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Formaturas ‘vips’ têm baile de luxo de R$ 2 milhões para 10 mil convidados

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Poli-USP e Direito-PUC são consideradas as maiores festas de São Paulo.
Bailes contam com shows de Paralamas do Sucesso e Ivete Sangalo.

Cerca de 460 formandos participaram do baile de formatura da Poli-USP em 22 de fevereiro no Expo Center Norte para 10 mil convidados (Foto: Divulgação/ÁS Formaturas – Enjoy/Julio Fugimoto)

Cerca de 460 formandos participaram do baile de formatura da Poli-USP em 22 de fevereiro no Expo Center Norte para 10 mil convidados (Foto: Divulgação/ÁS Formaturas – Enjoy/Julio Fugimoto)

Ana Carolina Moreno, no G1

Os meses de fevereiro e março marcam o encerramento oficial de cursos de graduação em todas as partes do Brasil. Em São Paulo, alguns dos bailes de formatura que acontecem após a colação de grau chegam a reunir cerca de 10 mil convidados em festas que podem custar até R$ 2 milhões. Muitas tradições se mantêm durante os anos, como a valsa entre os formandos e seus pais e mães. Mas o mercado cada vez mais aquecido de empresas especializadas traz inovações como sessões de fotos em ambientes que imitam os da profissão dos formandos e até uma exposição de uma Ferrari com videogames de Fórmula 1.

No último sábado de fevereiro, mais de 460 formandos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) participaram de um baile realizado no Expo Center Norte, na Zona Norte da cidade, para dez mil pessoas. Segundo dados da comissão de formatura do curso, cada estudante que aderiu ao evento pagou a partir de R$ 2.690, valor que dá direito a dez convites para familiares no baile e quatro convites para a colação de grau, que neste ano foi realizada dois dias antes com direito a um jantar de gala. Os convites avulsos para a colação saíram a R$ 120, e os do baile foram fixados em R$ 250.

Baile da Poli-USP, em fevereiro (Foto: Divulgação/ ÁS Formaturas – Enjoy/Márcio Bulhões)

Baile da Poli-USP, em fevereiro (Foto: Divulgação/
ÁS Formaturas – Enjoy/Márcio Bulhões)

Na festa, além de comidas e bebidas à vontade, os convidados aproveitaram shows de quatro atrações musicais: Paralamas do Sucesso, João Bosco e Vinicius, Molejo e Banda Eva. Com 750 alunos ingressantes por ano, a Poli já chegou a ter 550 formandos em bailes de formatura para mais de 12 mil pessoas. Atualmente, porém, a quantidade de adesões foi reduzida, segundo a comissão, em parte por causa do grande número de estudantes participando de programas de intercâmbio como o Ciência sem Fronteiras, e que adiaram a conclusão do curso.

No dia 22 de março será a vez de os formandos do curso de direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo vestirem roupa social e dançarem valsa no mesmo Expo Center Norte. A estudante Mônica Nishikawa Machado, de 22 anos, uma das 15 pessoas na comissão de formatura, afirma que o valor total gasto no pacote contratado foi de cerca de R$ 2 milhões, um dos valores mais altos do mercado.

A maior festa em número de formandos é a da Poli-USP; neste ano, são mais de 460

No curso de direito da PUC, o pacote de adesão dos cerca de 410 formandos deste ano variou entre R$ 3.825 e R$ 4.300

“A gente queria fazer a melhor festa que pudesse imaginar, mas ao mesmo tempo que pudesse ser acessível”, afirmou ela ao G1. Por isso, os pacotes de adesão começaram a ser vendidos ainda em 2011, e os primeiros a aderirem puderam parcelar o pagamento em 26 parcelas. O valor promocional no lançamento do pacote foi de R$ 3.825, mas hoje, com a correção pelo IGP-M, chegou a R$ 4.300. Segundo Mônica, 410 pessoas fizeram a adesão.

O alto preço também vem com uma recompensa: as 8 mil pessoas esperadas na festa em março vão curtir os shows do Bloco do Sargento Pimenta e de Ivete Sangalo. Mônica explica que o nome da cantora surgiu no início do planejamento do baile e a contratação foi fechada há um ano.

“A gente está com expectativa bem grande”, explicou Mônica. Outra grande atração em eventos do tipo é o show da cantora Cláudia Leitte. A assessoria de imprensa de Ivete Sangalo confirmou a participação da artista no baile dos formandos da PUC em março, mas diz que não divulga valores de cachê. Segundo Jorge García Pellicer, gerente de marketing da empresa Ás Formaturas, o cachê de contratação de bandas podem variar entre R$ 2 mil até R$ 400 mil, dependendo da popularidade do artista.

