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7 lições que aprendemos com o Guia do Mochileiro das Galáxias

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Rachel Guarino, na Cabana do Leitor

Não entre em pânico, mas o dia 25 foi o dia mais esperado no mundo nerd, o dia do Orgulho Nerd, ou o Dia da Toalha, para os mais íntimos. Mas você sabe como esse dia se originou e porque tem esse nome? Tem a ver com o livro Guia do Mochileiro das Galáxias, mais conhecido como a bíblia dos Nerds, do autor Douglas Adams.

A saga conta a história de Arthur Dent, um terráqueo que embarca em uma aventura com um E.T chamado Ford Prefect, logo após a Terra ser destruída e dar lugar a uma via interespacial. Ford estava em uma pesquisa de campo para a nova edição de O Guia do Mochileiro das Galáxias e, juntos, embarcam em uma nave alienígena dando início a uma alucinante jornada pelo tempo e espaço. Agora, como isso se tornou em um dia a ser comemorado?

Com seu humor altamente ácido e crítico, Adams ganhou o mundo. Virou um dos principais ícones pop do século 20, com os cinco livros da saga sendo traduzidos para mais de 30 línguas. Porém, no dia 11 de maio de 2011, Adams veio a falecer. Com isso, os fãs sentiram a necessidade de homenagear o autor que criou todo esse universo mágico aos olhos dos nerds. Dessa forma, dia 25 de maio ficou decidido como o Dia da Toalha, afinal, de acordo com o autor, todo viajante precisa de uma toalha.

E como todo dia é dia de aprender uma lição com o Guia do Mochileiro das Galáxias resolvemos trazer sete lições que todo mundo precisa saber ao começar sua jornada.

1 – Não entre em pânico

Talvez a lição mais importante de todas: Não Entre em Pânico. Afinal de contas, você está realizando uma jornada, ou seja, tudo pode ser possível. Se for uma viagem solitária então, o desespero pode bater sobre o que fazer. Nesses momentos que se deve lembrar de não entrar em pânico e manter a cabeça fria, só assim que vai conseguir passar por qualquer tipo de situação.

2 – Conheça sua toalha

Sua toalha, literalmente, é sua melhor amiga e sua fiel escudeira. Durante sua viagem, sempre tenha uma à mão, ela pode salvar vidas. De acordo com o Guia, uma toalha pode ser um agasalho, canga, cobertor, além de servir como arma ou sinal de socorro, entre outras inúmeras funções. Ou seja, se torna peça fundamental, afinal, em uma jornada, não se pode contar com muitos recursos, às vezes, só podemos contar com criatividade e uma toalha.

3 – Não planeje muito

Isso realmente pode te fazer perder as melhores coisas da vida. Permita-se o inesperado e seja aberto às opções que toda jornada tem a oferecer. Suas viagens ficarão muito mais divertidas e aventureiras. O Guia do Mochileiro das Galáxias nos mostra que quando se está aberto a tudo, ficamos muito mais felizes e satisfeitos com os resultados.

4 – Acredite em si mesmo

Esqueça a opinião negativa de todos que não acreditam em você e siga com seus instintos, acreditando neles, irá te levar a lugares inacreditáveis. Faça que nem Arthur Dent, um terráqueo visto como incapaz, mas que acredita em si mesmo o suficiente para continuar seguindo em frente, obtendo sucesso em tudo o que faz. Então a mensagem é, todos são capazes de tudo, basta querer.

5 – Não tenha medo em viajar

Independente de qualquer sentimento de medo, não deixe que isso te desanime a seguir em sua jornada. Faça como os personagens do Guia que nunca desistem, não importando os obstáculos que apareçam em seus caminhos. O medo pode te impedir de realizar coisas maravilhosas.

