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Confira os 6 erros mais frequentes que minam as chances de aprovação em concursos

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Publicado no Amo Direito

Confira os equívocos mais frequentes cometidos por quem está em busca de oportunidade na carreira pública, de acordo com dois grandes especialistas consultados.

A aprovação em um concurso público requer muito mais do que horas a fio estudando. A disposição para encarar livros e apostilas pode ser o requisito número um para quem deseja seguir a carreira pública, mas não é só isso.

De acordo com especialistas consultados, quando o concurseiro não leva em conta alguns aspectos importantes, o nome na lista de aprovados pode se tornar um horizonte distante.

Confira os principais erros cometidos na fase de preparação para as provas, na opinião de dois especialistas em concursos públicos, que minam as chances de aprovação:

1 – Prestar pouca atenção ao edital
“Saiu o edital!” Para um concurseiro de olho em uma oportunidade profissional no setor público, esta é uma das frases mais esperadas. No entanto, nem sempre a comemoração é seguida por uma leitura minuciosa do documento divulgado.

Na opinião de Francisco Fontenelle, diretor pedagógico da rede LFG, este é um dos principais equívocos cometidos. “É fundamental conhecer o edital nas minúcias do conteúdo programático”, diz.

Quem deixa de prestar atenção ao edital perde informações preciosas a respeito do programa das matérias, formas de avaliação e peso de cada disciplina na prova, critério de correção, data, horário, local e tempo das provas, quantidade de vagas disponíveis, remuneração e requisitos para a posse.

2 – Não atentar ao estilo da banca examinadora
Diversas instituições aplicam provas de concurso público e cada banca tem seu estilo de avaliação. Conhecê-lo é primordial para sair na frente dos outros candidatos. “A Fundação Cespe cobra muita jurisprudência, já a Fundação Carlos Chagas se atém à letra da lei”, explica Fontenelle, dando exemplos relacionados aos concursos na área de direito e a tendência das bancas.

“É importante conhecer a banca para saber qual o posicionamento adotado em relação a alguns temas”, concorda Marco Antônio Araújo Júnior, vice-presidente acadêmico do Complexo Educacional Damásio de Jesus. De acordo com o especialista, quando a banca examinadora não é divulgada, a análise pode ser feita pelas questões das provas anteriores.

3 – Estudar sem método ou planejamento
Na opinião de Araújo, a falta de método e de um plano de estudos é o principal erro cometido pelos concurseiros. “Se o candidato não faz um plano de estudo, ele tende a estudar errado”, diz. Segundo ele, o planejamento inclui o que estudar, como estudar e a distribuição de tempo para cada disciplina ou bloco de matérias.

“O que estudar vai variar de acordo com o edital”, explica. A maneira de estudar o conteúdo é muito importante. “É a forma de estudar, tem o momento do conteúdo e tem a hora da aplicação prática, de resolver as questões”, explica.

Ou seja, é preciso haver um equilíbrio entre a leitura de livros e apostilas e resolução de testes e questões sobre o tema estudado. “Não adianta estudar só pelas apostilas, o candidato também deve verificar os livros, escolher a melhor doutrina e depois partir para a etapa prática e resolver as questões”, diz Fontenelle.

Intercalar matérias também uma recomendação de Araújo. ” O concurseiro não deve ficar 15 dias estudando apenas uma disciplina porque ele pode cair na linha de continuidade e não percebe que o seu rendimento diminuiu”, explica.

4 – Não fazer simulados
Quem deixa de participar de simulados perde a oportunidade de ir se acostumando com o ambiente de uma prova de concurso público. “É treinamento. Quanto mais treinar, mais domínio terá da questão prática”, lembra Fontenelle. O especialita destaca que nem todos têm facilidade em passar 4 ou 5 horas resolvendo uma prova, e o simulado é uma ferramenta importante nesse sentido.

“É o momento de perceber qual é a resistência do candidato, como ele aplica o que ele estudou em uma situação próxima da real do dia da prova”, diz Araújo.

Resolver as questões em casa é bem diferente do que estar em uma sala de aula com outros candidatos que têm o mesmo objetivo que você, destaca o especialista. “Tem o barulho na sala, o som de um sapat tocando a madeira do chão, tudo aquilo dentro de um simulado são condições que podem acontecer no dia da prova”, explica.

5 – Esquecer-se de fazer pausas durante o período de estudo
Nem o mais treinado concurseiro consegue manter a concentração e o rendimento nos estudos durante horas e horas, sem fazer nenhuma pausa. “Tem que parar um pouco, do contrário não vai reter o conteúdo”, sugere Fontenelle.

