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Lei da Aprendizagem depende de articulação

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Entidades e órgãos governamentais debateram ontem o alcance do dispositivo

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Publicado em O Globo

Mais de 1,2 milhão de jovens brasileiros poderiam estar, neste momento, contratados como aprendizes. Entretanto, em 2014, cerca de 420 mil estavam nessa posição. Para que haja avanços no cumprimento da Lei da Aprendizagem — que determina que empresas de médio e grande portes componham seu quadro de funcionários com 5% a 15% de aprendizes (entre 14 e 24 anos) —, debates e esclarecimentos sobre o próprio dispositivo legal se fazem cada vez mais imprescindíveis.

Para ampliar essa discussão, representantes de órgãos governamentais e diversas entidades se reuniram ontem no “Fórum Lei da Aprendizagem: perspectivas para a juventude”, como parte das ações do programa Aprendiz Legal, realizado pela Fundação Roberto Marinho com implementação do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e da Gerar.

— Como não temos um número tão grande de auditores, as empresas, às vezes, esperam pela fiscalização. Precisamos dar visibilidade aos benefícios para o empregador agir de forma mais espontânea — defendeu a coordenadora-geral de Preparação e Intermediação de Jovens, do Ministério do Trabalho e Emprego, Ana Lucia Alencastro.

Para o desembargador Ricardo Tadeu, um dos criadores da lei, o maior desafio é fazer uma política integrada, que envolva escolas, instituições qualificadas em formação profissional e empresários, para estabelecer uma dinâmica no interior da empresas.

— Podemos ampliar o número de aprendizes, caso ações coordenadas entre estado e sociedade civil se deem mais reiteradamente — disse.

A gerente de Desenvolvimento Institucional da Fundação Roberto Marinho, Flavia Constant, disse não ter a menor dúvida de que a articulação entre setores é o melhor caminho para o cumprimento da lei:

— Quando a gente mobiliza tantas vozes e usa a lei como mecanismo, começa a ter mais legitimidade até para o empresariado entender um pouco mais disso.

Yoga nas escolas pode ajudar na concentração dos alunos

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Wynne Carvalho, no UOL

A prática de yoga, atividade física que busca o equilibrio entre o corpo e a mente, tem grandes benefícios para os adultos, como o alivio dores e do estresse. O que muitos não sabem é que a partir dos exercícios oferecidos, jovens e crianças aprimoram aspectos como a concentração e a disciplina.

Uma forma inovadora de introduzir a prática dessas atividades no universo infantil é inserindo-a nas propostas extra-curriculares da instituição de ensino.
De acordo com a professora e membro da International Yoga Teachers’ Association e da Aliança do Yoga Brasil, Cassia Parmeggiani, o yoga é capaz de quebrar a rotina das escolas.

“Simples movimentos e exercícios de respiração podem ser facilmente inseridos em sala de aula, diversificando a rotina. Podem ser feitos com regularidade, ou de acordo com a necessidade”, disse a professora.

Ela afirma que o estresse em crianças se manifesta por fadiga, desorientação e excitação. A prática, então, seria uma excelente ferramenta para gerenciar os estados mentais.
“Basicamente procuramos alcançar três objetivos com as crianças: aumentar a flexibilidade e coordenação motora; incentivar a concentração e reduzir o nível de estresse e melhorar a convivência com o meio ambiente” , contou Cássia.

A professora Daniela Novaes, que há um ano mantém o blog Respire, afirmou que a prática é muito eficaz para que o jovem fique mais seguro.
“A partir de um trabalho feito com a mente é possível se sentir melhor diante da vida e, assim, ganhar confiança”, afirmou.

Nas escolas

Foi buscando uma melhora em alguns pontos como foco e disposição que o “Centro de Apoio O Visconde”, em São Paulo, passou a oferecer aulas de yoga para os jovens.
Segundo a diretora da creche, Paula Boralli, as aulas acontecem durante toda a semana e foi aceita facilmente pelos alunos.

“Todos adoram fazer parte das aulas. As crianças estão mais calmas e focadas nas atividades, melhoraram a postura e brigam menos entre si”, contou.

