Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged banda

Livro sobre o Planet Hemp será lançado em dezembro

0

O escritor Pedro de Luna em frente ao extinto Garage, fechado em 2001: um ano e meio pesquisando o Planet Hemp Foto: Marcelo Régua / Agência O Globo

O filme, que narra o surgimento da banda, há 25 anos, estreiou dia 18

Mauricio Peixoto, em O Globo

RIO —- Johnny Araújo e Gustavo Bonafé lançaramm nesta quinta-feira, dia 18, o filme “Legalize já: a amizade nunca morre” , que conta a história do encontro entre Marcelo D2 e Skunk, e de como eles fundaram o Planet Hemp, nos idos de 1993. No longa-metragem, o local onde hoje fica um casarão abandonado na Rua Ceará, na Praça da Bandeira, ganha destaque: ali funcionou, até 2001, o Garage, lendária casa de shows onde se apresentaram várias bandas da cena underground carioca e onde, há 25 anos, aconteceu o primeiro show do grupo.

Em paralelo ao filme, o escritor niteroiense Pedro de Luna l ançou um livro contando curiosidades da história da banda , em comemoração a essas duas décadas e meia de sucesso. Ao GLOBO-Tijuca, De Luna falou sobre a edição, da Belas Letras, intitulada “Planet Hemp: mantenha o respeito”, com lançamento previsto para o dia 1º de dezembro.

— Iríamos lançar o livro em outubro, mas para não ser abafado pelo filme, decidimos transferir para dezembro. O foco do filme é na amizade entre D2 e Skunk, que morreu em 1994, antes do lançamento do primeiro disco, em 1995. Eu me debruço também nesse encontro, mas abordo mais curiosidades e histórias da banda como um todo — explica de Luna.

Com oito livros lançados, sendo a maioria sobre o underground brasileiro, de Luna, de 43 anos, diz que a ideia era mostrar que o papel da banda era vanguardista e ia muito além do debate sobre a legalização da maconha, abordando temas como a liberdade de expressão e as críticas políticas. Cenas que marcaram a primeira apresentação, no Garage, e a prisão em Brasília, em 1997, sob acusação de apologia às drogas, não ficaram de fora de “Planet Hemp: mantenha o respeito”.

— Aproveitei os 25 anos do Planet Hemp e decidi voltar à banda. Pesquisei muito, em jornais e revistas, entrevistei todos os músicos com passagens pelo Hemp. Esse trabalho intenso de pesquisa durou um ano e meio — conta.

Livro que conta a trajetória do Planet Hemp será lançado em setembro

0

Criador. Pedro de Luna percorreu histórias da banda para a obra – Roberto Moreyra / Agência O Globo

Pedro de Luna relata histórias do grupo, que completa 25 anos

Daniela Kalicheski, em O Globo

NITERÓI – Fãs alucinados derrubando os muros da antiga Estação Livre da Cantareira durante um show. Uma revista em quadrinhos com apenas duas edições lançadas por conta de um processo por apologia à maconha. Saídas disfarçadas para fugir da “dura” da polícia após apresentações. Essas histórias e outras inéditas estarão na biografia da Planet Hemp, banda que completa 25 anos terça-feira.

O livro “Planet Hemp: mantenha o respeito” será lançado em setembro pela editora Belas Letras. O autor por trás da obra é o jornalista e cartunista Pedro de Luna. Fã de rock, ele fez os registros do primeiro show da banda em Niterói, realizado em 1996, e já acumula oito livros publicados, entre eles “Niterói rock underground”, que mostra a transição da música e seus reflexos na cidade; e “Brodagens”, que narra a trajetória do rock carioca. Foi ele, também, quem criou o movimento Arariboia Rock, que de 2004 a 2015 trouxe shows a Niterói.

— A pesquisa partiu do zero. Vasculhei prêmios, shows, panfletos. Eles falavam de liberdade de expressão num momento em que isso ainda era delicado. Eram atrevidos — diz De Luna, que destaca o músico Skunk como o verdadeiro criador da banda. — Ele morreu em 1994 sem ver o sucesso do grupo. Skunk lia revistas estrangeiras e assim conheceu a Cypress Hill, que misturava hip hop com rock. Daí teve a ideia de fazer igual com o Planet.

