Contando e Cantando (Volume 2)

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10 atitudes típicas de um viciado em livros

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Edival Lourenço, na Revista Bula

Quanto mais se fala no fim do livro físico, mais aumenta o número de aficionados por livros. A dependência literária chega a ponto de causar síndrome de abstinência e leva o compulsivo a tomar atitudes estranhas, só para criar oportunidades de ficar mais tempo junto a seu objeto de desejos. Em tom de brincadeira, mas baseado em situações reais, foram alinhadas dez atitudes típicas de pessoas realmente viciadas em livros. Se você se enquadrar em seis itens ou mais, já é um caso grave da síndrome e precisa se internar numa clínica detox para bibliomaníacos.

Semanalmente, pede livros pela internet

E fica acompanhando pelo código de rastreabilidade, para ver por onde o livro anda. Quando vê que o livro chegou à sede da transportadora, liga para saber a hora que vai ser entregue, para não correr o risco de o entregador perder a viagem e atrasar o encontro com o objeto de desejo.

Almoça perto do local de trabalho, bem rapidinho

Aproveita o tempo para entrar na livraria ou no sebo e ficar lambendo as novidades ou as relíquias. E, sempre compra alguns. Pergunta ao vendedor se tem o livro tal ou qual. Se não tem, faz encomenda e no dia seguinte começa a cobrar. Mesmo que o vendedor tenha dito que vão chegar só daí a 15 dias.

Compra livros para presentear e toma depois

Em aniversário de parentes e amigos, presenteia com livros. É claro que compra algum livro de que ele mesmo gostaria de ter. Entrega o presente, participa da cerimônia e tal. Distraidamente pega o livro para dar uma olhadinha e ali mesmo lê as orelhas e as chamadas de capa. Aliás, relê, pois já havia lido antes. Diz para o parente ou amigo que o livro realmente é ótimo e que quer ele emprestado depois. O ganhador vê nisso um alívio da obrigação de ler imediatamente e lhe diz que pode ler primeiro, que está com a leitura acumulada e tal. O ledor compulsivo aproveita para levar o livro e não devolve mais. A não ser que seja duramente cobrado.

Compra mais livros do que seria capaz de ler

Embora a intenção seja ler todos os livros que compra, o compulsivo acaba adquirindo livros numa quantidade tamanha que, nem Matusalém, se não fosse analfabeto e gostasse de livros, teria condição de ler. Compra inclusive livros em línguas estranhas, ou línguas que não domina, com o propósito de aprendê-las e curtir a musicalidade do autor no original. Com o tempo, o compulsivo desenvolve a superstição de que lê por osmose e passa a impressão de que já leu todos os livros da biblioteca de Alexandria e do Congresso Americano.

Encaminha a mãe para morar com a irmã no interior

Sob o argumento de que no interior a vida é mais sossegada e o ar é mais puro. Mas na verdade é porque o apartamento já está completamente tomado de livros, e não tem mais onde guardá-los. Aliás, o único lugar que ainda resta é o quarto da mãe. Exatamente o espaço ocupado por ela. Aí o compulsivo negocia com a irmã para levar a mãe para passar uns tempos com ela. Aproveita a oportunidade, desfaz dos objetos da mãe, chama o marceneiro e instala estantes no quarto e organiza a metade dos livros que estavam amontoados.

Não discute futebol em roda de amigos

A não ser, é claro que o assunto futebol faça parte da trama de algum livro. Ir a estádio de futebol, nem pensar. O tempo desperdiçado com deslocamentos, compras de ingressos, permanência no estádio e outras ações correlatas daria para se ler um livro de médio porte. Não é dado a acreditar em assuntos que não estejam devidamente consubstanciados em livros. (mais…)

10 passos para planejar a carreira de professor

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Especialistas de recursos humanos apontam caminhos que podem fazer diferença na carreira do professor

Publicado na Revista Educação

É inevitável constatar que, diante do desprestígio social, a carreira do professor há tempos deixou de seduzir os jovens universitários. Sobram indicadores para apontar a queda livre. O que surpreende é o que está na contramão desse senso comum: a constatação de que existem professores bem-sucedidos, realizados profissionalmente e com salários bem acima da média do mercado. Afinal de contas, seria possível sonhar com o casamento entre realização profissional e prática do magistério?
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Especialistas em recursos humanos apontam caminhos que, segundo eles, podem, sim, fazer a diferença na carreira. Um deles, segundo Marcelo Maghidman, da Tafkid Marketing Educacional e Cultural, é vincular precocemente teoria e prática. “Essa experiência é determinante na progressão da carreira”, sinaliza. E lembra que o diploma inicial é condição necessária, mas está longe de dar respostas a todas as exigências da profissão. O que se espera – e que faz a diferença – é que o professor, como qualquer outro profissional de outros setores, invista em sua formação.

