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Quem ganhou o Nobel de Literatura no ano que você nasceu?

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 José Saramago é o nobel de 1998 Pedro Walter

José Saramago é o nobel de 1998 Pedro Walter

 

Se tem menos de 116 anos, descobrirá nesta lista quem ganhou o prêmio no ano em que você veio ao mundo

Publicado no El País

Nesta quinta-feira, 5 de outubro, foi anunciado o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura 2017. As bolsas de apostas apontavam para a canadense Margaret Atwood e para o japonês Haruki Murakami, mas quem ficou com o prêmio foi o britânico, com ascendência nipônica, Kazuo Ishiguro. Desde a criação do prêmio, a Academia Sueca premiou 28 autores de língua inglesa, 14 da francesa, 13 do alemão e 11 do castelhano. O único representante da língua portuguesa é José Saramago.

Abaixo, fizemos uma lista desde 1901, ano em que a premiação começou. Assim, você pode saber sob qual influencia literária você cresceu. Para saber mais sobre os autores visite o site da premiação.

1901. Sully Prudhomme (França).

1902. Theodor Mommsen (Alemanha).

1903. Bjørnstjerne Bjørnson (Noruega).

1904. Frédéric Mistral (França) e José Echegaray (Espanha).

1905. Henryk Sienkiewicz (Polônia).

1906. Giosuè Carducci (Itália).

1907. Rudyard Kipling (Reino Unido).

1908. Rudolf Christoph Eucken (Alemanha).

1909. Selma Lagerlöf (Suécia).

1910. Paul von Heyse (Alemanha).

1911. Maurice Maeterlinck (Bélgica).

1912. Gerhart Hauptmann (Alemanha).

1913. Rabindranath Tagore (Índia).

1914. Não houve premiação.

1915. Romain Rolland (França)

1916. Verner von Heidenstam (Suécia).

1917. Karl Adolph Gjellerup (Dinamarca) e Henrik Pontoppidan (Dinamarca).

1918. Não houve premiação.

1919. Carl Spitteler (Suíça).

1920. Knut Hamsun (Noruega).

1921. Anatole France (França).

1922. Jacinto Benavente (Espanha).

1923. William Butler Yeats (Irlanda).

1924. Władysław Reymont (Polônia).

1925. George Bernard Shaw (Irlanda).

1926. Grazia Deledda (Itália)

1927. Henri Bergson (França).

1928. Sigrid Undset (Noruega).

1929. Thomas Mann (Alemanha).

1930. Sinclair Lewis (Estados Unidos).

1931. Erik Axel Karlfeldt (Suécia).

1932. John Galsworthy (Reino Unido)

1933. Ivan Bunin (nascido na Rússia, residente na França).

1934. Luigi Pirandello (Itália).

1935. Não houve premiação.

1936. Eugene Ou’Neill (Estados Unidos).

1937. Roger Martin du Gard (França).

1938. Pearl Séc. Buck (Estados Unidos)

1939. Frans Eemil Sillanpää (Finlândia).

1940. Não houve premiação.

1941. Não houve premiação.

1942. Não houve premiação.

1943. Não houve premiação.

1944. Johannes Vilhelm Jensen (Dinamarca).

1945. Gabriela Mistral (Chile).

1946. Hermann Hesse (nascido na Alemanha, residente na Suíça).

1947. André Gide (França).

1948. T. S. Eliot (nascido nos Estados Unidos, residente no Reino Unido).

1949. William Faulkner (Estados Unidos).

1950. Bertrand Russell (Reino Unido).

1951. Pär Lagerkvist (Suécia).

1952. François Mauriac (França).

1953. Winston Churchill (Reino Unido).

1954. Ernest Hemingway (Estados Unidos).

1955. Halldór Kiljan Laxness (Islândia).

1956. Juan Ramón Jiménez (Espanha).

1957. Albert Camus (França).

1958. Boris Leonidovich Pasternak (União Soviética).

1959. Salvatore Quasimodo (Itália).

1960. Saint-John Perse (França).

1961. Ivo Andrić (Nascido na Áustria, residente na Iugoslávia).

1962. John Steinbeck (Estados Unidos).

1963. Giorgos Seferis (Grécia).

1964. Jean-Paul Sartre (França).

1965. Mikhail Sholokhov (União Soviética).

1966. Shmuel Yosef Agnon (nascido na Áustria e residente em Israel) e Nelly Sachs (nascida na Alemanha e residente na Suécia).

