Posts tagged artigo

Caetano Veloso dá bronca em sua equipe por ‘erro idiota’ de crase

0

Cantor deu ‘aula de português’ aos responsáveis por suas redes sociais.
Post de 11 de junho tinha a expressão ‘homenagem à Bituca’.

caetano2

Publicado no G1

A produção de Caetano Veloso publicou nesta terça-feira (23), no Facebook, um vídeo no qual ele dá uma bronca na equipe que cuida de suas redes sociais. Motivo: mau uso da crase. “Um erro chato, eu não gosto desse erro. Acho idiota”, diz ele após explicar por que o acento não deveria ter sido usado na construção “homenagem a Bituca”. O equívoco estava na legenda de uma foto publicada no Facebook em 11 de junho.

O “Bituca” em questão é Milton Nascimento. A imagem do post mostra justamente um encontro de Milton e Caetano durante um show da banda Dônica. Um dos integrantes é filho de Caetano.

“Até os linguistas estimulam [o uso equivocado da crase], dizendo que não deve ligar para crase, que deve deixar… Nada! Nada de deixar. Tem que saber português e trabalhar bem a língua portuguesa no Brasil! Tem que ter responsabilidade!”, finaliza ele.

A pessoa que está filmando, então, responde: “Sim, senhor. Vamos tentar melhorar, prometo. A produção falhou”.

Explicação gramatical

Sérgio Nogueira, colunista de língua portuguesa do G1, explica que a crase é a junção de uma preposição com o artigo definido feminino (“a” mais outro “a”).

Quem faz homenagem sempre faz homenagem “a” alguma coisa ou “a” alguém. A preposição é uma exigência do substantivo “homenagem”.

No caso de “homenagem à música brasileira”, por exemplo, é como se falássemos “homenagem a a música”. O segundo “a” é o artigo definido que antecede o substantivo, também feminino, “música”.

Por que no caso do “Bituca” a crase é impossível? Simples: Bituca é Milton Nascimento, é masculino. É impossível haver artigo feminino antes do Bituca. Se houvesse, seria o artigo masculino “o”. Nesse caso, seria “homenagem ao Bituca”.

Um conto que faz pensar

0

um conto1-thumb-600x253-52386

Alexia Alves no Obvious

A história de Um Conto de Natal, de Charles Dickens, com toda sua engenhosidade e, até mesmo, quem sabe, moralismo, dá a oportunidade ao leitor de refletir sobre as atitudes que foram tomadas ao longo do ano, ao longo da vida. No conto, o protagonista, Ebenezer Scrooge, vive a oportunidade de ver as consequências de suas atitudes.

A história se passa em Londres, na véspera de Natal. A cidade está em clima natalino, todos aguardam o momento para aproveitar uma deliciosa ceia com a família. No entanto, Scrooge não gosta do Natal e tudo que ele representa. Assim, somada sua postura ranzinza e de pouca compaixão, tornou-se um solitário, tendo um único parente próximo o sobrinho que tenta incansavelmente se aproximar do tio.

Antes de Scrooge saber que vai receber a visita de três espíritos, o fantasma de seu ex-sócio Marley – que arrasta desanimadamente as correntes que o prendem ao mundo mortal – aparece para alertá-lo sobre as consequências de sua falta de caridade, misericórdia e bondade.

um conto2-thumb-600x253-52388

Assim, Scrooge recebe o espírito do Natal Passado e faz uma retrospectiva da vida dele quando ele ainda gostava do Natal, mas ele acaba expulsando o espírito, pois acaba vendo a lembrança da mulher que amou, ficando perturbado. O espírito do Natal Presente mostra ao protagonista as celebrações que estão acontecendo naquele momento, incluindo a de seu funcionário e sobrinho. Ao contrário dos outros espíritos, o do Natal Futuro mostra-se o mais assustador, pois o leva para ver o futuro que se revela com uma morte solitária e cheia de desonra.

Um Conto de Natal tem infinitas adaptações, muitas de desenhos e filmes de menor ou maior orçamento, há muito que se refletir sobre o que realmente importa na vida, a história mostra, além de toda reflexão, o poder que as pessoas têm sobre a vida uma das outras, ressalta a essência humana de um ser sociável, que não é completo em uma vida solitária.

um conto3-thumb-600x290-52390

Com este artigo deixo meus votos de felicidades para seu Natal. Desejo-lhe toda paz e alegria. Boas festas!