Gutemberg Leite, da Meta Consultoria em RH, alerta, no entanto, que é preciso ter cautela com o modismo da educação continuada. “Os variados cursos oferecidos nem sempre têm conexão com o aprimoramento do professor, levando-o à dispersão, pressionando-o a estudar temas que não irão contribuir como um fator positivo em sua prática em sala de aula”, pontua.

Seja qual for a escolha, há demandas que, em tese, o professor precisa cumprir. Hoje, além da formação específica e pedagógica, qualquer professor deveria saber planejar e gerenciar sua carreira e seu tempo (no âmbito de suas práticas de classe e fora delas). E mais: saber falar inglês, conhecer as novas tecnologias, dominar o uso do computador, navegar e utilizar a internet e as redes sociais.

Veja abaixo 10 dicas de especialistas em recursos humanos para planejar a carreira.

1 – Identificar a vocação
A carreira bem planejada é aquela que está alinhada com o sonho pessoal e com aquilo que o profissional de ensino tem a oferecer.

2 – Fixar objetivos claros e metas de curto, médio e longo prazo
Para projetar o futuro, é sempre bom avaliar os passos já percorridos. Bons questionamentos sobre o que se quer valem mais do que respostas prontas. Qual a direção a seguir, qual a expectativa de desenvolvimento, o que é preciso fazer para alcançar os objetivos propostos? Um cronograma de ações ajuda a
dar concretude ao processo.

3 – Desenvolver a inteligência sociorrelacional
É a capacidade de estabelecer vínculos interpessoais e mantê-los positiva e progressivamente, em particular no ambiente educacional. Manter viva e bem cuidada sua rede de relacionamentos.

4 – Estar Atualizado
Isso vale para diversas frentes: conteúdos, métodos, linguagens, tendências setoriais. No caso da educação, significa também estar atualizado sobre o ambiente educacional, conhecer o que é valorizado e suas carências. Isso pode ajudar, por exemplo a escolher uma especialização em área onde haja mais oportunidades.

5 – Aprimorar competências e qualificações
Mais do que a maioria dos outros campos, o conhecimento renovado é um aspecto central para os educadores. E isso vale não só para aquilo que se adquire no âmbito formal.

6 – Ter sensibilidade, visão de conjunto e de contexto
Significa que além de tratar os fatores pessoais é preciso estar atento a questões externas capazes de interferir no desenvolvimento do seu projeto.

7 – Manter atitudes construtivas e positivas

Esse tipo de postura ajuda a lidar com as dificuldades de uma maneira lúcida e pragmática, fugindo do rame-rame de lamentação muito comum entre docentes.

8 – Qualidade de vida
Conferir como a atividade escolhida interfere em sua saúde e bem-estar.

9 – Planejamento financeiro
Fazer reserva financeira para empreender seu projeto

10 – Revisão anual de seu plano

Cotejar suas ambições com a realidade é essencial para fazer ajustes e aprimoramentos.

Veja 5 atitudes de pessoas que estão sempre aprendendo

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Quer aprender cada vez mais? Confira 5 atitudes de pessoas que estão sempre aprendendo e incorpore-as a sua rotina

Publicado no Universia Brasil

5 atitudes de pessoas que estão sempre aprendendo

Fonte: Shutterstock
Quem está sempre aprendendo se livra do temor e mergulha de cabeça em novas possibilidades

O aprendizado não ocorre somente na escola ou em aulas online: existem várias atitudes que podemos tomar no dia-a-dia a fim de absorvermos mais conhecimento com facilidade. Inspire-se a adquirir cada vez mais conhecimento descobrindo as 5 atitudes de pessoas que estão sempre aprendendo:

1 – Elas não deixam o medo impedi-las de tentar

Tentativas e erros são ótimas formas de aprender coisas novas, mas só funcionam quando você deixa de lado o seu medo de tentar. É por isso que quem está sempre aprendendo se livra do temor e mergulha de cabeça em novas possibilidades.

2 – Elas viajam

Viajar implica em conhecer novas pessoas e culturas, e não precisa ser para o exterior: existem diversas localidades no Brasil nas quais você aprenderá muito, portanto faça as malas e vá!

