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Hiperpoliglotas: Conheça mitos, pesquisas e dicas de quem não tem barreiras para e comunicar

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Larissa Baltazar, no Brasil Post

Você já deve ter ouvido falar nos poliglotas. São as superpessoas que conseguem falar quatro ou mais idiomas.

Mas, desde 2003, o linguista britânico Richard Dick Hudson popularizou um termo que definiria melhor alguns poucos poliglotas que se comunicam em mais de seis idiomas: os hiperpoliglotas.

Não. Não é uma gourmetização do termo original.

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Há um propósito na criação do novo nome. Segundo o linguista, uma pessoa pode falar de 50 a 100 línguas – mas o padrão da sociedade é que o máximo de idiomas aprendido seja seis. “Se soubéssemos como essas pessoas lidam com esse adendo intelectual aparentemente impossível, o restante de nós poderia aprender com eles”, Hudson explica.

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Da esquerda para a direita: Emil Krebs, um diplomata alemão que se comunicava impecavelmente em 65 idiomas. Lomb Kató, uma das primeiras tradutoras simultâneas no mundo, era húngara e dominava 16 idiomas. Giuseppe Mezzofant, um famoso cardeal italiano, cujo biógrafo conta que tinha conhecimento de 40 e 72 línguas.

Um outro exemplo, que é inclusive alvo dos holofotes da mídia internacional até hoje, é o brasileiro Carlos do Amaral Freire. Ele é linguista, tem 83 anos e sabe 135 idiomas. “Em pelo menos 30 sou fluente, mas já publiquei traduções em mais de 60 idiomas. Se eu estudar por mais ou menos 24 horas consigo recuperar alguma outra mais esquecida”, ele conta.

Até hoje, Freire aprende duas línguas por ano. “O problema para o poliglota é, além de aprender, não esquecer. Além das duas novas, reviso de cinco a 10 idiomas por ano. Agora estou aprendendo laociano, de Laos. Você conhece? É parecido com o tailandês.”

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Freire nasceu na fronteira com o Uruguai e aprendeu espanhol desde cedo pela convivência com nativos. Na época em que ia à escola também teve que aprender as línguas obrigatórias da grade: latim, francês e inglês. Em paralelo a isso, no mesmo período, o jovem Freire se dedicava a outras, como italiano e esperanto. “Saí do ensino fundamental falando umas cinco ou seis línguas”, conta ele.

Conforme cresceu, além do gosto por aprender novos idiomas, Freire também descobriu uma grande paixão pela literatura. Uma coisa impulsionou a outra e isso o ajudou a aumentar seu leque: “Eu não conseguia me conformar em ter que ler clássicos da literatura espanhola como Cervantes, ou da literatura russa, como Dostoiévski, em traduções para o português. Então no ginásio fiz um curso científico de clássicos e depois ingressei em duas faculdades simultaneamente: de línguas neo latinas e línguas germânicas. Ah! E antes de entrar na faculdade também já tinha começado a estudar árabe.”

Com essa habilidade, Freire ganhou bolsas em universidades por todo o mundo, e viajou para estudar e aprender cada vez mais idiomas. Afora isso, também lecionou em muitos outros. “Minha última missão foi na ex-Iugoslávia. Lecionei o primeiro curso de português na universidade que trabalhei, que era uma das maiores de lá”.

Ele conta que a primeira coisa que faz quando começa a estudar um novo idioma é procurar nativos para praticar. Para ele, conhecer a cultura do que se está estudando também faz toda a diferença.

Quando perguntado qual língua ele considera a mais difícil, de todas as que aprendeu, ele responde que não é possível medir isso. “Todas as línguas são difíceis, não é um dom, uma vocação. Não é nada além de esforço e uma tremenda disciplina.”

Pesquisas, mitos e senso comum

“Sou muito [email protected] para aprender outros idiomas”
De fato, alguns estudos como o das linguistas canadenses Patsy Lightbown e Nina Spada, apontam a chamada Hipótese do Período Crítico, na qual a melhor idade para aprender idiomas é até a fase da puberdade. As fases seguintes têm mais problemas na pronúncia e lentidão para aprender uma nova gramática.

No entanto, um estudo israelense apontou (mais…)

Brasil fica em 38º em ranking mundial de ensino de inglês

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Levantamento foi feito com 750.000 pessoas em 63 nações que não têm o inglês como idioma nativo. No ranking nacional, São Paulo ficou em 1º lugar

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Publicado na Veja

O Brasil ficou na 38º posição no ranking de proficiência em inglês divulgado nesta quarta-feira pela rede de escolas de idiomas EF Education First. O levantamento foi feito em 63 países e territórios que não têm o inglês como língua nativa e considera as habilidades de 750.000 pessoas com o idioma. O ranking é realizado anualmente desde 2011. No ano passado, o Brasil obteve a mesma pontuação deste ano. Já em 2012, ficou na 46ª colocação entre 54 países.

Os níveis de domínio da língua foram definidos por testes de gramática, vocabulário, leitura e compreensão, com pontuação que varia de 0 a 100 pontos. A partir do resultado médio dos participantes, os países foram divididos em cinco grupos: proficiência muito baixa; baixa; moderada; alta e muito alta. O Brasil obteve 49,96 pontos e ficou no grupo de países com baixa proficiência, que tem ainda outras doze nações, entre elas Peru, Equador, Rússia, China, México e Uruguai.

Os dez países com melhor pontuação são europeus, sendo que os países nórdicos se destacam na lista (confira a lista ao lado). A Dinamarca ficou em primeiro lugar no ranking com 69.30 pontos, seguida da Holanda (68,99) e Suécia (67,89). Na última posição, está o Iraque, com 38,02 pontos.