Benefícios

Em Salvador, é difícil encontrar instituições que oferecessem yoga aos alunos. Iracema Barreto, que trabalha com a prática, acredita que a razão seja a falta de conhecimento.
“Acredito que o desconhecimento quanto aos benefícios que o yoga tem para os jovens seja o motivo” opina.

O Colégio Miró já realizava cursos de yoga para as crianças, mas, este ano, a prática fará parte da grade do turno integral.

“Esta atividade consegue deixar as crianças mais centradas com suas tarefas e mais calmas, além de fazer com que adquiram maior consciência corporal” explica Cândida Muvvio, diretora do ensino fundamental.

Segundo Carla Dantas, do Colégio Via Magia, que oferecia aulas, o yoga fazia com que as crianças ficassem mais envolvidas com o dia a dia e disponíveis para dialogar com o conhecimento.

Reflexões para o ano novo: a difícil tarefa de se criar gênios

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a difícil tarefa de se criar gênios

Steve Jobs

 

Tom Jones, no Administradores

Quem leu a biografia de alguns dos grandes “gênios criativos” de nosso tempo (Steve Jobs*, Bill Gates** ) talvez em algum momento tenha se questionado como pai (ou mãe) a difícil tarefa que os pais desses “gênios” tiveram que enfrentar ,pois conviviam com crianças, adolescentes e adultos que não se encaixavam no chamado mundo convencional.

Nossa sociedade, nossas escolas de educação formal e todo o ambiente em que vivemos são nocivos a criatividade e ao espírito questionador.

Estar a frente de seu tempo, inventar produtos ou serviços que ainda ninguém se deu conta de que precisa, compor musicas, escrever livros… tudo isso esta associado a criatividade e ao espírito inovador ,que muitos julgam ser para poucos escolhidos e por isso os entraves são complexos e começam ainda muito cedo, quando ainda somos crianças e temos uma mente ágil e estamos prontos para ir em busca de conhecimento, testar novas vivências e experimentar coisas novas.

Porém é quase que um dever “cívico” que a família tente “domesticar” essa criança muito ágil e questionadora, grande parte das famílias preferem a criança comportada, menos viva, porque a criança criativa dá muito “trabalho”, e daí inicia-se um processo de inibição do espírito exploratório/criador do ser humano. E que não para por ai, algum tempo depois, no inicio de sua educação dita “formal” a criança ainda esta a mercê desse processo de inibição continuo.

Quantas são as escolas publicas que você conhece que incitam a criatividade? No geral elas incentivam a reprodução. Nossas escolas não incentivam a reflexão, o espírito exploratório. Ao contrário aprendemos que para cada desafio só há uma resposta certa.
Exemplos mais drásticos desse processo de inibição tem sido noticiados por médicos, a respeito do uso inclusive de medicamentos como a Ritalina***…

“A pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp,fez uma declaração bombástica: “A gente corre o risco de fazer um genocídio do futuro”, disse ela em entrevista ao Portal Unicamp. “Quem está sendo medicado são as crianças questionadoras, que não se submetem facilmente às regras, e aquelas que sonham, têm fantasias, utopias e que ‘viajam’. Com isso, o que está se abortando? São os questionamentos e as utopias. Só vivemos hoje num mundo diferente de mil anos atrás porque muita gente questionou, sonhou e lutou por um mundo diferente e pelas utopias. Estamos dificultando, senão impedindo, a construção de futuros diferentes e mundos diferentes. E isso é terrível”.

Então imagine-se no lugar do pai ( ou da mãe ) de um Steve Jobs, ou Bill Gates, vendo seu filho largar a faculdade para dedicar-se a um projeto que você claramente não vê futuro. Pois tudo na nossa sociedade segue regras rígidas para o “sucesso”, todo Pai e Mãe quer ver seu filho formado, quer um médico na família, quer um advogado ou engenheiro brilhante não é mesmo?

E não há crime nenhum nisso, pois não temos como saber quais são as exceções as regras. Afinal de contas quantos Bill Gates podem existir ? A espaço no mundo para todos eles ? Mas é justamente ai que mora o perigo, a inovação e a criatividade são inerentes ao ser humano, não são uma questão de dom, de inspiração. Todos os seres humanos são criativos!

Mas ai surge uma outra pergunta pertinente, se é assim por que então não vemos mais gênios criativos soltos por ai ?

