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Posts tagged Arquivos

Universidade do Texas adquire arquivos do escritor colombiano García Márquez

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“Cem Anos de Solidão”, um romance épico que o ajudou a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura em 1982 é a obra mais conhecida do autor

Publicado no DCImais

Painel do escritor colombiano Gabriel García Márquez Foto: Reuters

Painel do escritor colombiano Gabriel García Márquez
Foto: Reuters

AUSTIN ( Estados Unidos) – Uma biblioteca da Universidade do Texas adquiriu os arquivos do escritor ganhador do Nobel Gabriel García Márquez, cujas histórias cativantes de amor e nostalgia levaram a América Latina para milhões de leitores do mundo todo.

A obra mais conhecida do colombiano García Márquez, que morreu em abril aos 87 anos, foi “Cem Anos de Solidão”, um romance épico que o ajudou a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura em 1982.

Os arquivos englobam um período de mais de 50 anos e incluem manuscritos originais de 10 livros como “Cem Anos de Solidão” e “O Amor nos Tempos do Cólera”, assim como mais de 2.000 cartas, algumas para autores de destaque como Graham Greene, disse o Centro Harry Ransom, da universidade em Austin, nesta segunda-feira.

“A Universidade do Texas em Austin, com experiência tanto sobre a América Latina como na preservação e estudo do processo de escrita, é o lar natural para esta importante coleção”, disse Bill Powers, presidente do centro.

García Márquez, chamado por amigos e admiradores de “Gabo”, foi um dos autores latino-americanos mais conhecidos e apreciados. Seus livros venderam dezenas de milhares de cópias no mundo inteiro.

O Centro Harry Ransom é um dos mais importantes do mundo em termos de arquivos de autores de destaque e possui material de muitos dos escritores mais notáveis do século 20, como Jorge Luis Borges, William Faulkner e James Joyce, todos influências na obra de García Márquez.

(Por Jon Herskovitz, com Reportagem adicional de Anahi Rama, na Cidade do México)

Voluntários ajudam o Smithsonian a transcrever mais de 13 mil páginas

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Seguindo a tendência do ‘crowdsourcing’, o instituto americano de museus e pesquisas testou o novo método no ano passado

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Publicado em O Globo

RIO – O Smithsonian, complexo de museus e instituto de pesquisas sediado em Washington, EUA, veio a público através de seu site para pedir ajuda na transcrição e tradução de documentos que não podem ser facilmente lidos por computadores. O vasto arquivo contempla milhares de páginas sobre a Guerra Civil americana, etiquetas botânicas e correspondências, entre outros papéis.

Durante a fase de testes do projeto, que foi iniciada em junho de 2013, mais de mil voluntários conseguiram transcrever cerca de 13 mil páginas de documentos arquivados. Contudo, a iniciativa teve um lado negativo: a falha humana. Para evitar erros de digitação ou divergências nos conteúdos, cada lauda foi revisada por outro participante do projeto e depois por um especialista do instituto. Uma vez transcritos, os documentos são liberados para consulta.

Os arquivos da instituição são enormes, e preservar essas coleções em uma era digital é uma tarefa muito complicada, especialmente quando se tratam de documentos escritos à mão. Tinta desaparece com o tempo e rabiscos individuais às vezes se assemelham a hieróglifos. O Smithsonian estimou que sem a ajuda da população levaria décadas para transcrever as milhões de páginas de suas coleções.

Depois do sucesso durante a fase de testes, o instituto emitiu um chamado para que mais voluntários se candidatassem a decifrar de tudo, desde marcas de amostras manuscritas a cartas pessoais de artistas icônicos dos EUA. O instituto espera que o público ajude a transcrever, entre outros projetos, os cadernos de pesquisa de Joseph Henry, físico e um dos primeiros pesquisadores do Smithsonian, e uma coleção de cartas de artistas norte-americanos que será incluída no no livro “The Art of Handwriting”, que será publicado pela instituição.

