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Brasil deve aprender com Coreia do Sul a valorizar professor, diz ministro

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Na Coreia do Sul, Janine Ribeiro falou sobre participação em fórum.
‘Não é um caminho fácil, carreira docente foi muito desprestigiada’, afirma.

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Publicado no G1

Após uma semana na Coreia do Sul participando do Fórum Mundial de Educação, o ministro da Educação Renato Janine Ribeiro considera que a principal lição que o Brasil deve tirar da experiência coreana é a valorização do professor. O Fórum, realizado pela Unesco em Incheon, reuniu representantes de mais de cem países para discutir os próximos passos a serem seguidos pelos países para melhorar a educação mundial.

“O grande ponto que nós temos que tirar da lição coreana é a valorização do professor. Esse é um grande ponto que a Unesco recomenda, que o Brasil quer pelo seu Plano Nacional de Educação e que a Coreia [do Sul] pratica”, disse o ministro em entrevista ao G1.

“A valorização do professor e do diretor são outros pontos importantes do que o Fórum recomenda. Também estamos neste caminho e não é um caminho fácil, porque a carreira docente foi muito desprestigiada nas últimas décadas”, comentou.

Janine Ribeiro afirmou que as metas da Unesco e as do Plano Nacional de Educação são convergentes. Durante o Fórum, o Brasil foi apresentado como experiência exemplar de inclusão escolar. De acordo com o ministro, a imagem do Brasil nesse aspecto é muito boa.

“Nós fomos apresentados como uma história exemplar, quer dizer, uma história que outros devem seguir de como promovemos a inclusão social por medidas de várias naturezas, inclusive a educação. Como fizemos que as escolas universalizassem mais e que a miséria, que no Brasil afetava mais de 10% das pessoas de 0 a 15 anos há 10 ou 12 anos atrás, a miséria despencasse para menos de 1% nesta faixa de idade.”

O ministro afirmou que o país se colocou à disposição para explicar sua experiência a outros países. Ele reconheceu, no entanto, que apesar de estar no caminho certo o Brasil ainda precisa avançar.

“Nós ainda temos grandes desigualdades em postos ocupados por mulheres, postos ocupados por homens. Ainda temos discriminação de vários tipos, inclusive aquela discriminação mesquinha do médico que reclama da mulher que está dando a luz que diz que não chorou quando fez o bebê, reclamação que ele não faz para o pai da criança.”

Coreia do Sul
A Coreia do Sul é considerada um exemplo de país que conseguiu dar um salto na economia devido à sua melhora na educação. Nos rankings de desempenho escolar, como o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), os alunos coreanos aparecem na elite dos países.

No último ranking divulgado sobre a capacidade de alunos de 15 anos em resolverem problemas de matemática, a Coreia ficou na segunda posição entre 44 países. Os brasileiros apareceram apenas no 38° lugar.

A valorização do professor no país foi um dos pilares dos avanços educacionais da Coreia do Sul. Em pesquisa feita pela Varkey Gems, em 2013, mais de 40% dos coreanos afirmaram que encorajariam seus filhos a seguirem a carreira de professor na Coreia.

Em uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre violência contra professores, 12,5% dos professores brasileiros informaram serem vítimas de agressões verbais por alunos ao menos uma vez por semana. Na Coreia do Sul, esse índice é zero.

Plano Nacional de Educação

Sancionado em 2014, o Plano Nacional de Educação tem, entre suas metas, a valorização da carreira docente. O objetivo é que até 2020 os professores da educação básica no Brasil tenham um salário equivalente ao de outros profissionais com mesma escolaridade.

O piso nacional do professor no País é de R$ 1.917,78 para 40 horas semanais. De acordo com o sistema de monitoramento das metas no MEC, o valor é equivalente a 72,7% dos ganhos de profissionais com mesma escolaridade.

Gabriel Perissé: “A escola não ensina a ler para questionar”

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Para o autor de ‘Ler, Pensar e Escrever’, doutor em Filosofia da Educação, não saber ler bem é a maior falha de quem não escreve bem

Publicado na Época

ÉPOCA – Qual é a principal habilidade que falta nos jovens que não sabem escrever bem?
Gabriel Perissé – A leitura é uma prática que precede a escrita. Estou falando de uma leitura interpretativa, não apenas mecânica. Ler bem significa tirar sentido de um texto, gerar um raciocínio. É um exercício também de imaginação.

