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Artista Javier Bellomo imprime retratos em folhas de livros

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Publicado em O Beijo

Para o artista Javier Bellomo, um livro é mais do que um livro. É um suporte para impressão de fotografias. O argentino produz retratos que depois ganham dezenas de páginas de publicações diversas.

A mescla entre as imagens e as letrinhas miúdas é quase hipnótica. “O que está escrito tem relação com a expressão do personagem retratado”, é uma das perguntas que surge quando o trabalho é visto.

Em seu site, o artista conta que a fotografia surge de um processo intenso. Há muita conversa antes da câmera ser disparada. A fragmentação também é um aspecto a ser discutido, Bellomo intitula esta série de “Quebra-Cabeças”.

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Discípulo de Borges, Alberto Manguel exalta a curiosidade em novo livro

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Adolescente, Alberto Manguel lia em voz alta para o escritor cego Jorge Luis Borges. Essa convivência mudou sua vida – e o fez descobrir a vocação para a literatura

Ruan de Sousa Gabriel, na Época

Na manhã de 30 de agosto, uma terça-feira, o escritor e bibliófilo argentino Alberto Manguel, de 68 anos, releu o primeiro canto de A divina comédia, o poema épico de Dante Alighieri (1265-1321). Manguel mergulhou nos versos rimados que narram como um amedrontado Dante, recém-saído de uma selva tenebrosa, é repelido de volta para a escuridão por uma loba magra e cobiçosa. Um vulto, porém, o impede. Era o poeta latino Virgílio, autor da Eneida. No poema, Virgílio diz a Dante que a cobiça da loba nascia da inveja: Tem tão má natureza, é tão furente,/Que os apetites seus jamais sacia. “Nessa manhã, ocorreu-me que a cobiça é o pior dos pecados e está associada à fome da loba”, diz Manguel. “A cobiça nasce quando não nos satisfazemos com o que temos e queremos o que os outros têm.”

Manguel lê um canto de A divina comédia todas as manhãs. Doze anos atrás, uma doença que o condenou a ficar em casa despertava-o do sono logo cedo. Ele decidiu aproveitar essas horas mortas para ler, pela primeira vez, os versos de Dante. “Eu conhecia A divina comédia como todos nós a conhecemos: sabia que era um livro importante, de reputação universal, mas só então decidi lê-lo”, diz. “E o que descobri foi um mundo extraordinariamente rico.” Ao revisitar os versos de Dante a cada manhã, Manguel encontra novas formulações para as velhas perguntas que atormentam os poetas e os filósofos desde a invenção da linguagem. Essas perguntas conduzem os ensaios – meio filosóficos, meio literários – de seu novo livro, Uma história natural da curiosidade (Companhia das Letras, 488 páginas, R$ 79,90). Assim como Virgílio guia Dante pelos nove círculos do Inferno, o poeta florentino conduz Manguel por um purgatório de questões como “O que é verdade?”, “Como raciocinamos?” e “Quem sou eu?”.

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O objetivo de Manguel não é responder a essas questões. Ele mobiliza seu vasto repertório de leituras – que vai de David Hume a Tomás de Aquino, da Bíblia a Lewis Carroll – para fazer novas perguntas, propor reflexões e aventar hipóteses. Tudo isso movido pelo desejo fervoroso pelo conhecimento que Dante chamou de ardore. O mesmo desejo que levou Ulisses, o herói da Odisseia, a se arriscar em sua última e fatal jornada. Manguel nasceu em Buenos Aires, em 1948, mas cresceu em Israel, onde seu pai era diplomata. Não foi uma dessas crianças que vivem perguntando o porquê das coisas. Era tímido. Foi educado em inglês e alemão por uma preceptora germânica que respondia de modo lacônico às raras perguntas do menino. Quando descobriu os livros, interessou-se menos pelas respostas e mais pelas questões que a literatura formulava. A literatura são as perguntas menos as respostas, já dizia o filósofo francês Roland Barthes.