Segundo ele, ao notar que não está assimilando o conteúdo lido é hora de fazer uma pausa e retomar os estudos após alguns minutos. “Estudar pouco é ruim, mas estudar demais também é ruim”, diz Araújo. Na opinião do especialista, o tempo destinado a cada matéria deve estar contido no plano de estudos.

6 – Deixar de ter momentos de lazer e de atividade física
Nem só de livros e apostilas deve viver um concurseiro. Intercalar momentos de lazer, descanso e atividade física é essencial para manter o equilíbrio físico, mental e emocional. “ A atividade física é recomendável sob todos os aspectos, pois ajuda a melhorar o rendimento e o candidato fica melhor fisicamente para encarar a prova”, diz Araújo.

Quem está pegando pesado nos estudos precisa, na opinião dos dois especialistas, de uma válvula de escape para o estresse. “É preciso ter momentos para ‘zerar o balde’”, lembra Araújo.

Fonte: exame abril

Jovem que perdeu os pais foca no Enem para realizar sonho de família

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Natalya Sacramento fará exame pela segunda vez; ela tenta aprovação.
Influenciada pelo pai, ela sonha em se formar e seguir carreira militar.

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Publicado em G1

Ter motivação para continuar os estudos pode ser difícil quando as responsabilidades da vida adulta chegam mais cedo. Para Natalya Sacramento, a rotina mudou aos 16 anos, quando sua mãe faleceu devido a um câncer. Dois anos antes, seu pai morreu no Rio de Janeiro vítima de infarto. Apesar da perda daqueles que mais a incentivaram nos estudos, a jovem nunca se desviou do objetivo de se formar em Odontologia e seguir carreira no Exército. “De certa forma, é um sonho meu e deles”, disse a estudante.

Neste ano, Natalya, agora com 18 anos, tenta passar no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pela segunda vez. A estudante disse que montou uma maratona de estudos para Física e Matemática, disciplinas que ela considera com maior nível de dificuldade. A inspiração por Odonto, segundo ele, veio do trabalho do próprio pai, que serviu como sargento da Marinha.

Atualmente, a jovem tenta dividir o tempo entre as tarefas de casa e os estudos. “Foi muito difícil no começo, quando vi que ia assumir responsabilidades que não tinha antes e estudar ao mesmo tempo”, disse a jovem, que mora na Zona Centro-Sul de Manaus junto com um irmão.

“Percebi que tinha que cuidar da casa, pagar as contas e ainda me formar no Ensino Médio. Meu irmão me ajuda, mas, como também serve como militar, ele viaja muito, então, na maioria das vezes, quem resolve as coisas sou eu”, afirmou.

No ano passado, Natalya tentou o Enem pela primeira vez, porém, ela conta que a rotina de estudos em paralelo com o último ano do Ensino Médio impediu que ela pudesse estar bem preparada para o exame.

“O fato de não ter meus pais tornou a minha vida uma luta contra o tempo e o ano passado foi o mais difícil. Quando não consegui passar, pensei em desistir. Às vezes, precisamos de uma palavra para nos levantar. Senti falta do meu pai me encorajando e incentivando. Mas tive o apoio de vários amigos e do meu irmão. Quero tentar até conseguir passar”, ressaltou a jovem.

Segundo Natalya, a rotina de estudos é de domingo a domingo, em casa e no curso preparatório que frequenta na Avenida Djalma Batista. “Tudo o que eu estudo no curso, eu reforço em casa. Chego, almoço e começo tudo de novo”, disse.

A pensão militar que o pai deixou ajuda a jovem a pagar as despesas de casa e arcar com o investimento nos estudos, porém, não é o suficiente para pagar uma faculdade particular de Odontologia. “Como a faculdade exige a compra de equipamento, isso seria inviável. Acredito que para realizar o meu sonho tenho que passar na faculdade pública”, reconhece.

Sonho de família
De acordo com a jovem, os pais aprovavam sua escolha. Além da influência do pai, Natalya contava com o apoio da mãe. “Meu pai sempre sonhou com isso, seria um orgulho se ele pudesse ver. Meus pais sempre falavam ‘lute para você conquistar seu sonho’ e, de certa forma, é um sonho meu e deles”, disse.

Natalya disse que, este ano, se sente mais preparada e confiante para realizar a prova. “Li sobre vários candidatos que nunca desistiram do exame e conseguiram a aprovação após persistirem por anos. Estou melhor do que no ano passado. Se não conseguir desta vez, sei que estarei melhor ano que vem. É assim que penso”, revelou.