A resposta esta em nossa sociedade, a criatividade dita cotidiana, não é visível ou passa pelo crivo de outras pessoas. Pois o ato de criar esta contido tanto em um sonho que demora anos para ser concretizado, como também no simples ato de mudar o ingrediente em uma receita ou a mudança do trajeto de volta para casa. Porém quando a criação, envolve outras esferas, principalmente a profissional, e dessa forma ela tem de passar por julgamentos, analises e criticas, pois envolve custos e mais pessoas para ser implementada, então todos os alertas de perigo vão soar e fazer com que as idéias sumam e os bloqueios apareçam

E esses bloqueios vem da sociedade que trabalha para que o individuo, tenha sempre uma única resposta certa ( pois afinal de contas todos aprendemos isso na escola) e se não for assim, vai tratar de reprimi-lo e desencorajá-lo da manifestação do comportamento diferente, divergente. Pois a resposta diferente quebra paradigmas, gera duvidas, insegurança. Abre a possibilidade do que pode ou não dar certo. E então isso gera medo e as pessoas preferem reproduzir algo que já existe a produzir coisas novas.
Você teria a coragem de chegar para seu chefe e dizer a ele : “ vamos tirar todos os botões dos smartphones, vamos fazer um smartphone que não tenha botões … eles só atrapalham a usabilidade das pessoas” ?

Antes de Steve Jobs ter a coragem de fazer isso, todos acreditavam que quanto mais botões um telefone tivesse, mais “smart” ele seria . Sair do esquema exige muita coragem, criatividade é um ato de coragem, é preciso ser corajoso para ser criativo. O covarde não cria, porque não se arrisca, não tem coragem de encarar as criticas e a desaprovação da sociedade.

É preciso coragem também como pais para apoiar, orientar e compreender o espírito exploratório de nossas crianças. Lidar com “robôs” que seguem ordens, sem questionar é muito bom agora, mas pode ser fatal para o futuro de nossa sociedade.

Cabe lembrar aqui, que criticas são sempre bem vindas e não podem ser banidas. Mas elas tem lugar e hora para acontecer, na fase de escolha das melhores idéias a capacidade de critica e autocritica é fundamental. Mas durante a criação de idéias ela não é bem vinda, pois ela tem o mesmo efeito que a sociedade tem sobre nós; é um bloqueador de boas idéias.

Na contra mão disso tudo, esta a certeza de que a criatividade e a inovação são fundamentais para o mundo hoje e sempre. Empresas, cidades e países precisam de inovação e criatividade, precisam de pessoas que saibam buscar soluções adequadas ,pois a atitude criativa é o combustível que movimenta toda e qualquer tipo de solução nos tempos de crise. Inclusive didaticamente falando o processo criativo começa com o diagnostico das necessidades, de onde a seguir vem a geração de idéias (sem criticas), que leva a analise das melhores alternativas e só por fim a implementação da melhor.

Na próxima década as empresas e a pessoas devem adotar os pilares gêmeos da criatividade e da inavação. Pois a inovação é necessária para rejuvenecer países estagnados com empresas desesperadas por soluções . Onde constataremos que essa nova geração freqüentemente chamada de insolente e impaciente, serão os responsáveis por essas soluções.

Daí podemos ver que a criatividade é algo que sempre tem que trazer resultados, pois ela precisa ser o instrumento de um progresso . Então seja qual for a idéia criativa ela deve sempre ter origem na descoberta de uma necessidade. Complementar a isso tudo existe o ponto fundamental que é a visão clara de qual é o problema. Muito mais do que buscar soluções é fundamental diagnosticar as causas, pois as idéias não serão eficientes se não sabemos quais são as causas dos problemas.

Então por fim, nossos olhos voltam-se para as Universidades, e a necessidade de resgatar a sua missão acadêmica que deveria ser a de preparar as pessoas para realizar com competência um papel profissional dentro da comunidade/estado, e através disso influencia-la para o desenvolvimento responsável.

Porem o que vemos é a alienação de muitos centros acadêmicos as necessidades do mercado de trabalho e da própria sociedade. Instituições alienadas das demandas educacionais de sua comunidade são irresponsáveis pois criam lacunas que podem fazer ruir toda a cadeia de valor que depende delas como entidades geradoras de uma força profissional preparada para o futuro; quando na verdade não estão fazendo isso.

