Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged aprendizado

“Protagonismo da criança é essencial para o processo educacional”, defende educador italiano

0

Adultos devem agir mais como observadores do processo do que como alguém que dita regras

Eligia Aquino Cesar, no R7

 Aldo Fortunati Divulgação

Aldo Fortunati Divulgação

Quando um bebê vem ao mundo é natural que os pais se preocupem com todos os aspectos da vida do pequeno. Desde os custos com fraldas e convênio médico até mesmo decidir — mesmo que precocemente — sobre a melhor maneira de educá-lo, o que importa de fato é garantir o que há de melhor aos filhos. E é aí que a questão começa a complicar: qual a diferença entre controlar e determinar o que é melhor para eles?

Aldo Fortunati, renomado especialista em psicologia do desenvolvimento em educação na primeira infância, defende não só a importância que a criança de zero a três anos frequente a escola, mas também que ela exerça o protagonismo nessa fase. Para o especialista italiano, não é possível padronizar o ensino quando se trata de crianças menores de seis anos de idade.

O fundamental neste método de ensino é entender que a criança rica, ativa e competente, não é previsível. Fortunati afirma que três palavras são capazes de nortear os princípios nos quais se baseiam o protagonismo infantil: confiança, oportunidade e tempo.

A cidade italiana de San Miniato, localizada na Toscana, tem cerca de 26 mil habitantes e é referência internacional quando se trata de educação infantil pública de qualidade. Fortunati, que, também, é presidente do Centro de Pesquisa de Documentação sobre a Infância, La Bottega di Geppetto, falou um pouco mais sobre o bem-sucedido método de ensino.

R7: Qual é o papel dos pais e dos educadores no protagonismo infantil?
Aldo Fortunati: A confiança diz respeito, tanto aos orientadores quanto aos pais. Eles precisam entender que a criança pode e deve exercer o papel principal na própria educação e deixar de enxergá-la como um sujeito fraco, que merece ser protegido o tempo inteiro. Isso só poderá ser provado por meio de oportunidades concretas, vindas por meio de recursos materiais organizados, colocados à disposição dos pequenos. Não basta carteira, cadeira e armários na sala de aula, é preciso mais do que isso. São necessários elementos que incentivem a criatividade e que despertem o interesse da criança. E, por último, compreender que a criança tem um tempo totalmente distinto, que ela precisa explorar, conhecer, transformar e descobrir. Muito diferente do tempo do adulto que é focado apenas em resultados.

R7: Como é possível impor limites, mantendo o protagonismo ao mesmo tempo em que a educa? Dá para agir da mesma forma com crianças mais calmas e também com as mais arteiras?

A. F.: O investimento sobre o protagonismo da criança deve ser geral e preventivo. Não creio que qualquer criança seja diferente daquelas com as quais trabalho. Se nós investirmos para que tenham uma situação positiva para a vivência delas, é um modo de ajudá-las a ter uma experiência tranquila e não nervosa ou agressiva.

R7: No Brasil as diferenças entre escolas privadas — que contam com cerca de 15 alunos por sala — e a rede pública de ensino, com no mínimo 30 crianças por classe, na maioria dos casos, é bem acentuada. Como aplicar o método que incentiva o protagonismo infantil nas escolas públicas?

A. F.:O método que incentiva o protagonismo infantil é mais adequado para comunidades de dimensões reduzidas. Porém, não é um método que não possa ser aplicado também em grandíssimas comunidades. A realização deve ser feita de maneira diferente. O reconhecimento do protagonismo pode ser universal.

R7: Qual o resultado esperado do protagonismo na primeira infância durante o desenvolvimento da criança nas outras etapas da vida até à fase adulta?

A. F.:Há muitos elementos que colaboram para a formação de uma pessoa, é difícil dizer que apenas um deles vai fazer com que a pessoa se torne um adulto diferente. Porém, é certo que, especialmente a criança que vem de uma família carente terá muitas vantagens se frequentar uma escola nos primeiros anos de vida. É preciso investir na qualidade da educação infantil, não porque dessa forma a criança se tornará um adulto melhor, mas para que ela viva com prazer, alegria e produtividade na infância.

É assim que o Google está mudando a sua memória

0

GoogleBrain1024

 

O “efeito Google” descreve a influência da internet na memorização. Até que ponto isso é ruim?

Emerson Martins, no Tecnoblog

Como é o nome daquele filme? Aquele que tem o ator que fez aquela série lá sobre mentiras? Peraí, deixa eu ver aqui (no smartphone). Ah, é Tim Roth!

