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Colégio incentiva autonomia por meio da arte

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Bruno Alfano, em O Globo

Um colchão espaçoso sob uma tenda feita de lençol é a sala de aula. A professora passa um toco de madeira a quem quiser falar. O grupo de crianças entre 6 e 12 anos faz uma conversa franca. Se alguém não gostou da atitude de algum coleguinha, tem, ali, a chance de se expressar. Eles não vestem uniforme. Não têm aulas separadas de português, matemática ou outras disciplinas — apesar de aprenderem todos esses conteúdos. E duas vezes por dia têm o momento de “brincar livre”, que o nome já explica bem o que é. Esse é o modelo da Escola Comunitária Cirandas, em Paraty, onde não há divisão em disciplinas, provas, séries e o sinal de recreio é a batida de tambor tocado por um aluno.

— Aprender através da arte é mais humano, tem mais afeto — explica Mariana Benchimol, codiretora e uma das fundadoras.

O colégio é um dos 30 estudos de caso que serão apresentados no encontro internacional Educação 360, realizado pelos jornais O GLOBO e “Extra”, nos próximos dias 11 e 12, em parceria com Sesc e prefeitura do Rio e apoio da TV Globo e do Canal Futura.

MUITA IMAGINAÇÃO

São 52 crianças que cursam o ensino fundamental na Cirandas. Os mais novos ficam focados na alfabetização, integrados num método, segundo os educadores da casa, menos “be-a-bá” e mais contextualizado. Evoluindo no aprendizado (independente do tempo de estudo), passam para uma fase inicial de projetos e, mais velhos, aprofundam essa etapa intermediária.

— Através dos projetos, os alunos aprendem as diferentes disciplinas. É um olhar integrado — explica Fabíola Guadix, codiretora que também participou da concepção da escola.

Nos encontros das crianças, cartazes dão pistas do quanto a criatividade e a imaginação são valorizadas. Um deles pede calma porque há “Aprendizes de magos e feiticeiros pensando”, e outro traz um alerta: “Cuidado! Alguma coisa sempre pode explodir”. No ano passado, em um dos projetos, crianças estavam em uma das salas repletas de pufes e colchões pesquisando sobre o Universo quando um aluno novo não resistiu: perguntou quando ia começar a aula de ciências.

— A gente explicou que ele estava em uma aula, que estava aprendendo de um jeito diferente do que ele estava acostumado — diz Fabíola.

Cirandas abriu as portas em 2014 e, segundo Mariana, segue a filosofia “ação-reflexão-ação”. As metodologias propostas podem mudar a partir da avaliação dos educadores, dos pais e até dos alunos, que são livres para apresentarem ideias e projetos.

— Nosso objetivo é que a criança seja autônoma. Ela tem que confiar em suas próprias ideias para empreender — destaca Fabíola.

A falta de provas não significa que os alunos não são avaliados. Em três momentos do ano, os professores fazem um relatório que apontam os progressos ou novos objetivos.

— A primeira, no começo do ano, é descritiva. A segunda, em junho, aponta objetivos e competências. E a de dezembro é uma mistura das duas — explica a diretora Mariana.

AULA DE LIBERDADE

Os alunos têm liberdade para apontar os caminhos e assuntos que pretendem se aprofundar — como nas aulas eletivas que fazem ao fim da tarde. No entanto, caso o professor perceba uma necessidade, pode orientar e exigir que o estudante se aplique naquele conteúdo a ser desenvolvido.

— Para conquistar liberdade, é preciso ter um compromisso — explica Mariana.

O colégio é uma instituição privada com apoio de Fundação Oju Moran, composto pelos fundadores da escola, amigos e um benfeitor. Metade dos alunos paga a mensalidade integral, que é cerca de R$ 950. Da outra parte, metade tem bolsa integral e a outra metade só paga 50%. Segundo Mariana, a receita não cobre todos os custos:

— A Cirandas nasceu com essa ideia de diversidade social. Por isso, existe essa gradação de bolsas integrais e parciais. Mas a fundação não consegue bancar a escola por muitos anos.

Universidades melhores no ensino buscam autonomia para seus alunos

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Publicado na Folha de S.Paulo
Dar aos alunos autonomia e responsabilidade para solucionar problemas é o objetivo de métodos adotados em universidades com ensino bem avaliado no RUF 2014.

As características aparecem em cursos da UFMG, UFRJ, UnB, UFSCar e USP, que ficaram entre as melhores na análise que considera fatores como opinião dos avaliadores do Ministério da Educação. Os resultados foram divulgados nesta segunda (8).

Por meio de diferentes metodologias, a ideia é fazer os estudantes buscarem soluções para situações da futura profissão, em vez de ficarem nas cadeiras de sala de aula de forma passiva.

Em matéria sobre mediação de conflitos no curso de direito na UFMG, o professor apresenta casos em que pode haver conciliação entre as partes, como a briga de vizinhos devido a uma obra.

A turma foi dividida em três. Cada vizinho foi representado por um grupo e o terceiro fez o papel de conciliador. Ao professor coube balizar as discussões.