Na adolescência, Manguel voltou à Argentina, onde se tornou íntimo do espanhol e aprendeu, com um professor do Colégio Nacional de Buenos Aires, a procurar na literatura as chaves para sua identidade. Ele gastava com livros o salário que ganhava na distinta Livraria Pygmalion. O mítico escritor Jorge Luis Borges (1899-1986) perambulava pela livraria à procura não de livros, mas de leitores. “Acontece que minha mãe já está beirando os 90 anos e se cansa muito”, repetia Borges, que vinha perdendo a visão e não podia mais esperar que a mãe velhinha lesse para ele. Borges encontrou um leitor naquele livreiro adolescente e poliglota. Entre 1964 e 1968, Manguel ia duas ou três vezes por semana à casa do escritor e lia, em voz alta, os clássicos em inglês que ele queria revisitar. Também acompanhava Borges ao cinema e lhe descrevia as imagens projetadas na tela. “Eu era um adolescente que, com aquela arrogância típica da juventude, acreditava estar fazendo um favor a um velho cego e não me dava conta de quanto eu aprendia lendo para Borges”, afirma Manguel – que, enquanto lia, era interrompido pelos comentários do escritor.

A convivência com Borges ensinou a Manguel que não havia nada de errado em passar a vida perdido nos livros. “Era difícil para um adolescente da minha geração se entregar a uma paixão intelectual. Nossos pais nos queriam médicos, advogados ou engenheiros, no máximo arquitetos. As letras eram para diletantes, não eram uma carreira”, diz. “Mas Borges, com grande generosidade e inteligência, dizia-me para persistir s nos livros, se era isso o que me fazia feliz. E ele estava certo.”

Seguindo à risca o conselho de Borges, Manguel dedicou sua vida aos livros. Amealhou uma biblioteca de 40 mil títulos abrigados na casa onde viveu em Mondion, um vilarejo medieval no sul da França. Deu aulas em universidades americanas e trabalhou como leitor de originais para editoras europeias. Assim como outros escritores argentinos – Ricardo Piglia, Beatriz Sarlo e o próprio Borges –, elegeu o leitor como protagonista dos livros que escreveu. “Ler literatura é meter o nariz no mais profundo da realidade”, diz Manguel, numa defesa de que se encerrar na biblioteca não implica recusa do mundo. “Sem a literatura, somos como surdos-mudos, e é isso o que querem os políticos”, diz ele. “As autoridades querem que não façamos perguntas e que não sejamos curiosos. Elas nos querem longe da literatura para que passemos a vida nos ocupando com jogos idiotas.”

Em junho deste ano, os destinos de Manguel e Borges voltaram a se cruzar. O presidente Mauricio Macri convidou Manguel para dirigir a Biblioteca Nacional da Argentina, comandada por Borges entre 1955 e 1973. Manguel, que descreve o trabalho como “aterrador e maravilhoso”, assumiu o cargo em meio a protestos. Macri prometeu “desideologizar” as instituições culturais argentinas e ordenou a demissão de centenas de intelectuais simpáticos à ex-presidente Cristina Kirchner. Mais de 200 funcionários da biblioteca foram demitidos, mas parte deles acabou reincorporada. “Toda biblioteca – seja em Buenos Aires, seja em Alexandria – é uma instituição social e política, mas nosso desafio é fazer com que a biblioteca funcione independentemente do caos político argentino”, diz.

Páginas e páginas de teologia já foram escritas alertando contra os perigos da curiosidade que levou Eva a comer do fruto proibido e condenar toda a humanidade a viver sob o jugo do pecado. Os ensaios de Manguel, porém, sugerem que a curiosidade também pode nos conduzir a alguma forma de redenção. Afinal, Dante foi capaz de atravessar o Inferno porque tinha um poeta como guia.

Autor de “O Segredo dos Seus Olhos” vai falar de futebol e cinema na Bienal do Rio

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Publicado no Boa Informação

Capa do livro “O Segredo dos Seus Olhos”, do argentino Eduardo Sacheri

Capa do livro “O Segredo dos Seus Olhos”, do argentino Eduardo Sacheri

Vencedor do Oscar 2010 de melhor filme estrangeiro, “O Segredo dos Seus Olhos” (2009), estrelado por Ricardo Darín e dirigido por Juan José Campanella, é uma adaptação do livro “La Pregunta de Sus Ojos” (2005), escrito por Eduardo Sacheri. E foi o longa também que passou a servir como uma locomotiva para puxar toda a obra do autor argentino. “Fez muito sucesso na Argentina e me deu grande visibilidade em todo o país. O cinema tem uma massividade enorme se comparado aos livros. Depois que ganhou o Oscar, veio outro grande impacto, e dessa vez fora da Argentina”, disse Sacheri ao UOL.