6 – Nunca volte para pegar a bolsa

Não importa o que aconteça, nunca, mas nunca mesmo, volte para pegar a bolsa. Metaforicamente falando, você pode perder as melhores coisas se tiver que voltar para pegar alguma coisa antes esquecida. Lembre-se de sempre seguir em frente, sem olhar para trás. A única coisa que um mochileiro precisa é de sua toalha, então esqueça o que ficou para trás e siga em frente, sem medo de ser feliz.

7 – Esvazie a mente sempre que possível

De vez em quando, é importante esvaziar a mente, se não, entramos em parafuso. O Guia diz “ignore todas as considerações a respeito de seu próprio peso e simplesmente deixe-se flutuar mais alto”. Durante uma jornada, não tem problema em ter momentos sozinho, focado no nada, apenas observando o horizonte. Liberte-se de tudo que te distraia e apenas esvazie sua mente. Você se sentirá capaz de tomar qualquer tipo de decisão e pensar na sua vida de forma mais eficiente.

Chega ao Brasil a biografia do antropólogo Claude Lévi-Strauss

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O antropólogo belga Claude Lévi-Strauss Foto: Edições Sesc

Belga deu aulas na USP e compreendeu o Brasil em ‘Tristes Trópicos’

Paulo Nogueira, no Estadão

Que tal ler sobre um homem que viveu 101 anos e morreu Imortal? Que criou uma ciência (ou ao menos um ramo frondoso dela)? Que escreveu um livro clássico, acima de tudo inclassificável? Que deu aulas na USP, em Nova York e Paris, e aprendeu muita coisa com gente que andava pelada e dormia no chão? Um homem cujo nome era música, calça e filosofia, e por vezes um risco mortal?

Salivando? Então basta percorrer as 782 feéricas páginas da biografia Lévi-Strauss, de Emanuelle Loyer. A autora é especialista em história intelectual da Universidade Sciences-Po, em Paris. Confirmando a barbada, esta obra embolsou o prêmio Femina de ensaio, em 2015.

Um dos supremos intelectuais do século 20, Claude Lévi-Strauss (1908-2009) nasceu em Bruxelas, mas é tão francês quanto Astérix. De origem obviamente judaica, o sobrenome de Lévi-Strauss sempre deu pano para mangas. Em 1940, com a França sob ocupação alemã, ele foi a Vichy pedir autorização para voltar à capital, onde nazistas saíam pelo ladrão. O funcionário pestanejou: “Com esse nome, o senhor quer ir para Paris?” Caindo a ficha, Claude se mandou para os EUA, onde foi aconselhado pelos diretores da New School a usar L. Strauss em vez de Lévi-Strauss – “para que o senhor não seja confundido com uma marca de jeans”. Também foi confundido com o autor de valsas vienenses Richard Strauss. E com o filósofo Leo Strauss. Hoje é inconfundível.

Claude, embora tenha declinado bater o ponto na École Normale Supérieure, poleiro dos prodígios da geração (Sartre, Aron, Merleau-Ponty, Paul Nizan), cursou filosofia e direito – já na etnologia foi um autodidata. Ainda na faculdade, simpatizou com os princípios do socialismo e fez militância estudantil. Mas, por feitio e convicção, foi sempre um socialista insociável, que nunca sujeitou tudo a um materialismo farisaico. E saudou no ato, em 1933, o romance Viagem ao Fim da Noite, do endiabrado reacionário Louis-Ferdinand Céline. Isso quando a esquerda ortodoxa estava embevecida com o Realismo Socialista de Jdánov.

Naquela época, apesar de recém-casado, o professor do ensino médio Lévi-Strauss se sentia como se tivesse perdido o bonde e a esperança. Até que ouviu um som talismânico. “Minha carreira foi decidida num domingo de 1934, às 9h da manhã, com um toque de telefone”. Era um convite para dar aulas de sociologia na engatinhante USP, com a isca de que “há muitos índios na periferia de São Paulo”. Não havia. Depois, o embaixador brasileiro na França jogou água no chope: “Não há mais índios no Brasil”. Havia.