Pinturas secretas são encontradas nas páginas de um livro do século 19

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Livros escondem muitos tesouros. E alguns destes tesouros aparecem nas bordas das páginas.

Margarete Morrissey, no Sphere

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Autumn

 

As pinturas aparecem ao folhear as páginas dos livros ‘Spring’, ‘Summer’, ‘Winter’ e ‘Autumn’ de Robert Mudie. Os livros foram mantidos nas Coleções Especiais e Arquivos da Universidade Iowa e escondiam verdadeiras obras de artes.

 

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Autumn

 

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Spring

 

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Spring

 

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Summer

 

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Summer

 

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Winter

 

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Winter

Dica do João Marcos

Livros clássicos com capas cretinas: uma proposta

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Sérgio Rodrigues, no Todoprosa

Não sei, mas acho que posso ter encontrado um jeito simples de aumentar os índices de leitura da população brasileira (clique na imagem para ter melhor resolução).

A inspiração veio dessa seleção de piores capas de títulos famosos da literatura – sexistas, sensacionalistas, caras de pau, sem noção, comicamente literais ou todas as alternativas anteriores – feita pela Flavorwire. Atenção ao primeiríssimo lugar ocupado por uma capa da Record para “O iluminado”, já comentada aqui.

A temporada de capas cretinas começa agora: se você tiver um Paint (ou programa melhor) na mão e uma ideia na cabeça, o Todoprosa está de portas abertas à sua criatividade pelo email [email protected] Apenas arquivos em jpg, por favor.

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Agora falando sério, é um primor de abrangência e lucidez o artigo “Literatura brasileira no exterior: problema das editores?”, de Felipe Lindoso, publicado em seu blog, aqui. Quem se interessa de forma profissional ou diletante pelo assunto tem muito a ganhar encarando a longa extensão do texto. Uma amostra:

…seja através das editoras – ou, principalmente, dos agentes literários – as negociações internacionais usam, no maior limite do possível, a predominância do inglês nessa etapa atual da República Mundial das Letras precisamente para valorizar seus autores.

As editoras brasileiras são, como as de outros países, os alvos disso. Por essa razão e pelo fato do português ser uma língua de menor expressão nessa constelação, os editores brasileiros participam do mercado literário internacional principalmente como compradores, não como vendedores.

Nesse contexto, querer que sejam os editores os que façam a promoção da literatura brasileira no exterior é tão somente uma manifestação de wishful thinking. Não funciona.

Aulas sob vigilância e perseguição na ditadura militar

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Processo de demissão contra professor da rede pública obtido pelo GLOBO conta como educadores sofreram pressão para deixar escolas

Juliana Dal Piva, em O Globo

A ditadura militar proporcionou a seus apoiadores a oportunidade de promover uma caça a adversários pessoais e profissionais dos mesmos. É o que revela o processo de demissão de José Grabois, um professor de Geografia do extinto estado da Guanabara, que abrangia o território que hoje é a capital do Rio. O documento foi descoberto em meio a arquivos do governo do Rio no ano passado e faz parte do acervo do Arquivo do Estado. O GLOBO teve acesso ao processo após um pedido por meio da Lei de Acesso à Informação.

As acusações feitas em maio de 1964 partiram do diretor da Escola Visconde de Cairu, Eneias de Barros, e do professor Antonio Guerra, colega de disciplina. Os dois acusaram Grabois — que já não trabalhava mais na escola — de fugir do currículo para fazer “propaganda ideológica” para os alunos. Segundo as denúncias, ele lecionava sobre “o imperialismo americano”.

“Eram as aulas de Geografia de tal modo ligadas à linha do partido comunista que foi este diretor obrigado a intervir colocando-o sob vigilância”, afirmou Eneias à comissão. Ao folhear os cadernos dos alunos anexos ao processo, O GLOBO sequer encontrou as expressões citadas.

