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Posts tagged Aspecto

Guia ilustrado e bem-humorado da Bienal do Livro

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Quer ir à Bienal do Livro do Rio? Então veja algumas dicas do Guia ilustrado e bem-humorado da Bienal

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Publicado por UOL

Reprodução/Google

Reprodução/Google

CHEGANDO LÁ – Pra começar, a Bienal precisa decidir se é no Rio de Janeiro ou se é no Riocentro. O gigantesco centro de convenções famoso por causa da explosão daquele Puma é ótimo para abrigar o evento, mas há dúvidas se fica mesmo no Rio (veja o mapa). Oitenta e sete paus de táxi depois finalmente chegamos ao Riocentro, labiríntico como um romance pós-moderno. Quase quinhentos stands e 27 autores estrangeiros confirmados – embora essas confirmações careçam de confirmação, já que horas antes o guia com a programação da feira havia sido recolhido por conter muitos erros.

3“VOCÊ GOSTA DE POESIA?” – A Bienal costuma ser uma anti-Flip por seu aspecto abertamente comercial, o que espanta um pouco os tipos diletantes que acorrem a Paraty para posar de escritor. Mas logo no primeiro rolé pelo local surge um poeta desses que interrompem a nossa conversa em bares repetindo para os passantes a aterrorizante pergunta “você gosta de poesia?” – só que esse tinha um crachá que não consegui ler. Talvez fosse o único com permissão para portar material amador no evento.

4ALEGRIA DOS NERDS – Nos dias de semana a Bienal pertence às crianças, a maior parte delas de uniforme escolar. Muitas encaram a coisa toda como um desses passeios didáticos por museus ou bibliotecas, ou seja: as mais nerds até gostam. As outras aproveitam os corredores para praticar a hiperatividade. Na tentativa de conter os ânimos dos Damiens em potencial, muito cosplay de personagens infantis, incluindo uma Galinha Pintadinha do tamanho de um peru que só podia estar vestindo um anão ou uma criança.

5CULTURA RENASCENTISTA – Rafael, Michelangelo, Leonardo e Donatello

6NEYMARZETES – Alguns stands apelaram para outras regiões do cérebro além do lobo temporal esquerdo, responsável pela leitura. Uma editora trouxe duas meninas vestidas como jogadores de futebol (se eles ainda usassem aqueles shorts minúsculos dos anos oitenta) para promover seus livros sobre o tema. Alguns menos tímidos pediam para posar junto, mas as garotas perdiam em assédio dos fotógrafos para um display do Neymar em um stand próximo.

7SR. IMPORTANTE – Uma figura comum das Bienais é o Sr. Importante, com camisa social para dentro da calça e sua comitiva. Não raro você reencontra o Sr. Importante na forma de um cartaz gigantesco – é um autor famoso que você não conhece – ou inspecionando um stand com ar de reprovação condescendente, provavelmente um dono de editora ou publisher com muitos best sellers no currículo.

8MARKETING FANTÁSTICO – Falando em famosos-desconhecidos, esse é um fenômeno relativamente recente. Você ouve falar pela primeira vez de um desses novos autores de livros de fantasia para adolescentes (alguns de idade avançada) no mesmo momento em que descobre que o sujeito tem uma obra de fazer inveja à de Balzac (em extensão, bem entendido).

9VAMPIRO BRASILEIRO – A literatura fantástica é uma das grandes forças do mercado no momento e é responsável pelas maiores filas da Bienal. Além de movimentar as vendas, o gênero atrai ao ambiente alguns consumidores típicos, como góticos de todas as idades.

10TABLET É PARA OS FRACOS – Apesar da indústria afirmar que as vendas de tablets estão batendo as seis milhões de unidades ao ano, o livro de papel ainda mora no coração do leitor brasileiro. Talvez porque sem a capa seja mais difícil de praticar a ostentação intelectual.

11ATÉ QUANDO? – Enfim, o livro continua sendo o formato obsoleto e não muito ecológico mais popular do mundo.

Ilustrações: Arnaldo Branco

10 Lugares que nós lemos – e porquê nós lemos neles!

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Monique Almeida, no Literatortura

A leitura é um prazer que nos é transmitido por meio dos pais, professores, mestres, bibliotecários, enfim, todos aqueles que de uma maneira ou outra aproximam o nosso contato com o sentimento de folhear páginas lotadas de letras e, às vezes, imagens.