Em livro, Marcelo Nova lembra dia em que “salvou” corpo de Raul Seixas

0
O cantor Marcelo Nova, líder do Camisa de Vênus Imagem: Luiz Maximiano/Divulgação

O cantor Marcelo Nova, líder do Camisa de Vênus Imagem: Luiz Maximiano/Divulgação

Leonardo Rodrigues, no UOL

Imagine fazer a festa de lançamento de um disco em um bordel. Marcelo Nova fez. Arranjar confusão com segurança e sair correndo de Kombi do SBT? Rolou. Brigar com fãs que tentavam levar embora o caixão de Raul Seixas: checado. Ser expulso da gravadora da Globo aos palavrões e, anos depois, voltar à empresa e fazer sucesso? Aconteceu.

“Eu sempre fui um paradoxo”, brinca o vocalista da banda Camisa de Vênus, que finalmente tomou coragem para lançar sua biografia, ou quase isso. “O Galope do Tempo” (Saraiva/Benvirá), parceria com o jornalista André Barcinski, traz um bate-papo entre o autor e o músico, que relembra episódios pessoais e do grupo baiano, considerado um das mais importantes dos anos 1980. O livro começa a chegar as livrarias do país nesta semana.

“Eu conheci o Barcinski, com aquele jeitinho dele de Robinson Crusoé que só quer morar na ilha, há uns dez anos. Quando a gente se encontrava, ele sempre aventava a possibilidade de fazermos um livro. Coisa de quatro anos atrás, começamos a conversar. Aí surgiu a ideia de que era mais interessante fazer uma conversa longa. Realmente, eu não tenho tenacidade para me debruçar sobre uma mesa e ficar meses escrevendo sobre minha vida”, afirma ao UOL Marcelo Nova, a quem Barcinski chama, afavelmente, de “tsunami verbal”.

Mais um compilado de memórias do que propriamente uma biografia, o livro é franco, bem-humorado e informativo. Vai mais no trabalho musical do que em questões pessoais, embora rock e vida sejam praticamente a mesma coisa em se tratando de Marcelo Nova. Os trechos mais saborosos são, de longe, os que o cantor disseca “causos” pitorescos, como os citados na abertura deste texto.

“As biografias de rock estão sempre pontilhadas de clichês. Da coisa de comer tietes embaixo do palco, de usar heroína no banheiro. Eu não arranco cabeça de morcego com dente, não corto pescoço de galinho no palco nem quebro televisão ou destruo quartos de hotel. Sou um cara normal”, entende ele, normal só até a página 2.

Veja abaixo algumas das melhores histórias relembradas no livro.

marcelo-nova-e-raul-seixas-1508539696011_v2_750x421

Conhecendo o parça Raul Seixas

“A primeira vez que vi Raul eu tinha uns 10 anos de idade. Raul tinha uns 17. Todo ano meu pai fazia uma festinha de Natal para as crianças do centro de reabilitação (…) Nesse dia, meu pai pôs a música ‘Boogie do Bebê’ [do Tony Campello], e o Raul fez uma dublagem empurrando um carrinho de bebê. Era uma performance muito engraçada: Raul dublava a música e, de repente, de dentro do carrinho saía um sujeito, um amigo dele chamado Waldir Serrão, que depois foi presidente do Elvis Rock Club de Salvador. O Raul fazia a dublagem, dançava o “Boogie do bebê” e, em determinado momento da música, fazia uma pausa, o Serrão levantava do carrinho e fazia o “Brrrrrrrrrr…” do refrão. Aí o Raul dava um tapa na cara dele, ele voltava para o carrinho, e o “Boogie do Bebê” continuava. A molecada adorava.”