1967. Miguel Ángel Astúrias (Guatemala).

1968. Yasunari Kawabata (Japão).

1969. Samuel Beckett (Irlanda).

1970. Aleksandr Isayevich Solzhenitsyn (União Soviética).

1971. Pablo Neruda (Chile).

1972. Heinrich Böll (Alemanha).

1973. Patrick White (nascido no Reino Unido, residente na Austrália).

1974. Eyvind Johnson (Suécia) e Harry Martinson (Suécia).

1975. Eugenio Montale (Itália).

1976. Saul Bellow (Nascido no Canadá, residente nos Estados Unidos).

1977. Vicente Aleixandre (Espanha).

1978. Isaac Bashevis Singer (nascido na Rússia, residente nos Estados Unidos).

1979. Odysseas Elytis (Grécia).

1980. Czesław Meułosz (nascido na Polônia, residente nos Estados Unidos).

1981. Elias Canetti (Bulgária).

1982. Gabriel García Márquez (Colômbia).

1983. William Golding (Reino Unido).

1984. Jaroslav Seifert (nascido na Áustria, residente na Checoslováquia).

1985. Claude Simon (França).

1986. Wole Soyinka (Nigéria).

1987. Joseph Brodsky (nascido na União Soviética, residente nos Estados Unidos).

1988. Naguib Mahfouz (Egito).

1989. Camilo José Zela (Espanha).

1990. Octavio Paz (México).

1991. Nadine Gordimer (África do Sul).

1992. Derek Walcott (Santa Luzia).

1993. Toni Morrison (Estados Unidos).

1994. Kenzaburō Ōe (Japão).

1995. Seamus Heaney (Irlanda).

1996. Wisława Szymborska (Polônia).

1997. Dario Fo (Itália).

1998. José Saramago (Portugal).

1999. Günter Grass (Alemanha).

2000. Gao Xingjian (nascido na China, residente na França).

2001. V. Séc. Naipaul (nascido em Trinidad e Tobago, residente no Reino Unido).

2002. Imre Kertész (Hungria).

2003. J. M. Coetzee (África do Sul).

2004. Elfriede Jelinek (Áustria).

2005. Harold Pinter (Reino Unido).

2006. Orhan Pamuk (Turquia).

2007. Doris Lessing (Reino Unido).

2008. Jean-Marie Gustave Lhe Clézio (França).

2009. Herta Müller (Alemanha).

2010. Mario Vargas Llosa (Peru).

2011. Tomadas Tranströmer (Suécia).

2012. Mo Yan (China).

2013. Alice Munro (Canadá).

2014. Patrick Modiano (França).

2015. Svetlana Aleixievich (Bielorrússia).

2016. Bob Dylan (Estados Unidos).

2017. Kazuo Ishiguro (Reino Unido).

Ferramentas digitais de publicação ajudam novos escritores a realizarem sonhos

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Carina Rissi publicou seu primeiro livro de maneira independente Foto: Divulgação

Carina Rissi publicou seu primeiro livro de maneira independente Foto: Divulgação

Ana Clara Veloso, no Extra

Quando Carina Rissi terminou de escrever “Perdida”, em 2011, ela tentou, mas não conseguiu de pronto uma editora interessada em publicá-lo. As dificuldades no mercado editorial, porém, nem sempre são por falta de talento. E a história, lançada de forma independente no mesmo ano, foi bem recebida pelo público.