Lévi-Strauss tinha 26 anos. Ficou no Brasil quatro anos, lecionando em francês, “a segunda língua dos brasileiros escolarizados”. Em 1934, São Paulo contava mais de 1 milhão e 200 mil habitantes e crescia a jato (50 anos antes, não passava dos 100 mil!). Antes, fez escala no Rio de Janeiro, com o qual embirrou: “Os trópicos são menos exóticos do que antiquados.” Comparou os morros cariocas a “dedos numa luva apertada”. Em Sampa, o primeiro arranha-céu que vê na vida: o edifício Martinelli. A delegação de professores europeus era uma espécie de seleção galáctica de dentes de leite: entre outros, Fernand Braudel (depois um dos pais da “história das mentalidades”), Roger Bastide (que traduzirá Casa Grande e Senzala) e o grande poeta italiano Giuseppe Ungaretti.

Na USP, Lévi-Strauss dá seis aulas de 55 minutos por semana, de março a novembro. Ele e sua mulher Dina, com a mesma formação acadêmica do marido, viram parças da intelligentsia local, sobretudo Mário de Andrade. O regresso à França coincide com o início da 2.ª Guerra Mundial. Lévi-Strauss só voltará ao Brasil em 1985, com o presidente Mitterrand. Mas dirá: “O Brasil representa a experiência mais importante da minha vida”.

Em 1940, se exila nos EUA, no mesmo cargueiro em que enjoa André Breton. Em NY, rola um encontro decisivo: com Roman Jakobsson, que lhe apresenta o estruturalismo. Daí nascerá a antropologia estrutural, postulando uma configuração que ordene a entropia dos fatos, através da análise de mitos e laços de sangue. Seja a sociologia seja a antropologia já refletiam uma “linhagem francesa”, com Émile Durkheim e Marcel Mauss. Em meados do século 20, o etnocentrismo era torpedeado: já não se tratava do “fardo do homem branco”, ou de ensinar canibais a comer de garfo e faca – em vez disso, o elogio da diversidade e do interlocutor. Até porque, como observou Aron: “Uma parte do melhor do Ocidente acabou nos fornos crematórios de Auschwitz.” Tratava-se, isso sim, de tentar conciliar o sensível e o inteligível, natureza e cultura. A influência da linguística em Lévi-Strauss nunca extrapolou – como aconteceu, por exemplo, com Jacques Derrida e sua famosa frase desconstrucionista: “não há nada fora do texto” (a não ser, claro, as interpretações de Derrida).

Em 1955, jorra a lava verbal de Tristes Trópicos, uma obra metamórfica, porosa, meio budista meio lunática – uma autoanálise que bate na trave da catarse absoluta. O título, com sua aliteração lírica e soturna, levanta a bola para o incipit rabugento, que chuta o balde da premissa antropológica: “Odeio viagens e exploradores.” Relatando o convívio com índios caduveos, bororos e nambiquaras, é para muitos o mais importante livro de um estrangeiro sobre o Brasil. E é a chef d’oeuvre de Lévi-Strauss, um clássico que funde literatura e ciência, espécie e indivíduo, eternidade e devir – aliás, o próprio título é de um romance que o autor quis escrever e depois amarelou.

Tristes Trópicos, com suas quase 500 páginas, foi concluído em cinco meses, numa máquina de escrever de teclado alemão comprada numa biboca em São Paulo. Tentar definir essa obra é como empunhar vento (por ela ser praticamente tudo, menos um pastel de vento). A biógrafa Emanuelle Loyer faz uma airosa tentativa, ao compará-la com o Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa. Quando Tristes Trópicos saiu, Sartre (cujo existencialismo Lévi-Strauss tinha esculhambado) declarou-se “deslumbrado”.

