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A nova moda da autoajuda é ligar o F…, mandar à M… e abraçar o fracasso…

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Rodrigo Casarin, no Página Cinco

“Pesquisas indicam que, tendo nossas necessidades físicas básicas (comida, abrigo etc.) supridas, a correlação entre felicidade e sucesso material a partir desse ponto se aproxima rapidamente do zero. Isto é: se você passa fome e mora na sarjeta, dez mil dólares a mais por ano teria um grande impacto no seu nível de felicidade; para a classe média de um país bem estruturado, dez mil dólares a mais por ano quase não teria impacto na sua vida — o que significa que você está se matando de trabalhar por basicamente nada”.

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“Estamos sendo enganados quando se omite que a sabedoria é um caminho, e não um objetivo. Um caminho difícil… que evitamos enfrentar na era da facilidade. O desânimo prevalece. Apesar dos conselhos ‘fáceis’ que nos oferecem em toda parte, continuamos com raiva, impacientes, frágeis, vulneráveis. Alimentamos uma profunda culpa por isso, sinal de nosso fracasso em estar à altura desse ideal absurdo que nos impõem… Uma confusão incrível nos impede de compreender o que é um verdadeiro sábio”.

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A primeira citação é de “A Sutil Arte de Ligar o F*da-se” (Intrínseca), de Mark Manson. A segunda, de “A Arte Francesa de Mandar Tudo à Merda” (Planeta), de Fabrice Midal. Ambos são representantes de uma vertente da autoajuda que vem conquistando um considerável público de leitores. Além dos títulos muitas vezes agressivos, o cerne dessas obras é semelhante: com uma linguagem acessível e por vezes humorada, mostrar que devemos nos preocupar menos com o que o mundo teoricamente espera de nós e assumir que somos seres falhos. Menos otimista do que o comum para obras do tipo, esse seria um caminho primordial para que descobríssemos o que realmente nos realiza e consequentemente pudéssemos ter bons momentos da sempre efêmera felicidade – de certa forma, é a mesma mensagem que passa o livro infantil “A Parte que Falta” (Companhia das Letrinhas), de Shel Silverstein, que virou hit após a youtuber Jout Jout lê-lo em seu canal.

 

Os números de “A Sutil Arte de Ligar o F*da-se” confirmam a força dessa espécie de autoajuda para as novas gerações. No Brasil, a obra já vendeu mais 130 mil exemplares. Desde a segunda metade de dezembro do ano passado que ela aparece de maneira ininterrupta na lista semanal dos mais vendidos do Publishnews, ranking que atualmente lidera. Além disso, está há 11 semanas consecutivas na listagem da revista Veja, onde puxa a fila da autoajuda, e também aparece com destaque na relação do jornal O Globo. Nos Estados Unidos, onde foi lançado originalmente, figurou durante algumas semanas entre os best-sellers do New York Times.

“‘A Sutil Arte de Ligar o F*da-se’ parte do princípio de que vivemos em uma cultura que nutre expectativas pouco realistas para as nossas vidas. Queremos ser mais saudáveis, mais ricos, mais populares, mais produtivos e mais admirados. Todos os dias somos levados a acreditar que a felicidade está em ter mais, fazer mais, ser mais. Frustração e fracasso não são permitidos. A inovação desse livro é justamente ir na contramão disso tudo, atuar como uma espécie de anti-autoajuda”, argumenta Christiane Ruiz, editora da Intrínseca, ao comentar o sucesso do título.

Mark Manson.

Delicadeza francesa

“A Arte Francesa de Mandar Tudo à Merda” também foi bem em seu país natal (a França, evidentemente), onde ficou por mais de cinco meses em listas dos mais vendidos. Midal, o autor, é doutor em filosofia pela Universidade de Paris, fundador da The Western School of Meditation e uma autoridade quando o assunto é meditação. Juntando essas duas frentes, dedica-se no texto a derrubar crenças a respeito da vida e do próprio ato de meditar.

Diretor Editorial da Planeta, Cassiano Elek Machado encara esses títulos como uma renovação da autoajuda. “Desde que o gênero moderno de autoajuda se estabeleceu como um fenômeno de vendas ele sempre conviveu com o desdém de grupos muito significativos que o tratavam como um gênero cafona, para pessoas mais velhas ou sem cultura geral. Mas a autoajuda também é totalmente aplicável, e ‘ajudável’, para jovens cools. E é aí que entram estes títulos como o ‘Arte Francesa’, o ‘Sutil Arte’ e também os livros de Jen Sincero [autora de ‘Você é Fera’], entre outros. O interesse vem, de alguma forma, da mesma fonte que abastece os leitores de autoajuda tradicional: desacertos com a vida cotidiana, inseguranças, frustrações, sentimentos universais que podem, eventualmente, serem apaziguados com leitura”.