Novas tecnologias de difusão pedem uma ficção mais afinada com o caos urbano

0

Em artigo, o escritor Marcelo Benvenutti fala sobre a proposta de transcendência da literatura pop

Publicado no Zero Hora

Antigamente a rádio propagava música para milhões pelo preço de algumas pilhas, enquanto a literatura fazia com que o leitor tivesse que procurar o livro. O livro tinha que ser impresso. Distribuído. Vendido. Hoje a distribuição literária está numa velocidade cada vez maior. Criam-se quebras de protocolos rígidos que foram impostos por séculos de preconceitos. A literatura não é para qualquer um, diria um escritor de então. Assim também diziam os músicos eruditos ao ouvirem brancos que piravam no jazz, negros que pululavam no blues rural ou enclausurados intelectuais ao escutar populares em uma roda de samba. A música era restrita a poucos até surgirem aparelhos que a reproduzissem para as massas. Escravos que colhiam algodão puderam propagar seus lamentos para lugares que jamais imaginariam terem suas músicas ouvidas. Quando a distribuição se alterou, o que antes nem se sabia que existia, agora era música. Com a literatura não seria, e nem será, diferente.

Literatura é tudo aquilo que, ao se propagar, é lido como ficção e aceito pelo público. A propagação em massa nos traz o potencialmente bom e o potencialmente péssimo, mas nos dá o direito de escolha. Não deixem que outros escolham o que vocês devem ler ou escrever. Nós, escritores urbanos da América Latina, devemos tentar ao máximo escapar de associações históricas e localistas com que críticos (se é que eles ainda existem) nos analisam. Obviamente que a América do Sul ainda é maculada pelo fantasma da literatura fantástica. Julio Cortázar, por exemplo, escreveu histórias com situações absurdas, das melhores, mas também escreveu ótimos contos que se passam em Paris e Buenos Aires e em nada se enquadram nos estereótipos da crítica. São histórias urbanas. Histórias de pessoas comuns. Que amam. Brigam. Trabalham. Bebem. Que vivem. Só que o resenhista lembrará apenas de suas histórias fantásticas em que homens repetem números ou criaturas coabitam em um universo paralelo. Cortázar também é pop.

Sua história, caro escritor, pode ser sobre a imensa vontade de uma mulher que quer voar ou que chova Cadillacs azuis em uma cidade. Controle-se. Não deixe que o fantástico entranhe em você e o resenhista, preguiçoso e mal pago, acabe com sua carreira, jogando-a no limbo da literatura latino-americana. É muito fácil ele fazer isto. Você não precisa viver em Nova York, Londres ou Barcelona para ter histórias para contar. Seja em São Paulo, Cuiabá ou Garanhuns, vivemos em uma sociedade urbana. Deixe os romances históricos para os roteiristas da Globo. Estabeleça uma nova ordem. Todo romance é histórico? Claro que é! Se eu escrevo agora uma história que se passa em Porto Alegre com linguagem atual, pessoas e situações urbanas da capital, é um romance histórico? Ainda não é. Mas se sobreviver aos bits e bytes, no futuro será.

Existem escritores que só consideram alguém escritor se tiver lançado um romance. A literatura pop contesta. O pop se propõe a transcender, se apropria da transcendência que já acontece, os conceitos estanques e paradigmáticos do contemporâneo. Você é um escritor quando se propõe a criar uma história fictícia, baseada em fatos, reais ou não, acontecimentos plausíveis, impossíveis ou inexistentes. Você criou um universo através das letras. Como um compositor ou um pintor criou um mundo próprio. Somente com a imaginação. Quem coordena tudo ainda é a imaginação. Não se deixe cair nos guetos. A literatura fantástica ou o romance histórico são alguns deles. Quem é esse sujeito falando de pop se eu nem sei quem ele é? Mas aí é que está! Para ser pop não é necessário ser conhecido. Basta estar inserido na cultura pop. Conhecido já entra em outra classificação: a dos famosos. Famosos não fazem literatura. A literatura se faz deles. São elementos passivos. A literatura é pop. O autor, não.