— Eu sou meio impaciente. Então, em seis meses chegou a primeira recusa de uma editora e já falei: ‘vamos tentar de outro jeito’. O Adriano é meu agente e meu marido, e pesquisou caminhos – conta ela, que recorreu à autopublicação: – Investi cerca de R$ 12 mil (contando com despesas de marketing). Enquanto corria atrás disso, já tinha escrito o segundo romance e o selo Verus (da Record) se interessou. Quiseram saber números do “Perdida”, que em um ano tinha vendido 5 mil livros de forma independente. Era uma quantidade muito boa. Pelo Verus, o primeiro publicado foi “Procura-se um marido”, em 2012. E relançaram o “Perdida” em 2013.

Hoje, a Record já vendeu 350 mil exemplares de nove títulos de Carina. E ela, certamente, deixa a vontade em muitos fãs de serem também escritores.

— A autopublicação é cada vez mais facilitada, pois hoje existem sites nos quais a pessoa pode apenas importar seu texto, escolher entre possibilidades de formatação e o livro estará pronto para impressão ou acesso digital – explica a professora da ESPM Rio Isabella Perrotta, alertando, porém, que a carreira não é só glamour: — Existem os fenômenos. Mas é como jogador de futebol: um em muitos. Em geral, o autor ganha muito pouco.

Publicação gratuita em plataforma digital

Mesmo ganhando pouco, o autor com uma mentalidade empreendedora pode identificar na publicação de um livro a oportunidade de turbinar o currículo. A Saraiva, que tem uma plataforma virtual chamada “Publique-se”, identifica inclusive que, entre os 12 mil livros publicados a partir dela, há uma “forte presença de livros técnicos”.

— A gente visa com essa plataforma duas coisas: que os novo autores tenham uma chance de publicar obras dentro de um catálogo como a Saraiva, que vai dar uma visibilidade muito grande, e sem a necessidade de provar para uma editora seu potencial e quanto venderá — afirma.

Não há custo para a formatação e publicação neste caso. É cobrado um percentual em cima de cada venda.

‘Não deixe ninguém cortar o seu barato’

Mesmo o caminho sendo difícil, Carina sempre tem uma palavra de ânimo para os novos escritores.

— É um sonho muito bonito e a maioria das pessoas acaba desanimando, pois a quantidade de “não” pelo caminho é muito mair do que a de “sim”. Mas eu sempre digo para não cair nessa, não deixar ninguém cortar teu barato. Corre atrás, investe como puder, como eu fiz. O mercado mudou bastante, principalmente no fim dessa linha de produção, que é o leitor. Não tem a mesma separação entre autor nacional e gringo, como existia. O autor nacional, antes, não tinha a visibilidade que tem hoje. O preconceito está diminuindo. E cada um encontra um caminho (para publicar). A tecnologia ajuda — diz ela.

Passo a passo para quem quer ser um autor

1) Escrita – Alguns gêneros de literatura, vez ou outra, se destacam em vendas. Mas “a não ser que você seja um redator super carimbado que saiba escrever por encomenda, você deve escrever aquilo que você gosta. Tem uma diferença muito grande entre autor e redator. O autor escreve em tom autoral, pessoal”, recomenda a professora da ESPM Isabella Perrotta. Apesar disso, ela complementa, é importante escrever pensando em quem teria interesse em ouvir o que você tem para contar. Por isso, vamos à segunda dica.

2) Opinião – Peça para amigos, pessoas com o perfil do seu leitor, ou – de preferência – profissionais do mercado, opinarem sobre o seu texto.

3) Revisão – Não ignore esta etapa e contrate um profissional. O autor, mesmo quando conhece muito bem as regras gramaticais, tende a não enxergar seus erros. E tende a achar que a redação está mais explícita do que de fato está.

4) Formatação – Se possível, dê preferencia ao trabalho de um designer gráfico. Um livro (físico ou digital) bem diagramado é aquele que os olhos batem e começam a ler, antes que a pessoa se dê conta.

5) Plataformas – Outra possibilidade é usar os templates prontos das plataformas de autopublicação. Conheça algumas:

– A Amazon tem o Kindle Direct Publishing (https://kdp.amazon.com/pt_BR), que permite a publicação de ebook e impressos sob demanda, com 70% de royalties sobre as vendas nas lojas Kindle no mundo inteiro.