a-banda-camisa-de-venus-1508539906899_v2_750x421
Peitando a Globo

“O disco [“Camisa de Vênus”, de 1983] já estava lançado, não tinha mais como mexer. A ideia era que gravaríamos outro álbum, mudando o nome da banda e incluindo músicas mais comerciais, que poderiam entrar em trilhas de novela, além de fazer ‘Globo de Ouro’, ‘Chacrinha’, ‘Fantástico’, todos os programas da emissora. O esquema era grande. Tivemos essa reunião, e perguntaram que nome nós gostaríamos de dar para a banda. Eu disse: ‘Se não pode ser Camisa de Vênus, só vejo um nome possível: CAPA DE PICA!’. E terminou assim a nossa meteórica passagem pela Som Livre. Eles ficaram tão indignados com a minha falta de maturidade que tiraram nosso disco de catálogo imediatamente. ‘Quem são esses baianinhos de merda?'”

camisa-de-venus-1508540196892_v2_750x421

“Correndo Risco” no bordel

“Logo depois que o disco [“Correndo o Risco”, de 1986] foi gravado, o André Midani [executivo da Warner] perguntou onde eu queria fazer o lançamento. Ele disse que tinha acabado de lançar um disco do Ultraje a Rigor no Maksoud Plaza, fazendo o trocadilho ‘Ultraje a Rigor’ com ‘traje a rigor’. E eu disse: ‘Bom, se o Ultraje lançou disco no Maksoud, o Camisa de Vênus tem que lançar num puteiro!’ Ele gostou da ideia. A gravadora então alugou um famoso puteiro de São Paulo, que fica atrás da praça Roosevelt. Eu disse ao André: ‘Sei que nesse evento vão aparecer patricinhas, colunáveis, beatniks, punks, jornalistas, estudantes, modernosos, enfim, a fauna vai ser a mais diversa possível. Mas de uma coisa eu não abro mão: quero o puteiro funcionando, com todas as meninas lá dentro. Os convidados é que vão se agregar ao ambiente’. E assim foi feito. Havia um palquinho onde as meninas faziam pole dance, e nós conseguimos juntar a banda ali e fazer um show.”

Confusão no SBT

“Fizemos o [programa do] Gugu também. Aliás, acho que foram os três playbacks que o Camisa fez na TV: Raul Gil, Flávio Cavalcanti e Gugu. Mas esse no Gugu terminou com porrada com seguranças, com a gente tendo que sair pelos fundos do SBT, porque Robério [Santana, integrante do Camisa de Vênus] havia entrado no banheiro feminino para ficar com uma menina que estava dando bola, e o segurança quis expulsá-lo de lá. O Gustavo mandou o chefe da segurança tomar no cu, e o tempo fechou: apareceu um cara, que parecia uma versão mulata do Stallone, e partiu com mais alguns pra cima de nós todos. Tivemos de fugir numa Kombi, pela porta dos fundos do SBT.”

revista-contigo-imagens-do-funeral-de-raul-seixas-1508540864719_v2_750x421

O roubo do caixão de Raul Seixas

‘A igreja estava lotada, parecia um show ‘sold out’. Aí começamos a ouvir um barulhão do lado de fora, e de repente uns 90 ou 100 malucos invadiram a igreja cantando ‘Viva… viva… viva a sociedade alternativa!’ Eles correram pra onde estava o Raul e saíram de lá levando o caixão! Sim, levantaram o caixão e saíram. Era uma multidão enlouquecida. Os caras sacudiam o caixão, dava pra ouvir o barulho do corpo de Raul batendo lá dentro. Eu gritei: ‘Que merda é essa? Aonde é que vocês pensam que estão indo? Porra, esse cara que está aí dentro é o Raul, vocês estão querendo fazer brincadeira com ele?’ Aí um dos caras que estava na frente, comandando a massa, disse: ‘Espera aê! Marceleza tem razão, porra, nós viemos aqui pra honrar o cara, não é pra fazer festa, não!’ Foi esse cara que salvou o dia, que botou a bola no chão e acalmou a massa, porque estavam todos fora de controle. Queriam levar o corpo de Raul pra passear, pra enfiar baseado na boca!”