Para alcançar este propósito a Universidade deve rever seu sistema de ensino, precisa “estudar” as empresas que foram criadas por esses “gênios criativos”. O sistema educacional precisa de uma injeção de inovação. Devem transformar o ensino em aprendizagem, onde o foco não seja o mero repasse de conhecimentos, mas sim o desenvolvimento integral dos alunos.

A começar pela quebra do paradigma de que nossa sociedade não admite erros, como na letra do Legião Urbana : “Este é o nosso mundo, o que é demais nunca é o bastante ,e a primeira vez é sempre a ultima chance…” “
No entanto, mesmo as pessoas mais trabalhadoras e inteligentes ainda cometem vários erros. Na verdade as únicas pessoas que não cometem erros são aquelas que não se ariscam. Já parou para pensar que o 14 biss é uma sucessão de 13 “supostos erros” que culminaram no sucesso do décimo quarto protótipo?.

Muitos fundadores de sucesso são capazes de aprender rapidamente com seus erros. E é ai que reside a chave do sucesso, não deixar que essas falhas o derrotem .E preciso que nossos filhos, nossos alunos aprendam que sua missão dentro da sociedade e a mesma que cada um de nós, ou seja, fazer desse mundo um lugar melhor do que o que encontramos. E para isso é preciso ousadia , coragem e muita rebeldia.
Nas palavras de Miguel Castaño

“Vamos saudar os Loucos, os Rebeldes , os Sonhadores …
Porque nos levam adiante … São eles que Mudam as coisas porque acreditam que podem Melhorar o Mundo “

Citações :
*O casal Jobs adota um menino recém nascido, a quem batizam de Steve Paul Jobs. No verão de 1972, aos 17 anos, Steve sai de casa, contra a vontade dos pais, para morar em uma cabana com sua primeira namorada. Nesse mesmo período começa a beber, fumar, freqüentar espaços budistas de meditação e a tomar ácido. No final do mesmo ano ingressa na universidade Reed College em Portland, Oregon que cursaria formalmente apenas por seis meses. “Desistir foi a melhor coisa que fiz. Pude me dedicar às coisas que eu realmente queria fazer.” disse anos mais tarde. Jobs passa 18 meses freqüentando o campus da Reed College21 , onde ganhou permissão para acompanhar as aulas como observador. Entre os cursos assistidos por Jobs estava um curso de caligrafia que anos mais tarde influenciaria na tipografia do Macintosh21 .

**Gates nasceu em uma família de classe média de Seattle. Seu pai, William H. Gates, era advogado de grandes empresas, e sua mãe, Mary Maxwell Gates, foi professora da Universidade de Washington e diretora de bancos. Bill Gates e as suas duas irmãs, Kristanne e Libby, frequentaram as melhores escolas particulares de sua cidade natal, e Bill também participou do Movimento Escoteiro ainda quando jovem. Bill Gates,6 foi admitido na prestigiosa Universidade Harvard, (conseguindo 1590 SATs dos 1600 possíveis7 ) mas abandonou os cursos de Matemática e Direito no terceiro ano 8 , para dedicar-se à Microsoft.

Tecnologia pode transformar professor em designer digital, dizem especialistas

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Educadores entrevistados pelo R7 no mês do professor destacam mudanças na profissão

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Mariana Queen Nwabasili, do R7

A tecnologia está mudando a forma como crianças e jovens querem aprender e obter informações e, claro, as metodologias de ensino usadas nas escolas.

Especialistas que tratam do tema disseram ao R7 que docentes tendem a mudar a forma como dão aula até se transformarem em designers educacionais, ou seja, profissionais que pensam como, porque e quando determinados conhecimentos devem ser transmitidos aos alunos pelos meios digitais.

É o que defende Ronaldo Mota, ex-secretário de educação superior e do MEC (Ministério da Educação) e atual reitor da Universidade Estácio.

No livro Education for Innovation and Independent Learning (Educação para a inovação e para o aprendizado independente, em tradução livre), desenvolvido no Instituto de Educação da Universidade de Londres, ele explica que os docentes terão que quebrar as barreiras do ensino tradicional para se adaptar às mudanças vividas pela sociedade.