Se o escritor passou a ser conhecido sobretudo por conta dessa adaptação, a presença do futebol, por outro lado, é constante em sua produção. Tanto que no dia 11 de setembro ele estará na 17ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro como convidado da delegação argentina –país homenageado desta edição do evento– para conversar sobre o esporte com os escritores Claudia Piñeiro, Eduardo Moutinho e Flávio Izhaki na mesa “As Pátrias de Chuteiras: Literatura e Futebol”. Antes disso, Sacheri participa nesta quarta-feira (9) de outro papo, sobre cinema e literatura.

“O futebol é muito importante tanto na minha obra quanto na minha vida. É meu jogo favorito, como de quase todos argentinos, e que me permite estabelecer um vínculo com coisas mais importantes. Eu gosto de jogar, assistir, seguir o meu time. Fazia isso com meu pai, agora faço com meus filhos. O futebol em si é só um jogo, mas possibilita que eu ascenda a coisas muito mais profundas e definitivas”, afirma Sacheri.

Essas ascensões estão presentes em seus romances e livros de contos, como “Esperándolo a Tito”, “Te Conozco, Mendizábal”, “Lo Raro Empezó Después”, “Un Viejo que se Pone de Pie”, “Los Dueños del Mundo” e “Papeles em el Viento”. Outro, intitulado “La Vida que Pensamos”, é dedicado ao seu clube de coração, o Independiente, maior vencedor de Libertadores da América com sete títulos, mas que vive um momento de poucas glórias.

Sacheri afirma que gosta muito de ver a seleção brasileira jogar, mas que não assisti a muitos jogos de times brasileiros porque os campeonatos não são transmitidos na Argentina, mas revela seu carinho pelo Grêmio. “Ganhamos nossa última Libertadores em cima deles, que tinham uma grande equipe. Essa é uma boa lembrança”, justifica, evocando a final de 1984.

Cansado de fanatismo

O argentino recorda que, quando esteve no Brasil em outras ocasiões, muitos leitores pediam autógrafos em versões em espanhol de seus livros de contos sobre futebol. E diz que acha uma pena essas obras não estarem editadas em português –por aqui, há traduções apenas de “O Segredo dos Seus Olhos” e o infantil “Um Time Show de Bola”, que também virou filme nas mãos de Campanella. “Lamento porque parece que há um universo cultural compatível com o que o esporte significa para nós”, diz ele, que tem trabalhos vertidos para mais de 20 idiomas.

Por outro lado, admite que conhece pouco da literatura brasileira contemporânea. “O que falei dos times daí poderia também falar da literatura. Não sei se é por conta da barreira idiomática, mas é praticamente impossível encontrar livros de novos autores brasileiros traduzidos para o espanhol. E parece que as pessoas que têm o espanhol como idioma natal sentem muito mais dificuldade de compreender o português do que o contrário”.

Sacheri diz que, caso tivesse mais acesso a nossos autores, pudesse levá-los para o rádio. É que o escritor tem uma coluna no programa “Perro de la Calle”, bastante conhecido na Argentina, na qual compartilha suas impressões sobre o que anda lendo com os ouvintes. Formado em história, ele também leciona a matéria duas vezes por semana para alunos entre 15 e 17 anos, atividade que diz servir, sobretudo, para que se “enriqueça como pessoa”.

É esse enriquecimento, ao seu ver, que falta a muita gente. Em sua descrição no Twitter, Sacheri diz estar “cansado dos fanáticos”. Ao explicar a frase citando seus compatriotas, parece atingir o universal tão almejado por escritores. “Isso tem mais a ver com o mundo da política na Argentina, mas também poderia ser aplicado ao futebol. Nasce da falta de habilidade aqui para viver sem nos agredirmos. Os fanáticos me atormentam porque são pessoas muito agressivas, incapazes de ver a humanidade do outro”.