É uma narrativa encantada, por vezes amarga como um limão verde. Se alguém quer ser etnólogo pensando em Indiana Jones, pode tirar o cavalinho da chuva. “Não há lugar para a aventura nessa profissão. Temos de nos levantar com o dia, permanecer acordado até que o último índio esteja dormindo, e de o vigiar durante seu sono. Temos de nos esforçar para passar despercebidos, estando sempre presentes; ver tudo, reter tudo, anotar tudo, dar mostras de uma indiscrição humilhante, mendigar informações de um garoto ranhoso”. Sim: a antropologia às vezes é um programa de índio.

É evidente a tentação do autor pelo texto literário, sem prejuízo do rigor científico (neste aspecto, lembra Primo Levi). Em 1973, Lévi-Strauss é eleito para Academia Francesa. Em 2004, a Bibliotheque de la Plêiade (coleção da Gallimard que canoniza os clássicos da literatura francesa) abre sua primeira exceção para um não literato: Claude Lévi-Strauss – e com o autor ainda vivo. É a vantagem da arte sobre a ciência: nos melhores casos, aquela caduca mais devagar e, nas obras-primas, talvez nunca. O Édipo de Sófocles continua novinho em folha – já a teoria geocêntrica de Ptolomeu é uma curiosidade histórica.

Talvez a chave para Tristes Trópicos (e para a vida do seu autor) resida em sua última frase, na forma de um felino enigmático e elegante mas também expressivo: “Tal como o indivíduo não está só no grupo e cada sociedade não está só entre as outras, o homem não está só no universo. Assim que o arco-íris das culturas humanas tiver acabado de afundar-se no vazio cavado pelo nosso furor, este arco tênue permanecerá. Este favor que toda a sociedade ambiciona, onde ela situa o seu ócio, o seu prazer, repouso e liberdade, e que consiste em captar a essência do que ela foi e continua a ser, aquém do pensamento e além da sociedade, na contemplação de um mineral mais belo que todas as nossas obras; no perfume mais sábio que os nossos livros, respirado no âmago de um lírio; ou no piscar de olhos, cheio de paciência, serenidade e perdão recíproco que um entendimento involuntário permite, por vezes, trocar com um gato.”

Bill Gates tem um novo livro preferido “de toda a vida”

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Livro favorito do fundador da Microdoft indica que QI médio global está subindo cerca de 3 pontos por década

Suria Barbosa, na Exame

Por anos, Bill Gates, fundador da Microsoft, indicou The Better Angels of Our Nature (em português, “Os anjos bons da nossa natureza”), de Steven Pinker, como seu livro preferido. Ele costumava dizer que se pudesse recomendar apenas um leitura para qualquer pessoa, seria esta.

Em The Better Angels, Pinker mostra resultados de pesquisas detalhadas para argumentar que a humanidade vive a época mais pacífica. “Eu nunca tinha visto uma explicação tão clara sobre o progresso”, declara Gates.

Porém, em 2018, o magnata anunciou em seu site pessoal, Gates Notes, que o seu novo livro favorito “de toda a vida”, mudou. Enlightenment Now (ainda sem tradução), também de Steven Pinker, utiliza a mesma abordagem com a qual a violência foi investigada no primeiro livro.

No entanto, no mais novo, o autor trata de outros 15 medidores de progresso. Entre eles, qualidade de vida, conhecimento e segurança. “O resultado é uma imagem holística de como e porque o mundo está melhorando”, diz Gates.

Seus fatos favoritos de Enlightenment Now

Para ilustrar sua premissa de que o mundo está em sua melhor fase, Pinker descreve acontecimentos históricos e os contextualiza com dados. Gates listou 5 dos seus fatos preferidos que o livro traz:

*Você tem 37 vezes menos chance de ser morto por um raio do que tinha na virada do século.
*O tempo gasto lavando roupa caiu de 11,5 horas por semana, em 1920, para 1,5, em 2014.
*É menos provável que você morra no trabalho.
*O QI médio global está subindo cerca de 3 pontos por década.
*A guerra é ilegal.

Crítica de Bill Gates

Além dos indicadores usuais de evolução – como redução nas taxas de morte infantil e de pobreza, em geral – Gates aprecia que Pinker traz à tona tópicos mais ignorados.