– No Clube dos Autores (https://clubedeautores.com.br), a publicação online é gratuita e o livro pode ser disponibilizado em lojas parceiras como Estante Virtual, Livraria Cultura, Saraiva, Americanas. O valor de direitos autorais será diferente para vendas nessas livrarias do que para vendas diretamente no Clube de Autores. O site ainda disponibiliza serviços profissionais como capa, diagramação, revisão e ilustração.

– O Publique-se, da Saraiva, também conta com um manual com dicas para os escritores. Veja: https://www.saraiva.com.br/publique-se.

6) Capa – Invista, principalmente se for o caso de um livro físico. A capa é fundamental para convidar o leitor a se aproximar do livro.

7) Divulgação – É difícil conseguir espaço na mídia para divulgar lançamentos, pelo volume de livros e diversidade de assuntos no mercado editorial. Use ao máximo suas redes sociais e foque no seu nicho de leitor. E, como a Carina descobriu no início de sua trajetória, propagandas virtuais são uma alternativa, como anúncios em blogs que conversem com seu público-alvo.

8) Distribuição – Algumas livrarias físicas negociam com o próprio autor, mas a maioria pede nota fiscal, entre outras dificuldades que podem aparecer. Por isso, pode ser uma boa ideia contratar um distribuidor para que seu livro atinja o maior número possível de livrarias. Mas ajude informando as características do seu nicho.

*As dicas – com exceção dos sites de autopublicação – foram enviadas pela professora da ESPM Rio Isabella Perrotta.

Bienal do Livro | Jenny Han esbanja simpatia durante o Encontro com autores

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Bárbara Alen, no Cabana do Leitor

Um dos espaços mais disputados na Bienal do Livro é o auditório em que acontecem as atividades de Encontro com Autores; no último sábado (02/09), quem marcou presença no horário da manhã foi a fofíssima Jenny Han, autora da séria “Para todos os garotos que já amei”.

A autora já chegou muito animada e sorridente, respondeu todas as perguntas da maneira mais sincera. Na primeira parte, a mediadora fez algumas perguntas e logo passou a bola para os fãs que estavam desesperados para ter o seu momento com a autora e tirar aquela casquinha e dizer o quanto ela é fofa.

Uma das perguntas abordadas foi o fato de como ela vem encarando o governo Trump e a questão dos imigrantes, e ela foi muito bem na resposta ao dizer que para ela esse livro representa qualquer garota que entrar em uma livraria, ela com certeza vai ver a si mesma, principalmente se ela tiver outras descendências. Para ela, histórias assim são bem raras nos Estados Unidos. Outra coisa que ela destaca é o fato de tentar levar para a história experiências que todo mundo passa na vida.

Sobre o filme, ela diz: “As gravações já terminaram! E eu estive no set recentemente e foi uma experiência maravilhosa ver meus personagens nas telas e ganhando vida”. Mas nem tudo é maravilha. Ela falou sobre a dificuldade é achar atrizes asiáticas, e no caso dela precisava de 3! Mas deu tudo bem e no final as atrizes se deram muito bem e Janel Parrish, que fará a Margot, acabou se tornando uma verdadeira irmã mais velha.

Também foi perguntado como ela se sentia ao saber que os personagens não são reais, muito divertida ela disse: “Eu não fico triste, eu tenho muito da Lara Jean, mas também tenho muito da Margot e Kitty. Todos os meus personagens têm um pouco de mim neles. Então, para mim, eles são reais, porque eu sou real! (risos)”. Maravilhosa, não é? Um dos momentos mais tristes do encontro foi quando a Frini, mediadora, perguntou se realmente não existia chance de termos mais uma história das irmãs Song, e a resposta foi um claro “Não!”, mas ela explicou: “Na verdade eu ia fazer apenas 2 livros, o terceiro foi surpresa pra mim. Estou desenvolvendo um novo, mas é muito cedo,porém espero que gostem”. Ok, foi ruim e bom ao mesmo tempo, pois já sabemos que temos coisas novas vindo!