 

Confira dez livros para ler ou presentear no Dia do Rock

0
(foto: Divulgação)

(foto: Divulgação)

Publicado no Bem Paraná

O Dia Mundial do Rock é celebrado no dia 13 de julho. Pensando nisso, a Benvirá, selo para cultura, entretenimento e negócios da editora Saraiva, selecionou dez livros sobre o gênero musical para os roqueiros de plantão comemorarem a data. As obras também servem como dicas para quem quer presentear um amigo que gosta de rock n’ roll.

Nothin’ To Lose – A formação do Kiss, Eu sou Ozzy, No ritmo do prazer – amor, morte e Duran Duran e Jagger – A biografia estão entre os dez.

METALLICA – ALL THAT MATTERS

Com mais de três décadas de estrada, 140 milhões de discos vendidos e nove prêmios Grammy, o Metallica é uma das bandas mais importantes do planeta. ‘Metallica – All that matters’ – a história definitiva desvenda cada detalhe do passado da banda, os altos e baixos que levaram o grupo dos estádios para os tribunais e de lá para a reabilitação, enquanto desata os nós de algumas de suas maiores contradições. Com entrevistas inéditas de amigos esquecidos e ex-amantes, aqui está a história completa da banda, sem censura – e tudo o que importa para os fãs do Metallica de todas as gerações. (Benvirá, R$ 30,90)

EU SOU OZZY

Ozzy Osbourne é um dos nomes mais importantes no rock. Ao formar a banda Black Sabbath, ele ajudou a moldar um estilo que, anos mais tarde, se tornaria conhecido no mundo todo e adorado por milhares de fãs. Além do impacto musical, sua personalidade carismática e desvairada foi responsável por sua popularidade. Nos anos loucos em que esteve à frente do Sabbath, Ozzy protagonizou episódios de exageros com drogas, os quais resultaram em sua saída do grupo. Iniciou carreira solo bem-sucedida, também permeada pelos excessos. Após a morte trágica do guitarrista de sua banda e grande amigo Randy Rhoads em um acidente de avião, Ozzy diminuiu o ritmo e a intensidade de seu comportamento, mas nunca o talento. Nesta autobiografia, o “madman” conta em detalhes e com muito humor sua trajetória de sucesso, escândalos, amor e muito rock ‘n’ roll. (Benvirá, R$48,00)

CONFIE EM MIM – EU SOU O DR. OZZY

Pelas leis naturais, Ozzy Osbourne não deveria estar vivo. Ele passou 40 anos usando drogas, ‘comendo’ morcegos e bebendo. Quebrou o pescoço ao andar em um quadrículo a oito quilômetros por hora e ‘morreu’ duas vezes em comas induzido quimicamente. E agora – aos 62 anos de idade – ele está mais saudável e mais feliz do que nunca. Ele é um milagre da medicina! Então, quem melhor do que ele para oferecer conselhos médicos e palavras de conforto ao seu público? Em maio de 2010 do Sunday Times convidou ‘Dr.’ Ozzy para ter uma coluna de aconselhamento. Desde então, ele responde às perguntas que vão desde depressão do cão a dúvidas de adolescentes sobre sexo. Com sensibilidade até então desconhecida pelo público, Ozzy oferece sábios conselhos, entre eles o de se manter longe das drogas – assunto que ele domina. A coluna se tornou um fenômeno, e agora o Dr. Ozzy decidiu reunir todos os seus conselhos em um guia prático. O lema de Ozzy é que se pode sobreviver e desfrutar de uma vida feliz e saudável. (Benvirá, R$ 39,90)

NOTHIN’ TO LOSE – A FORMAÇÃO DO KISS

O cenário musical dos anos 1970 foi marcado por homens maquiados e com roupas espalhafatosas. Quando levaram essas características ao extremo, Gene Simmons e Paul Stanley ficaram a um passo de criar o Kiss. Com maquiagem, roupas chamativas e botas plataforma se transformaram em figuras paradoxais: cativantes e assustadoras ao mesmo tempo. Simmons virou “Demon” e Stanley se tornou “Starchild”. Aos dois, juntaram-se “Space Man” (Ace Frehley) e “Catman” (Peter Criss).