 

Linha próxima segue Charles Pépin, outro filósofo francês, autor de “As Virtudes do Fracasso”, que já vendeu 65 mil exemplares na França, onde saiu há dois anos, teve os direitos negociados para 14 países e chega ao Brasil pela Estação Liberdade. Na obra, Pépin explora a biografia de celebridades como o político Abrahan Lincoln, o empresário Steve Jobs, o tenista Rafael Nadal e a escritora J. K. Rowling para mostrar como adversidades podem ser transformadas em aprendizados ou até mesmo oportunidades para grandes realizações.

Momento do país

Em que pese o sucesso desses livros em outros países (como os já citados França e Estados Unidos), impossível não pensarmos que a boa aceitação no Brasil tenha a ver com o péssimo momento político, econômico e social que atravessamos – ou alguém não tem vontade de ligar o foda-se, mandar tudo à merda ou abraçar o fracasso ao olhar para as notícias cotidianas? Nas entrevistas ao blog, os editores também falaram sobre isso:

“É natural que em países que vivam cenários conturbadíssimos como os nossos, onde a incerteza e o desânimo com a política convivem com crises de todas as espécies (que culminam mesmo em assassinatos políticos), exista mais propensão a angústias, e portanto mais abertura para livros que tentem tratar destas feridas, mesmo que em nenhum dos livros que citei haja qualquer menção aos tipos de crises concretas que vivemos em nosso país”, diz Cassiano.

“Mark Manson afirma que só podemos nos importar com uma quantidade limitada de coisas, e ligar o foda-se é saber separar o que importa do que não importa e aprender a deixar de lado o que é dispensável. Ao ressaltar, com muito humor e irreverência, que precisamos reorientar nossas expectativas, tornando-as mais realistas, o livro oferece aos leitores um tipo de conforto – especialmente num momento como esse pelo qual o país está passando. Dominar essa arte sutil de ligar o foda-se é transformar a nossa visão das coisas e isso é libertador”, pontua Christiane.

Valesca Popozuda lança na Bienal do Livro de SP ‘Sou Dessas’, com memórias, reflexões e autoajuda

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Valesca Popozuda lança sua autobiografia - Ana Branco / O Globo

Valesca Popozuda lança sua autobiografia – Ana Branco / O Globo

 

‘Agora sou escritora, e ninguém vai me segurar!’, diz

Publicado em O Globo

Ex-frentista, ex-funcionária de borracharia, Valesca Reis Santos exulta:

— Agora eu sou escritora, e ninguém vai me segurar!

Sim, Valesca Popozuda, cantora de funk, dos sucessos “Beijinho no ombro”, “Eu sou a diva que você quer copiar” e, é claro, “Agora eu sou solteira”, está lançando seu primeiro livro: “Sou dessas: pronta pro combate” (Best Seller), com noite de autógrafos hoje, a partir das 18h, na abertura da 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Com orelha assinada pela atriz Susana Vieira, “Sou dessas” traz relatos em primeira pessoa sobre os 37 anos de vida da funkeira (“Mas não é uma biografia. Se fosse, 200 páginas seria pouco para contar tudo”, diz ela), muitos conselhos lastreados em suas experiências (é uma espécie de livro de autoajuda também) e várias reflexões sobre feminismo, vaidade, mídia, orientação sexual e igualdade racial (que justificariam a alcunha de “Valesca pensadora”, que ela ganhou em 2014, na prova de filosofia de uma escola pública de Taguatinga), “Sou dessas” bate, logo nas primeiras páginas, numa velha tecla: “Eu sou a prova viva de que, quando você quer mesmo alguma coisa, o universo vai conspirar a seu favor e a mágica vai acontecer”.

Ex-frentista, ex-funcionária de borracharia, Valesca Reis Santos exulta:

— Agora eu sou escritora, e ninguém vai me segurar!

