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Posts tagged aprendizado fora da escola

Escola não tem o poder de substituir educação que vem de casa

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Gabriel Chalita, no UOL

Fico feliz ao ver quanta gente de diferentes áreas escreve e opina sobre educação. Há um movimento da sociedade, muito positivo, que acredita ser a educação a garantidora de melhores tempos para nosso país.

Todos os temas da vida humana passam pela educação. A ética depende da educação. É preciso ensinar a honestidade. O fim dos preconceitos também carece de uma educação capaz de entranhar (termo aristotélico) as mais belas verdades sobre o respeito e a convivência plural. As tantas competências exigidas por um mercado cada vez mais competitivo dependem de uma educação de qualidade. O bem escrever, o bem falar, o bem realizar conexões desenvolvendo autonomia e senso crítico também dependem da educação.

Evidentemente, a educação não é um processo que se esgota em sala de aula. Tudo educa. E tudo pode deseducar. Por isso, é preciso formar a capacidade reflexiva para discernir entre o correto e o errado. Nossa vida é determinada por escolhas. Saber escolher também depende da educação que forja nosso caráter.

O artigo 205 da Constituição Federal evidencia o necessário em um processo educativo: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

A educação é direito de todos. Isso me parece pacificado. É dever do Estado e da família. Portanto, não apenas do Estado. A família tem papel essencial assim como a sociedade. O artigo elenca, ainda, os objetivos da educação, quais sejam: o pleno desenvolvimento da pessoa, com todas as suas complexidades racionais e emocionais; o exercício da cidadania, com a compreensão e a prática de direitos e deveres; e a qualificação para o mercado de trabalho, fazendo com que se transforme informação e conhecimento em benefício para a sociedade.

Sabedores de que precisamos formar a pessoa e prepará-la para o mercado de trabalho, faz-se mister refletir sobre as formas de educar para esses fins.

Tripé da educação

Poderíamos nos deter nas estatísticas internacionais, analisando os indicadores de qualidade que mudaram o cenário de países como a Coréia do Sul e, mais recentemente, a China. Ou, ainda, trazermos um exemplo mais próximo como o Chile. Entretanto, há três pontos convergentes nesses sistemas sobre os quais educadores brasileiros já se debruçaram. Chamo-os de “o tripé da educação com qualidade”.

O primeiro ponto é o professor. Mesmo em tempos de alta tecnologia e de todo o aparato presente na sala de aula ou nos ambientes virtuais, é o professor a alma do processo educativo. E, por isso, a carreira de professor deve ser desejada, valorizada, respeitada.

Fico pasmo quando leio alguns opinantes sobre educação afirmarem que não é relevante dar um bom salário ao professor. Sejamos mais profissionais. Remunera-se muito mal o professor. E mesmo não ganhando bem, a maioria desempenha com mestria seu papel. Há, sim, abnegados que abraçam a educação como bandeira de vida e que, independentemente do quanto recebem, fazem prodígios nas salas de aula.

Precisamos de milhares e milhares de professores para atender à demanda do ensino de qualidade. E isso requer que jovens tenham o desejo de abraçar o magistério como profissão. Se não tivermos um salário digno e um plano de carreira atraente, os jovens não optarão por essa profissão. Sem professores, como vamos educar? Uma remuneração justa, uma formação continuada que garanta qualidade, atualização, entusiasmo dos que ensinam nas salas de aula presenciais ou a distância compõem o primeiro ponto.

O segundo ponto é o currículo inteligente, significativo, que obedeça ao que indica o artigo 205 da Constituição, ou seja, que forme a pessoa, o cidadão, e que o prepare para o mercado de trabalho. Estamos muito atrasados nas escolas em tempo integral em oposição a todos os outros países que, avaliados pelo PISA, conseguem se destacar em qualidade.

Um currículo inteligente intercala teoria e prática, oferece problemas para desafiar os alunos, inquieta para que a habilidade cognitiva seja despertada e socializa as emoções para que o encontro com os diferentes (e diferentes são todos) forme uma cultura de paz. É preciso levar em conta que os alunos são menos atentos. A “geração do instantâneo” não consegue ficar quieta, ouvindo um professor falar durante muito tempo.