Se ela deu dicas para quem quer começar a escrever? Claro que deu, a fofíssima disse que todos os dias ela tem inspirações só de observar as coisas do cotidiano, porém o mais importante é encontrar a sua própria voz, não existe nenhuma história a ser completamente única, o que será original é o seu ponto de vista. E o que ela faz quando bate aquele desespero de acabar a inspiração? Ela também responde: “Quando estou perdendo a inspiração eu escuto música, assisto filme, ligo para um amigo e isso me faz voltar. ”

Para quem ainda não leu a trilogia Para todos os garotos que já amei, temos aqui no site a resenha de todos eles! E para você que ainda não foi a Bienal, corra, ela vai até o dia 10/09.

Não perca!

A cada Bienal, autores-sensação arrastam número maior de fãs

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Adolescentes à espera da youtuber e escritora Kéfera, na Bienal de 2015 - Fernando Lemos / Fernando Lemos

Adolescentes à espera da youtuber e escritora Kéfera, na Bienal de 2015 – Fernando Lemos / Fernando Lemos

 

Nas últimas edições, evento vem se adaptando para dar conta da explosão de celebridades

Publicado em O Globo

RIO – Em 2015, cerca de dois mil adolescentes se acotovelavam ansiosos em frente ao Palco Maracanã do Riocentro à espera da youtuber, atriz e, é claro, escritora Kéfera Buchmann, de 24 anos, que lançava seu primeiro livro, “Muito mais que 5inco minutos”, na 17ª Bienal. Ela, que volta nesta edição para lançar “Querido dane-se” (Paralela), sua primeira ficção, subiu ao palco visivelmente emocionada.

— Cheguei chorando mesmo! Estava com a câmera na mão, porque ia fazer um vídeo para o meu canal, e não acreditava naquela imagem, no que estava acontecendo… Por ser um evento literário, não necessariamente do meu ramo, não imaginei que fosse ter tanta gente. Me tremi inteira. Ficamos até umas 22h, acabaram as senhas… Mas continuei autografando livro, tirando fotos. Eu me lembro de abraçar as pessoas, muito agradecida por elas terem ido lá — conta.

A cada edição do evento, alguns autores ficam marcados por arrastar números cada vez maiores de fãs. Além da youtuber, neste ano quem tem potencial de ser sensação é a atriz e cantora paranaense Larissa Manoela, de 16 anos, que autografa “O mundo de Larissa Manoela” (Harpercollins), seu segundo livro. Isso porque, segundo ela, seu maior numero de fãs está no Rio de Janeiro.

— Lancei meu livro num shopping do Rio, e quatro mil pessoas apareceram para pegar senha. Algumas madrugaram para guardar lugar. Fiquei bastante surpresa, porque vemos gente acampando para shows, mas para livro é algo novo. Fiquei muito feliz, mas é uma doideira!

Nas últimas edições, a Bienal vem se adaptando para dar conta da explosão de celebridades.

— Em 2013, com o fenômeno Nicholas Sparks (autor de best-sellers como “Diário de uma paixão” e “O melhor de mim”), vimos que a relação do público com os autores estava mudando. Além de comprar livros, as pessoas querem fazer parte da experiência, viver a Bienal, conhecer seus autores preferidos, pegar autógrafos e estar perto. Sentimos necessidade de mudar a infraestrutura também. Hoje há equipe para cuidar dessas estrelas e espaços para receber os visitantes. Em 2015 foram criados o Palco Maracanã e a Praça Copacabana, com uma cabine de autógrafos. Neste ano são três cabines — explica Tatiana Zaccaro, diretora do núcleo de cultura da Fagga/GL Events Exhibitions, empresa que organiza a Bienal junto com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). Tatiana também selecionou cinco autores que devem dar o que falar nesta edição (leia abaixo).

GARANTA SEU LUGAR

PAULA HAWKINS. Autora do best-seller “A garota no trem”, a britânica vai falar, no dia 2, sobre a adaptação para o cinema de seu novo livro, “Em águas sombrias”.