Sim, Valesca Popozuda, cantora de funk, dos sucessos “Beijinho no ombro”, “Eu sou a diva que você quer copiar” e, é claro, “Agora eu sou solteira”, está lançando seu primeiro livro: “Sou dessas: pronta pro combate” (Best Seller), com noite de autógrafos hoje, a partir das 18h, na abertura da 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Valesca Popozuda - Ana Branco / O Globo

Valesca Popozuda – Ana Branco / O Globo

Com orelha assinada pela atriz Susana Vieira, “Sou dessas” traz relatos em primeira pessoa sobre os 37 anos de vida da funkeira (“Mas não é uma biografia. Se fosse, 200 páginas seria pouco para contar tudo”, diz ela), muitos conselhos lastreados em suas experiências (é uma espécie de livro de autoajuda também) e várias reflexões sobre feminismo, vaidade, mídia, orientação sexual e igualdade racial (que justificariam a alcunha de “Valesca pensadora”, que ela ganhou em 2014, na prova de filosofia de uma escola pública de Taguatinga), “Sou dessas” bate, logo nas primeiras páginas, numa velha tecla: “Eu sou a prova viva de que, quando você quer mesmo alguma coisa, o universo vai conspirar a seu favor e a mágica vai acontecer”.

Com a editora, ficou a responsabilidade pelo texto final e pela divisão em capítulos.

— Algumas vezes, eles botaram o linguajar deles no livro, mas aí eu cheguei e disse: “Não, o livro tem que ser Valesca, nada de muito enfeite” — diz ela, uma leitora de livros nada contumaz. — O último que eu li todo foi “A menina que roubava livros” (best seller do australiano Markus Zusak). Leio mais revistas de moda.

“Sou dessas” (dedicado à mãe, “uma mulher guerreira, que dormiu na rua, passou fome, mas nunca me deixou passar fome”) termina com um capítulo sobre estupro — algo que ela diz não ter sofrido, mas que a revolta.

 

— O homem tem que parar com essa loucura de achar que a mulher está pedindo — prega ela, que no entanto livra a cara do cantor Biel, envolvido em escândalo ao dizer que estupraria uma repórter que o entrevistava. — Adolescente fala besteira — diz, apesar de Biel já ter 21 anos. — O que pesa é que ele é um artista. Se não fosse um adolescente funkeiro, ninguém estaria criticando. Mas agora ele vai pensar melhor antes de falar.

Enquanto divulga o livro, Valesca segue firme na música. E lança, ainda neste ano, as músicas “Viado” e “Pimenta”:

— Gosto de cantar o que o povo quer ouvir. Só não canto em inglês. Nunca busquei ser internacional.

Resenha: Faça Amor, Não Faça Jogo

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Patricia Gazza, no Psychobooks

Oi, pessoas!

Hoje tem resenha de um dos livros mais delícia de todos os tempos: Faça Amor, Não Faça Jogo, de Ique Carvalho.

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Faça Amor, Não Faça Jogo

Ique Carvalho

logo autenticaEditora: Gutenberg
Páginas: 224
ISBN: 9788582352076
Publicação: 2014

Sinopse:

Viver a plenitude do amor é o desejo senão de todas, ao menos da maioria das pessoas. Amar e ser amado incondicionalmente, contar com o apoio de alguém para as horas difíceis e para os momentos alegres, e saber que independentemente do que fazemos, alguém estará ao nosso lado simplesmente pelo que somos é o ideal de vida de muitos. Viver esse amor na prática, no entanto, nem sempre é fácil. E é exatamente sobre felicidade, vida e amor que Ique Carvalho fala neste livro. O autor, que começou escrevendo em seu blog e já tocou o coração de milhares de pessoas que se envolveram e se emocionaram com suas palavras, descreve com perfeição o amor que muitos procuram e poucos realmente encontram. E ele fala do amor em todas as suas expressões- desde o romântico entre duas pessoas até o mais puro e verdadeiro dos laços familiares, que ele tem com seu pai e mentor. Como as relações humanas são frágeis e complicadas, os relacionamentos tornam-se difíceis, o que nos faz buscar a felicidade nos lugares ou nas pessoas erradas. Mas o autor nos faz enxergar a vida de forma diferente. Faça amor, não faça jogo é um lembrete de que, no jogo do amor, não é necessário haver ganhadores ou perdedores. Basta olhar e aceitar novos paradigmas e acreditar no que diz seu coração. E vivenciar isso de verdade.

Comentários

Juro que não sei nem por onde começar a falar sobre esse livro!
Não faz muito tempo que eu conheci o site do Ique, The Love Code. Via muitos compartilhamentos de trechos de autoria dele na minha timeline e um deles, em particular, me chamou muito a atenção – sabe quando a gente se depara com o quote perfeito para o que estamos passando naquele momento? E foi assim que me apaixonei pelos textos do Ique.