— É preciso ensinar aos atuais alunos como aprender a aprender pelos meios disponíveis. As interfaces tecnológicas que ajudam os alunos nesse processo devem ser complementares ao professor na sala de aula. Os professores terão que quebrar as barreiras do ensino tradicional.

Não há mágica

Bernadete Gatti, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, reconhece a tendência de os docentes se tornarem designers educacionais. Porém, ela faz considerações sobre esse processo.

— Não será a lousa digital que vai resolver as questões da aprendizagem. É preciso formação para que professores usem essas e outras tecnologias, que são muito atrativas para os jovens.

Para a pesquisadora, ainda existe uma lacuna na formação dos docentes em relação a essas questões.

— Nós não temos reformulado a formação de professores, de maneira geral. Há mais de um século repetimos os mesmos esquemas de formação. Dentro disso, ainda não existem propostas de mudanças curriculares significativas que preveem a incorporação dessas tecnologias no contexto educacional.

Barrados e conectados

Segundo dados do estudo TIC Educação, sobre recursos educacionais abertos, que foi realizado em 2013 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, 96% dos professores de educação básica no País utilizam esses conteúdos para elaborar aulas e ajudar nos estudos.

A pesquisa apontou também que 88% dos docentes fazem adaptações nos conteúdos abertos disponíveis. Porém, apenas 21% dos entrevistados disseram que publicam seus materiais na web. Especialistas e professores que lidam — ou tentam lidar — com as tecnologias no cotidiano reconhecem que este cenário mostra a necessidade de formação para melhor utilizar e produzir conteúdos digitais. Também é preciso tratar das restrições a materiais pulicados na internet que docentes não podem usar nas salas de aula.

Os resultados da pesquisa Recursos educacionais abertos no Brasil: o campo, os recursos e sua apropriação em sala de aula, realizada pela Ação Educativa em parceria com a Wikimedia Foundation, mostram que apenas 10% dos sites educacionais colaborativos voltados para a docência no Brasil têm direitos autorais livres. Foram levantados e analisados mais de 230 portais desse tipo no País.

Jamile Venturini, coordenadora da pesquisa realizada pela Ação Educativa, explica que os dados mostraram que a maioria dos 231 recursos analisados não é restrita, mas, na prática, o uso permitido é limitado e fica aquém das necessidades dos professores.

— De que serve um vídeo incrível sobre o tema da minha aula se eu posso vê-lo, mas não exibi-lo para meus alunos? Ou postá-lo no blog da minha disciplina? Ou colocar legendas para torná-lo mais acessível?

Segundo Jamile, ainda existem muitos desafios para o avanço do uso das tecnologias e dos Recursos Educacionais Abertos no ambiente escolar pelos docentes.

— Há uma questão de infraestrutura que, muitas vezes, inviabiliza a democratização do acesso a essas tecnologias na escola. E isso passa não só pelo acesso aos equipamentos, mas também a uma conexão à internet de qualidade.

Aluno com 20% de visão passa em 1º lugar em concurso no litoral de SP

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Gabriela Lousada, no UOL

Ter apenas 20% da visão não foi um empecilho para que Edson dos Santos Junior, de 15 anos, conseguisse o 1º lugar na prova que seleciona jovens estudantes para participar de um programa profissionalizante em Itanhaém, no Litoral Sul de São Paulo.

Ele superou 230 candidatos e alcançou a liderança no programa Camp (Círculo de Amigos dos Menores Patrulheiros), que seleciona alunos do primeiro ano do Ensino Médio e os direciona ao mercado de trabalho.

"Algumas oportunidades a gente tem apenas uma vez", afirma o estudante Edson Junior

“Algumas oportunidades a gente tem apenas uma vez”, afirma o estudante Edson Junior

Junto com os outros candidatos aprovados, Edson passará por um curso preparatório que aborda matérias como segurança pública, direitos trabalhistas e previdenciários e introdução a aprendizagem profissional.

Depois, será encaminhado a uma das empresas parceiras do programa para iniciar sua trajetória no mercado de trabalho.