O currículo inteligente abrange uma arquitetura diferenciada da sala de aula. Estações de aprendizagem são mais eficazes do que a antiga disposição das carteiras enfileiradas com o professor à frente. Estando o dia todo na escola, o aluno conseguirá suprir suas deficiências e ampliar o horizonte do aprendizado.

O terceiro ponto é a participação familiar. É a família a educadora por excelência. Por melhor que seja uma escola, ela não terá o poder de substituir uma família ausente ou uma família que diz ou pratica anti-valores que colidem com a obrigação de formar a pessoa. Preconceitos nascem em famílias que se desrespeitam. Vejam os índices de violência doméstica. A casa é o primeiro ambiente a educar.

A escola pode ajudar os pais a refletirem sobre a complexa tarefa de educar. Se o mundo virtual é importante, é preciso ter limites. Como em tudo na vida. Os pais contadores de história são fundamentais para o desenvolvimento da curiosidade e da inteligência, além da dimensão afetiva. A cena de uma mãe ou de um pai lendo ou contando histórias para os filhos vale muito mais do que brinquedos e computadores caros. São universos que vão povoando uma mente em formação.

Professores, currículo inteligente, participação familiar. Esse é o tripé de que precisamos. Sem muitos malabarismos. Mas presente em todas as escolas como obrigação de governantes nas esferas federal, estadual e municipal. Um caminho que precisa ser percorrido sob pena de desperdiçarmos o futuro.

Aulas no hospital motivam crianças durante tratamento

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NATÁLIA CANCIAN

Em um dos corredores da ala de internação pediátrica do Instituto do Coração, no Hospital das Clínicas da USP, uma porta de vidro esconde a sala de aula. Na parede, há um quadro escolar, letras do alfabeto e desenhos.

Ao centro, uma mesa, e nos arredores, carteiras escolares e caixas repletas de livros. Foi ali que a reportagem encontrou Isabella, 7, vestida de “uniforme” colorido e pantufas, fazendo exercícios de tabuada ao lado da professora.

Era a primeira vez que a menina, que se recuperava de uma cardiopatia, voltava ao local após uma cirurgia.

Além da sala de aula, as atividades nas 60 classes hospitalares de São Paulo podem ocorrer nos leitos e, em alguns casos, até na UTI –onde Isabella iniciou as atividades.

“Ela não comia, chorava. Só ficava feliz quando a professora aparecia”, conta a mãe, Camila Chidiquimo, 31.

Para a mãe, a iniciativa deu tão certo que a menina topou até fazer uma prova de geografia, enviada pela escola, para concluir o semestre.

Apesar de estar sem colegas em sala naquele momento, Isabella não era a única estudante do hospital.

No dia em que a reportagem visitou o local, Camille, 11, que passou por um transplante duas semanas antes, encarava atividades de interpretação de texto na UTI.

Ao lado, estava o leito de Giulia, 7, que veio do Rio após descobrir uma cardiopatia, em março. “Guerreira”, como é definida pela mãe, colocou um coração artificial até passar por um transplante. No percurso, sofreu um AVC.

Agora, a professora a ajuda, aos poucos, a reaprender a escrever –a menina está recuperando os movimentos. O caderno fica na mesinha colocada em cima da cama.

Emocionada, a mãe, a advogada Cíntia Paiva, comemora a volta aos estudos. “Isso nos tem ajudado a retomar as atividades, porque a vidinha dela estacionou”, relata.
cuidados

Participar das aulas na UTI e nos outros espaços, porém, depende de autorização da equipe médica, que avalia as condições da criança. Psicólogos também acompanham.

“O trabalho é feito até onde a situação clínica permite”, conta a psicóloga Denise Bachi, coordenadora das classes no Incor.

Para a professora Pâmela Priole, 27, as aulas –que no Incor vão das 13h às 17h, com duração variável– ajudam a motivar as crianças durante o tratamento. “É uma ligação com a vida deles lá fora”, diz.

O difícil, segundo ela, é adaptar-se à realidade de cada aluno –há dias em que ela planeja seis aulas diferentes.

Há ainda outras dificuldades. A principal delas, segundo a professora Giulianna Tedesco, 32, é lidar com a possibilidade da morte da criança. Já um dos maiores benefícios é ajudá-la a retomar o gosto pela escola. “É gratificante.”

Fonte: A Folha

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