A explicação psicológica da desconexão entre o progresso real e a percepção que as pessoas têm dele também impressiona Gates. Isso porque ele sempre tentou entender a questão:

Pessoas de todo o mundo vivem vidas mais longas, saudáveis ​​e mais felizes, então por que muitos pensam que as coisas estão piorando?

Segundo o magnata, o autor, que é psicólogo, faz um bom trabalho esclarecendo o assunto. Pinker detalha como a humanidade é mais atraída para o pessimismo e como isso influencia na abordagem do progresso.

Apesar de Gates concordar com a maioria dos argumentos de Pinker, ele critica o otimismo do autor em relação à inteligência artificial. Embora ele próprio “não pense que estamos em perigo de viver um cenário estilo O Exterminador do Futuro”, considera que, em algum momento, o assunto deverá ser discutido pelas instituições globais.

“Os grandes problemas acerca da automação são a prova de que o progresso pode ser uma coisa bagunçada e difícil – mas isso não significa que estamos indo na direção errada”, diz o magnata.

Este artigo foi originalmente publicado pelo Na prática, portal da Fundação Estudar

Me Chame Pelo Seu Nome | “O eixo romântico aqui é a inibição”, diz autor do livro que inspirou filme

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André Aciman fala sobre obra que gerou a love story indicada a quatro Oscars

Rodrigo Fonseca, no Omelete

Impulsionado pela indicação ao Oscar de melhor filme, Me Chame Pelo Seu Nome já soma 117 mil pagantes em solo brasileiro, onde o romance que inspirou esta love story produzida pelo carioca Rodrigo Teixeira acaba de chegar às livrarias, pela editora Intrínseca.

Americano nascido em Alexandria, no Egito, o escritor André Aciman assina o livro, transformado em longa-metragem pelo cineasta italiano Luca Guadagnino (Sonho de Amor). A bilheteria dessa adaptação literária, pelo mundo afora, beira US$ 22 milhões. A primeira exibição dele se deu no Festival de Sundance de 2017, seguido de projeção na Berlinale, onde lotou salas de exibição. Seu roteiro, adaptado pelo diretor James Ivory, também está no páreo das estatuetas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Sua narrativa é ambientada na Itália dos anos 1980 e, nela, a paixão move o músico Elio (Timothée Chalamet) e o estudante Oliver (Armie Hammer).

Coroado com 41 prêmios internacionais de janeiro de 2017 até agora, incluindo quatro indicações ao Bafta, o Oscar inglês, o filme revive o clima quente de Cremona em 1983, quando Elio põe suas convicções sexuais e afetivas em xeque, ao se encantar por Oliver, um orientando de seu pai (Michael Stuhlbarg).

Na entrevista a seguir, Aciman fala de sua surpresa em ver seus personagens no páreo do Oscar 2018, que será entregue em 4 de março.

Omelete: Para além da força lírica de sua trama, o que justifica o apelo popular de Me Chame Pelo Seu Nome e o que pode levá-lo a seduzir os votantes da Academia?
André Aciman: As indicações ao Oscar foram totalmente inesperadas. Aliás, nunca esperei que meu romance fosse virar filme. Seu sucesso se deve a uma série de razões: a) ele é lindamente fotografado, capturando a beleza da Itália rural, a luz do verão, as sensações da juventude; b) ao mesmo tempo em que ele faz todo mundo no cinema sentir deseja, querendo tocar ou ser tocado, ele captura os tormentos do primeiro amor, realçando o quanto o querer é caótico e misterioso; c) pouca gente se dá o direito de falar sobre seu primeiro amor, seja por timidez ou por medo; d) o desabafo do pai: não há gay que não tenha desejado, algum dia, ouvir de seu pai palavras de aceitação como as que ouvimos no filme.