Fonte: Bol.com.br

Romance de escritor argentino sugere que Hitler teria morrido no Paraguai

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Publicado no R7

 Hitler pode ter vivido na América do Sul Allgemeiner Deutscher Nachrichtendienst - Zentralbild (Bild 183)/Wikimedia Commons

Hitler pode ter vivido na América do Sul Allgemeiner Deutscher Nachrichtendienst – Zentralbild (Bild 183)/Wikimedia Commons

A relação de Adolf Hitler com o ocultismo e sua influência sobre o nazismo é um dos ingredientes do livro Hitler, el hombre que venció a la muerte (Hitler, o homem que venceu a morte, em tradução livre), do escritor argentino Abel Basti, que sustenta que o ditador não morreu na Alemanha, mas no Paraguai.

Neste trabalho, que Basti define como romance histórico e que é a primeira parte de uma série, o jornalista e escritor argentino se centra na figura de Hitler quando a Alemanha está a ponto de perder a Segunda Guerra Mundial e em sua busca de um plano de fuga alternativo em caso de derrota. “Um plano b”, explicou Basti em entrevista à Agência Efe, que “se realizou no marco de um acordo militar com os Estados Unidos” para facilitar a saída da Alemanha de cientistas a serviço do nazismo que terminariam “principalmente nos Estados Unidos”, segundo o escritor, mas também em outros países, como a Argentina.

Basti sustenta que Hitler não se suicidou na Alemanha após perder a guerra, mas se transferiu à Espanha, em abril de 1945, e dali viajou à Patagônia argentina junto com Eva Braun em um submarino com a proteção do então presidente de fato, Edelmiro Farrell, e de Juan Domingo Perón, seu ministro de Guerra, que chegaria depois ao poder.

Durante os dois primeiros mandatos de Perón (1946-1955), Hitler teria vivido em uma fazenda próxima à sulina cidade argentina de Bariloche sob o nome de Adolf Schütelmayor, de acordo com as investigações de Basti. Após sua derrocada, em 1955, Perón teria pedido ao ditador paraguaio Alfredo Stroessner que acolhesse Hitler no Paraguai onde, segundo o autor, Hitler teria morrido em 1971 e seus restos teriam sido enterrados na cripta de um bunker subterrâneo sob um edifício hoje ocupado por um hotel.

Em seu primeiro romance, Basti, estabelecido em Bariloche e com vários livros de não-ficção publicados sobre o tema, ressalta a relação de Hitler com o ocultismo e suas conexões internacionais através de círculos que teriam influenciado nos passos a seguir durante a guerra. Grupos como a sociedade Thule, fundada como um círculo de estudo das raízes alemãs, dedicada à reivindicação das origens da raça ariana, e que apoiou o Partido Operário Alemão, depois transformado no Partido Nacional-Socialista liderado por Hitler.

Uma sociedade à qual Hitler não pertenceu formalmente, mas sim vários dos altos comandantes do nazismo e que, segundo Basti, “não encararam a guerra como uma disputa entre um lado e outro, mas como um grande episódio de transmutação da humanidade, como uma era que terminava e outra que começava”. “É histórica a pertinência de dirigentes nazistas a estes grupos esotéricos no período entre guerras”, contou o escritor, ressaltando que “o que o romance torna ficção é que esses grupos continuaram atuando durante a guerra”, apesar de oficialmente a sociedade Thule ter se dissolvido após a chegada de Hitler ao poder (1933).

O escritor ressalta ainda a relação deste tipo de sociedade com a personalidade de Hitler, sua sobrevivência a vários atentados e a crença em alguns setores que tinha uma espécie de “pacto com o diabo” para salvar sua vida, e daí o título do livro, “o homem que venceu à morte”. Para Basti, que há anos estudando as pegadas de Hitler na Argentina e Paraguai, o ditador nazista tinha uma visão messiânica de seu papel no mundo e provava isso em comentários como o realizado em 1925 e com o qual o escritor abre seu livro: “A obra que Cristo empreendeu, mas que não pôde acabar, eu, Adolf Hitler, levarei a seu término”.