Chega um nível, porém, em que o hábito atinge tamanha proporção que não se restringe mais a lugar nem hora, então ler se torna uma necessidade sem fronteiras. Nisso, precisamos adaptar diferentes locais para satisfazer o vício, mas você sabe quais são os 10 lugares preferidos dos leitores e o motivo da escolha?

Provavelmente o que mais te agrada está nessa lista, se não, coloque nos comentários abaixo os “cantinhos de leitura” que te acompanham no dia-a-dia.

Bem, a divisão é feita entre locais “públicos” e “privados”.

PÚBLICOS:

Parques: Os parques com seu aspecto de calmaria, o sol no rosto e a brisa suave, com certeza não poderiam deixar de integrar essa lista. Seja por causa de um piquenique com a família, ou apenas para se divertir num final de semana à tarde, a leitura no parque é sempre boa por relaxar e deixar os ares abertos para imaginação, além de, nas pausas, possibilitar que você tente encontrar seus personagens favoritos nos contornos das nuvens.

Livrarias/Bibliotecas: Um lugar clássico, onde o silêncio é lei. Nas bibliotecas a leitura te devora, afinal, quem não sente aquele estímulo de folhear um bom livro quando rodeado de tantas obras? A energia do lugar já é propícia, sem contar que se você estiver numa livraria, pode aproveitar e levar o seu “mais novo amigo” consigo para casa.

Cafeterias: Um lugar aclamado por hipsters, a cafeteria é sempre uma ótima opção, principalmente em dias frios. Lembro-me de um dia na Paulista entrar no Starbucks para comprar chocolate quente e aqueles sofás, junto ao calor do ambiente, implorarem para que eu sentasse e abrisse um bom livro. Quem nunca teve essa sensação, não sabe o que está perdendo.

Ônibus/Trens: Apesar de às vezes ser difícil manter a concentração, por causa daquela senhora que decidiu fazer todas as suas lamentações por telefone ou de algum mal humorado querendo discutir com o cobrador, os transportes públicos são sempre um lugar mágico para a leitura. Eles podem complementar o cenário dos livros, além da diversão em olhar o rosto das pessoas e imaginar se elas parecem ou não com os personagens daquela página. Quantas vezes já não foi encontrada “aquela (ou aquele) inspiração” apenas numa viagem de ônibus?

Praças: Mais comuns no interior dos estados, as praças também fazem parte dos lugares públicos preferidos. A atmosfera é tomada por lazer, com jovens conversando e senhores jogando xadrez ou damas, o que torna as praças bem parecidas com os parques, só que em uma versão reduzida. Além do mais, sentar nos bancos brancos ou acinzentados e apreciar uma grande obra é um sentimento renovador.

PRIVADOS:

Cama: Se você é daqueles que consegue se manter acordado quando opta por ler nesse local, então com certeza a cama é um dos seus lugares preferidos para leitura. A versatilidade com que podemos nos mover para encontrar a posição mais confortável e a sensação de um lugar seguro com o qual já estamos familiarizados torna a cama um clichê, mas dos bons, para apreciar seu título favorito.

Banheiro: Apesar de parecer engraçado, a associação sobre revistas X no 2 fez com que o banheiro se tornasse um excelente local para leitura. É silencioso e não oferece muitos elementos para distração, a não ser que você tenha vizinhos que adoram deixar o som alto, enfim, uma opção de um dos locais mais privados para ler.

Sofá: O parque está para a praça, como o sofá está para a cama. A vantagem do sofá é também termos a possibilidade de procurar a posição mais confortável, só que com menos riscos de ler mais páginas e acabar dormindo. Isso sem contar que o sofá é um espaço que não tem hora para um bom livro, seja chegando tarde do trabalho, depois do almoço ou apenas para relaxar antes de começar o dia.

Carro: Em grandes metrópoles, o carro se tornou item obrigatório nessa lista. O motivo? Quando você se depara com 300 km de trânsito, com certeza não há programa de rádio que seja suficiente para vencer o tédio de olhar a escuridão do lado de fora e se manter a 0 km/h. Não obstante, você também não pode cochilar dentro do carro, então é sempre uma alternativa para trânsitos infinitos ou viagens longas para os que não se sentem enjoados com o movimento do veículo.