3 – Elas aprendem um hobbie

Ao aprender um hobbie, você adquirirá uma nova habilidade e, de quebra, conseguirá relaxar. Uma mente tranquila é essencial para desencadear um aprendizado ainda maior.

4 – Elas andam bem acompanhadas

Não é só com aulas e atitudes individuais que se aprende: muito do conhecimento que você adquire vem de pessoas que o cercam. Por isso, pessoas que estão sempre aprendendo andam bem acompanhadas.

5 – Elas leem

A leitura é uma ótima forma de aprender coisas novas. Caso você não tenha dinheiro para comprar livros, vá a bibliotecas ou leia grátis e sem sair de casa baixando alguns dos mais de 1.500 livros para download gratuito que a Universia Brasil disponibiliza.

Fonte: Universia Brasil

Livros que podem ajudar na preparação de candidatos a concursos públicos

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Obras que falam de superação, disciplina e perseverança, entre outros temas, funcionam como estímulo, dizem especialistas

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Publicado em O Globo

RIO – Superação, perseverança, como lidar com os problemas, disciplina… Essas são algumas atitudes que o mercado costuma dizer que devem ser desenvolvidas por candidatos a concursos públicos. E são alguns ensinamentos que podemos captar ao ler um bom livro. Assim, o Boa Chance resolveu unir o útil ao agradável e pedir a especialistas de diferentes áreas que sugerissem alguns títulos para nossos leitores. Confira o que eles responderam. E também a lista de filmes que foi indicada por outros especialistas esta semana.

“Endurance — A Lendária expedição de Shackleton à Antártida” (Caroline Alexander/Companhia das Letras) — “O livro conta a historia de determinação de um grupo de marinheiros náufragos, que venceram as dificuldades do Ártico, no século passado. Com certeza uma leitura que nos prende pelos fatos verídicos narrados e nos ensina muito sobre a vida. De outro lado, para os que têm em seu caminho uma prova física, ou mesmo para aqueles que veem no esporte fonte de oxigenação da mente (o que defendo) e de relaxamento (idem), a indicação certamente recai sobre o festejado livro do preparador físico Nuno Cobra, “A Semente da vitória” (Senac/São Paulo). Certamente o livro encerra a ultima pagina inaugurando uma nova fase de vida nos leitores”. (Leonardo Pereira, diretor do IOB Concursos)

“A Felicidade, desesperadamente” (André Comte-Sponville) — “Nesta obra curta, que é apenas a transcrição de uma fala do autor, o filósofo francês lembra que na palavra “esperança” subjazem espera e passividade. Por isso, segundo sua percepção, é que é necessário perder as esperanças e apropriar-se da própria história, como protagonista que não espera nada, mas que toma o destino e a história nas próprias mãos e nos próprios termos, sem esperar pela sorte. Me parece que é exatamente isso que cada candidato tem de fazer”. (Carlos Rogério Duarte, professor de português e literatura do Instituto de Desenvolvimento e Estudos de Governo -Ideg)

“A História de Minha Vida” (Hellen Keller/Ed.Antropofásica) – “Para aqueles que querem vencer dificuldades indescritíveis em sua vida para chegar onde desejam, a recomendação é a biografia de Hellen Keller que, aos cinco anos, ficou cega, surda e muda e, com uma disposição inacreditável e o auxílio de uma enfermeira conseguiu transpor os desafios para comunicar-se e construir uma vida e uma história que inspira a todos que tiveram o privilégio de conhecer seu extraordinário relato. Outra obra que aconselho a leitura é “A incrível história de Shackleton, a mais extraordinária aventura de todos os tempos”, que fala sobre a persistência e caráter de Shackleton como um homem capaz de vencer todas as adversidades e, contra todas as probabilidades, liderar conseguir salvar todos os tripulantes de uma expedição à Antártica em 1.914. (coach Sílvio Celestino)

“A arte da guerra” (Sun Tzu/Ediouro) – “Esta obra normalmente é uma indicação para aqueles que buscam motivação extra para o concurso público. Estratégias de como vencer e disciplina são ensinamentos encontrados neste livro. Outra boa indicação é “O segredo” (Rondha Byrne/Ediouro), que também traz ensinamentos válidos, como controle da mente, concentração, foco. (Orlando Stiebler, professor de atualidades do Canal dos Concursos)