Essa cena, que ocorreu comigo durante uma conversa de bar, ilustra bem um fenômeno que vem sendo chamado de “efeito Google”: usamos tanto a tecnologia para obtermos informações que nos habituamos a não retê-las na memória; se precisarmos saber de algo rapidamente, uma olhadinha no Google resolve.

Mas até que ponto isso é benéfico?

Esse comportamento vem sendo fortemente percebido em instituições de ensino. Muitos alunos já não recorrem à biblioteca como antes e dão pouca importância à memorização, o que pode comprometer processos de aprendizagem. Em empresas, funcionários mais novos podem ficar perdidos na tomada de decisões se não tiverem a tecnologia como meio para isso.
Como assim efeito Google?

O efeito Google recebeu informalmente essa denominação por volta de 2010, quando o assunto começou a ser estudado com afinco. De lá para cá, o fenômeno ganhou mais força por causa desse dispositivo aí que está bem pertinho de você: o smartphone.

Em 2010, os dispositivos móveis já eram bastante usados para acesso à internet, mas desktops e laptops ainda dominavam. Hoje, a realidade é bem diferente: por questões de custos e praticidade, muita gente sequer tem um PC em casa, delegando o acesso à internet inteiramente ao smartphone.

A praticidade é incontestável. Precisa saber se amanhã é feriado? Tira o celular do bolso e pesquisa. Qual a temperatura ideal para beber vinho? Idem. Qual estação do metrô é mais próxima daquele shopping? Google Maps. Como é “trilhão” em espanhol? Google Tradutor. É “mussarela” ou “muçarela”? Recorra ao Google Now.

Os exemplos remetem ao Google, mas o acesso rápido à informação não se limita aos serviços da empresa. Hoje, temos à nossa disposição aplicativos para bolsa de valores, guia de restaurantes, avaliação de filmes, previsão do tempo, resultado de jogos esportivos, tradução em tempo real, receitas culinárias, agenda e assim por diante.
Qual o problema?

Tudo é tão fácil, tão imediato na internet. O que pode haver de errado nisso? Segundo pesquisadores, acabamos recorrendo tanto à tecnologia que o cérebro se adapta a esse comportamento sem percebermos: a internet aparece com um recurso infindável e permanente, logo, não é necessário memorizar tanto. Se estamos com sede, bebemos água. Se estamos com frio, nos agasalhamos. Se precisamos saber alguma coisa, perguntamos ao Google.

Betsy Sparrow, professora de psicologia da Universidade Columbia, é uma grande estudiosa do assunto. Ela ressalta que o cérebro humano busca, sobretudo, eficiência: se o órgão perceber que vale mais a pena saber como efetivamente encontrar informação do que guardá-la, vai priorizar o primeiro comportamento.

Aí está o ponto de ruptura: nos tornamos excelentes em encontrar informação. As gerações atuais sabem combinar palavras-chave no Google ou acionam o aplicativo certo para cada tipo de atividade de maneira muito mais rápida e efetiva que uma pessoa que não esteve tão imersa na evolução tecnológica.

O “sintoma” mais presente é o esquecimento de coisas corriqueiras, como o telefone de casa ou o nome de um artista muito admirado. Mas o ponto que mais preocupa é que esse novo modo de agir pode interferir em habilidades e processos que são críticos no dia a dia.

Um dos testes conduzidos por Sparrow em seus estudos foi bem simples: a um grupo de voluntários foi dada a tarefa de digitar no computador frases de curiosidades, como “o olho do avestruz é maior que o seu cérebro”. Todos foram orientados a memorizar o máximo possível de afirmações. Posteriormente, o grupo foi dividido em dois. O primeiro foi informado de que as informações digitadas seriam apagadas. O segundo, não. Na etapa final, que consistia em revelar as afirmações memorizadas, o grupo que não sabia que as informações seriam apagadas teve desempenho bem pior.

No ambiente de ensino, esse comportamento pode dificultar o desenvolvimento do raciocínio lógico ou da habilidade de analisar e comparar informações. Isso porque o indivíduo acaba não encontrando necessidade real de estudar o assunto com profundidade.

Em outra parte da pesquisa, voluntários foram submetidos a um teste de Stroop, que mede a nossa reação quando nos deparamos com cores fora do contexto, por exemplo, a palavra ‘azul’ escrita com a cor amarela. A tarefa consistia em identificar as cores das palavras sem se importar com o significado delas. Se você demora mais para identificar ou se lembrar de uma cor, significa que, provavelmente, a palavra associada a ela tem mais importância para você.