Pouco tempo depois o livro foi lançado e logo solicitei para a editora. Nele há alguns textos que encontramos no site, mas também há textos inéditos.

Ique fala de amor, pura e simplesmente, seja ele romântico, familiar ou fraternal. E, sendo um tema tão fundamental na vida de todo mundo, é fácil se identificar, em alguma medida, com o que ele escreve, seja por causa de algo que estamos vivendo, seja por algo que já vivemos, seja porque lemos em suas linhas o que desejamos.

Sua escrita é poética, leve, cheia de sentimento, mas direta, sem frescuras. É o tipo de livro que nos lê ao mesmo tempo em que o lemos e dá fácil para gastar um pacote de tags marcando os quotes preferidos – tanto que nem me preocupei em marcar nada, preferi me deixar levar pela leitura e sentir tudo que ela estava me transmitindo. A única coisa que não gostei no livro é que ele terminou no meu trajeto para o trabalho – queria mais e mais e mais!

Para completar a escrita maravilhosa, o trabalho gráfico do livro é incrível! Antes de cada texto há duas páginas vermelhas com o título e a indicação de uma música para acompanhar a leitura. Dessa vez li apenas os textos, mas quando eu fizer a releitura (e farei, com certeza) vou preparar uma playlist com as músicas sugeridas no livro – acredito que a experiência será ainda melhor.

Ele é, sim, um livro de autoajuda, mas sem cara de autoajuda. Sabe aquele amigo mais sensível, que sempre tem um conselho ou uma palavra de encorajamento que não soa piegas ou brega? Assim é a escrita de Ique: é como se estivéssemos conversando com um amigo de longa data, que conhece até o que tentamos esconder a todo custo.

Não preciso nem dizer que recomendo FORTEMENTE a leitura, releitura, treleitura… Se você ainda não conhece o site, acesse assim que tiver um tempinho, dê uma lida em alguns textos e se prepare para sair correndo para a livraria mais próxima para comprar o livro 😉

Confiança e cabeça erguida. Você pode tudo. Mas primeiro você, depois o mundo.
Página 209

5Estrelas

Playlist

  • Adam Levine – Lost Stars
  • Ed Sheeran – Bloodstream
  • Pearl Jam – Nothingman

Isabela Freitas, do best-seller ‘Não se apega, não’, celebra autoajuda juvenil

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Autora de 23 anos explica ao G1 como foi vender 80 mil livros em 3 meses.
Obra junta ficção, realidade e tom motivacional ao abordar relacionamentos.

Cauê Muraro, no G1

A escritora Isabela Freitas, autora de 'Não se apega, não' (Foto: Divulgação/Intrínseca)

A escritora Isabela Freitas, autora de ‘Não se
apega, não’ (Foto: Divulgação/Intrínseca)

Isabela Freitas demorou para ter internet em casa: até 2010, não fazia noção do que eram redes sociais. Mas aí resolveu criar um perfil no Twitter e arrebanhou milhares de seguidores. Eles gostaram tanto que pediram mais, talvez um site. Ela jogou no Google “o que é blog e como criar”, deu certo de novo, e uma editora a convidou a escrever um livro. E Isabela escreveu.

“Não se apega, não” (Intrínseca) fala de relacionamentos, ou mais precisamente da vida após o término. Mas a abordagem é positiva e otimista. A obra saiu no final de junho e virou líder nas listas de best-sellers. Já vendeu mais de 80 mil exemplares. Isabela tem 23 anos e trancou a faculdade de Direito no oitavo período. Quer um dia retomar os estudos e pensa ainda em cursar publicidade ou jornalismo. Ou psicologia. Certeza ela só tem de que “mora em Juiz de Fora, mas vive mesmo no mundo da Lua”. O site de Isabela soma mais de 60 milhões de visualizações. E ela tem 163 mil seguidores no Twitter. Eles adoram saber detalhes da vida pessoal da autora. E também adoram o teor motivacional dos posts, atributo que a jovem sabidamente transporta para livro. “O ‘Não se apega, não” tem o lado ficção, e tem o lado autoajuda. Dei uma mesclada nos dois, e esperei para ver a reação do público. Eles gostaram! E pediram por mais!”, explicou ao G1 em entrevista por e-mail. Assim: com exclamações.