“O Código da superação – Uma fascinante jornada além da conquista” (José Luiz Tejon/Editora Gente) — “Através desse material, os candidatos podem estabelecer um paralelo entre sua vida e a vida do personagem do livro, e constatar que, por pior que seja esta ou aquela situação, é possível superá-la. O livro retrata parte da história de José Luiz Tejon. Trata-se do relato de uma viagem realizada em abril de 2010 para Tel Megiddo, o Armageddon, em Israel. Aos três anos, Tejon teve seu rosto todo queimado num acidente doméstico. Até os 15, foi submetido a inúmeras cirurgias plásticas. Ele queria ser igual a todo mundo. Mas foi obrigado a aceitar a diferença. O livro enumera as reflexões de Tejon a partir de cada dia de meditação no Armageddon, sobre as 12 causas mais relevantes da alma humana e do que deve ser superado: trauma, abandono, infância, amor, competição, carreira, educação, derrota, morte, agressão, beleza e sucesso. Mesmo não sendo um livro direcionado, do ponto de vista didático, para quem faz concursos, é uma leitura estimulante, já que ensina como faz diferença o modo como lidamos com nossos problemas”. (Alberto Almeida – professor da Academia do Concurso)

“Fernão Capelo Gaivota” (Richard Bach/Editora Record) – “O livro é uma alegoria sobre a importância de se buscar propósitos mais nobres para a vida. O autor usa uma gaivota como personagem principal. Um pássaro que, diferente dos outros de sua espécie, não se preocupa apenas em conseguir comida. Este está preocupado com a beleza de seu próprio vôo, em aperfeiçoar sua técnica e executar o mais belo dos vôos. Uma metáfora sobre acreditar nos próprios sonhos e buscar o que se quer, mesmo quando tudo parece conspirar contra isso. Outra leitura que não pode faltar aos concurseiros é “A Lei do Triunfo”, de Napoleon Hiil. O autor mostra mostra, já em 1928, que estamos vivendo na era da incerteza e do desanimo e que precisamos de força em dobro e meios eficientes de luta para vencer os desafios! É sempre útil para os concurseiros descobrir e poder aplicar em suas vidas o que levou os vencedores de outras épocas, apesar de tantos obstáculos, a alcançar a vítória e a realizar os seus sonhos. Não é um livro pequeno, são 738 páginas, porém, hoje, com as técnicas eficazes de leitura dinâmica disponíveis, ler o livro vai ser o primeiro desafio a ser ultrapassado”. (Juarez Lopes, especialista em leitura dinâmica e memorização do Instituto IOM)

“Virando a própria mesa” (Ricardo Semler/Editora Rocco) – “OO livro fala sobre um jovem administrador, 28 anos, que herda uma empresa indo à falência e precisa fazer com que ela volte a ser lucrativa. Todo o processo de reestruturação do capital e de gestão de pessoas é feito com muita criatividade, inovação e talento. Tomando decisões ousadas, reestruturou a empresa, conseguindo torná-las lucrativa. Semler não reinventou a roda. Ele procurou transportar para nossa realidade métodos e sistemas que vinham sendo empregados com sucesso em países escandinavos industrializados. Outra obra que recomendo é “Metas que desafiam: a ciência dos feitos extraordinários”, Mark Murphy (Clio Editora). Segundo o autor, é preciso estabelecer metas que ponham à prova os limites da sua capacidade. Ele dá quatro dicas práticas para alcançar feitos extraordinários. O quanto você quer? Metas sinceras; Entusiasmo – Metas animadas; intensidade e determinação – Metas necessárias; Feitos extraordinários – Metas difíceis. Murphy compara a necessidade da meta com a sobrevivência: “Há rumores de que Steve Jobs trabalhava no iPad enquanto se recuperava de um transplante de fígado. O desejo de atingir as metas precisa ser muito intenso – sua sobrevivência depende de atingir estas metas”, diz o autor. (Aline Cataldi – psicóloga educacional do Universo do Concurso Publico)

Leitura terapêutica

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Biblioterapia clínica recomenda livros para aliviar sintomas decorrentes de tratamentos de saúde, como angústia, solidão e insônia

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Marcelo Andrade / Gazeta do Povo

Rodolfo Stancki, na Gazeta do Povo

A leitura engrandece a alma, escreveu uma vez Voltaire. A frase do pensador iluminista mostra o potencial do livro para agregar conhecimento, abrir portas para a imaginação e servir de refúgio para os problemas diários. Entusiastas de biblioteca defendem que ler tem poderes mágicos e pode ajudar a curar. A realidade não está muito longe disso. Médicos e psicólogos indicam a leitura para aliviar sintomas de diversas patologias. A prática recebe o nome de biblioterapia clínica, definida como a recomendação de livros para aliviar angústias pessoais, estimular emoções, promover o diálogo e ajudar pessoas com insônia.