Natalya disse que pretende estender os estudos para as madrugadas no mês de setembro. “Vou intensificar os estudos durante todo o mês. Em outubro, o ritmo será reduzido porque a prova vai estar mais perto”, disse.

Enem 2015
A edição de 2015 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) terá 7.746.057 candidatos, segundo balanço divulgado nesta sexta-feira (31) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O número é 11,2% menor que o da edição de 2014 e quebra uma sequência de recordes registrada desde 2008. As provas acontecerão nos dias 24 e 25 de outubro.

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Refugiado da Síria é aprovado para engenharia elétrica na Unicamp

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Kamel Zinou, de 20 anos, conseguiu entrar pelo programa de transferência.
Estudante e família fugiram da guerra civil que país enfrenta há 5 anos.

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Publicado no G1

O estudante e refugiado sírio Kamel Zinou, de 20 anos, conseguiu ingressar no curso de Engenheria Elétrica na Unicamp, após mais de um ano em que ele e sua famíla desembarcaram em Campinas (SP). A aprovação aconteceu na sexta-feira (31), após a realização de uma prova de transferência.

O estudante teve que interromper a graduação para fugir da guerra civil que o seu país natal enfrenta há cinco anos. O número de refugiados daquele país chega a 4 milhões no mundo, segundo a ONU.Kamel e sua família chegaram em Campinas em abril do ano passado, sem falar português, eles abriram um restaurante de comida árabe e tentam retomar os planos que foram adiados.

Kamel se preparou durante três meses para a prova de transferência. O universitário contava com o auxílio de três doutorandos da Unicamp, nas disciplinas de física e matemática. Além dessas aulas, Kamel estuda português desde agosto do passado.

“Quando iniciar as aulas, continuarei a estudar português no Centro de Ensino de Línguas da Unicamp”, afirma o universitário. O curso de engenharia elétrica na estadual de Campinas é bem conceituado e no vestibular de 2015 tinha 20,9 candidatos por vaga no período integral. E 15,9 para no período noturno.

O processo de transferência começou em julho do ano passado. “Foi demorado, e somente em janeiro desde ano a universidade me respondeu e pediu para que fizesse a prova em março. Expliquei que precisava de mais tempo e então fiz a prova em julho”, explica Kamel.

Email de aprovação

A resposta da prova de transferência sairia no dia 7 de agosto, mas para surpresa de Kamel e da família, a aprovação foi confirmada no mesmo dia do exame.

“Estava no restaurante com a minha família, quando recebi um email do cordenador do curso de engenharia elétrica. A notícia de que fui aprovado deixou toda a minha família feliz e orgulhosa”, diz Kamel.

Em uma rede social a família agradeceu o apoio e felicitou o universitário. “Depois de todos esses anos de sofrimento,[…] hoje nos temos um grande razão para ficar feliz”, relata a postagem.

Família Zinou
A família vivia na cidade de Aleppo, segunda maior cidade da Síria, localizada a 350 km da capital Damasco.

O pai de Kamel, M.Suhib Zinou, de 59 anos, e sua esposa Chaza Alturkman, de 51 anos, abriram o restaurante batizado de Castelo – uma referência ao Castelo de Aleppo, um dos mais antigos do mundo.

No restaurante trabalham além de Kamel, suas duas irmãs Bana, de 31 anos, e Ayla, de 26 anos.

Ayla é a mais fluente na língua portuguesa da família, tem a intenção de ingressar no programa “Mais Médicos” do governo federal – que abre a possibilidade para profissionais estrangeiros atuarem no Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, contou, estuda diariamente e pretende fazer residência.

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Moradores de rua passam em concurso público em Belo Horizonte

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Marcelo Batista Santiago passou em 1º lugar no concurso público da MGS. Crédito: Arquidiocese de Belo Horizonte/Reprodução

Marcelo Batista Santiago passou em 1º lugar no concurso público da MGS. Crédito: Arquidiocese de Belo Horizonte/Reprodução

Marcelo Santiago ficou em 1º lugar e Jusair da Silva na 20ª posição.
O feito foi alcançado graças a bibliotecas e a determinação de ambos.

Publicado no ExpressoMT

Marcelo Batista Santiago, de 39 anos, passou em primeiro lugar no concurso público para auxiliar de limpeza da empresa estadual Minas Gerais Administração e Serviços S.A (MGS). Quase 12 mil candidatos disputaram uma das 300 vagas oferecidas. Mais do que alcançar o topo da lista, o ex-morador de rua, que viveu perambulando por Belo Horizonte entre 2012 e 2014, conseguiu retomar o controle da própria vida.

