frequenta o local desde 1996, antes da informatização, o número de livros retirados por Menezes pode chegar a quase 10.000.

Na última década, ele leu, em média, 446 livros por ano. “Depende do número de páginas do livro. Se a obra tem 500 páginas, levo mais tempo. Mas se é um livro mais curto, de 300 páginas, leio em um dia”, contou Menezes a VEJA. Ele prefere livros de ficção, do gênero romance. “Se o narrador é em primeira pessoa, a leitura é mais fácil porque se apresenta em uma sequência mais lógica. Mas quando são vários narradores, exige mais atenção”, explica. Eventualmente, porém, lê também biografias e obras de filosofia.

Os óculos utilizados para leitura e os livros mais recentes retirados por Menezes (Paula Sperb/VEJA.com)

Uma pesquisa realizada pelo Observatório da Cultura, da prefeitura de Porto Alegre, mostrou que quase a metade dos moradores da cidade, 45,8%, estava sem ler um livro há pelo menos um ano. Do total dos 1.220 entrevistados, 8,5% nunca tinham lido um livro e 19,6% nunca estiveram em uma biblioteca. A pesquisa foi divulgada em 2015.

Nascido na capital gaúcha, filho de um pedreiro e de uma dona de casa, Menezes precisou abandonar a escola aos 12 anos por ordem da mãe. O garoto passou, então, a trabalhar para ajudar no orçamento da família. “Não recebi estímulo para leitura durante a infância”, relembra. Anos mais tarde, retornou aos bancos escolares para concluir os estudos, mas não chegou a cursar faculdade. Antes de se aposentar, trabalhou como comerciário.

O interesse pelos livros surgiu na adolescência, ao conviver com um grupo de jovens católicos do qual se diferenciava por não se considerar religioso. Além dos esportes, o grupo trocava leituras.

Foi assim que alguém lhe emprestou Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare. “Depois disso, não parei mais de ler”, recorda. Com tantos livros lidos, os preferidos continuam sendo os canônicos como Honoré de Balzac e Victor Hugo. Entre os brasileiros, seus preferidos são Machado de Assis, Jorge Amado, Erico Veríssimo e Rubem Alves. Quando depara com uma obra ruim, não desiste. “Eu leio até o fim para saber explicar por que não é bom”, conta.

Segundo Renata de Souza Borges, diretora da biblioteca da prefeitura, o acervo possui 33.250 títulos e 42.723 exemplares. Portanto, Menezes já retirou, desde 2007, 14% dos títulos oferecidos. Para que não retire o mesmo livro novamente, criou uma estratégia que discretamente burlava as regras do local. Ele marcava, a lápis, uma letra “H”, inicial do seu primeiro nome, na última página. A tática, porém, foi descoberta e delatada por uma ex-funcionária. “Não tiro a razão dela, estava errado fazer aquilo”, afirma. Todavia, a necessidade de saber qual livro foi lido por ele se mantém. Por isso, revelou um segredo: ele deixa uma discreta marca em cima do número que indica a página de número 50.

Depois que foi descoberto, Menezes parou de deixar sua marca: um “H”, de Henrique, escrito em letra cursiva com um lápis na última página (Paula Sperb/VEJA.com)

No total, a biblioteca tem 12.484 usuários cadastrados. Destes, 5.835 são ativos. De acordo com a diretora, no ano passado, foram feitos 21.306 empréstimos e 44.258 consultas ao acervo. É possível retirar cinco livros por vez. Por isso, Menezes frequenta a biblioteca duas vezes por semana, retirando dez obras.

“Ele lê demais, os olhos ficam ardendo, não se importa de ler no escuro. Faz muito bem ler, mas demais não dá”, conta Mary Ieda Anoni Lourenço, de 61 anos, casada com Menezes. O aposentado tem dois filhos adultos, fruto do primeiro casamento.

A pedido da mulher, Menezes tem interrompido a leitura à noite, para não prejudicar a visão. Ele só fecha os livros para assistir a jogos de futebol ou ouvir música. Ele torce para o Internacional e gosta de escutar Paul Anka, The Platers, Elvis Presley, Beatles, Legião Urbana e Raul Seixas.

“Por causa da literatura, eu mudei muito. A literatura me ajuda, me ensina”, explica. Para ele, o incentivo à leitura deve partir especialmente da escola. “Os alunos precisam receber indicações de livros, resumi-los, apresentá-los. Isso faz falta.”