G1 – Você se diz: ‘escritora, blogueira e exagerada’. Exagerada em que sentido?
Isabela Freitas – Em todos. Eu sinto muito e a todo momento, quando gosto de alguém – gosto muito. Quando gosto de alguma coisa – gosto muito. Quando quero alguma coisa – quero muito. Sou aquele tipo de pessoa que vive aos extremos, se me matriculo em uma academia, eu me matriculo para ir todos os dias, ser a melhor. Quando entrei na faculdade, só aceitava notas altas. Quando amo, eu amo muito. Quando fico triste, você vê no meu semblante a tristeza. Aqui não tem muito meio termo, nem equilíbrio.

G1 – Também diz que você é ‘louca por histórias de amor, desenhos animados, e bichinhos de rua’. Qual a sua história de amor favorita? E o seu desenho?
Isabela Freitas – Minha história de amor favorita é Tristão e Isolda – amo histórias de amor trágicas e… exageradas. E meu desenho favorito é Mulan, porque foi o primeiro da Disney em que vi uma princesa que se salva sozinha, e é independente. Quando pequena assisti esse filme e fiquei pensando: “Quero ser igual a ela!”.

G1 – Esta perda recente, a morte do seu avô alguns dias antes da entrevista, mudou o jeito como você avalia as coisas das quais devemos ou não nos desapegar?
Isabela Freitas – Não mudou, não. Sempre disse que devemos desapegar das coisas ruins da nossa vida, no caso da morte do meu avô, estou tentando me desapegar da tristeza, da angústia, e desse sentimento sem nome que fica na minha cabeça martelando ‘’por quê? por quê?’’. Agora vou me apegar às lembranças boas que tive ao lado dele, das memórias gostosas, do sorriso, e da alegria de viver que ele tinha. Nunca vou desapegar do meu avô, mas vou aceitar a sua partida com o tempo. O amor fica, o sentimento ruim uma hora vai…

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G1 – ‘Não se apega, não’ é descrito como ‘não ficção’. Mas, numa entrevista antes de ele ser publicado, também no site, a editora informava que o livro seria ‘ficção young adults’. Afinal, o ‘Não se apega, não’ é o quê?
Isabela Freitas
– Uma mistura de tudo, pode? O “Não se apega, não” tem o lado ficção, e tem o lado autoajuda. Dei uma mesclada nos dois, e esperei para ver a reação do público. Eles gostaram! E pediram por mais! Então no próximo livro, continuação do primeiro, pretendo continuar com essa fórmula. Vou ver se foco mais na ficção, porque percebi que os leitores gostaram bastante dos personagens. Mas é claro, sem perder a essência da personagem que vem ajudando tantas pessoas por aí.

G1 – Tem diferença entre a Isabela que narra o livro e a Isabela com que está respondendo essas perguntas?
Isabela Freitas
– Ah, tem. A Isabela do livro é um “ideal”, tento colocá-la de forma bem madura (em alguns momentos, rs!). Coisa que muitas vezes na vida real, é difícil. Ela é mais o que eu queria ser. Nós somos duas pessoas diferentes, apesar de bem iguais. É o que sempre digo quando alguém me diz “você escreveu sobre minha vida!”, sim! Eu escrevi sobre a vida de uma garota comum. O nome é o que menos importa.

G1 – O material do livro é fruto de experiência pessoal ou mistura relatos?
Isabela Freitas
– Um pouco dos dois. Tem coisas que já vivi, e modifiquei para ficção, e tem relatos de amigos que tive vontade de incluir na ficção. Minha vida não é tão interessante, e tão intensa. Mas quis que a da Isabela fosse, afinal, existem muitas Isabelas por aí.

G1 – Acha que, se não fosse considerada bonita, o seu sucesso seria o mesmo?
Isabela Freitas
– Seria, sim. As pessoas não gostam do que escrevo, ou falo, pela minha aparência. Eu não vendo minha imagem, sabe? Isso é irrelevante. Até porque não me considero bonita! Minha mãe talvez me ache a mais linda do mundo (risos).

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G1 – Você começou no Twitter, em 2010, inspirada pela série ‘Gossip girl’?
Isabela Freitas
– Sim, foi isso mesmo. Gosto de ressaltar que meu pai demorou a colocar internet aqui em casa, então eu fui ter uma noção e prazer por redes sociais em 2010 só! Rs. Criei a personagem de “Gossip girl”, e postava frases ácidas, e sinceras. Os temas que rendiam eram sempre sobre relacionamentos no geral, a Blair falava o que todo mundo pensava, mas por algum receio, não falava.