“Foi muito sofrimento. Falta de comida, de lugar pra tomar banho, pra dormir. Tive que aprender a me virar. Foi muito duro”, disse ele.

Hoje, Marcelo vive na República Reviver, espaço da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e administrada pela Arquidiocese de Belo Horizonte, que oferece moradia temporária para homens sem-teto. São 40 vagas disponíveis, cuja permanência é por no máximo 18 meses. “Meu sonho agora é providenciar a minha casa”, contou.

Marcelo foi parar na rua depois de um desentendimento com a família. “Tive alguns problemas com parentes e acabei ficando sem lugar pra ficar”, disse. Desempregado, era difícil conseguir trabalho sem endereço fixo. “Quando eu dizia que morava na rua, que não tinha casa, já perdia a vaga”.

Em 2014, Marcelo tomou uma decisão que mudou sua vida. “Decidi pedir ajuda. Foi aí que conheci a república e fui encaminhado para o acolhimento. Tinha que me reerguer”. O ex-morador de rua buscou nos livros o caminho para uma nova chance.

“Na república tem uma minibiblioteca. Comecei a estudar muito e pensei em fazer vestibular”. Marcelo passou no curso de tecnologia em gestão pública da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Porém, ele desistiu no 2º período. “Eu passei por um momento que estava desestruturado, mas penso em voltar”.

Em fevereiro, ele ficou sabendo do edital do processo seletivo. Apesar de já ter ingressado em uma universidade, Marcelo resolveu concorrer ao cargo de nível fundamental incompleto. “Eu estava buscando estabilidade. Uma possibilidade para me reerguer, estruturar a minha vida”, disse.

O resultado saiu em abril, surpreendendo Marcelo. “Quando eu saí da prova, senti que tinha ido bem, mas nunca imaginei ter ficado em primeiro lugar. Passou um filme inteiro na minha cabeça. Nada na minha vida veio fácil. Foi bastante sofrimento. Ter conseguido passar foi uma alegria imensa”. Marcelo tomou posse do cargo e já está trabalhando. Ele recebe R$ 876,66 por mês.

Vida dura

“Foi uma explosão”, disse Jusair Santos da Silva, de 50 anos, ao saber que foi o 20º colocado no mesmo concurso disputado por Marcelo Batista Santiago. Assim como o candidato mais bem colocado, Silva também viveu nas ruas de Belo Horizonte por quase três anos.

“Cheguei aqui em setembro de 2012. Foi a primeira vez que senti na pele como essa vida é dura”, contou. Naquele ano, ele estava em Cuiabá (MT) e acabou aceitando uma carona para a capital mineira.
Nascido em Paracatu, na Região Noroeste de Minas Gerais, Jusair disse que serviu na Marinha quando jovem. Morou em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, onde teria cursado três anos em uma faculdade de letras. “Larguei porque conheci minha mulher”, contou.

O casamento acabou não dando certo. “Eu não queria ficar na dependência de família. Deixei casa, tudo pra ela (esposa). Só fiquei com a minha moto”. O filho também ficou pra trás. “Ele já tem 25 anos. É homem feito. Nunca mais falei com ele”, disse.

Depois que saiu de casa, o dinheiro foi acabando e Jusair teve que vender a moto. Ele se mudou várias vezes e sobreviveu através de pequenos serviços. Ao chegar a Belo Horizonte, não tinha mais nada. “Dormi na rodoviária por uma semana. O pessoal de lá me disse pra procurar a assistência social que tem lá mesmo. Foi quando me indicaram um albergue pra moradores de rua”.

Meses depois, Jusair conseguiu uma vaga na República Professor Fábio Alves, também administrada pela Arquidiocese de Belo Horizonte. Foi quando ele ficou sabendo do concurso que iria mudar sua vida. “Eu vi num jornal que a inscrição era gratuita. Foi aí que eu pensei, ‘é isso, é a minha chance’”, contou.

Jusair estudava todos os dias na Biblioteca Estadual Luis de Bessa, na Praça da Liberdade, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. “Foi uma luta. Aí, o dinheiro do Bolsa Família saiu. Dos R$ 77, gastei R$ 45 com a apostila. Três dias antes da prova, eu ‘devorei’ ela”, disse. Ele acabou se tornando auxiliar de limpeza do Hospital de Pronto Socorro João XXIII, o maior de Minas Gerais.