Pois bem, a equipe de Sparrow notou que os participantes tiveram mais dificuldades para processar cores relacionadas a nomes como ‘Yahoo’ e ‘Google’, especialmente depois de enfrentar perguntas difíceis, sugerindo que o primeiro impulso dessas pessoas é buscar na internet respostas para as questões que elas não sabem responder.

Essa dependência pode deixar a pessoa perdida quando ela não tem como acessar a internet ou, pela dificuldade de se concentrar em outros meios de obtenção de informação (uma biblioteca, por exemplo), excessivamente cansada.

As pessoas também podem ter dificuldades para estimar esforços ou a habilidade para resolver problemas. Um estudo conduzido por Adrian F. Ward, da Universidade Harvard, mostrou que um grupo de voluntários teve menos desempenho em um teste do que eles acreditavam que teriam. Para eles, é como se a internet fosse uma extensão do cérebro. Se a informação está lá e você tem acesso imediato a ela, fica mais difícil mensurar o que se sabe e o que não se conhece.
Ufa, não estamos ficando burros

Isso significa que estamos ficando menos inteligentes ou qualquer coisa assim? Não. É necessário levar em conta que a internet propicia o aumento da quantidade de informações com as quais lidamos em curtos intervalos de tempo, logo, o tal do efeito Google também pode ser visto como uma forma que o cérebro encontrou para não ficar (tão) sobrecarregado. Notificações de aplicativos diversos, email, redes sociais, mensagens instantâneas, notícias… É muita coisa para processar.

Não é difícil entender esse mecanismo. Se você tem um único compromisso para a semana que vem, provavelmente se lembrará dele. Mas se são vários, é bom ter tudo numa agenda. Diante desse grande volume de informações, o cérebro priorizará o mecanismo que dá acesso a elas (neste caso, te lembrará de sempre consultar a agenda). Assim, a memória de curto prazo fica livre para outros afazeres.

Betsy Sparrow e outros pesquisadores chamam isso de memória transacional. O que estamos vendo aqui é que o cérebro se comporta do mesmo jeito em relação à internet. Como ali a carga de informações é muito maior, o comportamento retratado pelo chamado efeito Google se torna padrão.

Assim, a percepção do efeito Google serve de alerta, fundamentalmente. Não é ruim termos tanta facilidade para obtenção de informações, mas é importante usarmos os recursos disponíveis com equilíbrio. Via de regra, todo excesso faz mal. Felizmente, é mais fácil do que parece.

Já se sabe que, na hora de estudar, escrever à mão em vez de digitar costuma ter muito mais efeito na memorização e, consequentemente, na compreensão da ideia. Se estamos em um passeio, teremos muito mais benefícios cognitivos e satisfação se não ficarmos o tempo todo preocupados em tirar fotos ou filmar.

Jogos de tabuleiro ou cartas, por exemplo, também ajudam a manter as nossas capacidades de raciocínio e memorização aguçadas. O hábito de ler livros também (mas tem que ser hábito mesmo).

Para quem se o preocupa com o assunto, acima de tudo, vale a pena fazer uma reflexão sobre os hábitos online e, a partir daí, tentar aplicar os ajustes necessários. Se perguntar se você conseguiria executar determinada tarefa sem consultas à internet ou se sujeitar a testes de conhecimento sem ajuda do Google pode ser um bom jeito de começar.

3 livros para aumentar os seus conhecimentos

1

3-livros-para-aumentar-seu-conhecimento-ok-noticias

Publicado no Universia Portugal

Nas palavras de Fernando Pessoa, “ler é sonhar pelas mãos de outrem”. O hábito da leitura pode ser, como sugeriu o grande escritor português, uma maneira de conhecer novos mundos e de viver diferentes realidades. Além disso, ao folhear as páginas dos livros podemos adquirir conhecimento sobre os mais diversos assuntos, das ciências ao comportamento humano. A seguir, confira uma lista de 3 tipos de livros para aumentar os seus conhecimentos:

1. Livros de Filosofia
A filosofia é a área que estuda e analisa as questões relativas ao ser humano como, por exemplo, valores éticos, religião e comportamento. A leitura deste tipo de livros é uma ótima forma de nos conhecermos melhor a nós próprios.

2. Livros de Ciência
Os livros sobre ciência ajudam-nos a entender melhor o mundo em que vivemos, seja sob o olhar da Física, da Química, da Biologia ou de outra disciplina da área. Com eles, torna-se mais fácil entender eventos e fenômenos naturais importantes.