G1 – Por que o seu Twitter fez tanto sucesso?
Isabela Freitas
– Olha, porque desde o início eu fugi do padrão “mais do mesmo”. Eu não pedia para me seguirem de volta, não pedia indicação, e não escrevia frases simplesmente para fazer sucesso e ganhar RTs. Eu postava porque gostava de escrever, e porque queria distrair minha mente com alguma coisa. Acho que para fazer sucesso você tem que fazer por paixão, e não por fama.

G1 – Como foi a criação para o blog? Foi ‘atendendo a pedidos’ ou era uma ideia que você já tinha?
Isabela Freitas
– Foi atendendo a pedidos mesmo. Eu não sabia o que era um blog, para você ter uma noção… Não visitava nenhum, não conhecia nenhum. Joguei no Google “o que é blog e como criar um”, e fiz. Desse jeito!

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G1 – Você se incomoda quando dizem que o livro é ‘autoajuda juvenil’?
Isabela Freitas
– Claro que não, fico muito honrada. “Seu livro mudou minha vida”, “depois do seu livro sou outra pessoa”, “você me ajuda demais”, “você se tornou minha melhor amiga” – são frases que escuto por aí. E se isso é uma autoajuda juvenil, olha que beleza? Um orgulho! Sempre quis que meu livro fosse além da ficção, porque meu blog tem esse cunho de ajudar quem o lê. O “Não se apega, não” veio para ser um refúgio para o leitor. No Twitter é fácil, são pensamentos rápidos. No blog já são textos maiores. Mas um livro, nossa! Como senti dificuldade no início. Uma história, mais de 200 páginas. Você pensa “nunca vou conseguir preenchê-las com um pensamento contínuo”, e quando vê, já se foram quatro capítulos… Cinco, o livro todo. Você precisa encontrar a voz do seu personagem.

G1 – No livro, há ’20 regras do desapego’. A número 6 diz: ‘As pessoas são falsas, e sempre que tiverem uma oportunidade vão te apunhalar pelas costas’. Já a número 19 diz: ‘É preciso acreditar nas pessoas, mesmo quando nem elas mesmas acreditam’. Mas como ‘acreditar nas pessoas’ se elas são ‘falsas e sempre que puderem vão te apunhalar pelas costas’?
Isabela Freitas
– Então vamos lá. Na regra número 6, eu me refiro a algumas pessoas, que estão sempre ali, por perto, esperando por uma oportunidade para te apunhalar pelas costas. Na 19, o significado do acreditar é diferente. Eu digo para você acreditar que a pessoa é capaz de alguma coisa. Acreditar que seu amigo pode se tornar o médico que tanto sonha, acreditar que seu irmão vai sim, passar naquele concurso tão disputado, entende? É algo que parte de você, não das outras pessoas. Você precisa acreditar no outro, torcer por ele. Se ele te decepcionar, quem está perdendo? Ele. Mas você fez de tudo. Você foi verdadeiro. Mesmo que as outras pessoas não tenham sido. Certo?

G1 – O seu livro foi inicialmente pensado para mulheres?
Isabela Freitas
– Claro. Meu público é 90% composto por mulheres. Mas eu adoro ver que alguns homens se rendem a leitura, e vem me elogiar. Alguns gostam de entender a mente das mulheres, e nada melhor do que o meu livro, né? Nós somos complicadas. Homens podem aprender a entender as mulheres, e claro, desapegar. Porque quando falamos de amor… não existe gênero.

G1 – Você costuma se comunicar bastante com o público, falar do seu dia a dia. Compartilhar esses assuntos banais é essencial para o sucessos?
Isabela Freitas
– Essencial. Os leitores gostam de saber o que você fez, o que usou no dia, o que comeu, onde foi, com quem foi, o que fez. Isso nos torna (mais) próximos, somos quase como melhores amigos distantes. Gosto bastante disso, de compartilhar com eles meus sentimentos, o que estou pensando, sentindo, comentar sobre os assuntos que estão em pauta no momento. Acho muito importante.

A culpa é do John Green: fãs do autor celebram ‘autoajuda’ e bom-mocismo

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Escritor de ‘A culpa é das estrelas’ inspira boas ações e transformações.
Encontro em SP reuniu ‘nerdfighters’, os admiradores ativistas do autor.