Com duas dezenas de discos lançados e 100 milhões de cópias vendidas, o Kiss é praticamente uma instituição do rock. Em mais de 40 anos de carreira, seu legado parece inesgotável, e sua legião de fã, inabalável. Para explicar o Kiss, o jornalista Ken Sharp, com a colaboração de Stanley e Simmons, vasculhou o passado da banda atrás de material exclusivo e histórias inéditas. E descobriu muito. Mais de 200 entrevistas depois, o resultado é Nothin’ To Lose, um relato íntimo e original sobre os passos iniciais da banda que conseguiu reinventar o rock. (Benvirá, R$ 44,00).

JAGGER – A BIOGRAFIA

Em ‘Jagger’, o jornalista musical Marc Spitz desvenda mistérios de um dos mais polêmicos e importantes personagens do rock de todos os tempos. Spitz traça um perfil de Jagger por meio das lembranças de amigos e colegas – roqueiros, cineastas, escritores e artistas – que cruzaram o caminho do Rolling Stone e revela as múltiplas facetas do cantor, até então escondidas sob sua imagem de sex symbol.

Nada escapa aos olhos e ouvidos atentos de Spitz: a fama de conquistador, os conturbados relacionamentos – com Marianne Faithfull e as ex-esposas Bianca Jagger e Jerry Hall –, a complexa e criativa parceria com Keith Richards e a rivalidade com os Beatles, no começo de tudo. Combinando biografia com história cultural, ‘Jagger’ se desdobra como um documentário vibrante, que vai da infância do artista numa família de classe média em Londres, no pós-guerra, até seu reconhecimento como cavaleiro da Coroa Britânica. Perspicaz, e muitas vezes engraçado, o livro oferece um retrato fiel do homem por trás do mito. (Benvirá, R$34,90)

ROCKS – MINHA VIDA DENTRO E FORA DO AEROSMITH

Antes de fazer shows em grandes arenas como integrante de uma das mais importantes e duradouras bandas de rock do mundo, Joe Perry era um garoto de classe média que vivia numa pequena cidade em Massachusetts, nos Estados Unidos. Nascido em 1950, ele idolatrava Jacques Cousteau, adorava passeios ao ar livre e seu grande sonho era ser biólogo marinho. Mas os vizinhos dos Perry tinham filhos adolescentes que tocavam guitarra… E o barulho que vinha da casa ao lado mudaria de vez sua vida.

A guitarra se tornou sua paixão, um objeto de desejo, uma válvula de escape para sua inquietação e sua alma rebelde. Logo, essa paixão se tornou uma obsessão, e ele montou uma banda. Uma noite, depois de um show, acabou conhecendo um músico jovem e barulhento chamado Steven Tallarico (futuramente, Steven Tyler); pouco tempo depois, nasceria o Aerosmith, na cidade de Boston. E tudo que aconteceu nos 45 anos seguintes é história: brigas homéricas entre os membros da banda, grandes quantidades de drogas e de bebida, internações em clínicas de reabilitação, estádios lotados, músicas de sucesso, disputas com empresários e reconciliações.

Recheado com mais de cem fotos, Rocks é o livro de memórias de uma vida que vai do topo do mundo ao fundo do poço – várias vezes. Fala de paixão e fama, persistência e companheirismo. Ao abordar sua incrível experiência ao lado dos colegas da banda, relata com uma sinceridade impressionante a intensa, porém conflituosa, relação com Tyler. (Benvirá, R$44,00)

COMO O ROCK PODE AJUDAR VOCÊ A EMPREENDER

Nem só de amor à música vivem as estrelas do rock. A profissionalização do setor fica cada vez mais evidente, e o que antes era apenas um grupo de amigos tocando para pequenas plateias tornou-se um negócio. Há algumas décadas, os músicos são empreendedores que têm um negócio (a música) e clientes (os fãs). Em “Como o Rock Pode Ajudar Você A Empreender”, os jornalistas Daniel Fernandes – fascinado por negócios – e Marco Bezzi – apaixonado pelo cenário musical – mostram, por meio das histórias de grandes nomes, como Legião Urbana, Guns N’ Roses e Beatles, lições de negócios que podemos tirar do universo musical. (Benvirá, R$ 24,90)

O BARULHO NA MINHA CABEÇA TE INCOMODA?