A literatura submersa nas relações doentias da sociedade virtual, perdida entre verdades, mentiras e jogos irreais, se apruma em meio à confusão das redes sociais. Um post no Facebook pode ser tão literário quanto um romance. Basta fazer-se crível em meio à balbúrdia de sentimentos exarcebados por trás do teclado. O texto virtual é, muitas vezes, mais literário que a própria literatura. No momento em que alguém se mete atrás de um avatar, mera representação do seu eu verdadeiro, transforma-se em personagem de si mesmo. O personagem, muitas vezes confuso, uma persona diferente do original, joga o escritor-leitor-ator em meio a outros tantos personagens a interagirem no Twitter, Facebook ou qualquer outro aplicativo que venha a ser apresentado em um futuro próximo. Os escritores-atores de suas próprias histórias se movimentam nas ruas, tiram fotos, contam o que acontece em suas vidas, o que comem, bebem, com quem conversaram, quem beijaram, suas aventuras e desejos. Emitem opiniões e discutem, confundindo realidade com o que se passa nas suas cabeças. Distúrbios da vida real. A fragmentação desse mundo, entrecortado, nervoso, cut-up de cenas, memórias coletivas e textos curtos, se reflete na literatura, em sua caminhada rumo ao pop.

Por que a literatura deve ser pop? Porque não existe outro caminho. No return! O caminho linear nos leva ao começo. É um círculo. A fragmentação funciona como a maré. Tudo é jogado ao mar e tudo retorna. A literatura pasmacenta, ensimesmada na técnica das academias, retorna ao seu próprio umbigo, fugindo da interação e se tornando instrumento do autor. O pop, que se expande e se joga em meio ao calhamaço de informações e bobagens da internet, entranha-se e se alimenta da sociedade, virtual e real. A literatura pop é uma revista de papel barato num banco de rodoviária. É o punk, o beat, a libertação ressuscitada em mentes conectadas. O imaginário do autor está lá. As características do escritor que se interpõe e propõe o texto. Aquele que não se esquiva do combate e do debate. Textos espaçados por sites e redes se formam com o tempo na mente do leitor-personagem. O próprio leitor, inserido na internet, se torna leitor e ator da história, sendo incompatível separar vida e obra. O que diferencia um agente ativo de um passivo na literatura pop é a proposição. E aquele que dá a partida, corta em um lugar para colar em outro, assume a autoria de uma obra coletiva significada por sua personalidade. Seu texto, que faz a sinapse entre links e mentes, cria o imaginário em sua base: a mente humana individual. É quando retrato, reflexo e personagem se confundem em seu próprio tempo. Não se assuste com as palavras que vierem dos “entendidos”. Serão apenas palavras de quem quer criar um mundo próprio de mentiras e regras. Não existem regras. Quer dizer, existem. Mas não as respeite. Isso é o pop.

Marcelo Benvenutti é escritor, autor, entre outros, dos livros de contos Vidas Cegas (2002) e Arquivo Morto (2009)

Quem tem medo dos críticos?

0

1

Daniel Prestes, no Vá ler um livro

Tenho percebido a algum tempo que blogs literários dificilmente tem muitos comentários, salvo algumas exceções e, é mais raro ainda que, quando há, o leitor fuja do já dito pelo autor ou, ainda, apresente argumentos para justificar a concordância. No geral, os comentários se resumem a um “concordo plenamente”, “assino embaixo” e suas variações.

E aí eu me pergunto: Que tipo de leitores estamos formando? Que tipo de leitor é esse que não consegue reestruturar o pensamento posto pelo texto? Que leitor é esse, que não consegue apontar elementos no que está escrito para a sua concordância? Que gosta de tudo, porque achasse contemplado ipsi literis, vírgula por vírgula, em cada ponto?

É ainda pior quando, conversando com algumas pessoas, ouço as seguintes justificativas: “tenho medo de parecer tolo”, “não sei o que comentar” e “e se eu estiver errado?”.

Ora, você leu o texto e tem sua experiência de vida, de leitura de outros textos, assim, não me parece possível que você não tenha nada a acrescentar ao que está posto. Posicionar-se nos comentários, ir além do gostei, é também parte do ato de ler, pois nele, você constrói um sentido, “re”-significa e entra em diálogo com o autor. É justamente por isso que temos o espaço para comentários, para que esse diálogo aconteça e, quando isso ocorre, é uma dádiva, porque você trabalha os sentidos postos no texto e faz com que o autor trabalhe ainda mais as suas próprias ideias.

O crítico, o cara que escreve o artigo de opinião não é detentor da verdade, ele é alguém que olha o mundo sob uma determinada perspectiva, essa a qual ele lhe convida a conhecer, e quando você entra em contato com ela, a sua própria noção de mundo se alarga e expande.

Porque não oferecer essa mesma oportunidade de alargamento ao autor do texto que você leu? Porque não sair dessa postura passiva de leitura, de recolha de ideias e entrar no jogo do diálogo e, assim, ser um participante na construção de conhecimento?

