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Melhor tarde do que nunca: nos EUA livro é devolvido passados 100 anos

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Um norte-americano devolveu à biblioteca da cidade de São Francisco um livro que tinha sido pedido emprestado pela sua avó 100 anos antes.

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Publicado no Sputinik Brasil

A informação foi divulgada pelo jornal San Francisco Chronicle.

O livro devolvido é uma coletânea de contos de Francis Hopkinson Smith, intitulada “Forty Minutes Late and Other Stories” (“40 Minutos Mais Tarde e Outras Histórias” na tradução do inglês), que a avó de Webb Johnson pediu emprestado em 1917.

Segundo o neto, a avó faleceu muito jovem, uma semana antes da data em que o livro deveria ser devolvido à biblioteca. O homem descobriu o livro em 1996, mas não o devolveu logo porque acreditou que fosse propriedade da família, por estar em casa há tantos anos. Ao devolver o livro, Johnson só deu um suspiro triste, admitindo se sentir culpado por não entregar o livro durante mais de 20 anos. A biblioteca decidiu não cobrar multa por expiração do prazo de devolução do livro, uma vez que atualmente está realizando uma ação para reaver livros que por razões diferentes acabaram não foram entregues no prazo devido. Um incidente semelhante tinha lugar no Reino Unido no ano passado, quando uma reformada devolveu a uma biblioteca escolar um livro 63 anos após o ter pedido.

Foto: Valeri Menilkov

Estudante rifa livros escritos pelo avô para ir à Bienal do Livro em São Paulo

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Diego Varella, de 13 anos, conta que lê, geralmente, um livro por semana (Foto: Arquivo pessoal/Diego Varella)

Diego Varella, de 13 anos, conta que lê, geralmente, um livro por semana (Foto: Arquivo pessoal/Diego Varella)

 

Diego Varella, de Cachoeira Paulista, foi a São Paulo com valor arrecadado.
Ele conta que lê um livro por semana e juntou R$ 400 para usar na feira.

Camilla Motta, no G1

Para realizar o desejo de ir a Bienal do Livro, um estudante de 13 anos rifou seis livros escritos pelo próprio avô para conseguir dinheiro para ir à feira — que chega ao fim neste fim de semana. Ele conseguiu arrecadar R$ 400 para pagar as despesas e comprar novos livros.

Diego Varella mora em Cachoeira Paulista (SP) e embarcou para São Paulo neste sábado (3). Com a falta de dinheiro para bancar os custos da viagem, entrada do evento e a aquisição de novos livros, o pai dele deu a ideia de fazer a rifa.

Ele arrecadou dinheiro para comprar novos livros (Foto: Arquivo pessoal/Diego Varella)

Ele arrecadou dinheiro para comprar
novos livros
(Foto: Arquivo pessoal/Diego Varella)

“Meu pai deu a ideia e achei legal porque queria muito ir. Meu avô deu os livros e começamos a vender as rifas. Agora, além de ter dinheiro para ir, vou conseguir trazer alguns livros novos também. Estou muito feliz por ter conseguido”, conta Diego, que já visitou bienais de outras cidades anteriormente.

Ele fez duas rifas e cada uma tinha como prêmio três livros. Somadas, foram vendidas mais de 400 rifas no valor de R$ 10. Tudo foi vendido em um mês. Os sorteados receberam o prêmio nesta sexta-feira (2). “É um grande evento e tem muitas novidades na literatura. O dinheiro é para comprar esses livros diferentes e lançamentos que eu ainda não li. É o lugar de quem gostas de ler”, diz.

Leitura
O amor pelos livros e o hábito pela leitura são heranças do avô Carlos Varella, que já tem nove livros de contos publicados e acaba de produzir um inédito. A prática de Varella acabou incentivando o neto a entrar no universo literário. O primeiro livro do avô foi lido por Diego aos oito anos. Atualmente, ele afirma ler cerca de um livro por semana e tem preferência pelo gênero da fantasia.