Steven Tyler é vocalista da famosa banda norte-americana Aerosmith, formada em Boston, Massachusetts, no início dos anos 70. Sua trajetória como líder da banda é narrada aqui, por ele mesmo, sem cortes: desde a formação como músico; o afastamento para tratar da dependência de drogas, sem muito sucesso; o regresso em 1984, quando, em turnê, Tyler chegou a desmaiar no palco… Ele também narra suas aventuras sexuais e fala do reconhecimento da paternidade da atriz Liv Tyler. Um livro polêmico – como é, muitas vezes, a vida de um astro do rock. (Benvirá, R$44,00)


RELENTLESS – 30 ANOS DE SEPULTURA

Em uma época em que fazer música poderia levar para a cadeia, quatro jovens de Belo Horizonte ousaram se aventurar por um ritmo pouco explorado no Brasil: o metal.

Com músicas polêmicas – “Antichrist” e “Bestial devastation” – e letras em inglês, o Sepultura começou, nos anos 1980, a trilhar um caminho de sucesso que o alçaria ao estrelato internacional. Em Relentless, o americano Jason Korolenko narra a história do grupo criado originalmente por Max, Igor, Jairo e Paulo; desde seu começo, quando o país passava por grandes transformações políticas, até os dias de hoje, com seus 30 anos de carreira. (Benvirá, R$ 39,90)

NO RITMO DO PRAZER – AMOR, MORTE E DURAN DURAN

A juventude dos anos 1980 foi à loucura do som Duran Duran, a banda inglesa que criou algumas das melhores músicas do nosso tempo. Desde seu single de estreia, “Planet Earth”, até seu disco mais recente, All You Needs Is Now, o Duran Duran sempre teve o mundo a seus pés.

A jornada da banda foi emocionante e sem limites e, para John Taylor, quase destrutiva. Agora, pela primeira vez, o baixista conta sua historia de sonhos realizados, lições aprendidas e, principalmente, demônios vencidos. (Benvirá, 42,50)

Engenheiros do Hawaii: livro conta a história da banda que fez sucesso nos anos 1980

0
A primeira formação dos Engenheiros do Hawaii: Marcelo Pitz, Humberto Gessinger e Carlos Maltz Foto: Eurico Salis / Divulgação

A primeira formação dos Engenheiros do Hawaii: Marcelo Pitz, Humberto Gessinger e Carlos Maltz Foto: Eurico Salis / Divulgação

 

Jornalista de ZH Alexandre Lucchese narra a trajetória do grupo que consagrou o rock gaúcho no Brasil no livro “Infinita Highway — Uma carona com os Engenheiros do Hawaii”

Gustavo Brigatti, no Zero Hora

Não era para nevar em Porto Alegre. Não era para uma atriz do quilate de Catherine Deneuve visitar a capital gaúcha. E não era mesmo para uma banda chamada Engenheiros do Hawaii, influenciada por Pink Floyd e Albert Camus, alcançar algum êxito fora daqui. Contrariando todas as expectativas, tudo isso aconteceu e está em Infinita Highway – que ao invés de Uma carona com os Engenheiros do Hawaii, poderia ter como subtítulo Uma biografia do improvável.