ÉPOCA – Como ensinar esse tipo de leitura?
Perissé – Ela envolve três fatores: a qualidade dos textos que circulam, o acesso a eles e mediação necessária entre o leitor e o texto, que é feita pelo professor e pelos pais. Sobre esse último ponto, temos um problema e tanto. Para começar, os professores não leem. Consequentemente, também não escrevem. Temo falhas sérias na formação dos que têm a função de ensinar a ler. A escola não ensina a ler para questionar, ensina a ler para acatar. Daí surgem os leitores com dificuldade para entender ironias, as entrelinhas. E não adianta nada aulas com macetes, técnicas, dicas e truques. Isso não resolve o problema.

Gabriel Perissé: "Ler bem significa tirar sentido de um texto, gerar um raciocínio. É um exercício também de imaginação". (Foto: Foto/ Divulgação)

Gabriel Perissé: “Ler bem significa tirar sentido de um texto, gerar um raciocínio. É um exercício também de imaginação”. (Foto: Foto/ Divulgação)

ÉPOCA – Qual é a origem dessa má formação dos professores e da baixa qualidade das escolas?
Perrissé- Há um contexto histórico. Até as décadas de 60 e meados da década de 70, tínhamos uma leitura sofisticada. Até na imprensa. Pense em textos de Nelson Rodrigues, por exemplo. Ou do Otto Lara Resende. Depois os textos de jornais e revistas entraram num período mais técnico, neutro e objetivo. A ditadura militar, por sua vez, apagou qualquer estímulo ao pensamento crítico, ao mesmo tempo em que a escola passou a ser acessível para muito mais gente. A partir dos anos 80, colhemos o resultado disso. Surgiu uma geração que não sabe criticar, ponderar, a pensar por conta própria, que busca nos textos não a contundência de antes, mas apenas a informação. A formação ruim dos professores é fruto desse cenário. O próprio curso de Letras ficou desprestigiado.

ÉPOCA – Há alguma melhora nesse cenário?
Perissé – Há muitas tentativas. Talvez daqui a 15 anos melhore, se tudo der certo, mas acho que ainda sofremos hoje as consequências desse passado. Tem aí uma molecada de 11, 12 anos, filhos de uma geração mais antenada, que leu Harry Potter – obra contemporânea e de qualidade – que se liga mais em leitura, que descobriu que ler pode ser bacana graças a essa obra. Para os pais, um aviso: envolva seu filho na leitura. Quando nos cercamos de pessoas com certas habilidades, fica muito mais fácil aprender e gostar. Não dá tempo de ler junto todo dia? Leva para passear na livraria.

Aprender a aprender

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Publicado na Folha de S.Paulo

Se não caiu a ficha, está na hora de cair: a maior parte do conhecimento teórico e prático já produzido pela humanidade está disponível na internet, de graça e abertamente. Quem tiver a curiosidade e a energia necessárias pode tomar nas mãos os caminhos do próprio aprendizado. Esse é um desafio para o sistema educacional: a missão da escola nos dias de hoje passa a ser ensinar a aprender dentro desse novo contexto em que vivemos.

Quem viu o documentário sobre Aaron Swartz (“O Menino da Internet”), disponível também de graça e abertamente no YouTube, deve se lembrar da cena em que ele, com poucos anos de idade, aprende a ler sozinho. Em depoimento para a câmera, seus pais dizem: “Aaron aprendeu muito cedo a aprender”. Apesar de nunca ter completado a faculdade, circulava entre professores das melhores universidades e conversava com eles como igual.

Swartz aprendeu no mesmo lugar –a internet– tanto a programar quanto a ler clássicos da filosofia política (como Henry David Thoreau, um dos seus favoritos). Qualquer um pode seguir seu caminho.

Não importa onde você mora, quão boa ou ruim é a sua escola, qual é sua condição socioeconômica: se você estiver conectado à rede e se organizar, pode ter acesso à mesma informação disponível nas melhores escolas do planeta.

Dá para aprender tudo na rede. Matemática, química e física para os ensinos médio e fundamental estão disponíveis na Khan Academy (já traduzida em português). Cursos universitários inteiros de Harvard e do MIT estão também na rede, por meio de iniciativas como o Open Courseware e o HarvardX. Os “syllabi” –programas dos cursos– de várias universidades de ponta também estão on-line (e suas leituras indicadas estão também na maioria na rede).

Quer aprender habilidades práticas? Sites com o Wikihow ensinam a, literalmente, fazer qualquer coisa. De consertar a bicicleta a fazer uma planilha em Excel.

Além desses “sites-ilha” que organizam conteúdos, há também um vasto oceano de partículas de informação espalhadas pela rede, todas facilmente encontráveis. De vídeos postados por voluntários no YouTube com tutoriais de desenho industrial a aulas de agronomia.