Segundo as repúblicas Reviver e Professor Fábio Alves, os dois concursados estão inspirando outros moradores de rua a mudar de vida. “Meus companheiros de rua, pessoal do albergue me para o tempo todo pra me cumprimentar. Fico feliz”, disse Jusair.

“Agora, além de conseguir uma casa pra mim, espero retomar o contato com a minha família. Sei que tem muita mágoa envolvida, mas tudo vai se resolver aos poucos”, contou Marcelo. Para Jusair, todo esforço valeu a pena. “Quero firmar o pé. De tanto caminhar nesse trecho, eu acabei chegando até aqui. Qualquer pessoa pode. É só querer”.

Filha de refugiados da ex-URSS, aluna do Rio é aprovada em Harvard

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Nascida na Geórgia, Mariam Topeshashvili veio para o Brasil em 2001.
Pai precisou vender cerveja na praia de Copacabana para sustentar família.

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Publicado no G1

Mariam Topeshashvili tinha quatro anos quando precisou sair às pressas com os pais de Tbilisi, capital da Geórgia, em meio a uma guerra civil que assolou a antiga república da União Soviética na década de 90 e início dos anos 2000. Mariam e os pais seguiram para a Turquia e, de lá, vieram para o Brasil como refugiados políticos.

Chegaram ao Rio de Janeiro sem saber falar uma palavra em português e foram morar na comunidade Tabajaras, na Zona Sul. Mariam viu o pai, formado em ciência política e economia, ter o diploma recusado no Brasil e ser obrigado a vender cerveja na praia de Copacabana, tendo de se virar com o português. A mãe, enfermeira, levou dois anos para conseguir um emprego como guia de turismo.

Mariam, por sua vez, estudou, estudou, estudou, e na noite desta terça-feira (31) recebeu a notícia de sua aprovação na renomada Universidade Harvard, nos Estados Unidos, com bolsa integral.

A jovem de 18 anos quer estudar ciências políticas em Harvard. Mariam é apaixonada por assuntos relacionados a política e economia, faz uma série de trabalhos voluntários e espera no futuro exercer um papel importante na área humanitária.

Brasileira naturalizada

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Por ter chegado ao Brasil com menos de 5 anos de idade, Mariam conseguiu naturalizar-se brasileira. Além de falar um português perfeito, com legítimo sotaque carioca, Mariam domina ainda outros cinco idiomas. Tudo graças aos pais, que lhe ensinaram a importância de aprender e o amor pela leitura.

A estudante lamenta não poder dividir esta conquista com seu pai, Avitandil, que morreu de câncer em 2008. “A gente tinha acabado de conseguir uma situação financeira estável”, explica Mariam.

Ela conta que a família foi muito bem recebida na comunidade Tabajaras, em 2001. A família teve o apoio inicial do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) para deixar a Geórgia e vir ao Brasil. Os moradores ensinaram os Topeshashvili como funciona a burocracia e a sociedade brasileira e ajudaram o pai a se tornar um vendedor ambulante.

“A gente recebia uma pequena ajuda da ONU, mas meus pais precisavam se virar porque os diplomas deles não foram aceitos aqui. Meu pai fez muito sacrifício para que eu pudesse estudar. Meu pai deixou de fazer o que ele gosta para investir nos meus estudos. Foi ele quem me ensinou tudo o que eu sei de política”, orgulha-se Mariam.

Ela estudou no Colégio Pedro II, uma escola pública federal de prestígio no Rio. Participou de olimpíadas de matemática, química e história. No ensino médio, criou o projeto SER Voluntário, com três amigas, para fazer a ponte entre jovens que, como ela, querem fazer trabalhos sociais, mas não sabem como começar, e as instituições que precisam dessa ajuda.

“Faço leitura de livros para deficientes visuais. Aprendi também com meu pai, que adorava ler para mim”, conta.

No ano passado, Mariam foi uma das estudantes escolhidas no projeto Jovens Embaixadores, do governo dos Estados Unidos. Viajou para a América do Norte, visitou universidades e foi até a Finlândia.

A jovem ganhou o auxílio da Fundação Estudar e da EducationUSA para fazer o “application”, o formulário de inscrição para concorrer a vagas nas universidades norte-americanas. Passou em Yale (nos campus dos EUA e de Cingapura), Duke e mais duas universidades até receber a resposta positiva de Harvard.

Mariam quer fazer da sua experiência de vida uma ferramenta para ajudar outras pessoas que vierem a passar pelo que ela e seus pais passaram. “Meu objetivo agora é, depois de me formar, criar uma ONG para ajudar refugiados que chegam a um país”, diz.

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