Previsto para ser lançado pela editora Belas Letras em outubro, o próprio livro não deveria existir. Seu autor, Alexandre Lucchese, era apenas um calouro na faculdade de Jornalismo quando começou a pensar que a história do grupo gaúcho era digna de ser contada. Uma ideia até meio óbvia, uma vez que os Engenheiros do Hawaii são a banda mais bem-sucedida da história do Rio Grande do Sul em qualquer quesito ou gênero. Não seria surpresa, portanto, que alguém já estivesse debruçado sobre o tema – e o lançamento de uma biografia era questão de tempo.

Mas surpresa mesmo ele teve no final de 2014, trabalhando em um especial sobre os 30 anos da banda para o Segundo Caderno. Durante a fase de apuração, Lucchese notou que ninguém havia escrito nada de substancial sobre os Engenheiros do Hawaii. Era uma janela de oportunidade boa demais para ser desperdiçada.

– Sempre pensei que os Engenheiros dariam uma grande história, especialmente por conta dos seus personagens – explica Lucchese. – E não apenas por causa de quem eles eram, mas o que se tornaram depois. O Augustinho Licks é um guitarrista que hoje não toca mais e evita falar sobre o assunto, o Humberto Gessinger é um poeta com jeitão meio de Peter Pan e o Carlos Maltz virou astrólogo.

O recorte escolhido por Lucchese vai de meados dos anos 1980 até a segunda metade dos anos 1990, período em que a formação clássica dos Engenheiros (Gessinger no baixo, Licks na guitarra e Maltz na bateria) cruzou o Mampituba para ganhar não apenas o Brasil, mas o mundo – incluindo partes dele em que ninguém ousava pisar, como a então União Soviética. Com o fim do trio original e o rompimento musical definitivo de Gessinger e Maltz, é inaugurada uma nova fase na banda que Lucchese preferiu não abordar.

– Cheguei a conversar com gente de outras formações, mas é outra história, que renderia outras 300 páginas – aponta.

E o que não faltam nas mais de 300 páginas de Infinita Highway são histórias. Histórias de como um trio de músicos praticamente amador, de uma capital do extremo sul do país, sem qualquer apadrinhamento de gravadora ou amigos na mídia do centro do país, conseguiu se tornar um dos principais nomes da música pop do Brasil. Com meros dois anos de vida, os Engenheiros saíram de um show na faculdade de Arquitetura da UFRGS para ganhar Disco de Ouro pelas 100 mil cópias vendidas de Longe demais das capitais (1986), seu disco de estreia, e a partir dali frequentar os maiores palcos do país.

Claro que o período de vacas gordas ajudou – e Lucchese contextualiza muito bem o quanto as gravadoras, na época, tinham muito mais dinheiro e vontade para investir do que hoje (incluindo em bandas com nomes bizarros do Rio Grande do Sul). O texto também deixa claro que ser um Engenheiro do Hawaii não era moleza – a banda colecionava desafetos dentro e fora da cena musical, em parte por conta de uma postura excessivamente defensiva, em parte por não fazer questão de se encaixar. Diz Maltz logo no início do livro: “Nós não éramos brothers de ninguém, nem de nós mesmos. Éramos completamente outsiders”.

Internamente as coisas também era complicadas, como atestam as saídas até hoje polêmicas de Marcelo Pitz, o baixista original, e Licks, o guitarrista da fase áurea. Tão complicadas que o primeiro se recusou a falar e o segundo, pouco acrescentou ao que já se sabia.

Além dos integrantes dos Engenheiros, dezenas de profissionais e familiares que cercaram os músicos foram entrevistados. Mas uma das grandes sacadas da obra foi dar voz a quem realmente sustentou toda essa história: os fãs. São quatro relatos que comprovam a narrativa do improvável construída por Lucchese. Um deles, o operador de circuito interno de televisão Edvalci Nascimento, descobriu a banda ouvindo o rádio à pilha do pai quando morava na Zona da Mata de Pernambuco. Ficou tão fascinado que, anos depois, decidiu batizar o filho como Licks. Por um erro do cartório, o garoto foi registrado como Links – hoje, um fã de carteirinha dos Engenheiros. Não era para acontecer. Mas aconteceu. E está em Infinita Highway, a biografia do improvável.

Go to Top