Special Spot: Um coringa para essa lista, o special spot (ou lugar especial) faz parte somente da seção de locais privados porque todos nós temos o nosso canto íntimo para leitura que pode ter sido esquecido. Pode ser o prazer de uma escrivaninha, quando se precisa de uma leitura que requer mais atenção, ou aquele quartinho que você dedicou para ser sua biblioteca pessoal, enfim, os special spots são aqueles não citados que você pode deixar no comentário ou que esteve pensando com carinho enquanto lia essa matéria.

Batman ‘sai do armário’ em novo livro

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‘Erotic lives of the superheroes’ retrata o personagem como um gay ‘egocêntrico’, ‘narcisista’ e ‘perverso’
Na obra, o herói vive um romance decadente com Robin

Publicado em O Globo

Capa do livro do italiano Marco Mancassola Divulgação

Capa do livro do italiano Marco Mancassola Divulgação

LONDRES – O Batman “saiu do armário” e se revelou um homossexual de meia idade que passa algumas noites com rapazes e se senta perto de Elton John em jantares de caridade – pelo menos é o que acontece em uma nova obra.

Os rumores sobre o mascarado que combate crime em Gotham City foram confirmados em “Erotic lives of the superheroes” (Vidas eróticas dos super-heróis, em tradução livre), que retrata Batman e Robin como um casal gay em crise e com uma vida sexual monótona.

Escrito pelo autor italiano Marco Mancassola, o romance imagina como seria as obsessões eróticas do Super-Homem, do Senhor Fantástico e da Mystique enquanto eles envelhecem e seus poderes diminuem. Aclamado na Itália, o livro, que gira em torno de um misterioso assassinato, chega ao Reino Unido nesta semana.

Ao retratar o Batman como um gay assumido, Mancassola explicitou inclinações que existiam sutilmente na história do personagem. Grant Morrison, que escreveu os quadrinhos do herói para a DC Comics, disse que “ele é heterossexual, mas a base de todo o conceito é totalmente gay”. George Clooney, que interpretou o Homem Morcego no fracasso de 1997, “Batman & Robin”, disse que ele teve a intenção de fazer com que o personagem parecesse gay.

A homossexualidade é apenas um aspecto da vida erótica e secreta do Batman, de acordo com Mancassola. Ele afirmou ao “The Independent”: “Batman sempre teve um lado obscuro. O fato de a minha visão sobre o personagem evocar formas estranhas de fetichismo e sexo extremo não deveria causar surpresa.”

“Narcisismo é o seu abismo interior. Ele deixou que sua única história de amor verdadeiro falhasse porque se apaixonou pelo mistério da juventude – aquele tipo de estado inacessível e fugaz que ele enxerga nos olhos dos jovens”, acrescentou.

Os advogados da DC Comics podem não gostar muito da releitura do Batman como um fetichista, mas o autor disse: “Não houve intenção de chocar ou ofender ninguém. ‘Vidas eróticas dos super-heróis’ é só uma tentativa de explorar a complexa humanidade de um grupo de personagens.”

Em outro episódio de diversidade, a DC Comics já reiventou a Batwoman como uma lésbica judia, em uma espécie de remake de 2006. A sexualidade da Mulher-Gato de Anne Hathaway em “O Cavaleiro das Trevas ressurge” também foi tema de discussões.

O autor admite que existem fãs ferrenhos dos quadrinhos que “não conseguem me perdoar pelo que fiz aos seus amados personagens. Isso é verdade especialmente quando se trata do Batman, que é o personagem menos bonzinho do livro. Ele é egocêntrico, ridiculamente vaidoso e perverso em algum nível. Mas, na verdade, eu o retratei do jeito que eu gosto dele. Ele é humano. Ele personifica a tragédia na qual a sociedade contemporência transformou o envelhecimento.”

Junky

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Tony Bellotto, no Blog da Companhia

Junk: na gíria dos usuários, droga pesada (morfina, heroína).
Junky: dependente de drogas pesadas.

Acabo de reler Junky, de William Burroughs, na tradução de Reinaldo Moraes para a coleção Má Companhia. Reler não é a palavra certa, pois a leitura anterior foi de uma versão antiga e incompleta, ainda com cortes dos editores da primeira publicação norte-americana, de 1953, e que permaneceu como versão oficial por décadas. A publicação recente é a edição definitiva, com texto original recuperado e introdução reveladora de Allen Ginsberg. Isso explica que eu tenha experimentado só agora a sensação de ler o livro pela primeira vez. Ou então foi a tradução primorosa do Reinaldo que me deu essa impressão.