3. Livros de Ficção
Ao contrário do que muitos acreditam, as histórias de ficção são uma ótima forma de aprender e de desenvolver o pensamento crítico. Ao lermos histórias que se passam em realidades diferentes da nossa, aumentamos o nível de consciência sobre o nosso próprio mundo. Além disso, as obras de ficção são divertidas e prendem a atenção do leitor.

O hábito que ajudou Bill Gates, Warren Buffett e Oprah Winfrey alcançarem o sucesso

0
Warren Buffett e Bill Gates (Foto: Getty Images)

Warren Buffett e Bill Gates (Foto: Getty Images)

 

Eles gastam uma quantidade fixa de horas semanais só para aprender – seja lendo ou fazendo novos experimentos

Publicado na Época

Eles são extremamente ocupados e trabalham muito. Mas nenhum deixa de lado uma prática: a de reservar algumas horas por semana para fazer algo aleatório com o objetivo de aprender. A conclusão é de Michael Simmons, cofundador da Empact, plataforma para empreendedores, que analisou histórias pessoais de grandes líderes e executivos como Elon Musk, Oprah Winfrey, Bill Gates, Warren Buffett e Mark Zuckerberg. “Percebi um padrão na rotina de todos eles: reservam uma hora por dia (ou cinco horas semanais), durante toda a carreira, para fazer atividades que podem ser classificadas como práticas de aprendizado”, diz Simmons em artigo publicado na Inc. É o que ele define como a “regra das cinco horas”. Simmons selecionou algumas dessas práticas – e as dividiu em três tópicos: leitura, reflexão e experimentos. Confira abaixo:

Leitura

Segundo um artigo publicado na Harvard Business Review, o fundador da Nike, Phil Knight, venera tanto a sua biblioteca particular que você precisa tirar os sapatos antes de adentrá-la e fazer uma saudação. Já Oprah Winfrey credita boa parte de seu sucesso a livros que leu. “Livros são meu passe para minha liberdade pessoal”. Ela compartilha o seu hábito abertamente, por meio de um clube de leitura. Eles não estão sozinhos. Veja os hábitos de outras personalidades:

– Warren Buffett gasta cerca de seis horas por dia lendo cinco jornais e 500 páginas de balanços de empresas

– Bill Gates lê 50 livros por ano

– Mark Zuckerberg lê, ao menos, um livro a cada duas semanas

– Elon Musk cresceu lendo dois livros por dia, segundo seu irmão

– Mark Cuban lê mais do que três horas por dia

– Arthur Blank, cofundador da Home Depot, lê duas horas por dia

– O bilionário e empreendedor David Rubenstein lê seis livros por semana

– Dan Gilbert, bilionário e dono do Cleveland Cavaliers, lê de uma a duas horas por dia

Refletir

O CEO do AOL, Tim Armstrong, faz sua equipe de diretores-sênior gastarem cerca de quatro horas por semana apenas refletindo. Jack Dorsey, do Twitter, é conhecido justamente por vaguear. Jeff Weiner, do LinkedIn, gasta duas horas de seu dia pensando.

Quando Reid Hoffman, empreendedor digital e cofundador do LinkedIn, tem alguma ideia, ele logo liga para um de seus pares para compartilhá-la: Peter Thiel (fundador do Pay Pal), Max Levchin ou Elon Musk. Quando Ray Dalio, fundador do maior hedge fund do mundo, comete um erro, ele rapidamente compartilha o fato em uma plataforma que é aberta a todos os funcionários de sua companhia. E, então, ele gasta tempo com sua equipe para encontrar onde está a falha que o levou ao erro.

Experimentar

Ao longo de sua vida, Benjamin Franklin reservou um tempo à parte para experimentar e planejar projetos com outras pessoas. É famosa também a prática do Google de permitir que seus funcionários participem de novos projetos durante 20% de sua carga horária. O Facebook tem a sua própria hackathon, uma maratona mensal para funcionários testarem novas ideias e criações – que às vezes não têm relação direta com o trabalho que desenvolvem.

O maior exemplo de experimentação, contudo, é provavelmenteThomas Edison. Mesmo sendo incontestavelmente um gênio, Edison aproximou-se de suas maiores criações com muita humildade. Ele identificava cada possível solução – e testava uma a uma. “Se Edison tinha que encontrar uma agulha em um monte de feno, ele não parava até conseguir. Ele começava imediatamente, com diligência quase que febril, a examinar palha a palha, até encontrar o objeto de sua pesquisa”, afirma Nikola Tesla, um de seus rivais.