Cauê Muraro, no G1

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Danielle Machado (ao centro) e Bárbara Morais participam de debate sobre John Green na Bienal do Livro de SP (Foto: Andressa Castro/Divulgação)

A culpa é do John Green – ao menos pela existência dos “guerreiros nerds”. Os autodenominados nerdfighters formam uma comunidade de fãs ativistas do autor do best-seller “A culpa é das estrelas”, líder em vendas no Brasil (541 mil exemplares no 1º semestre) e lá fora.

A facção (do bem) se espalha por diversos países e sobrevive em ativos grupos na internet. Os membros choram lendo livros sobre jovens amantes doentes de câncer. Mas também são sensíveis à vida fora da ficção. Querem mudar o mundo.

Os nerdfighters gostam de citar que, em 2010, providenciaram cinco aviões com mantimentos para o Haiti. Mas, como o conceito de “boa ação” pode ser mesmo bastante elástico, enviaram um presente a Green: uma camisa da seleção autografada por Pelé, do qual ele é admirador. Na quarta-feira (27), o escritor de 37 anos foi tema de um debate na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Havia tanto nerdfighters quanto fãs normais do autor.

Sem a presença do autor americano, quem representou a classe foi a escritora e estudante de economia Bárbara Morais, 24, de Brasília. Ela conversou com a editora de Green no Brasil, Danielle Machado, da Intrínseca. No encontro, Green foi celebrado no palco e na plateia como um líder das intenções nobres (sua obra tem um quê de autoajuda) e do bom-mocismo.

Veja, abaixo, cinco características típicas de fãs de John Green:

John (à esquerda) e Hank Green, em vídeo publicado em 2009 no YouTube no qual fazem u gesto que caracteriza os nerdfighters (Foto: Reprodução/YouTube/vlogbrothers)

John (à esquerda) e Hank Green, em vídeo publicado em 2009 no YouTube no qual fazem u gesto que caracteriza os nerdfighters (Foto: Reprodução/YouTube/vlogbrothers)

1 – QUEREM MUDAR O MUNDO

A comunidade de nerdfighters surgiu depois que, em 2007, John Green e seu irmão, Hank, passaram a publicar vídeos no YouTube, no canal vlogbrothers (2,29 milhões de visualizações). A ideia é incentivar a realização de coisas incríveis (“awesome”) e reduzir o percentual das nocivas (“suck”). O lema é DFTBA (“Don’t forget to be awesome”, ou “Não se esqueça de ser incrível”). Na Bienal, fãs usavam pulseiras com a sigla. Há um símbolo com as mãos, que lembra o do Spock de “Jornada nas Estrelas”. O site Brasil Nerdfighters lista que servem contribuições para “avanços científicos, sociais, políticos; bolos, cookies, e tudo de bom no mundo”.

Bárbara Morais afirmou que, para ser nerdfighter, não precisa necessariamente gostar de John Green. O que vale “é querer mudar o mundo”. Num vídeo publicado em 2009 vlogbrothers, o escritor tentou explicar: “Um nerdfighter é uma pessoa que, em vez de ser formada por ossos, pele e tecidos, é feita inteiramente de awesome”. No site oficial, ele escreve: “Nerdfighters levantaram centenas de milhares de dólares para combater a pobreza e também plantaram milhares de árvores em maio de 2010 para comemorar o aniversário de 30 anos do Hank”.

2 – SÃO FAMÍLIA

John Green viajou recentemente para a Etiópia, acompanhado de Bill Gates, e também pegou uma doença grave. Os fãs acompanharam tudo – inclusive ficaram sabendo que “esta meningite viral não é brincadeira”, nas palavras do autor. Isso, porque ele é ativo nas redes sociais (tem 3,03 milhões de seguidores no Twitter, já fez 22 mil posts). “Tem essa sensação de intimidade, de que você o conhece”, afirmou a nerdfighter Bárbara Morais na Bienal. “Você fala no Twitter e ele responde, manda um e-mail e ele responde… Tem pessoas da minha família que viajaram e ficaram doentes, mas eu não fiquei sabendo. É uma coisa impressionante”, comparou.

A editora de Green no Brasil, Danielle Machado, brincou que perde dos fãs a briga pelo acesso ao autor. “Eles têm uma facilidade que eu não tenho. Preciso falar com meu departamento editorial, para falar com o agente dele antes…”, listou. Bárbara devolveu: “Inclusive, acho que é bem mais fácil a gente saber o que ele está escrevendo do que ela saber”. No momento, não há nada para ficar sabendo: aparentemente John Green está vivendo uma entressafra posterior à publicação de “A culpa é das estrelas” e divulgação da bem-sucedida adaptação para o cinema, em que ele trabalhou como consultor.