LARISSA MANOELA. Ela conversa com Thalita Rebouças, cujo livro “Fala sério, mãe!” foi adaptado para o cinema com Larissa no elenco, no dia 5. Em seguida Larissa dará autógrafos.

KÉFERA. A youtuber escreve desde os 13 anos, quando fazia ‘fanfics’ na época da série “High school musical”. Ela fala e faz sessão de autógrafos no dia 7.

LEANDRO KARNAL. Professor e filósofo, ele tem mais de um milhão de seguidores nas redes sociais e participa de mesa sobre pós-verdade, no último sábado do evento, dia 9.

CARL HART. Primeiro neurocientista negro a se tornar titular da Universidade de Columbia, em Nova York, ele discute a descriminalização das drogas, também no dia 9.

O que os baianos leem? Levantamento inédito revela que os autores mais buscados nas bibliotecas nasceram no estado

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Verônica foi quem mais pegou livros emprestados este ano (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Verônica foi quem mais pegou livros emprestados este ano (Foto: Marina Silva/CORREIO)

A pedido do CORREIO, a Fundação Pedro Calmon destacou os 40 livros mais procurados nas sete bibliotecas do sistema nos últimos seis meses

Thais Borges, no Correio 24Horas

Pedro Archanjo gostava mesmo de estudar o povo baiano, enquanto Totonhim tentava assimilar a volta de seu irmão à vida dura do sertão. Gustavo se encantou com a voz de Célia, a moça que vendia pãezinhos de queijo no Largo da Palma, ao passo que Dindinho sofria com a morte precoce da irmã Estelinha. E, no meio de todos esses casos da literatura, há gente como a estudante de Letras Verônica Batista, 26 anos, que não resiste a uma boa história e quase mora na Biblioteca Central, nos Barris.

A verdade é que baianos gostam de ler baianos. Seja um clássico como Jorge Amado, criador de Pedro Archanjo, seja um contemporâneo como Aleilton Fonseca e seus Dindinho e Estelinha. Mas baianos também não resistem aos já tradicionais best-sellers como Harry Potter, A Cabana e A Menina que Roubava Livros. Para completar a estante, Os 13 Porquês e A Culpa é das Estrelas. Os dados são resultado de um levantamento inédito da Fundação Pedro Calmon (FPC), responsável pelo Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas da Bahia.

A pedido do CORREIO, a FPC destacou os 40 livros mais procurados nas sete bibliotecas do sistema nos últimos seis meses. O resultado chamou atenção: os seis primeiros lugares são de livros de escritores baianos. Jorge Amado, Antônio Torres, Helena Parente Cunha, Adonias Filho e Aleilton Fonseca deixaram para trás outros clássicos da literatura mundial.

Eles lideram um top 10 com títulos como A Cabana, de William P. Young – apesar de ter lido lançado originalmente em 2008, voltou aos holofotes graças ao lançamento do filme homônio este ano –; Os 13 Porquês, de Jay Asher – outro livro que chegou ao Brasil em 2009, mas foi impulsionado pela polêmica série 13 Reasons Why, da Netflix –; e Um Mais Um, de Jojo Moyes, a britânica que é a nova queridinha dos fãs de histórias românticas.

“Os escritores baianos estão tendo destaque sim, não só por (terem obras cobradas em) vestibular, mas pela produção editorial. A geração de 1980 para cá produziu muito. A gente tinha uma coleção dos ‘novos baianos’ na fundação e a procura era grande”, explica a diretora do sistema, Carmen Azevedo. A maioria das obras dos baianos está na lista dos livros cobrados para a selação da Universidade do Estado da Bahia (Uneb). Outros também figuraram, por anos, na lista de livros do antigo vesbitular da Universidade Federal da Bahia (Ufba), antes da instituição aderir ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Autor do segundo livro mais procurado do ano (Essa Terra), Antônio Torres passou dois anos e meio para escrever a história. Mas, apesar de o texto ter sido condensado em cerca de 100 páginas, estava tão cansado como se tivesse escrito 500. Estava no Rio de Janeiro quando um primo jornalista contou a história de outro primo deles que saíra do interior da Bahia para São Paulo. Voltou para a Bahia, frustrado, e cometeu suicídio.