E-book reduz capacidade de concentração, diz Alberto Manguel

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O escritor argentino Alberto Manguel posa em sua casa na França, em imagem de 2007 (Foto: Alain Jocard - 11.set.2007/AFP)

O escritor argentino Alberto Manguel posa em sua casa na França, em imagem de 2007 (Foto: Alain Jocard – 11.set.2007/AFP)

Sylvia Colombo, na Folha de S.Paulo

Quantos livros carregamos na memória? Uma quantidade maior ou menor do que os humanos que viveram em outros tempos da história? Estamos lendo mais, porém esquecendo tudo rapidamente?

Sobre esses temas o escritor argentino naturalizado canadense Alberto Manguel, 66, fala nesta quarta (5), na última conferência do ano do ciclo Fronteiras do Pensamento, que ocorre no auditório do complexo Ohtake Cultural, em São Paulo.

“Uso exemplos como os do argentino Jorge Luis Borges [1899-1986], que ficou cego por volta dos 50 anos e conviveu o resto da vida com a lembrança do que lera até então, e o do italiano Primo Levi [1919-1987], cujas leituras que realizou antes de ser preso o ajudaram a sobreviver ao Holocausto”, diz à Folha.

Manguel conheceu Borges na adolescência, quando trabalhava na livraria Pygmalion, na avenida Corrientes, em Buenos Aires, dedicada a títulos em alemão e inglês.

O autor de “O Aleph” frequentava o local, mas como praticamente já não podia mais ler, pedia que o jovem Manguel o fizesse, em voz alta. “Me impressionava como ele se concentrava, e assim mantinha viva em sua cabeça essa biblioteca portátil que carregava consigo, e que servia de companhia e consolo.”

Apesar de considerar positivo que e-books e leituras virtuais em geral ofereçam acesso a uma quantidade maior de obras e autores, o autor faz ressalvas à expansão dos suportes virtuais.

“Ler textos eletrônicos não é o mesmo, para o cérebro, do que ler um texto impresso. Perdemos muito da nossa capacidade de interpretar o conteúdo de uma leitura virtual, realizar conexões e refletir sobre o o conteúdo porque ela não permite a concentração necessária.”

Além disso, critica o modo pelo qual sites como Amazon estão estrangulando editoras e livreiros pequenos. “São aqueles que melhor conhecem os livros, e estão perdendo esta batalha, que é desleal.”

FANTASMAS

Filho de diplomatas, Manguel passou a infância em Israel, voltou por pouco tempo a Buenos Aires, onde estudou no tradicional Colegio Nacional, depois radicou-se novamente no exterior, pouco antes de iniciada a ditadura argentina (1976-1983). Viveu na Europa, no Canadá e, hoje, vive no vilarejo de Mondion, nos arredores de Poitiers (França), numa casa cuja biblioteca possui 40 mil títulos.

“Minha relação com a Argentina é confusa e contraditória, pois muitos amigos meus da época da adolescência desapareceram durante os anos de chumbo, quando eu já não estava mais lá. Hoje, quando volto a Buenos Aires, não vejo mais as pessoas e não reconheço mais os lugares, transformados pela arquitetura moderna. É como ir a um país de fantasmas.”

Autor de livros que têm a leitura como protagonista (“A Biblioteca à Noite”, “Uma História da Leitura”), e coautor do “Dicionário de Lugares Imaginários” (todos lançados aqui pela Companhia das Letras), Manguel é também fã do brasileiro Machado de Assis (1839-1908). “O modo como narra e como integra o leitor à obra fazem dele um dos mais importantes de sua época.”

Manguel recrimina o mercado editorial anglo-saxônico por ainda ser tímido na tradução do português e do espanhol. “O que explica a projeção internacional de um escritor tão mediano como o norte-americano Jonathan Franzen (As Correções’)? Qualquer pessoa inteligente que conhecesse sua obra e a do argentino Ricardo Piglia, só para ficar num exemplo, consideraria Piglia muito melhor. E assim ocorre com autores holandeses, italianos, portugueses e brasileiros.”

O próximo livro de Manguel, que sairá aqui pela Companhia das Letras, é “Uma História Natural da Curiosidade”, em setembro de do ano que vem.

FRONTEIRAS DO PENSAMENTO
QUANDO qua. (5), às 20h30
ONDE Complexo Ohtake Cultural, r. Coropés, 88; tel. (11) 4007-1200 (fronteirasdopensamento.com.br)
QUANTO ingressos esgotados

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