Bill Gates (à esq.) conversa com John Green sobre a situação na Etiópia (Foto: Reprodução/YouTube/thegatesnotes)

Bill Gates (à esq.) conversa com John Green sobre a situação na Etiópia (Foto: Reprodução/YouTube/thegatesnotes)

3 – RESPEITAM DIFERENÇAS

Da família, mas nem tanto. O verdadeiro fã de John Green respeita a privacidade do ídolo – mesmo porque não convém partir para o abraço quando estiver frente a frente com o escritor. Quem explica é Bárbara Morais. Ela conta que, há pouco tempo, foi aos Estados Unidos numa convenção de que o autor participava. Por opção e “respeito ao espaço pessoal”, sequer se aproximou. Ao G1, a jovem repete o alerta transmitido pela organização do evento: “Se você vir o John Green, não encosta nele, porque ele é ‘germófobo’ [fobia de se contaminar], vai ficar o dia inteiro ansioso e pode ter um ataque de pânico”.

Nos EUA, Bárbara estava acompanhada de duas amigas que também foram à Bienal, a agente literária Taissa Reis, 25, do Rio, e a escritora Dayse Dantas, 24, de Goiânia. Mas o que perguntariam a Green caso o encontrassem pessoalmente? “Acho que seria mais uma conversa”, explica Taíssa, listando assuntos do interesse do escritor, como economia ou história. Mas Dayse brincou: “Ai, o Hank [irmão do autor] – eu ia pedir para casar com ele!”. Depois, explicou que não era sério: “Não, não. Ele já é casado”.

Letícia Saggese (à dir., de azul) durante o debate sobre John Green na Bienal do Livro (Foto: Andressa Castro/Divulgação)

Letícia Saggese (à dir., de azul) durante o debate sobre John Green na Bienal do Livro (Foto: Andressa Castro/Divulgação)

4 – SÃO JOVENS ADULTOS

Letícia Saggese, 18, de São Paulo, fazia faculdade letras, mas releu John Green, primeira obra do autor publicada no Brasil, e criou coragem para mudar de curso. Agora estuda tradução. “Tinha lido ‘Quem é você, Alasca?’ pouco antes da formação no ensino médio. Depois, já matriculada no curso, acabei relendo”, lembra. De acordo com ela, “foi um incentivo”. “Vi que o John entendia o que acontecendo comigo, porque o personagem principal tem a mesma dúvida que eu, estava em busca de um ‘Grande talvez’. Só que o meu talvez virou certeza definitiva.”

Para Bárbara Morais, os protagonistas dos livros de Green “são pessoas que estão nessa condição de tentar descobrir quem elas são, ao mesmo tempo em que todo mundo exige delas que elas já saibam quem são”. Bárbara mudou a faculdade, de engenharia mecânica para economia. Ela é outra que credita parcela da decisão à obra do escritor. São dilemas típicos do segmento a que Green se dedica, conhecido lá fora como “jovens adultos”.

Cena do filme 'A culpa é das estrelas' (Foto: Divulgação)

Cena do filme ‘A culpa é das estrelas’ (Foto: Divulgação)

5 – INDICAM LIVROS PARA OS MAIS VELHOS

“Ele tem uma linguagem bastante atual, consegue mesmo falar com a gente”. A opinião do estudante do nono ano do ensino fundamental Guilherme Faria, 14, de Santo André, reflete bem o que os demais fãs de John Green pensam: “No ‘A culpa é das estrelas’, ele expressa bem o sentimento de que a pessoa tem câncer, mas ainda é uma pessoa”. Guilherme leu o livro depois de assistir ao filme, que arrecadou US$ 280 milhões no mundo todo.

Mas não só os adolescentes ou “jovens adultos” que se interessam. “O grande marco para esses livros se dá quando o pai, o tio e o professor começam a ler. Vejo isso com ‘A culpa é das estrelas’”, afirma a editora Danielle Machado. “Quem lê consegue entrar nesses personagens. Não é porque você tem 30, 40 anos, que você já se definiu e se encontrou. Muito pouco antes da leitura, meu pai tinha morrido de câncer. Trabalhar no livro me ajudou a ir racionalizando, superando.”

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