Se algo não estiver disponível, basta entrar em um dos fóruns especializados de cada campo do conhecimento, que reúnem usuários dispostos a se ajudar.

Muita gente vai dizer que boa parte desse conteúdo só está disponível em inglês. Não tem problema. Dá para aprender inglês (e várias outras línguas) pela internet. Sites como o Duolingo –com modelos de aprendizado gratuito– têm se tornado cada vez mais populares justamente por sua eficácia.

Claro que não dá para ignorar o papel dos professores, que mais do que nunca são essenciais. Mas entramos no momento em que o aprendizado tornou-se mais importante do que a educação. Isso gera enorme pressão sobre o sistema educacional. E pressão ainda maior sobre cada um nós. Não temos mais desculpa para não aprender.
ronaldo lemos

Ciência e humor podem atuar juntos na educação, diz “Beakman”

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Publicado em EBC

A Campus Party Brasil de 2015 tem realizado, desde a última terça-feira (3/2), palestras e workshops sobre os mais diversos assuntos relacionados à tecnologia, internet e ciência. Um dos convidados internacionais desta edição foi Paul Zaloom, apresentador do programa “Mundo de Beakman”, que fez sucesso no Brasil no final dos anos 1990 ao ser transmitido pela TV Cultura.

O “Mundo de Beakman” trazia em cada episódio curiosidades, conceitos e experimentos relacionados à ciência, física e química. Todos os temas eram ligados ao cotidiano, com exemplos que podiam ser testados em casa pelos telespectadores. O Sala conversou com Zaloom após sua palestra, lembrando o programa que atraía crianças e adolescentes e falando como professores podem usar programas de televisão para chamar a atenção de sues alunos.

Paul Zaloom afirma que a mistura de arte, pesquisa e ciência em meio ao humor era o segredo para o sucesso de seu programa. Ele fala que é um privilégio poder trabalhar colaborando com os professores. “Eles têm o trabalho difícil, eles não podem ser divertidos o tempo inteiro”, lembra o criador do personagem Beakman.

Sala – Nos anos 90, você foi o “professor cientista maluco” que fez todas as crianças acreditarem que elas poderiam ser cientistas também. Hoje em dia, com as facilidades oferecidas pela tecnologia, jovens adultos e crianças são reais cientistas, realizadotes, etc. Você acredita que se houvesse mais programas de TV como o “Mundo de Beakman”, poderia motivar crianças a criar mais nesta atmosfera inovadora que estamos vivendo?

Zaloom – Sim, quanto mais melhor. Acredito que qualquer programação deste tipo pode motivar crianças e adultos a serem criativos, pensar em diferentes formas, e tudo isso é importante e maravilhoso. Precisamos de um número maior de bons programas para as crianças; para que elas possam por exemplo pegar uma bola e ir até onde elas quiserem com isso.

Sala – Você fez um belo trabalho unindo ciência e entretenimento no seu programa de TV. Dê o seu segredo, como podemos fazer isso?

Zaloom – O segredo do nosso programa foram os nossos roteiristas e pesquisadores. Eles fizeram um trabalho incrível de abordar coisas complexas de forma simplificada. Houve, também, muitos de nós envolvidos no aspecto cômico de tudo, e um pessoal com um forte senso visual; o cenografista e o diretor de arte eram excelentes artistas visuais. Acho que muita arte, pesquisa, ciência e todas essas coisas nos uniram com muito humor. Isso era o nosso segredo.

Sala – Vocês não planejavam muito todo o programa?

Zaloom – Havia planejamento, mas em televisão essas coisas não funcionam muito. Então não havia muito ensaio. Tínhamos uma média de dois dias de ensaio e três dias filmando, e medade de um desses dias era de leitura de roteiro. A gente treinava antes só o que achava que seria difícil, e a maior parte das vezes para combinar as câmeras, nada para atuar ou seguir um roteiro certinho.

Sala – Então é possível fazer isso em sala de aula?

Zaloom – Claro! Eu acho que os professores têm um trabalho realmente difícil; que eu não conseguiria fazer, acho que ficaria louco. Tenho uma verdadeira admiração por professores. Acredito que muitos de nós no programa sentíamos que o que estávamos fazendo era para colaborar com os professores; nós não estávamos competindo com eles ou algo assim. Estávamos abrindo as portas e deixando as pessoas entrarem, mas são os professores que têm o trabalho difícil, eles não podem ser divertidos o tempo inteiro. Eles são os que estão nas “linhas de frente” e é ótimo ter um trabalho de colaboração. Eu diria um “alô” para os professores porque o mundo precisa muito deles e “vocês deveriam ser mais bem pagos”!

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