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Pais: Parem de educar seus filhos para serem campeões olímpicos

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Track Champions

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Barbara Semerene, no Brasil Post

Não me surpreende que o Brasil esteja ganhando menos medalhas do que o esperado nos Jogos Olímpicos Rio 2016. A meu ver, a expectativa era “fantasiosa”. Ganhar uma competição olímpica depende de muito mais do que esforço individual: é resultado de todo um aparato econômico-histórico-cultural que confere poder, autoestima, apoio afetivo e financeiro ao atleta, desde bem antes de ele ter nascido.

Historicamente, faz bem pouco tempo que o governo brasileiro investe em políticas públicas no esporte, comparado com países ricos e desenvolvidos, que tradicionalmente se destacam como campeões. O resultado das Olimpíadas sempre foi reflexo da geopolítica mundial, com raras exceções. Em geral, são mais bem sucedidos os “filhos” de países hegemônicos no mundo. Um ou outro “guerreiro” escapa ileso deste jogo de poder simbólico.

Pelo mesmo motivo, não é surpresa o show que os times femininos estão dando em diversos esportes, e o fato de ter o maior número de atletas assumidamente LGBTT. Mais uma vez: as Olimpíadas são reflexo da nossa cultura.

O que mais tem me chamado a atenção nestes Jogos Olímpicos é a reação de alguns atletas ao perder uma competição. Um judoca brasileiro, ao ser desclassificado por um golpe proibido, se nega a sair do tatame, discute com o juiz e fica gritando em direção aos mesários. Depois de alguns minutos, decide deixar a área de luta e abandona o ginásio chorando. Ele alega ter sido roubado, acusa a arbitragem internacional de persegui-lo e sempre prejudicá-lo no circuito mundial.

Em outro episódio, o treinador do atleta francês que fica atrás do brasileiro no salto de vara diz que o Brasil é um país bizarro. Um outro francês, desta vez na modalidade vôlei, justifica sua derrota acusando os colegas de doping.

Apesar de aparentemente inusitadas para um adulto, tais reações “exageradas” diante de uma frustração tampouco deveriam nos surpreender. Aliás, elas poderiam ser até mais comuns, considerando o mundo hipercompetitivo em que vivemos, onde não há espaço para perdedores. Um mundo onde as frustrações afetivas, desde a mais tenra idade, são tamponadas pelo consumismo, por recompensas materiais de pais que estão no mercado de trabalho ocupados demais tentando “vencer na vida”, sem tempo para dar amor e companhia para seus filhos.

Antes mesmo de o bebê sair da barriga, os pais planejam tudo para que ele seja um “vencedor”.

Estamos colocando nossos filhos no curso de inglês, no judô, na natação, no Kumon, no mandarim, na aula de música aos 2 anos de idade pra que ele seja bastante estimulado e consiga competir no mercado de trabalho. E pouco importa se já tem maturidade emocional para dar conta de uma agenda tão cheia.

Assim vamos educando crianças que nunca tiveram a oportunidade de brincar. Desde que nascem, jogar é obrigação, é treino, é competição.

Começamos na mais tenra idade a “treinar” nossos filhos para sobreviver neste mundo por meio de uma educação baseada em “punições e recompensas”. Reforçamos comportamentos positivos com “medalhas afetivas” ou materiais, e punimos na mesma moeda quando eles não são bem-sucedidos em comportamentos que julgamos “incorretos” ou aquém do esperado.

Simbolicamente, estamos o tempo todo dizendo para nossas crianças que elas só terão valor e só serão amadas se forem “campeãs” e atingirem as metas e objetivos que nós estipulamos.

O sistema escolar segue a mesma linha: avalia todos os alunos por meio de notas padronizadas e jamais dá retornos individuais considerando as singularidades do aprendizado e autenticidade das respostas de cada aluno.

Somos todos tratados como números. E queremos todos ser o número 10. E, quem não quer, é considerado um loser, ainda que seja um poeta ou gente finíssima.

O especialista em educação americano Alfie Kohn, em seu livro Unconditional Parenting (Paternidade e Maternidade Incondicionais, em tradução livre), critica esse modelo amplamente utilizado mundo afora de educação baseada no castigo e recompensa. Diz que os pais deveriam se perguntar menos “como fazer meu filho agir como quero?” e se questionar mais “do que meu filho precisa e como posso dar a ele o que ele precisa?”.

Segundo Kohn, é equivocada a visão de que somos pais permissivos e vivemos numa sociedade centrada na criança. “Não é verdade. As crianças vivem frustradas, porque seus pontos de vista não são levados a sério. Muitos pais tratam os filhos como irritantes desconhecidos. Os pais não precisam ser mais rígidos com os filhos, mas, sim, passar mais tempo com eles, para dar a eles mais orientação e tratá-los com mais respeito.”

Kohn defende uma educação menos voltada a estratégias que façam as crianças agirem conforme queremos no curto prazo. “Se você não comer tudo, não ganha sobremesa.” “Se você passar no vestibular, te dou um carro”, “se você correr na escada, vai ficar de castigo”. Às vezes, até renegando amor: o filho fica de recuperação e o pai fecha a cara e dá um gelo nele.

