Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Artista PláStico

Pesquisadora afirma que crianças ociosas se tornam mais criativas

0

Para Teresa Belton, que entrevistou artistas e cientistas, excesso de atividade pode minar desenvolvimento da imaginação.

Publicado por G1

Ócio pode estimular criatividade das crianças (Foto: BBC)

Ócio pode estimular criatividade das crianças
(Foto: BBC)

Crianças devem ser motivadas a ficarem ociosas e entediadas para desenvolverem sua capacidade criativa, afirma uma especialista em educação.

Para Teresa Belton, pesquisadora da Universidade East Anglia, na Grã-Bretanha, a expectativa cultural de que as crianças estejam sempre ativas pode minar o desenvolvimento de sua imaginação.

Em seu estudo, Belton ouviu a escritora Meera Syal e o artista plástico Grayson Perry sobre como o tédio os ajudou a desenvolver sua criatividade na infância.

Além de escritora e jornalista, Syal é uma famosa comediante na Grã-Bretanha. Perry é hoje um reconhecido artista que faz trabalhos em cerâmica, e suas criações já foram expostas até mesmo no Museu Britânico, em Londres.

Syal disse que o tédio fez com que ela escrevesse, enquanto Perry afirmou que isso era um estado criativo para ele.

A pesquisadora ainda entrevistou um grande número de outros escritores, artistas e cientistas, durante sua busca sobre os efeitos do tédio.

Ela estudou as memórias da infância de Syal, que cresceu numa pequena vila de mineiros, lugar sem muita coisa para fazer.

Belton disse que “a ausência de coisas para fazer motivou [a escritora Syal] a gastar horas do dia a falar com outras pessoas e a tentar outras atividades que em outras circunstâncias ela jamais teria experimentado, como interagir com os mais velhos e vizinhos e aprender a fazer bolos”.

“Tédio é frequentemente associado a solidão, e Syal gastou horas de sua infância observando pela janela o campo e as florestas, assistindo a mudança do clima e das estações”.

“Mas o mais importante foi que o tédio a fez escrever. Ela mantinha um diário desde pequena, que preenchia com observações, pequenas histórias, poemas e críticas. Ela atribui a esta fase seus primeiros passos como a escritora que se tornaria mais tarde”, disse Belton.

Reflexão

Syal, a comediante e escritora, disse que “a solidão imposta como uma página em branco foi um ótimo estímulo”.

Já o artista plástico Grayson Perry afirma que o tédio também pode ser benéfico para adultos: “conforme fui envelhecendo, passei a apreciar a reflexão e o tédio. O ócio é um estado muito criativo”.

A neurocientista e especialista em deterioração da mente Suzan Greenfield, que também respondeu a questões para a pesquisa de Belton, relembrou a infância em uma família com muito pouco dinheiro e sem irmãos até os 13 anos de idade.

“Ela confortavelmente divertia a si mesma, inventando histórias, desenhando figuras para suas fantasias e indo até a biblioteca”, disse Belton.

Ainda de acordo com Belton, que também é especialista no impacto das emoções no comportamento e aprendizado, o tédio pode ser um “sentimento desconfortável”. Para ela a sociedade “desenvolveu uma expectativa de ser constantemente ocupada e constantemente estimulada”.

Mas ela advertiu que a criatividade “envolve ser capaz de desenvolver um estímulo interno”.

“A natureza estimula um vácuo que tentamos preencher”, disse ela. “Alguns jovens que não têm a capacidade interior ou a resposta para lidar com o tédio criativamente. Às vezes eles terminam vandalizando abrigos de pontos de ônibus ou saindo inadvertidamente para um passeio de carro”.

Curto-circuito

Belton, que também já estudou o impacto da televisão e vídeos na escrita das crianças, afirma ainda que “quando os pequenos não têm nada para fazer, eles imediatamente ligam a TV, o computador, o celular ou algum tipo aparelho com tela. O tempo gasto com estas coisas aumentou”.

“Mas crianças precisam ter um tempo para parar e pensar, imaginando que eles possuem seus próprios processos de pensamento e assimilação, por meio de experiências com brincadeiras ou apenas observando o mundo ao seu redor”.