Junky é fabuloso por vários motivos. O primeiro, a narrativa amoral e distanciada do narrador, um certo Bill (?), nascido de boa família do Centro Oeste americano, que nos informa — com secura literária de deixar Hemingway com cara de mocinha — de sua condição, um junky no final dos anos 1940 e início dos 1950 nos Estados Unidos e no México (para onde Bill foge atrás de junk quando a barra pesa com a justiça americana). Contribuem para a força do texto a ironia agulheada do autor e seu conhecimento prático de drogas químicas, ervas rituais, alucinógenos, barbitúricos e afins.

É sabido que Burroughs, além de grande escritor, foi notório consumidor de drogas e matou acidentalmente (?) a esposa com um tiro na cabeça durante uma bebedeira no México, o que talvez ajude a entender a intrigante — às vezes irritante — misoginia de Junky.

Mas o fato que mais me chamou a atenção na releitura do texto, paradoxalmente, não foi o aspecto literário, ou estético. O que surpreende no livro, e que censores e moralistas nos últimos sessenta anos nunca perceberam, é seu teor, talvez involuntário, antidrogas. Difícil alguém que não seja um dependente terminar a leitura de Junky seco por um pico (ou mesmo por uma cafungada). É claro que o texto transpira revolta contra ações policiais e criminalização de drogas e desperta simpatia pela ideia de que liberdade individual deve prevalecer sobre leis impostas por moralismo e interesses políticos. Mas as descrições cirúrgicas das agruras dos viciados quando privados da droga são de virar o estômago. Junky devia ser adotado em escolas (e tribunais e hospitais) como um livro esclarecedor sobre o uso de drogas pesadas (e de drogas leves também). Ou talvez, numa visão menos otimista, o livro simplesmente revela que não há tratamento para a miséria humana. Numa passagem, Bill admite que em certo estágio do vício, o único “barato” da droga é evitar o desespero da abstinência e a vida do junky se resume a garantir a próxima picada.

Executivo da Record torna vida de bispo Macedo best-seller

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Alberto Pereira Jr., na Folha de S.Paulo

Douglas Tavolaro, 36, vice-presidente de jornalismo da Record, prefere os bastidores.

Neste ano, no entanto, teve de trocar as salas de reuniões pelos holofotes.

Coautor de “Nada a Perder” (Planeta, 2012), biografia de Edir Macedo, ele representa o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus nos lançamentos, desde agosto.

Nesse período, o primeiro volume de uma trilogia a ser finalizada até 2014 vendeu mais de 500 mil exemplares, alcançando o posto de livro de não ficção mais vendido do país em 2012.

Edu Moraes/Divulgação/Tv Record
Douglas Tavolaro, vice-presidente de jornalismo da Record
Douglas Tavolaro, vice-presidente de jornalismo da Record

Ao longo de 288 páginas, “Nada a Perder” narra em tom de desabafo passagens polêmicas da vida de Macedo, como os 11 dias em ficou preso, em 1992, acusado de charlatanismo, curandeirismo e estelionato.

“O meu nome foi surrado por anos seguidos. Para quem me odiava, bispo Macedo era sinônimo de bandido. Isso é assim até hoje”, diz um trecho da obra.

O primeiro tomo vai até a internacionalização da Universal. Os próximos tratarão da compra da TV Record pela igreja e da relação de Macedo com as autoridades.

Douglas Tavolaro diz ter colaborado na construção do roteiro, na apuração jornalística dos fatos e na narrativa.

“Existem personalidades com histórias de vida impressionantes mas, se forem mal contadas sob o aspecto literário, elas se tornam enfadonhas, burocráticas, sem vitalidade, distante dos leitores.”

Para escrever a biografia, o coautor gravou mais de cem horas de entrevistas realizadas entre viagens, encontros reservados nas casas do bispo e nas sedes da Universal ao redor do mundo. Por questões de segurança, Macedo não tem residência definida.

“A última entrevista aconteceu em Londres, em abril deste ano. Foram momentos de muita intimidade, desabafos e de reflexões. Não se trata de um livro-reportagem, mas de uma obra para registrar a versão dele para a história de sua vida”, diz.

A partir de janeiro de 2013, o livro, que vendeu 56 mil exemplares em um dia na Argentina, chegará em Nova York, Paris, Londres, além de países como Angola, Moçambique, Filipinas e Hong Kong.

“Existe um projeto para adaptar a trilogia para o cinema, mas em estágio bem embrionário”, finaliza Tavolaro.

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