Vira e mexe me vejo fazendo este tipo de coisa com o meu filho de 4 anos. Às vezes até estimulo descaradamente a competitividade. Para fazê-lo ir logo escovar os dentes antes de sairmos para a escola, proponho: “vamos ver quem chega primeiro no banheiro?”.

Mas ando mais atenta às mensagens que estou transmitindo e que crianças registram para a vida toda: “competir é legal”, “só me amam quando faço exatamente o que o outro quer”, “para conseguir o que se quer, ameace e coloque medo”.

Segundo Kohn, quanto mais usamos a punição como conduta, mais criamos pessoas que pensam em como as consequências de suas ações afetarão elas próprias e não os outros… Crianças autocentradas.

Kohn argumenta que a punição impede a reflexão moral. Além disso, estimular a competitividade leva a criança a ver cada colega como potencial obstáculo para o seu sucesso. Os resultados previsíveis são: alienação, agressividade, inveja.

O escritor americano afirma que quando o seu senso de competência depende de triunfar sobre os outros, você irá, na melhor das hipóteses, se sentir seguro só de vez em quando, porque nem todos podem ganhar.

A competitividade torna a autoestima condicionada e precária e tem efeito sobre campeões e perdedores. Ele conclui: evite posicionar seu filho no mundo como superior aos outros. E aconselha: seja mais acolhedor e apoiador do que controlador; evite atrelar sua própria identidade às conquistas do seu filho.

Nada contra ser orgulhoso das conquistas dele, mas quando contar vantagem sobre o filho é algo que se faz com frequência e muito entusiasmo, é possível que se esteja confundindo sua identidade com a dele.

Lá em casa, faço questão de não deixar o meu filho de 4 anos ganhar todas as vezes em um jogo ou brincadeira. E nem fazer elogios do tipo “nossa, como você está bonito, vai ser o menino mais bonito da festa” ou “você é o melhor jogador de futebol do mundo”.

Durante muito tempo, ao não acertar no gol ou ao sair perdendo no dominó, meu pequeno agia de forma bem parecida àquele judoca brasileiro: dava piti, se jogava no chão, dizia que não tinha valido.

Aos poucos, eu tenho contado pra ele que o legal é jogar pra se divertir, não para ganhar. E divertido é quando cada hora um ganha. Se ele sempre ganhar, o outro sempre vai perder, o que, além de ser sem graça, não é justo que só um fique feliz e outro sempre triste. E digo que o amo quando ele perde ou ganha. Quero que ele se sinta amado só por existir.

O Brasil não está precisando de mais campeões olímpicos. O que o Brasil e o resto do mundo precisam é de bons perdedores.

Estudantes trocam conhecimento e ajudam colegas de sala

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Publicado no UOL

Quando o assunto é difícil, só a explicação do professor não basta – e vale recorrer ao colega para uma mão amiga. A tradicional cooperação entre alunos se tornou parte da grade curricular de alguns colégios privados, que montaram projetos em que o estudante é tutor do próprio colega. Essa troca de informações, afirmam as escolas, ajuda no aprendizado e na conquista de autoestima dos jovens.

No Colégio Rio Branco, em Cotia, na Grande São Paulo, o trabalho com alunos tutores começou no ano passado, com os ensinos fundamental 2 e médio. Uma das vantagens é a explicação do conteúdo com uma linguagem mais próxima e exemplos próprios ao universo do adolescente.

“Na aula, às vezes alguém pergunta e o professor não entende por causa do jeito e das palavras que o aluno usa. Eu consigo entender mais fácil”, diz Júlia Dias, do 1º ano do ensino médio. “Depois, alguns professores até perguntam para nós como explicamos a matéria”, diz ela, de 15 anos, que deu lições de Álgebra aos colegas.

Um deles é Lucas Marzocca, também do 1º ano. “O jeito que eles ensinam me dá mais confiança porque era de uma maneira que eu conseguia fazer”, conta o jovem, de 15 anos, que melhorou as notas em Matemática após participar da tutoria no ano passado.

Segundo o Rio Branco, o mesmo ocorreu com praticamente todos que se envolveram na atividade, inspirada em um modelo finlandês.

Autoestima

Quem é supervisionado em uma disciplina pode orientar o amigo em outra. Marzocca tem menos intimidade com os números, mas se dá bem em História. Além de contribuir com os colegas nessa matéria, a via de mão dupla melhorou seu convívio em classe. “Como tutor e tutorado, fiz amizade com pessoas que não tinha relacionamento antes.”

Orientadora educacional do colégio, Rosângela Guedes diz acreditar que a melhora de autoestima e a aproximação entre os estudantes são dois méritos do projeto. “Há momentos em que os próprios alunos agendam suas aulas e trocam informações pelo WhatsApp”, conta. Segundo ela, as aulas também servem para troca de dicas.

No Colégio Pentágono, no Morumbi, zona sul da capital, também existe a experiência dos minitutores. Para Américo dos Santos, coordenador do ensino fundamental 2, a proposta vai além do reforço no conteúdo. “Ajuda a criar competências socioemocionais, como respeito e cooperação mútua, entre os alunos e com o professor.”