Este é o tipo de coisa que estimula a imaginação, ressalta a pesquisadora, enquanto a tela de alguns aparelhos “tende a criar um curto-circuito no processo de desenvolvimento da capacidade criativa”.

Syal ainda reforça: “Você começa a escrever porque não há nada para provar, nada a perder e nenhuma outra coisa para fazer”.

“É muito libertador ser criativo por nenhuma outra razão além do próprio passatempo”.

Belton conclui: “Para o bem da criatividade talvez devamos diminuir nosso ritmo e ficar offline de tempos em tempos”.

Grafite invade sala de aula

0

Depois de vencer preconceito e chegar a galerias, a arte urbana conquista espaço nos bancos de universidades e escolas, onde é debatida e ensinada

O artista Igor Nunes foi convidado a compor um dos espaços da ESPM, onde ele estuda Ana Branco / Agência O Globo

O artista Igor Nunes foi convidado a compor um dos espaços da ESPM, onde ele estuda Ana Branco / Agência O Globo

Eduardo Vanini, em O Globo

Quando ainda cursava o ensino médio, o artista plástico Igor Nunes, de 22 anos, costumava ouvir da mãe: “seu caderno tem mais rabiscos do que matéria”. Ainda bem. Em poucos anos, os mesmos traços que apareciam despretensiosamente nas folhas pautadas começaram a ganhar força e identidade. Hoje, Igor encara a arte urbana com profissionalismo, estuda a linguagem na faculdade de Design da ESPM e ganha dinheiro com isso.

Os tempos de marginalidade do grafite ficaram para trás. Ele ganhou prestígio das galerias, caiu no mundo dos negócios e agora é discutido nos bancos de universidades e escolas. O próprio Igor, que entrou no ramo por influência de amigos, buscou a graduação para incrementar sua atuação profissional.

Hoje ele ganha, em média, R$ 2.500 por mês com os trabalhos de grafite. Com a faculdade, pretende ficar ainda mais conectado ao mercado. No curso, Igor encontrou total liberdade para trabalhar a técnica e chegou a grafitar um dos espaços da própria faculdade.

O professor André Beltrão, que leciona a disciplina de desenho livre na ESPM, é um dos incentivadores do uso do grafite. Ele conta que, frequentemente, os próprios alunos buscam essa linguagem como referência para seus trabalhos.

— Esta arte se insere em diversas matérias do curso e é, inclusive, uma tendência hoje. Já deixou de habitar apenas muros para ocupar também embalagens e superfícies de objetos.

E mesmo sendo algo essencialmente urbano, Beltrão lembra que a profissionalização é sempre enriquecedora. Afinal, quando há o domínio de ferramentas e técnicas, as possibilidades de atuação aumentam.

Artista plástico e designer, Bruno Big dá aulas de estêncil e gravura na PUC e também defende a profissionalização.

— Há vários grafiteiros que fizeram cursos de Design e depois começaram a mostrar seus trabalhos. Esses são os melhores que conheço — afirma.

Para ele, quem gosta da arte tem mais é que aproveitar.

— O grafite sempre abriu portas para mim. Vejo a aceitação cada vez maior. Com isso, se beneficia quem faz a coisa com seriedade.

Para se aprofundar:

Graduação

O curso de Design da ESPM aborda o grafite em algumas disciplinas, além de abrir espaço para que os alunos desenvolvam trabalhos a partir dessa linguagem. Na PUC, a arte urbana também está presente em cursos, como Design e Desenho Industrial, nos quais especialistas em grafite fazem parte do corpo docente.

Gratuitos

O AfroReggae tem oficinas de grafite nos núcleos de Nova Era, Vila Cruzeiro e Complexo do Alemão (www.afroreggae.org). O Núcleo de Educação e Cultura da Fundição Progresso, na Lapa, também oferece aulas gratuitas de grafite para jovens (www.fundicaoprogresso.com.br). Outra opção é a Central Única das Favelas (Cufa), que realiza oficinas de grafite no Viaduto de Madureira (www.cufa.org.br). Nos três casos, as inscrições estão abertas.

Aulas particulares

No Espaço Rabisco, em Copacabana, é possível fazer aulas particulares que abordam diferentes vertentes do grafite, divididas em oito módulos. A idade mínima para participar é de 10 anos, e a escolaridade é livre (www.espacorabisco.com).

Go to Top