Quais foram as suas referência literárias em relação à juventude na criação de sua prosa?
Romancistas britânicos, russos e franceses estabeleceram uma tradição de olhar sobre a juventude de maneira incisiva e lírica. Flaubert alcançou isso em novembro; Turgenev fez isso em Primeiro Amor; e D. H. Lawrence chegou a essa dimensão em Filhos e Amantes. Todos estes livros trouxeram uma acurada visão da juventude porque os três aliavam ensejos de nostalgia a um desabafo de revelação. Ser jovem é estar do lado da fantasia. Um observador mais arguto da natureza humana perceberá isso e há de perdoar os erros cometidos em nome dessa aposta juvenile no que há de fantástico. A juventude pode expressar uma paixão de maneira direta porque ela não tem a medida das palavras. O amor de juventude dribla qualquer outro amor.

Que lugar sobrou para as histórias de amor na litetarura contemporânea?
O amor sempre vai estar no topo do ranking dos assuntos mais procurados na Arte. Mas, o amor, para ser interessante, deve encarar dificuldades, transpor fronteiras ou encarar interdições, como vemos em Romeu & Julieta, por exemplo. O eixo romântico de Me Chame Pelo Seu Nome é a quebra da inibição. Em outras palavras, minha história mostra que a proibição está na gente e não nos outros. Elio reluta a dizer o que sente por travas internas: vergonha, medo e negação o silenciam. Mas ele dribla a inibição. O amor sempre dá um jeito de nos pegar pelo pé.

Como você analisa as formas recentes de representação da homoafetividade na literatura anglo-americana?
Não estou muito familiarizado com retratos literários mais recentes do amor gay. Eu leio muito James Baldwin e E.M. Forster e, anos atrás, li Mary Renault e Marguerite Yourcenar. Mas, a maioria dos relatos sobre a homoafetividade fala sobre incidentes trágicos, preconceito, violência, hostilidade de parentes e o pavor trazido pela Aids. O que eu tentei fazer em Me Chame Pelo Seu Nome foi evitar que qualquer um desses tópicos pontuassem a história de amor de Olvier e Elio. O único intruso permitido seria a distância. A passagem do tempo os afasta.

Chris Van Allsburg, autor de Jumanji e Zathura, fecha contrato com a Fox

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O projeto pretende adaptar outras obras escritas pelo autor, além de livros ainda em desenvolvimento e ideias de narrativas futuras.

Livia Saenz, no Cinema com Rapadura

Chris Van Allsburg, autor norte-americano de livros infantis, fechou recentemente com 20th Century Fox um contrato para adaptar mais obras de sua autoria para os cinemas. Segundo apurado pelo Deadline, além de obras já publicadas, o estúdio adquiriu os direitos de livros ainda em desenvolvimento e de ideias para narrativas futuras.

A lista de adaptações cinematográficas das obras do autor conta atualmente com quatro títulos: “Jumanji” (1995), “O Expresso Polar” (2004), “Zathura: Uma Aventura Espacial” (2005) e “Jumanji: Bem-vindo à Selva” (2018), que deve ganhar uma continuação.

Os parceiros de produção de Chris que trabalharam na última adaptação de “Jumanji”, William Teitler, Ted Field e Mike Weber, também farão parte do projeto. Os produtores se pronunciaram sobre o acordo, e o que se pode esperar do projeto:

“Chris Van Allsburg criou um universo de histórias imaginativas e visionárias com amplo e persistente apelo. Estamos ansiosos, em conjunto com a Fox, para reunir escritores e diretores para adaptar e traduzir seu trabalho para o meio do filme e penso que este será um ímã emocionante para toda a comunidade criativa.”, comentou William Teitler.

“Nós espalhamos os 15 livros em uma enorme mesa de conferência, lançamos a premissa de cada um e quando terminamos, Emma [executiva da Fox] disse: ‘Ótimo, vamos fazer um acordo’, então fizemos!”, afirmou Mike Weber.

“Jumanji: Bem-Vindo à Selva” estreou dia 4 de janeiro de 2018 no Brasil e ainda está em cartaz nos cinemas.

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