Paciente com Esclerose Lateral Amiotrófica escreve livro, letra a letra, piscando os olhos

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Dorivaldo e a fonoaudióloga Maria José escreveram o livro (Foto: Renata Marconi/G1)

Dorivaldo e a fonoaudióloga Maria José escreveram o livro (Foto: Renata Marconi/G1)

 

Morador de Boraceia foi diagnosticado com doença degenerativa há oito anos; escritor já planeja segundo livro.

Renata Marconi, no G1

Apesar da impossibilidade de falar, o que não falta para Dorivaldo Aparecido Fracaroli é comunicação. Diagnosticado há oito anos com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença degenerativa que limita os movimentos, a fala e a respiração, o morador de Boraceia, de 56 anos, perdeu a fala durante um procedimento cirúrgico, o que não o impediu, aliás, impulsionou o aposentado a ‘escrever’ um livro. É piscando os olhos que ele se comunica com todos a sua volta e transmitiu letra por letra do livro: “Ipê ‘DO’ amarelo”.

A ideia de escrever o livro partiu de sua amiga e fonoaudióloga Maria José de Oliveira. “Ele estava muito triste e eu o conhecia antes dessa tristeza. Embora já tivesse o diagnóstico, ele não era triste e foi diante dessa tristeza que eu propus o livro. O primeiro intuito do livro era deixá-lo mais feliz, mais ocupado, ter alguma coisa para despertar, sair da cama e escrever o livro”, conta.

Na obra estão os fatos mais importantes da vida de Dô, como é conhecido na cidade. Segundo Maria José, são os momentos mais gostosos de se lembrar, desde o sítio onde nasceu, como conheceu a esposa, sobre o filho, os pais, até o diagnóstico da patologia e os dias atuais. “Não fazemos esclarecimentos científicos da patologia. Citamos a patologia como sendo a causadora de tudo isso, contamos a permanência nos hospitais, mas tudo em primeira pessoa, como ele vê.”

Descoberta

Há oito anos, quando a família descobriu a doença, a esposa de Dorivaldo, Valéria Fracaroli, não imaginava o que a ELA poderia acarretar na vida do marido.

“Foi muito difícil, a gente chorou muito. Eu sabia que eu não conhecia nada da ELA, só o que a médica falou. Então eu comecei de madrugada a procurar sobre a doença e comecei a conversar com pacientes, saber como seria. Vi a necessidades de informações jurídicas, de tudo”, lembra.

Mas a maior dificuldade chegou quando Dorivaldo precisou colocar uma gastro e uma traqueo e durante o procedimento acabou perdendo a fala. “Ele queria falar e eu não sabia se ele tinha dor, fome. Ele fazia movimentos com a boca, mas eu não conseguia ler os lábios e dava aquele desespero”, conta a pedagoga.

Casal usa uma tabela de comunicação (Foto: Renata Marconi/G1)

Casal usa uma tabela de comunicação (Foto: Renata Marconi/G1)

 

Como a vontade de se comunicar era enorme entre o casal, Valéria teve a ideia de usar uma tabela de comunicação (Veja na foto abaixo como ela funciona). “Eu pedi uma folha para a enfermeira e fiquei pensando em como me comunicar com ele. Então eu coloquei o alfabeto que eu conheço muito bem, dividi em cinco linhas. Pedi para ele “falar” o que ele mais queria perguntar. Ele foi “falando” letra por letra através das piscadas. Ele perguntou se poderia tomar banho e depois vieram outras perguntas. Quando os médicos chegaram, viram uma lousa cheia de perguntas dele”, lembra.

Valéria conta que os médicos responderam as perguntas e passaram a conversar com ele também e foi com a mesma técnica que Maria José propôs que Dorivaldo escrevesse o livro.

Aposentado escreveu uma mensagem sobre a doença (Foto: Renata Marconi/G1)

Aposentado escreveu uma mensagem sobre a doença (Foto: Renata Marconi/G1)

 

Novos planos

Depois de três anos escrevendo, foram publicados 500 exemplares no dia 11 de março e em pouco mais de um mês praticamente todos já foram vendidos. Maria José conta que eles não esperavam a repercussão da história. “Se ele está feliz eu estou muito mais e tudo por conta dessa história do livro”, afirma a fonoaudióloga.