“Gosto muito de estudar, mas não esperava esse resultado. Estava um pouco difícil (a prova) e fiquei até surpreso por ser o primeiro, mas eu achava que ia me classificar bem porque estudei bastante. Fiquei muito surpreso e feliz com a primeira colocação”, diz o adolescente.

O dia a dia de Edson é um pouco diferente da rotina dos outros alunos da classe do colégio particular onde estuda. Ele não utiliza o método Braille para ler, o que exige mais esforço para enxergar.

Precisa manter os livros a poucos centímetros do rosto para que as palavras ali escritas se formem no seu campo de visão.

Se o esforço é muito grande, Edson passa mal. “Ficar olhando para as letras por muito tempo me deixa enjoado, aí eu preciso fazer uma pausa. Cansa, mas é um esforço necessário”, diz.

De acordo com o oftalmologista Antonio Luiz Moreira Filho, que atua há 37 anos na área, quem possui 20% da visão pode ter qualidade de vida, desde que haja a “educação da deficiência”.

“A pessoa precisa ter a consciência dessa limitação e tomar atitudes que facilitem a vida dela, podendo ter um rendimento praticamente normal com o auxílio de recursos óticos (lentes) e não óticos (materiais adaptados para facilitar a rotina do deficiente visual). Não é fácil, é necessário ter dedicação”, diz.

Segundo o oftalmologista, na sala de aula, ações realizadas por Edson, como ir até a lousa para ler o que está escrito e aproximar o caderno do rosto ajudam a facilitar o aprendizado.

Os recursos não-óticos citados pelo oftalmologista, já estão incluídos no dia a dia do adolescente. Além do esforço complementar para ler a lousa, Edson utiliza cadernos e material de estudo com pauta, contraste e fontes maiores que o usual, para facilitar ao máximo o entendimento das palavras.

A informação é reforçada pela pedagoga Ana Carolina Silva, que leciona Estimulação Visual e Orientação e Mobilidade no Centro de Educação e Reabilitação Lar das Moças Cegas, em Santos (SP).

“Os recursos não óticos são muito eficientes e importantes na adaptação de um deficiente visual, principalmente no ensino”, afirma.

A pedagoga diz que a estimulação visual, quando bem aplicada, facilita a rotina de quem possui problemas na visão. “Para auxiliar o deficiente, trabalhamos com contrastes, tamanhos e texturas”.

Além dos recursos, Edson conta diz que não necessita da ajuda de ninguém para estudar, apenas presta bastante atenção nas aulas e na explicação dos professores. “Gravo na cabeça, assim fica mais fácil”, afirma.

Pais e irmão também são deficientes visuais
A família já esperava uma boa classificação do filho na prova do Camp, mas não a nota 8, que garantiu a liderança entre os aprovados.

“Tento mostrar para as pessoas que não é uma limitação que vai te impedir de ser bom no que deseja fazer, por isso que eu sempre me dedico ao que faço em todas as ocasiões”, diz Edson, que tem o exemplo em casa.

O adolescente mora com os pais e o irmão mais novo, no bairro Belas Artes. A mãe, professora da Rede Municipal de Ensino, Maria Isabel de Oliveira Santos, e o pai Edson dos Santos, fisioterapeuta, também são deficientes visuais.

Ela tem 8% da visão e ele ficou cego devido a um tumor no cérebro, quando tinha 12 anos. O irmão mais novo, Leonardo dos Santos, 13 anos, possui hoje 5% da visão.

Segundo o pai, isso não os impede de levar uma vida normal. “Meu filho (Edson) chega da escola, faz as lições de casa, brinca, tem aulas de inglês e música durante a semana”, afirma.

Ansiedade para entrar no mercado de trabalho
Junior nunca trabalhou, mas está ansioso para entrar no mercado de trabalho.

Quando não está jogando videogame com o irmão, ele passa horas estudando matemática e língua portuguesa, mas a sua matéria preferida é física.

“Quero cursar a faculdade de engenharia elétrica. Como não me dei bem com esportes, escolhi me empenhar nos estudos”, declara.

De acordo com o adolescente, “algumas oportunidades a gente tem apenas uma vez. O importante é que as pessoas nunca desistam dos seus sonhos porque é a partir deles que conseguimos fazer qualquer coisa”.

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