“A biblioterapia mostra um cuidado com o ser humano, que se manifesta ao ler, narrar ou dramatizar histórias”, diz a professora Clarice Caldin, do departamento de Ciências da Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Especialista no tema, ela explica que as narrativas literárias buscam proporcionar a catarse, considerada por alguns autores como uma purificação do corpo e da mente.

Por meio da leitura, as pessoas podem se identificar com personagens ficcionais, refletindo suas próprias atitudes. “O objetivo da biblioterapia é favorecer a expressão dos pensamentos aflitivos, como uma descarga emocional, uma purgação”, observa.

Histórias

A administradora Roseli Bassi percebeu esse potencial terapêutico da leitura e criou a ONG História Viva, que conta com um time de 200 voluntários especializados em ler e contar histórias para pacientes de hospitais. “Nosso trabalho é apaziguar os sentimentos de pessoas que estão lidando com realidades difíceis. Tiramos crianças e adultos de suas doenças ao abrir um mundo de imaginações”, afirma.

Julia Dutra, 10 anos, luta contra o câncer desde 2008. Durante alguns dias da semana, em seu quarto no Hospital das Clínicas, em Curitiba, ela recebe a visita de um contador de histórias, que lê para a menina por cerca de uma hora. No período, suas preocupações se tornam disputas entre monstros, desafios de leões e castelos de princesas. A narrativa vira uma distração, que a anima. “É uma parte do dia que adoro”, diz a menina.

Antes de sair, o voluntário deixa um recado para os pais de Julia. “É recomendado que vocês leiam para ela também, isso ajuda a fortalecer o interesse dela.” Além de distrair e relaxar, a biblioterapia por meio de contadores de histórias incentiva a aproximação com o livro.

Benefícios

Na realidade hospitalar, a leitura tira o paciente de sua rotina, de sua espera. Existem pessoas que usam livros, revistas e jornais para enfrentar a cadeira antes de serem atendidos em um consultório. “É importante que cada um saiba o tipo de leitura que o ajuda. Geralmente são as que mais agradam”, aponta Ítala Duarte, psicóloga clínica do Hospital Erasto Gaertner. O efeito terapêutico depende da disposição do paciente diante da leitura.

Um livro antes de dormir, por exemplo, pode ajudar pessoas com insônia. O médico Attilio Melluso Filho, do Centro de Distúrbios do Sono de Curitiba, diz que quanto menos alarmante e repetitiva for a narrativa, melhor a condução para a latência do sono, período que antecede o adormecer. A leitura engrandece a alma e também faz bem para a saúde.

Companhia para a solidão

Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

Na sala de diálise da Santa Casa de Curitiba, Florisbal Costa passa algumas tardes lendo livros e jornais. Em tratamento por conta de um problema de rim há três anos, ele usa a leitura para combater a solidão. “Ler direciona o cérebro das pessoas sozinhas. Faz a gente pensar no que é bom”, diz.

Com 101 anos, o vendedor aposentado vive na companhia de uma enfermeira, que o ajuda. Há vários anos, pratica a rotina diária de ler jornais e revistas. “Assim me conecto com o mundo.” Como passa mais da metade da semana no hospital, a companhia dos livros também o mantém distraído.

A leitura é estimulada para pacientes em diálise. O médico Georgio Sfredo Bertuzzo, da Santa Casa, diz que as narrativas literárias ajudam a conter a ansiedade. Afinal, são várias horas em que os pacientes não fazem nada a não ser esperar. Costa faz a sua parte, além de ler muito, ele troca livros com outros pacientes.

Recuperação por meio de livros

Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Para Victor D’Ambrós, 12 anos, os livros são mais importantes do que os filmes. Prefere histórias de ação, que tenham alguma coisa a ver com os videogames que joga. A prática da leitura é bastante útil no período em que fica no hospital ou em casa, se recuperando de quimioterapias.

Victor descobriu que tem sarcoma de Ewing, um tipo de câncer que atinge os ossos, em julho do ano passado. Está reagindo bem ao tratamento, mas precisou se afastar da escola e dos amigos. “A leitura o ajuda a passar o tempo e o deixa animado”, conta a mãe, a professora Kátia D’Ambrós.

“Gosto de ler à noite, antes de dormir”, diz o menino. A ficção literária o leva para outros mundos, que envolvem vilões, guerras mundiais e as aventuras de crianças em escolas. Apesar de colocar os livros na frente dos filmes, quando não está no hospital coloca os jogos de videogame no topo da lista de preferências. O que não deixa de ser uma distração terapêutica.

dica do Chicco Sal

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