Mas junto com o livro, eles descobriram algo mais importante para Dorivaldo. “A primeira intenção era deixar ele mais feliz, mas então descobrimos uma necessidade maior do Dorivaldo, que era pela comunicação. Escrever um livro piscando dá muito trabalho e essa trajetória despertou uma outra necessidade. Descobrimos um equipamento que, acoplado ao computador, ele passaria a usar o computador com o comando dos olhos. Redes sociais, pesquisas, jogos, tudo que você imaginar no computador dá a chance do Dorivaldo fazer”, conta.

Então o dinheiro da venda do livro passou a ser destinado a comprar esse equipamento que custa em média R$ 23 mil. Este não é o único plano do aposentado, que já começou as pesquisas para próximo livro, que deve contar a história da sua cidade natal.

Doença

A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neurológica degenerativa que causa a morte dos neurônios motores, comprometendo a perda da função motora no corpo. Um dos sintomas iniciais é a atrofia muscular localizada, sem dor e sem perda de sensibilidade.

A doença, que tem tratamento, mas ainda não tem cura, ganhou destaque depois do desafio do balde de gelo em 2014. Milhares de pessoas participaram da campanha na internet para arrecadar doações para pesquisas. A ELA, atinge cerca de 10 mil pessoas no Brasil. O físico Stephen Hawking é o caso mais famoso da esclerose.

Dô conversa através de piscadas e sorrisos (Foto: Renata Marconi/G1)

Dô conversa através de piscadas e sorrisos (Foto: Renata Marconi/G1)

Aposentado japonês é o mais velho do mundo a obter diploma

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Shigemi Hirata posa com o certificado do Guinness (The Asahi Shimbun/Getty Images)

Shigemi Hirata posa com o certificado do Guinness (The Asahi Shimbun/Getty Images)

 

O título foi dado pelo Livro do Recordes à Shigemi Hirata, com 96 anos, que obteve a licenciatura de ceramista na Universidade de Belas Artes de Kyoto

Publicado na Veja

Shigemi Hirata é aposentado no Japão e recebeu recentemente o diploma de ceramista da Universidade de Belas Artes de Kyoto. Com 96 anos, o ‘velhinho’ também entrou para o Guinness World Records, o Livro dos Recordes, como a pessoa mais velha do mundo a receber um diploma universitário.

Hirata nasceu em Hiroshima, em 1919, e durante os estudos se tornou uma celebridade na região. “Estudantes que eu não conhecia me chamaram para me dar parabéns. Isso me dá energia! ’’, disse o aposentado ao jornal japonês Yomiuri. Desde que se aposentou, há 11 anos, Hirata estava dedicando seu tempo aos estudos da cerâmica.

“Meu objetivo é viver até os 100 anos e, se tiver em forma, seria divertido obter outro diploma”, acrescentou o recém-formado que esteve alistado na Marinha japonesa durante a Segunda Guerra Mundial.

Aposentado compra apartamento vizinho para montar uma biblioteca

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Antoine, de 78 anos, comprou apartamento em Santos para guardar obras.
Aposentado acabou se especializando e gosta de debater história.

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Guilherme Lucio, no G1

Um aposentado de Santos, no litoral de São Paulo, vive, literalmente, cercado de livros. Antoine Abdid, de 78 anos, precisou comprar o apartamento vizinho para conseguir guardar um acervo de cinco mil livros adquirido ao longo de toda a vida.

Abdid explica que não foi fácil comprar o apartamento ao lado. “Meu vizinho queria alugá-lo, mas não adiantava. Eu precisava de um lugar fixo para guardar meus livros, eu estava irredutível. Conversei com um dos filhos dele, que convenceu o pai”, disse.

Seo Antoine, que nasceu em Damasco, capital da Síria, explica que sua paixão por livros começou em São Paulo. “Eu parei de estudar no colegial. Porém, na minha época existia muito debate sobre política, história, economia e religião. Isso aguçou a minha curiosidade. Foi assim que comecei a recorrer aos livros”, explica.

Ainda na adolescência, Antoine se mudou para o bairro José Menino, onde vive atualmente. No início, ele contava com apenas 30 obras. Hoje, sua biblioteca particular possui milhares de livros de história, religião, filosofia e antropologia.

Segundo o aposentado, a biblioteca não é pública. “É difícil você emprestar livros para pessoas que você não conhece. Para os meus amigos e conhecidos, até empresto alguns, pois acho importante a leitura e o acesso a ela. O acervo que tenho é pessoal”, conta Abdid.