Por que criar o hábito de aprender

Ao pontuar esses hábitos, Michael Simmons defende que as pessoas que estabelecem regras semanais para fazer algo que não envolve diretamente o trabalho delas obtêm vantagens. Um ponto a ser destacado, contudo, é que tais práticas não devem se confundir com “trabalho”. Muitos profissionais, segundo Simmons, buscam atividades que aumentam sua produtividade e eficiência – e que não os levarão a melhora em algum tipo de habilidade.

Saiba por que esse é o momento dos autodidatas

0

noticia_110448

Empresas estão reconhecendo que habilidades não dependem de notas ou universidades, acredita especialista

Publicado no Administradores

O vice-presidente de Recursos Humanos do Google anunciou, há alguns meses, que notas e formação acadêmica não serviam para prever, durante o processo de recrutamento, o bom desempenho que alguém teria futuramente no trabalho. Além disso, também afirmou que o título de universitário já não era mais tão necessário e que no Google vários dos funcionários não passaram pela universidade.

Hoje em dia, é cada vez mais comum questionar o que há de tão crucial no aprendizado formal quando temos tantos recursos para o aprendizado informal, a preço baixo e com flexibilidade.

“Cada vez mais as empresas reconhecem que as habilidades necessárias tem menos correlação com os diplomas e programas oferecidos pelas universidades. Isso representa o início de uma nova etapa, que provocará mudanças irreversíveis”, disse Fernando Valenzuela, presidente da Cengage Learning na América Latina.

Tudo isso vem acompanhado do auge dos tutoriais e dos cursos onlines, muitos destes gratuitos e endossados por empresas, universidades e escolas de negócios, que chegaram para democratizar o conhecimento. Mas este novo panorama também traz desafios para as empresas e universidades, que estão numa competição para captar talento. Sobre isso, Valenzuela disse que as universidades deveriam acelerar sua transformação para cativar os estudantes e oferecer experiências de aprendizagem mais relevantes para o futuro do trabalho.

Para isso, deveria-se abandonar os programas rígidos, as experiências de aprendizagem planejadas para estudantes medianos, a aplicação de instrumentos de avaliação padronizadas e o conceito de que os estudantes começam a partir do mesmo nível.

Mas para as empresas o desafio é menor. De acordo com Valenzuela, “estas enfrentam as dificuldades de não encontrar as capacidades que necessitam em seu capital humano. Por isso, se abrirão para integrar indivíduos que não têm diplomas ou o respaldo das instituições educativas, valorizando os micro créditos, os micro diplomas e os portfólios digitais desenvolvidos a partir de experiências formais e informais”.

A aprendizagem do inglês é um dos exemplos que pode ser mencionado, já que, através de várias plataformas, as pessoas podem melhorar seu nível, sem maiores custos ou problemas. Nicolás Fuenzalida, CCO da Políglota, comunidade gratuita para aprender inglês, explica que o sucesso deste empreendimento se deve porque “as pessoas estão cansadas do sistema tradicional e buscam algo diferente para aprender idiomas, como fazer isso num parque enquanto tomam um café. Também está em pauta a viralidade, porque isso está muito na moda, junto com as plataformas e com os vídeos, onde se gera um feedback. Esse tem sido o segredo para o nosso sucesso, porque mesmo sem ter investido em publicidade, as pessoas falam de nós. As pessoas entenderam que podem aprender se divertindo”.

Esses casos de aprendizagem não convencionais podem ajudar a desenvolver habilidades necessárias para as empresas, como o pensamento crítico, criatividade e inovação, gestão de informação não estruturada, integração multicultural, interação com diversas audiências 3e autogestão empreendedora.

Mas além disso, permite que as pessoas se aproximem de um tipo de aprendizado muito mais exploratório, que foi deixado para trás por parte das escolas, onde o estudo não está ligado à aprendizagem dentro de quatro paredes nem necessariamente por um professor. “Existe uma série de estudos que demonstram que quando uma pessoa está se divertindo em ambientes positivos, aumenta-se o nível de dopamina e se gera mais conexões cerebrais. Quando uma pessoa está fazendo as coisas por si mesmo, empoderado, existe um maior crescimento”, disse Fuenzalida.

Valenzuela, da Cengage Learning, complementa que “a aprendizagem já não pode ser por disciplinas, mas multidinária. Cada indivíduo deve ser capaz de integrar elementos complementares aos que a disciplina lhe dá”. Isso significa que as pessoas devem deixar de ser passivas ou receptores de aprendizagem.

Go to Top