A crítica precisa de críticas. A crítica precisa do diálogo.

Projeto prevê que escolas fichem alunos usuários ou sob suspeita de uso de alguma substância ilícita

0

A mesma proposta, prestes a ser votada na Câmara, cria cadastro de pessoas que usam drogas

Imagem: Google

Imagem: Google

Vinícius Sassine, em O Globo

O projeto de lei que cria um cadastro de usuários de drogas no país, prestes a ser votado pelo plenário da Câmara, prevê que as escolas fichem alunos usuários ou sob suspeita de uso de alguma substância ilícita. A polêmica proposta despertou reações contrárias do governo, manifestadas em duas notas técnicas do Ministério da Saúde e da Secretaria Geral da Presidência da República, obtidas pelo GLOBO.

Nos documentos, elaborados em outubro do ano passado, técnicos e diretores das duas pastas apontam a “criminalização” e a “marginalização” dos estudantes, caso o projeto se torne lei. O governo está preocupado com a grande possibilidade de aprovação da proposta em plenário, principalmente em razão da força da bancada religiosa na Câmara, interessada no fortalecimento das comunidades terapêuticas dirigidas por padres e pastores.

Conforme o artigo 16 do projeto de lei nº 7.663/2010, caberá a instituições de ensino preencher uma “ficha de notificação, suspeita ou confirmação de uso e dependência de drogas”. O objetivo desse fichamento, segundo o texto final do projeto que será levado a plenário, é o “registro, estudo de caso e adoção de medidas legais”. A proposta prevê ainda que caberá aos professores identificar nos alunos sinais de uso de drogas ilícitas e de álcool, para um posterior encaminhamento à rede de saúde.

O relator do projeto de lei, deputado federal Givaldo Carimbão (PSB-AL), defende outro ponto considerado polêmico e reprovado nas notas técnicas do Ministério da Saúde e da Secretaria Geral da Presidência. A proposta é ampliar em 10% a quantidade de vagas em instituições federais de ensino, a serem destinadas a dependentes químicos em tratamento médico e em abstinência. Se voltarem a usar drogas, esses pacientes perderiam a vaga conquistada nas instituições de ensino.

Carimbão tem como base eleitoral comunidades católicas em Alagoas. Ele é responsável por comunidades terapêuticas que cuidam de dependentes de drogas. O autor do projeto é o deputado Osmar Terra (PMDB-RS), médico e ex-secretário de Saúde no Rio Grande do Sul.

– Se de repente tem algum aluno, o professor tem de trabalhar para encaminhar o pessoal ao serviço de saúde. Na sala de aula pode ter alguma pessoa que está usando drogas. O professor é um orientador da família, que é chamada se tem alguma coisa estranha. A ideia é abrir espaço para que a família não seja a última a saber – defende Carimbão.

Osmar Terra, por sua vez, passou a afirmar que o projeto de sua autoria não prevê a criação de um cadastro de usuários de drogas. O texto do projeto é claro: em até 72 horas, todas as internações e altas hospitalares deverão ser registradas – em caráter sigiloso – no Sistema Nacional de Informações Sobre Drogas.

O projeto também prevê a internação compulsória de dependentes químicos, a ser solicitada por familiar ou servidor público que tenha tido contato com o usuário de drogas. A proposta não deixa claro se uma internação involuntária poderá ser solicitada por um professor ou diretor de escola.

“A instituição escola, na previsão do projeto de lei, se fragiliza na medida em que se torna um ‘espaço inquisidor’, podendo inclusive adotar posições criminalizadoras”, diz a nota técnica do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas (Dapes) do Ministério da Saúde. Posição semelhante foi adotada pelo Departamento de Assuntos Legislativos da Secretaria Geral da Presidência: “Ainda que se compreenda o ambiente escolar como o ‘locus’ privilegiado para políticas públicas voltadas à prevenção das drogas, é necessário termos cautela para não reproduzirmos estereótipos, fomentar a marginalização do jovem ou assumir responsabilidades que escapam às competências da escola.”

As notas criticam ainda a possibilidade de um financiamento paralelo de comunidades terapêuticas, de novas combinações de drogas (a partir da classificação das substâncias ilícitas) e de uma maior quantidade de internações compulsórias. O projeto aumenta a pena mínima para um traficante de drogas de cinco para oito anos de prisão.

No último dia 12, o plenário da Câmara aprovou regime de urgência para a votação do projeto. A análise pelos deputados está prevista para a sessão seguinte ao feriado da Semana Santa, em abril.

Go to Top