Aposentado comprou apartamento ao lado para guardar livros (Foto: Guilherme Lucio/G1)

Aposentado comprou apartamento ao lado para guardar livros (Foto: Guilherme Lucio/G1)

O aposentado conta que marca cada livro com uma etiqueta. “Leva um certo tempo e dá trabalho. Tiro uma cópia da capa e colo na parte lateral. Além disso, vou a sebos e pego capas reforçadas que foram descartadas para colocar nos exemplares”, diz.

Além dos livros, o idoso também coleciona algumas centenas de DVDs. “Isso me mantém ativo. Mesmo com uma certa idade, precisamos nos manter ativos e fazer algo que gostamos. E os livros são a minha paixão”, afirma.

“Marx era igual a Jesus Cristo. Acreditava que o homem era bondoso, misericordioso”
Antoine Abdid,
78 anos

Comunismo

Antoine se diz um homem apaixonado por história, que considera fundamental na vida do ser humano. “Nós precisamos conhecer a nossa história. Precisamos saber o que aconteceu no passado, quais foram os erros e quais foram os acertos. Não entendo como as escolas de hoje têm tão poucas aulas de história”, afirma.

Católico apostólico romano e ex-comunista, o aposentado explica o motivo pelo qual acredita que o sistema não deu certo. “A Rússia, que foi onde o comunismo teve ínicio, não era um país preparado para esse sistema. Talvez, se o primeiro país a implantar o comunismo tivesse sido a França ou a Inglaterra, ele poderia ter dado certo. Karl Marx era igual a Jesus Cristo. Acreditava que o homem era bondoso, misericordioso. Mas, na vida real, as coisas não funcionam bem assim. O homem é mau, vive conspirando, só pensa no próprio bem estar. O homem é o lobo do homem”, desabafa.

Antoine também tem uma teoria sobre o início das religiões. “Tudo teve início no Egito. Foi lá que as religiões, próximas ao que conhecemos hoje, tiveram início. Depois foi para a Grécia e o Oriente”, diz.

Para Antoine, Karl Marx pensava como Jesus Cristo (Foto: Guilherme Lucio/G1)

Para Antoine, Karl Marx pensava como Jesus Cristo (Foto: Guilherme Lucio/G1)

Mein Kampf

Livro de Hitler faz parte da coleção do aposentado (Foto: Guilherme Lucio/G1)

Livro de Hitler faz parte da coleção do aposentado
(Foto: Guilherme Lucio/G1)

Dentre os milhares de livros de seu acervo, Antoine tem alguns exemplares mais “exóticos”, outros raros, como uma das primeiras edições do livro de Adolf Hitler, Mein Kampf (Minha Luta, em português). Antes de tocar no assunto, ele preferiu deixar algo bem claro. “Muitas pessoas associam o livro ao nazismo. Eu sou uma pessoa apaixonada por história e por livros de história. Não quero que confundam as coisas”, enfatiza. O aposentado explica que leu apenas parte do livro. “Não cheguei ao final, mas achei interessante”, diz Abdid.

Sobre o regime alemão implantado durante a 2ª Guerra Mundial, Antoine explica que o regime foi “útil” para a Alemanha. “É lógico que houve problemas, mas a Alemanha conseguiu se reerguer. O objetivo principal era conquistar a Europa, como Napoleão também tentara, e não conseguiu”, conclui.

Aposentado tem livros por todo o apartamento (Foto: Guilherme Lucio/G1)

Aposentado tem livros por todo o apartamento (Foto: Guilherme Lucio/G1)

Que destino terão os 4 mil livros de Joaquim Barbosa em Brasília

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Felipe Patury, na Época

BIBLIOTECA Onde Joaquim Barbosa porá os quatro mil livros que tem apenas em Brasília (Foto: Alan Marques/Folhapress)

BIBLIOTECA Onde Joaquim Barbosa porá os quatro mil livros que tem apenas em Brasília (Foto: Alan Marques/Folhapress)

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa acumulava quase quatro mil livros no seu gabinete na corte. Depois que se aposentou, pediu aos antigos funcionários que catalogassem todos, os encaixotassem e mandassem para seu apartamento em Brasília. Não é problema acomodar no imóvel de 600 metros quadrados sua biblioteca brasiliense – ele tem outra no Rio. O problema é que se trata de um apartamento funcional e Barbosa quer devolvê-lo ao Erário tão logo volte de suas férias. Seus amigos estão de olho num apartamento ou casa capaz de comportar tudo, quando ele recomeçar sua vida como parecerista e palestrante. Já tem, aliás, seis conferências na agenda.

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