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A metodologia foi pesquisada na França pela professora Adriana Orsini. “Você só consegue passar a matéria se não fizer o ensino que o [educador] Paulo Freire chamava de ‘bancário’, que é aquela história de ficar num pedestal despejando coisa.”

Nas aulas de engenharia química da UFRJ, o professor divide a sala em grupos e dá um tema para cada um estudar por uma semana. No horário da aula, o grupo entra em um site para responder conjuntamente a questões elaborados pelo professor.

A metodologia foi inspirada em experiências da Universidade Harvard e do MIT (instituições americanas).

“É preciso ter mudança cultural na universidade brasileira. Ela é, basicamente, a mesma em que o meu bisavô estudou”, disse o professor Eduardo Sodré, da UFRJ.

Na medicina da UFSCar, os estudantes também são divididos em grupos, em vez das aulas tradicionais, para resolver problemas reais na área, desde o início do curso.

Já na enfermagem da Universidade de Brasília, alunos simulam em robôs situações reais de atendimento.

Na Escola Politécnica da USP, estudantes atuam em equipes para resolver problemas propostos por empresas. Dali já saíram soluções para rotulagem de alimentos.

As inovações foram implementadas em algumas disciplinas dos cursos dessas tradicionais instituições. “A universidade é conservadora”, afirma Sodré, da UFRJ.

Autonomia e controle nas escolas; online e offline

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Alexandre Le Voci Sayad. no Estadãoblognasaladeaula

Uma dualidade clássica acompanha pensamentos e práticas educativas: se a escola indubitavelmente almeja a construção de autonomia no estudante, porque costuma exercer controle no seu dia a dia. Ora, a escola é um espaço de muito mais restrições que liberdades – seja na vida acadêmica ou pessoal do estudante.

Esta é uma questão que ultrapassa os limites e percepções entre progressistas e conservadores, esquerdistas ou liberais; se arraiga na estrutura mínima do “educar” e paira como uma grande esfinge sobre diretores de escola e gestores de políticas.

As recentes experiências que levaram a comunicação e a arte para dentro do ambiente escolar esbarram na dicotomia diariamente. O diretor deve ou não ler jornal criado pelos alunos antes de ser publicado? E a peça de teatro do grupo artístico, passa por algum crivo? Até onde o professor deve acompanhar um estudante de ensino fundamental, por exemplo,  na elaboração de um trabalho fora dos muros da instituição, ou mesmo estimular que os pais o façam? Criatividade tem limites?

Hoje, essa delicada e imbricada situação esbarra também na ampliação do espaço e tempo escolares: a internet. Autonomia e controle devem ser consideradas hoje num mundo físico (offline) e também virtual (online). Quem imagina o segundo como um espaço mais livre, pode estar enganado.

Segundo o jornal The New York Times, os professores particulares ganharam recentemente uma nova tarefa pela qual têm sido muito bem remunerados: acompanhar o cotidiano de seus estudantes, e auxiliá-los, quando estes mudam de cidade para estudar. Os “tutores”, na tradução livre desse tipo de profissional, assumem agora o sentido pleno de seu ofício. Por trás disso, há pais preocupados e escolas ávidas por organização na vida dos estudantes em novas cidades: um exemplo vivo de controle no mundo real.

No mundo virtual não tem sido muito diferente. Colleges gastaram milhões de dólares em 2012 em serviços como o Brand Youself (brandyourself.com) que funcionam como uma espécie de queima de arquivo virtual: o site apaga imagens comprometedoras de estudantes (festas, brincadeiras, bebidas ou cigarro), bem como prioriza as melhores informações no topo da busca do Google. Um gasto que garante melhores empregos aos egressos,  prova de forma cabal como a vida dos jovens é controlada no ciberespaço pelas próprias instituições de ensino.

Por outro lado, usando como exemplo o Brasil, sites como o Descomplica (de aulas em vídeo) são cada vez mais reconhecidos como ferramentas online válidas e eficientes pelas instituições de ensino – cena inimaginável há alguns anos.  Os games seguem pelo caminho de passarem de bandidos a mocinhos em uma educação que parece valorizar cada mais a autonomia do aluno em aprender na internet paralelamente à sala de aula. O livro didático vai lentamente deixando de ser fonte única sob a ótica da escola.

Longe de um consenso ou mesmo de uma solução, o quanto de autonomia o estudante irá adquirir “oficialmente” pela escola que frequenta irá direcionar investidores para o campo da educação online e fazer essa fatia crescer como grande parceira do aprendizado nos próximos anos.

O próprio Descomplica acabou de receber um investimento significativo para subir de 2 mil para 10  mil aulas para que estudantes – encorajados na sua independência -, aprendam na internet.

* ALEXANDRE LE VOCI SAYAD É JORNALISTA E EDUCADOR. DESENVOLVE PROJETOS INTERDISCIPLINARES COMO FOCO EM EDUCAÇÃO PARA ESCOLAS, GOVERNOS E EMPRESAS. é AUTOR DO LIVRO IDADE MÍDIA: A COMUNICAÇÃO REINVENTADA NA ESCOLA, PUBLICADO PELA EDITORA ALEPH.

imagem: Internet

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