Ainda segundo o levantamento, as mulheres falam inglês melhor do que os homens em quase todos os países pesquisados. De acordo com os organizadores do estudo, a proficiência em inglês é um indicador-chave de competitividade econômica de uma nação. “O inglês é uma plataforma poderosa para o intercâmbio profissional, cultural e econômico”, afirmou em nota Beata Schmid, porta-voz EF Education First.

No âmbito nacional, o sudeste foi a região que teve melhor proficiência na língua. São Paulo, que teve pontuação média de 52,89 pontos, ficou no nível de proficiência moderada, seguido pelo Rio de Janeiro (52.65) e Paraná (52.35). O Mato Grosso teve a menor pontuação: 45,68 pontos.

Jovem de 17 anos diz como aprendeu 23 línguas

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O americano Timothy Doner adotou o hobby de aprender idiomas e se tornou um hiperpoliglota

O estudante Timothy Doner. Ele dedica suas férias e os fins de semana a aprender idiomas (Foto: Emily Berl/The New York Times)

O estudante Timothy Doner. Ele dedica suas férias e os fins de semana a aprender idiomas (Foto: Emily Berl/The New York Times)

Angela Pinho, na Época

Nas ruas de Nova York, é possível ouvir alguém cantando em hebraico, falando híndi ou pedindo uma comida em farsi. É possível que tudo isso esteja sendo feito por uma pessoa só, o estudante Timothy Doner. Aos 17 anos, ele tornou-se sucesso na internet devido à capacidade de aprender idiomas. Muitos. Praticamente sozinho. Afirma que já fala 23, incluindo sua língua materna, o inglês, e promete mais.

Tim, como gosta de ser chamado, resolveu virar poliglota por hobby. Começou quando estudava para seu bar mitzvah, cerimônia que, na tradição judaica, marca a maioridade dos meninos, aos 13 anos. Durante a preparação, aprendeu algumas palavras em hebraico e resolveu continuar os estudos com o mesmo professor. Pegou gosto. Durante as férias, decidiu estudar árabe numa universidade. Com base no novo conhecimento, aprendeu outras línguas do Oriente Médio. Estendeu seus conhecimentos ao sul-asiático e à África. A partir do francês, que aprendeu na escola, passou a outras línguas latinas.

Para se tornar um hiperpoliglota, Tim diz passar praticamente todos os dias de suas férias e os fins de semana estudando de diversas maneiras, que incluem a combinação de diferentes métodos. Para algumas línguas, preferiu engajar-se em aulas de idioma. No caso de outras, apenas mergulhou em livros didáticos. Para praticar a fluência, conta que se beneficiou do caráter multicultural de Nova York, onde vive com os pais. Um de seus passatempos é ir a Chinatown, o bairro chinês, praticar mandarim com os moradores. Tirou também proveito da internet. Há dois anos, seguindo o exemplo do também poliglota Richard Simcott, passou a publicar pequenos vídeos no YouTube falando em diferentes idiomas. Ao final deles, perguntava: “O que vocês acharam da minha pronúncia?”. As respostas o ajudavam a melhorar ainda mais o que já parecia muito bom.

777_personagem2Tim não tem o mesmo nível de conhecimento para todas as línguas – algumas ele fala melhor, outras escreve, outras apenas lê. Sua desenvoltura impressiona quem assiste aos vídeos. “Daqui a dois anos, você poderá ter seu próprio programa na Al Jazeera”, disse um dos primeiros a comentar o vídeo de Tim falando em árabe, postado quando tinha 15 anos. “Você fala melhor que eu!”, afirmou uma afegã sobre o vídeo em que ele fala pachto, uma das principais línguas do Afeganistão. A partir dos amigos conectados à internet, trocou contatos e passou a praticar idiomas com gente do mundo todo por meio do programa de comunicação Skype. Num único dia, chega a falar até dez idiomas. Seu vídeo mais acessado, em que exibe sua fluência em 20 línguas durante 15 minutos, já foi visto por mais de 1,2 milhão de pessoas (assista abaixo). Apesar da fama, Tim rejeita o rótulo de superdotado. “Sou um bom aluno, mas diria que provavelmente sou mediano em todo o resto”, afirmou numa entrevista. É também modesto. Além de pedir opiniões sobre sua pronúncia, em seus vídeos diz coisas como: “No mês passado, comecei a ler em pachto, e não é tão difícil!”. Acha graça de seus amigos que dizem que seu hebraico tem sotaque francês – e vice-versa.

Tim pertence a um grupo de pessoas chamadas de hiperpoliglotas. Pesquisas recentes na área de neurologia descartam uma explicação única para tamanha habilidade. Parte dessa capacidade pode ser do próprio indivíduo – especialistas consideram haver algo de excepcional na facilidade e na agilidade com que Tim aprende línguas. Parte, entretanto, pode ser adquirida.

Aprender uma segunda língua ainda criança ajuda bastante. Alguns hábitos podem ajudar qualquer um a se lançar à tarefa. Em seus vídeos, Tim ensina alguns: não se estressar; não procurar cada palavra no dicionário; ler um pouco na língua estrangeira diariamente, mesmo que apenas um artigo da Wikipédia; misturar métodos até encontrar o mais adequado; tentar falar e ouvir o máximo em músicas, vídeos, novelas e pela internet. Para incentivar o diálogo dentro da rede, Tim estrelou com outros poliglotas o vídeo Skype me maybe, paródia do sucesso Call me maybe, de Carly Rae Jepsen. Ele não se cansa de novos desafios. Em sua coleção, Tim tem um livro sobre português do Brasil. Em breve, deverá falar como um brasileiro.

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