Serviços personalizados

Formatura da Poli é considerada a maior em número de formandos, e já chegou a ter 550 deles em um ano (Foto: Divulgação/ÁS Formaturas – Enjoy/Julio Fugimoto)

Formatura da Poli é considerada a maior em número de formandos, e já chegou a ter 550 deles em um ano (Foto: Divulgação/ÁS Formaturas – Enjoy/Julio Fugimoto)

Além da música, os serviços de comida, bebida e decoração também variam de preço e nível, de acordo com o orçamento do evento. “Tem de todo o tipo, desde bandas top, como Latino, Jota Quest, Raimundos, Banda Eva, Sidney Magal, Jorge Ben Jor. Mas tem atrações mais simples, como uma de tributo aos Mamonas Assassinas, duplas sertanejas mais simples que fazem cover. Tem a banda Osvaldo Rock, que toca rock dos anos 90 até agora, é uma banda de que todo mundo gosta muito”, afirma Pellicer.

Os valores totais de participação individual de formandos começam a partir de R$ 1.500, mas podem chegar a quase três vezes o valor. Segundo ele, 100 funcionários são contratados pela Ás Formaturas para trabalhar exclusivamente com os estudantes prestes a receberem o diploma de graduação, e a empresa realiza cerca de 70 bailes por ano.

Paralamas do Sucesso foi uma das atrações do baile (Foto: Divulgação/ÁS Formaturas – Enjoy/ Noemia Paranhos e Julio Fugimoto)

Paralamas do Sucesso foi uma das atrações do
baile (Foto: Divulgação/ÁS Formaturas – Enjoy/
Noemia Paranhos e Julio Fugimoto)

Pellicer explica que é possível fazer festas semelhantes com orçamentos diferentes –nesse caso, os bailes mais baratos têm produtos de qualidade inferior e bandas menos famosas. “O papel da empresa é escolher os itens da festa que já foram combinados. Os formandos têm esse dinheiro e não pode ultrapassar isso [o valor total], então a gente tem que entregar a melhor festa com esse dinheiro. Por exemplo, chegou a hora de escolher a decoração, os lustres, dentro do orçamento que eles podem pagar tem esse e esse, a gente pergunta qual eles querem”, diz ele.

A adesão de cada formando dá direito, além dos convites do baile e da colação de grau, à participação de pré-eventos de integração entre os estudantes. Em geral, esse evento é realizado em forma de um churrasco, mas os formandos podem optar por alternativas. No ano passado, um dos grupos de formandos da Poli-USP fechou um espaço para assistir à partida final da Copa das Confederações, entre Brasil e Itália.

Além disso, segundo a empresa Ás Formaturas, a adesão também inclui a participação em clubes de descontos com cerca de 80 parceiros, que incluem casas noturnas, lojas de aluguel de vestidos e empresas de viagens.

“As empresas têm que se esforçar muito em apresentar ideias diferentes. Às vezes o orçamento acaba sendo o mesmo, mas você tem a capacidade da empresa para que seja viável fazer alguma coisa boa.” Alguns formandos também já incluíram nas festas itens gratuitos, com patrocínio de empresas. Segundo Pellicer, marcas de pasta de dente já distribuíram kits de higiene, marcas de bebidas já montaram lounges temáticos dentro do baile e houve até um lounge onde formandos jogaram videogame dentro de uma Ferrari.

“As faculdades são muito exigentes. Tem que ter sempre uma coisa diferente para que cada festa seja única. A gente tenta inovar para surpreender, mas tem que ter uma série de itens de planejamento que não pode mudar”, explicou o gerente de marketing. Entre eles estão a necessidade de que não haja fila nos bares, na mesa de comidas e nos banheiros, que as saídas de emergência tenham fácil acesso, e que a pista de dança não atrapalhe os convidados que estão jantando nas mesas. O resto fica a critério da criatividade.

Colação de grau dos formandos da Poli-USP incluiu jantar de gala após a cerimônia (Foto: Divulgação/ÁS Formaturas – Enjoy/Julio Fugimoto)

Colação de grau dos formandos da Poli-USP incluiu jantar de gala após a cerimônia
(Foto: Divulgação/ÁS Formaturas – Enjoy/Julio Fugimoto)

Aluna passa em 2º lugar em mestrado com projeto sobre Valesca Popozuda

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Mariana Gomes agora é aluna de Cultura e Territorialidades da UFF, no RJ. Projeto discute ideia de que funk seria o último grito do feminismo.