“Fui para Sátiro Dias (no Nordeste do estado) saber a história desse homem e ninguém me contava. Achei que tinha perdido a viagem até compreender que o sonho daquele lugar era partir. Aquele que partiu, voltou e se matou também matou aquele lugar. Eu tinha que esquecer o repórter que sempre fui para ser o romancista que já era. Por isso, tudo que há de real é a informação de um homem que foi para São Paulo e se matou. O resto, a ficção fez por ela mesma”, contou o escritor, que ocupa a cadeira nº 9 na Academia de Letras da Bahia. A obra, lançada em 1976, já foi publicada até no Vietnã.

Para o escritor Evanilton Gonçalves, a distribuição dos livros também está ligada ao ranking de livros mais lidos. “Temos autores nacionais, que são mais conhecidos e que têm uma distribuição maior dos livros. É o mesmo que acontece com os best sellers, que são editados por grandes editoras e têm um alcance maior. E hoje na internet existem muitos canais que recomendam os livros, que desperta aquilo de “tem que ter”, por isso acabam que eles estão em mais lugares também para a compra”, observa.

Empréstimos

Na Biblioteca Central, os livros dos baianos campeões já ficam até mesmo separados, para facilitar que os funcionários os encontrem. “Os clássicos são muito incentivados pelos pais e por professores, não só devido ao vestibular. Jorge Amado, por exemplo, é um autor que o tempo não limita. E os jovens têm procurado muito por serem livros que trazem uma Bahia diferente da que vivemos”, opina a subgerente do setor de empréstimo da unidade, Elzimar Cerqueira.

Hoje, são mais de 24 mil pessoas cadastradas nas bibliotecas estaduais. Este ano, foram cerca de 8,5 mil empréstimos – de um universo de mais de 400 mil exemplares. Mesmo assim, para Carmen Azevedo, não houve queda nos últimos anos, nem concorrência com outras plataformas. “Existe uma mudança que a gente tem que acompanhar. Tem gente que leva seu tablet e faz a leitura. A gente não pode limitar a leitura ao livro, mas falar em leitura de mundo, pelas artes, pela dança e pela linguagem”.

E, se depender da estudante de Letras Verônica Batista, o número de empréstimos deve continuar aumentando. Só este ano – e apenas na Biblioteca dos Barris – Verônica pegou 74 livros emprestados. Se a unidade tivesse um título de ‘campeã dos livros’, certamente seria dela.

“Mas eu pego livro em todo lugar. Aqui, na (biblioteca) Thalles de Azevedo, na (biblioteca) Juracy Magalhães, na da Ilha de Itaparica… Demoro três dias, no máximo, para ler, não importa o tamanho. Rodo a cidade toda atrás de livros, porque não compro livros novos”, conta a jovem, que mora no Engenho Velho de Brotas. Dos 45 livros mais lidos este ano, ela só não leu quatro. Diz que estão na lista. “Tendo uma boa história, eu vou levar”.

As irmãs Beatriz, 16, e Glória Cerqueira, 14, ainda estão praticamente engatinhando no universo das bibliotecas. Cada uma fez sua própria estreia na última semana: Beatriz escolheu Crepúsculo, de Stephenie Meyer, enquanto Glória preferiu Divergente, de Veronica Roth. “A gente estava passando por aqui, porque moramos no Barbalho, e decidimos vir. Eu já tinha visto o filme Divergente e, como gosto de ação, escolhi começar por ele”, conta Glória. Pela empolgação, parece que a presença dos livros na vida das novas leitoras deve aumentar.