Aos 74 anos, José Grabois se diz nauseado ao lembrar do caso. Respira fundo e fecha os olhos por trás dos óculos. Lentamente, levanta as mãos e as desliza sobre a cabeça. O tema ainda trava na garganta.

— O ambiente, não só do colégio mas do Brasil, era de debate nacional. A sala dos professores era um palco importante de discussões. E, depois das aulas, por que excluir os alunos das discussões? — conta.

Ao fim de 1963, Grabois conta que pediu transferência para outra escola e nunca mais teve contato com Guerra ou Barros. Logo após o golpe, levou um grande número de livros para um apartamento que seu avô tinha no Leblon. Lá, destruiu as obras:

— Coloquei os livros na banheira e os derreti com água quente. Derreti a minha biblioteca. Isso é uma coisa que dói lembrar — lamenta. Para ele, o diretor pressionou o colega de disciplina a denunciá-lo:

— Tinha uma boa relação com o Guerra. Ele deve ter colaborado por medo.

Após o golpe militar, o professor diz que, de certa forma, já esperava a perseguição do regime. Ele frequentava a redação do jornal do Partido Comunista e era sobrinho de Maurício Grabois — líder do PCdoB e um dos militantes desaparecidos na Guerrilha do Araguaia. Ele, no entanto, não militou em nenhuma organização de esquerda.

O processo contra o professor foi presidido por Alcino Salazar e fez parte da “Operação Limpeza”, promovida pela ditadura após o Ato Institucional nº 1. O objetivo era retirar do governo todos aqueles contrários ao regime. No ano seguinte, Salazar se tornou procurador-geral da República.

Grabois jamais foi recebido pelos investigadores e teve que apresentar a defesa por escrito. E, mesmo com mais de 30 declarações a seu favor dadas por colegas professores e pais de alunos, nada evitou a demissão. Ele e outros quatro professores foram considerados “inconvenientes para o exercício do magistério”. No texto, outros 12 também foram listados.

Um deles foi Mauricio Silva Santos, outro professor de Geografia. Ele trabalhava na Escola Rivadávia Corrêa e fez questão de dizer que se mantinha longe da política:

— Eu era pobre e precisava estudar para ser bom. Não tinha tempo para outra coisa. Dizem que havia um núcleo comunista no colégio. Sei que eu ia almoçar com um colega da Matemática e, depois, disseram que ele era comunista. Era o Bayard Boiteux.

Boiteux é outro da lista dos demitidos. Diferentemente dos outros, ele fez parte da Guerrilha do Caparaó, desmantelada em 1967. Foi preso e condenado, mas conseguiu partir para o exílio de onde retornou em 1979. Morreu em 2004.

Mauricio Silva Santos não foi demitido, mas sofreu uma suspensão de seis meses. Ao retornar, ainda ficou outros três meses sem receber salário. Durante esse período, sua mulher estava grávida de gêmeos.

Depois da demissão, Grabois deu aulas particulares e continuou vigiado. Mais tarde, seguiu carreira acadêmica na UFPB e na UFPE. Ele só retornou ao Rio em 1990, para lecionar na UFF. No ano passado, foi anistiado pelo Ministério da Justiça.

— Para sobreviver a gente introjeta o medo. Aprende a viver colocando cadeados em vários lugares e épocas. Depois não consegue soltar — afirma ele, que não quis ser fotografado.

Eneias de Barros, Antonio Guerra e Alcino Salazar já morreram.

Durante a ditadura, o educador Paulo Freire foi preso e teve que sair do país. O ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB) Anísio Teixeira foi demitido logo após o golpe e morreu em circunstâncias ainda não esclarecidas.

O total de educadores demitidos por razões políticas é desconhecido. De acordo com a Comissão de Anistia, cerca de 1.200 professores já foram anistiados pelo governo federal, e outros 243 processos aguardam julgamento. Entre mortos e desaparecidos políticos, estão ao menos 26 educadores.

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