Personalizado

De acordo com especialistas, transformar o aluno em tutor é produtivo porque cria novas situações de aprendizagem.

“No entanto, é importante alternar papéis: ora está aprendendo, ora está ensinando. Não pode ficar cristalizado”, alerta Cristina Barelli, do Instituto Singularidades, voltado para a formação de docentes.

Ela também afirma que a tutoria deve funcionar como uma estratégia de ensino personalizado, sem receita única de estudos. “Não pode ser um modismo. É preciso trabalhar a forma como cada criança aprende melhor”, aponta. Outro risco, segundo ela, é criar uma situação de dependência. “Deve-se sempre incentivar a autonomia do aluno.”

 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Província argentina elimina nota zero para proteger autoestima de alunos

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Foto: Leonardo Soares/UOL

Foto: Leonardo Soares/UOL

Publicado por BBC Brasil [via UOL]

As escolas primárias da rede pública e privada da província de Buenos Aires – a mais populosa da Argentina, mas que não inclui a capital de mesmo nome -, vão eliminar as notas baixas a partir de 2015, segundo confirmou à BBC Brasil a Secretaria de Educação do governo provincial.

“A avaliação passa a ser com notas de quatro a dez. E para passar de ano o aluno deverá tirar sete”, explica o comunicado da Secretaria de Educação.

O objetivo da medida é evitar “afetar a autoestima” do aluno, conforme explicou a Secretária de Educação, Nora de Lucía, à imprensa local.

“Um aluno que muitas vezes é brilhante em uma matéria acaba ficando desestimulado quando recebe um zero ou outra nota baixa em outra matéria. Acho que devemos cuidar da autoestima da criança”, disse a secretária em entrevista à rádio Mitre, de Buenos Aires.

O governador Daniel Scioli disse que a reforma contribuirá para “reduzir a deserção escolar e gerar incentivo” ao aluno. A decisão de eliminar as notas vermelhas, foi anunciada na semana passada e gerou polêmica no país.

O ex-ministro da Educação Juan Llach, criticou a medida por entender que não contribui para melhorar o rendimento do aluno ou para melhorar o ensino na Argentina.

“Acho que a medida pode ter efeito contrário. O aluno não leva o zero e vai achar que está sendo visto como coitado e não como alguém que quer e pode enfrentar um desafio e crescer”, disse à imprensa local. Para ele,”o zero ou qualquer nota baixa não estigmatiza ninguém”.

A diretora de educação da Universidade Di Tella, Claudia Romero, disse que a nova medida, em sua visão, “não contribui para a educação da criança”.

Por sua vez, o ministro da Educação, Alberto Sileoni, disse que a reforma ajudará a manter o aluno na sala de aula. “Um boletim como os de antes não manterá o aluno na escola. E devemos mantê-lo na escola ou então ele vai (passear) na esquina”, afirmou o ministro.

Segundo os jornais argentinos, apenas uma outra província, a de Catamarca, analisa mudanças similares às de Buenos Aires.

TJ-SP estabelece que leitura de livros pode diminuir tempo de prisão

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Publicado por Última Instância

O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) instituiu a remição de pena pela leitura. A minuta foi aprovada pelo corregedor-geral, desembargador José Renato Nalini, que adotou os fundamentos apresentados pelos juízes assessores da CGJ (Corregedoria Geral da Justiça), Durval Augusto Rezende Filho, Jayme Garcia dos Santos Júnior e Paulo Eduardo de Almeida Sorci.

O documento apresentado pelos magistrados afirma que após a mudança do artigo 126 da Lei 7.210/84, a remição de pena, que antes era possível somente pelo trabalho, possa ser adotada também pelo estudo.

De acordo com os juízes, “ganhou corpo o fomento à leitura como atividade de estudo, dada a sua capacidade de formação e transformação sociais da pessoa. É pela leitura que o indivíduo apreende e compreende as ideias alheias, o que lhe permite fazer uma análise mais crítica de seus próprios pontos de vista, conscientizando-se de seus deveres e direitos”.

“A proposta demonstra a crença do Poder Judiciário pela leitura, como método factível para o alcance da reinserção social dos presos, preconizando um sistema penitenciário orientado a promover, estimular e reconhecer os avanços e progressões dos sentenciados, contribuindo, destarte, para a restauração de sua autoestima, na perspectiva da harmônica reintegração à vida em sociedade, objetivo principal da execução de pena”, traz ainda o documento.

A iniciativa é inédita no Estado e visa a estimular os juízes de Execução Criminal, respeitados o livre convencimento e a independência no exercício da jurisdição, a conceder remição de pena pela leitura.

A contagem de tempo para fins de remição será feita à razão de 4 dias de pena para cada 30 dias de leitura, conforme critérios estabelecidos na Portaria Conjunta 276, do DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional). Serão formadas oficinas de leitura, na qual os cientificará da necessidade de alcançar os objetivos propostos para que haja a concessão da remição de pena. O Juízo, após a oitiva do Ministério Público e da defesa, decidirá sobre o aproveitamento do participante e a correspondente remição.

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