Reforço escolar

Para o mestre em estudo de Linguagens Caio Brito, a escola é um dos grandes incentivadores da leitura e, por isso, os livros que eram cobrados em vestibulares aparecem como os mais lidos. “A escola é um dos grandes incentivadores da leitura, assim como os amigos, a família e a própria internet também são. Mas considerando que alguns desses livros são cobrados por vestibulares, podemos dizer que a escola exerce grande influência nessa lista”, opina o professor da Unijorge.

Ainda segundo Caio, os livros apresentam características semelhantes entre si, o que incentiva a identificação dos leitores com essas obras. “Existe a questão de identificação, sem sombra de dúvidas, do proprio Jorge Amado, que retratam o dia a dia pela cidade, e as pessoas conseguem identificar os lugares por meio das obras”, afirma.

No entanto, Caio lembra que a diversidade das obras é uma tendência que tem acontecido em todo Brasil. “No último relatório de retratos de literatura no Brasil, perguntaram ao sujeito qual o último livro que você leu, e nessa lista tem Augusto Cury, Paulo Coelho, Alan Kardec, chegando à youtuber Kéfera, o que mostra a influência da internet. Hoje temos muitos canais no Youtube que incentivam a leitura, com indicações e opiniões sobre livros”, completa.

Autor do quinto livro mais lido, o escritor Aleilton Fonseca afirma que todos os livros têm o seu valor. “A Cabana é uma leitura boa também, por exemplo. Existe os livros de momento e os que passam de geração para geração, mas a literatura sempre ensina alguma coisa”, explica.

Ele conta que já sabia do interesse de muitos jovens por seus livros, mas não sabia que estava entre os mais buscados. “É um livro que tem sido muito adotado nas escolas e está na lista da Uneb. Sou muito procurado, os alunos fazem trabalho. A gente quer que os jovens leiam mais e, quando a gente nota que há uma busca pelos livros de literatura, de conteúdo, é muito bom”.

Confira a lista completa dos livros:

1º – Tenda dos Milagres, de Jorge Amado

2º – Essa Terra, de Antônio Torres

3º – Além de Estar: Antologia Poética, de Helena Parente Cunha

4º – O Largo da Palma, de Adonias Filho

5º -O Desterro dos Mortos, de Aleilton Fonseca

5º – A Vida e A Morte de Quincas Berro D’Água, de Jorge Amado

6º – A Cabana, de William P. Young

7º – Macunaíma, de Mário de Andrade

8º – Os 13 Porquês, de Jay Asher

9º – Um Mais Um, de Jojo Moyes

10º – Vidas Secas, de Graciliano Ramos

11º – Harry Potter e a Câmara Secreta, de J.K.Rowling

12º – A Última Tragédia, de Abdulai Sila

13º – A Gloriosa Família, de Pepetela

14º – Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago

15º -A Menina que roubava livros, de Markus Zusak

16º – Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J.K. Rowling

17º – Nunca desista de seus sonhos, de Augusto Cury

18º – Crime e Castigo, de Fiodor Dostoiévski

19º – A última carta de amor, de Jojo Moyes

20º – Só o amor consegue, de Lucius (Espírito)

21º – Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado

22º – Desaparecidas, de Tess Gerritsen

23º – O Aliciador, de Donato Carrisi

24ª – Fortaleza Digital, de Dan Brown

25º – Em Chamas, de Suzanne Collins

26º – Depois de Você, de Jojo Moyes

27º – Quem é você, Alasca?, de John Green

28º – A Coisa, de Stephen King

29º – Lolita, de Vladimir Nabokov

30º – 1889, de Laurentino Gomes

31º – O caçador de pipas, de Khaled Hosseini

32º – A Culpa é das Estrelas, de John Green

33º – A Deusa Cega, de Anne Holt

34º – A Guerra dos Tronos – Vol. 1, de George R. R. Martin

35º – A Garota Italiana, de Lucinda Riley

36º – O Ladrão de Raios, de Rick Riordan

37º – A Casa de Hades, de Rick Riordan

38º – O príncipe maldito, de Mary Del Priore

39º – Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban, de J. K. Rowling

40º – A Estrela que Nunca Vai se Apagar, de Esther Earl

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