“A leitura abre os horizontes, te faz conhecer e descobrir coisas novas. A leitura faz parte da minha vida e do meu conhecimento”, contou o estudante

Para o avô, o hábito de Diego é motivo de orgulho. “Sempre incentivei ele e minha outra neta a lerem. Isso me deixa muito contente porque eu também gosto muito de ler e escrever. O mais legal é que todo mundo na idade dele é muito conectado com a internet, sempre está no celular ou no computador, e ele sempre está com um livro”, contou.

‘Eu nasci de novo’, diz avó que voltou a estudar por causa do neto

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Maria das Mercês Silva, 66, voltou a estudar para ajudar no neto nas lições de casa

Maria das Mercês Silva, 66, voltou a estudar para ajudar no neto nas lições de casa

Jorge Olavo, no UOL

A faxineira Maria das Mercês Silva, 66 anos, queria ter ido para a escola quando era menina, mas o pai sempre achou que estudo era coisa de homem. Mulher tinha que se dar bem na cozinha, dizia ele. Sem saber ler e escrever, a menina cresceu, casou, cruzou o país, virou mãe, separou e tornou-se avó.

Depois de tantos capítulos vividos em Pernambuco, Paraná, Distrito Federal e São Paulo, ela diz que nasceu de novo. O renascimento começou há dois anos, quando, incentivada pelo neto, dona Maria passou a frequentar a escola pela primeira vez.

Mãe de nove filhos e com a família toda em São Paulo, a pernambucana e radicada em Curitiba (PR) não perde uma aula sequer. Segundo a pedagoga Priscila Correia Costa, dos exercícios de matemática aos treinos de educação física, a vovó participa de todas as atividades propostas pelos professores da Escola Municipal Rachel Mader Gonçalves.

“Ela não falta aula. Empresta livros toda semana. Ela evoluiu muito”, afirma Priscila. Maria está no 2º período do EJA (educação de jovens e adultos) – o equivalente ao 4º e 5º anos do ensino fundamental – em uma turma de 12 alunos com idades entre 36 e 71 anos.

O principal estímulo vem do neto Felipe Alexandre Feitosa dos Santos, 10 anos, que vive com a avó desde que tinha 1 ano e 6 meses. Sem contato com os pais desde então, o menino sempre foi incentivado a estudar pela avó. A situação se inverteu quando Felipe passou a pedir ajuda nas tarefas escolares e, como resposta, ouvia o choro de Maria. “Eu chorava porque eu não conseguia ajudar nas tarefas”, lembra. “Vovó, vamos para a escola. Vai ser bom para você. Você vai aprender e vai me ensinar”, passou a dizer o neto.

A senhora criada na roça cedeu ao apelo do neto e fez matrícula na escola. O primeiro ano foi de muitas faltas, mas, diante da marcação cerrada de Felipe, a assiduidade às aulas nunca mais foi um problema. Sempre que possível, avó e neto vão para a escola de bicicleta.

Enquanto Maria está em aula, Felipe aguarda em uma sala de acolhimento, onde brinca e desenvolve atividades educativas. “Ela já melhorou muito. Reconhece palavras, escreve e sabe ler. Eu costumo corrigir as lições dela, mas eu quero que um dia ela corrija as minhas”, diz o “futuro advogado”, que frequenta o 5º ano na Escola Municipal Marumbi.

A história de Maria das Mercês e Felipe chamou inclusive a atenção do poder público. Felipe tornou-se um herói mirim do projeto Kids of Curitiba, que retrata o perfil de crianças vencedoras e com histórias de superação no perfil da Prefeitura de Curitiba no Facebook.

Com os avanços que já obteve na escola, Maria orgulha-se em dizer que agora não tem mais medo de andar de ônibus. Antes, sem saber ler, era um desafio praticamente impossível. “Eu estou muito feliz. Estou igual a uma criança. Sabe quando a pessoa está cega e começa a enxergar? É isso que está acontecendo comigo hoje. Aprendendo a ler e a escrever, eu nasci de novo”, diz a faxineira que sonha continuar os estudos para ser professora.

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