Isabela Marinho, no G1

Mariana Gomes passou em 1º lugar no mestrado em Cultura e Territorialidades na UFF (Foto: Arquivo Pessoal)

Mariana Gomes passou em 1º lugar no mestrado
em Cultura e Territorialidades na UFF
(Foto: Arquivo Pessoal)

Mariana Gomes, de 24 anos, passou em segundo lugar na Pós-graduação em Cultura e Territorialidades da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, com o projeto “My pussy é poder – A representação feminina através do funk no Rio de Janeiro: Identidade, feminismo e indústria cultural. Entre os objetivos do projeto está a desconstrução da ideia de que o funk seria o último grito do feminismo através das músicas de Valesca Popozuda, Tati Quebra Barraco, entre outras. Recentemente, Valesca foi escolhida como patronesse de uma turma de calouros de Mariana.

(Correção: Na publicação desta reportagem, o G1 informou incorretamente que a estudante havia passado em 1º lugar. Posteriormente, Mariana procurou o G1 para dizer que a universidade fez uma correção nas notas e que ela havia ficado em 2° lugar. A informação foi corrigida às 9h45).

A ideia do projeto começou a surgir em agosto de 2008, quando a estudante ainda cursava a graduação em Estudos de Mídia, na mesma universidade. Ao estudar o funk e a sociabilidade da classe trabalhadora no município do Rio, ela visitou bailes funks em lugares como a Rocinha, na Zona Sul, em Santa Cruz, na Zona Oeste, e na Ladeira dos Tabajaras, também na Zona Sul.

“Eu fui observando que havia poucas mulheres cantando e que este papel ficava com os homens. As mulheres só estavam presentes dançando e quando havia erotismo. Parecia que não tinha espaço para a participação feminina em outros assuntos. E o público do baile é em sua maioria feminino”, explica a mestranda. A pesquisa deu origem ao seu projeto de conclusão de curso intitulado “Melancia, Moranguinho e melão: frutas estão na feira – A representação feminina do funk em jornais populares do Rio de Janeiro.”

Ao longo do curso, a aluna pretende discutir se as letras de funk cantadas por Valesca Popozuda e outras intérpretes do gênero são um caso de libertação feminina ou apenas um atendimento da demanda do mercado erótico.

“A MC Dandara, que escreveu “Funk de sainha”, sucesso gravado pela Valesca, escreve músicas de protesto, como o rap “Nossa banheira”. É uma música muito politizada. Mas ela precisa escrever músicas para vender. Então é possível que o erotismo nas letras de funk seja um fator mercadológico. A questão do corpo é o que mais me interessa. A relação entre feminismo e erotismo é perigosa, inclusive para a Valesca. Ela se diz feminista, mas será que é mesmo?”, questiona Mariana, reiterando que em uma das músicas, a cantora de funk diz Mulher burra fica pobre/ Mas eu vou te dizer/ Se for inteligente pode até enriquecer/ Por ela o homem chora/ Por ela o homem gasta/ Por ela o homem mata / Por ela o homem enlouquece / Dá carro, apartamento, joias, roupas e mansão / Coloca silicone / E faz lipoaspiração / Implante no cabelo com rostinho de atriz / Aumenta a sua bunda pra você ficar feliz.

Segundo Mariana, as letras trazem o valor da mulher interesseira. “A cantora afirma o corpo como espaço de liberdade, mas ele pode ser uma prisão, neste caso, porque o objetivo é conseguir bens materiais. Não chega a ser uma prostituição, mas é um jogo perigoso”.

A funkeira Valesca Popozuda é patronesse da turma de Estudos de Mídia da UFF (Foto: Alexandre Durão/G1)

A funkeira Valesca Popozuda é patronesse da
turma de Estudos de Mídia da UFF
(Foto: Alexandre Durão/G1)

Abertura na universidade
A aprovação da aluna em segundo lugar no curso com o tema e escolha de Valesca Popozuda para patronesse de uma turma de Estudos de Mídia indicam uma abertura na Universidade Federal Fluminense para um assunto que nem sempre foi acolhido pelo mundo acadêmico.

“Aquela turma ter escolhido a Valesca foi uma atitude ideológica. Estamos aqui para dizer que não existe baixa cultura. A minha turma escolheu o Saramago [José Saramago, escritor português morto em 2010]. Colocaram os dois em pé de igualdade, talvez para mostrar que a hierarquização da cultura só é prejudicial para a discussão”, considera a estudante.

Pronto falei
Reforçando a discussão da hierarquização da cultura, a jovem lembra das expressões “pronto falei” e “vou confessar que” utilizadas pelas pessoas que dizem que gostam de funk. “É comum você ouvir: vou confessar que gosto da Valesca. As pessoas já sabem que serão julgadas, ou elas mesmas se julgam. É importante quebrar este paradigma de séculos. Fazer isso vir à academia é muito importante”, encerra Mariana.

dica do Sidnei Carvalho de Souza

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