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Vento a favor

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Diminuição da população em idade escolar pode aumentar em 37% os salários dos professores brasileiros até 2025.

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Publicado em O Globo

O Brasil se comprometeu, no Plano Nacional de Educação (PNE), a pagar melhores salários aos seus professores. A meta é que, até 2020, um profissional com nível superior que dê aulas numa das etapas da educação básica receba o mesmo, em média, que os demais profissionais do ensino superior. Trata-se de um dos objetivos do PNE que mais vai demandar recursos públicos. Em 2013, último ano com dados do IBGE disponíveis, ainda estávamos longe de alcançar a meta em todos os níveis da educação básica. Na educação infantil, setor em que os salários eram os mais baixos, a renda média de um professor com carga horária de 40 horas semanais e nível superior completo representava 46% (menos da metade) do verificado para os demais profissionais com diploma universitário. No ensino médio, o quadro era só um pouco melhor: os salários médios dos docentes representavam 68% do registrado nas demais carreiras de ensino superior.

O esforço para cumprir esta meta não será simples, mas, também neste caso, ao menos um fator jogará a favor: a população em idade escolar está em queda. No livro “Professores Excelentes”, cuja edição em português foi lançada recentemente no Brasil pelo Banco Mundial, os pesquisadores Barbara Bruns e Javier Luque calculam, para dez países da América Latina e Caribe, qual seria o possível impacto da redução do número de alunos nos salários docentes. O raciocínio é que, com menos crianças e jovens, haverá também menor necessidade de professores para atender a demanda. Com isso, será possível pagar melhor aqueles que estiverem na profissão em 2025.

Mesmo considerando que o Brasil ainda precisa elevar a taxa de matrícula na educação básica, seria possível, segundo a estimativa, aumentar em 37% o salário médio dos professores. Entre dez países para o qual o cálculo foi feito, apenas o Uruguai terá situação ainda mais favorável: lá, o aumento salarial pode chegar a 65%, pois a queda projetada da população jovem até 2025 é ainda maior. Outros países da América Latina e Caribe teriam ganhos menores (ou nulos) porque sua população jovem cai em ritmo menos intenso, ou por causa de uma proporção maior de crianças ainda fora da escola.

Esta conta, no entanto, considera que os países terão que fazer escolhas. Esses percentuais só se aplicam no caso de a relação de alunos por professor se manter estável. O tamanho ideal de uma turma é um dos temas mais debatidos — e menos consensuais — na literatura acadêmica. Há pouca discordância, no entanto, de que salas de aula com mais de 40 alunos são certamente problemáticas, ainda mais num país onde os professores reportam altos níveis de indisciplina (No Brasil, a média no ensino fundamental é de 29 alunos por professor, mas há grande variação entre estados e escolas). O que gera mais controvérsia é a estimativa da melhoria da qualidade do ensino caso haja uma redução, por exemplo, de 30 para 20 alunos por turma. Isto teria certamente um custo alto, e, segundo os autores do livro, um impacto bem menor no aprendizado.

Seria, segundo eles, mais eficiente usar os recursos para aumentar o salário dos professores. Os ganhos dessa política certamente não seriam imediatos, já que o salário do professor tem pouca correlação, no curto prazo, com o desempenho dos alunos. O principal argumento é o de elevar o prestígio da carreira docente, ajudando assim a atrair mais profissionais qualificados e elevando o grau de exigência acadêmica para quem pretende entrar na profissão. É esta a lição dos países com melhor desempenho educacional.

Professores terão de melhorar alunos para ganhar diploma

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Imagem: Internet

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Fábio Takahashi, na Folha de S.Paulo

O Ministério da Educação lançará nas próximas semanas programa para tentar melhorar o desempenho de alunos e professores em matemática, física, química e biologia, tanto no ensino médio quanto no superior.

As quatro matérias são as que mais possuem problemas de qualidade, de acordo com o próprio governo federal.

Uma das ações será a oferta de pós-graduação em universidades federais e privadas a professores que lecionam as disciplinas nas escolas públicas de ensino médio.

O certificado garantirá aumento salarial ao docente (progressão na carreira), mas só será concedido se houver a comprovação de que seus estudantes melhoraram –exigência inédita em programas federais de educação.

“Hoje, gasta-se muito com formação dos professores, mas a melhoria não chega aos alunos”, disse Mozart Neves, que coordenará o programa do Ministério da Educação.

A forma de avaliar a evolução dos estudantes não está definida. O docente reprovado poderá refazer o curso.

O número de professores participantes do programa dependerá da adesão dos Estados, que são os responsáveis pelos docentes.

O país tem cerca de 250 mil docentes de ensino médio em matemática, física, química e biologia, segundo os últimos dados do governo. Mas boa parte não tem formação na área –em física, são 90%.

OUTRAS FRENTES

“Temos um número insuficiente de professores nessas áreas. E a procura pelas licenciaturas é insuficiente”, disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Para tentar reverter o quadro, o programa terá outras duas frentes.

Em uma delas, o governo tentará incentivar alunos do ensino médio a escolherem o magistério nessas áreas.
Para isso, estudantes com interesse nessas matérias passarão a ter aulas de reforço e ganharão ajuda mensal de R$ 150 (paga pela União).

Eles participarão também de atividades nas universidades em grupos que reunirão docentes universitários, alunos de licenciaturas e professores das escolas básicas. A meta é recrutar 100 mil estudantes do ensino médio.

Em outra frente, os estudantes que já estão nas licenciaturas poderão fazer aulas de reforço nos conteúdos básicos, numa tentativa de diminuir a evasão nos cursos.

Ex-diretor da Unesco no Brasil (braço da ONU para educação), Jorge Werthein diz que o programa é interessante. Ele faz, porém, ressalva sobre a vinculação do certificado de pós-graduação ao professor à melhoria dos alunos.

“Ainda não se encontrou uma boa forma de avaliar o trabalho do professor. Pode haver injustiças.”

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